Mistérios Gozozos a Moda de Ópera

Não posso recomendar a ninguém a última edição de “O Santeiro do Mangue ou Mistérios Gozozos a Moda de Opera” de Oswald de Andrade pela Editora Globo.

Esta trai completamente o autor desta Obra Prima, forçando o final com um “Discurso Mensagem” de uma das Vozes da Peça”: a do o Vendedor de Santos: Seu Olavo, que faz um discurso militante comunista, no meio da peça, quando é preso por bater na Puta Eduléia.

Quem remontou esta edição finaliza a Obra como “Discurso Militante”, “Mensagem do Autor” e destrói o sentido Poético Religioso da peça, transformando-a num vulgar panfleto político, em que instrumentaliza a Arte para servir à uma Ideologia.

Transforma a Voz do seu Olavo na Voz Mono, na voz do Deus “Ex Máquina” . A Revelação do Mistério desta ultima edição da Globo, é um chavão stlainista ,vulgar , não do Autor,mas da personagem, reduz a peça á uma das vozes e torna a peça maniqueísta, militante, cuecona de esquerda.

Felizmente na Internet pode-se chegar ao trabalho excelente do acadêmico RENATO CORDEIRO GOMES, que pesquisou em profundidade todas as versões desta Obra, descobriu o sentido Plural das “Vozes” que Oswald criou na peça. Sua Tese já traz ná no título o que é esta peça: “CONTRAPONTO DE VOZES: A BIOGRAFIA DE O SANTEIRO DO MANGUE, DE OSWALD DE ANDRADE”.

Estudou as várias versões da peça, escrita e reescrita em muitos anos, e revela que Oswald cria uma “Sinfonia de Vozes” com as Personagens, as Entidades. Nesta última versão revela-se a religiosidade do “Mistério Gozozo”.

Por esta razão me senti no dever de postar no meu Blog a versão que encenamos, no Teatro Oficina. Foi a encenação da peça de 1984 do Oficina Uzyna Uzona, que trabalha exatamente com a Pluralidade de Vozes, e reserva a revelação, não como uma mensagem panfletária, mas com a ambiguidade dos Mistérios Divinos e Diabólicos da Vida.

É a peça que mais reflete o que Oswald chamava de “Sentimento Órfico Religioso”. O Poeta não acreditava em nenhuma religião instituída, mas sabia que todo ser humano, como ele mesmo, tem em si uma religação com o Mistério da Vida, que chama exatamente de SENTIMENTO ÓRFICO. Todo ser humano tem contato com os MISTÉRIOS das divindades celestes, terrestres ctônicas da Vida e da Morte.

É das mais delicadas Obras Primas do Teatro Mundial de todos os tempos.

Esta Peça em Feitio de Oração, para nós foi como o “MISTÉRIO DE ELEUSYS” para os gregos, que precedeu o NASCIMENTO DA TRAGÉDIA GREGA e para nós a TRAGICOMÉDYIORGYA DA ÓPERA DE CARNAVAL, na Phala e Cantos Mantras, das BACANTES.

Segue a versão encenada pelo Oficina estreada na Praça da Sé durante o Carnaval de 1994 que depois entrou em Temporada no Teat(r)o Oficina.

Na excursão que faríamos em Araraquara, minha cidade, foi considerada um vilpêndio à Eucaristia e fomos processados pelo Padre confessor de minha mãe. Quase fomos presos e condenados a trabalhos forçados.

Para baixar o texto clique:

MISTÉRIOS GOZOZOS A MODA DE ÓPERA – VERSÃO OFICINA 1984 – PDF 25 PAGS.

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4 comentários
  1. Caro xamã, acabo de sair do teatro em Campinas onde assisti Macumba Antropofágica, deixo um texto que publico amanhã no facebook, com todas as recomendações ao espetáculo-Pindorama. Um bj. Segue o texto.

    Macumba Antropofágica é o descarrego nacional

    Em campanha pela Copa Cultural de 2014, Zé Celso Martinez Corrêa viaja pelo País com seu seu teatro macumba e ontem chegou a Campinas com seu rito, seu grito, que atravessa a história desde Pindorama chegando à incorporação tecnológica que baixa o twitter em cena. Foi ali mesmo, enquanto rolava o espetáculo, que os atores convidaram o público para tuitar uma mensagem ao Ministério das Relações Exteriores pedindo o fim da guerra na Síria. Esta foi uma entre tantas artimanhas do grupo que mastiga a carne, os ossos e os nervos culturais em Macumba Antropófaga, espetáculo que estreou em 2011 e foi remontado este ano.

    Politizado, crítico e transgressivo, o Teatro Oficina é sempre um território de imagens e imaginação fortíssimas, propondo um transe cultural que revigora o DNA da arte nacional.
    Sob a inspiração do Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, Zé Celso cozinha as cenas em caldeirão borbulhante de onde tudo o que sai é comido. Sem deixar pedra pedra , ele faz seu próprio ritual antropofágico servindo a modernidade num banquete que se come com as mãos e com o sexo. A antropofagia é Eros, antes de ser Tanatos.

    Na primeira parte, a macumba pega o público pelos tambores, a ginga, a alegria sensual que carnavaliza o teatro, mas numa linguagem que transcende a folia e espeta no público o tridente da crítica sempre corrosiva aos costumes, ao preconceito, à caretice institucionalizada. Na segunda parte, a crítica é bem mastigada, deglutida em passagens realistas como a do aborto em carne viva, com muito sangue cenográfico e o peso de uma pedra social estilhaçada nas vidraças da consciência do público. O espetáculo também pega a Igreja pra Cristo e tira do baú as idiossincrasias do Vaticano – representado magistralmente por Zé Celso na figura do papa, com imaculadas vestes e sapatos vermelhos. O ápice da crítica à fé que semeia a dor é a paixão de Deus por Lúcifer. Mas, afinal de contas, Deus é amor, referência que se transforma em frase humorística, em determinado momento, quando eles dizem: “Deu é amor!”
    A Igreja, a Justiça e a moralidade são queimadas na fogueira sempre acesa no centro da cena. O espírito é tribal, os cantos indígenas, as línguas se entrelaçam no emblemático Tupi or not Tupi do velho Oswald, mas o biscoito fino é Aymoré e hilário.

    No meio do transe, o tributo à diretora de vídeo Eliane Cesar condensa cenas ao vivo e nos telões espalhados entre o público. Eliane que trabalhou no grupo Oficina e foi acusada pelo ex-marido de trabalhar num “teatro pornográfico”, perdendo por isso a guarda do filho, morreu de câncer este ano e é homenageada como uma guerreira (tupi?) que enfrentou o moralismo que se ampara nas togas e nas leis para cometer atrocidades como a de separar mães de filhos, em nome de um pátrio poder.

    Macumba Antropófaga põe entre os dentes a moral burguesa, a homofobia, a repressão sexual, as perseguições da Igreja ao aborto legalizado e à pesquisa com células-tronco e mastiga, mastiga tudo, deixando escorrer da boca de onde sai o grito o caldo cultural de um teatro vivo e combativo. Macumba Antropofágica reúne a arte e a crítica social sem descambar para o panfletário. O discurso político é sempre liquefeito em senso lúdico e sentido erótico que afastam os maus espíritos e o tédio. No fim, o público aplaude seu próprio descarrego. (Célia Musilli)

    P.S. Primeiramente publiquei este texto num post ali em baixo, no lugar errado,por favor, se queiser pode excluí-lo de lá, deixar só aqui. Desculpe a duplicação, bj.

  2. Raphael disse:

    Uma das melhores ARTES que já presenciei.
    Estou definitivamente orgulhoso de saber que existem tantas pessoas profissionais, inteligentes, astutas, que dão valores ao que tem e faz, estou feliz pela onda que me inundou de prazer e satisfação, ao ser espectador de uma peça tão sublime e genial. Com tanta classe a surra que dão na sociedade hipócrita em que vivemos. Ontem aplaudi até minhas palmas se ruborizarem, e faria tantas vezes fosse necessário, e ainda assim, não seria suficiente, a minha vontade.
    Obrigado obrigado e obrigado

    • Raphael disse:

      Me esqueci de mencionar que a peça foi Macumba Antropófaga hehehe

  3. Luís disse:

    Queria muito saber o nome dos membros da peça, são todos maravilhosos!

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