ABUJAMRA I LOVE

Meu lindo e carinhoso amigo Abujamra, você nem bem morreu, e já renasceu, óbvio, você amado, sempre foi Etherno.

Entre os seres humanos, dos mais amados e grandiosos, um deus garanhão, gerador de filhos mortais e imortais, nos rastros luminosos, férteis vestígios vivos, de todas suas criações, vindas do seu Corpo Vida Obra de Arte em si. Isso fica mais q amor de pica.

Não me veio à mente, logo q soube da tua Morte, amado, teu Ser Humano Pluridimensional: Extraordinário Diretor, Ator de Teatro, TV, Cinema, Net. Mas ,ao contrário, baixou a Visão do Grande Gênio, Sábio, Bruxo, Amante, Jogador da Vida. Fui possuído pelo teu Valor Humano Concreto como dos Heróis de Plutarco.

Escrevo esse clichê como um tapume, por não encontrar a palavra certa.

Nesses dias em que a direita sai do armário e diferentemente dos gays, sai fazendo questão de mostrar sua burrice, ressentimento, ódio, mau humor, falta de educação, cultura, espírito de vingança, enfim, os sentimentos humanos mais destrutivos e medíocres, tua figura humana, Abu, virou um imenso e necessário Farol. Sábio, talentoso, engraçado, se levanta como um Titã, um Gigante de Humanidade, diante deste bando de pobres “piolhos”.  

Abujamra no Teat(r)o Oficina, em foto de Bob Souza

Abujamra no Teat(r)o Oficina, em foto de Bob Sousa.

Abujamra, sabe o q vi quando soube da tua morte? Você Senador, eu estava lá contigo, num Congresso, diante daquele Senador de ruivos cabelos implantados, e de um Coro d’EduArdos CÚnhÂnus. Sua Beleza posta diante de um Bando de Bostas.

Você que ama, q praticou sempre a Arte Política que é o Teatro em si, diante daqueles odiadores canastrões – q nem amadores conseguem ser – nos revela q temos muito q apreender com tudo q você nos deixou. Teu sentimento de ser é nossa maior arma pra devorar este Golpismo Pentelho: um Farol imenso a nos guiar. Neste bostal, surgiu clara a Epifania de sua Divindade Estelar, humilde de tanta Humanidade.

Quem morre neste dia 28 é um brasileiro, um dos Velhos do Mundo, que mais Sabe das Coisas, q é, antes de tudo, no sentido milenar, um ser, um monstro de Teatro, um Diretor em q o phisique du rôle é o de um Grande Ator, q por isso mesmo extrapola o Teatro e todas as Mídias e chega à Sabedoria da Humanidade Inteligente, rara ,mas q existe, e está prestes a se juntar. Você sempre soube q foi minha Musa Inspiradora pro “O Rei da Vela”.

No comecinho dos sessenta, no segundo ano de vida do Teatro Oficina, convidamos você, Abu, pra dirigir a ótima peça de Augusto Boal: ”Zé do Parto à Sepultura” A peça não tinha Personagens, mas sim Entidades; o “Zé” é, por exemplo, todomundo, qualquer um, todos nós. Tua Direção, Abu, se deu perfeitamente com este teatro e mais; radicalizou com o q você trazia de formalmente mais belo e contemporâneo; nos Atores, Atrizes, com seus figurinos coloridos, nas marcações desenhando no Teatro Sanduíche, corografias com pessoas q criavam Arquiteturas Cênicas Mehyerholdianas.

No Elenco, olha só: Miriam Muniz, Fauzi Arap, Etty Frazer, Chico Martins , Ronaldo Daniel, Emilio de Biasi, Wolfgang, ,Geraldo Del Rey. Era Novo, era Magnífico. Mas, lembra? Ninguém foi assistir, o Público nesta época era viciado em realismo e a peça teve d sair de cartaz.

Mas teve seu renascimento do Teatro de Entidades de Oswald de Andrade, no sucesso de “O Rei da Vela” Coelho criador, pariu inúmeras companhias de Teatro, desde uma dinastia de Artista do CIRCO ABUJAMRA: André, Gêmeo Gênio do Pai, Clarisse, Iara, Márcia; o glorioso Grupo DECISÃO, os FODIDOS PREVILEGIADOS, os dos Trabalhos com Hugo Rodas etc.

Na TV, além do seu desempenho, só comparável ao Chacrinha, fazendo seu Bruxo Xamã na tediosa Globo, deixou um filmaço no programa do Faro na TV Cultura. Num certo dia, o diretor Faro não pôde estar na gravação. Abu, você, gato, jovem ainda, era assistente dele. Maysa chegou completamente bêbada. O Time da Gravação queria adiar e não gravar com este estado q estava a Cantora. Mas você, affectionate angry youg man, pôs o pau na mesa : sou assistente do diretor e vamos gravar. Tua audácia criou assim um dos Programas mais belos da TV brasileira, um Filme. Maysa está maravilhosa, uma Bacante Dionisíaca, cantando, bebendo, fumando, sendo.

Nunca cantou, falou, tão bem. No Clímax da emoção em q ela dizia: “as pessoas hoje tem medo de ser”, em você Abu, começou a rolar o “pré-provocações”. Logo na 1º Pergunta, Maysa responde: “Ô, Chê, eu vim aqui por Você!”. Continua rolando a provocação e, de repente, você, Abu, faz uma pergunta, não me lembro qual, só sei q era uma quente, de ir dentro do dentro do ser da Maysa. Ela ouve, reage com um cigarro aceso na mão e fica buscando a resposta, numa busca vivida, real, uma cena de silêncio absoluto, eloquente, em q essa deusa, o tempo todo, busca o sentido de ser… Você, diante da equipe, tendo de segurar aquele silêncio interminável, magnífico, q nem Bergman conseguiu. Aí, disse feliz: “Corta”, e fez entrar os Créditos do Programa, sobre Maysa Cantando: “ninguém pode calar dentro em mim”. Foi um momento jamais visto de silêncio e beleza muda falante, na TV.

Como esquecer você dirigindo Cacilda Becker em “Raízes”, peça em que você aplicou o – então na moda – afastamento brechtiano: o atuador deve sair da situação cênica e aproximar-se do proscênio pra falar algo q ampliasse o sentido da peça. Sempre se fazia isso de punhos cerrados, com cara carrancuda de protesto, numa interpretação q traía completamente Bertolt Brecht e não toca o público. Cacilda chegou ao Proscênio e falou com uma simplicidade de uma clareza cativante e o público explodiu em aplausos.

Você hoje se junta a todos estes reais imortais, deixa seu vestígio infinito de fertilidade, ao mesmo tempo em que já deve ter se  encontrado com a mulher da tua vida e ter perguntado a ela: “q te parece, Belinha”? Lembra, ainda, quando estivemos fazendo aquela leitura, não sei se de Lênin e Stalin, mas, lembro, está viva em mim, até agora, nossa amada parceria q sempre existiu na vida e agora vai seguir na ethernidade da morte.

Zé e Abu na gravação do programa Provocações, da TV Cultura.

Na gravação do programa Provocações, da TV Cultura.

Você deixa uma Grande Fortuna, maior q a dos 1% dos trilhonários, desde já dada pra riqueza de toda Humanidade q gosta de ser humana. Vou te dizer o q Lili Brick disse depois q respondeu o I Love q Maiakowiski lhe deixou em sua Carta Testamento de seu suicídio. Aos 85 anos, depois de contar tudo q sabia a uns beatnicks com quem se encontrou em Moscou, Lili se matou. Ela entendeu o pedido do amado: de cuidar de sua memória; foi a ela q dedicou toda sua vida.

Amado Abu “I Love”

Mas não pretendo me suicidar, porque tua história é longa, muito longa pra contar…

Mas está no ar q respiramos, num momento jamais visto de silêncio e beleza muda falante na TV amos.

Zé, 28 de Abril de 2015

Confira aqui o programa Provocações com Abujamra e Zé.

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2 comentários
  1. paulogoya disse:

    Zé’esse menino o Renato disse que eu queria te dizer …. beijos, obrigado pelo texto, vou compartilhar e dividir com todos que conheço.

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