A Secretaria, a Cultura e o Edital de licitação de reforma do Teat(r)o Oficina

Postagem em dois textos: o primeiro, por Camila Mota, vice-presidente e atriz da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona; o segundo, por José Celso Martinez Corrêa, presidente e diretor artístico da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona

Teatro Oficina_Lina Bo Bardi&Edson Elito por  Markus  Lanz  para Exposição  de Toda Obra de Lina Bardi, a realizar-se este ano em Munique Celebrando seu Centenário, no dia 5 de Dezembro de 2014

Teatro Oficina_Lina Bo Bardi&Edson Elito por Markus Lanz para Exposição de Toda Obra de Lina Bardi, a realizar-se este ano em Munique Celebrando seu Centenário, no dia 5 de Dezembro de 2014

Cultura, entra em cena! – Por Camila Mota

a secretaria de estado da cultura, em duas ações recentes, ameaça a obra de arte teatro oficina, bem tombado, riscado por lina bardi e edson elito a partir do trabalho com a cia teatro oficina.

primeira ação: aprovação do condephaat na gestão de ana lana de projeto de construção pelo grupo silvio santos no entorno do oficina tombado de torres q comprimem o teatro, o janelão, árvore cezalpina e consequentemente, as encenações da companhia.

segunda ação: abertura de edital de licitação de reforma do teatro oficina q ignora edson elito, arquiteto vivo criador do teatro oficina com lina bardi.

ontem de manhã, uma funcionária da secretaria por telephone questionou: “quando é q vocês, do teatro oficina vão compreender q o teatro não é propriedade de vocês?”

ano passado, em um texto na revista digital vitruvius, ana lana dizia q o grupo teatro oficina usava o espaço de maneira privada.

em todas essas ações o estado age de forma truculenta, grosseira, apoiada pelo discurso legalista dos departamentos jurídicos.

por que a cultura não está no centro destas questões?

existe a tendência à abstratizar a discussão, deliberando sobre o objeto de patrimônio de maneira estática, ignorando o tombamento imaterial – o tombamento da arte produzida ali, q deveria ter assegurada sua continuidade através dos órgãos de patrimônio e secretarias de cultura. mas o trabalho realizado é ignorado e massacrado.

a matéria prima humana produzindo, cultivando espaços.

como café, cana, soja, horta orgânica, banana, açaí… seja o q for, o ponto de partida é como preparar a terra relacionando espaço, clima, topografia pro cultivo de uma cultura. é o q faz a cia há 53 anos – teat(r)o – atuação, arquitetura, música, video, som, luz, figurinos, objetos plásticos, dança, filosofia, culinária, science, tecnologia, rito

o edital não leva em consideração justamente a maior valoração do lugar: sua mutação constante a partir das obras criadas pela cia q o cultiva – associação teatro oficina uzyna uzona, não como proprietária, mas atuadora, q revela à cidade, ao mundo, as possibilidades do edifício obra de arte – um imóvel móvel – dos arquitetos lina bo bardi e edson elito. de fato, a cia não é proprietária, não lida com o espaço de maneira abstrata, produto de especulação…

o proprietário legal, a secretaria de cultura do estado, demonstra não conhecer o trabalho realizado na obra de arte q é de sua propriedade, sim, mas criada e cultivada nas invenções e encenações da cia.

a participação do proprietário do edifício em sua manutenção é mínima: se resume à contratação dos porteiros q se revezam pelas 24 horas do dia e da noite.

água, luz, limpeza, manutenção e aquisição de equipamentos de som, luz, vídeo, reparos emergenciais, dedetizações, jardineiro, tudo é custeado há anos pelos caches recebidos pela associação.

de quem é a terra? do proprietário ou de quem a cultiva?

e não são terras improdutivas!

além das produções dos espetáculos, filmes, livros, a cia é geradora de muitos grupos, com o trabalho comido ao vivo ou quando transmitido na internet, q se multiplica em outras culturas, em novos atuadores, q talvez nunca venham a trabalhar na cia, mas q receberam no terreiro eletrônico sopro vital.

convidamos a secretaria do estado, nas personagens do secretário, dos chefes de gabinete, arquitetos, jurídicos, a assistir as peças!

conhecer o espaço em sua perspectiva viva, vai torná-los capazes de mensurar o valor deste trabalho, com produção de arte valiosa como o da pinacoteca do estado.

vocês vão compreender a necessidade de fazer a obra no teatro oficina a partir das necessidades da criação, vão compreender q edson elito, criador vivo da obra, tem a sabedoria e a tecnologia da arte deste lugar, o te-ato, e portanto é imprescindível sua participação no processo, assim como a da cia.

em conversa ao telefone com nossa produtora ana rúbia de mello, marília marton, chefe de gabinete, se comprometeu a, depois do resultado da licitação da escolha do escritório de arquitetura q realizará o projeto, na segunda feira, a fazer uma reunião com a participação da associação teatro oficina, da secretaria, do edson elito e dos arquitetos escolhidos. numa obra cujo tombamento existiu para garantir a continuidade do trabalho da cia teatro oficina, não bastará uma reunião apenas, mas q exista o compromisso da secretaria numa obra de reforma, restauro e criação – a reestruturação do teatro oficina – pois não se trata somente do restauro com reparos das peças gastas, pinturas, goteiras, mobiliário, teto móvel, fachada, iluminação… essa é a primeira etapa da obra de arte a ser realizada: como colocar o teatro em cena na perspectiva urbana conquistada pelo tombamento do iphan em 2010 e o desenvolvimento do projeto do anhangabaú na Xª bienal de arquitetura em 2013 – a continuidade da obra de lina, q se alastra e verdeja o bixiga, abre-se em delta de ruas q desemboca no anhangabaú, permeando de cultura o bairro coração da cidade, inserindo-o nas perspectivas de expansão em corredor cultural.

também é necessário compromisso da secretaria com um cronograma q contracene com as atividades da cia, com a sua produção, e q não deixe o teatro completamente fechado por meses, mas q a obra possa se desenvolver ligada à criação. claro q respeitando e criando condições de segurança, até limitações, mas q não sejam abstratas.

talvez seja muito difícil para a burocracia compreender essa proposta, fora dos padrões de gestão q exigem regras claras para os contratos e execuções.

e elas, as regras, precisam existir, sim, com transparência na gerencia do capital público, mas a questão é:

por que a cultura é negligenciada na criação dessas regras?

por que na criação do edital a cia não é consultada nem sobre questões operacionais, como por exemplo, marcar a hora da visita dos escritórios ao teatro?

qual a vantagem da etherna guerra, secretaria de estado?

é necessário exterminar os comedores de cabeça, um a um? engessar o espaço em tumba, oprimida pelas torres de ss, aprovadas pelo condephaat?

o grupo silvio santos, depois de três décadas de conflitos até apresenta um projeto com um jardim mais generoso q a servidão oferecida pelo órgão estadual de patrimônio, e também com um espaço de comedoria…

mas a burocracia e a especulação não compreendem q os teatros, os estúdios de artistas, os circos, a natureza, são lugares de fecundação q desabrocham em arte.

são como santuários, onde se preservam a natureza e as espécies q lá habitam, a biodiversidade característica daquela area. não dá pra lotear e deixar em exposição em um pequeno zoológico comprimido o holocausto da extinção do teat(r)o.

as cidades precisam de oasis, tekohas, pra relaxar, meditar, inventar interpretações, descobrir seus corpos – lugares onde se cultive silêncio e barulho, batuque, sons das ruas, a ação do sol, da lua, chuvas e ventos, a noite, o dia.

matérias vitais ao ser humano, principalmente ao corpo e com o crescimento de torres nas cidades, essas matérias são cada vez mais reduzidas por sombras, pela falta de natureza, pela shoppingzação da moradia.

a cultura entrou na pauta das eleições com a nomeação de juca ferreira para coordenar as propostas para a cultura na campanha de dilma.

é urgente q a cultura entre em pauta na relação da cia teatro oficina com a secretaria de estado, para q não ocorra o extermínio dos 56 anos de criação e principalmente da criação de agora em diante.

Camila Mota

 Neon_Oficina

Ódio de burocratas da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo aos artistas cultivadores da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona: Tentativa de assassinato do Teat(r)o de Lina e Edson, e da Companhia permanente d’onde emana sua vida – que há 55 anos não para. – Por José Celso Martinez Corrêa

Texto nascido deste e-mail:

Caro Celso,

Sou curadora pelo segundo ano consecutivo da exposição do Brasil no festival de arquitetura www.architectureweek.cz que acontece há 8 anos no castelo de Praga. O tema este ano é ícones da arquitetura. Vamos expor projetos de Brasília de Oscar Niemeyer, o Mube de Paulo Mendes da Rocha, o Hotel Unique de Ruy Ohtake e, agora, de última hora, decidimos mostrar o Teatro Oficina. Gostaria de pedir uma carta autorizando o uso do material na exposição que Ana me mandou e que a equipe possa me enviar ainda.

 Atenciosamente…

 MINHA RESPOSTA:

 Oportuníssima e já Amada Vera!!!!!

Será muito importante para o Teatro Oficina e seu entorno estarem presentes nesta Bienal de Arquitetura em Praga.

Não somente Autorizo como Trans Autorizo nossa participação na Bienal de Arquitetura em Praga, e vamos mandar mais material: o Projeto para nosso entorno e a proposta para a Revitalização do Bairro do Bixiga.

Injustamente, neste ano, Centenário de AchiLina Bo Bardi, a Especulação Imobiliária pressionou – e a Secretaría de Cultura do Estado de São Paulo, Proprietária do Teatro, aceitou com muita disposição – a destruição do Teat(r)o Oficina e seu entorno, OBRA DE ARTE CRIADA POR ACHILINA BARDI E EDSON ELITO, Espaço Cênico que revoluciona a cena mundial:

A própria Presidente do CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do patrimônio histórico, arqueológico, artístico e turístico, a senhora Ana Lana, foi direta e aceitou a destruição do entorno do Teat(r)o Oficina pela autorização, sua e do conselho que preside, da construção de torres no entorno tombado atualmente pelo IPHAN – que encaixotaria o janelão de vidro (tipo vão do MASP) que abre nosso espaço cênico para a cidade e para o universo. Destruiria a árvore plantada com as mãos da própria ACHILINA, que tem suas raízes no Jardim do Oficina e vai dar sua sombra ao terreno de nosso Entorno Tombado.

Esta ÚLTIMA OBRA de LINA remete à sua primeira: “A CASA DE VIDRO”.

CONCLUSÃO:

Esta pretensão ANTI-PLANETA TERRA seria o assassinato da memória da vida de LINA BARDI que tanto está contribuindo hoje, mais que nunca, para uma visão de arquitetura mundial de acordo com a luta pela preservação do ser vivo chamado TERRA. 

Além desta pretensão Catastrófica de exterminar esta OBRA, ÚNICA NO MUNDO NA ARTE TEAT(R)AL URBANÍSTICA E ARQUITETÔNICA, assassina também a MEMÓRIA VIVA DE ACHILINA BO BARDI, uma das mais importantes REVITALIZADORAS DO ESPAÇO TEATRAL EM TODA A HISTÓRIA DESTA ARTE – que ganha em novembro uma exposição de toda sua obra em Munique, celebrando seu centenário.

Se não fosse o bastante, esta sanha de Especuladore$ Imobiliários, ligados a Burocratas Assassinos da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, estimula a Retomada, no Brasil, da história infeliz do STALINISMO, do ÓDIO aos ARTISTAS, VOTADO PELOS FUNDAMENTALISTAS da BUROCRACIA.

Estes, neste momento, lutam calorosamente para impedir a complementação do projeto de ACHILINA e EDSON ELITOTEATRO DE ESTÁDIO que vai iniciar a plena Ocupação Cultural do Entorno do Teat(r)o Oficina e a revitalização do bairro do Bixiga – novo projeto criado na BIENAL INTERNACIONAL DE ARQUITETURA DE 2013, em SAMPÃ (SÃO PAULO), por arquitetos de vários países a partir de propostas apresentadas por duas arquitetas urbanistas estudiosas e praticantes da continuidade da linha da arqueologia urbana proposta por ACHILINA.

A secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, através do CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do patrimônio histórico, arqueológico, artístico e turístico, usurpa o poder sobre a propriedade que lhe foi outorgado, em 1980, por um movimento público de desejo popular, que visava impedir que o Teat(r)o Oficina fosse comprado pelo Grupo Silvio Santos.

Diante deste movimento, imediatamente, a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo dos anos 80, através do cientista poeta geógrafo Aziz Ab’Saber, do artista de arquitetura cênica teatral Flávio Império, e da gestão do pianista João Carlos Martins como Secretário, tombou o Teat(r)o Oficina e seu entorno para que não fosse para as mãos do Grupo Silvio Santos.

E mais, para que ficasse nas mãos dos artistas do Oficina, que na época já cultivavam o espaço da rua Jaceguay, 520. Há 25 anos.

Os atuais Burocratas da Cultura esquecem que o Teat(r)o Oficina foi desapropriado por Franco Montoro e seu secretariado ilustre, do antigo PSDB.

Primeiro Governador de São Paulo depois da Ditadura, desapropriou o Teat(r)o Oficina para que não fosse anexado ao Grupo Silvio Santos e continuasse nas mãos dos artistas, muitos além de minha pessoa. Sempre fui simplesmente o plugador de gerações e gerações neste processo criativo; tenho cumprido este dever Social e este prazer estético exercido com alegria, durante 55 anos.

Os Burocratas vêm tentando apagar a história. A finalização da Obra de Lina Bardi e Edson Elito foi realizada por esta mesma Secretaria de Cultura na gestão de Ricardo Otake.

Somem com o Ato do Governo Interino de Claudio Lembo, na gestão na Secretaria do cineasta João Batista de Andrade, concedido aos Artistas Cultivadores do Oficina Uzyna Uzona.

Foi por Lembo concedida a utilização do Espaço da Jaceguay, 520, por 99 anos.

Pode-se constatar este fato pela pesquisa extraordinária que a atual Presidente do IPHAN, Jurema Machado, levantou quando representava a UNESCO junto a este Orgão de Preservação da União e foi encarregada de redigir o Laudo de Tombamento do Teat(r)o Oficina pelo IPHAN, na gestão de Juca Ferreira como Ministro da Cultura.

Talvez o mais precioso e preciso documento escrito sobre o Teat(r)o Oficina, em toda sua história.

Estes burocratas nunca devem sequer ter lido estes documentos concretos em sua literalidade inspirada.

Depois da subida ao Poder do atual Aparelho Burocrático Stanlinista, me recusei a assinar os contratos de permissão de uso a título precário, pelo tempo máximo de 2 anos, que me propunham (no Edital a que vamos nos referir adiante, afirmam que este leonino contrato foi assinado; é mentíra). Pois de minha parte, como Presidente da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, fundamento nossos direitos conquistados principalmente com o Tombamento e com a Desapropriação do Teat(r)o Oficina pelo Estado de São Paulo.

Ao não assinar nunca este documento de servidão imposto ao OFICINA, os ÓDIOS SE DESENCADEARAM, apoiados num Departamento Jurídico ao mesmo tempo servil e dominador dos altos poderes da Secretaria.

AGORA A BOMBA MAIS RECENTE:

EM 2013, UM “EDITAL REPUBLICANO” (BEM AO GOSTO DAS BUROCRACIAS STALINISTAS) ABRE A ARQUITETOS PARA A “REFORMA” DO TEAT(R)O OFICINA, REFERINDO-SE A UM GRUPO UZYNA UZONA – QUE NÃO EXISTE, CRIAÇÃO DA NOVILINGUA DA BUROCRATONA MÓR: DONA ANA LANA FELICIANA.

MAS COMETE A ILEGALIDADE DE RECUSAR QUE AS OBRAS NECESSÁRIAS DE RESTRUTURAÇÃO DO TEAT(R)O OFICINA SEJAM REALIZADAS PELO CO-AUTOR DE LINA BARDI DESTA OBRA: O ARQUITETO EDSON ELITO.

COM 66 ANOS, EDSON ESTÁ VIVO, COM TODA SAÚDE E EM PLENA ATUAÇÃO COMO UM DOS ARQUITETOS MAIS PRESENTES EM GRANDES OBRAS POR TODO ESTADO DE SÃO PAULO.

O desejo mortuário desta(e)s burocratas agora escancara publicamente seu stalinismo, no desejo de assassinar o trabalho de 55 anos de todos os artistas, técnicos e público que fizeram e fazem existir o TEAT(R)O OFICINA UZYNA UZONA, hoje tão vigoroso como sempre.

NÃO RECONHECERAM EDSON COMO COAUTOR.

TODAS AS PLANTAS DO ATUAL TEAT(R)O OFICINA LEVAM AS ASSINATURAS DE LINA BARDI & EDSON ELITO.

Além dos documentos apresentados por Edson, não sabem que o arquiteto é muito conhecido publicamente no meio de artistas e arquitetos por este fato. Não sabem também de seu notório saber com esta Obra de Arquitetura construída a partir do trabalho dos artistas e técnicos multimeios do Oficina Uzyna Uzona – pois lá trabalhou no início dos anos 80 em vídeos históricos, como o “Caderneta de Campo”, que teve o 1º prêmio no primeiro festival Videobrasil.

Sua exclusão por Stanlinistas foi devido ao fato de Edson ter prosseguido o que, desde 1961, aconteceu com os três teatros que foram construídos no mesmo espaço na Jaceguay 520 por três diferentes arquitetos. Somados a ele e a Lina, assim somam cinco arquitetos.

ACONTECEU E ACONTECE:

A arquitetura no Oficina nasce junto aos trabalhos de criação artística dos artistas que em cada período de sua história cultivaram o Oficina.

E não se trata de uma REFORMA do Teat(r)o Oficina, mas de uma necessária REESTRUTURAÇÃO, acompanhando o movimento deste teatro há 55 anos – e mais proximamente nos últimos 21 anos, quando os próprios arquitetos das peças que fizemos (Osvaldo Gabrieli, por exemplo) ampliaram a “Obra Aberta” de LINA & EDSON.

Este criou uma rua subterrânea sob a pista da atual Rua Lina Bardi, no Teat(r)o, para os conselheristas lutarem em “Os Sertões” contra os que não admitiam, como estes Burocratas, a autonomia de Canudos; foram criadas também as varandas no interior e exterior do JANELÃO, novos palcos urbanos (todas transformações descobertas durantes a criação de “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, de 2000 a 2008); em 2010, aconteceu a abertura dos arcos do beco ao norte da edificação e, finalmente, em 2013, a implantação da escada que inicia a conexão permanente da Rua Lina Bardi ao terreno onde ela e Edson Elito propuseram o Teatro de Estádio e sua conexão até o Anhangabaú, através da rua Japurá.

E a partir daí a ocupação de todo o Terreno do Entorno.

Ocupação que vem alimentando o potencial artístico do espaço, com instalações temporárias onde são encenadas as peças ou parte delas. Transformando em palco este grande vazio, foi trampolim para a aproximação com o bairro do Bixiga, quando, em 2011, a encenação da peça Macumba Antropófaga conduzia o público atuador para um cortejo pelas ruas do Bixiga, numa contracenação direta com os moradores.

Outra descoberta da Companhia inspirada e que radicaliza a urbanidade do projeto de Lina e Edson – e que deve alimentar o projeto de reestruturação – aconteceu no ano passado durante a X Bienal de Arquitetura, no Teat(r)o Oficina.

O Oficina sediou e participou de uma residência internacional para criação do projeto de Re-existência do bairro do Bixiga.

Durante a residência foi descoberto o potencial público do Anhangabaú da Feliz Cidade, explodindo o programa de sua implantação original – o terreno do entorno do Teat(r)o – para todos os baixios do viaduto Jaceguai e outros resíduos urbanos próximos a ele, reconectando o bairro do Bixiga, cortado pela construção do viaduto, através de um Corredor Cultural Antropófago.

Ainda, para que esta intervenção no edifício seja de fato atual e contemporânea às transformações não só do prédio, mas também do território onde se insere o Teat(r)o Oficina, a reestruturação do prédio deve considerar a Plano Diretor sancionado em agosto de 2014 pelo prefeito de São Paulo Fernando Haddad, que insere o bairro do Bixiga novamente na ZEPEC (Zona Especial de Interesse Cultural) e no Território Cultural Paulista-Luz.

Em 2010, o Oficina foi tombado com seu Entorno pelo IPHAN. Na ocasião, Silvio Santos propôs a troca deste seu terreno por outro de igual valor na cidade de SamPã – São Paulo.

O Plano Diretor da Cidade, aprovado este ano, cria o Bixiga, onde está hoje localizado o Oficina, como Corredor Cultural.

Trata-se do Teat(r)o Oficina, nesta Restruturação, preparar-se para este acontecimento. Não é possível essa “Reforma” ser realizada por arquitetos que não estão trabalhando este processo, já praticado com muitas montagens de peças:

  • “AS DIONIZÍACAS URBANAS”, que correram todo o Brasil com a encenação de quatro Peças, foram realizadas no entorno quando chegaram a SamPã, numa tenda de 2.000 lugares. Outras tantas, como a “MACUMBA ANTROPÓFAGA”, foram encenadas num CIRCO, no mesmo local.
  • Cinco peças da “ODISSEIA das CACILDAS!!!!!!!!!”, mais “Walmor e Cacilda 64 – ROBOGOLPE”, têm estendido suas encenações para o belo terreno do nosso entorno, que nos foi passado por Comodato desde 2010, pessoalmente, por seu proprietário: Silvio Santos.
  • O “Nick Bar”, tenda montada para o público nos intervalos e fim dos espetáculos, também está nesse entorno.
  • Oficinas são realizadas por vários Coletivos de Teatro, como o “TERREIRO COROGRÁFICO” de DANÇA, sob direção de Daniel Kairoz (Corógrafo do Oficina Uzyna Uzona, membro do Conselho da Cidade) e Rodrigo Andreolli, ator do Oficina Uzyna Uzona e dançarino profissional.

NA SEMANA PASSADA, UMA LIGAÇÃO TELEFÔNICA À SECRETARIA DA CULTURA POR PARTE DA ARQUITETA CARILA MATZNBACHER, AO SABER QUE A SECRETARIA PRETENDE, DIA 8 DE SETEMBRO DE 2014, 2ª FEIRA, ESCOLHER O ARQUITETO PARA “REFORMAR” O TEAT(R)O OFICINA, OUVIU DA BUROCRATA QUE ESTAVA NA LINHA:

“O TEAT(R)O OFICINA AINDA NÃO SE CONVENCEU QUE ESTE TEATRO NÃO É DELES, MAS PROPRIEDADE DESTA SECRETARIA?”

MAS QUEM PAGA A ÁGUA, A LUZ, AS DETETIZAÇÕES, A FAXINA, MELHORIAS, OS CONSERTOS, OS SEGURANÇAS ETC…?

A SECRETARIA TEM PAGO A UMA FIRMA TERCERIZADA SOMENTE OS SALÁRIOS DOS PORTEIROS.

SEMPRE, EM VEZ DE AGRADECER POR TER ESSA PRECIOCISADADE SOB SUA GUARDA, SÓ NOS CRIA ENCRENCA: NÃO SUBVENCIONA NEM MAIS NOSSOS ESPETÁCULOS.

DEDUÇÃO:

 OS ARTISTAS QUE CULTIVAM E FAZEM SEUS RITOS TEAT(R)AIS NO OFICINA NÃO TERIAM, DE AGORA EM DIANTE, MAIS NADA COM O QUE POSSA OCORRER COM SEU ESPAÇO DE CRIAÇÃO ONDE ATUA-SE, HÁ MAIS DE 55 ANOS, COM O ORGANISMO VIVO QUE LÁ CRESCEU POR OBRA DE GERAÇÕES E GERAÇÕES DE ARTISTAS, SEMPRE ATUANDO DENTRO DE UMA LINHA DE TEATRO QUE SAGRA O DESEJO, O PODER CRIADOR DOS ARTISTAS QUE LÁ ROÇARAM NA LINHA CONTINUA DE AÇÃO, COMO A DO SUPER OBJETIVO STANISLAVSKIANO DE UMA PEÇA DE TEATRO, CHEIA DE CONTRADIÇÕES, DE RESPOSTAS CRIADORAS DO LADO DA VIDA, EM CADA “AQUI AGORA” DE CADA GERAÇÃO.

OUTRA FUNCIONÁRIA MAIS SENSATA NOS PROMETE QUE TEREMOS PALAVRA JUNTO AO ARQUITETO ESCOLHIDO PELO EDITAL. TEMOS DE RESOLVER JÁ ESTA PENDÊNCIA DE MAIS DE TRÊS DÉCADAS.

É ASSUSTADOR O BRASIL, NA CAPITAL DO CAPITAL DO PAÍS, NÃO STANISLAVSKIANAMENTE, MAS STALINISTAMENTE, QUERER DESTRUIR UMA DAS CÉLULAS VIVAS MAIS IMPORTANTES DA CULTURA

DESTA CIDADE E DO MUNDO!!!!!

Revendo o filme “Adeus Minha Concubina” me emocionei com a luta travada pelos artistas da “Ópera de Pequim” para sobreviver à invasão japonesa, à china nacionalista, à de Mao e à da “Revolução Cultural”.

Todos os teatros que sobreviveram no mundo, como o Teatro de Moscou, a Comedie Françaiseo Bolshoi, o Berliner Ensemble e muitos outros terreiros de teatro passaram por lutas mais ou menos como a que nos deparamos agora.

Em “Os Sertões éramos 100 artistas multimídias; hoje, somos 60 na “Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona”, associação de técnicos e artistas teat(r)ais multimeios, legítima sucessora da Cia de Teatro Oficina LTDA.

Cultivamos o espaço da rua Jaceguai e seu entorno, nascido numa época de liberdade. Mas, com o golpe militar de 1964, lutamos com artistas que criaram uma arte e uma cultura inédita no mundo, não somente reativa à Ditatura – e não somente nos teatros, mas em todas os campos culturais. Retornou-se à arte expressiva de devoração dos valores colonialistas, os mais profundamente arraigados na classe dominante que sustentavam o regime torturador militar.

O TEAT(R)O OFICINA UZINA UZONA HOJE LUTA COM OUTRA DITADURA:

A DITADURA DA ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA CRIADORA DO FUNDAMENTALISMO BUROCRÁTICO QUE TOMOU A SECRETARIA DA CULTURA DO ESTADO DE SÃO PAULO.

Hoje o TEATRO OFICINA E SEU ENTORNO TOMBADO PELO IPHAN, é um lugar no mundo de cultura livre, múltipla, viva, que sempre soma a seu passado inspirador o presente criador do futuro presente.

EXTERMINAR NOSSA VIDA NA ARTE E ESTE ESPAÇO OBRA DE ARTE É UM CRIME GRAVE DE ASSASINATO CULTURAL POR PARTE DE ESPECULADORES GANANCIOSOS ALIADOS AOS BUROCRATAS TAPADOS E TAPADORES, EXTERMINADORES DE UM SER VIVO: O ORGANISMO TEATRAL MAIS LONGEVO E MAIS PERMANENTEMENTE REVITALIZADOR DA CULTURA UNIVERSAL BRAZYLEIRA QUE HOJE ENFRENTA ESTE DESAFIO EM SUA TRANS-VIVÊNCIA.

TORNA-SE PÚBLICA MAIS UMA VEZ, ATRAVÉS DESTE E-MAIL, NOSSA LUTA PELA VIDA, PARA IMPEDIR QUE OS FUNDAMENTALISTAS NEO-STANLINISTAS DA BUROCRACIA A DESTRUAM QUERENDO COLOCA-LA NA DIMENÇÃO TOSCA DE SUAS TOSCAS CABEÇAS.

 José Celso Martinez Corrêa – Autor, Diretor, Ator, Compositor de Óperas de Carnaval e Presidente da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona – semelhante às dos TUPYS, “Associação Oficina Uzyna Uzona CosmoPolítica Econômica RITUAL”.

 PS: As arquitetas do Oficina Marília e Carila, que hoje estão em Santos preparando a encenação de “Walmor y Cacilda 64 – RoboGolpe” para o Festival Internacional de Teatro Mirada, realizado pelo SESC, enviaram-se este comentário depois de ler e reler o EDITAL PARA A REFORMA DO TEATRO OFICINA:

“O Edital leva muito pouco em consideração o fato de ser o restauro de um Patrimônio Cultural; não envolve a companhia da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona no processo e inclui no termo de referência uma identificação e conhecimento do Bem que não dá conta do nosso caso (porque foi copiada de um edital qualquer) – e que claramente deveria ser feita ANTES da aprovação de qualquer escritório, feita com a nossa participação. A afinidade e o entendimento do escritório com o trabalho da Cia, sua história, estética e criação é que deveria ser o MAIOR parâmetro para a escolha de quem faria este projeto.”

Carila fez uma proposição em 2012 em cima do edital que a SECULT nos enviou em agosto do mesmo ano, que incluía a COMPANHIA PERMANENTE DO TEAT(R)O OFINA UZYNA ZONA em todas as etapas do processo – e que foi ignorada pela SECULT. Temos um e-mail da conversa da Carila, Ana Rubia (produtora do Oficina Uzyna Uzona) e Tatiana Felix Lopes (assessora de obras e projetos da SECULT); nesta conversa, Carila comenta as considerações que fez e que nunca tivemos retorno. Isso é bom porque a SECULT sempre diz que nós não nos manifestamos quanto ao edital e aqui fica comprovado o fato de nós termos tido não só acesso ao edital, mas como fizemos considerações ignoradas por eles.

 

 

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2 comentários
  1. Caro ZeCelso
    Tive que dialogar com tecno-burocratas a vida inteira. Aprendi que que eles pensam de forma peculiar, só sabem corrrigir o presente para repetir o presente. O Edital para a refrma do Teatro Oficina é uma prova. Não entendem que a arte vive de e para transformar o presente.

    Proponho que esta discussão seja tratada no nível que o Teatro Oficina merece, por outro tipo de cabeça. Por que não introduzir outros coadjuvantes neste debate que é o mesmo de outras oubras do patrimônio cultural que devem ser preservadas como obras de arte vivas?

    Sugiro que se o Teatro Oficina promova um debate com gente que pensa, cria de forma homogênea com a proposta do Teatro Oficina, levando o debate à midia — inclusive com gente de fora do Brasil que já participou de questões como esta agora sofrida pelo Oficina.

    Estou à sua disposição para colaborar na montagem desta discussão. Conte comigo

    Marco Antonio Amaral Rezende
    984922366
    2384 4683

  2. Alessandro Hipolito disse:

    Boa tarde!
    Por favor quando terá edital para oficina?
    obrigado
    sucesso

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