Ninguém se esconde dentro da Arte

Traços YANG do Céu na Pista y Traços receptivos da Terra - Paz e harmonia em ACORDES

Traços YANG do Céu na Pista y Traços receptivos da Terra – Paz e harmonia em ACORDES

HOJE, 5 de Novembro de 2014, em pleno Dia da Cultura, comparecemos Ana Rúbia – Produtora do Teat(r)o Oficina, Mariano Mattos e Tony Reys – Atores, e minha pessoa, Zé Celso – diretor, ator, autor, uma vez q fomos intimados, no Foro Barra Funda, para nos defender da ação movida pelo Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz, Presidente da www. providaanapolis.org.br , pedindo 3 anos de Cadeia pra nós, incursos nos “Crimes contra a Paz Publica e Incitadores ao Crime”

Em 2012 estava em Cartaz no Teat(r)o Oficina a peça ACORDES inspirada no texto de Brecht: A Importância de estar de Acordo.

Cena dos três palhaços em ACORDES, numa interpretação do artista João Lestrange.

Cena dos três palhaços em ACORDES, numa interpretação do artista João Lestrange.

Nós levamos um trecho desta peça – a CENA DOS 3 PALHAÇOS, para apoiar in loco na Praça ocupada, a Greve de Professores e Alunos na PUC, contra a atitude antidemocrática da escolha para Reitoria da PUC, de Ana Cintra, a 3ª colocada no pleito.

Era já o Ocaso do Fundamentalista Bento XVI, sentindo dores, aqui e ali, antes do Papa Francisco ter assumido esta Entidade, emprestando-lhe seu sentimento Franciscano, humanista, modernizador, para a Igreja Católica.

A Cena q fizemos então, inspirada em Autos Medievais de “CircoTeatro” de Praça, influenciaram muito o Teatro no Mundo inteiro, em muitas épocas, em cenas de Paramentação Carnavalesca, DesParamentação, Desmontagem de Entidades. Nunca de Pessoas.

Na PUC fizemos a retirada de uma Entidade Papal Carnavalizada, nunca do ser humano Bento XVI.

Fizemos Arte.

Em outra peça de muito sucesso que montamos de Brecht, estreada no Teat(r)o Oficina em 13 de dezembro de 1968, dia do AI 5, há uma Cena que Brecht criou como ficção, mas que sintetiza a atitude do amigo e apoiador de Galileu, de suas teorias, Papa Urbano VIII, enquanto vai vestindo as Roupas da Entidade: Papa.

No decorrer da sessão nos Camarins do Vaticano, Urbano termina por ceder à pressão do Cardeal Inquisidor; termina por condenar seu amigo Galileu ao Inquérito do Santo Ofício.

No início da Paramentação, ele protesta contra a pretensão do Cardeal Inquisidor de levar Galileu ao Tribunal da Inquisição, defende as teorias do físico. Mas a medida q vai sendo paramentado, vestindo-se de Papa, quando recebe a Mitra Papal… termina a Cena autorizando o Cardeal Inquisidor a chamar Galileu para o Banco dos Réus do Tribunal da Santa Inquisição.

Na cena da peça q Brecht escreveu em 1929 há, ao contrário, uma cena de desparamentação.

Foi esta Cena q foi levada à PUC.

Era quase o fim do Papado Bento XVI. Este logo demitiu-se de uma função sagrada como infalível e divina. Ele mesmo foi o seu grande desmascarador. Ratzinger não se ajustava ao papel de Papa, estava mais para Inquisidor. Papel antes representado por ele no Vaticano É de sua lavra a condenação da Teologia da Libertação no Brasil.

A Arte tem poder, até inconsciente por quem a faz, de previsão mágica no andamento da história; por isso é tão combatida pelos q perderam o bonde de seu tempo e vivem ocultos em armários de onde não saem, pois é onde escondem sua inadequação para os papéis q representam com sua mediocridade.

Os Atores Mariano Mattos Martins, Tony Reis, a Produtora da peça no Teat(r)o Oficina, Ana Rúbia, e minha pessoa, enquanto diretor da Peça, fomos intimados a comparecer hoje, às 14h, ainda em Fase Conciliatória do Rito q precede a Abertura do Processo.

Foi nos proposto o pagamento de um salário mínimo para encerrar-se o processo.

Nossos advogados Fernando Castelo Branco, e Fernanda de Almeida Carneiros, levaram nossa posição:

“Não aceitamos pagar um salário mínimo porque não somos culpados de nada nesta incriminação.”

Então, Rapidamente, o Rito do Processo se abriu.

O PROMOTOR
(pronunciando-se)
“Eu fiquei chocado com o q vi na Internet: vocês usam a Arte, pra se esconder”

(Um Raio atinge a Personagem do Diretor da Peça q não podia abrir a Boca, mas a Fúria Sagrada encontrou seu Espaço mesmo Interditado e o Raio Iluminou o Espaço com uma Luz muito Branca, cegante)

CORIFEU DA MULTIDÃO
(papel q minha pessoa Zé Celso faz em Acordes)
Ninguém se esconde dentro da Arte.
O Sr. está cometendo um Crime de Vilipêndio contra a Arte e incitando um Crime contra a Paz. Eu vou processar o Sr.
Esta cena me lembra de Cacilda Becker no DOPS em 1964, quando foi acusada de ser uma militante do Partido Comunista por ter dito um Poema de Neruda a convite de Jorge Amado.

Claro q não citei a cena toda, mas aí vai parte dela:

CACILDA
Supor que eu sou uma militante disfarçada
é destruir toda a autenticidade
da minha vida proféssional.
Minha carreira sempre foi descortinada.
diante do público: Teatro / militância declarada/
O único partido: o do Teatro.

(cena q faz parte da peça em cartaz: “Walmor y cacilda 64 – RoboGolpe”)

CORIFEU DA MULTIDÃO
A Arte jamais esconde nada, ela entrega, não esconde.
Tudo é permitido, eu me mostro tanto q posso ficar Nu.

Tyazo da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona no Te-Ato pela Paz, na porta do Fórum. Foto Mídia Ninja.

Tyazo da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona no Te-Ato pela Paz, na porta do Fórum. Foto Mídia Ninja.

Minha Fúria de raio foi interrompida, eu não podia mesmo falar.

Mas chego em Casa e vem tudo do raio q me penetrou:

Na Arte nós expomos, somos descaradamente, cruelmente, comicamente, tragicamente francos, abrimos todos abcessos – os nossos e os da liberdade, onde ainda está sendo golpeada.

E isso em todas, absolutamente todas as Artes Humanas e Transhumanas. O Teatro é o lugar do “Anarquista Coroado”. No Teatro, como em todas as Artes, a liberdade deixa de ser relativa e transforma-se na liberdade ilimitada, Total da Vida e do Ato de Viver: Tudo é Permitido na Linguagem dos Artistas, seja ela em q Arte for. Nós, artistas, temos um Língua bem afiada, sempre no passado presente futuro. A Arte é mais q o Duplo da Sociedade, sobretudo da Sociedade de Espetáculos dos Poderes Estabelecidos.

Somos mais q espelhos, somos os q por sua humana saúde libertária transpassamos todos os limites, como no sonho. Misturamos Vida na Arte, na Paz em todos os tons, nos Teatos. Quem pode censurar um sonho e a arte q é epifania, a materialização sutil dos Sonhos, dos Pesadelos, dos Desejos até mais secretos, a revelação e purgacão dos crimes mais sórdidos entre os humanos? Podemos viver “Macbeth” e todos os Tiranos sanguinários sem culpá-los de nada. No Teatro, e mais ainda no Teato, o Crime é Personagem, como no “Crime e Castigo” de Dostoiewiski.

E os Procuradores criminosos q não tem a menor noção do q seja Arte e cospem nela, também são personagens. Procuradores q se escandalizam diante da Internet com a cena q veem, cenas q aconteceram poderosamente na PUC, num momento em q a sorte da Universidade Livre Laica, q tanto atuou a favor da Liberdade durante a Ditadura Militar estava quase sendo destruída com a tentativa de imposição Fundamentalista Católica Apostólica Romana.

Agora alguns querem de volta, em nome da Paz, os Senhores da Guerra. Gente como este Promotor, q nem sei o nome, q no dia da Cultura, 5 de novembro de 2014, não sabem, não tem a menor ideia do q é essa coisa chamada Cultura, muito menos o q chama-se Arte, e por isso querem nos prender por 3 anos numa Cadeia, porque somos livres. Isso acontece neste momento em vários lugares do mundo, e no Brasil especialmente, quando manifestações inspiradas pelos mais medíocres sentimentos como “ressentimento”, “ódio”, “vingança”, pedem a volta da Ditadura dos Senhores da Guerra em nome da Paz.

Ainda somos Livres, porque conquistamos esta Liberdade.

Talvez das Artes, o Teatro, tenha sido a q mais contribuiu para o desapoderamento do Regime Militar.

Ainda q até Hoje, mesmo diante da “Comissão da Verdade”, os velhos do Clube Militar ainda dominem e ocultem informações o máximo q podem.

Fomos torturados como muitos, mas fui preso e torturado com o Celso Lucas, o Cineasta, q depois, no Exilio em Portugal, montou comigo o filme “O Parto”, da Revolução dos Cravos, e filmou comigo a Independência de Moçambique no filme “25”. Nos colocaram um Capuz na Cara quando entramos nos Porões da Tortura no DOPS como tantos outros, torturados, exilados, encarcerados, assassinados.

Quando fui libertado, tiraram meu Capuz, e empurraram um Muro q virou uma Porta, q se abriu para a Zona da “Legalidade”, onde tive de fazer um teatrinho de um interrogatório pacífico, ainda q rondando a sala eu visse os Vodus Sergio Fleury e Nicolau Tuma e depois ficar mais um tempo numa prisão solitária até as feridas de minha tortura cicatrizarem. De lá fui solto, por uma Arte Manha do gênio do cinema novo: Glauber Rocha, q enviou da Europa um telegrama pedindo minha liberdade “assinado” por todas celebridades mundiais daquela época.

Esse esconder-se nunca foi o da Arte.

Enquanto formos livres vamos querer cada vez mais ampliar a grandeza da Liberdade nas Artes, q não tem o q ocultar – falo de onde minha Arte é mais presente, o Teat(r)o, contraceiando com o mundo – tanto o q está aí, quanto o q está na nossa subjetividade, no nosso inconsciente destapado do Boné do Super Ego. Claro, podemos nos esconder no Super Ego e viver todo o sentido q Freud criou pra não nos expormos em épocas como as do nazismo, por nossos excessos de expansão blibidinosa, vital, pra não sermos punidos. Mas nunca fui desta escola. Encontrei-me com Artaud, o curandeiro dos curandeiros do século XX, que através de seu Testamento proibido na França pós Guerra, sua peça radiofônica q encenamos no Oficina – “Pra dar um Fim ao Juizo de Deus” – inspirou os filósofos Deleuze e Guatari a escreverem “O Anti Édipo” e nos libertaram pra sempre desta tirania interna.

Nunca me dei bem com este Super Castrador na minha Cabeça. Em Cacilda !!!!! há uma Cena que o CORO de Antígone, coloca as mãos na cabeça e canta: “Sai Super Ego”, fazendo uma operação cerebral tirando a tampa da cabeça, com as próprias mãos.

Dizer q nos escondemos na Arte pra atuar com nossos crimes é mera projeção dos q vivem em armários e querem nos inculpar de seus próprios crimes.

Todas as Artes lutaram juntas contra sua eliminação na Ditadura Militar e assim passamos, nós artistas, a sermos um Poder diante do Poder dos q se alimentam do Crime maior, mais oposto à Paz, o óbvio – o Poder de fazer a Guerra, a Militarização da Sociedade. Isso acontece ou quando Cultura Humana incomoda, como foi de 1954, depois do suicídio de Vargas à 1964 – Golpe Militar financiado com os Dolarõe$$$ do Pentágono, ou depois, em 1967, quando surgiu a Tropicália no Retorno da Antropofagia, anunciando a grande revolução do “aqui agora” de 68, esganada no AI 5, sobretudo contra os Lugares de Movimentos Culturais.

Acontece também quando o Patrimônio da Nação se encontra mais miserabilizado q as escolas, os hospitais. A palavra Cultura foi castrada no Período Eleitoral em q todo os Direitos Humanos viraram Tabus, e não podiam constar das plataformas dos Candidatos com mais chances à Presidência.

Nestes tempos, na depressão, muitos se entregam pra ser suicidados em Paz ao sonho de submeterem-se ao Militarismo, aqui no Brasil ou no Isis Califado Mundial.

Soubemos sempre ver o que se esconde atrás das máscaras, das balas de borracha ou da bomba atômica, enfim, da Máquina de Guerra, q através dos Militares q se submetem à esta Máquina fartamente, são fomentados pelo Mercado e pela Especulação Financeira do Capital no século XXI.

Aí está o Crime contra a Paz Pública e a incitação ao Crime.

E também nos corpos dos, como os q conheci hoje –Procuradores da Injustiça, q pela incompetência de não aceitar a vida como ela é, tornam-se criminosos, sem nem mesmo saber das artes da revelação franca, contraditória, nada politicamente correta da vida, q afloram quando a Censura e o Terror são eliminados.

O Teatro, como todas as Artes, é uma trincheira da Paz, do reconhecimento do Poder Humano ao vivo sendo exercido a favor das delícias das Artes de Viver na beleza e na Adoração.

Eu hoje não podia falar, mas fui atingido pelo crime do Procurador contra todos nos Artistas Re-Existentes Permanentes na sua mania de liberdade de viver e morrer na loucura da Arte.

“a arte é livre e grande demais
pra ser julgada por nós
pobres mortais”

Foto_Mídia_Ninja

Talvez tenha sido o movimento dos artistas, sejam do jornalismo, do cinema, das artes plásticas, da literatura, do teatro, da música, da dança, das artes de negociação dos movimentos operários, das artes dos roceiros da Terra, no corpo a corpo com a PM, desde sua 1ª Infância depois do AI 5, dos censores, torturadores, q fez com q hoje ainda vigore o fim da censura, a Liberdade da Prática das Artes no Brasil, os Protagonistas na derrubada da Ditadura.

O q aconteceu hoje é um fenômeno deste fim de ano em q agora saem de suas tocas os q pedem novamente o retorno ao Golpe Militar.

Como foi o caso hoje deste procurador, q projetou nas Artes o Crime contra a Paz Pública e incitação ao Crime, querendo nos prender por algo q ele nem sabe o q é. Ele mesmo o Criminoso e o incitador ao Crime.

A Feitiçaria das Artes Livres não é pra ser provocada atoa, e assim, abre o processo q continua e nós todos torcendo pra q seja engavetado.

Zé Celso

SamPã, 5 de Novembro de 2014

CORIFEIA BACANTE
Ió Adora a Paz
Esta deusa adorada dá

CORO
Fartura!

ENTIDADE SOUL IFÁ
Comida dá,

CORO
Juventude!

CANTORA SOUL IFÁ
Pro rico
e pra gente pobre amargurada
inventou alegria embriagada,
da bacaneada
pra se deixar de padecer,
salvou o prazer
Não deixa passar,
detesta quem não quer
viver só delícias
e nos claros dias
e nos cios das noites
bacantes praticantes
sai…

CORO
À caça
à cata na fissura
da mais nova aventura
sempre mais, sempre mais, sempre mais,
mais uma!

ENTIDADE SOUL IFÁ
Sai Broxaria, Sai!

TODOS
Sai!

CANTORA SOUL IFÁ
Dos racioSignos,
orgulho do UniversOtário
Que eu saiba que o melhor
é o que é
mais simples
nessa eu estou
nessa eu vou!

(Atira-se sobre a Multidão se dando toda)

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4 comentários
  1. Marco Antonio Amaral Rezende disse:

    Todo apoio a Zé Celso e à luta da Arte pela Paz.

    Que se convoque um coletivo mundial para provar, legalmente, que ninguém se esconde na arte.
    Marco A. A. Rezende

  2. Jose Antonio Barbosa disse:

    Quem deveria pagar multa é essa “autoriďade” pro Oficina

  3. Marco Antonio Amaral Rezende disse:

    ZÉ,
    Proponho transformar este desmando em uma farsa internacional. Que tal escrever um amnifesto e coletar bilhões de assinatura, em escala mundial? Conte comigo

  4. Céli Nunes disse:

    CACILDA
    Supor que eu sou uma militante disfarçada
    é destruir toda a autenticidade
    da minha vida profissional.
    Minha carreira sempre foi descortinada.
    diante do público: Teatro / militância declarada/
    O único partido: o do Teatro.

    Maravilha de Texto!
    As Palavras salivam
    dedos lambem
    Delícia
    Molhei

    CORIFEIA BACANTE

    Ió Adora Paz
    Essa Deusa Adorada Dá

    CORO

    Fartura!

    ENTIDADE SOUL IFÁ

    Comida dá,

    CORO

    Juventude

    Amor

    Adoração

    Alegrias

    IÓ ZÉ!

    LONGEVIDADE

    PROSPERIDADE

    PAZ

    ” É O QUE DESEJO E O QUE DESEJA ESSA NOITE
    NOITE DE CALMA E VENTO E CARNAVAIS.”

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