Sobre O Exu dos Palcos, entrevista publicada na Carta Capital de 19 de dezembro de 2012

Para ser mais exato, Mãe Stella me concedeu a honraria de Exú das Artes Cênicas – é mais preciso, pois pouco trabalho em palcos, muito mais em Pistas, Terreiros Eletrônicos, ginásios esportivos, praças…

Está ótima a entrevista feita pelo grande jornalista Álvaro Machado. Depois de muitos anos me senti diante de um profissional que conseguiu passar informações há muito censuradas pela Midia em Geral, por quem sou considerado, e com muito orgulho, um Dinossauro. Mas sou de uma espécie longeva q continua criando com jovens obras tão vigorosas quanto todas q minha Paixão pelo Teatro fabricou.

Entretanto fiquei muito ansioso pela oportunidade de estar diante de um jornalista sem o Tabu em cima de nosso trabalho, na Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Essa ansiedade talvez tenha resultado numa reportagem de criolo doido, como sou mesmo. Por isso senti ser necessário precisar algumas informações nela publicadas:

1 – A Música de Acordes não é só de Paul Hindemith. A Peça foi apresentada por Brecht somente 3 vezes no Festival de Baden Baden na Alemanha e com a música incompleta. Brecht e Hindemith desentenderam-se e a música mesma do compositor original foi completada e recriada por nós. Quase metade da música foi feita por compositores da Associação e pelo Coro de Atuadores nos ensaios da peça.

2 – Há uma frase q não entendi:
“A montagem conecta a atual crise econômica à proposta de Brecht às ajudas com as quais o governo acenava às vítimas da especulação”.
Compreendo que há vítimas entre especuladores mas o peso da ajuda aos mesmos caiu sobre a Multidão Mundial que hoje está aprisionada ao “Terrror e Miséria do 4º Reich” pagando os efeitos negativos da Especulação com a condenação da maior parte da Humanidade à AUSTERIDADE.

3 – Quanto à minha Indenização, concedida pela “Anistia”. Recebi esta quantia, R$596.000,00, que será paga em muitas prestações, mais uma quantia de R$4.000,00 mensais q receberei até minha morte. Consegui um adiantamento não sei de quanto desta quantia maior, de caráter temporário, e investi R$88.000 na realidade na *Macumba Antropófaga 2012* e não em Acordes – tive o retorno do empréstimo da Casa de Produção do Oficina Uzyna Uzona quando chegou o dinheiro da Petrobras.
Gastei sim, muito pouco do avanço recebido pela Anistia em Acordes, mas não foi dinheiro administrado pela Oficina Uzyna Uzona, mas por mim mesmo, e nem sei quanto, mas não foi muito. Alguém deu esta informação errada para Álvaro, eu não sei precisar, porque sou péssimo em números e administração. Não sei contar nada, nem em literatura.
O dinheiro da reforma parcial do Teat(r)o Oficina foi levantado para a produção de Acordes, uma das produtoras do Oficina, Ana Rúbia, acaba de me informar.

4 – Há uma diferença essencial entra a maconha e o Ayuasca. Esta última, substância alucinógena, é vaso constritora. Por ser cardíaco não viajo mais com essa maravilha e temo q o que foi publicado induza alguém em erro q pode ter consequências negativas.

5 – Marcelo e eu fomos amantes desde o Dia em q nos esbarramos no Rio, 25 de novembro de 1986, até o ano de 2002, mas nunca deixamos de morar, trabalhar juntos no Oficina Uzyna Uzona, e também de nos amarmos. Não foi há 7 anos atrás q passamos de uma para outra.

6 – O Grupo Sílvio Santos nos fez um Comodato sem nada nos cobrar de todo seu terreno tombado. O Comodato vence em Março, não em Maio. Até lá o MINC, com Marta Suplicy, a PREFEITURA com Fernando Haddad e Juca Ferreira na SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA DE SP, já deverão ter efetuado o que determina o tombamento do Teat(r)o Oficina e seu entorno pelo IPHAN: agenciar a troca do terreno de nosso entorno, por um outro de valor equivalente em São Paulo, como foi proposto por Silvio Santos, nosso parceiro hoje. Mas sei q vamos ter q correr.

7 – Não sei de onde nasceu esta citação “infelizmente Antunes tem razão, o público não admite passar tantas horas no teatro”. Nunca soube o que Antunes pensa sobre peças de longa duração.

8 – Sobre Danilo Mirando e o SESC. O que é importante em 1º lugar é saber que Danilo é nosso grande amigo, desde 1992, onde praticamente lançou o Oficina Uzyna Uzona, patrocinando ensaios de HAM-LET pelos SESCS do interior de São Paulo. Mas não patrocinou a Viagem de Acordes para 2013. Ele mesmo me disse depois de ter lido a matéria que não é impossível q o faça.
Mas o q eu disse sobre os gastos do SESC com Bob Wilson, confesso que foi de um “ouvir dizer” leviano de minha parte, sei que o Municipal, é obvio, entrou também nos custos pela Opera de Verdi. O SESC não é esbanjador de $. E não chamei Danilo em casa para discutir, mas para beber na companhia deste grande e nobre amigo dourado, o q foi uma delícia. Como Danilo e eu somos amantes de vida misturada a trabalho, tocamos em assuntos relacionados a Patrocínio do SESC pra uma Viagem pelo Interior com a Macumba Antropófaga 2012. Esta foi de fato realizada por 3 cidades em Agosto, com um sucesso estrondoso em Teatros de Estádio super lotados.

9 – A Secretaria de Cultura somente paga o porteiro do Teatro Oficina, e não como eu disse ao repórter segurança, faxineiros, água e luz.

10 – Bob Wilson não está tão distante de nós assim. Eu o convidei pessoalmente a vir dirigir A MORTA, de Oswald de Andrade, no Oficina.

São 9 tópicos q completam uma entrevista rara e histórica. Só tenho a agradecer se estas notas forem publicadas. Aproveito para agradecer a Mino Carta pelo espaço que me concedeu em sua Revista.

O Fotografo Raoni, além das belas fotos q ilustram a revista, fotografou todo o “Teat(r)o Oficina” e seu entorno, onde será complementado finalmente o Projeto Urbano de Lina Bardi para a Rua q leva seu nome = a Pista de Atuação* do “teatro pé na estrada”, como ela dizia.

Esta rua desemboca em todas q cercam o Oficina: Santo Amaro, Abolição, Jaceguay e Japurá (atualmente fechada com grades de prisão por um condomínio de 4 casas.)

Conheci Mino na “Casa de Vidro’, através de Lina. Eram muito amigos. Eu penso que Lina merece uma capa da Carta Capital a partir do que projetou para a Complementação Urbana de sua última Obra Prima: o Terreiro Eletrônico do Oficina Uzyna Uzona.

José Celso Martinez Corrêa
Presidente da Associação de Artistas Teat®o Oficina Uzyna Uzona. Diretor/Dramaturgo/Ator/Músico

ACORDES

Foto: Raoní

Foto: Raoní

*RUA LINA BARDI = PISTA DO OFICINA – o cerne do Projeto de Lina para o local.
Durante 30 anos esta Rua que é a Pista do Oficina esteve bloqueada por um Beco Sem Saída.
Quando o Oficina foi tombado com seu entorno pelo IPHAN derrubamos os muros dos Arcos Romanos, na peça “TANIKO”, quando da apresentação das *DIONIZÍACAS 2010* em São Paulo, no terreno de nosso entorno. Assim aconteceu o sonho de Lina – a se completar com a TROCA DE TERRENOS proposta por Sílvio Santos, q deve realizar-se pelo MiINC & PREFEITURA DE SP & GRUPO SILVIO SANTOS – por determinação do IPHAN.
O IPHAN, que considerava a possibilidade de desapropriação ou compra do Terreno de Silvio Santos que contorna o Oficina, irá certamente decidir pelo apresentado por Silvio Santos = A troca por um Terreno da União ou da Prefeitura de SP de valor equivalente ao dele, Silvio Santos. Neste Terreno que estamos ocupando atualmente irá possibilitar a Completude Urbana do Projeto de Lina Bardi, q chamamos de “AnhangaBaú da Feliz Cidade”, nome de um Samba composto para esta causa, por Zé Miguel Wisnik.

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1 comentário
  1. Hollie disse:

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