Presente dos 70 Anos

Chico Buarque no ensaio de Roda Viva 1968

Chico Buarque no ensaio de Roda Viva 1968

Amado Poeta Cantor ,desde 68 ,a única vez q nos encontramos ,foi por acaso , você vindo do Leblon ,eu indo da praia de Ipanema pra onde você caminhava.Era REVEILLON na tradução pro brazyleiro “Vamos acordar crianças, o novo ano está nascendo! “ Não me lembro de que ano, mas tenho gravado vivo na matéria de meu ser emotivo , o abraço q nos demos,sem dizer uma palavra sequer.Foi um “passe” carinhoso como Pixinguinha ,vindo de nossos dois corpos criadores emocionados .Prosseguimos em direções opostas diante do mar , eu arrepiado por aquela elétrica topada tão inesperada!Nuca mais fui o mesmo .

Só trabalhamos duas vezes juntos: na 1ª , você compôs e gravou num com um cello e outras cordas, um tema embriagador de tanta beleza, pros “Os Inimigos “de Gorki. Depois você me convidou pra fazer sua 1ª Obra Prima pro Teatro :“Roda Viva” .Numa generosidade rara ,bancou a Produção magnífica da peça . Havia a previsão de um COROpra 4 artistas cantora(e)s .

No chamado pro Teste ,uma Multidão de Estudantes Artistas, já forjados no Teato das Ruas do Mundo de 68 penetrou e ocupou com seus Corpos o Teatrinho Princesa Isabel. Traziam em si todas as revoluções q hoje se separaram, mas talvez tendam á se reunir novamente como Rimbaud escreveu : num Corpo.Foi uma Ocupação com uma Nova Arte , não um mero Occupy .E sua Produção Chico, acolheu á Todos novos Artistas.Esperado á milênios ,desde do Teatro Grego , sua peça trouxe o Retorno ao Teatro do CORO PAGÃO CANTOR ATUADOR DANÇARINO, tão Protagonista quanto os Protagonistas.Um CORO como um Time de Craques de um outro Futebol.Era tão forte a energia q emanava q abrimos os Ensaios pros nossos amigos artistas de cinema, musica, teatro, artes plásticas.Era Verão e o Rio descobriu uma nova Praia: os ensaios de “Roda Viva” . Lembro d’uma tarde em vieram : o Artista Gráfico Rogério Duarte, lindo ,vestido com um terninho branco com listas vermelhas por todo tecído, Mick Jagger acompanhado de Miriam Makeba…. O CORO tocava nas pessoas que iam festejar , como no Programa do Chacrinha, no Carnaval, no Candomblé. Era uma Festa intensamente Pagã , ignorando Palco e Platéia . Flavio Império com sua luxuosa direção de Arte , fez do Palco um Monitor de TV e cercou as paredes da “platéia” de Projeções. O CORO ocupava todo espaço. Obvio q a Estréia fói um Choque ,mas talvez , em nenhuma noite ou matinée , os Teatros por onde passou “Roda Viva”, deixaram de estar completamente lotados .

Todos sabem dos ataques do Comando de Caça aos Comunistas em São Paulo   e depois o de Porto Alegre feito pelo próprio 3º Exército q proibiu a peça em todo território nacional.Veio o AÍ-5 –q muitos o atribuem pra nos condenar , á “Roda Viva”.Claro que estes fatos fizeram uma sombra imensa sobre a importância Estética Revolucionária q esta peça teve e tem na Cultura do Teatro Brazyleiro e Mundial .

Chico nesta época apesar de muitos amigos teus , acusarem a mim de ser responsável por uma arte q chamavam de “agressão” , você combateu heroicamente os 2 atentados ,assim como Cacilda Becker q na época fez a celebre declaração defendendo “Roda Viva”: “Todos os Teatros são meus Teatros “

Amado Chico hoje você proíbe a encenação da peça , declarando q sua 1ª peça é fraca.Aquele menino lindo de olhos verdes , Astro explodido de repente na   Maquina do Show Businees , imediatamente produziu vindo desta experiência concreta de seu Corpo ,uma Obra de Arte de Forma – Conteúdo originalíssima, sobre á crueldade desta Engrenagem .E não como uma peça panfletária. Você criou uma dramaturgia Alegorica sofisticada e Pop ,mimetizando 4 fases do ShowBusiness dos anos 60 . -A do Rei São Roberto Carlos da “Jovem Guarda” que iniciou com brilho o processo de marketização .

-A da MBP ,penetrando criticamente em si mesmo, com muita corajem, Chico .

-A da “Disparada” Nordestina de Geraldo Vandré

-A da “Tropicália” .

Todas bem enredadas num Roteiro nada naturalista como era moda na época.

A linguagem dos seus diálogos dialóga de igual pra igual com o melhor Nelson Rodrigues.A Musica desde seu pouco conhecido mas delicioso Ieieié passa pelo maravilhoso prelúdio “Sem Fantasia” q tenho orgulho de dizer que fui eu q pedi á você q fizesse a 2ª canção do contraponto ,até as que finalizam sua a peça onde você retorna ao teatro musical de Noel Rosa, na “Opereta TragyCômica “ e na “Revista”.Você brilha nelas tanto nela quanto o gênio de Vila Isabel.

Quando fiz 70 anos ,aconteceu um fenômeno incrível em minha vida. Eu tinha vergonha de minhas primeiras peças que foram tachadas no Seminário de Dramaturgia do Teatro de Arena de “pequeno burguesas”, “alienadas”,“psicológicas”, e pelo critico Decio de Almeida Prado como “simbolistas demais”.Quando escrevi com Marcelo Drummond a “Odisséía das Cacildas” em 1990 ,fui em busca de todo repertório da atriz no melhor arquivo de textos de Teatro de 1900 á 1968: “O Arquivo da Policia de Diversões” pelo qual todas as peças tinham q passar.Minhas “pecinhas” estavam perdidas, nem eu as tinha guardado, tal desprezo e vergonha sentia por elas.Encontrei duas .

Danilo Miranda presenteou meus 70 anos, com a produção de minha 1ª Peça” Vento Forte pra um Papagio Subir”.Ele me convenceu á aceitar,dirigí a atuei na peça. Em 1958, comecei compondo a musica ,cantando no violão ,daí fui pra maquina de datilografia e em 40 minutos escrevi a 1ª coisa finalizada em minha vida.Foi somente aos 70 anos q retornei á obra de meus 21 anos, e descobri q era um Poeta , q a peça era simplesmente Poesia Teat(r)al.Minha vida de Artista mudou completamente.

Hoje dos meus 77 anos contemplo os teus 70 e te pergunto : temos ou não q adotar todos filhos q parímos ? Tenho curiosidade em saber como você escreveu a peça. Esta tua 1ª Obra q tanto entusiasmo despertou na   Multidão do Mundo de 68 q não se acovardou com os ataques do CCC q no dia seguinte ao ataque fez as filas aumentarem ao infinito .Esses Grandes Artistas como Samuka , Corifeu do Coro de “Roda Viva” ,não puderam mais depois do AÍ 5 atuar com a liberdade e invenção que traziam pro Teat(r)o no Brasil.Trouxe todo o CORO pro Oficina mas não podiam em “Galileu Galilei” sequer olhar para o Público. Os q mais talentosamente criaram a Arte da Atuação ao Vivo com o Publico Atuador ,também foram sacrificados.Não suportaram o Recuo do Teatro Brazyleiro aos Palcos Italianos.

Esta tão aclamada e tão massacrada 1ª filha tua, quer o reconhecimento de seu Criador .Claro q você deve ter sofrido muito com ela, como eu, como todos, mas sinto que é o momento de você reler sem preconceito sua Grande Obra de artista quando jovem e libertá-la pra Eternidade Humana, a partir dete teu consagrado aniversário .Este é o maior presente te posso dar como Danilo Miranda me deu aos 70: não censurar nada q nasceu de teu esperma de Gênio .Eisntein diz q os gênios engolem o Universo em seu Corpo e em sua Obra.É o teu caso ,portanto essa filha de 44 anos podia muito bem ser reconhecida.

Ah!Chegar até você/ foi lindo de morrer /mas foi tanto penar/ não vou me arrepender.. .

16 de Junho de 2014 Blooming Day

Roda Viva 1968

Roda Viva 1968

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3 comentários
  1. l. prazeres disse:

    Queridos Zé e Chico, que linda seria uma nova Roda Viva. Pessoas viriam até de fora do Brasil só para assistir e viver essa Roda Viva. Solte ela, Chico. É o nosso tempo de hoje. Estamos vivendo isso. Está tudo tão claro. Deixe ela ser o que é, o que foi, o que pode ainda ser, Chico. É a nossa história, Chico. Deixe a gente repensar, aprender com ela, Chico. Nossa temporada na Terra é tão curta, Chico. Quem não viveu e sofreu com ela, pode também viver e sofrer e se apaixonar por ela, Chico. Pode sim. Sim… sim… sim… sim… sim…

  2. eporquenão? disse:

    Trecho do livro Teatro Ruth Escobar: 20 anos de resistência, de Rofran Fernandes:

    Roda Viva estreou em 22 de maio de 1968, no Teatro Ruth Escobar (Sala O Galpão). Chegara a São Paulo consagrada pela crítica carioca e em meio a grande expectativa… O sucesso de Roda Viva foi fulminante, como destaca a “Folha da Tarde, São Paulo, em 19 de junho de 1968, no texto Querem o fim dessa Roda Viva:

    A polêmica em torno da peça Roda Viva, de Chico Buarque de Hollanda, está ganhando proporção que poderá ter resultados desastrosos. Desde que Roda Viva foi apresentada no Rio, em fins do ano passado, falou-se muito de sua ‘obscenidade e libertinagem”, embora tivesse sido liberada sem cortes pela censura, apenas proibida para menores de 18 anos… Durante 200 apresentações o Teatro Princesa Isabel no Rio esteve constantemente lotado.

    Roda Viva está agora no Teatro Galpão e o público paulista lota a casa diariamente. Alguns mais sensíveis ao realismo teatral costumam abandonar o teatro no meio do espetáculo, em protesto ‘à imoralidade das cenas e pornografia do texto’. Mas o protesto não ficou só entre alguns espectadores anônimos. Vários deputados estaduais, da tribuna da Assembléia, têm pronunciado veementes discursos contra a peça de Chico Buarque de Holanda. E, ao que parece, a rádio Ovem Pan e a TV Record têm endossado acusações dos parlamentares–embora Chico Buarque seja contrado do canal 7.

    O deputado Wadih Helu apresentou moção na Assembléia Legislativa pedindo maior rigor da censura em relação aso espetáculos teatrais e referiu-se diretamente à peça de Chico:

    — A Roda Viva, que aproveita a popularidade de Chico Buarque de Holanda, é uma verdadeira afronta à nossa sociedade e à nossa família. Torna-se necessário que nos juntemos às autoridades federais e estaduais responsáveis, porque se continuar assim, não temos dúvida em afirmar que, mais cedo ou mais tarde, a família se verá destruída, como também a tradição, porque iremos assistir aqui em São Paulo e por todo o Brasil a espetáculos grotescos como os que estão atualmente na França. É necessário uma manifestação de repulsa desta Casa. É necessário que o plenário tome consciência do que se faz nos teatros, uma exploração barata das famílias de São Paulo e do Brasil, com pornografia, imoralidades e subversão.

    Aurélio Campos, 1o vice-presidente da Assembléia, que no passado foi ator de teatro, pronunciou-se indignado:

    — Aquilo que vi e ouvi em Roda Viva não pode em nenhuma parte do mundo, nem na selva africana, ser chamado de arte. Aquilo é ofensa, aquilo é despudor, aquilo é destruir uma família na sua moral, amolecer uma nação. Quando assisti Roda Viva fiquei envergonhado de um dia ter pisado no palco, um palco completamente diferente, mas um palco. Aquilo que lá está é um bordel é um bordel, não é um palco. Alguns defendem este tipo de espetáculo sustentando que a degradação mostrada não é ficção real. As instalações sanitárias também são absolutamente reais e necessárias, mas ninguém cogita de exibi-las em suas salas de visita.

    Um ofício foi enviado ao governador Abreu Sodré pelo deputado Mantelli Neto…, solicitando sejam suspensas as subvenções ‘aos teatros que aqui na Capital ou no Interior do Estado vêm expondo imoralidades’. Manteli Neto, que também não gostou da peça de Chico Buaque, pediu ao Juizado de Menores fiscalização rigorosa à porta dos teatro:

    — Tivemos oportunidade de observar menores de 14, 15 e 16 anos que entram com toda a facilidade naqueles teatros. A censura federal deve estabelecer o limite de 21 anos para o ingresso nas referidas casas.

    Num diálogo que vários artistas travaram com uma comissão de deputados, a vice-presidente da Assembléia, Conceição da Costa Neves, lamentou que o compositor Chico Buarque ‘um jovem romântico que sempre ocupou um lugar em meu coração envelhecido”, tivesse sendo violentado pelo uso de seu nome e prestígio em Roda Viva:

    — Fui ver esta peça em companhia de uma sobrinha estudante de filosofia. Pensei que a péssima impressão qeu tive era devido o avançar da idade. Porém, minha sobrinha, uma jovem universitária e esclarecida, mostrou-se igualmente indignada com tanta imoralidade exibida num palco. Todos nós sabemos que existe o coito. Não é necessário repeti-lo com tantos pormenores e realismo num palco.

    Pela Jovem Pan, o radialista Randal Juliano no programa Dois Pesos e Duas Medidas perguntou onde está com a cabeça a professora do 2o ano normal do Colégio Assunção (de freiras) que pediu às suas alunas para assistir a Roda Viva e em seguida apresentar um trabalho sobre o espetáculo:

    — Esta é uma peça imoral e fazem muito bem os senhores deputados em condená-las. Advertimos as famílias paulistas que não deixem as suas filhas ver Roda Viva. É um espetáculo imoral e obsceno…

    Osvaldo Sargentelli, no Jornal da Jovem Pan que vai ao ar todas as manhãs, repetiu as palavras de seu colega de emissora, fazendo apela à sociedade paulista para que seja tomada uma providência no sentido de evitar que os jovens assistam à peça. O locutor policial Clécio Ribeiro, em seu programa na TV Record, leu as declarações dos deputados e também condenou Roda Viva.

    Entretanto, Randal Juliano e Sargentelli estiveram há dois dias com Roberto Colossi, empresário de Chico Buarque, para pedir a ele que lhes arranjasse entradas para que na próxima semana possam assistir Roda Viva. Alegaram a Colossi que o interesse deles nasceu dos comentários que têm ouvido sobre o espetáculo.

    O resultado desastroso de tudo isso poderá ser a suspenção da peça, obrigando Chico Buarque a um rompimento com as emissoras de Paulinho Machado de Carvalho, que têm servido de porta-voz àqueles que se sentiram incomodados pela Roda Viva. Só resta uma pergunta:

    — Como autor de Roda Viva, o que você diz de tudo isso, Chico Buarque?” (páginas 65-66)

  3. Vera casa nova disse:

    Valeu,Zé.a memória desse povo precisa ser aquecida com peças como Roda viva,entre outras.e os Pequenos burgueses,tão atuais? Atualizações de peças valem a pena.chega de remakes americanos e babacas.viva Chico e viva Zé.

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