Artistas X Intermediários: 2012 abre kafkiano

Ió! Amado Grassi

Desejo à tua bela pessoa um ano com amor, humor e muito mais.

Que seu poder na Funarte, teu instinto criador de ator, drible os cortes absurdos no Orçamento da Cultura, e sobretudo a Burocracia, e dê à Funarte o brilho que você tem como Ator na vida, TV, Teatro, Cinema.

Nós temos de conseguir que esta burocracia tirana torne-se no mínimo adequada no Campo da Cultura.

O trabalho dos Artistas tem sido extremamente massacrado pelos intermediários.

Viramos escravos deles e de uma burocracia que não tem nada a ver com a forma com que os artistas criam, expõem, viajam, vivem e dão para a Humanidade.

Por serem Criadores são diferentes, e merecem um tratamento que não puna esta diferença, pois é dela que a Humanidade vai encontrar soluções para os impasses maravilhosamente terríveis desta Mudança de Era.

Por exemplo: É INCOMPREENSÍVEL QUE OS CURADORES DA EUROPALLIA NÃO PAGUEM NOSSO VÔO DE VOLTA AO BRASIL, NO TRECHO BRUXELAS-LISBOA.

Apesar dos novos cortes havidos no Ministério da Cultura, para 2012 havia garantia de pagamento do trecho Bruxelas-Lisboa.

A intermediária Bia Gross emitiu os bilhetes sem nos mostrar as alternativas, dizendo que agiu assim com todos os grupos e não seria diferente com o Oficina.

Isto é, não pagaria o trecho da volta Bruxelas-Lisboa.

Ana Rúbia, nossa produtora, foi comprar a passagem de Lírio, filho da grande atriz Ana Gui, que fez Cacilda Becker!! em 2009 e 2010, e verificou que Bruxelas-Lisboa-São Paulo teria o mesmo custo com a interrupção de vôo em Portugal.

Bia, contestada por Rúbia, alegou que não poderia emitir o bilhete em 2 etapas. Alegou uma entidade: o “Administrativo”.

Assim, não sabemos como ela vai justificar que nos deixou em Bruxelas e depois nos pegou em Lisboa pra voltar ao Brasil.

Temos que resolver esta questão com Justiça a favor dos Artistas.

Além de realizarmos “Bacantes”, o “Vinho Torna viagem” de Dionísios à Europa, na finalização do “Ano Brasil na Bélgica”,
vamos nos presentar em Lisboa, no Teatro São Luis, acolhidos, alojados, por artistas portugueses, e ganhando exclusivamente da bilheteria.

É uma ação da Cultura Brasileira de Exportação, que não pode ser travada pela burocracia do “Administrativo”.

É kafkiano demais começarmos o 2012 assim, com os burocratas transferindo o ônus de parte da nossa viagem de volta,
só porque vamos levar mais Cultura Brasileira para Portugal. Parece até uma Punição!

É tão difícil os atores viajarem com suas Companhias e quando surge uma oportunidade como esta somos castigados pela Tirania de uma Burocracia que nos rouba o que temos direito? Mais que direito, dever de fazer?!

O ano abre assim, mostrando que está existindo uma Luta enorme entre os intermediários – que ganham muito, mas muito mais que os que produzem Arte – e nós Artistas. Isso em todas as áreas da Arte. Veja o caso do Itaú, que em recente exposição de artistas plásticos, remunerou intermediários, técnicos, e não aos Artistas, razão de ser da Exposição.

Estes Artistas protestaram e receberam um calar a boca de R$1.000 reais cada um.

Se Bia quer ter competência na gestão Cultural tem de ter a manha de resolver impasses como este, ou então não é Gestora Cultural. Ela ainda não reconhece o Valor incomensurável das pessoas e do trabalho dos Artistas. Bia disse ao produtor de “O Idiota” que reinvidicou parte do pagamento antes da viagem: “Vocês vão à Bélgica, representando o Brasil, e ainda vão ganhar um cachê?! O que querem mais?”

Há uma tendiencia à desvalorização total do trabalho dos que fazem Arte no Brasil, a favor dos Intermediários.

Não podemos nós artistas, Grassi, concordar com este abuso.

A Arte, além do Marketing, é uma das maiores riquezas que a espécie humana produz. Porque os artistas têm de ser massacrados em vida?

Essa história não cabe no mundo de hoje, que mais do que nunca precisa dos Artistas e dos Cientistas para dar o salto de transposição desta Idade Mydia Obscura Neoliberal para a Era da Economia Verde Real e Virtual.

Muitos beijos e abraços para você querido, plenos desta energia afetiva que nós Artistas temos pra dar.

Temos em você um Artista no Poder que pode encontrar os caminhos de superação desta deformação específica, desde já pelo que se passa no nosso vôo: Bruxelas Lisboa.

José Celso Martinez Corrêa
Presidente da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona. Regente, ator, dramaturgo, cantor, produtor.

EVOÉ

A Alegria é a Prova dos 9

Que 2012 traga uma homeostase entre os Artistas X Burocratas e Atravessadores.

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7 comentários
  1. Resposta de Grassi:

    “Caro Zé,

    Vou checar isso junto a produção da Europália e lhe darei retorno.

    Grande abraço e um feliz 2012

    Grassi”

  2. “Querido Zé,

    Conversei agora cedo com a Bia.
    Ela está se movimentando para resolver bem a situação. Segundo ela, conversou com a Ana Rubia e a colocou a par de tudo.

    Vai dar tudo certo
    Acho que te verei na Bélgica.

    Grande abraço

    Grassi”

  3. Bonjour, gostaria de entrar em contato com Zé urgente, moro em Liège onde Zé vai apresentar “As Bacantes”, tenho informaçoes sobre os delises da produçao daqui, gostaria de preveni-lo.
    Trabalhei com Zé no Rio em 1978-“Acordo para mudar o curso do Rio”, e iriamos trabalhar juntos de novo , eu estava escalada para ser a acompanhante e interprete do grupo desde de outubro de 2011, e hoje recebi um email da produçao, assim sem mais nem menos, dizendo que nao seria possivel por questoes burocraticas assinar o contrato como benevole , falta de tempo da produçao para enviar os formularios burocraticos para a ONEM me liberar .
    Enfim si possivel gostaria que esta mensagem chegasse até o Zé Celso, ele pode me achar facilmente no facebook (sonia de mattos ).
    Desde ja agradeço sua colaboraçao.
    Sonia de mattos

  4. Vladimir Stallman Magon disse:

    Fora Grassi e sua corja da Funarte!!!! Fora Ana de Hollanda!!!!!

    Zé Celso pelegão.

  5. Vladimir Stallman Magón disse:

    O que mudou na gestão cultural do minc e de seu braço Funarte?

    O que ocorreu para a mudança de postura de Zé Celso de junho pra cá??? Europália? Torneiras abertas para o oficina?

    O que isto representa efetivamente enquanto formulação de política cultural ampla????

    Enquanto política cultural, Europalia e dinheiro para o oficina, por si, não representam nada ( a não ser, talvez, cooptação exitosa).

    O que é representativo da natureza da política cultural do MInc????

    A obscuridade do processo de gestação do projeto de lei de alteração da lei de direitos autorais, ignorado por quase todos os “santos criadores”, que claramente se vincula a interesses de grandes conglomerados da industria cultural, é representativo de como são Grassi e Ana de Hollanda na gestão do minc. Eles como artistas não me interessam no momento….

    O que Zé Celso parece querer é embaralhar o cenário com seu discurso ufanistamãoprocéu-interessado-ideológico. Como discursar a superação do neoliberalismo e afagar o tucano-Grassi????

    Em tempo, relato aos “santos criadores” que o projeto de lei dos direitos autorais da Ana de Hollanda prevê com a introdução do artigo 105-A na lei de direitos autorais (9.610/1998) a instituição de uma justiça privada com superpoderes para ter a força de agir indiscriminadamente contra toda circulação não autorizada de arquivos de digitais. Para deixar mais concreto o que estou falando seguem a citação dos artigos 105 (que segundo o projeto atual permanecerá inalterado) e do 105-A

    Art. 105. A transmissão e a retransmissão, por qualquer meio ou processo, e a comunicação ao público de obras artísticas, literárias e científicas, de interpretações e de fonogramas, realizadas mediante violação aos direitos de seus titulares, deverão ser imediatamente suspensas ou interrompidas pela autoridade judicial competente, sem prejuízo da multa diária pelo descumprimento e das demais indenizações cabíveis, independentemente das sanções penais aplicáveis; caso se comprove que o infrator é reincidente na violação aos direitos dos titulares de direitos de autor e conexos, o valor da multa poderá ser aumentado até o dobro.

    “Art. 105-A. Os provedores de aplicações de Internet poderão ser responsabilizados solidariamente, nos termos do art. 105, por danos decorrentes da colocação à disposição do público de obras e fonogramas por terceiros, sem autorização de seus titulares, se notificados pelo titular ofendido ou mandatário e não tomarem as providências para, no âmbito do seu serviço e dentro de prazo razoável, tornar indisponível o conteúdo apontado como infringente.

    § 1o Os provedores de aplicações de Internet devem oferecer de forma ostensiva ao menos um canal eletrônico dedicado ao recebimento de notificações e contranotificações, sendo facultada a criação de mecanismo automatizado para atender aos procedimentos dispostos nesta Seção.

    § 2o A notificação de que trata o caput deste artigo deverá conter, sob pena de invalidade:
    I – identificação do notificante, incluindo seu nome completo, seus números de registro civil e
    fiscal e dados atuais para contato;
    II – data e hora de envio;
    III – identificação clara e específica do conteúdo apontado como infringente, que permita a
    localização inequívoca do material pelo notificado;
    IV – descrição da relação entre o notificante e o conteúdo apontado como infringente; e
    V – justificativa jurídica para a remoção.

    § 3o Ao tornar indisponível o acesso ao conteúdo, caberá aos provedores de aplicações de Internet informar o fato ao responsável pela colocação à disposição do público, comunicando-lhe o teor da notificação de remoção e fixando prazo razoável para a eliminação definitiva do conteúdo infringente.

    § 4o Caso o responsável pelo conteúdo infringente não seja identificável ou não possa ser localizado, e desde que presentes os requisitos de validade da notificação, cabe aos provedores de aplicações de Internet manter o bloqueio.

    § 5o É facultado ao responsável pela colocação à disposição do público, observados os requisitos do § 2o, contranotificar os provedores de aplicações de Internet, requerendo a manutenção do conteúdo e assumindo a responsabilidade exclusiva pelos eventuais danos causados a terceiros, caso em que caberá aos provedores de aplicações de Internet o dever de restabelecer o acesso ao conteúdo indisponibilizado e informar ao notificante o restabelecimento.

    § 6o Qualquer outra pessoa interessada, física ou jurídica, observados os requisitos do § 2o, poderá contranotificar os provedores de aplicações de Internet, assumindo a responsabilidade pela manutenção do conteúdo.

    § 7o Tanto o notificante quanto o contranotificante respondem, nos termos da lei, por informações falsas, errôneas e pelo abuso ou má-fé.

    § 8o Os usuários que detenham poderes de moderação sobre o conteúdo de terceiros se equiparam aos provedores de aplicações de Internet para efeitos do disposto neste artigo.“

    Pablo Ortellado diz sobre a introdução deste artigo 105-A:

    “Este artigo tem por objetivo enfrentar a questão da chamada “pirataria digital”, saciar a angústia de empresas, investidores e alguns autores e artistas e agradar aos Estados Unidos, alinhando-se à sua política externa de repressão, através da responsabilização indiscriminada dos provedores – quem sabe até abrindo caminho para o ACTA, que é expressamente rejeitado pelo Itamaraty.

    A parte que solicita que o material seja retirado não precisa submeter sua alegação de suposta violação a um juiz ou Tribunal que avaliaria se a alegação apresenta os indícios suficientes para uma decisão prévia, preliminar, sobre a procedência ou não do pedido. O que poderá acontecer é a indústria abusar deste dispositivo, como nos Estados Unidos, fazendo milhares de solicitações diárias para se remover matéria, o que implicará em censura prévia privada massiva, já que primeiro a obra é retirada e só depois o mérito é julgado, também de maneira privada.

    O preço, contudo, pode ser exageradamente alto para a sociedade, uma vez que os acusados só poderão contestar a acusação depois de o acesso à obra ser bloqueado, com base em uma simples notificação privada. Com isso uma simples alegação privada e não provada passa a ter o condão de condenar um cidadão.”

    A manutenção deste artigo que representa, aliás, uma faceta muito ruim da gestão Gil/Juca, é fato muito mais representativo da indole da política cultural do minc do que uma Europalia….

  6. adriana disse:

    ze…….

    Tive muita emocao em te ver aqui……queria voce aqui em casa em Berlin corrompendo esses anarquistas alemaes e eu cuidando de ti…

    te amo muito

    sua Rosalinda

    • Vitor disse:

      poema
      chico-tabu

      o bom moço das praças
      depois de muito a ditadura combater
      resolveu proibir o Teat(r)o Oficina e o público
      de acesso a sua obra terem

      o caro amigo
      das gentes humildes
      depois de combater a ditadura
      resolveu que agora quer privar o Brasil
      de visitar a sua própria cultura

      mas que importância tudo isso tem?

      tem que a obra tem mais valia que o artista!
      e ninguém pode censurar que acessemos o que
      dantes já foi proibido
      e que teve de ser conquistado a penas duras!

      estamos fartos de Robertos
      e Chicos

      que proíbem o que eles mesmos gravaram!

      um poema publicado
      deixa de pertencer ao seu autor

      uma peça encenada
      deixa de pertencer ao seu ator

      um poema musicado
      é uma coisa linda

      isso passa pelo afeto!

      e a nacionalidade de Shakespeare?
      a UNIVERSALIDADE!

      recordemo-nos de nosso passado e história
      oh, leite derramado!
      da censura que recriminava o TEATRO…

      o velho compositor,
      francisco, cantor e literário
      quem diria, meus amigos
      mostrou-se um reacionário!

      que foi de ti, camarada libertário?
      esquecesse-te de teu passado no exílio?
      por que banir a trupe do Zé Celso?
      que foi que o Teatro te fez?
      cadê a preocupação com teu povo?

      houvesse se queixado antes
      da qualidade de tua obra “Roda Viva”
      então por que não deixou-a guardada p sempre no armário?
      sai do armário, Chico
      vem pro rito do Oficina
      procurando bem, todo mundo tem pentelho
      só que não tem, é a bailarina

      e nós as gentes humildes
      (nós)
      continuamos sem acesso a cultura
      e o preço do ingresso do show
      tá salgado pra chuchu
      só nos resta um Zé Celso e o Teatro
      pra colocar luz sobre todos e quaisquer TABUS

      artistas são membranas sensitivas

      Vitor Guedes Daneu

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