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Arquivo mensal: setembro 2013

Resposta a seu, texto apresentado em 9/9/2013 ao órgão que preside, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo que, em maio deste ano, autorizou a construção de duas torres residenciais ao lado do Teatro Oficina, tombado por este mesmo órgão em 1982.

entorno

Ter a Cabeça do Inimigo nas mãos
e a sabedoria de tocar
pra ele ver de pé
a nossa Vitória

– Versos cantados de BACANTES, Eurípedes, antropofagiados pela Cia. de Artistas do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona.

Agradeço à Dionísio, a você Ana Duarte Lanna, esse texto tão revelador enfim de sua posição, de seu Viewpoint, sua Posição Ideólogica, sua Interpretação dos Direitos, suas Vontades em relação ao Patrimônio Cultural Teat(r)o Oficina. Agradeço a bela foto que o acompanha, onde se vê o Janelão de Vidro que dá para a Cidade e o Cosmos, o Jardim do Oficina com o tronco da Árvore Cezalpina nascido nele e seu tronco já penetrando no entorno deste Bem Cultural Tombado que agora recebe também, além do Tombamento Material, a declaração de seu Valor Imaterial, proposta em Projeto de Lei por deputados da Comissão de Cultura da Assembléia Estadual onde o Oficina Uzyna Uzona será finalmente reconhecido como, por exemplo, a Mangueira: Escola de Samba do Rio de Janeiro.

Quem somos
Você estava inspirada na reunião do Condephaat de 20 de maio de 2013 que deliberava sobre o Teat(r)o Oficina e a sua área envoltória. De acordo com a legislação tem toda razão: A área envoltória nunca é bem tombado. Mas o tombamento configura uma área envoltória de 195 metros e as intervenções em área envoltória são objeto de análise pelo Condephaat. Nesta reunião, vocês trataram desta análise.

Em seu texto você logo revela um engano, a partir de seu ponto de vista, que eu posso revelar com precisão: não existe “Companhia de Teatro Uzyna Uzona, que ocupa o Teatro Oficina”. Quem ocupa este lugar é a Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, registrada desde 19 de janeiro de 1984 em Cartório – sucessora das Cia. Teatro Oficina Ltda., Oficina Samba (durante o exílio em Portugal), Oficina 5º Tempo (no retorno ao Brasil durante a abertura lenta, restrita e gradual). Portanto não existe também o “Grupo Uzyna Uzona”. O que juridicamente nos qualifica é esta Associação de Tecno-Artistas Multimídia, que nos obriga a cada ano criarmos Atas das Assembleias Ordinárias testemunhando todas o cumprimento de nossa tarefa principal: construir em faina diuturna a História Viva do Teat(r)o Oficina, criando sempre espetáculos que dêem continuidade ao momento revolucionário da encenação de “O Rei da Vela” do Poeta paulistano Oswald de Andrade.

A Revolução Cultural trazida pelo Rei da Vela
Esta peça, que estreou o segundo Teatro Oficina, dos arquitetos Flávio Império e Rodrigo Lefévre, viu ao mesmo tempo superado o próprio Espaço de Teatro inaugurado por ela.
A peça encenada trouxe a religação com a Antropofagia de Oswald, que por sua vez religou o Teat(r)o a toda Cultura Popular Brazyleira – o retorno a Arcaica Cultura Sagrada Pagã dos Rituais Teat(r)ais dos Caetés, dos indígenas de todo o Planeta em suas muitas Eras, aos rituais de incorporação na dança e canto das culturas Afro-brasileiras, à Cultura da Musica Popular, Pop, Erudita Brazyleira e Internacional. Trouxe no Brasil a sua descolonização, desde 1967, num dos movimentos culturais mais celebrados no fim do século XX: a Tropicália.

Os Coros Tragicomicorgiásticos
O mesmo acontecendo logo a seguir com o glorioso retorno dos Coros Pagãos milenares de Teat(r)o, criadores na Grécia dos Ritos explicitamente chamados de teat(r)ais. Há milênios os Coros tinham desaparecido e por séculos foram buscados em todos os grandes momentos da Arte Teat(r)al.
Nietzsche, na sua 1ª grande obra conhecida, “A Origem da Tragédia no Espírito da Musica”, lembrando os Coros da Tragédia Grega, aponta seu retorno para o futuro.
Aconteceu no Brasil, no Rio de Janeiro em 68, com o retorno dos Coros em “Roda Viva”, de Chico Buarque de Holanda. A grandeza do acontecimento cultural foi obscurecida pelos ataques à Peça perpetrados pelo Comando de Caça aos Comunistas em SP e depois pelo próprio 3º Exército Brasileiro, em Porto Alegre.
Estas duas peças pra mim são como se fossem a mesma, com os protagonistas de “O Rei da Vela” e os Coros de “Roda Viva” – são o Ponto Galilaico da Revolução da Arte do Teat(r)o acontecida no Brasil de 1967 a 1968 e dando seus frutos até hoje.

Antropofagia
Na Audiência Pública realizada em 05 de setembro de 2013, Camila Mota, atriz há 16 anos associada à Companhia permanente do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona pedia a desapropriação do terreno para a implantação do projeto antropofágico do grupo, o Anhangabaú da Feliz Cidade, não como você escreve Ana Lanna, “segundo uma terminologia do grupo”. Tente apagar o seu novo engano, amada Ana Lanna. A Antropofagia não é a terminologia, a gíria de um “grupo”, como você nos chama.

Não é invenção de um gueto ou de um grupelho. Os poetas concretos paulistanos, os consagrados irmãos Haroldo e Augusto de Campos consideram “A Antropofagia Oswaldiana como o único pensamento filosófico original brasileiro”. E está sendo estudada no mundo inteiro como uma filosofia que pode transformar os apartheides – os racismos, os fundamentalismos, os especulativismos, os preconceitos na relação entre os povos de diferentes culturas – pelo modo de vida da maior parte do povo brazyleiro: a miscigenacão democrática das culturas. Tanto que em 2006 aconteceu no Teatro de duas platéias de Lina Bardi, no Sesc Pompeia, o EIA, Encontro Internacional de Antropofagia, em que antropólogos, artistas, historiadores, filósofos, músicos de várias partes do mundo, durante uma semana, criaram, phalaram, sobre este tema tabú desde o início da colonização do Brazyl.
Não é portanto uma linguagem de uma gangue de privilegiados, mas de povos arcaicos e presentes no mundo todo que almejam o fim das barreiras culturais, raciais, sexuais, religiosas, fundamentalistas, que tem causado tantas guerras à humanidade, sobretudo nos dias de Hoje.

Tombamento Revolucionário
Veio o AI-5. Estreamos com o quê? Nada mais nada menos que “Galileu Galilei”, no dia 13 de dezembro de 1968 – data da implantação da fase mais sangrenta da Ditadura Militar. Narro este ponto da história porque foi através desta peça que começamos a entender que a Cultura cria Cosmos – não grupos. Cria maneiras de ler, interpretar, viver a Vida no Mundo.

Começamos a perceber que o Oficina era um Cosmos, uma trajetória que desenhava um Discurso do Movimento, nome de um dos trabalhos do físico Galileu, que atravessou clandestinamente as fronteiras onde a Inquisição dominava nas mãos de um jovem físico que havia trabalhado com ele. Galileu o havia escrito nas noite de lua escondido da filha que era freira da Inquisição. Este trabalho o deixou cego e ele o escondia num Astrolábio – instrumento que em toda sua vida renegou, pois era constituído de tiras de bronze em que os astros todos giravam em torno da Terra.

Aconteceu o mesmo conosco. Quando fomos exilados em 1974, a grande cantora de Brecht e grande atriz Maria Alice Vergueiro fez passar todo o Arquivo do Oficina – inclusive o audiovisual porque tínhamos “O Rei da Vela” já filmado, mas ainda não montado – através do Consulado Francês de SP para ser desembarcado em Paris. Chamávamos este pacote embalado em muitas malas de “Todo o Discurso do Movimento”, do Oficina que começávamos a estudar. Sabíamos que estávamos descobrindo o retorno ao Teat(r)o como arte milenar orgânica da Humanidade em plena violência da Ditadura Brazyleira. Precisamos cuidar de todo o material para estudarmos a continuação de nossa história não terminada aí, como você Ana Lanna, pensa. Daí vem sua concepção de Tombamento Histórico o Teatro Oficina como um túmulo.

A violenta interrupção de um processo em plena floração nesta fase com a invasão do Teat(r)o Oficina, prisão, tortura de muitos de seus Tecno-Artistas, foi um capítulo heróico – continuado no exílio em países que passavam por movimentos revolucionários.

Esta peça, que combatia o pico da Ditadura Militar no Brasil, se hoje encenada, espelharia a luta em que os “sábios de Florença”, transfigurados em sábios do Condephaat de hoje, não querem acreditar no que seus olhos vêem.

Mesmo dentro do Terreiro Eletrôniko de Lina Bardi e Edson Elito, na Audiência Pública do dia 5/9/2013, não viam diante de si os seres vivos como a árvore Cesalpina plantada por Lina atravessar os muros e chegar ao entorno avançando muito mais do que o ridículo 1m e 80 cm, oferecido por estes “sábios” que não levam em conta sequer o janelão que dá pra Cidade e pro Cosmos, mesmo diante da presença das coisas em si, construídas pelo Oficina Uzyna Uzona, pelo próprio Governo de SP, pelo Ministério da Cultura na gestão do economista e humanista Celso Furtado, pela Sociedade Civil e até por Paulo Maluf, que pagou os fundamentos do edifício do Teat(r)o para fortalecer as paredes do pé direito alto do Oficina.
Estes momentos de construção da obra de Lina, logo após o reestabelecimento da democracia no Brazyl, formaram um breve período em que os burocratas não tinham ainda este poder – fortalecido pelo Cassino da Especulação Financeira.

Os atuais burocratas do Condephaat agem alegando que não existia, na data do Tombamento, este belíssimo espaço aberto dando para a Cidade: estão assim justificando a defesa da construção das Torres Assassinas do Bairro do Bexiga!
São esses paradoxos destes nossos tempos, desta Babel Feliciana, que me dão a sensação do absurdo e loucura das pessoas que ocupam cargos públicos para inverter sua função.
Você mesma, Ana Duarte Lanna, na FAU-USP revelou que não gosta das torres, que as acha horrendas. Pasmem: soubemos que você ainda faz parte da comissão da comemoração oficial do centenário de Lina Bardi!
E você pode ao mesmo tempo querer que se destrua o projeto arquitetônico urbanístico total, para o qual o Oficina foi tombado em 1982/83. O Teat(r)o Oficina prédio não existia mais à época, estava em ruínas, sem as poltronas azuis que oferecemos no 1º de Maio de 1980 ao Sindicato no ABC presidido pelo líder Vicentinho. As paredes estavam cheias de buracos pois nós começamos a construção do Terreiro Eletrôniko para tornar irreversível nosso movimento de transformação.
Todos vão poder ver como estava o Oficina no vídeo “Caderneta de Campo”, uma co-produção do Oficina Uzyna Uzona com a Fundação Padre Anchieta, vencedor do 1º Festival Videobrasil, que este ano comemora 30 anos. Este vídeo foi misteriosamente proibido pela Fundação Padre Anchieta, da TV Cultura, mas será exibido em outubro nesta cidade em comemoração a este aniversário. Aliás, há cenas do dia do Tombamento por Aziz Ab’Saber – que nos recebeu animadíssimo por termos entrado com a Compania Oficina Uzyna Uzona toda para acompanhar a sessão, com câmeras de vídeo – onde poderemos ver Lina Bardi com sua maquete em madeira do Terreiro Eletrôniko para o Oficina e do Teatro de Estádio para nosso entorno, então criado.

Aliás o ponto X é a discussão do diferente deste tombamento que revolucionou a questão da defesa do patrimônio cultural.

O Tombamento foi realizado exatamente em consequência da tentativa do Grupo Silvio Santos querer destruir o Oficina para construir um empreendimento imobiliário, inclusive, no fim do ano de 1980, visando comprar do antigo proprietário o Teatro, ao qual pagávamos aluguel.
Um grande movimento de opinião pública impediu esta possibilidade e inspirou os homens de cultura da Secretaria de Cultura, em 1982, a tombar o Oficina, ao mesmo tempo em que estes empenhavam-se em conseguir do Estado a desapropriação do terreno da Jaceguai e seu entorno para construir o projeto então criado por Lina Bardi.
Na sua citação do laudo do arquiteto e artista de Teatro Flávio Império: o Teatro Oficina passou por vários tipos de organização interna da relação palco platéia: atuante-espectador. Este fator constituiu-se em parte integrante de suas pesquisas: o ‘espaço’ da cena. Um dos elementos básicos de sua pesquisa de linguagem eminentemente teatral. Seu ‘tombamento’ não deveria, portanto, considerar fixo, congelado, o seu equipamento interno, para não estrangular as novas ou futuras propostas de pesquisa do grupo”
Há que se mencionar que não foi mencionado por você o trecho que finaliza o documento de Flávio: “Concordo com as medidas de urgência, no caso do seu tombamento, dada a iminência da incorporação da sua área de chão a um grande complexo comercial”.
E é obvio que não foi mencionado este granfinale do texto por referir-se ao “grande complexo comercial” que é o mesmo que sua gestão atual autorizou: a construção das torres.
Aliás, o mesmo “grande complexo comercial” derrubou duas casas de vila típicas do Bexiga, tombadas pelo Condephaat, vizinhas do Teat(r)o Oficina, que o projeto de Lina visava ocupar com a casa de Produção e com o Arquivo da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona.
Outra intervenção deste “grande complexo comercial” dói até hoje – ter tapado vitrais dos camarins superiores nos mezaninos ao norte que Lina pretendia que fossem transparentes à Cidade – locais de concentração dos atuadores abertos para a paisagem viva da Cidade e do Cosmos.
Além disso, uma abertura de uma janela no muro norte, feita e filmada no dia 6 de janeiro de 1980, logo que voltamos do exílio, tombada com o Teat(r)o Oficina em 1982, foi amurada por este futuro complexo comercial do Grupo SS no dia 9 de novembro de 1989 – dia da Queda do Muro de Berlim.
O Condephaat desta época já era o que parecia ter se tornado depois da última gestão autônoma do órgão pelo Dr. Modesto Carvalhosa – uma espécie de braço deste Complexo Comercial, pois nunca levou em conta estes crimes contra o Patrimônio Tombado.

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Na época dizia-se, como se diz ainda hoje aí no Condephaat, que “Zé Celso é um velho decadente que é contra o progresso de São Paulo”.

Não acredito que as Torres valham mais que a Praça Cultural que a própria Ministra da Cultura Marta Suplicy vem negociando com Silvio Santos – por indicação do Laudo do Tombamento do IPHAN, onde pretende-se realizar não um Complexo Comercial, mas Cultural, ligando o Oficina, seu entorno, o TBC, a Casa de Dona Yaya, em direção ao AnhangaBaú – daí um dos nomes que demos à esta Praça da Paixão da Cultura: Anhangabaú da Feliz Cidade, que inspirou um presente para esta causa, um belíssimo Samba-Hino composto pelo poeta, músico e catedrático de Literatura na USP, José Miguel Wisnik..

Jurema Machado, atual Presidente do IPHAN, no seu Laudo de Tombamento, quando era conselheira e representava a UNESCO, escreve:

“O que não fica claro – e deveria merecer uma avaliação mais aprofundada – é porque uma cidade como São Paulo, onde se tem a maior e mais consolidada experiência de aplicação de instrumentos urbanísticos como a transferência do direito de construir e as operações urbanas não elegeu o Bexiga para a aplicação prioritária desses mecanismos, justo uma região tão bem localizada, que tem potencialmente muito mais valor para São Paulo – até mesmo sob o ponto vista estritamente financeiro – pela sua diversidade cultural do que pela quantidade de metros quadrados que se possa construir ali. Edificações com destinações comerciais e de serviços, que não tenham outros requisitos locacionais a não ser a acessibilidade, podem ser deslocadas dentro do espaço da cidade utilizando instrumentos dessa natureza. Já o lugar das práticas culturais é ali, e só ali. Se não for ali, o Bexiga como tal deixará de existir.” 

Lina Bardi, que se chama Aquilina – com seu olhar de Águia, estendeu um dos braços com os dedos apontando para os arcos romanos da rua pista cênica em direção ao Norte – ao Anhangabaú – derrubando virtualmente com os olhos os muros, atravessando o terreno do entorno, a Rua Japurá, chegando ao Vale do AnhangaBaú sobre o qual ela estava realizando seu excepcionalmente belo projeto para um concurso público, que para a infelicidade geral da saúde e beleza da metrópole de SamPã não foi contemplado.
Ela pretendia fazer verde novamente o Vale do Anhangabaú – era a razão mais forte de seu projeto para o Oficina ter um alcance urbano: um Teat(r)o que, através de uma das quatro ruas do entorno penetraria a Cidade em direção ao Vale do Anhangabaú.
O Tombamento se deu exatamente porque Azis Ab’Saber, Flávio Império e João Carlos Martins compartilhavam deste arrojado projeto. O Tombamento seria uma 1ª Etapa que se seguiria à desapropriação e à construção deste Complexo Cultural Urbano.
Flávio fez aquele texto exatamente abrindo caminhos para que construíssemos o projeto de Lina Bardi, do Terreiro Eletrôniko = rua dando para as “Catacumbas de Silvio Santos” ou Pista Rua (hoje denominada Rua Lina Bardi) dando para uma Ágora: o Teatro de Estádio – preconizado por Oswald de Andrade em seu manifesto “Do Teatro que é Bom”: um “Teatro de Estádio” como antídoto ao “Teatro de Câmara”. Texto que consta do Livro “Ponta de Lança”.

Há uma obssessão, não somente do Codephaat, mas de uma geração freqüentadora do Teatro Oficina nos anos 60 – e por isso seu texto é de interesse Público – exatamente a minha geração, hoje acomodada no poder, que não perdoa nós termos continuado a linha evolutiva brotada nos anos 60. Não aceitam o Teat(r)o que se faz hoje pela Companhia dos Artistas da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona como uma consequência, uma continuidade de tudo que no fim dos anos 60 começou a renascer no Teatro Oficina e no Mundo.

Esta é a Grande divisão entre essas duas visões do Destino dos Patrimônios Culturais e da Própria Vida com que hoje nos confrontamos.

O encontro do Oficina com Lina Bardi
Na encenação de “Na Selva das Cidades”, em 1969 – um ano após o AI-5, portanto 13 anos antes do Tombamento, Lina instalou um Ringue de Box no centro do espaço concebido por Flávio Império, dividindo o espaço em dois pontos: uma arquibancada com ingressos vendidos mais baratos e poltronas azuis vendidas a preço mais alto.
A peça do Jovem Brecht foi encenada exatamente quando o Bixiga era dividido em 2 pelo Elevado Costa e Silva. Lina Bardi, com os destroços das demolições e árvores cortadas, fez a Arquitetura Cênica Urbana da peça. A peça era dividida em 11 Rounds.
É a Luta entre um bilionário chinês que invade com sua gangue a livraria onde trabalha o jovem Garga, e lhe pede que venda por 50 dólares sua opinião sobre um livro. O jovem alega que está lá pra vender as opiniões de Rimbaud, Salinger etc… A oferta vai aumentando, mas o jovem Garga continua negando-se a vender sua opinião e toda a livraria é quebrada. Era então uma referência à invasão de “Roda Viva” pelo CCC.
Os destroços iam se acumulando numa área em que foi construída uma armação de arame para proteger o Público dos cacos das destruições que voavam pelo espaço nos próximos rounds.

Todas as instituições iam entrando em cena magnificadas para ser estilhaçadas, acumulando seus escombros num Lixão em redor do palco ringue: a Empresa do Bilionário, a Casa da Família de Garga no dia de seu casamento irrealizado e o bordel onde vai parar a irmã do herói, Maria Garga, interpretada passionalmente pela grande Ítala Nandi realizando o 1º nu frontal feminino do Teatro Brazyleiro. A personagem se apaixona pelo perseguidor de seu irmão que quer comprar sua opinião… As personagens, principalmente Femininas, cobre-se de jóias criadas com os cacos dos escombros da Destruição & Construção do Minhocão.

Num determinado momento as duas personagens aceitam encontrar-se num lago de Michigan, mítico deserto criado pelo Jovem Brecht.

Nesta cena o ringue é totalmente destruído em seu chão – são retiradas suas tábuas até se chegar ao chão de Terra do espaço da Rua Jaceguai 520.

Então Lina disse:

“Aí está o “Sertão” da Rua Jaceguay 520.”

Era pra termos montado juntos “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, o que não ocorreu devido à morte do arquiteto urbanista artista.
Ao mesmo tempo, ali, em Lina Bardi, nascia o espaço do Terreiro Eletrôniko do Teat(r)o Oficina.

Logo a seguir fomos, Lina, parte da Companhia do Oficina Uzyna Uzona e minha pessoa, filmar em Florianópolis “Prata Palomares”, filme do cineasta André Farias que tem Lina como diretora de arte. Numa folga da filmagem fomos a um Terreiro de Candomblé, estreito como a lâmina de uma gilete, e nasceu a Pista do Oficina. Juntos tivemos a Eureka! Lina emocionada com os tambores cobrindo sua voz disse: “Assim vai ser o Terreiro Eletrôniko do Teat(r)o Oficina.”

Bienal Internacional de Arquitetura SP 2013
Hoje o arquiteto Guilherme Wisnik, curador desta Bienal, cria um camping no terreno do entorno do Oficina Uzyna Uzona tombado para estudar o que descobrimos juntamente com Lina: as Catacumbas de Silvio Santos em direção ao Anhangabaú, o Teatro de Estádio, a Universidade Antropófaga, a Oficina de Florestas, a creche pro bairro da periferia central de SamPã, o Bixiga. A inspiração do conteúdo desta Bienal vem da Obra Prima de Arquitetura Cênica Urbana de Lina Bardi: o espaço cênico de “Na Selva das Cidades”, realizada em 1969 a partir da reciclagem da destruição do Bixiga na Construção do Minhocão.

Há inúmeros projetos para esta área – entre eles um mais completo feito pelos arquitetos João Batista Martinez Corrêa e Beatriz Pimenta Corrêa, respectivamente meu irmão e minha sobrinha. Esse projeto foi construído quando recusamos o de Marcelo Ferraz, da Brasil Arquitetura, que tentava conciliar o Shopping com um Teatro que não aprovamos por ser um Teatro de Palco Italiano cercado por muros muito altos, com aspecto de uma masmorra. Marcelo Ferraz havia me procurado porque havia sido chamado por um advogado do Grupo Silvio Santos para realizar um projeto que conciliasse as aspirações do Teat(r)o Oficina e o Shopping desejado pelo Grupo SS.

Na época quem havíamos convidado para fazer o projeto era Oscar Niemeyer, mas diante de Marcelo Ferraz que me disse que só aceitaria o trabalho se eu estivesse de acordo, concordei que ele tentasse esta conciliação. Como eu via ele sempre trabalhando com Lina, aceitei. Ele me pediu então um programa para a obra no entorno do Oficina. Eu trabalhei bastante e fiz. Mas o Resultado apresentado foi decepcionante. Então pedi para meu irmão, arquiteto João Batista, que fizesse um projeto baseado no programa que eu havia feito para publicarmos com meu texto numa edição bilíngüe, afim de a divulgarmos as possibilidades do local.

Ele fez um trabalho maravilhoso! De grande beleza, que quase foi construído na gestão do atual Secretário de Cultura da Prefeitura de São Paulo, Juca Ferreira, então Ministro da Cultura, mas Dilma não o chamou para continuar no Ministério.

Outros projetos apareceram como o do arquiteto Cristiane Cortílio, apresentado para sua graduação na FAU.

Surgiram muitos outros, inclusive de arquitetos internacionais.

Projeto do Teatro de Estádio por Jeremy Galván, arquiteto francês

Projeto do Teatro de Estádio por Jeremy Galván, arquiteto francês

Quando o Iphan tombou o Teat(r)o Oficina e seu entorno, Silvio Santos propôs a troca de seu Terreno no nosso entorno por outro da União, pois com o Tombamento ele percebeu que seria complicado continuar insistindo numa luta de 30 anos – nesse momento que estou revisando este texto me vêm à Lembrança a Luta entre Shilink, o bilionário chinês e o jovem Garga, que não queria vender sua Opinião – em que conseguimos impedir as torres da Família Jetsons, de Júlio Neves, os vários shoppings projetados e finalmente as Torres que haviam saído de cartaz e que em sua gestão, Ana Lanna, retornaram impositivas.

Esta Luta Épica de mais de 30 anos é chamada por você de “Luta por interesses particulares de integrantes e simpatizantes do grupo”.

Como se na construção das Torres o Condephaat estivesse defendendo Interesses não Particulares – mas Públicos.

Você escreve: “O Conselho do Condephaat é composto por representantes de diversos setores da sociedade civil e do Estado, todos com notório saber em suas áreas de atuação.”  Acrescento: porém escohidos pelo Governador numa lista tríplice, ou estou enganado?

“As decisões do Condephaat são fundamentadas por “pareceres técnicos” o Conselheiro Relator emite, após análise do processo, parecer votado por uma maioria de um Colegiado.” 

O que é uma “análise técnica”? Para mim este termo parece muito relativo, mesmo porque, no que são publicadas, revelam um desconhecimento absoluto de como analisam, como provam as análises feitas a propósito do Tombamento do Oficina.

Mesmo assim, sei que as arquitetas do DPH (departamento de preservação do patrimônio) Marcia Tancler e Marília Baubour fizeram pareceres contrários às Torres, mas o conselheiro Egídio Carlos leu os pareceres técnicos e ao elaborar o seu, replicou a área técnica dizendo que não podia ser levada em consideração devido à natureza do tombamento (imaterial). O parecer do conselheiro Egídio foi levado à votação pelo conselho e valeu sua posição e dos demais Conselheiros – 13 dos 24 que compõem o Conselho, aprovando a construção, com 3 abstenções.
Os critérios aprovados são inteiramente subjetivos e não têm nada a ver com o 1º Tombamento, feito por Aziz Ab’Saber, João Carlos Martins, Flávio Império. Nem com o Tombamento pelo Iphan, redigido por Jurema Machado – aliás, tenho impressão que esse texto sequer foi lido por você, pelo Conselho e pelo próprio Secretário, para quem entregamos o Projeto “Convênio Exemplar” que continha este texto e o Secretário teve o gesto maravilhoso de nos confessar num encontro que com ele tivemos dia 3/9/2013 que não o havia lido. Ainda há tempo para que o faça.

 

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Ocupação do Entorno com containers para o Convênio Exemplar. Projeto de Carila Matzenbacher e Marília Gallmeister

Os conceitos de Jurema Machado e dos 1ºs tombadores estão muito mais próximos dos significados do que é o Teat(r)o Oficina como as correntes mais antenadas que o Mundo tem produzido em relação à Arte, ao Meio Ambiente, Urbanismo, às transformações das Cidades e sobretudo das Metrópoles, em que Torres construídas pela Especulação Imobiliária no Mundo são vistas como nefastas à sobrevivência da respiração dos Seres Vivos asfixiados já pelo trânsito enfartado e pela poluição.

Você e principalmente sua visão “técnica” me inspiram a escrever um livro sobre a luta que nos transcende, a mim, a você, ao Condephaat, a Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona.

Sou muito grato ao fato de você ter me feito perceber a relação matrimonial entre a Especulação Imobiliária Finaceira & a Especulação Técnica Burocrática do Estado versus a Concretude das Urgências Humanas dos Seres Verdes, Culturais, criadores de Áreas de Meditação nas Cidades espremidas como verdadeiros “Guarujás”.

O que vocês, neste Governo Alckmin, defendem tecnicamente é a preservação histórica do Oficina como se a história parasse numa determinada época e dela ficassem somente tijolos. Esses técnicos, com suas análises, tem horror ao Movimento contínuo da História que não para, como a própria Vida.

O Risco do Desaparecimento do Bairro do Bixiga
Quando tomei ciência que seu Governador quer erguer Torres em todo Bixiga, mesmo sendo para moradias populares, não pude deixar de ver nisto um interesse eleitoreiro que esmaga a vida de um Bairro como o Bixiga.

Há milhares de prédios vazios no Centro, desocupados, e eles devem ser passados como moradia para os Sem Teto que povoam as ruas desta Metrópole, a mais rica do Brazyl, como também é claro que isso não impede que sejam construídas novas moradias populares. Mas porque sacrificar um Bairro como o Bixiga, que nos seus Baixos tem moradores pobres que merecem a preservação dos inúmeros lugares maravilhosos que ainda sobraram depois da crueldade do Minhocão ter dividido o bairro como o Muro de Berlim e deteriorado as condições de Vida, estraçalhado pela Especulação Imobiliária Financeira de olho neste local.

Já foi um coração boêmio cosmopolita cultural de Sampã, este bairro de sua periferia Central. Porque não pode ser restaurado como a Lapa do Rio que hoje é um dos lugares mais deliciosos do Mundo? Lá se encontram todas as culturas, classes sociais, moradores de todo Rio e gentes do mundo inteiro. Como seria com a existência de um Teat(r)o que legasse ao bairro o Teat(r)o Oficina, o Estádio Ágora, o TBC, a Casa de Dona Iaiá interligados e uma Oficina de Florestas que reflorestasse todo este lugar de que foram arrancadas tantas árvores maravilhosas com a construção do Elevado Costa e Silva.

E porque sacrificar justamente a Árvore Cezalpina, que não vai sobreviver em 1m e 80cm?

É um crime hediondo o que está se propondo ser cometido exatamente por um Órgão de defesa do Patrimônio Histórico Artístico Arqueológico Turístico do Estado de SP.

A forças dos que Amam a Vida junto a todas as máquinas vivas d’Ela: os Animais, as Árvores, as Hortas, as Flores, os Seres Humanos, já não querem mais viver sob “Ordem e Progresso”.
Os movimentos de Junho antes de entrar em cena a sanguinária PM, resquício da Ditadura Militar que hoje contracena com os Black Blocs solitariamente, hão ainda de ganhar novos rumos.

O Gozo do Passe Livre com o Amor e com Tudo é a aspiração natural de quem está vivo, principalmente nesta Primavera Brazyleira que se aproxima.

Esses movimentos deverão ter Passe Livre nas sessões do Condephaat que vão examinar os inúmeros recursos que entrarão pedindo a revisão deste Tombamento que parece mesmo um Tombo, uma Queda, em que a entrada dos artistas, Lina Bardi e câmeras foi saudada e recebida com a maior alegria pelo sábio Azis Ab’Saber.

Não basta essas sessões serem “públicas no website da Secretaria da Cultura”. É esta ação antidemocrática que traz os privilégios não a um Cosmos Cultural como o Oficina, mas sim a Especulação Imobiliária. É aí que se distanciam das práticas democráticas.

É muita cara de pau, fala sério!, querer invocar Lina interpretando que “qualquer organização cultural que tenha a importância do Teatro Oficina, representante de um marco da história cultural de São Paulo, poderia pretender o mesmo procedimento” possa desqualificar o tombamento.

Quando foi derrubado o Teatro Phoenix no Rio de Janeiro, a belíssma atriz Maria Della Costa passou a dormir no Teatro pra impedir sua demolição. Mas Getúlio Vargas prometeu a Maria que ali se construiria um novo teatro, como aconteceu, e que se transformou num 1º auditório da TV Globo. E mais, promulgou um decreto obrigando todo lugar em que houvesse um Teatro como Espaço Público Cultural ser Tombado e se fosse derrubado, construir outro em seu lugar.

Na minha infância eu via as fotos de Maria e recebia este ensinamento dela e de Getúlio: o lugar onde existe por anos um teatro é um Terreno Sagrado, como as Terras dos Indígenas. Assim considero os mais de 50 anos que o Oficina tem ocupado a Rua Jaceguay 520 e estes últimos 3 anos em que tem ocupado também o Terreno do Entorno como Ocupações Sagradas.

É claro que o “Teatro Oficina se pautou por procedimentos legais, claros e decentes, sem nunca criar privilégios” como Lina afirmou na Seção do Tombamento do Teat(r)o em 1982.

Só que a concepção de procedimentos legais, claros, decentes é a de uma mulher como Lina, que durante o fascismo foi uma partigiani. Muito jovem pegou em armas pra derrubar o fascismo italiano e nos anos 60 apoiava todos os movimentos para derrubar a Ditadura Militar Brasileira. Somente fez Obras Públicas e duas únicas casas residenciais – a de um amigo e a sua própria “Casa de Vidro”. E assim como em 1980, quando concebeu seu projeto feito sem cobrar um tostão para o Oficina, colocou-se na Luta pra impedir que o Teatro Oficina fosse comprado por Silvio Santos, hoje estaria conosco contra os privilégios dados pelo Condephaat ao Mega Empreendimento Privado das Torres.

Ana Duarte Lanna, você tem a audácia de colocar o “Arquiteto” Lina Bardi contra “nossos privilégios” ao mesmo tempo que, diante da evidência do projeto de Lina parido do Tombamento de 1982/83, quer destruir a Árvore que a própria Lina plantou, o Janelão de sua última obra, e se recusa a perceber que o projeto de Lina para o Entorno já faz parte do Próprio Oficina. Não foi a toa que o “arquiteto”, em vez de respeitar os limites do Tombamento, rasgou aquela janela enorme antes mesmo do Grupo Silvio Santos entrar com seu projeto de comprar o Oficina do ex-proprietário e começar a pretender levantar Shoppings no entorno do Teatro.

Projeto de Lina Bardi e Marcelo Suzuki para o entorno do Oficina de 1980
Lina e o Arquiteto Marcelo Suzuki, no dia 24 de Agosto de 1980, projetaram em slides no Teat(r)o Oficina o 1º risco de uma rua que atravessava os arcos romanos do Oficina e instaurava o Teat(r)o de Estádio no entorno.

Depois criaram as maquetes do atual Terreiro do Oficina e do Teatro de Estádio. Mais Tarde quando Edson Elito começou a trabalhar com Lina, ele realizou um projeto muito belo no entorno de um Teatro de Estádio, que Lina até assinaria em baixo, acompanhando a inclinação natural do terreno.

Desapropriação do Teat(r)o Oficina pelo Governo Montoro
Em 1984 minha mãe ia perder a casa de minha família onde nascemos em Araraquara por ter assinado como fiadora o contrato de locação do Teat(r)o Oficina.
Nós estávamos devendo 3 meses de aluguel. Os ex-proprietários do terreno do Oficina entraram com uma ação de execução dos bens de minha mãe: nossa casa em Araraquara. O Oficina já estava Tombado.

Eu fui falar com Paulo Sérgio Pinheiro, hoje um dos expoentes internacionais nas questões dos Direitos Humanos. Paulo trabalhava na Secretaria de Governo de Franco Montoro com uma elite universitária que daria origem ao PSDB como um partido de centro esquerda extremamente competente. Escrevi uma carta a Paulo na época sobre esta situação do Oficina ameaçado tanto pelo ex-proprietário quanto pelo mega empreendimento do Grupo SS para a área.

Encontrei-me com ele que imediatamente informou o Governador Montoro que, com seus secretários, desapropriou o Oficina para que não nos submetêssemos mais às investidas da Especulação Financeira do mesmo mega grupo que continuava nos pressionando.

Enfim, os 3 Tombamentos – Compresp, Condephaat, Iphan – e a Desapropriação pelo Governador do Estado Franco Montoro foram procedimentos realizados para preservar o projeto do Oficina Uzyna Uzona, sempre ameaçado pela Especulação Imobiliária de seu vizinho.

Estes Atos reconheceram os direitos adquiridos pela Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona nos seus muitos anos de cuidado com o Teat(r)o Oficina somados às criações estéticas premiadas, aos elencos permanentes que deram seu Corpo-Alma por este Espaço, nele realizando-se artisticamente.

Baseada no parecer do Conselheiro relator Prof Dr. Ulpiano você afirma: “o edifício do Teatro Oficina precisamente contém valiosa carga de informação”, em 1982 era um prédio em ruínas mas ocupado e cuidado por um movimento provocado por nós mesmos que queríamos a transformação total do edifício, exigida por nossas descobertas da Arte Teat(r)al pois a nossa continuidade, de nossa história viva assim exigia. Queríamos não recuperar mas adequar o espaço à evolução do Oficina iniciada ainda nos anos 60.

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Porque Teat(r)o e nunca Teatro?
Sabe porque colocamos em parênteses o “r” do Teat(r)o?
Porque em 1970, no momento em que a repressão impunha a mensagem à força da Tortura e do Inferno Publicitário do “Ame-o ou Deixe-o”, as pessoas estavam sob o impacto violento que o AI-5 impunha ao querer dos brazyleiros. Nos trancamos todos por um mês no Oficina e começamos a tentar descobrir um meio de sair daquela repressão que nos deprimia e nos deixava descrentes. Criamos com nosso Corpo a Lição de Voltar a Querer – a Re-Volição – através do Te-Ato (de Ação) que é o existir fora da representação. Passavamos semanas sem nos falar somente nos comunicando por ações. Nesta época as pessoas não podiam mesmo falar nada, era tempo do “tá legal?”, “estou na minha”, “corta essa” – nem isso falávamos, e fomos descobrindo a energia poderosa do silêncio. Poderíamos nos comunicar com as pessoas simplesmente transmitindo as vibrações de nossos Corpos em Ação, nossos olhares e emanações de nossas eletricidades. Criamos então o Gracias Señor em Te-Ato, quase sem palavras – estávamos contra o Paredão, como o Beco Sem Saída do Oficina. Viajamos o Brasil levando nas capitais “Os Pequenos Burguêses” de Gorki, “O Rei da Vela” de Oswald de Andrade e “Galileu Galiei” de Brecht. Nos embrenhávamos no mato depois de nos apresentarmos nas capitais, penetrávamos os Sertões do Nordeste já pagando com as bilheterias das capitais as pesquisas de Te-Ato que começamos publicamente em Brasília, no Campus da UNB totalmente vigiado por um almirante da Marinha, reitor da Universidade.
Criamos a partir do que observávamos em caminhadas silenciosas pelo Campus com nossas ações ligadas ao que apreendíamos de mais decisivo vitalmente pra aquele momento em que a Universidade era um Campo de Concentração. De lá partimos para o Nordeste até Manaus fazendo, nos momentos comprados com nossos clássicos, ações ligadas ao campo – aos “Sertões” e íamos passando como Conselheiro e os Conselheiristas: mudos, construindo pontes, ligações entre as casas com, por exemplo: Colchas de Retalhos que fabricavam pra vender no Sul e que eram rivais na disputa do mercado. Com pedaços de tecidos de cada casa, sem dizer uma palavra, emendávamos os panos de rivais e fomos formando uma grande caminhada até formar com todos os habitantes um enorme tecido. É difícil dizer o que eram os Te-Atos naquele contexto. Mas é o que acontece, por exemplo, em “Cacilda !!!”, que está em cartaz no Oficina, com uma das 3 atrizes que fazem Cacilda – a Sylvia Prado, que tem um bebê de 7 meses. Se ele chora, ela apanha o filhinho, dá de mamar e continua atuando mas interpretando, incorporando as ações da personagem às novas interpretações que nascem na hora que ela deve dar de mamar. Sem dizer, sem explicar nada, somente incorporando essa circunstância às da personagem. Então são estes os “aspectos essenciais da trajetória recente do teatro brasileiro e paulista e do peso que ele teve…”. Não! Não se trata do passado. Corrija este seu novo equívoco Ana Lanna e troque por o “que ele tem de atual hoje, em 2013, em nossa Vida Cultural”. Não o “das representações que uma parcela da sociedade fez dela toda” como você escreve. Não como num “Museu Histórico” mas com poucas representações e muitas presentações. Quer dizer: muito Te-Ato ou mais precisamente “Teat(r)os” – com ações vitais dos aqui agora de cada instante.

Nós continuamos a influenciar até hoje o Teatro no Brasil e no Mundo. Isso não ficou no passado, ou melhor, é passado futuro presente.

Vocês deviam ver nossas peças para nos entender.

Produzimos DVD’s profissionais e transmitimos pela internet, com legendas em inglês, todos os nossos espetáculos e trabalhos, como foi o encontro com você na USP e a “Audiência Publica” do dia 5/9 em que se percebe, nos vídeos e nas fotos, que você e o Secretário de Cultura estão, mas não estão “presentes”, não estão ouvindo ninguém, paranóicos, achando que todos estão contra vocês. Basta ver suas caras nas inúmeras fotos vindas de muitos fotógrafos que nos enviam.

Essas gravações e transmissões diretas revelam o Te-Ato através de nossos Corpos, nossas posturas. No Teato não existe somente a palavra falada – está mais presente do que nunca no Corpo Presente, em seus Silêncios ou na falta de atenção, concentração, ligação. Tudo isso é muito teatalmente visível. Nos anos 60 a Polícia Federal publicou matéria paga nos jornais com o título:

“Como Eles Agem”

Escreveram que nós tínhamos sido treinados por hipnotismo por comunistas chineses, pois não compreendiam como o público chegava a atuar conosco sem que pronunciássemos uma palavra.

“O tombamento do Teatro Oficina pelo Condephaat não se refere ao valor arquitetônico do edifício”.

Tem razão, pois o edifício que hoje abriga as atividades da Companhia Teat(r)al não existia em 1982. Existia sim, o projeto, que continua a existir, hoje realizado em parte. É este projeto que precisa da complementação no entorno do bem tombado. Agora o Condephaat está ameaçando querer destruir mais o projeto total de Lina e do Oficina Uzyna Uzona.

“A desapropriação do Teatro Oficina, ato diverso do tombamento, ocorreu em 1984 e em nada alterou a resolução de tombamento do Condephaat. Alterou apenas o proprietário do imóvel, que agora é o Estado de São Paulo.”

Sei que você Ana entende o “Teatro Oficina” como uma Propriedade e trabalha Stalinisticamente para as Propriedade do Estado, não para os que cultivam o Local.

Você por acaso já leu a peça de Brecht “Circulo de Giz Caucasiano”?

Esta peça clarifica que as crianças, como a Terra, pertencem não aos seus proprietários, mas a quem as cultivam.

O Oficina cria esse pomar, que são as Obras Primas, os frutos maravilhosos do Oficina Uzyna Uzona.

Não foi mesmo o Estado que criou, nem mesmo quem manteve estes anos todos este local, foram os Tecno-Artistas e o Público, que continuaram, principalmente o enorme Público sempre jovem, que ainda não aburguesou-se e ocupa sempre o Oficina e agora seu Entorno.

Você escreve “Não há nenhum processo ou solicitação junto ao Condephaat para eventual alteração da resolução de tombamento”.

Mas este destombamento foi feito na moita, não nos foi informado.

Você afirma:

1. Não cabe ao Condephaat pronunciar-se sobre possibilidade de desapropriação do terreno vizinho ao Teatro Oficina (processo 57791/2008) . Tratar-se-ia de atribuição de outras instâncias de governo e não do órgão de preservação do patrimônio. 

Mas este Orgão, se tivesse a mínima noção do que lhe cabe ou não, estaria participando, como recomenda o Tombamento pelo Iphan, defendido por Jurema Machado na conclusão de seu parecer, da busca de uma solução para a destinação do terreno envoltório a Cultura. O texto de Jurema:

Considerando o Parecer da Relatora e após discussão do Conselho, foi a seguinte a decisão final: 

Pela inscrição do Teatro Oficina no Livro de Tombo Histórico e no Livro de Tombo das Belas Artes.

Pela re-avaliação posterior, pelo IPHAN, da delimitação do entorno, tendo em vista tratar-se de bem a ser inscrito também no Livro de Belas Artes e não exclusivamente no Livro Histórico.

Pela manifestação, ao Ministro da Cultura, de que o Ministério e o governo federal identifiquem mecanismos que viabilizem a destinação do terreno contiguo ao Teatro Oficina para um equipamento cultural de uso público, utilizando mecanismos tais como a aquisição, a desapropriação ou a conjugação destes com instrumentos urbanísticos a serem identificados em cooperação com o Município e com o Estado de São Paulo. 

2. o projeto substitutivo apresentado pela SISAN em 2008 (processo 53330/2006) , referente a construção de torres no terreno situado a Rua Jaceguai nº 530 pode ser aprovado, do ponto de vista das restrições estabelecidas pelo tombamento, condicionado à apresentação prévia do projeto de servidão”.

Isto é, traduzindo em miúdos, realmente: 1m e 80cm – um muro fazendo desaparecer a paisagem do Janelão; o corte da Árvore Sagrada do Terreiro: a Cesalpina, que não sobrevive nesse corredor de prisão – e ainda o fechamento da perspectiva da fachada mais bela na obra de Lina Bardi e Edson Elito – a do lado da Rua Abolição, que hoje revela a beleza ímpar do edifício. E o pior de tudo, a extinção da contribuição milionária da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona para SamPã, Brasil e Mundo: a Arte Teatal, enfim.

3. Esse item é risível diante do tamanho da Destruição:

 “A empreendedora deve transferir, em caráter permanente e irrevogável, uma faixa de 1, 80 cm de largura em todo o comprimento do lote de forma a instituir uma servidão de passagem para a construção de adequada rota de fuga e proteção a incêndio, para uso do teatro.”

Que magnanimidade de generosa hipocrisia !!!

O projeto apresentado pelo proprietário do terreno já foi aprovado pelo Compresp em 2009, na gestão de Kassab, mas a atual gestão do Prefeito Fernando Haddad, do secretário Juca Ferreira e do Compresp de Nádia Somekh programa tombar de fato todo o Bairro do Bixiga.

Vai haver conflito entre estas visões do Governo Alckmin e sua intimidade com a Especulação Finaceira revelada descaradamente pelo Condephaat.

“Por fim, cabe lembrar que o Estado de São Paulo desapropriou o bem tombado de forma a viabilizar as atividades do Teat(r)o Oficina. Desde então responsabilizou-se pelo bem tombado.”

Minha cara Fonte de Argumentos, somente nas gestões dos Secretários com Cultura, como Ricardo Othake, que concluiu parte do projeto de Lina Bardi e Edson Elito e estabeleceu um convênio com o Teat(r)o Oficina para mantê-lo, exigindo que fizéssemos uma peça por ano que a Secretaria de Cultura bancaria. Este convênio foi considerado inválido na gestão nefasta de Marcos Mendonça, o burocrataço que hoje está no poder na TV Cultura.

Tivemos ainda a gestão ótima de Fernando de Moraes que começou a encaminhar a construção do Terreiro Eletrônico, que agora completa 20 anos, iniciado no Governo Quércia.
Fernando cercou-se não de burocratas nomeados pelo Estado, mas de grandes artistas de SamPã como Mário Prata, Lélia Abramo, Marisa Orth no Teatro; Tadeu Jungle na área do vídeo; Arrigo Barnabé na área da Música.

Nesta gestão ganhei o prêmio máximo de dramaturgia com minha peça Cacilda !-!!-!!!-!!!! exclamações – uma Teatralogia em torno de Cacilda Becker – que já está em sua terceira exclamação e vai comemorar os 20 anos deste Terreiro Eletrôniko no dia 3 de outubro de 2013.

A gestão do cineasta João Batista de Andrade na Secretaria da Cultura e Cláudio Lembo – em seu breve governo interino – encaminhou uma proposta ao Legislativo de ocupação por 99 anos na Rua Jaceguay 520 para a Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona.

E mesmo a rápida gestão de Andrea Matarazzo tentou abrir o caminho totalmente fechado nesta Secretaria de Cultura – porque acham que somos do PT. Artista não é de partido nenhum, ponham isso na cabeça, por amor aos fatos!

A Paupérrima Permissão de Uso a Título Precário para a Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona
Sempre me recusei a assinar esta permissão. Óbvio que não assino mesmo. Todos os Tombamentos: o Municipal, o Estadual, o Federal pelo IPHAN, a desapropriação pelo Governo do Estado, todas estas medidas jurídicas foram tomadas para que continuássemos como Companhia Permanente ocupando o Oficina. Desde que fizemos 25 anos, quando ainda não estávamos ameaçados pelo Mega Grupo SS, fomos nós que fizemos o nome do Teatro, que lá produzimos nossas consagradas Obras Primas. Como é que vou assinar a permissão de uso de um lugar onde estamos há mais de 50 anos?

Não somos culpados da mediocridade do Departamento Jurídico e dos Secretários de Cultura do PSDB do interior de SP não criarem instrumentos júrídicos à altura dos Tombamentos e da desapropriação decretados para assegurar a continuidade de nosso trabalho de criação e garantir que não fossêmos destruídos, como se pretende agora, pela especulação burocrática atual do Condephaat somada à Especulação Imobiliária!

Ainda por cima, na gestão Mendonça, queriam que aceitássemos funcionários públicos como os do Teatro Sérgio Cardoso de então, nas áreas de luz, som, maquinistas em que o Estado pagaria salários baixíssimos e que teriam horário pra trabalhar como “funcionários”.

Ora, não aceitamos.

Não somos uma casa de exibição de Teatro como o Teatro Sérgio Cardoso. A Jaceguay 520 é um Lugar de criação, de produção e também exibição do que criamos. Nossa equipe trabalha com pessoas apaixonadas pelo Teat(r)o, como sócios e somos uma Associação auto gerida – anárquica no sentido mais responsável e libertário da palavra.

As mais de 60 pessoas que estão hoje no Oficina Uzyna Uzona ensaiam as vezes mais de 8 horas, como na Cia. Teatro Oficina Ltda nos anos 60 fazíamos – varando noites, criando nossas Obras de Arte.

Vocês do Condephaat, que tem atualmente esta visão Estatista-Stalinista, não compreendem o Oficina Uzyna Uzona ou deliberadamente não querem, nem têm interesse de compreender.

O Stalinismo odiava e invejava, como vocês, os grandes artistas criadores da Arte Pública do começo da Revolução Soviética. Foram todos, com exceção de Eisenstein e Stanislawiski, destruídos, torturados até a morte na URSS, como vocês querem fazer conosco agora.

Nunca assinei este contrato servil de permissão de usufruir do que nós mesmos criamos e muito nos orgulhamos disso.

Quanto ao cumprimento das exigências de segurança do público que frequenta o imóvel (saída de incêndio), quantas vezes nossa auto-coroada produtora Ana Rúbia não se dirigiu ao Estado nestas gestões do PSDB não mais da USP, mas de Sertanejo UniversOtário, dos Coronéis do Estado de São Paulo, pedindo ao Estado que criasse conosco as saídas de segurança e regulassem, como proprietários, as normas de segurança. As saídas reais de incêndio, não esses ridículos 1m e 80cm de agora, que dependem de nossa destruição como Cosmos Cultural para existir!

Teat(r)o_Oficina_foto_Marcos_Camargo

A Farsa
“Neste exato momento tramita na Secretaria da Cultura um processo atendendo à solicitação do grupo Usyna Uzona (sic) para contratação de projetos para a realização de obras no bem tombado.”

Só que esse momento dura anos e mais anos. O Teatro é uma arte viva, não bate com o tempo irreal da burocracia cultural do atual Governo de SP. Quisemos até fazer um trabalho com vocês sobre a Burocracia em que vocês seriam também Atores / Personagens – “O Contrato (Ou Convênio) Exemplar”. Claro que não passou. Entregamos os Cadernos desta Proposta Maravilhosa nas mãos do Secretário Marcelo Araújo.

Esta Secretaria somente nos paga os porteiros e ainda afirmam que é somente por este ano. Água, luz, limpeza, enfim, melhoramentos, somos nós que fazemos sempre. Se fôssemos esperar pelo atendimento da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de SP a Árvore Cesalpina já teria morrido, o chão do Teatro já teria caído de podre, as galerias desmoronado.

Nós reconstruímos quase tudo este ano com as quotas da geração que hoje faz o brilho de “Cacilda !!!” – Refizemos a pista conforme Lina concebeu, com a mesma madeira que inaugurou o Terreiro há 20 anos atrás. E sempre com o sacrifício dos pagamentos ínfimos que nós Associados hoje recebemos.

Nunca vimos este dinheiro que o Estado destinou – mais de meio milhão de reais para a realização deste projeto.

Depois você Ana Lanna escreve que essas obras, para as quais esse dinheiro se destina, deverão ser analisadas e “obter a aprovação do Condephaat para a realização das obras desse custo, bem como dos demais órgãos de patrimônio junto aos quais o bem é tombado.” 

Não temos condições de esperar este Godot, pois talvez nunca venha mesmo com esta boa vontade com que somos tratado pelo Condephaat e o Departamento Jurídico desta Secretaria de Cultura!!!

E vamos tocando com o que podemos, que não é quase nada. Mas não esperamos estas – palavras de Ana Lanna novamente – “Dinâmicas das leis que expressam os pactos possíveis que a sociedade institui”.

Quem está interpretando estas leis a favor dos privilégios da Especulação Imobiliária são vocês – pessoas de Poder nesta Secult.

E que autoridade vocês tem em falar de democracia que, segundo você, nós desrespeitamos e estamos sempre colocando em risco o estado de direito?!
Vocês que criam interpretações das Leis para impor a violência da Especulação Imobiliária.

Na Revista de Antropfagia de 1928 nós vemos este texto:

“O Direito Antropofágico”. O jurisconsulto Pontes de Miranda, tomando a frente da Escola Antropophagica, lançará dentro de pouco tempo, as bases para a reforma dos Códigos que nos regem actualmente, substituindo-os pelo direito biológico, que admite a lei emergindo da terra e semelhante ás plantas.”

O Teatro desde a Grécia é em si um Poder – o Poder Humano de Antígone diante de Creonte, o Governador – e não somente o Teatro – A Cultura em si é um Poder – não um enfeite, um Museu Histórico do Oficina dos anos 60. O Oficina nem nesta época abdicou de seu Poder Teat(r)al nem agora que é Oficina Uzyna Uzona.

Leia se conseguir com atenção estas falas de Cacilda Becker em Cacilda!!!

Cacilda Antígone Chanel em 68 Aqui Agora:
Foi a Justiça dos deuses subterrâneos que criou nossas leis
Os soterrados vieram à luz
a justiça acolheu, enxergou
Nas tuas leis Governador Creonte
não reconheço força para violar as leis divinas
sempre da hora
não escritas, sem nome
não são de hoje
mas do Etherno Agora
ninguém sabe nem sequer se foram promulgadas
nossa vida de estúpidas penas
mesmo assim não atrofiou nossas antenas…

Vocês não entendem a grandeza do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Somos um Cosmos de mais de 50 anos, uma das Cias. mais longevas do mundo. Não somos diferentes do “Berliner Ensemble” criado por Brecht, que continua até hoje trabalhando em torno da linha deste Autor.
Ainda este ano o vimos com “A Ópera dos 3 Vinténs”, dirigida por Bob Wilson, peça trazida pelo SESC, a única instituição – dirigida pelo grande Danilo Miranda –  que tem mantido o Teatro Arte vivo em Sampã .

Nos anos 60 o Brasil, mesmo ainda na Ditadura Militar, tinha companhias assim. Como o Teatro de Arena, o TBC, O Teatro Maria Della Costa, o Teatro Sérgio Cardoso e Nydia Licia, a Companhia Tônia Celi Autran, o Grupo Decisão, dirigido por Antônio Abujamra.

Das Companhias permanentes que eram como Repúblicas Anárquicas auto geridas, com repertório e estilo próprio independente, Cosmos que brilharam nos anos 60, só restou o Oficina, que em sua re-existência tornou-se a Associacão Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona e fez florir o que plantou: o que surgiu nos anos 60. Cuidou do Teat(r)o Oficina e manteve sempre seu Tyazo ativo. Mesmo no exílio, quando o Teatro ficou funcionando sob a direção de uma bilheteira à época, a maravilhosa Tereza Bastos, que hoje é funcionária aposentada do Teatro Sérgio Cardoso. Em sua gestão ela transformou o Oficina, por necessidade de sobrevivência, numa casa de exibição, oferecendo pautas, alugando o espaço para várias Cias. de São Paulo, independentemente da linha teatral que elas criavam. Meu irmão, o grande artista Luiz Antônio Martinez Corrêa, também ocupou o Oficina por mais de um ano com sua Companhia, a Pão e Circo e depois foi sediar-se no Rio de Janeiro.

Nós, no exílio, re-existimos como Oficina Samba e trabalhamos na Revolução Portuguesa fazendo Te-Atos, “Galileu Galilei” no Teatro São Luiz, que é um teatro municipal como o de São Paulo, em Lisboa. Filmamos “O Parto” sobre os 9 meses da “Revolução dos Cravos” exibido na Rádio e Televisão Portiguesa, a RTP, depois fomos para Moçambique onde filmamos a Independência do País – “25” é o nome do filme. Este foi o ganhador do prêmio de público no 1º Festival de Cinema no MASP inaugurado por Leon Cakoff.

Quando regressamos do exílio, Tereza Bastos entregou-me o Teat(r)o Oficina e eu assumi a direção criando com, além das pessoas exiladas comigo, um novo Tyazo com grandes artistas nordestinos de SamPã, como o sambista parceiro de Jackson do Pandeiro, Edgard Ferreira, o cirandeiro e artista plástico Surubim Feliciano da Paixão, a grande cantora Sandy Celeste, todos 3 de Pernambuco. Eles criaram no Oficina o “Forró do Avanço”, que funcionava com gente de todas as tribos populares de SamPã. Havia a cozinheira alagoana Zuria, que dirigia a Cantina Cabaret.

Com eles apreendemos o Amor às Terras do Oficina e nos tornamos defensores dela diante das 1as investidas do Grupo SS. Esse era o que chamávamos o Tyazo que semeava Os Sertões.

Vieram de todos pontos do Brasil jovens atores, atrizes, músicos jovens que constituíam o Tyazo das Bacantes.

E os criadores da Arte do Vídeo no Te-Ato: Noilton Nunes, Edson Elito que depois iria trabalhar com Lina Bardi, Tadeu Jungle e Walter da Silveira. Esse era o Tyazo do Homem e o Cavalo, de Oswald de Andrade.

O Tyazo da Memória, criador do Arquivo Oficina 20 Anos: Ana Helena D’Staal e Gilles d’Staal, francês que estivera conosco em Portugal no Oficina Samba.

O Tyazo do Circo dirigido pela 1ª geração de renovação do Circo em SamPã: Veronika Tamaoki, hoje a grande pesquisadora e animadora da ethernidade do Circo em SamPã.

Catherine Hirsch, francesa que está há 30 anos conosco e produziu a reengenharia do Oficina em Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona.

Com todos estes novos sócios acima mencionados, em várias mídias, inauguramos o Oficina Terreiro Eletrônico de Lina Bardi e Edson Elito, qu e levou 13 anos para ser levantado com Ham-let, com Marcelo Drummond trazendo sua geração de artistas brilhantes: Alleyona Cavalli, Julia Lemmertz, Alexandre Borges, Adão Filho, Denise Assunção, Paschoal da Conceição.

Neste 20 anos criamos, além de Ham-let, Mistérios Gozozos, de Oswald de Andrade; Taniko – Nô Bossa Nova Trans Zen Iko, do Japonês de ZenXico; Pra Dar um Fim no Juízo de Deus, de Antonin Artaud, fundamento da Obra prima dos filósofos franceses do Século XX Deleuze e Guatarri; Ela, de Jean Genet, por ocasião da visita do Papa ao Brasil em 1997; Cacilda!, de José Celso Martinez Correa; Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues; as 5 peças de Os Sertões, de Euclides da Cunha no Teat(r)o Oficina e 2 vezes na Alemanha, depois levadas em tendas para as capitais do Brasil até Quixeramobim, terra de Antonio Conselheiro e Canudos, cidade onde se passa o Livro de Euclides, massacrada pelo Exército e reconstruída várias vezes. Esta peça de 5 partes foi construída e permaneceu em cartaz durante 5 anos, de 2002 a 2007 e em 2005 Berlim a elegeu como maior acontecimento cultural do ano.

Em 2001 fundamos o Movimento Bixigão – projeto social com oficinas de teatro, circo, capoeira, música, Teat(r)o, tendo como público alvo crianças e adolescentes moradores do Bixiga. Seu embrião foi uma comunidade de Sem Teto que ocupava um prédio da Caixa Econômica, depois derrubado pelo Mega Grupo Financeiro Grupo SS.

No seu jubileu de ouro de 50 anos o Oficina produziu O Assalto, de Zé Vicente, com direção de Marcelo Drummond, que excursionou pelo Brasil e Europa; leitura encenada no Volksbühne de Berlim, com atores da Cia. daquele teatro, em alemão, de O Rei da Vela, de Oswald de Andrade; Santidade, de Zé Vicente, também com direção de Marcelo Drummond; Os Bandidos, de Friedrich Schiller, que estreou no National Theatre de Manheim durante o Festival Schiller e depois entrou em carreira no Brasil; Cypriano & Chantalan ou Sensações e Folias de 1973, de Luis Antônio Martinez Corrêa e Analu Prestes, com direção e luz Marcelo Drummond, que teve no elenco atores da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona e do Movimento Bixigão; Vento Forte pra um Papagaio Subir, de José Celso Martinez Correa; Labrinco 50 – Rito Cyber Teatal Viagem, rito das 50 voltas em torno do Sol do Oficina Uzyna no dia 28 de outubro de 2008 – o grupo amador Teatro Oficina nasceu dia 28 de outubro de 1958 no Teatro Novos Comediantes, situado no mesmo local onde o Oficina existe hoje; Vento Forte – exposição virtual Oficina 50 Anos, inaugurada dia 3 de dezembro de 2008 no prédio do Centro Cultural dos Correios no Rio de Janeiro, um projeto-presente da catedrática em literatura da UFRJ Heloisa Buarque de Holanda com curadoria de Camila Mota, Lucas Weglinski e Alberto Renault; O Banquete, de Platão, estreado no Queer Festival em Zagreb, na Croácia, depois em temporada em SamPã e apresentado no FIT BH, onde ocupou o Museu de Arte da Pampulha, obra de arte de Oscar Niemeyer; Cacilda!! – Estrela Brazyleira a Vagar, de Zé Celso, com estreia no Rio de Janeiro no Teatro Tom Jobim dentro do parque Jardim Botânico e depois temporada em Sampã.

Em 2010 saímos em turnê nacional com as Dionizíacas: Taniko, o Rito do Mar, Cacilda!! – Estrela Brazyleira a Vagar, O Banquete e Bacantes. Neste projeto, patrocinado pelo Ministério da Cultura, em que a Cia. excursionou por 7 capitais do Brasil apresentando estes 4 espetáculos de seu repertório gratuitamente em tendas de 2000 lugares, além de dar oficinas gratuitas de todas as artes que compõem os cyberespetáculos: atuação, direção, música, luz, video, arquitetura cênica, figurino, direção de arte, produção, divulgação e difusão. Depois do Tombamento do IPHAN, no dia 24 de junho de 2010, a tenda foi montada em Sampã, a 8ª capital, no Entorno do Oficina Tombado, no terreno cedido em Comodato até este ano pelo próprio Silvio Santos.

No mesmo ano de 2010 fizemos O Bailado do Deus Morto, de Flávio de Carvalho em encenação apresentada durante a 29ª Bienal de Arte de Sampã no Pavilhão da Bienal no Ibirapuera e a Macumba Antropófaga, de Oswald de Andrade. Encenação do “Manifesto Antropófago” criada durante uma semana de ensaios e laboratórios no Inhotim Centro de Arte Contemporânea, localizado em Brumadinho MG, apresentada na obra de arte de Magic Square #5 de Helio Oiticica durante a turnê Dionizíacas. Esta peça entrou em cartaz no Terreno do Entorno do Teat(r)o Oficina num Circo instalado com essa finalidade. Em Sampã o espetáculo acontecia, além do Teatro, nas ruas do Bixiga, na Casa de Dona Yayá, no TBC e no prédio onde morou Oswald de Andrade na rua Ricardo Batista. Em janeiro de 2012 Bacantes, de Eurípedes, seguiu em, em turnê europeia por em Liége, na Bélgica, no Teatre de la Place e em Portugal, Lisboa, no Teatro São Luiz. No mesmo ano foram feitos os Acordes, de Bertolt Brecht e Paul Hindemith, encenada no Oficina, em seu entorno e em turnê pelo interios de São Paulo, também patrocinada pelo Sesc. Atualmente fazemos Cacilda!!! – Glória no TBC e em 68 Aqui Agora, de Zé Celso, também no Teat(r)o Oficina e no terreno do entorno cedido por Silvio Santos.

Isso é um resumo de nosso Currículo.

Não mencionamos os vídeos gravados profissionalmente, distribuídos pela Trama, nem os vídeos de Os Sertões
– 5 DVD’s, por enquanto somente adquiridos no próprio Oficina, nem a caixa comemorativa dos 50 anos com 4 vídeos gravados em 2008. O trabalho de produção audiovisual da Cia. ainda vai lançar em breve O Rei da Vela, o filme e pelo menos outras 4 peças do repertório já gravadas profissionalmente, em fase de montagem e finalização.

Além do Oficina Uzyna Uzona, nos tempos atuais, surgiram muitas outras Companhias permanentes que não nos deixam mais a sós hoje: Vertigem que atuou no Tietê, em prisões, igrejas, hospitais; o XPTO, Grupo Tapa, Latão, Parlapatões, Satyros, Os Fofos, Os Crespos, BR116, Cia. Mundana, Cia. Livre, Folias, Cia. do Feijão, Club Noir… Inúmeros outros Tyazos = Companhias Corais na terminologia da Tragédia Grega Dionisíaca Apolínea e de Pã, aqui em SamPã e também no Rio de Janeiro além de Cia. Armazém, no Paraná, outras no Piauí, atualmemente pelo Brasil todo. Elas são como as Escolas de Samba e os Times de Futebol: Cosmos. Tem uma linha própria que evolui no tempo.

E não resta a menor dúvida: todos estes Tyazos e os da mesma qualidade aqui não mencionados podem, se desejarem, atuar com o Oficina Uzyna Uzona, no Teat(r)o Oficina tombado e no seu entorno.

Como é possível um órgão que defende o Patrimônio Cultural do Estado ter tamanho desprezo pelo Oficina Uzyna Uzona e manifestar-se grosseiramente, sem Arte, neste documento, como se fôssemos usurpadores do Teatro Oficina.

É mais que Ignorância.

Nossa Companhia e nosso Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, seu projeto total de expansão, são hoje objeto de estudo no mundo todo. As Grandes revistas de Arquitetura como Domus, na Itália, 2G na Espanha, dedicaram números inteiros saudando o Projeto do Teat(r)o Oficina e sua extensão urbana no Anhangabaú da Feliz Cidade.

Vocês deviam se inteirar mais de quem somos para não nos entregar assim, com esta brutalidade, para a Especulação Imobiliária. Isso, por nossa Luta e do público brazyleiro e internacional, felizmente não vai acontecer, para a sorte de vocês. Porque se acontecer, vocês serão os neonazistas da América do Sul e irão sofrer muito quando caírem em si.

Hoje uma geração formada por nossas encenações, que são já consideradas cursos da Universidade Antropófaga, revela uma equipe de sócios do mais alto grau de talento. Todo público que viu a 1ª temporada de Cacilda!!!  ficou surpreendido com o talento das atrizes, dos atores, cantores, acrobatas, dançarinos, músicos, instrumentistas, ao mesmo tempo dos talentosos iluminadores, da qualidade do som, dos vídeos, dos  câmeras, figurinistas, camareiras, qualidade da produção e administração, das arquitetas do espaço cênico, dos operadores das transmissões diretas por nosso site, dos protagonistas e dos coros.

Peço que vocês, público, e vocês do Condephaat, se pluguem ao nosso site para conhecer estes maravilhosos artistas de Teat(r)o Multimídia, seus nomes, suas fotos e as transmissões online dos espetáculos de Cacilda!!!, de volta a partir de 3 de outubro.

Ana Lanna, seu texto me inspirou estas noites de réplica e de Insônia, a Deusa da Vida Alerta.

Não somos do PT, mas de esquerda.

“Ser de esquerda é saber que a maioria é ninguém e a minoria é todo mundo.” – Gilles Deleuze

José Celso Martinez Corrêa

Presidente da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona

Segunda Feira, 16 de setembro de 2013 – 2h51’

Evoé! 

Quarta e última parte da carta aberta a Presidente do Condephaat, Ana Duarte Lanna, respondendo a seu texto apresentado em 9/9/2013 ao órgão que preside, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo que, em maio deste ano, autorizou a construção de duas torres residenciais ao lado do Teatro Oficina, tombado por este mesmo órgão em 1982.

As três primeiras partes foram publicadas nos dias 18, 19 e 20 de setembro.

Teat(r)o_Oficina_foto_Marcos_Camargo

A Farsa
“Neste exato momento tramita na Secretaria da Cultura um processo atendendo à solicitação do grupo Usyna Uzona (sic) para contratação de projetos para a realização de obras no bem tombado.”

Só que esse momento dura anos e mais anos. O Teatro é uma arte viva, não bate com o tempo irreal da burocracia cultural do atual Governo de SP. Quisemos até fazer um trabalho com vocês sobre a Burocracia em que vocês seriam também Atores / Personagens – “O Contrato (Ou Convênio) Exemplar”. Claro que não passou. Entregamos os Cadernos desta Proposta Maravilhosa nas mãos do Secretário Marcelo Araújo.

Esta Secretaria somente nos paga os porteiros e ainda afirmam que é somente por este ano. Água, luz, limpeza, enfim, melhoramentos, somos nós que fazemos sempre. Se fôssemos esperar pelo atendimento da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de SP a Árvore Cesalpina já teria morrido, o chão do Teatro já teria caído de podre, as galerias desmoronado.

Nós reconstruímos quase tudo este ano com as quotas da geração que hoje faz o brilho de “Cacilda !!!” – Refizemos a pista conforme Lina concebeu, com a mesma madeira que inaugurou o Terreiro há 20 anos atrás. E sempre com o sacrifício dos pagamentos ínfimos que nós Associados hoje recebemos.

Nunca vimos este dinheiro que o Estado destinou – mais de meio milhão de reais para a realização deste projeto.

Depois você Ana Lanna escreve que essas obras, para as quais esse dinheiro se destina, deverão ser analisadas e “obter a aprovação do Condephaat para a realização das obras desse custo, bem como dos demais órgãos de patrimônio junto aos quais o bem é tombado.” 

Não temos condições de esperar este Godot, pois talvez nunca venha mesmo com esta boa vontade com que somos tratado pelo Condephaat e o Departamento Jurídico desta Secretaria de Cultura!!!

E vamos tocando com o que podemos, que não é quase nada. Mas não esperamos estas – palavras de Ana Lanna novamente – “Dinâmicas das leis que expressam os pactos possíveis que a sociedade institui”.

Quem está interpretando estas leis a favor dos privilégios da Especulação Imobiliária são vocês – pessoas de Poder nesta Secult.

E que autoridade vocês tem em falar de democracia que, segundo você, nós desrespeitamos e estamos sempre colocando em risco o estado de direito?!
Vocês que criam interpretações das Leis para impor a violência da Especulação Imobiliária.

Na Revista de Antropfagia de 1928 nós vemos este texto:

“O Direito Antropofágico”. O jurisconsulto Pontes de Miranda, tomando a frente da Escola Antropophagica, lançará dentro de pouco tempo, as bases para a reforma dos Códigos que nos regem actualmente, substituindo-os pelo direito biológico, que admite a lei emergindo da terra e semelhante ás plantas.”

O Teatro desde a Grécia é em si um Poder – o Poder Humano de Antígone diante de Creonte, o Governador – e não somente o Teatro – A Cultura em si é um Poder – não um enfeite, um Museu Histórico do Oficina dos anos 60. O Oficina nem nesta época abdicou de seu Poder Teat(r)al nem agora que é Oficina Uzyna Uzona.

Leia se conseguir com atenção estas falas de Cacilda Becker em Cacilda!!!

Cacilda Antígone Chanel em 68 Aqui Agora:
Foi a Justiça dos deuses subterrâneos que criou nossas leis
Os soterrados vieram à luz
a justiça acolheu, enxergou
Nas tuas leis Governador Creonte
não reconheço força para violar as leis divinas
sempre da hora
não escritas, sem nome
não são de hoje
mas do Etherno Agora
ninguém sabe nem sequer se foram promulgadas
nossa vida de estúpidas penas
mesmo assim não atrofiou nossas antenas…

Vocês não entendem a grandeza do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Somos um Cosmos de mais de 50 anos, uma das Cias. mais longevas do mundo. Não somos diferentes do “Berliner Ensemble” criado por Brecht, que continua até hoje trabalhando em torno da linha deste Autor.
Ainda este ano o vimos com “A Ópera dos 3 Vinténs”, dirigida por Bob Wilson, peça trazida pelo SESC, a única instituição – dirigida pelo grande Danilo Miranda –  que tem mantido o Teatro Arte vivo em Sampã .

Nos anos 60 o Brasil, mesmo ainda na Ditadura Militar, tinha companhias assim. Como o Teatro de Arena, o TBC, O Teatro Maria Della Costa, o Teatro Sérgio Cardoso e Nydia Licia, a Companhia Tônia Celi Autran, o Grupo Decisão, dirigido por Antônio Abujamra.

Das Companhias permanentes que eram como Repúblicas Anárquicas auto geridas, com repertório e estilo próprio independente, Cosmos que brilharam nos anos 60, só restou o Oficina, que em sua re-existência tornou-se a Associacão Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona e fez florir o que plantou: o que surgiu nos anos 60. Cuidou do Teat(r)o Oficina e manteve sempre seu Tyazo ativo. Mesmo no exílio, quando o Teatro ficou funcionando sob a direção de uma bilheteira à época, a maravilhosa Tereza Bastos, que hoje é funcionária aposentada do Teatro Sérgio Cardoso. Em sua gestão ela transformou o Oficina, por necessidade de sobrevivência, numa casa de exibição, oferecendo pautas, alugando o espaço para várias Cias. de São Paulo, independentemente da linha teatral que elas criavam. Meu irmão, o grande artista Luiz Antônio Martinez Corrêa, também ocupou o Oficina por mais de um ano com sua Companhia, a Pão e Circo e depois foi sediar-se no Rio de Janeiro.

Nós, no exílio, re-existimos como Oficina Samba e trabalhamos na Revolução Portuguesa fazendo Te-Atos, “Galileu Galilei” no Teatro São Luiz, que é um teatro municipal como o de São Paulo, em Lisboa. Filmamos “O Parto” sobre os 9 meses da “Revolução dos Cravos” exibido na Rádio e Televisão Portiguesa, a RTP, depois fomos para Moçambique onde filmamos a Independência do País – “25” é o nome do filme. Este foi o ganhador do prêmio de público no 1º Festival de Cinema no MASP inaugurado por Leon Cakoff.

Quando regressamos do exílio, Tereza Bastos entregou-me o Teat(r)o Oficina e eu assumi a direção criando com, além das pessoas exiladas comigo, um novo Tyazo com grandes artistas nordestinos de SamPã, como o sambista parceiro de Jackson do Pandeiro, Edgard Ferreira, o cirandeiro e artista plástico Surubim Feliciano da Paixão, a grande cantora Sandy Celeste, todos 3 de Pernambuco. Eles criaram no Oficina o “Forró do Avanço”, que funcionava com gente de todas as tribos populares de SamPã. Havia a cozinheira alagoana Zuria, que dirigia a Cantina Cabaret.

Com eles apreendemos o Amor às Terras do Oficina e nos tornamos defensores dela diante das 1as investidas do Grupo SS. Esse era o que chamávamos o Tyazo que semeava Os Sertões.

Vieram de todos pontos do Brasil jovens atores, atrizes, músicos jovens que constituíam o Tyazo das Bacantes.

E os criadores da Arte do Vídeo no Te-Ato: Noilton Nunes, Edson Elito que depois iria trabalhar com Lina Bardi, Tadeu Jungle e Walter da Silveira. Esse era o Tyazo do Homem e o Cavalo, de Oswald de Andrade.

O Tyazo da Memória, criador do Arquivo Oficina 20 Anos: Ana Helena D’Staal e Gilles d’Staal, francês que estivera conosco em Portugal no Oficina Samba.

O Tyazo do Circo dirigido pela 1ª geração de renovação do Circo em SamPã: Veronika Tamaoki, hoje a grande pesquisadora e animadora da ethernidade do Circo em SamPã.

Catherine Hirsch, francesa que está há 30 anos conosco e produziu a reengenharia do Oficina em Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona.

Com todos estes novos sócios acima mencionados, em várias mídias, inauguramos o Oficina Terreiro Eletrônico de Lina Bardi e Edson Elito, qu e levou 13 anos para ser levantado com Ham-let, com Marcelo Drummond trazendo sua geração de artistas brilhantes: Alleyona Cavalli, Julia Lemmertz, Alexandre Borges, Adão Filho, Denise Assunção, Paschoal da Conceição.

Neste 20 anos criamos, além de Ham-let, Mistérios Gozozos, de Oswald de Andrade; Taniko – Nô Bossa Nova Trans Zen Iko, do Japonês de ZenXico; Pra Dar um Fim no Juízo de Deus, de Antonin Artaud, fundamento da Obra prima dos filósofos franceses do Século XX Deleuze e Guatarri; Ela, de Jean Genet, por ocasião da visita do Papa ao Brasil em 1997; Cacilda!, de José Celso Martinez Correa; Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues; as 5 peças de Os Sertões, de Euclides da Cunha no Teat(r)o Oficina e 2 vezes na Alemanha, depois levadas em tendas para as capitais do Brasil até Quixeramobim, terra de Antonio Conselheiro e Canudos, cidade onde se passa o Livro de Euclides, massacrada pelo Exército e reconstruída várias vezes. Esta peça de 5 partes foi construída e permaneceu em cartaz durante 5 anos, de 2002 a 2007 e em 2005 Berlim a elegeu como maior acontecimento cultural do ano.

Em 2001 fundamos o Movimento Bixigão – projeto social com oficinas de teatro, circo, capoeira, música, Teat(r)o, tendo como público alvo crianças e adolescentes moradores do Bixiga. Seu embrião foi uma comunidade de Sem Teto que ocupava um prédio da Caixa Econômica, depois derrubado pelo Mega Grupo Financeiro Grupo SS.

No seu jubileu de ouro de 50 anos o Oficina produziu O Assalto, de Zé Vicente, com direção de Marcelo Drummond, que excursionou pelo Brasil e Europa; leitura encenada no Volksbühne de Berlim, com atores da Cia. daquele teatro, em alemão, de O Rei da Vela, de Oswald de Andrade; Santidade, de Zé Vicente, também com direção de Marcelo Drummond; Os Bandidos, de Friedrich Schiller, que estreou no National Theatre de Manheim durante o Festival Schiller e depois entrou em carreira no Brasil; Cypriano & Chantalan ou Sensações e Folias de 1973, de Luis Antônio Martinez Corrêa e Analu Prestes, com direção e luz Marcelo Drummond, que teve no elenco atores da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona e do Movimento Bixigão; Vento Forte pra um Papagaio Subir, de José Celso Martinez Correa; Labrinco 50 – Rito Cyber Teatal Viagem, rito das 50 voltas em torno do Sol do Oficina Uzyna no dia 28 de outubro de 2008 – o grupo amador Teatro Oficina nasceu dia 28 de outubro de 1958 no Teatro Novos Comediantes, situado no mesmo local onde o Oficina existe hoje; Vento Forte – exposição virtual Oficina 50 Anos, inaugurada dia 3 de dezembro de 2008 no prédio do Centro Cultural dos Correios no Rio de Janeiro, um projeto-presente da catedrática em literatura da UFRJ Heloisa Buarque de Holanda com curadoria de Camila Mota, Lucas Weglinski e Alberto Renault; O Banquete, de Platão, estreado no Queer Festival em Zagreb, na Croácia, depois em temporada em SamPã e apresentado no FIT BH, onde ocupou o Museu de Arte da Pampulha, obra de arte de Oscar Niemeyer; Cacilda!! – Estrela Brazyleira a Vagar, de Zé Celso, com estreia no Rio de Janeiro no Teatro Tom Jobim dentro do parque Jardim Botânico e depois temporada em Sampã.

Em 2010 saímos em turnê nacional com as Dionizíacas: Taniko, o Rito do Mar, Cacilda!! – Estrela Brazyleira a Vagar, O Banquete e Bacantes. Neste projeto, patrocinado pelo Ministério da Cultura, em que a Cia. excursionou por 7 capitais do Brasil apresentando estes 4 espetáculos de seu repertório gratuitamente em tendas de 2000 lugares, além de dar oficinas gratuitas de todas as artes que compõem os cyberespetáculos: atuação, direção, música, luz, video, arquitetura cênica, figurino, direção de arte, produção, divulgação e difusão. Depois do Tombamento do IPHAN, no dia 24 de junho de 2010, a tenda foi montada em Sampã, a 8ª capital, no Entorno do Oficina Tombado, no terreno cedido em Comodato até este ano pelo próprio Silvio Santos.

No mesmo ano de 2010 fizemos O Bailado do Deus Morto, de Flávio de Carvalho em encenação apresentada durante a 29ª Bienal de Arte de Sampã no Pavilhão da Bienal no Ibirapuera e a Macumba Antropófaga, de Oswald de Andrade. Encenação do “Manifesto Antropófago” criada durante uma semana de ensaios e laboratórios no Inhotim Centro de Arte Contemporânea, localizado em Brumadinho MG, apresentada na obra de arte de Magic Square #5 de Helio Oiticica durante a turnê Dionizíacas. Esta peça entrou em cartaz no Terreno do Entorno do Teat(r)o Oficina num Circo instalado com essa finalidade. Em Sampã o espetáculo acontecia, além do Teatro, nas ruas do Bixiga, na Casa de Dona Yayá, no TBC e no prédio onde morou Oswald de Andrade na rua Ricardo Batista. Em janeiro de 2012 Bacantes, de Eurípedes, seguiu em, em turnê europeia por em Liége, na Bélgica, no Teatre de la Place e em Portugal, Lisboa, no Teatro São Luiz. No mesmo ano foram feitos os Acordes, de Bertolt Brecht e Paul Hindemith, encenada no Oficina, em seu entorno e em turnê pelo interios de São Paulo, também patrocinada pelo Sesc. Atualmente fazemos Cacilda!!! – Glória no TBC e em 68 Aqui Agora, de Zé Celso, também no Teat(r)o Oficina e no terreno do entorno cedido por Silvio Santos.

Isso é um resumo de nosso Currículo.

Não mencionamos os vídeos gravados profissionalmente, distribuídos pela Trama, nem os vídeos de Os Sertões
– 5 DVD’s, por enquanto somente adquiridos no próprio Oficina, nem a caixa comemorativa dos 50 anos com 4 vídeos gravados em 2008. O trabalho de produção audiovisual da Cia. ainda vai lançar em breve O Rei da Vela, o filme e pelo menos outras 4 peças do repertório já gravadas profissionalmente, em fase de montagem e finalização.

Além do Oficina Uzyna Uzona, nos tempos atuais, surgiram muitas outras Companhias permanentes que não nos deixam mais a sós hoje: Vertigem que atuou no Tietê, em prisões, igrejas, hospitais; o XPTO, Grupo Tapa, Latão, Parlapatões, Satyros, Os Fofos, Os Crespos, BR116, Cia. Mundana, Cia. Livre, Folias, Cia. do Feijão, Club Noir… Inúmeros outros Tyazos = Companhias Corais na terminologia da Tragédia Grega Dionisíaca Apolínea e de Pã, aqui em SamPã e também no Rio de Janeiro além de Cia. Armazém, no Paraná, outras no Piauí, atualmemente pelo Brasil todo. Elas são como as Escolas de Samba e os Times de Futebol: Cosmos. Tem uma linha própria que evolui no tempo.

E não resta a menor dúvida: todos estes Tyazos e os da mesma qualidade aqui não mencionados podem, se desejarem, atuar com o Oficina Uzyna Uzona, no Teat(r)o Oficina tombado e no seu entorno.

Como é possível um órgão que defende o Patrimônio Cultural do Estado ter tamanho desprezo pelo Oficina Uzyna Uzona e manifestar-se grosseiramente, sem Arte, neste documento, como se fôssemos usurpadores do Teatro Oficina.

É mais que Ignorância.

Nossa Companhia e nosso Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, seu projeto total de expansão, são hoje objeto de estudo no mundo todo. As Grandes revistas de Arquitetura como Domus, na Itália, 2G na Espanha, dedicaram números inteiros saudando o Projeto do Teat(r)o Oficina e sua extensão urbana no Anhangabaú da Feliz Cidade.

Vocês deviam se inteirar mais de quem somos para não nos entregar assim, com esta brutalidade, para a Especulação Imobiliária. Isso, por nossa Luta e do público brazyleiro e internacional, felizmente não vai acontecer, para a sorte de vocês. Porque se acontecer, vocês serão os neonazistas da América do Sul e irão sofrer muito quando caírem em si.

Hoje uma geração formada por nossas encenações, que são já consideradas cursos da Universidade Antropófaga, revela uma equipe de sócios do mais alto grau de talento. Todo público que viu a 1ª temporada de Cacilda!!!  ficou surpreendido com o talento das atrizes, dos atores, cantores, acrobatas, dançarinos, músicos, instrumentistas, ao mesmo tempo dos talentosos iluminadores, da qualidade do som, dos vídeos, dos  câmeras, figurinistas, camareiras, qualidade da produção e administração, das arquitetas do espaço cênico, dos operadores das transmissões diretas por nosso site, dos protagonistas e dos coros.

Peço que vocês, público, e vocês do Condephaat, se pluguem ao nosso site para conhecer estes maravilhosos artistas de Teat(r)o Multimídia, seus nomes, suas fotos e as transmissões online dos espetáculos de Cacilda!!!, de volta a partir de 3 de outubro.

Ana Lanna, seu texto me inspirou estas noites de réplica e de Insônia, a Deusa da Vida Alerta.

Não somos do PT, mas de esquerda.

“Ser de esquerda é saber que a maioria é ninguém e a minoria é todo mundo.” – Gilles Deleuze

José Celso Martinez Corrêa

Presidente da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona

Segunda Feira, 16 de setembro de 2013 – 2h51’

Evoé! 

Terceira parte da carta aberta a Presidente do Condephaat, Ana Duarte Lanna, respondendo a seu texto apresentado em 9/9/2013 ao órgão que preside, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo que, em maio deste ano, autorizou a construção de duas torres residenciais ao lado do Teatro Oficina, tombado por este mesmo órgão em 1982.

A primeira e a segunda partes da carta já estão publicadas nesse blog. Amanhã será publicada a quarta e última parte.

Screen Shot 2013-09-20 at 10.31.04 PM

Porque Teat(r)o e nunca Teatro?
Sabe porque colocamos em parênteses o “r” do Teat(r)o?
Porque em 1970, no momento em que a repressão impunha a mensagem à força da Tortura e do Inferno Publicitário do “Ame-o ou Deixe-o”, as pessoas estavam sob o impacto violento que o AI-5 impunha ao querer dos brazyleiros. Nos trancamos todos por um mês no Oficina e começamos a tentar descobrir um meio de sair daquela repressão que nos deprimia e nos deixava descrentes. Criamos com nosso Corpo a Lição de Voltar a Querer – a Re-Volição – através do Te-Ato (de Ação) que é o existir fora da representação. Passavamos semanas sem nos falar somente nos comunicando por ações. Nesta época as pessoas não podiam mesmo falar nada, era tempo do “tá legal?”, “estou na minha”, “corta essa” – nem isso falávamos, e fomos descobrindo a energia poderosa do silêncio. Poderíamos nos comunicar com as pessoas simplesmente transmitindo as vibrações de nossos Corpos em Ação, nossos olhares e emanações de nossas eletricidades. Criamos então o Gracias Señor em Te-Ato, quase sem palavras – estávamos contra o Paredão, como o Beco Sem Saída do Oficina. Viajamos o Brasil levando nas capitais “Os Pequenos Burguêses” de Gorki, “O Rei da Vela” de Oswald de Andrade e “Galileu Galiei” de Brecht. Nos embrenhávamos no mato depois de nos apresentarmos nas capitais, penetrávamos os Sertões do Nordeste já pagando com as bilheterias das capitais as pesquisas de Te-Ato que começamos publicamente em Brasília, no Campus da UNB totalmente vigiado por um almirante da Marinha, reitor da Universidade.
Criamos a partir do que observávamos em caminhadas silenciosas pelo Campus com nossas ações ligadas ao que apreendíamos de mais decisivo vitalmente pra aquele momento em que a Universidade era um Campo de Concentração. De lá partimos para o Nordeste até Manaus fazendo, nos momentos comprados com nossos clássicos, ações ligadas ao campo – aos “Sertões” e íamos passando como Conselheiro e os Conselheiristas: mudos, construindo pontes, ligações entre as casas com, por exemplo: Colchas de Retalhos que fabricavam pra vender no Sul e que eram rivais na disputa do mercado. Com pedaços de tecidos de cada casa, sem dizer uma palavra, emendávamos os panos de rivais e fomos formando uma grande caminhada até formar com todos os habitantes um enorme tecido. É difícil dizer o que eram os Te-Atos naquele contexto. Mas é o que acontece, por exemplo, em “Cacilda !!!”, que está em cartaz no Oficina, com uma das 3 atrizes que fazem Cacilda – a Sylvia Prado, que tem um bebê de 7 meses. Se ele chora, ela apanha o filhinho, dá de mamar e continua atuando mas interpretando, incorporando as ações da personagem às novas interpretações que nascem na hora que ela deve dar de mamar. Sem dizer, sem explicar nada, somente incorporando essa circunstância às da personagem. Então são estes os “aspectos essenciais da trajetória recente do teatro brasileiro e paulista e do peso que ele teve…”. Não! Não se trata do passado. Corrija este seu novo equívoco Ana Lanna e troque por o “que ele tem de atual hoje, em 2013, em nossa Vida Cultural”. Não o “das representações que uma parcela da sociedade fez dela toda” como você escreve. Não como num “Museu Histórico” mas com poucas representações e muitas presentações. Quer dizer: muito Te-Ato ou mais precisamente “Teat(r)os” – com ações vitais dos aqui agora de cada instante.

Nós continuamos a influenciar até hoje o Teatro no Brasil e no Mundo. Isso não ficou no passado, ou melhor, é passado futuro presente.

Vocês deviam ver nossas peças para nos entender.

Produzimos DVD’s profissionais e transmitimos pela internet, com legendas em inglês, todos os nossos espetáculos e trabalhos, como foi o encontro com você na USP e a “Audiência Publica” do dia 5/9 em que se percebe, nos vídeos e nas fotos, que você e o Secretário de Cultura estão, mas não estão “presentes”, não estão ouvindo ninguém, paranóicos, achando que todos estão contra vocês. Basta ver suas caras nas inúmeras fotos vindas de muitos fotógrafos que nos enviam.

Essas gravações e transmissões diretas revelam o Te-Ato através de nossos Corpos, nossas posturas. No Teato não existe somente a palavra falada – está mais presente do que nunca no Corpo Presente, em seus Silêncios ou na falta de atenção, concentração, ligação. Tudo isso é muito teatalmente visível. Nos anos 60 a Polícia Federal publicou matéria paga nos jornais com o título:

“Como Eles Agem”

Escreveram que nós tínhamos sido treinados por hipnotismo por comunistas chineses, pois não compreendiam como o público chegava a atuar conosco sem que pronunciássemos uma palavra.

“O tombamento do Teatro Oficina pelo Condephaat não se refere ao valor arquitetônico do edifício”.

Tem razão, pois o edifício que hoje abriga as atividades da Companhia Teat(r)al não existia em 1982. Existia sim, o projeto, que continua a existir, hoje realizado em parte. É este projeto que precisa da complementação no entorno do bem tombado. Agora o Condephaat está ameaçando querer destruir mais o projeto total de Lina e do Oficina Uzyna Uzona.

“A desapropriação do Teatro Oficina, ato diverso do tombamento, ocorreu em 1984 e em nada alterou a resolução de tombamento do Condephaat. Alterou apenas o proprietário do imóvel, que agora é o Estado de São Paulo.”

Sei que você Ana entende o “Teatro Oficina” como uma Propriedade e trabalha Stalinisticamente para as Propriedade do Estado, não para os que cultivam o Local.

Você por acaso já leu a peça de Brecht “Circulo de Giz Caucasiano”?

Esta peça clarifica que as crianças, como a Terra, pertencem não aos seus proprietários, mas a quem as cultivam.

O Oficina cria esse pomar, que são as Obras Primas, os frutos maravilhosos do Oficina Uzyna Uzona.

Não foi mesmo o Estado que criou, nem mesmo quem manteve estes anos todos este local, foram os Tecno-Artistas e o Público, que continuaram, principalmente o enorme Público sempre jovem, que ainda não aburguesou-se e ocupa sempre o Oficina e agora seu Entorno.

Você escreve “Não há nenhum processo ou solicitação junto ao Condephaat para eventual alteração da resolução de tombamento”.

Mas este destombamento foi feito na moita, não nos foi informado.

Você afirma:

1. Não cabe ao Condephaat pronunciar-se sobre possibilidade de desapropriação do terreno vizinho ao Teatro Oficina (processo 57791/2008) . Tratar-se-ia de atribuição de outras instâncias de governo e não do órgão de preservação do patrimônio. 

Mas este Orgão, se tivesse a mínima noção do que lhe cabe ou não, estaria participando, como recomenda o Tombamento pelo Iphan, defendido por Jurema Machado na conclusão de seu parecer, da busca de uma solução para a destinação do terreno envoltório a Cultura. O texto de Jurema:

Considerando o Parecer da Relatora e após discussão do Conselho, foi a seguinte a decisão final: 

Pela inscrição do Teatro Oficina no Livro de Tombo Histórico e no Livro de Tombo das Belas Artes.

Pela re-avaliação posterior, pelo IPHAN, da delimitação do entorno, tendo em vista tratar-se de bem a ser inscrito também no Livro de Belas Artes e não exclusivamente no Livro Histórico.

Pela manifestação, ao Ministro da Cultura, de que o Ministério e o governo federal identifiquem mecanismos que viabilizem a destinação do terreno contiguo ao Teatro Oficina para um equipamento cultural de uso público, utilizando mecanismos tais como a aquisição, a desapropriação ou a conjugação destes com instrumentos urbanísticos a serem identificados em cooperação com o Município e com o Estado de São Paulo. 

2. o projeto substitutivo apresentado pela SISAN em 2008 (processo 53330/2006) , referente a construção de torres no terreno situado a Rua Jaceguai nº 530 pode ser aprovado, do ponto de vista das restrições estabelecidas pelo tombamento, condicionado à apresentação prévia do projeto de servidão”.

Isto é, traduzindo em miúdos, realmente: 1m e 80cm – um muro fazendo desaparecer a paisagem do Janelão; o corte da Árvore Sagrada do Terreiro: a Cesalpina, que não sobrevive nesse corredor de prisão – e ainda o fechamento da perspectiva da fachada mais bela na obra de Lina Bardi e Edson Elito – a do lado da Rua Abolição, que hoje revela a beleza ímpar do edifício. E o pior de tudo, a extinção da contribuição milionária da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona para SamPã, Brasil e Mundo: a Arte Teatal, enfim.

3. Esse item é risível diante do tamanho da Destruição:

 “A empreendedora deve transferir, em caráter permanente e irrevogável, uma faixa de 1, 80 cm de largura em todo o comprimento do lote de forma a instituir uma servidão de passagem para a construção de adequada rota de fuga e proteção a incêndio, para uso do teatro.”

Que magnanimidade de generosa hipocrisia !!!

O projeto apresentado pelo proprietário do terreno já foi aprovado pelo Compresp em 2009, na gestão de Kassab, mas a atual gestão do Prefeito Fernando Haddad, do secretário Juca Ferreira e do Compresp de Nádia Somekh programa tombar de fato todo o Bairro do Bixiga.

Vai haver conflito entre estas visões do Governo Alckmin e sua intimidade com a Especulação Finaceira revelada descaradamente pelo Condephaat.

“Por fim, cabe lembrar que o Estado de São Paulo desapropriou o bem tombado de forma a viabilizar as atividades do Teat(r)o Oficina. Desde então responsabilizou-se pelo bem tombado.”

Minha cara Fonte de Argumentos, somente nas gestões dos Secretários com Cultura, como Ricardo Othake, que concluiu parte do projeto de Lina Bardi e Edson Elito e estabeleceu um convênio com o Teat(r)o Oficina para mantê-lo, exigindo que fizéssemos uma peça por ano que a Secretaria de Cultura bancaria. Este convênio foi considerado inválido na gestão nefasta de Marcos Mendonça, o burocrataço que hoje está no poder na TV Cultura.

Tivemos ainda a gestão ótima de Fernando de Moraes que começou a encaminhar a construção do Terreiro Eletrônico, que agora completa 20 anos, iniciado no Governo Quércia.
Fernando cercou-se não de burocratas nomeados pelo Estado, mas de grandes artistas de SamPã como Mário Prata, Lélia Abramo, Marisa Orth no Teatro; Tadeu Jungle na área do vídeo; Arrigo Barnabé na área da Música.

Nesta gestão ganhei o prêmio máximo de dramaturgia com minha peça Cacilda !-!!-!!!-!!!! exclamações – uma Teatralogia em torno de Cacilda Becker – que já está em sua terceira exclamação e vai comemorar os 20 anos deste Terreiro Eletrôniko no dia 3 de outubro de 2013.

A gestão do cineasta João Batista de Andrade na Secretaria da Cultura e Cláudio Lembo – em seu breve governo interino – encaminhou uma proposta ao Legislativo de ocupação por 99 anos na Rua Jaceguay 520 para a Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona.

E mesmo a rápida gestão de Andrea Matarazzo tentou abrir o caminho totalmente fechado nesta Secretaria de Cultura – porque acham que somos do PT. Artista não é de partido nenhum, ponham isso na cabeça, por amor aos fatos!

A Paupérrima Permissão de Uso a Título Precário para a Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona
Sempre me recusei a assinar esta permissão. Óbvio que não assino mesmo. Todos os Tombamentos: o Municipal, o Estadual, o Federal pelo IPHAN, a desapropriação pelo Governo do Estado, todas estas medidas jurídicas foram tomadas para que continuássemos como Companhia Permanente ocupando o Oficina. Desde que fizemos 25 anos, quando ainda não estávamos ameaçados pelo Mega Grupo SS, fomos nós que fizemos o nome do Teatro, que lá produzimos nossas consagradas Obras Primas. Como é que vou assinar a permissão de uso de um lugar onde estamos há mais de 50 anos?

Não somos culpados da mediocridade do Departamento Jurídico e dos Secretários de Cultura do PSDB do interior de SP não criarem instrumentos júrídicos à altura dos Tombamentos e da desapropriação decretados para assegurar a continuidade de nosso trabalho de criação e garantir que não fossêmos destruídos, como se pretende agora, pela especulação burocrática atual do Condephaat somada à Especulação Imobiliária!

Ainda por cima, na gestão Mendonça, queriam que aceitássemos funcionários públicos como os do Teatro Sérgio Cardoso de então, nas áreas de luz, som, maquinistas em que o Estado pagaria salários baixíssimos e que teriam horário pra trabalhar como “funcionários”.

Ora, não aceitamos.

Não somos uma casa de exibição de Teatro como o Teatro Sérgio Cardoso. A Jaceguay 520 é um Lugar de criação, de produção e também exibição do que criamos. Nossa equipe trabalha com pessoas apaixonadas pelo Teat(r)o, como sócios e somos uma Associação auto gerida – anárquica no sentido mais responsável e libertário da palavra.

As mais de 60 pessoas que estão hoje no Oficina Uzyna Uzona ensaiam as vezes mais de 8 horas, como na Cia. Teatro Oficina Ltda nos anos 60 fazíamos – varando noites, criando nossas Obras de Arte.

Vocês do Condephaat, que tem atualmente esta visão Estatista-Stalinista, não compreendem o Oficina Uzyna Uzona ou deliberadamente não querem, nem têm interesse de compreender.

O Stalinismo odiava e invejava, como vocês, os grandes artistas criadores da Arte Pública do começo da Revolução Soviética. Foram todos, com exceção de Eisenstein e Stanislawiski, destruídos, torturados até a morte na URSS, como vocês querem fazer conosco agora.

Nunca assinei este contrato servil de permissão de usufruir do que nós mesmos criamos e muito nos orgulhamos disso.

Quanto ao cumprimento das exigências de segurança do público que frequenta o imóvel (saída de incêndio), quantas vezes nossa auto-coroada produtora Ana Rúbia não se dirigiu ao Estado nestas gestões do PSDB não mais da USP, mas de Sertanejo UniversOtário, dos Coronéis do Estado de São Paulo, pedindo ao Estado que criasse conosco as saídas de segurança e regulassem, como proprietários, as normas de segurança. As saídas reais de incêndio, não esses ridículos 1m e 80cm de agora, que dependem de nossa destruição como Cosmos Cultural para existir!

Segunda parte da carta aberta a Presidente do Condephaat, Ana Duarte Lanna, respondendo a seu texto apresentado em 9/9/2013 ao órgão que preside, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo que, em maio deste ano, autorizou a construção de duas torres residenciais ao lado do Teatro Oficina, tombado por este mesmo órgão em 1982.

A primeira parte da carta foi publicada ontem e as duas próximas serão publicados amanhã e sábado, completando a série de 4 textos em 21 de setembro, dia da Árvore.

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O encontro do Oficina com Lina Bardi
Na encenação de “Na Selva das Cidades”, em 1969 – um ano após o AI-5, portanto 13 anos antes do Tombamento, Lina instalou um Ringue de Box no centro do espaço concebido por Flávio Império, dividindo o espaço em dois pontos: uma arquibancada com ingressos vendidos mais baratos e poltronas azuis vendidas a preço mais alto.
A peça do Jovem Brecht foi encenada exatamente quando o Bixiga era dividido em 2 pelo Elevado Costa e Silva. Lina Bardi, com os destroços das demolições e árvores cortadas, fez a Arquitetura Cênica Urbana da peça. A peça era dividida em 11 Rounds.
É a Luta entre um bilionário chinês que invade com sua gangue a livraria onde trabalha o jovem Garga, e lhe pede que venda por 50 dólares sua opinião sobre um livro. O jovem alega que está lá pra vender as opiniões de Rimbaud, Salinger etc… A oferta vai aumentando, mas o jovem Garga continua negando-se a vender sua opinião e toda a livraria é quebrada. Era então uma referência à invasão de “Roda Viva” pelo CCC.
Os destroços iam se acumulando numa área em que foi construída uma armação de arame para proteger o Público dos cacos das destruições que voavam pelo espaço nos próximos rounds.

Todas as instituições iam entrando em cena magnificadas para ser estilhaçadas, acumulando seus escombros num Lixão em redor do palco ringue: a Empresa do Bilionário, a Casa da Família de Garga no dia de seu casamento irrealizado e o bordel onde vai parar a irmã do herói, Maria Garga, interpretada passionalmente pela grande Ítala Nandi realizando o 1º nu frontal feminino do Teatro Brazyleiro. A personagem se apaixona pelo perseguidor de seu irmão que quer comprar sua opinião… As personagens, principalmente Femininas, cobre-se de jóias criadas com os cacos dos escombros da Destruição & Construção do Minhocão.

Num determinado momento as duas personagens aceitam encontrar-se num lago de Michigan, mítico deserto criado pelo Jovem Brecht.

Nesta cena o ringue é totalmente destruído em seu chão – são retiradas suas tábuas até se chegar ao chão de Terra do espaço da Rua Jaceguai 520.

Então Lina disse:

“Aí está o “Sertão” da Rua Jaceguay 520.”

Era pra termos montado juntos “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, o que não ocorreu devido à morte do arquiteto urbanista artista.
Ao mesmo tempo, ali, em Lina Bardi, nascia o espaço do Terreiro Eletrôniko do Teat(r)o Oficina.

Logo a seguir fomos, Lina, parte da Companhia do Oficina Uzyna Uzona e minha pessoa, filmar em Florianópolis “Prata Palomares”, filme do cineasta André Farias que tem Lina como diretora de arte. Numa folga da filmagem fomos a um Terreiro de Candomblé, estreito como a lâmina de uma gilete, e nasceu a Pista do Oficina. Juntos tivemos a Eureka! Lina emocionada com os tambores cobrindo sua voz disse: “Assim vai ser o Terreiro Eletrôniko do Teat(r)o Oficina.”

Bienal Internacional de Arquitetura SP 2013
Hoje o arquiteto Guilherme Wisnik, curador desta Bienal, cria um camping no terreno do entorno do Oficina Uzyna Uzona tombado para estudar o que descobrimos juntamente com Lina: as Catacumbas de Silvio Santos em direção ao Anhangabaú, o Teatro de Estádio, a Universidade Antropófaga, a Oficina de Florestas, a creche pro bairro da periferia central de SamPã, o Bixiga. A inspiração do conteúdo desta Bienal vem da Obra Prima de Arquitetura Cênica Urbana de Lina Bardi: o espaço cênico de “Na Selva das Cidades”, realizada em 1969 a partir da reciclagem da destruição do Bixiga na Construção do Minhocão.

Há inúmeros projetos para esta área – entre eles um mais completo feito pelos arquitetos João Batista Martinez Corrêa e Beatriz Pimenta Corrêa, respectivamente meu irmão e minha sobrinha. Esse projeto foi construído quando recusamos o de Marcelo Ferraz, da Brasil Arquitetura, que tentava conciliar o Shopping com um Teatro que não aprovamos por ser um Teatro de Palco Italiano cercado por muros muito altos, com aspecto de uma masmorra. Marcelo Ferraz havia me procurado porque havia sido chamado por um advogado do Grupo Silvio Santos para realizar um projeto que conciliasse as aspirações do Teat(r)o Oficina e o Shopping desejado pelo Grupo SS.

Na época quem havíamos convidado para fazer o projeto era Oscar Niemeyer, mas diante de Marcelo Ferraz que me disse que só aceitaria o trabalho se eu estivesse de acordo, concordei que ele tentasse esta conciliação. Como eu via ele sempre trabalhando com Lina, aceitei. Ele me pediu então um programa para a obra no entorno do Oficina. Eu trabalhei bastante e fiz. Mas o Resultado apresentado foi decepcionante. Então pedi para meu irmão, arquiteto João Batista, que fizesse um projeto baseado no programa que eu havia feito para publicarmos com meu texto numa edição bilíngüe, afim de a divulgarmos as possibilidades do local.

Ele fez um trabalho maravilhoso! De grande beleza, que quase foi construído na gestão do atual Secretário de Cultura da Prefeitura de São Paulo, Juca Ferreira, então Ministro da Cultura, mas Dilma não o chamou para continuar no Ministério.

Outros projetos apareceram como o do arquiteto Cristiane Cortílio, apresentado para sua graduação na FAU.

Surgiram muitos outros, inclusive de arquitetos internacionais.

Projeto do Teatro de Estádio por Jeremy Galván, arquiteto francês

Projeto do Teatro de Estádio por Jeremy Galván, arquiteto francês

Quando o Iphan tombou o Teat(r)o Oficina e seu entorno, Silvio Santos propôs a troca de seu Terreno no nosso entorno por outro da União, pois com o Tombamento ele percebeu que seria complicado continuar insistindo numa luta de 30 anos – nesse momento que estou revisando este texto me vêm à Lembrança a Luta entre Shilink, o bilionário chinês e o jovem Garga, que não queria vender sua Opinião – em que conseguimos impedir as torres da Família Jetsons, de Júlio Neves, os vários shoppings projetados e finalmente as Torres que haviam saído de cartaz e que em sua gestão, Ana Lanna, retornaram impositivas.

Esta Luta Épica de mais de 30 anos é chamada por você de “Luta por interesses particulares de integrantes e simpatizantes do grupo”.

Como se na construção das Torres o Condephaat estivesse defendendo Interesses não Particulares – mas Públicos.

Você escreve: “O Conselho do Condephaat é composto por representantes de diversos setores da sociedade civil e do Estado, todos com notório saber em suas áreas de atuação.”  Acrescento: porém escohidos pelo Governador numa lista tríplice, ou estou enganado?

“As decisões do Condephaat são fundamentadas por “pareceres técnicos” o Conselheiro Relator emite, após análise do processo, parecer votado por uma maioria de um Colegiado.” 

O que é uma “análise técnica”? Para mim este termo parece muito relativo, mesmo porque, no que são publicadas, revelam um desconhecimento absoluto de como analisam, como provam as análises feitas a propósito do Tombamento do Oficina.

Mesmo assim, sei que as arquitetas do DPH (departamento de preservação do patrimônio) Marcia Tancler e Marília Baubour fizeram pareceres contrários às Torres, mas o conselheiro Egídio Carlos leu os pareceres técnicos e ao elaborar o seu, replicou a área técnica dizendo que não podia ser levada em consideração devido à natureza do tombamento (imaterial). O parecer do conselheiro Egídio foi levado à votação pelo conselho e valeu sua posição e dos demais Conselheiros – 13 dos 24 que compõem o Conselho, aprovando a construção, com 3 abstenções.
Os critérios aprovados são inteiramente subjetivos e não têm nada a ver com o 1º Tombamento, feito por Aziz Ab’Saber, João Carlos Martins, Flávio Império. Nem com o Tombamento pelo Iphan, redigido por Jurema Machado – aliás, tenho impressão que esse texto sequer foi lido por você, pelo Conselho e pelo próprio Secretário, para quem entregamos o Projeto “Convênio Exemplar” que continha este texto e o Secretário teve o gesto maravilhoso de nos confessar num encontro que com ele tivemos dia 3/9/2013 que não o havia lido. Ainda há tempo para que o faça.

Ocupação do Entorno com containers para o Convênio Exemplar. Projeto de Carila Matzenbacher e Marília Gallmeister

Ocupação do Entorno com containers para o Convênio Exemplar. Projeto de Carila Matzenbacher e Marília Gallmeister

Os conceitos de Jurema Machado e dos 1ºs tombadores estão muito mais próximos dos significados do que é o Teat(r)o Oficina como as correntes mais antenadas que o Mundo tem produzido em relação à Arte, ao Meio Ambiente, Urbanismo, às transformações das Cidades e sobretudo das Metrópoles, em que Torres construídas pela Especulação Imobiliária no Mundo são vistas como nefastas à sobrevivência da respiração dos Seres Vivos asfixiados já pelo trânsito enfartado e pela poluição.

Você e principalmente sua visão “técnica” me inspiram a escrever um livro sobre a luta que nos transcende, a mim, a você, ao Condephaat, a Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona.

Sou muito grato ao fato de você ter me feito perceber a relação matrimonial entre a Especulação Imobiliária Finaceira & a Especulação Técnica Burocrática do Estado versus a Concretude das Urgências Humanas dos Seres Verdes, Culturais, criadores de Áreas de Meditação nas Cidades espremidas como verdadeiros “Guarujás”.

O que vocês, neste Governo Alckmin, defendem tecnicamente é a preservação histórica do Oficina como se a história parasse numa determinada época e dela ficassem somente tijolos. Esses técnicos, com suas análises, tem horror ao Movimento contínuo da História que não para, como a própria Vida.

O Risco do Desaparecimento do Bairro do Bixiga
Quando tomei ciência que seu Governador quer erguer Torres em todo Bixiga, mesmo sendo para moradias populares, não pude deixar de ver nisto um interesse eleitoreiro que esmaga a vida de um Bairro como o Bixiga.

Há milhares de prédios vazios no Centro, desocupados, e eles devem ser passados como moradia para os Sem Teto que povoam as ruas desta Metrópole, a mais rica do Brazyl, como também é claro que isso não impede que sejam construídas novas moradias populares. Mas porque sacrificar um Bairro como o Bixiga, que nos seus Baixos tem moradores pobres que merecem a preservação dos inúmeros lugares maravilhosos que ainda sobraram depois da crueldade do Minhocão ter dividido o bairro como o Muro de Berlim e deteriorado as condições de Vida, estraçalhado pela Especulação Imobiliária Financeira de olho neste local.

Já foi um coração boêmio cosmopolita cultural de Sampã, este bairro de sua periferia Central. Porque não pode ser restaurado como a Lapa do Rio que hoje é um dos lugares mais deliciosos do Mundo? Lá se encontram todas as culturas, classes sociais, moradores de todo Rio e gentes do mundo inteiro. Como seria com a existência de um Teat(r)o que legasse ao bairro o Teat(r)o Oficina, o Estádio Ágora, o TBC, a Casa de Dona Iaiá interligados e uma Oficina de Florestas que reflorestasse todo este lugar de que foram arrancadas tantas árvores maravilhosas com a construção do Elevado Costa e Silva.

E porque sacrificar justamente a Árvore Cezalpina, que não vai sobreviver em 1m e 80cm?

É um crime hediondo o que está se propondo ser cometido exatamente por um Órgão de defesa do Patrimônio Histórico Artístico Arqueológico Turístico do Estado de SP.

A forças dos que Amam a Vida junto a todas as máquinas vivas d’Ela: os Animais, as Árvores, as Hortas, as Flores, os Seres Humanos, já não querem mais viver sob “Ordem e Progresso”.
Os movimentos de Junho antes de entrar em cena a sanguinária PM, resquício da Ditadura Militar que hoje contracena com os Black Blocs solitariamente, hão ainda de ganhar novos rumos.

O Gozo do Passe Livre com o Amor e com Tudo é a aspiração natural de quem está vivo, principalmente nesta Primavera Brazyleira que se aproxima.

Esses movimentos deverão ter Passe Livre nas sessões do Condephaat que vão examinar os inúmeros recursos que entrarão pedindo a revisão deste Tombamento que parece mesmo um Tombo, uma Queda, em que a entrada dos artistas, Lina Bardi e câmeras foi saudada e recebida com a maior alegria pelo sábio Azis Ab’Saber.

Não basta essas sessões serem “públicas no website da Secretaria da Cultura”. É esta ação antidemocrática que traz os privilégios não a um Cosmos Cultural como o Oficina, mas sim a Especulação Imobiliária. É aí que se distanciam das práticas democráticas.

É muita cara de pau, fala sério!, querer invocar Lina interpretando que “qualquer organização cultural que tenha a importância do Teatro Oficina, representante de um marco da história cultural de São Paulo, poderia pretender o mesmo procedimento” possa desqualificar o tombamento.

Quando foi derrubado o Teatro Phoenix no Rio de Janeiro, a belíssma atriz Maria Della Costa passou a dormir no Teatro pra impedir sua demolição. Mas Getúlio Vargas prometeu a Maria que ali se construiria um novo teatro, como aconteceu, e que se transformou num 1º auditório da TV Globo. E mais, promulgou um decreto obrigando todo lugar em que houvesse um Teatro como Espaço Público Cultural ser Tombado e se fosse derrubado, construir outro em seu lugar.

Na minha infância eu via as fotos de Maria e recebia este ensinamento dela e de Getúlio: o lugar onde existe por anos um teatro é um Terreno Sagrado, como as Terras dos Indígenas. Assim considero os mais de 50 anos que o Oficina tem ocupado a Rua Jaceguay 520 e estes últimos 3 anos em que tem ocupado também o Terreno do Entorno como Ocupações Sagradas.

É claro que o “Teatro Oficina se pautou por procedimentos legais, claros e decentes, sem nunca criar privilégios” como Lina afirmou na Seção do Tombamento do Teat(r)o em 1982.

Só que a concepção de procedimentos legais, claros, decentes é a de uma mulher como Lina, que durante o fascismo foi uma partigiani. Muito jovem pegou em armas pra derrubar o fascismo italiano e nos anos 60 apoiava todos os movimentos para derrubar a Ditadura Militar Brasileira. Somente fez Obras Públicas e duas únicas casas residenciais – a de um amigo e a sua própria “Casa de Vidro”. E assim como em 1980, quando concebeu seu projeto feito sem cobrar um tostão para o Oficina, colocou-se na Luta pra impedir que o Teatro Oficina fosse comprado por Silvio Santos, hoje estaria conosco contra os privilégios dados pelo Condephaat ao Mega Empreendimento Privado das Torres.

Ana Duarte Lanna, você tem a audácia de colocar o “Arquiteto” Lina Bardi contra “nossos privilégios” ao mesmo tempo que, diante da evidência do projeto de Lina parido do Tombamento de 1982/83, quer destruir a Árvore que a própria Lina plantou, o Janelão de sua última obra, e se recusa a perceber que o projeto de Lina para o Entorno já faz parte do Próprio Oficina. Não foi a toa que o “arquiteto”, em vez de respeitar os limites do Tombamento, rasgou aquela janela enorme antes mesmo do Grupo Silvio Santos entrar com seu projeto de comprar o Oficina do ex-proprietário e começar a pretender levantar Shoppings no entorno do Teatro.

Projeto de Lina Bardi e Marcelo Suzuki para o entorno do Oficina de 1980
Lina e o Arquiteto Marcelo Suzuki, no dia 24 de Agosto de 1980, projetaram em slides no Teat(r)o Oficina o 1º risco de uma rua que atravessava os arcos romanos do Oficina e instaurava o Teat(r)o de Estádio no entorno.

Depois criaram as maquetes do atual Terreiro do Oficina e do Teatro de Estádio. Mais Tarde quando Edson Elito começou a trabalhar com Lina, ele realizou um projeto muito belo no entorno de um Teatro de Estádio, que Lina até assinaria em baixo, acompanhando a inclinação natural do terreno.

Desapropriação do Teat(r)o Oficina pelo Governo Montoro
Em 1984 minha mãe ia perder a casa de minha família onde nascemos em Araraquara por ter assinado como fiadora o contrato de locação do Teat(r)o Oficina.
Nós estávamos devendo 3 meses de aluguel. Os ex-proprietários do terreno do Oficina entraram com uma ação de execução dos bens de minha mãe: nossa casa em Araraquara. O Oficina já estava Tombado.

Eu fui falar com Paulo Sérgio Pinheiro, hoje um dos expoentes internacionais nas questões dos Direitos Humanos. Paulo trabalhava na Secretaria de Governo de Franco Montoro com uma elite universitária que daria origem ao PSDB como um partido de centro esquerda extremamente competente. Escrevi uma carta a Paulo na época sobre esta situação do Oficina ameaçado tanto pelo ex-proprietário quanto pelo mega empreendimento do Grupo SS para a área.

Encontrei-me com ele que imediatamente informou o Governador Montoro que, com seus secretários, desapropriou o Oficina para que não nos submetêssemos mais às investidas da Especulação Financeira do mesmo mega grupo que continuava nos pressionando.

Enfim, os 3 Tombamentos – Compresp, Condephaat, Iphan – e a Desapropriação pelo Governador do Estado Franco Montoro foram procedimentos realizados para preservar o projeto do Oficina Uzyna Uzona, sempre ameaçado pela Especulação Imobiliária de seu vizinho.

Estes Atos reconheceram os direitos adquiridos pela Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona nos seus muitos anos de cuidado com o Teat(r)o Oficina somados às criações estéticas premiadas, aos elencos permanentes que deram seu Corpo-Alma por este Espaço, nele realizando-se artisticamente.

Baseada no parecer do Conselheiro relator Prof Dr. Ulpiano você afirma: “o edifício do Teatro Oficina precisamente contém valiosa carga de informação”, em 1982 era um prédio em ruínas mas ocupado e cuidado por um movimento provocado por nós mesmos que queríamos a transformação total do edifício, exigida por nossas descobertas da Arte Teat(r)al pois a nossa continuidade, de nossa história viva assim exigia. Queríamos não recuperar mas adequar o espaço à evolução do Oficina iniciada ainda nos anos 60.

Publico em 4 partes, a partir de hoje, carta aberta a Presidente do Condephaat, Ana Duarte Lanna, respondendo a seu texto apresentado em 9/9/2013 ao órgão que preside, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo que, em maio deste ano, autorizou a construção de duas torres residenciais ao lado do Teatro Oficina, tombado por este mesmo órgão em 1982.

Os três próximos capítulos serão publicados diariamente, completando a série no sábado, 21 de setembro, dia da Árvore.

entorno
Ter a Cabeça do Inimigo nas mãos
e a sabedoria de tocar
pra ele ver de pé
a nossa Vitória

– Versos cantados de BACANTES, Eurípedes, antropofagiados pela Cia. de Artistas do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona.

Agradeço à Dionísio, a você Ana Duarte Lanna, esse texto tão revelador enfim de sua posição, de seu Viewpoint, sua Posição Ideólogica, sua Interpretação dos Direitos, suas Vontades em relação ao Patrimônio Cultural Teat(r)o Oficina. Agradeço a bela foto que o acompanha, onde se vê o Janelão de Vidro que dá para a Cidade e o Cosmos, o Jardim do Oficina com o tronco da Árvore Cezalpina nascido nele e seu tronco já penetrando no entorno deste Bem Cultural Tombado que agora recebe também, além do Tombamento Material, a declaração de seu Valor Imaterial, proposta em Projeto de Lei por deputados da Comissão de Cultura da Assembléia Estadual onde o Oficina Uzyna Uzona será finalmente reconhecido como, por exemplo, a Mangueira: Escola de Samba do Rio de Janeiro.

Quem somos
Você estava inspirada na reunião do Condephaat de 20 de maio de 2013 que deliberava sobre o Teat(r)o Oficina e a sua área envoltória. De acordo com a legislação tem toda razão: A área envoltória nunca é bem tombado. Mas o tombamento configura uma área envoltória de 195 metros e as intervenções em área envoltória são objeto de análise pelo Condephaat. Nesta reunião, vocês trataram desta análise.

Em seu texto você logo revela um engano, a partir de seu ponto de vista, que eu posso revelar com precisão: não existe “Companhia de Teatro Uzyna Uzona, que ocupa o Teatro Oficina”. Quem ocupa este lugar é a Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, registrada desde 19 de janeiro de 1984 em Cartório – sucessora das Cia. Teatro Oficina Ltda., Oficina Samba (durante o exílio em Portugal), Oficina 5º Tempo (no retorno ao Brasil durante a abertura lenta, restrita e gradual). Portanto não existe também o “Grupo Uzyna Uzona”. O que juridicamente nos qualifica é esta Associação de Tecno-Artistas Multimídia, que nos obriga a cada ano criarmos Atas das Assembleias Ordinárias testemunhando todas o cumprimento de nossa tarefa principal: construir em faina diuturna a História Viva do Teat(r)o Oficina, criando sempre espetáculos que dêem continuidade ao momento revolucionário da encenação de “O Rei da Vela” do Poeta paulistano Oswald de Andrade.

A Revolução Cultural trazida pelo Rei da Vela
Esta peça, que estreou o segundo Teatro Oficina, dos arquitetos Flávio Império e Rodrigo Lefévre, viu ao mesmo tempo superado o próprio Espaço de Teatro inaugurado por ela.
A peça encenada trouxe a religação com a Antropofagia de Oswald, que por sua vez religou o Teat(r)o a toda Cultura Popular Brazyleira – o retorno a Arcaica Cultura Sagrada Pagã dos Rituais Teat(r)ais dos Caetés, dos indígenas de todo o Planeta em suas muitas Eras, aos rituais de incorporação na dança e canto das culturas Afro-brasileiras, à Cultura da Musica Popular, Pop, Erudita Brazyleira e Internacional. Trouxe no Brasil a sua descolonização, desde 1967, num dos movimentos culturais mais celebrados no fim do século XX: a Tropicália.

Os Coros Tragicomicorgiásticos
O mesmo acontecendo logo a seguir com o glorioso retorno dos Coros Pagãos milenares de Teat(r)o, criadores na Grécia dos Ritos explicitamente chamados de teat(r)ais. Há milênios os Coros tinham desaparecido e por séculos foram buscados em todos os grandes momentos da Arte Teat(r)al.
Nietzsche, na sua 1ª grande obra conhecida, “A Origem da Tragédia no Espírito da Musica”, lembrando os Coros da Tragédia Grega, aponta seu retorno para o futuro.
Aconteceu no Brasil, no Rio de Janeiro em 68, com o retorno dos Coros em “Roda Viva”, de Chico Buarque de Holanda. A grandeza do acontecimento cultural foi obscurecida pelos ataques à Peça perpetrados pelo Comando de Caça aos Comunistas em SP e depois pelo próprio 3º Exército Brasileiro, em Porto Alegre.
Estas duas peças pra mim são como se fossem a mesma, com os protagonistas de “O Rei da Vela” e os Coros de “Roda Viva” – são o Ponto Galilaico da Revolução da Arte do Teat(r)o acontecida no Brasil de 1967 a 1968 e dando seus frutos até hoje.

Antropofagia
Na Audiência Pública realizada em 05 de setembro de 2013, Camila Mota, atriz há 16 anos associada à Companhia permanente do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona pedia a desapropriação do terreno para a implantação do projeto antropofágico do grupo, o Anhangabaú da Feliz Cidade, não como você escreve Ana Lanna, “segundo uma terminologia do grupo”. Tente apagar o seu novo engano, amada Ana Lanna. A Antropofagia não é a terminologia, a gíria de um “grupo”, como você nos chama.

Não é invenção de um gueto ou de um grupelho. Os poetas concretos paulistanos, os consagrados irmãos Haroldo e Augusto de Campos consideram “A Antropofagia Oswaldiana como o único pensamento filosófico original brasileiro”. E está sendo estudada no mundo inteiro como uma filosofia que pode transformar os apartheides – os racismos, os fundamentalismos, os especulativismos, os preconceitos na relação entre os povos de diferentes culturas – pelo modo de vida da maior parte do povo brazyleiro: a miscigenacão democrática das culturas. Tanto que em 2006 aconteceu no Teatro de duas platéias de Lina Bardi, no Sesc Pompeia, o EIA, Encontro Internacional de Antropofagia, em que antropólogos, artistas, historiadores, filósofos, músicos de várias partes do mundo, durante uma semana, criaram, phalaram, sobre este tema tabú desde o início da colonização do Brazyl.
Não é portanto uma linguagem de uma gangue de privilegiados, mas de povos arcaicos e presentes no mundo todo que almejam o fim das barreiras culturais, raciais, sexuais, religiosas, fundamentalistas, que tem causado tantas guerras à humanidade, sobretudo nos dias de Hoje.

Tombamento Revolucionário
Veio o AI-5. Estreamos com o quê? Nada mais nada menos que “Galileu Galilei”, no dia 13 de dezembro de 1968 – data da implantação da fase mais sangrenta da Ditadura Militar. Narro este ponto da história porque foi através desta peça que começamos a entender que a Cultura cria Cosmos – não grupos. Cria maneiras de ler, interpretar, viver a Vida no Mundo.

Começamos a perceber que o Oficina era um Cosmos, uma trajetória que desenhava um Discurso do Movimento, nome de um dos trabalhos do físico Galileu, que atravessou clandestinamente as fronteiras onde a Inquisição dominava nas mãos de um jovem físico que havia trabalhado com ele. Galileu o havia escrito nas noite de lua escondido da filha que era freira da Inquisição. Este trabalho o deixou cego e ele o escondia num Astrolábio – instrumento que em toda sua vida renegou, pois era constituído de tiras de bronze em que os astros todos giravam em torno da Terra.

Aconteceu o mesmo conosco. Quando fomos exilados em 1974, a grande cantora de Brecht e grande atriz Maria Alice Vergueiro fez passar todo o Arquivo do Oficina – inclusive o audiovisual porque tínhamos “O Rei da Vela” já filmado, mas ainda não montado – através do Consulado Francês de SP para ser desembarcado em Paris. Chamávamos este pacote embalado em muitas malas de “Todo o Discurso do Movimento”, do Oficina que começávamos a estudar. Sabíamos que estávamos descobrindo o retorno ao Teat(r)o como arte milenar orgânica da Humanidade em plena violência da Ditadura Brazyleira. Precisamos cuidar de todo o material para estudarmos a continuação de nossa história não terminada aí, como você Ana Lanna, pensa. Daí vem sua concepção de Tombamento Histórico o Teatro Oficina como um túmulo.

A violenta interrupção de um processo em plena floração nesta fase com a invasão do Teat(r)o Oficina, prisão, tortura de muitos de seus Tecno-Artistas, foi um capítulo heróico – continuado no exílio em países que passavam por movimentos revolucionários.

Esta peça, que combatia o pico da Ditadura Militar no Brasil, se hoje encenada, espelharia a luta em que os “sábios de Florença”, transfigurados em sábios do Condephaat de hoje, não querem acreditar no que seus olhos vêem.

Mesmo dentro do Terreiro Eletrôniko de Lina Bardi e Edson Elito, na Audiência Pública do dia 5/9/2013, não viam diante de si os seres vivos como a árvore Cesalpina plantada por Lina atravessar os muros e chegar ao entorno avançando muito mais do que o ridículo 1m e 80 cm, oferecido por estes “sábios” que não levam em conta sequer o janelão que dá pra Cidade e pro Cosmos, mesmo diante da presença das coisas em si, construídas pelo Oficina Uzyna Uzona, pelo próprio Governo de SP, pelo Ministério da Cultura na gestão do economista e humanista Celso Furtado, pela Sociedade Civil e até por Paulo Maluf, que pagou os fundamentos do edifício do Teat(r)o para fortalecer as paredes do pé direito alto do Oficina.
Estes momentos de construção da obra de Lina, logo após o reestabelecimento da democracia no Brazyl, formaram um breve período em que os burocratas não tinham ainda este poder – fortalecido pelo Cassino da Especulação Financeira.

Os atuais burocratas do Condephaat agem alegando que não existia, na data do Tombamento, este belíssimo espaço aberto dando para a Cidade: estão assim justificando a defesa da construção das Torres Assassinas do Bairro do Bexiga!
São esses paradoxos destes nossos tempos, desta Babel Feliciana, que me dão a sensação do absurdo e loucura das pessoas que ocupam cargos públicos para inverter sua função.
Você mesma, Ana Duarte Lanna, na FAU-USP revelou que não gosta das torres, que as acha horrendas. Pasmem: soubemos que você ainda faz parte da comissão da comemoração oficial do centenário de Lina Bardi!
E você pode ao mesmo tempo querer que se destrua o projeto arquitetônico urbanístico total, para o qual o Oficina foi tombado em 1982/83. O Teat(r)o Oficina prédio não existia mais à época, estava em ruínas, sem as poltronas azuis que oferecemos no 1º de Maio de 1980 ao Sindicato no ABC presidido pelo líder Vicentinho. As paredes estavam cheias de buracos pois nós começamos a construção do Terreiro Eletrôniko para tornar irreversível nosso movimento de transformação.
Todos vão poder ver como estava o Oficina no vídeo “Caderneta de Campo”, uma co-produção do Oficina Uzyna Uzona com a Fundação Padre Anchieta, vencedor do 1º Festival Videobrasil, que este ano comemora 30 anos. Este vídeo foi misteriosamente proibido pela Fundação Padre Anchieta, da TV Cultura, mas será exibido em outubro nesta cidade em comemoração a este aniversário. Aliás, há cenas do dia do Tombamento por Aziz Ab’Saber – que nos recebeu animadíssimo por termos entrado com a Compania Oficina Uzyna Uzona toda para acompanhar a sessão, com câmeras de vídeo – onde poderemos ver Lina Bardi com sua maquete em madeira do Terreiro Eletrôniko para o Oficina e do Teatro de Estádio para nosso entorno, então criado.

Aliás o ponto X é a discussão do diferente deste tombamento que revolucionou a questão da defesa do patrimônio cultural.

O Tombamento foi realizado exatamente em consequência da tentativa do Grupo Silvio Santos querer destruir o Oficina para construir um empreendimento imobiliário, inclusive, no fim do ano de 1980, visando comprar do antigo proprietário o Teatro, ao qual pagávamos aluguel.
Um grande movimento de opinião pública impediu esta possibilidade e inspirou os homens de cultura da Secretaria de Cultura, em 1982, a tombar o Oficina, ao mesmo tempo em que estes empenhavam-se em conseguir do Estado a desapropriação do terreno da Jaceguai e seu entorno para construir o projeto então criado por Lina Bardi.
Na sua citação do laudo do arquiteto e artista de Teatro Flávio Império: o Teatro Oficina passou por vários tipos de organização interna da relação palco platéia: atuante-espectador. Este fator constituiu-se em parte integrante de suas pesquisas: o ‘espaço’ da cena. Um dos elementos básicos de sua pesquisa de linguagem eminentemente teatral. Seu ‘tombamento’ não deveria, portanto, considerar fixo, congelado, o seu equipamento interno, para não estrangular as novas ou futuras propostas de pesquisa do grupo”
Há que se mencionar que não foi mencionado por você o trecho que finaliza o documento de Flávio: “Concordo com as medidas de urgência, no caso do seu tombamento, dada a iminência da incorporação da sua área de chão a um grande complexo comercial”.
E é obvio que não foi mencionado este granfinale do texto por referir-se ao “grande complexo comercial” que é o mesmo que sua gestão atual autorizou: a construção das torres.
Aliás, o mesmo “grande complexo comercial” derrubou duas casas de vila típicas do Bexiga, tombadas pelo Condephaat, vizinhas do Teat(r)o Oficina, que o projeto de Lina visava ocupar com a casa de Produção e com o Arquivo da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona.
Outra intervenção deste “grande complexo comercial” dói até hoje – ter tapado vitrais dos camarins superiores nos mezaninos ao norte que Lina pretendia que fossem transparentes à Cidade – locais de concentração dos atuadores abertos para a paisagem viva da Cidade e do Cosmos.
Além disso, uma abertura de uma janela no muro norte, feita e filmada no dia 6 de janeiro de 1980, logo que voltamos do exílio, tombada com o Teat(r)o Oficina em 1982, foi amurada por este futuro complexo comercial do Grupo SS no dia 9 de novembro de 1989 – dia da Queda do Muro de Berlim.
O Condephaat desta época já era o que parecia ter se tornado depois da última gestão autônoma do órgão pelo Dr. Modesto Carvalhosa – uma espécie de braço deste Complexo Comercial, pois nunca levou em conta estes crimes contra o Patrimônio Tombado.

janelas_abertas_1989_0006

Na época dizia-se, como se diz ainda hoje aí no Condephaat, que “Zé Celso é um velho decadente que é contra o progresso de São Paulo”.

Não acredito que as Torres valham mais que a Praça Cultural que a própria Ministra da Cultura Marta Suplicy vem negociando com Silvio Santos – por indicação do Laudo do Tombamento do IPHAN, onde pretende-se realizar não um Complexo Comercial, mas Cultural, ligando o Oficina, seu entorno, o TBC, a Casa de Dona Yaya, em direção ao AnhangaBaú – daí um dos nomes que demos à esta Praça da Paixão da Cultura: Anhangabaú da Feliz Cidade, que inspirou um presente para esta causa, um belíssimo Samba-Hino composto pelo poeta, músico e catedrático de Literatura na USP, José Miguel Wisnik..

Jurema Machado, atual Presidente do IPHAN, no seu Laudo de Tombamento, quando era conselheira e representava a UNESCO, escreve:

“O que não fica claro – e deveria merecer uma avaliação mais aprofundada – é porque uma cidade como São Paulo, onde se tem a maior e mais consolidada experiência de aplicação de instrumentos urbanísticos como a transferência do direito de construir e as operações urbanas não elegeu o Bexiga para a aplicação prioritária desses mecanismos, justo uma região tão bem localizada, que tem potencialmente muito mais valor para São Paulo – até mesmo sob o ponto vista estritamente financeiro – pela sua diversidade cultural do que pela quantidade de metros quadrados que se possa construir ali. Edificações com destinações comerciais e de serviços, que não tenham outros requisitos locacionais a não ser a acessibilidade, podem ser deslocadas dentro do espaço da cidade utilizando instrumentos dessa natureza. Já o lugar das práticas culturais é ali, e só ali. Se não for ali, o Bexiga como tal deixará de existir.” 

Lina Bardi, que se chama Aquilina – com seu olhar de Águia, estendeu um dos braços com os dedos apontando para os arcos romanos da rua pista cênica em direção ao Norte – ao Anhangabaú – derrubando virtualmente com os olhos os muros, atravessando o terreno do entorno, a Rua Japurá, chegando ao Vale do AnhangaBaú sobre o qual ela estava realizando seu excepcionalmente belo projeto para um concurso público, que para a infelicidade geral da saúde e beleza da metrópole de SamPã não foi contemplado.
Ela pretendia fazer verde novamente o Vale do Anhangabaú – era a razão mais forte de seu projeto para o Oficina ter um alcance urbano: um Teat(r)o que, através de uma das quatro ruas do entorno penetraria a Cidade em direção ao Vale do Anhangabaú.
O Tombamento se deu exatamente porque Azis Ab’Saber, Flávio Império e João Carlos Martins compartilhavam deste arrojado projeto. O Tombamento seria uma 1ª Etapa que se seguiria à desapropriação e à construção deste Complexo Cultural Urbano.
Flávio fez aquele texto exatamente abrindo caminhos para que construíssemos o projeto de Lina Bardi, do Terreiro Eletrôniko = rua dando para as “Catacumbas de Silvio Santos” ou Pista Rua (hoje denominada Rua Lina Bardi) dando para uma Ágora: o Teatro de Estádio – preconizado por Oswald de Andrade em seu manifesto “Do Teatro que é Bom”: um “Teatro de Estádio” como antídoto ao “Teatro de Câmara”. Texto que consta do Livro “Ponta de Lança”.

Há uma obssessão, não somente do Codephaat, mas de uma geração freqüentadora do Teatro Oficina nos anos 60 – e por isso seu texto é de interesse Público – exatamente a minha geração, hoje acomodada no poder, que não perdoa nós termos continuado a linha evolutiva brotada nos anos 60. Não aceitam o Teat(r)o que se faz hoje pela Companhia dos Artistas da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona como uma consequência, uma continuidade de tudo que no fim dos anos 60 começou a renascer no Teatro Oficina e no Mundo.

Esta é a Grande divisão entre essas duas visões do Destino dos Patrimônios Culturais e da Própria Vida com que hoje nos confrontamos.

José Celso Martinez Corrêa, Presidente da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona

CULTURA ATRAVESSA en

 

CALL FROM THIS CEZALPINE TREE
ON SEPT 16th
AT 
THE CULTURA ATRAVESSA (CULTURE MOVES ACROSS)
FOR US TO MOVE ACROSS WITH IT THROUGH THE WALLS THAT TRY TO BOX US

The sacred tree of the Electronic Terreiro of the Oficina Theater has its roots in the garden of the Theater and expands its trunk and its green antennas until the surrounding area of the building, seen through the great window of the Lina Bardi Street, giving the blessing of its shadow to Bixiga neighborhood.
It is the core point for the Condephaat to take back its authorization, which was gave in May, for the real estate and financial speculation to build towers on the land that surrounds the Theater causing:

1st – The destruction of the Cezalpina tree;

2nd- The entrapment of the glass façade that faces the Abolição and Jaceguai Streets, sight of the 20 years of the shows performed herein;

3rd- A throwback of the walk towards the conquer of the public space that, along with the TBC and the House of Dona Yayá, the Oficina Theater wills to create: a Culture Passion Square, that will go up to the Anhangabaú of Feliz Cidade Valley; 

It is the moment of a public meeting with all the artists (we all are) with the power to inject great influence over the fate – not only of the Oficina Theater and its surrounding land- but also of all the menace that surrounds the expropriation of the Bixiga neighborhood with the construction of towers also intended by the Alckmin Government.

We urge for all of those who will come to Oficina to bring lights and energies so that the death of the Oficina Uzyna Uzona will be prevented, death which was announced precisely by the organ of defense of the cultural patrimony of the Culture Secretariat of the Government of São Paulo’s State.

Ió beloved ones that love the Culture of The-act-er!

All who are and all who are not part of the cast of Oficina Uzyna Uzona, feel convoked from this moment to help to prepare this meeting on Monday, which anticipates the Brazylian Spring of 2013’s Mutations of Apotheosis. 

The participation of Condephaat’s president is also convoked from this moment. She states that anyone will be able to ask for a review of the project but in the end of the Public Hearing on September 5th, summoned by the Culture Committee of the House of Representatives of the State of São Paulo, which ended in a very enthusiastic mood, I realized that nothing had changed on her point of view when I asked her, in her last Scene:

ZÉ CELSO – Why were we not consulted for a reunion when the pemission for the construction of Sisan’s towers was given?

ANA LANNA – Because you are not the owners of the land.

I realized that the mind of the president was still sculpted in a rock of a Museum of Abstractions. Nothing had changed, even with all the fertile discussions of the Audience. This is why I invite her through this document to come discuss with people from the artistic and cultural field from this point of view: cultural and artistic, from the aesthetics’ beauty in ethics. 
Maybe Ana Lanna will start to change, not through threatening- this attitude will not be welcomed in this meeting – but through the light of the artists that I sense may touch this human being even without the prejudice that she might or might not have against us, mere technoartists. 

Is it not visible to the naked eye, skin, the importance of the Historical Listing (that provides the patrimony’s protection by the State) made by the Condephaat itself, a real, vital, concrete one, that after 10 years generated an Architectonic Urbanistic Masterpiece by Lina Bardi and Edson Elito at the same time of the public birth of a permanent Company of artists, the Oficina Uzyna Uzona Theater Association?

The Historical Listing teaches, produces, creates, and cannot have its roots and antennas ever destroyed.
On the cement of the edges of the water font of the Oficina Theater is written in low relief, according to the art direction of the great plastic artist Laura Vinci:

“ETHERNITY”

Zé Celso

Calls officially as the
President of the Oficina Uzyna Uzona Theater Association 
Along with all the ones connected to the Cultura Atravessa (Culture Moves Across)
For the day September 13, 2013 at 7 pm
Having as its subject the Listed Oficina Theater and its surrounding land
With its alive sacred tree threatened – its Great Window and its Listed by the IPHAN (National Institute of the Historical and Artistic Patrimony) Surrounding Land 
Betting on the resurrection of Bixiga
Heart of the Central Outskirts of Sampã

LIVE WEBCAST CHANNEL: https://new.livestream.com/uzyna/reexistencia

CULTURA ATRAVESSA 2

IÓ!

XAMADO DESTA ÁRVORE CESALPINA
PARA
DIA 16
NO
CULTURA ATRAVESSA
ÀS
19H
ATRAVESSARMOS COMO ELA OS MUROS QUE TENTAM NOS ENCAIXOTAR

A árvore sagrada do Terreiro Eletrônico do Teatro Oficina tem suas raízes no jardim do Teatro e expande seu tronco e suas antenas verdes até o entorno, visto pelo janelão da Rua Lina Bardi, dando a benção de sua sombra ao bairro do Bexiga.

Ela é o ponto fulcral para que o Condephaat retire sua autorização, dada em maio, para que a especulação imobiliária e financeira construa torres no entorno do Teatro causando:

– A destruição da Cesalpina

– O amuramento da fachada de vidro que dá para a Rua Abolição e Jaceguai, visão dos 20 anos dos espetáculos aqui realizados

– Retrocesso na caminhada para a conquista do espaço público que, juntamente com o TBC e a Casa de Dona Yayá o Teatro Oficina quer criar: uma Praça da Paixão da Cultura, que vá ao encontro do Vale do Anhangabaú da Feliz Cidade.

É o momento de um encontro público com todos os artistas (somos todos) com poder de injetar grande influência sobre o destino não somente do Teatro Oficina e seu entorno mas tambem de toda ameaça que paira sobre a desaparição do bairro do Bixiga com a construção de torres pretendidas também pelo Governo Alckmin.

Precisamos de todos que virão ao Oficina para trazer luzes e energias a fim de não acontecer a morte do Oficina Uzyna Uzona, anunciada justamente pelo órgão de defesa do patrimônio cultural da Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo.

Ió amados que amam a Cultura do Teat-r-o !

Todos que fazem ou não parte do elenco do Oficina Uzyna Uzona sintam-se convocados desde já a preparar também este encontro de segunda-feira, antecipador da Primavera Brazyleira das Mutações de Apoteose de 2013.

A participação da Presidente do Condephaat também está desde já convocada. Ela afirma que todos poderão pedir a revisão do projeto mas no fim da Audiência Pública do dia 5 de setembro, convocada pela Comissão de Cultura da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, finalizada num clima de muito entusiasmo,
percebi que nada havia se transformado em seu “viewpoint” quando perguntei a ela, em sua Última Cena:

ZÉ CELSO – Porque nós não fomos consultados para uma reunião
quando se deu a permissão à construção das *torres da Sisan*?

ANA LANNA – Porque vocês não são proprietários do terreno.

Percebi que a cabeça da presidente continuava esculpida numa pedra d’um Museu de Abstrações. Nada havia mudado, mesmo com todas as discussões férteis da Audiência. Por isso a convido através deste documento a vir discutir com as pessoas da área cultural e artística deste ponto de vista: cultural e artístico mesmo, da beleza da estética na ética.
Talvez Ana Lanna comece a mudar, não por ameaças – essa atitude não será bem vinda neste encontro – mas pelas luzes dos artistas que sinto que podem tocar este ser humano mesmo com o preconceito que ela possa ter ou não contra nós, meros tecnoartistas.

Será que não é visível a olho nú, pele, a importância do Tombamento Histórico pelo próprio Condephaat, tombamento real, vital, concreto, que 10 anos depois gerou uma Obra de Arte Arquitetônica Urbanística de Lina Bardi e Edson Elito, ao mesmo tempo que o nascimento público de uma Companhia permanente de artistas, a Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona?

O Tombamento Histórico ensina, produz, cria, e não pode ter suas raízes e antenas destruídas jamais.

No cimento das bordas da fonte de água do Teatro Oficina está escrito em baixo relevo, conforme a direção de arte da grande artista plástica Laura Vinci:

ETHERNIDADE

Zé Celso
xama oficialmente como
Presidente da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona
juntamente com todos ligados no Cultura Atravessa
pro dia 16 de setembro de 2013, às 19h
tendo como tema o Teat(r)o Oficina tombado e seu entorno
com sua árvore sagrada viva
apostando na ressureição do Bixiga
coração da Periferia Central de Sampã