LONGA DURAÇÃO, PLENAS DE CURTAS, MAS O BARBANTE NÃO TEM FIM…..


Matéria que a Folha publicou gotinhas.

 

As montagens do Teatro Oficina  costumam ter longa duração. O que determina o tempo de duração do espetáculo?

FURO DE REPORTAGEM !!!!!!!!!!!!

A próxima montagem do Oficina Uzyna Uzona terá 90 minutos: AKORDES.

É! O Oficina não se acostuma a nada.

Se você for ver a historia do Oficina, vai ver diversidades de tempos

Nestes últimos anos, estouramos o tempo ressuscitado pelo neo-liberalismo:  Time is Money.

A Máquina de Feitiçaria dos Espetáculos da Sociedade que vive deles, estabelece uma agenda onde o Teatro é desvalorizado, comprimido num  Tempo para que seu poder, seu valor imponderável de penetração humana, não se manifeste.

A duração de um espetáculo é o próprio ser-no-tempo, do Tempo-Ritmo, da Paixão que é a Peça que o Tyazo (elenco em termos dionizíacos) cria.

É um tempo fora do tempo das agendas rotineiras sociais,

Cria  um Tempo fora do Tempo e contra Tempo,

como no Amor quando se namora com a Eternidade.

Passa voando fora dos ponteiros

 

O tempo de permanência do público no teatro é um dos fundamentos das montagens do Oficina?

Nunca tivemos, nem teremos “FUNDAMENTOS”.

A duração nasce da obra, como no caso de “Os Sertões”que chegou a 27h, 5 dias de espetáculos e foi um dos nossos maiores sucessos de bilheteria.

 

Como evitar que o público fique cansado?

É só o público deixar se ser só cabeça, “espectador”, e entrar no Ritmo do Rito, como no Carnaval. Pode até ficar sentado, mas de pernas abertas, braços descruzados, para deixar-se atravessar pela forte dinâmica da energia produzida, feita de contrastes rítimicos, cores, música, imagens, agenciadas pela transfiguração permanente dos Corpos dos Atores Interpretes. Ou você entra nesta piscina em ebulição de tempestades, calmarias, mar aberto, ou cultiva seu Jardim de Tédio, proibindo-se a sí mesmo de mergulhar. É melhor então você vazar, porque atrapalha, corta o barato da onda formada pelo enfeitiçamento da multidão. Se entrar n’Ela, Macumba, não cansa.

 

Esta é uma questão durante o período de pesquisa e montagem dos espetáculos?

Enquanto se pesquisa, tanto no teatro como a ciência, não se cai na burrice a ponto de estabelecer limites.

Esperto é romper com todos. Imaginar o impossível.

E óbvio, não somente na questão de Tempo.

Hoje o Teatro vive uma revolução espacial que interfere na Arquitetura, nas Ruas, no espaço Cósmico.

O Limite é a castração como a de uma Cadela, da  Potência que a Arte do Teatro está desvendando e ganhando nos dias de hoje.

Silvio Santos nos emprestou por todo este ano os terrenos do entorno do  Oficina:

1- Nós estamos  batalhando com a Secretaría do Estado da Cultura que é Proprietária do Teatro Oficina, pra que comece logo as Obras de restauração do Teatro, que precisa de obras renovadoras. Podem acontecer rapidamente a tempo ainda de comemoramos os  20 anos de Ethernidade de sua criadora: “Arquiteto” Lina Bardi.

No dia 1º de Agosto às 15:00h – teremos no Teatro Oficina, reunião com o Sec. Estadual de Cultura sobre este assunto e o próximo.

2- O Terreno de Silvio Santos deve ser trocado ainda este ano, por um terreno, seja da União, do Estado ou  Município, como foi determinado pelo Tombamento do Teat(r)o Oficina pelo IPHAN. Aí rola o tempo mais entediante que existe, nem me fale em peças longas, me torture com as demoras e complicações da Madame Burocracía, elevada agora a condição de PROTAGONISTA DAS AÇÕES DA DEMORA .

Este sim, um Teatro que temos que engolir a tempo da realização da COPA DE CULTURA DE 2014, DIONIZÍACAS, NO TEATRO DE ESTÁDIO OSWALD DE ANDRADE.

Porque me refiro a estes casos exemplares?

Nossas pesquisas, nossos feitos durante 53 anos como Posseiros dos Terrenos onde aconteceram 3 Teatros Oficinas, onde buscamos sem cessar o que nos coube no jogo da História: Novos Espaços Cênicos para Obras de Teatro Novas ou Tornado Novas.

As formas arquitetônicas e urbanísticas são hoje os instrumentos de trabalho do Ator, Atriz, Músicos e  Tecnos, que trabalham o dia a dia das Artes Cênicas ao Viva .

Assim como o Cinegrafista de um filme tem como instrumento sua Câmera, no Teatro é o Chão, o Barracão onde ele nasce e depois Viaja para Outras Terras.

 

As peças do Oficina costumam ser uma grande celebração. Esta é uma maneira de manter o público envolvido na montagem? 

Não é um cálculo maquiavélico para manter a audiência envolvida. O Teato é uma Macumba muito Arcáica que agora retorna na Era da Inteligência Tecnizada. Não é uma Arte feita de truques. Eles existem e você pode brincar com eles. Mas o Teat(r)o agora retorna ao gens das Celebrações Feiticeiras de Indios, Africanos, os antropófagos do mundo todo, que estão no nosso DNA e no nosso Cérebro Arcaico. Artaud trabalha o Teatro como um Curandeiro, um Feiticeiro, desvoduzador do rebanho humano, globalmente enfeitiçado, por uma feitiçaria boçal.

 

O espaço físico do teatro Oficina colabora para manter o público ligado no espetáculo?

As arquiteturas dos Teatros mudam quando abandonam as Vitrines do Palco Italiano ou as Tocas dos Teatros Marginais.

Lina Bardi, com Edson Elito, fizeram o Oficina não para “colaborar” para que o público fique ligado, mas inventaram um lugar

onde só tem lugar pra quem atua, seja com o corpo, seja com suas extensões: luz, vídeo, música,

e quem vem trocar com a atuação: O Público.

Não há escritório, burocracía, nada.

O Público burguês, se queixa: nem todos veêm a mesma peça, do mesmo ponto de vista… as cadeiras são desconfortáveis… reclamaram tanto que deixaram de vir… por enquanto ….

É muito raro ter um Burguês atuando conosco. A Burguesia criou o Palco Italiano, para se manter distanciada de um certo nojo dos corpos presentes em cena. Mas como ela está se espatifando, seus valores invertendo-se, a burguesia ainda virá comer na nossa mão.

 

É possível encenar um espetáculo de cinco horas como “Os Sertões” no palco italiano?

Nós fizemos a obra de Euclides em contacto com a Terra, no Exterior e pelo Brasil todo, em Grandes Lonas, Teatros de Estádio, culminando em Canudos onde tudo aconteceu. Mas quem quizer fazer que faça. Eu estou fora.

 

Como ator, como manter a atenção do público por tanto tempo?

Mais difícil é manter a concentração consigo mesmo.

Muitos atores que trabalham comigo também tem esta dificuldade e quando estão nas peças mais longas como ESTRELA BRAZYLEIRA A VAGAR CACILDA!! clamam também para fazermos peças mais curtas.

Outros querem mais.

Mas todo trabalho de ensaio resume-se em CONCENTRAÇÃO NO AQUI AGORA CONSIGO MESMO, COM OS OUTROS E COM O SOL.

Se acontece isso a meditação ativa coletiva da atuação concentrada, toma conta do espaço e cria o fenômeno que chamamos teatro.

 

Como ator ainda, como decorar o texto de um espetáculo com tantas horas?

Par Coeur como diz em francês de-Corar. E nas Óperas de Carnaval os textos exigem que as palavras sejam ditas ou cantadas como notas musicais. Cada sílaba é importante e nunca está decorado de vez. O  Ator comeu o texto. Então, se bem deglutido, passado pelo CorpoAlma, fica uma  substância interior de células vivas armazenadas, elas são devolvidas pra fora, mas sempre com uma interpretação nova. Nunca é cerebral. O texto é Mantra, tem de ter peso próprio no espaço. E este trabalho pra quem faz é uma ourivesaría esculpida num prazer sofisticado de jóia sonora.

 

Os espetáculos de longa duração estão ligados a alguma vertente específica da dramaturgia?

Aos mais Arcáicos Rituais que duravam dias e dias, aos Gregos, Shakespare, os Rituais Indígenas, os Africanos, os Shows de Rock, as Raves…

Mesmo nos anos 60, peças como as de Tenesse Williamns, O‘Neil eram longas e belíssimas.

Hoje o desprezo com que o Teatro é tratado, disfarça-se no Monólogo, Peça de Dois, ou na Bestificação de Visão dos Mega Espetáculos Tipo Cirque du Soleil. É um desprezo que o ser humano tem por sí mesmo, está fechado no País da Anestesia, do Indivíduo, da Gramática.

O Teatro apavora porque, numa época de terceirização, só acontece se for com seu próprio Corpo-Alma-Orgiástico, e toda noite… ethernamente vivendo a construção de seu corpo-alma como Obra de Arte na Orgya.

Mas pode ficar tranquila que brevemente quero começar a ensaiar as duas últimas CACILDAS – !!!( TBC) e !!!!(TCB) – de minha TEATRALOGIA CACILDAS !!!!!!!!!!! E depois apresentar todas numa Semana!

“Não posso mais eu quero é voltar a Orgya”

Vida de artista não há melhor que exista.

 

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1 comentário
  1. Vladimir Stallman Magón disse:

    Carta Aberta de Vladimir Stallman Magon.

    Sobre a tão aguardada saída de Ana de Hollanda do ministério da cultura.

    Salve a cantora e compositora Ana de Hollanda.
    Volte a cantar e compor, sem ressentimentos.
    Só não se esqueça que toda música está solta na rede. É é assim para para bem geral.
    para o mal:
    Foda-se o facebook / foda-se a sony music
    FODA-SE O ECAD e sua tropa.

    Quem será Marta no minc?????
    Será Dilma uma ignorante??????

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