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Arquivo mensal: fevereiro 2016

ze e jornalistas

Por Silas Martí

Em viagem ao Brasil, os integrantes do programa Knight-Wallace Fellows, bolsa de estudos para jornalistas coordenado pela Universidade de Michigan e que tem parceria com a Folha, visitaram alguns marcos arquitetônicos de São Paulo.

Na porta do Teatro Oficina, o grupo esperava para ver o espaço que o diário britânico “The Guardian” chamou de melhor teatro do mundo no fim do ano passado. José Celso Martinez Corrêa, que fez desse lugar no Bexiga, centro paulistano, um dos pilares da contracultura e de vanguarda nas artes cênicas desde os anos 1980, saiu na calçada e cumprimentou a turma. Logo depois, mandou escancarar as portas do Oficina e pediu que entrassem.

“Onde está o palco?”, perguntou uma jornalista turca. “Isso é o palco”, respondi, enquanto caminhávamos sobre a trilha de madeira que atravessa de ponta a ponta, como uma rua, o espaço desenhado pela arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914-1992). Um pouco antes da visita ao Oficina, os jornalistas haviam passado pelo Masp, outro projeto da arquiteta, e já começavam a entender que o grande lance em suas obras é a transparência.

Zé Celso fala para os fellows do Zé Celso fala para os integrantes do Knight-Wallace Fellows (Foto: Joel Silva/Folhapress) Todos ficaram impressionados com a janela imensa na lateral do teatro que revela o que, por enquanto, ainda é um terreno vazio ao lado do Oficina. Há duas semanas, uma reportagem da Folha revelou que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional deve autorizar o braço imobiliário das empresas do apresentador Silvio Santos a construir três torres de 28 andares ali, o que mergulharia na penumbra o interior luminoso do teatro —para os novos prédios saírem do papel, no entanto, órgãos de preservação do patrimônio do Estado e do município precisam estar de acordo com a permissão em nível federal.

Essa batalha, que se arrasta há mais de duas décadas, foi o principal assunto de Zé Celso com os jornalistas da Universidade de Michigan. Ele chamou todos de “correspondentes de guerra, uma guerra pela cultura”. Falando em português, o dramaturgo teve suas palavras traduzidas em tempo real para o inglês por Rodrigo Andreolli, um dos atores de sua trupe.

Numa espécie de discurso-performance, Zé Celso mostrou a árvore plantada no interior do teatro por Lina Bo Bardi e detalhes da estrutura do prédio, que seria a fusão de um terreiro de candomblé e uma ópera italiana. Enquanto falava, outros atores de sua companhia Uzyna Uzona subiam e desciam pelos andaimes que envolvem a plateia do Oficina —a piada entre os jornalistas era como será que o teatro faz para pagar o seguro desses atores que se arriscam se pendurando nas alturas.

Depois da palestra, Zé Celso e seus atores levaram o grupo para conhecer o terreno ao lado do teatro, espaço que agora disputam com o Grupo Silvio Santos. Nas laterais do terreno, marcaram onde os muros devem ser derrubados, abrindo o lote para as ruas do entorno, como Abolição e Japurá, lembrando que Bo Bardi imaginara um teatro que ficasse no cruzamento de uma arena livre no meio da cidade, uma espécie de ágora ou anfiteatro.

Outra pergunta que se repetiu muito entre os fellows era qual seria a chance real de Zé Celso conseguir o que quer. E ele voltava sempre a dizer que essa se trata de uma guerra que precisa de seus correspondentes.

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Lina Bo Bardi. Teat(r)o Oficina. 1980-1984

Neste sábado, 20 de fevereiro de 2016, às 17h, o Teat(r)o Oficina abrirá suas portas para um grupo de 20 jornalistas internacionais, vindos de diferentes países – entre eles Venezuela, Coreia do Sul, França, Turquia e Estados Unidos – todos bolsistas da Universidade de Michigan, EUA, acompanhados por Silas Martí, repórter de artes visuais do jornal Folha de São Paulo, interessados em conhecer a obra viva dos arquitetos Lina Bo Bardi e Edson Elito, tanto quanto em (re)conhecer a situação atual do Teat(r)o Oficina em relação ao entorno – disseminando pelo mundo o cordão dourado de artistas coroados, capazes de impedir o $erco das ToRRes e de criar a demarcação destas terras com o poder da cultura.

Nos últimos anos, a obra da arquiteto Lina Bo Bardi vem sendo redescoberta por arquitetos e artistas do Brasil e de toda parte do mundo, virando matéria-prima para exposições, mostras, livros, reedições de publicações e debates, plugando e atraindo um coro de estudantes de toda a parte do mundo para conhecer a atualidade das suas obras.

De projeção internacional, que ganhou ainda mais potência com a celebração de seu centenário, no 5 de dezembro de 2014, e inspirou exposições pelo mundo a fora: The insides are on the outside / o interior está no exterior, no Brasil, de curadoria de Hans Ulrich; Lina and Gio: The Last Humanists, em Londres e a participação de Lina na exposição Latin America in Construction: Architecture 1955-1980, no MOMA, em Nova York em 2015; o que se vê é o aumento da multidão de interessados em redescobrir e contracenar com as suas obras como real alternativa ao modelo mercantilista e progressista, mais do que esgotado da arquitetura pós moderna e contemporânea.

Desde então, o Teat(r)o Oficina recebe estudantes, professores e escritórios de arquitetura, numa avalanche de artistas seduzidos pela radicalidade de sua obra síntese. Passaram pelo Teat(r)o estudantes internacionais da Universidade de Leuven, na Bélgica;  da Escuela de Arquitectura de la Universidad San Pablo, Madrid; da Royal College of Art, de Londres; da Columbia University de Nova Iorque, da Escuela Técnica Superior de Arquitectura de Barcelona; da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa; da ETH de Zurique; do Department of Architecture and Arts – IUAV Universidade de Veneza; escritórios de arquitetura de grande renome como o Sanaa de Kazuyo Sejima e  Ryue Nishizawa, vencedores do prêmio Pritzker em 2010; o escritório Aires Mateus, nomeado para o prêmio Mies van der Rohe em 2013;  Além destes, jornalistas e outros tantos interessados em arquitetura, arte e teatro, como Finn Beames vencedor do prêmio Lina Bo Bardi Fellowship do British Concil; o professor David M. Trubek da Harvard Law School; e muitos estudantes de arquitetura, urbanismo, teatro e artes das mais diversas escolas e regiões do Brasil e do mundo.

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O filósofo Nuccio Ordine / EFE

Em seu novo ensaio, o italiano Nuccio Ordine critica a “ditadura do proveito”, o utilitarismo da educação e o pouco interesse da política pelos bens do espírito. Matéria postada no site do El País.

 

O noticiário policial de 26 de dezembro de 2013 em Paris relata que um escritor desesperado, farto de instituições indiferentes à sua paixão pela cultura, arremessou seu carro contra os portões gradeados do Palácio do Eliseu. O motorista, Attilio Maggiulli, não pôde suportar o que considerava um desprezo oficial ao projeto da sua vida, o Théâtre de la Comédie Italiénne – que perdeu quase 50% de financiamento público em três anos –, e não encontrou melhor maneira de apresentar suas queixas do que carimbar sua indignação contra a residência oficial da presidência da República Francesa.

Até aqui tem-se o resumo da história de Maggiulli. A notícia remete, no entanto, à história de outro escritor indignado, o professor italiano Nuccio Ordine (nascido em Diamante, região da Calábria, daí o nome Diamante Ordine em sua certidão de batismo). Com personagens iguais ou parecidos – uma cultura apunhalada, uma educação asfixiada e um povo adormecido –, Ordine, de 55 anos, preferiu usar a palavra para atacar a ignorância das instituições e alertar sobre seus efeitos para a cidadania. Se deixarmos que nos roubem o legado de nossos antepassados e que se mutile o conhecimento, alerta, não apenas deixaremos de ser pessoas cultas, como também todas as gerações futuras deixarão de ser pessoas em sentido estrito.

O veículo usado por Ordine para seu grito profético é o manifesto chamado L’utilità dell’inutile “(A utilidade do inútil”, sem tradução no Brasil). Na Espanha, o ensaio foi publicado por Jaume Vallcorba, fundador das editoras Acantilado e Quaderns Crema, e traduzido pelo professor de Filosofia Jordi Bayod Brau.

“A barbárie do útil corrompeu nossas relações e afetos íntimos”

Ordine, professor de prestigiosas universidades, especialista em Renascimento e diretor de várias coleções de clássicos da editora Belles Lettres, de Paris, se diz “emocionado” pela recepção de seu livro em Barcelona, onde foi apresentado recentemente, e em Madri (onde foi apadrinhado por Fernando Savater). “As pessoas me abraçavam e me agradeciam. Um estudante me disse: ‘Decidi estudar Filosofia e Paleografia contra a vontade de meu pai, que me perguntava para que isso servia. Seu livro confirmou minha decisão”, relembra.

A tese central do livro pode ser resumida na ideia de que a literatura, a filosofia e outros conhecimentos humanísticos e científicos, longe de serem inúteis – como se poderia deduzir por seu progressivo isolamento nos planos educacionais e nos orçamentos ministeriais –, são imprescindíveis. “O fato de [tais conhecimentos] serem imunes a qualquer expectativa de benefício” representa, segundo o autor, “uma forma de resistência aos egoísmos do presente, um antídoto contra a barbárie do útil, que chegou a corromper inclusive nossas relações sociais e nossos afetos íntimos”. 

Como em um coro grego, Nuccio Ordine monta uma defesa do conhecimento apoiando-se nos autores que o precederam em sua empreitada. Dante, Petrarca, Moro, Campanella, Bruno, Bataille, Keynes, Steiner, García Márquez, Cervantes, Shakespeare, Platão, Sócrates, Sêneca, Heidegger, Cioran, García Lorca, Tocqueville, Hugo, Montaigne… Eles são recrutados e contextualizados para mostrar “o peso ilusório da posse e seus efeitos devastadores sobre adignitas hominis, o amor e a verdade”.

Por que este livro? “Há 24 anos venho tentando convencer meus alunos de que não se frequenta a universidade para obter um diploma, mas para tentarmos ser melhores, isto é, para aprendermos a raciocinar de forma independente.” Para Ordine, a transmissão do amor pelo conhecimento é um esporte de combate. E isso implica desmontar algumas ideias materialistas difundidas pelo sistema capitalista. “As pessoas pensam que a felicidade é um produto do dinheiro. Estão enganadas!”, afirma.

Tal pretensão já se estendeu para todos os âmbitos. “O utilitarismo invadiu espaços aonde nunca deveria ter entrado, como as instituições educativas”, denuncia o professor. E alerta: “Quando se reduz o orçamento para as universidades, escolas, teatros, pesquisas arqueológicas e bibliotecas, a excelência de um país está sendo diminuída, eliminando qualquer possibilidade de formar toda uma geração”.

 

CURRÍCULO BRILHANTE

Nuccio Ordine é filósofo e professor de literatura italiana da Universidade da Calábria. Lecionou na Universidade Yale, na Universidade de Nova York, na Sorbonne (Paris) e no Instituto Warburg (Londres). Desde 2012, é cavaleiro da Legião de Honra francesa.  A Utilidade do Inútil é o seu mais recente ensaio.

O autor também se apoia em um discurso de Victor Hugo – em 1848! – diante da própria Assembleia Constituinte da França, onde o escritor pronunciou estas palavras: “As reduções propostas no orçamento especial das ciências, das letras e das artes são duplamente perversas. São insignificantes do ponto de vista financeiro, e nocivas de todos os outros pontos de vista”. Ordine diz que, ao ler esse discurso, deu um pulo até o teto e se apropriou das teses de Hugo ao afirmar (exclamar, na verdade) que “nas épocas de crise é que se deve dobrar o orçamento para a cultura!”.

O manifesto inclui também um texto premonitório de Abraham Flexner, publicado em 1939, que prega a importância da ciência. “Queria que ficasse claro que a defesa do inútil [o que não é ligado ao objetivo de lucro] não diz respeito somente a escritores e humanistas, mas é uma luta que também preocupa os cientistas”, explica Ordine. “O Estado não pode renunciar à ciência básica [por causa dos benefícios advindos]; por isso escrevi um capítulo dedicado às universidades entendidas como empresas.”

“Em épocas de crise é preciso dobrar o orçamento para a cultura”

A Utilidade do Inútil não é apenas uma série de argumentos contra a tendência ao utilitarismo ou o “comércio satânico” (Baudelaire): é também um manual para superar o que o autor do livro chama de “o inverno da consciência” e para lembrar, com Montaigne, que “é o desfrutar, não o possuir, que nos faz felizes”

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Hoje:  1° dia de “Em Cena ao Vivo para Viver” Mais no evento.

Com a presença de Renato Borghi em cena d’O Rei da Vela

 

Eu queria muito ir ver a peça das Guerrilheiras do Araguaya, no sábado, mas tive q ficar escrevendo o Roteiro q vai ser apresentado Hoje.

Gabriela Carneiro da Cunha, atriz do espetáculo me passou este email q tem tudo a ver com a noite de hoje, à começar com a cabeça do Email:

“Guerrilheiras do Araguaia na guerra pelo melhor teatro do mundo!”

“ESTAMOS COM VOCÊ NESSA GUERRA! GUERRILHEIRAS DO ARAGUAIA E BACANTES TODAS JUNTAS! O Secretário dos Direitos Humanos, Eduardo  Suplicy,  foi nos ver, foi um lindo encontro por vários motivos. Ele disse que vai hoje de novo pra rever a peça com o Genoino. O combinado é uma cantoria de Bob Dylan no final!!! Não sei o que vai passar, mas de qq maneira, algo sempre pode acontecer. O espaço está aberto (Dionísio quem falou) se você quiser depois da peça expor a situação da Guerra pelo melhor teatro do mundo!!!!”

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Cena de Guerrilheiras ou para a Terra não há Desaparecidos (Foto: Elisa Mendes)

 O q aconteu: Eduardo Suplicy me ligou ontem, domingo à tarde, dizendo q tinha ido ver a peça no sábado y foi aí q ficou sabendo do que acontecería hoje à noite no Teat(r)o Oficina. Me dizia q estava faltando divulgação. Então, depois de ir rever com Genoino a peça das Guerrilheiras do Araguaya, passou pelo Oficina, pra tirar uma foto comigo, pra divulgar em seu Facebook. Levava consigo o belíssimo livro montado por seu filho. O Grande Roqueiro Supla , q deve ser lançado esta Semana. No Livro havia uma dedicatória muito linda, q começava mais ou menos assim :… ao melhor Pai do Mundo.

Há um trecho em q Supla abre seu coração para Silvio Santos, uma verdadeira declaração de amor. Linda! Pois foi com Silvio q ele estorou com a maravilhosa Barbara Paz no pioneiro Big Brother do Brasil : “Casa dos Artistas”.

Graças à esta amizade, Supla conseguiu q Silvio Santos fosse pela primeira vez na vida, visitar o Teat(r)o Oficina. Fiquei muito feliz nesta lembrança: o amor deles é tanto q pode fazer um milagre neste $erco de Torre$$$, no “Entorno Tombado do Oficina” : $izan empreendimentos Imobiliários, ligada ao Grupo Silvio Santos.

Ele me mostrou um texto lindo q escreveu, pra divulgar na noite d hoje, no Oficina.  Pena não ter aqui, mas com uma linguagem bastante política, valorizando o evento. Este fato é uma demonstração de que Suplicy exerce seu Poder Humano no Cargo q ocupa. Poucos políticos atrevem-se a  exercer seu Poder assim. Em todos os postos políticos q ocupou até hoje, sempre  exerceu. Neste texto ele demonstra sua excelência, seu talento como Político, y valoriza a  Secretaria dos Direitos Humanos d SamPã.

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Começamos então com o único Ensaio corrido do $how Beneficiente de hoje: “Em Cena ao Vivo pra Viver” q tem hoje sua 1ª Apresentação.

Conseguimos reunir nestes dias de Férias 5 artistas : os Atores Marcelo Drummond, Roderick Himéros, Joana Medeiros, o Dançarino Rodrigo Andreolli q está dirigindo a Maquina de Cena, os Iluminadores Luana Della Crist y Pedro Felizes, o Teknico da Arte do Som no Espaço Sonóro y tocador de Cítara Rodox, juntamente com o técnico d Som: Leandro Costa , a Co-Diretora comigo sempre, Poeta, Catherine Hisrch.

Hoje  chega Camila Mota q terá no final uma participação Cacíldica no Acontecimento.

O Ensaio Rolou. Fiz sem microfone, deu votade d fazer acústico, menos nos momentos de canto com o Piano.

Conseguí atuar em todas as Galerías.

Mas chego de volta ao apê do Paraíso, onde moro pra pegar meu Cartão de Crédito.

Incrível quando se toca no Tabu do  Dinheiro, como vai ser o caso, acontece este mistério. O Cartão está aqui, tenho certeza, mas onde, não conseguimos encontrar. Aguardo a hora do almoço com a chegada de Marilda, a  nossa Grande Cozinheira Mãe de Santo pra ver se ela encontra. Marilda é uma Rabdomante, sabe trabalhar com a energia q encontra coisas perdidas. Senão vou ter d fazer o q se faz nesta situação y constar com essa circunstância no enredo da peça de hoje à noite. Até daqui a pouco…

 

TyZérias

 

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Ió!

Você pode destinar parte do seu IR para o projeto Oswaldianas 2016! A Associação Teat®o Oficina Uzyna Uzona teve seu plano anual de atividades 2016 aprovado na Lei Rouanet; a doação pode ser abatida em até 100% da sua declaração anual do ano seguinte.

Apoie a Companhia de Teatro há mais tempo em atividade no Brasil!
Financie o melhor teatro do mundo, segundo o jornal The Guardian (UK)!

Fundada em 1958, a Companhia Teatro Oficina transformou-se em Associação Teat®o Oficina Uzyna Uzona no ano de 1984, misturando artistas em co-criação, em ritos teatrais, musicais, audiovisuais, artes plásticas, arquitetura, urbanismo. Constituiu-se como uma Companhia múltipla e singular frente as formações teatrais e demais companhias existentes hoje, não só pelo número de componentes e pelo amplo repertório trabalhado, mas principalmente pela variedade de gerações presentes partilhando conhecimentos e processos de criação. Mais que um grupo, o Teat®o Oficina é um movimento.

Em 2015, a Associação Teat®o Oficina Uzyna Uzona realizou a proeza de manter-se em cartaz em um ano de crise absoluta. A Companhia, desde a sua fundação, já atravessou inúmeras crises e se reinventou esteticamente a partir da relação concreta com o tempo, o espaço e o corpo dos atuadores do Teatro Total. Nas crises se cria, quer se queira ou não.

Uma companhia de teatro permanente é um laboratório humano, um microcosmo de experiência coletiva – um dos grandes desafios da contemporânea idade. Em uma companhia se desenvolve o ser estar, o viver coletivo respirando a Criação na Crise.

Pelo seu porte, estrutura e necessidade constante de manutenção, o Teat®o Oficina não consegue apenas com a renda das bilheterias manter seu trabalho artístico, cultural e a sua sede – uma obra de arte de Lina Bo Bardi e Edson Elito, premiada na quadrienal de Praga, tombada nas três instâncias de patrimônio e, recentemente, eleita por Rowan Moore, crítico de arquitetura do prestigiado The Observer/The Guardian (UK), como o melhor teatro do mundo, não só por sua arquitetura, mas também pela intensidade de seus espetáculos óperas de carnaval.

A BIGORNA, lugar onde se forja o ferro e o corpo, onde se transforma e interpreta a vida, é símbolo da companhia desde 1958. Uma bigorna de ferro foi colocada por Lina Bardi na fachada na Frente, na Cabeça.

O cultivo da cultura da Associação Teat®o Oficina é inseparável do edifício da Rua Jaceguay 520, e seu entorno no Bairro histórico do Bixiga. As transformações que acontecem no edifício simultaneamente alteram as práticas do Teatro Total e vice versa. A perspectiva antropófaga foi fundamental para o desenvolvimento de uma nova relação com o público e com o espaço através do renascimento dos Coros Dionisíacos no Brasil, o espaço cênico como área de atuação e retomada do contato anímico-físico com o público, como no Carnaval, no Candomblé, nos Rituais Indígenas.

Nesse tempo, o Oficina recebeu e contracenou com público sempre renovado pelas novas gerações.

Manter um teatro é muito caro. Manter um teatro obra de arte é muito mais. Exige profissionais especializados, qualificados e com afinidade estética tanto com o projeto arquitetônico quanto com o trabalho da Companhia no Mundo Contemporâneo. O Teatro, neste momento de maior desigualdade na história da humanidade, é a Arte mais desprezada. A realização de seus projetos, sobretudo na busca de um teatro de multidão, necessita investimento e patrocínio.

Como apoiar:

pessoa física – optante pela declaração completa, pode ter doações deduzidas de até 6% do IR.
pessoa jurídica – tributada pelo lucro real, pode ter doações deduzidas de até 4% do IR.

Oswaldianas – PRONAC 159692

Escreva para incentivo@teatroficina.com.br e enviaremos o passo a passo e a conta indicada para depósito

tizerias + cacilda

TyZÉRias e Cacilda no Baile das Torres, prestes a semear o terreno do entorno cercado. Foto: Mário Pizzi

zé,

acho q como bateu,

atingiu as pessoas,

sobre a importância de tirar a corda do seu pescoço,

mas é também fundamental atingir, chegar, bater,

q sua situação está nesse ponto também – e muito – pela diminuição radical de investimentos no trabalho da cia em 2015.

o dinheiro no ano da crise foi muito pouco – por volta de 40% do q ganhamos em 2014.

isso fez com q experimentássemos um tipo de comuna, com os cachês equivalentes, já q não faria sentido fazer distinção de salários – o mínimo seria pouco demais.

assim, você com 57 anos de teatro, ganhou a mesma coisa q atores ainda muito inexperientes.

criamos bastante na crise, com menos patrocínio, produzimos como coelhos pra manter o teatro aberto e ganhar bilheteria – pra dar um fim no juízo de deus, de artaud, o banquete de Sócrates, platão e zé celso, navalha na carne, de plínio marcos, com direção de marcelo drummond, q estreou no sesi num festival, o festival de música das bandas do oficina, a segunda dentição da universidade antropófaga e mistérios gozosos, a partir de o santeiro do mangue de oswald de andrade – estes dois últimos como parte do projeto oswaldianas, teato na cidade seca sobre rios, patrocinado pela petrobras.

os espetáculos, desde os sertões, tem uma multidão na equipe – por volta de 60 pessoas.

ainda não caiu a ficha d q o trabalho é muito caro e valioso. exige dedicação, e iríamos muito mais além se tivéssemos condições de pagar bem ao time q não só monta e atua nos espetáculos, mas está ligado no tudão, na manutenção do espaço, na concepção da expansão urbana, na continuidade do projeto de lina bo bardi e da linha estética da companhia, q existe desde 1958.

a petrobras tem sido muito importante pra cultura,  e é a cultura é q vai fazer a reciclagem da empresa, passando do petróleo, em fim d Éra, pra produção d Energías renováveis.

o patrocínio da petrobras é muito importante, aliás, fundamental – é uma base de investimento q sustenta a continuidade do trabalho, mantém o fogo aceso do núcleo da companhia, como aquelas chamas eternas das refinarias – é muito bonito ver de vários pontos da baía de guanabara aquelas torres piras da refinaria d duque de caxias.

mas, além disso, precisamos de plataformas, navios…

da petro vem o patrocínio d manutenção da companhia, que por 11 anos seguidos vem garantindo a continuidade do nosso trabalho – é o q nos permite não parar.

mas não é suficiente para manter a companhia o ano todo + a montagem de um espetáculo inédito + manutenção do melhor teatro do mundo segundo o jornal The Guardian. 

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além do prédio do teatro oficina, q é de propriedade do estado de são paulo, mas tem todas as despesas – água, luz, limpeza, reparos – inteiramente mantidas por nós, posseiros, a cia mantém a casa de produção, um depósito de objetos de cena na rua são domingos, um acervo de figurinos na rua major diogo, e um depósito no sacolão, embaixo do minhocão, para grandes objetos.

além da montagem dos espetáculos, existe uma despesa mensal para esse acervo e para o time q realiza esse trabalho.

isso sem falar na necessidade de treino dos atores e cyberartistas, nos trabalhos diários de música, dança, tecnologias, estudos…

recebemos em 2015 R$ 1.000.000,00 do nosso patrocínio de manutenção da petrobras, o q é muito dinheiro, mas imaginem quanto custa idealmente um ano de trabalho:

equipe: R$ 2.160.000,00 

60 artistas x  12 meses x RS3.000,00 (um valor médio mínimo q possibilitaria dedicação exclusiva)

manutenção dos espaços: R$ 360.000,00

R$30.000,00 x 12 meses (aluguéis d depósitos + contas de água, luz, telefones, internet, funcionários de limpeza e zeladoria, etc…)

produção da montagem de espetáculo inédito: R$ 200.000,00

(gastos com arquitetura cênica, figurinos, material gráfico, montagem e equipamentos de luz e vídeo, gastos com lâmpadas de refletores e dos projetores audiovisuais, manutenção de microfones sem fio – q são muitos pois o elenco é gigante…, investimento em mídia paga…)

estes três itens somados dão R$ 2.720.000,00

e não contamos viagens com os espetáculos (as quais exigem adaptação de espaços, locação de equipamentos e transporte, alimentação e hospedagem pra 60 pessoas), nem gastos com a produção de espetáculos do repertório…

por tudo isso, precisamos de outros patrocinadores como a petrobras e de investimento direto, como as instituições de arte do mundo inteiro recebem apoios inumeráveis de mecenas generosos, q pagam pela existência daquele valor cultural.

sampã, 13 d fevereiro,

camila cacilda mota + TyZÉRias