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Arquivo mensal: abril 2015

Meu lindo e carinhoso amigo Abujamra, você nem bem morreu, e já renasceu, óbvio, você amado, sempre foi Etherno.

Entre os seres humanos, dos mais amados e grandiosos, um deus garanhão, gerador de filhos mortais e imortais, nos rastros luminosos, férteis vestígios vivos, de todas suas criações, vindas do seu Corpo Vida Obra de Arte em si. Isso fica mais q amor de pica.

Não me veio à mente, logo q soube da tua Morte, amado, teu Ser Humano Pluridimensional: Extraordinário Diretor, Ator de Teatro, TV, Cinema, Net. Mas ,ao contrário, baixou a Visão do Grande Gênio, Sábio, Bruxo, Amante, Jogador da Vida. Fui possuído pelo teu Valor Humano Concreto como dos Heróis de Plutarco.

Escrevo esse clichê como um tapume, por não encontrar a palavra certa.

Nesses dias em que a direita sai do armário e diferentemente dos gays, sai fazendo questão de mostrar sua burrice, ressentimento, ódio, mau humor, falta de educação, cultura, espírito de vingança, enfim, os sentimentos humanos mais destrutivos e medíocres, tua figura humana, Abu, virou um imenso e necessário Farol. Sábio, talentoso, engraçado, se levanta como um Titã, um Gigante de Humanidade, diante deste bando de pobres “piolhos”.  

Abujamra no Teat(r)o Oficina, em foto de Bob Souza

Abujamra no Teat(r)o Oficina, em foto de Bob Sousa.

Abujamra, sabe o q vi quando soube da tua morte? Você Senador, eu estava lá contigo, num Congresso, diante daquele Senador de ruivos cabelos implantados, e de um Coro d’EduArdos CÚnhÂnus. Sua Beleza posta diante de um Bando de Bostas.

Você que ama, q praticou sempre a Arte Política que é o Teatro em si, diante daqueles odiadores canastrões – q nem amadores conseguem ser – nos revela q temos muito q apreender com tudo q você nos deixou. Teu sentimento de ser é nossa maior arma pra devorar este Golpismo Pentelho: um Farol imenso a nos guiar. Neste bostal, surgiu clara a Epifania de sua Divindade Estelar, humilde de tanta Humanidade.

Quem morre neste dia 28 é um brasileiro, um dos Velhos do Mundo, que mais Sabe das Coisas, q é, antes de tudo, no sentido milenar, um ser, um monstro de Teatro, um Diretor em q o phisique du rôle é o de um Grande Ator, q por isso mesmo extrapola o Teatro e todas as Mídias e chega à Sabedoria da Humanidade Inteligente, rara ,mas q existe, e está prestes a se juntar. Você sempre soube q foi minha Musa Inspiradora pro “O Rei da Vela”.

No comecinho dos sessenta, no segundo ano de vida do Teatro Oficina, convidamos você, Abu, pra dirigir a ótima peça de Augusto Boal: ”Zé do Parto à Sepultura” A peça não tinha Personagens, mas sim Entidades; o “Zé” é, por exemplo, todomundo, qualquer um, todos nós. Tua Direção, Abu, se deu perfeitamente com este teatro e mais; radicalizou com o q você trazia de formalmente mais belo e contemporâneo; nos Atores, Atrizes, com seus figurinos coloridos, nas marcações desenhando no Teatro Sanduíche, corografias com pessoas q criavam Arquiteturas Cênicas Mehyerholdianas.

No Elenco, olha só: Miriam Muniz, Fauzi Arap, Etty Frazer, Chico Martins , Ronaldo Daniel, Emilio de Biasi, Wolfgang, ,Geraldo Del Rey. Era Novo, era Magnífico. Mas, lembra? Ninguém foi assistir, o Público nesta época era viciado em realismo e a peça teve d sair de cartaz.

Mas teve seu renascimento do Teatro de Entidades de Oswald de Andrade, no sucesso de “O Rei da Vela” Coelho criador, pariu inúmeras companhias de Teatro, desde uma dinastia de Artista do CIRCO ABUJAMRA: André, Gêmeo Gênio do Pai, Clarisse, Iara, Márcia; o glorioso Grupo DECISÃO, os FODIDOS PREVILEGIADOS, os dos Trabalhos com Hugo Rodas etc.

Na TV, além do seu desempenho, só comparável ao Chacrinha, fazendo seu Bruxo Xamã na tediosa Globo, deixou um filmaço no programa do Faro na TV Cultura. Num certo dia, o diretor Faro não pôde estar na gravação. Abu, você, gato, jovem ainda, era assistente dele. Maysa chegou completamente bêbada. O Time da Gravação queria adiar e não gravar com este estado q estava a Cantora. Mas você, affectionate angry youg man, pôs o pau na mesa : sou assistente do diretor e vamos gravar. Tua audácia criou assim um dos Programas mais belos da TV brasileira, um Filme. Maysa está maravilhosa, uma Bacante Dionisíaca, cantando, bebendo, fumando, sendo.

Nunca cantou, falou, tão bem. No Clímax da emoção em q ela dizia: “as pessoas hoje tem medo de ser”, em você Abu, começou a rolar o “pré-provocações”. Logo na 1º Pergunta, Maysa responde: “Ô, Chê, eu vim aqui por Você!”. Continua rolando a provocação e, de repente, você, Abu, faz uma pergunta, não me lembro qual, só sei q era uma quente, de ir dentro do dentro do ser da Maysa. Ela ouve, reage com um cigarro aceso na mão e fica buscando a resposta, numa busca vivida, real, uma cena de silêncio absoluto, eloquente, em q essa deusa, o tempo todo, busca o sentido de ser… Você, diante da equipe, tendo de segurar aquele silêncio interminável, magnífico, q nem Bergman conseguiu. Aí, disse feliz: “Corta”, e fez entrar os Créditos do Programa, sobre Maysa Cantando: “ninguém pode calar dentro em mim”. Foi um momento jamais visto de silêncio e beleza muda falante, na TV.

Como esquecer você dirigindo Cacilda Becker em “Raízes”, peça em que você aplicou o – então na moda – afastamento brechtiano: o atuador deve sair da situação cênica e aproximar-se do proscênio pra falar algo q ampliasse o sentido da peça. Sempre se fazia isso de punhos cerrados, com cara carrancuda de protesto, numa interpretação q traía completamente Bertolt Brecht e não toca o público. Cacilda chegou ao Proscênio e falou com uma simplicidade de uma clareza cativante e o público explodiu em aplausos.

Você hoje se junta a todos estes reais imortais, deixa seu vestígio infinito de fertilidade, ao mesmo tempo em que já deve ter se  encontrado com a mulher da tua vida e ter perguntado a ela: “q te parece, Belinha”? Lembra, ainda, quando estivemos fazendo aquela leitura, não sei se de Lênin e Stalin, mas, lembro, está viva em mim, até agora, nossa amada parceria q sempre existiu na vida e agora vai seguir na ethernidade da morte.

Zé e Abu na gravação do programa Provocações, da TV Cultura.

Na gravação do programa Provocações, da TV Cultura.

Você deixa uma Grande Fortuna, maior q a dos 1% dos trilhonários, desde já dada pra riqueza de toda Humanidade q gosta de ser humana. Vou te dizer o q Lili Brick disse depois q respondeu o I Love q Maiakowiski lhe deixou em sua Carta Testamento de seu suicídio. Aos 85 anos, depois de contar tudo q sabia a uns beatnicks com quem se encontrou em Moscou, Lili se matou. Ela entendeu o pedido do amado: de cuidar de sua memória; foi a ela q dedicou toda sua vida.

Amado Abu “I Love”

Mas não pretendo me suicidar, porque tua história é longa, muito longa pra contar…

Mas está no ar q respiramos, num momento jamais visto de silêncio e beleza muda falante na TV amos.

Zé, 28 de Abril de 2015

Confira aqui o programa Provocações com Abujamra e Zé.

Na maior Alegria a Companhia do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona retoma a Temporada neste 2015, em dose Dupla:

1º: Estreamos com o mais que milenar “O Banquete”, de Platão e Sócrates, contando cantando os Oito Séculos da Sabedoria dos Gregos neste Grande Caos de Burrice Conservadora do Brazil e do Mundo em 2015. Estreamos sábado, no dia 25 de Abril, às 18h.

Foto Marília Halla para cena de O Banquete durante as Dionizyacas em Viagem.

Foto de Marília Halla para cena de O Banquete durante as Dionizyacas em Viagem.

O Oficina, exilado, trabalhou e viveu a alegria intensa deste grande momento da Internacional da Língua Portuguesa e de suas Línguas Criolas, p brazilero, por ex.

Por isto, esta Estreia é dedicada às Revoluções que o Brasil necessita neste momento.

“O Banquete 2015” será servido ao Vinho e a Cantadas Milenares de Amor, em todos os sábados e domingos, até o fim do mês de maio, dia 31, e correrá sempre ligado aos acontecimentos da hora, na Ethernidade da Poesia Antiqua.
 
2º: ReEstreamos dia 30 de abril, na Noite das Bruxas de Walpurgis, véspera do 1º de Maio, às 21h, o grande sucesso de “pra dar um Fim no Juízo de deus “, de Antonin Artaud, que estará em cartaz todas as 5ªs do mês de maio, denunciando desde a “bosta social” da pretensão do assassinato das conquistas dos Trabalhadores do Brasil pelo Congresso vendido às Grandes Empresas patrocinadora de sua Eleição, q  estupidamente recomenda oficialmente a bosta da terceirização da Classe Trabalhadora brazilera.

Pascoal da Conceição em cena de Pra dar um fim no juízo de deus. Foto Fernando Lima.

Pascoal da Conceição em cena de Pra dar um fim no juízo de deus. Foto Fernando Lima.

Artaud e as Bruxas nos trarão os desenfeitiçamentos necessários, não somente na Véspera do dia Mundial do Trabalho, mas nas incontáveis bostas oficialmente reconhecidas e recomendadas neste momento entre o Golpismo Fascista e uma Virada Revolucionária Popular.

O Grande Angeli retrata nossos Neurônios explodindo gigantes em nossas Cabeças, diante da dose diária de violenta mediocridade  q a saída do armário da direita golpista verde amarela, diariamente, empesteia com sua nocividade pesticida as terras brazyleras.

Mas com a Arte do Teat(r)o q praticamos, invocamos valores de invenções transhumanas, q têm o phoder de espantar as tolices q os vaticínios de Ódio da Caquética $ociedade do E$petáculo espalha no ar. Esses bandos de piolhos,  em sua ostentação medíocre de ressentimento, de horror às suas vitimas – os mais pobres – são mais q inspiradores para as Artes do Deboche Trágico Teat(r)al. Trazem a nós a tremedeira inspirada dos Animais Eróticos, q não estão presos a seus Ódios e q não têm nada a  Perder. Mais q nunca, a Liberdade do Corpo a Corpo, nestas noites de Crise, tem reencontrado o “Valor incomensurável do Teatro” q Cacilda Becker sempre revelou.

Enquanto Portugal, os EEUU e o Uruguay ganham mais paz, mais prazer, mais saúde, menos violência e muito dinheiro com a descriminalização da Maconha, aqui se quer manter sua  criminalização e ainda impor a lei penal para crianças de 16 anos.

Enquanto nossa Constituição de 1988 determina o Imposto às Grandes Fortunas, este é ignorado e determina-se q os do andar de baixo é q devem pagar o “ajuste fiscal”.

A Regressão brazilera dói e, hoje, a Homofobia, o Racismo, o Mercantilismo dos Corpos Humanos são tidos como uma Liberdade de Ação e do Pensamento.

Em pleno arrocho cultural, estamos em Cena com o Teatro mais Radical dos tempos em q a Humanidade cuidava de si, mas sempre no hoje, em q nos cuidamos mais q nunca, universalmente, de nós mortais, por estarmos vivendo em pleno ano de maltrato e ódio aos seres vivos: humanos, animais, vegetais minerais, aquáticos…

O sucesso de “pra dar um Fim no Juízo de deus” era por nós esperado, por ser uma peça q faz emergir a radicalidade vital da Máquina das Intensidades da Vida, num momento em q Ela, a Vida, está a perigo.

Estamos na Alegria de vivermos da Bilheteria com ingressos relativamente baratos diante do q se cobra no Teatrão Explícito da $ociedade de Espetáculo$. Todos ganhando quotas iguais de bilheteria, numa espécie de comunismo sem Estado, mas com muito investimento no Refinamento e na Eficácia da Arte do TeAto.

Tyazo do Teatro Oficina ensaia O Banquete para estreia em 25.04.2015. Foto Amanda Amaral.

Tyazo do Teatro Oficina ensaia O Banquete para estreia em 25.04.2015. Foto Amanda Amaral.

Estamos como os Índios, realizando Rituais Cosmo Políticos Teatais. Nos ensaios de “O Banquete 2015”, o trabalho anterior com Artaud radicalizou o prazer da disciplina estética. Sinto q neste ano “não” crescemos infinitamente mais q nos anos “sim”. Não por sermos do contra, nunca, mas por estarmos a favor de movimentos vitais, que o aparelho de dominação das Grandes e Médias Fortunas querem aniquilar – mas q sempre manifestam-se publicamente, apesar de reprimidos pelas PMS.

São os q não pertencem aos 1%, ou os q não querem chegar lá, ou fazer as caras e bocas de Bolsas Vuitton, mesmo se compradas  nos Camelôs.

Na época de Platão e Sócrates, a Pederastia era oficialmente a Amátria Educadora. A transmissão da Cultura e da Educação se dava concretamente de Ser Humano Amante, pra Ser Humano Amado. Só se educava através da Experiência Concreta do Amor Livre, entre os mais novos e os mais velhos, Senadores ou Senadoras.

O Público se coloca em torno de uma Grande Mesa de Banquete e pelas Galerias, onde vive com os Atuadores a experiência de uma Cerimônia de Filósofos, bebendo bons vinhos, inspirando Phalas eternamente atuais em torno, sobretudo, do Cuidado de Si e do Outro, em todas as formas de Amor.

Sócrates determina:

”De amor eu sou entendido,
esta noite é pra Eros, está decidido”

Diótima, a Grande sábia da Antiguidade, personagem de Platão-Socrates, é tão Protagonista q é feita por várias atrizes cantoras.

O Elenco encarna os deuses e deusas, Zeus,Hera,Apolo, Pã, Afrodite, Hefaistos, o deus Metaleiro q trabalha na Bigorna com o fole e o Malho, refazendo a Anatomia dos Atuadores, a deusa da Embriaguês, os semi deuses Eros a quem é dedicado o Banquete, Orfeu e sua Lira, Jesus. Contracenam com os Filósofos, Sócrates, o Belo Poeta Fedro, Pausânias e o Mecenas q oferece em sua Casa o Banquete ao seu namorado: o Ator Agatão, q no texto original é o Vencedor de um Concurso de Dramaturgia, mas q nós transformamos em um  Ator q vence as Dionizíacas, fazendo o papel de Dionisios em “As Bacantes”; o Médico Erixímaco q trabalhava no Teatro de Epidauro com sua medicina já holística; no Banquete faz o Simposiarca, o Chefe propositor das regras do jogo para o Simposium – sobretudo, recomendando a dosagem moderada do Vinho com Água; o Grande Dramaturgo da Comédia Grega, Aristófanes, criador da cena dos Andróginos; o jovem Efebo mais Belo e mais Rico da Grécia Antiga, Alcebíades; a  Mendiga Pênia, Mãe de Eros. Hector, Aquiles, Pátroclo, Eurídice, Alceste, Admeto, as Bacantes, Homero, Vinicius de Moraes, Hesíodo, Esquilo. Enfim, todo mundo da Sabedoria da Grécia antiga é invocado nestas noites de 2015, em q nós, seres humanos, tanto precisamos deles.

Marcelo Drummond vive Agatão, que abre sua casa para o grande banquete. Foto Renato Mangolin.

Marcelo Drummond vive Agatão, que abre sua casa para o grande banquete. Foto Renato Mangolin.

“O Banquete 2015” inicia com um canto Croata (esta peça, estreamos em Zagreb) q chama nossa mais q necessária Chuva, a Fertilização da Terra e de todos os Seres Vivos, quando o Público é recebido pelo Tyazo – que quer dizer em grego “Cordão dos Enamorados das Companhias de Teat(r)o”.

O Banquete 2015 é uma Poesia Lírica, um Musical com Solos, Cantos Corais, Cello, Piano, 2 Baixos, 3 Percussionistas, Sopros. O Vídeo Cinematográfico ao vivo incorporado à Encenação transmite os Ritos Espetáculos.

A Direção de Arte, Iluminação, Arquitetura Cênica, Figurinos, Direção de Cena trabalham sincronizados nos “aqui agora” com frescura das Frutas, Flores, Incensos de Cada Noite.

Artaud e Platão, durante as Semanas q transcorrerão neste Outono, são antagonistas, mas nestes meses de Abril e maio, como canta Heráclito, serão

“antes contrários
agora
porque não?
sacrários”

Zé Celso

21 de abril de 2015

Confira aqui todo o Tyazo de O Banquete 2015

Aqui, o Tyazo de Pra dar um fim no juízo de deus

Fila na porta do Teat(r)o Oficina, no Bixiga. Sessões concorridas de Pra dar um fim no juízo de deus. Foto Jeniffer Glass.

Fila na porta do Teat(r)o Oficina, no Bixiga. Sessões concorridas de Pra dar um fim no juízo de deus. Foto Jennifer Glass.

No palco, a trupe discute a reconstrução da anatomia humana. E a maneira que essa ‘reconstrução’ é apresentada no palco é singular. Os atores ‘fazem uso’ de sangue, sêmen e excrementos humanos – gerados pelos atores diante dos olhos da plateia, certo. Como foi a preparação dos atores para isso?

A preparação para as ações anímicas fisiológicas Tabus é a de Concentração. Vem do próprio sentido  sensorial e anímico da peça. Artaud fez esta peça pra ser transmitida pela Radio Nacional Francesa, dia 2 de fevereiro de 1948, dia de Iemanjá, mas  a emissão foi proibida na época, foi gravada e hoje facilmente pode ser ouvida pela Net.

Mas a encenação que criamos, como toda encenação teatal , exige a incorporação física do Verbo. No Teat(r)o o Verbo tem de se tornar Carne.

O Teat(r)o de Artaud é emitido diretamente através do Corpo Animado do Ator, da Atriz, do Iluminador, do Músico, do Contra Regra, das Diretoras de Arte, dos Sonorizadores, dos Câmeras de Cinema.

Quer dizer, com Corpo Anima, dos que Atuam.

Pascoal da Conceição, que fez a peça em 1997, trabalhou bastante na sua alimentação especial, na sua fisiologia nos dias de fazer a peça, pois ele, como se sabe, caga em cena, pros produtos “sintéticos de reposição da natureza, inventados pelos americanos
O Jovem ator Roderick Himeros se masturba e faz sua emissão de sêmen concentrado na peça, assim como oferece suas grossas veias pro Sangue do Rito do Tutuguri, a partir de sua Paixão por Artaud e por sua Profissão = Teat(r)o.

Cada Atuador tem sua maneira de ativar sua fisiologia por sua Imaginação Criadora. Mas não se trata de uma “técnica“. É a Anima da Atriz, Ator Multimídia que atua através de seu Corpo, isto é, com seu Sangue, Vísceras Cerebrais, Cardíacas, Intestinais, Nervosas.

É o que, no Oficina, é atuação do TEATO.

E são acontecimentos ligados ao sentido físico-filosófico da peça.

Um crítico imbecil de Araraquara, quando estivemos aí em 1997, escreveu que Zé Celso foi a Ararquara pra cagar no Teatro Municipal da sua Cidade.

Foi uma temporada feita inteiramente às nossas custas, pois estávamos sendo processados por um padre confessor de minha mãe, pela encenação de “Mistérios Gozozos“, de Oswald de Andrade, no mesmo Teatro Municipal. Me lembro, quando desci do ônibus vindo de SamPã, em frente à casa de meu Pai e Minha Mãe, na Rua 7, eu beijei o chão ainda de paralelepípedos e passou um carro que gritou: vou meter uma bala na sua cabeça.

Qual a mensagem contextualizada que vocês querem passar com o espetáculo?

Teat(r)o não é Correio, não  tem mensagem; é uma arte em que, concretamente, o meio é a mensagem. Quer dizer, as emissões dos Corpos dos Atuadores com o Publico, e o sentido, não se comunica com uma fórmula ou receita, é o que é: TE-ATO.
Seria essa a montagem a mais polêmica e até chocante do Teatro Oficina?

Os Tempos são outros; estreamos com duas sessões pagas, lotadas no Oficina, que terminaram com uma Ovação do Publico. Há muito tempo não acontecia assim em nosso Teat(r)o Oficina. É a Crise que faz o Teatro emergir com todo seu PHODER.

Estamos literalmente con-Sagrados com esta peça. Por incrível que possa parecer, Artaud, o grande Curandeiro do Século XX, que inspirou a Obra Máxima de Guattari e Delleuze (“O Anti Édipo”) é um Autor que tem a palavra de quem escuta a divindade da Natureza, é um Santo Laico.

Até onde sua criatividade e ousadia podem chegar, Zé?

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Foto de Jennifer Glass para cena de Pra dar um fim no juízo de deus.

Não se trata de minha criatividade, mas a do ser humano, que é sem limites. “O  Ser Humano, quando  não seguram ele, é um Animal Erótico. Há nele uma tremedeira inspirada,uma espécie de pulsação criadora de inumeráveis bichos sem nome,que é a forma que os antigos povos terrenos chamavam deus“.

“Pra Dar um Fim no juízo de Deus” tem apenas uma hora de duração, diferente de suas anteriores, “Macumba Antropófoga” e “Calcida Becker”. Seria ela um tiro curto, mesmo?

Não é um tiro; não somos da bancada da bala. E muito menos um tiro curto. É uma intensidade poética que, em uma hora, consegue transmitir tudo que está contido nela. É uma nano capsula de energia que explode em cena, assim como “Ela“, de Jean Genet, que já encenamos, inclusive aí em Araraquara, junto a esta peça de Artaud. Sem comparação, minha primeira peça “Vento Forte prum papagaio Subir“, dura 40 minutos. Isso não quer dizer que as peças longas não tenham o mesmo impacto de comunicação. O tempo longo das peças que você menciona atinge uma esfera além do cansaço, que é extraordinária pra emoção do publico. O Teat(r)o é uma Arte que não se mede a metros.

A ideia da transmissão ao vivo pela internet é, no mínimo, interessante. O que o Teatro Oficina objetiva com isso?

Comunicação Luxuosa na Net. Não se trata de ser “interessante“, é muito mais que isso. É uma Obra de Arte extremamente bem filmada pelo Grande Câmera Igor Marotti, que por enquanto é dada generosamente ao público do Globo Terrestre. Claro que precisamos aperfeiçoar cada vez mais, pra chegar ao TodoMundo, mas já temos até Fãs Clubes internacionais de nossas transmissões.

A iniciativa é boa para o povo de sua terra, Araraquara, que aguarda seu retorno, Zé.

Quando quiserem, e pudermos ser pagos, estaremos de volta. Todo o elenco ama atuar em Araracoara, onde Guaracy, a Sol mora.

Para finalizar, queria saber do senhor, crítico que é, um pitaco sobre o atual momento político do País.

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Foto de Jennifer Glass para cena de Pra dar um fim no juízo de deus.

Vivemos, como o Mundo todo, uma Crise Sistêmica do Capitalismo do Século 21, corrupto em si mesmo – é o momento de maior desigualdade em toda a história da humanidade, de maior concentração da Riqueza em 1% da População.

Isso provoca as  loucuras do Monoteísmo que hoje virou fundamentalista, que faz Guerras religiosas, querendo tomar o poder temporal em nome de seu Deus único.

É um momento de muito Ódio, que muitas Verdades, com Deus únicos, emitem.

O Brasil vive um momento de retorno da Direita  fundamentalista, que pra se segurar e não perder seus privilégios no Crash Mundial, se organiza em torno dos “Hate Groups“.

Quem tem o que segurar, quer manter tudo como está, e atribui ao PT o Bode da Corrupção.

Mas hoje mesmo nos jornais, se lê da corrupção não só do PSDB (os inquéritos engavetados se reabrem), mas de um Militar que tem um Site de Pedofilia, dos Globais etc.

Luisa Erundina hoje procura criar uma rede vinda de baixo pra cima, porque quem está no andar superior, que tem muita grana, está ainda fazendo Pose de Gente do Bem, nas Colunas Sociais, nas Revistas Caríssimas, de Luxo…

Estão histéricos, morrendo de medo de perder suas fortunas, heranças, inúmeras Casas de Praia, na Vieira Souto, na Paulista etc.

O Sistema Capitalista já encheu o saco e agora vai pras ruas aos milhões – e não tem o que dizer.

Não tenho partidos, mas sou de esquerda e o Teatro, por si, é uma Arte Revolucionária.

Até o Ano Passado, o Teatro Radical e Antenado, como tem de ser, era totalmente desprezado, posto de lado.  Como a Cultura, era coisa desprezível, secundária, mas desde a estreia da peça de Artaud sentimos uma virada de 360 Graus.
O ápice da Crise trouxe de volta o Valor do Teatro e o Publico paga pra ver.

Apostamos pôr em cartaz esta peça, pra vivermos da bilheteria, como acontece com a dignidade das Putas q vivem de seus Corpos. Milagrosamente aconteceu, acertamos. Ela, a Bilheteria, reapareceu nesta ressureição do Poder Teatral.

Em todas as Crises da História da Humanidade, o Encontro entre pessoas vivas na Arte Teatral, no Corpo a Corpo, sem Pose, Caras e Bocas, as Máscaras Implodem no derretimento dos Botoxs das Sociedades de Espetáculo$.

Zé Celso

em seu Inferno Astral, 23 de Março de 2015

muito Feliz com o Retorno do Poder Teat(r)al