Sobre a Cena Clímax d Navalha na Carne

Navalha_foto_Jennifer_Glass

Amados, ontem comentei com Marcelo, nosso Amantíssimo Amado Diretor Cafetão, y fiz uma observação sobre a cena Ápice da Navalha na Carne*. A fala, não lembro literalmente, é + ou – assim:

“Será q nós somos gente mesmo?”

Pensei em Cacilda fazendo,
me veio q nós Atrizes, Atores, temos que,
(se não na nossa vida pessoal, pois é muito difícil não pensarmos primeiro em nós mesmos)
in CENA,
quer queiramos ou não,
buscar nossa trans-humanidade,
y temos d nos sentir (numa ordem hierárquica),

Primeiro:
Como seres vivos mortais no Cosmos = a todos os seres vivos mortais… Animais, vegetais, marítimos, celestes, bactérias… Y, sobretudo, seres desse ser vivo d’onde viemos, chamado na nossa língua com nome de Mulher = TERRA;

Segundo:
Enquanto seres históricos, vivos aqui agora, nos sentirmos plugados no mundo em q vivemos em 2015, na situação d Crise no Brasil y no Mundo, irmãos das multidões q fogem das bombas dos aviões na Síria, ao mesmo tempo q dos pilotos q bombardeiam, de tudo q é ruim, bom y q nem cheira nem fede nesta girada da Terra;

Terceiro:
Nos sentirmos nós mesmos, na nossa vida histórica pessoal, como plenos d tudo isso + da vida q vivemos na rheal, como pessoas com experiências únicas concretas, no mal, no bem y, mais importante, além do bem y do mal.

Mas, in Cena, temos q nos sentir nestas dimensões, todos, sobretudo no instante em q a dramaturgya d Navalha na Carne, faz a peça se abrir pra Tragédia.
 
Será q nós somos gente mesmo?

Visualizei, como sou maníaco d Cacilda, Ela fazendo a Cena: essa Atriz, acima de tudo, tinha a qualidade – pra não dizer a grandeza – d, antes d pensar em si psicológica y dramaticamente, d trazer pra cena o seu Sentimento d Mundo nos Clímax das peças q fazia.

Imaginei q, antes d’Ela falar esta “Fala Clímax”, Ela agenciasse em suas vísceras corporais todo seu Sentimento de Mundo – q eu diria, não Compaixão, mas COO-PAIXÃO por todos os Seres Vivos, pelas GENTES y BICHOS.

Veja bem: não estou dizendo pra fazer nada disso, estou só viajando na minha imaginação, na “recherche du mon  temp perdú”.

A primeira coisa q disse pra Vado Marcelo ontem foi q Cacilda levantaria como Arquiteta Cênica d seu próprio ser, como num Circo, erguendo com seu Mastro, sua Lona, plena d ventosas triangulares, do fundo d seu Sentimento d Mundo presente nesse instante, através de sua busca denunciada pelos olhos  errantes como faróis d automóveis, já lacrimejantes, y faria esta pergunta sem nenhuma auto piedade, com toda emoção, por sentir essa presença d toda essa brutalidade, não só ali, no lugar onde Neusa Suely está com seu Amado Cafetão (o mesmo vale pra ele, Marcelo Vado). Seja no Sesi, no Oficina, seja onde for, ela não teria auto piedade, melancolia, drama, pessimismo, mas uma enorme Estranheza em perceber o q sua pergunta lhe devolve: Estranheza y Horror, pela primeira vez percebido pela Puta, trabalhadora do Amor, amor pra vender, Love for Sale, como canta BIllie Holyda (não deixem d ouvir y acompanhar com a letra).

Sylvia Prado é Neusa Sueli, Marcelo Drummond é Vado e Tony Reis  é Veludo. Fotos Jennifer Glass.

Sylvia Prado é Neusa Sueli, Marcelo Drummond é Vado e Tony Reis é Veludo. Fotos Jennifer Glass.

Uma mulher q Ama deMais, como Neusa Suely, q tem a fartura da própria matéria do Amor, a LIBIDO, tem, de repente, a percepção de si mesma em relação ao Veludo (q ela maltrata); ao próprio Vado, q maltrata tanto a Ela, y ao Público presente naquele instante. Seu ser no mundo, pergunta a si, a nós, seres humanos, si somos gente mesmo, ou não…

É o momento em q atinge profundamente Marcelo Vado também, q se questiona a si mesmo y a ao seu Papel de Cafetão, mesmo se não demonstrar tanto, nesse momento.
 
Assim, essa questão, essa dúvida sobre seu próprio ser vai  atingir a qualquer pessoa presente no espaço, vai nos colocar a todos num ponto d comunhão com nosso estar no mundo, como TRÁGICOS, deixando o drama lá atrás… Sumido… Pra sempre…

Então, a Cena q decorre a seguir parece ser essa, em q Neusa Suely paga pro Cafetão como fazem seus próprios Fregueses, pra ser Comida, depois de ter sido paga em Dollares pelo trouxa asqueroso q pegou no trottoir.

É uma questão de PODER y mais ainda d PHODER mesmo, em q, com a NAVALHA nas mãos, prefere o Assassinato, a Morte, a não ter a Recompensa da Prenda Imensa do seu Cafetão Profissional.

Uma Fóda Gozósa! Gloriósa!

Como ela, Puta Profissional, exatamente pelo Trabalho q pagou ao Cafetão Profissional, também a quem já pagou Bem demai$$$$$$$

Y ela está pagando com a VIDA d’ELA, y a do Homem q mais DESEJA. ESTÁ NO CIO, COMO O SEU FREGUÊS ANTERIOR ESTAVA, y geralmente todos seus Freguese$$$$

Uma CADELA… APAIXONADA
TRAGICAMENTE APAIXONADA
DISPOSTA A MATAR Y MORRER POR PAIXÃO AOS GOZOS MÚLTIPLOS MISTERIOSOS Q SEU CAFETÃO LHE DÁ…!!!…

ENTão o q passa
o Próprio MARCELO VADO
ameaçado por essa fúria d MÊNADE,
ao mesmo TEMPO TOCADO POR NãO SE SENTIR GENTE
quero dizer: mergulhado no sentir d sua TRAGÉDIA COMO CAFETÃO
 
OS PAPÉIS se Invertem
ele é posto CONTRA A PAREDE PELA NAVALHA

aí ele encontra sua condição perdida d GENTE NO PAPEL DE CAFETÃO
y passa por uma Catarsys
tudo q ele diz
é o q é mesmo,
ele se sente
um ser humano apaixonado mesmo
q sabe q usa a Máscara d Cafetão pra Profi$$ionalmente se Impor diante da Puta
é a hora da DESHÓRA
onde todos os PAPÉIS SE DERRETEM
y vem à TONA a GENTE MESMO
ambos atingem na Tragédia a condição radical humana d desproteção, fragilidade, d viver, d ser a perigo, PERSONA-GEN d gente…DESFEITA NÊLE

Y Neusa Suely ACREDITA MESMO, SEM SOMBRA D NENHUMA DÚVIDA, no q VADO DIZ
quando ela vai se entregar ao seu DESEJO MáXIMO D LIBIDO AMOR
talvez ambos si encarem por um minuto
reconhecendo o profundo AmorPaixão d Pica q existe entre eles
e então
MARCELO VADO foge, com muito mais medo d sua Paixão por Neusa Suely
y do q ela implica em ambos tomarem a decisão d serem GENTE
y saia correndo de seu Destino Trágico
mesmo q Neusa diga q foi falsidade, lábia dele…
ela acredita nas palavras q ele disse porque o ATOR MARCELO VADO, nesse instante, descontrói seu CAFETÃO diante do Público e foge, talvez, levando restos d sua Máscara d Cafetão
ou não
joga os Dollares fora?

Em 68
nós tínhamos essa visão Trágica da Vida
Pasolini mostrou muito bem isso em Teorema
Dostoiewiski também, no Idiota, na cena em q o $$$$ é queimado

Sinto q a Civilização Ocidental já cagou,
já foi cagada  
estamos sobrevivendo com o entulho dela

Nós temos d nos colocar em questão em Cena
como faz o Antropólogo Eduardo Viveiros d Castro em seu Último Livro, através do nome do seu Último Livro: METAFÍSICA CANIBAL.
Ele vai fazer um looping da Antropologia da Visão sem saber do Outro dos Antropólogos antes d Levy Strauss, para uma Antropologia sobre nós mesmos, os Brancos, criando uma Antropologia em cima da Cultura Ocidental, através do Olhar do OUTRO,
do ÍNDIO
do ANTROpÓFagO
sem piedade

MERDA

*NAVALHA NA CARNE está em cartaz no Teat(r)o Oficina
Texto: Plínio Marcos
Direção: Marcelo Drummond
Elenco: Marcelo Drummond, Sylvia Prado e Tony Reis
Arquitetura cênica: Carila Matzenbacher, Marília Gallmeister
cenotécnico: José Dahora
Direção de cena: Otto Barros
Luz: Luana Della Crist, Pedro Felizes
Cinema ao vivo e comunicação visual: Igor Marotti, Pedro Salim
Figurino: Vera Valdez
Camareira: Cida Melo
Maquiagem: Diogo Souza Vicchietti
Sonoplastia: Jean Carlos
Som: Anders Rinaldi
Desenho coreográfico: Rodrigo Andreolli
Assessoria de imprensa: Beto Mettig
Bilheteria e produção executiva: Anderson Puchetti
Café: Dani Rosa

Data: De 17 de outubro a 08 de novembro.
Local: Teat®o Oficina (Rua Jaceguai, 520. Tel: 11. 3106-2818).
Ingressos: R$40,00 (inteira), R$20,00 (meia) e R$5,00 (moradores do Bixiga). Compras na bilheteria do teatro (uma hora antes de cada sessão). Para comprar online no site da Compre Ingressos, aqui.
Horários: Sábados em duas sessões, às 21h e 23h, e domingos, às 20h.
Indicação etária: 16 anos.
Duração: 60 minutos.

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