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Arquivo mensal: julho 2016

 

 

A Deputada Luiza Erundina, que traz no corpo a experiência do Sabor, Dissabor e Saber da vida vivida, em seu programa de governo, em construção, para a disputa da prefeitura de Sampã, capital do Capital, colocou em primeiro plano uma pauta esquecida e fundamental na arte política: CULTURA.

O esquecimento dessa pauta, não só no período eleitoral, mas no dia a dia das articulações de poder está diretamente ligado à decadência da política, revelada em cadeia nacional, no show de horrores ao vivo na tv dos canastrões e canastronas que esbanjaram sua burrice, sua ignorância, no dia 17 de abril, na votação do impeachment da presidenta Dilma Roussef pela câmara dos deputados.

É urgente inventar novas formas de re-existência na política, na cultura, na vida; e é fundamental que as propostas políticas para sam pã sejam potências de insurreição, pra virar pelo avesso as estruturas de um pensamento político arcaico.

É preciso contracenar com a cidade, com os seus múltiplos movimentos, com as fissuras, com a memória, com a arte e a cultura libertas do capital financeiro, livres da especulação imobiliária, que sufoca a terra e todo o fogo d criação.

Ficamos comovidos com a coragem de Erundina em expor em seu Programa Cultural a libertação do Teat(r)o Oficina dos impedimentos de sua luta histórica de 36 anos, em tornar seu entorno tombado por todos os órgãos de preservação um espaço público das Artes Cênicas de Encenações dos Teatros Antropófagos Municipais e Mundiais.

A divulgação aqui do programa para a cultura da candidatura de Luiza Erundina e Ivan Valente, em construção, revela nosso desejo de que todas as demais propostas políticas, os demais partidos, candidatas, candidatos, seus eleitores e eleitoras, possam se excitar e apresentar a São Paulo uma real política d insurreição, com a cultura como paradigma de libertação das ordens dos mercados.

luiza erundina

PROGRAMA DE CULTURA

PARA A CANDIDATURA A PREFEITURA DE SÃO PAULO

LUIZA ERUNDINA e IVAN VALENTE

“Onde há vida há inacabamento” (Paulo Freire).

Nós somos o que fazemos de nós e nos fazemos e refazemos a cada momento, como indivíduos e como sociedade. Por isso, queremos juntar a enorme força e diversidade da cidade de São Paulo, com a energia para melhorar a vida. Daí: Vida, utopia e imaginação!

A Cultura é fundamental. Não pode ser uma política isolada nela mesma. É a seiva que deve alimentar e vitalizar todas as políticas públicas de gestão de uma cidade. Tudo é Cultura! Quando são prestados serviços de educação, saúde, transporte, enfim, de qualquer serviço público, há que ter um componente cultural no sentido de se realizar de modo a respeitar a experiência, a origem cultural e de vida das pessoas. Tudo é Cultura!

Cultura é arte, são as habilidades humanas, comportamento, atitudes, valores. Cultura é a maneira pela qual expressamos nossa humanidade, criamos uma vida em comum. Cultura é o lugar da diversão e da luta. Assim, buscamos inventar uma sociedade justa para todos e todas.

A cultura se expressa em todos os lugares, das relações cotidianas à economia. Partindo deste entendimento, o programa de governo de Luiza Erundina para prefeita de São Paulo e Ivan Valente para vice, trata a Cultura como uma questão central e transversal.

Um valor maior, que atravessa e alavanca todos demais setores e segmentos econômicos e sociais da cidade.

 

“Além de intenções e possibilidades, nosso Programa coloca a cultura da cidade com destaque no Plano de Governo alavancando o poder criativo e econômico
gerado todos os dias na riqueza e diversidade,
que a cidade de São Paulo sonha e realiza”.

Os desafios são grandes e motivadores, uma vez que alavancam grandes perspectivas. A cidade de São Paulo é maior que muitos países, com grandes complexidades para serem administradas. São múltiplos os equipamentos culturais, com diferentes apelos de administração, programação e público.

A produção cultural é intensa nas inúmeras peças de teatro, apresentações musicais, mostras de artes plásticas, escolas de samba, festas populares, saraus, oficinas culturais e artísticas mais diversas, bibliotecas e acervos tangíveis e intangíveis.

O fomento para a articulação e a produção cultural e artística na cidade compreende diversos desafios para uma construção coletiva, e não somente particular, de cada iniciativa e proposta apresentada para o incentivo municipal.

Dos Guarani em Parelheiros, Marsilac e Jaraguá às fábricas de software do centro de São Paulo, a cultura perpassa inúmeras atividades na cidade, que foi palco da Semana de Arte Moderna de 22, das Bienais Internacionais no Ibirapuera, do Teatro Arena, do Oficina, do CPC, das Bienais do Livro, metrópole cenário de inúmeros filmes e livros.

Uma cidade que pulsa programação intensa todos os dias, gerando milhares de empregos criativos para quem produz, participa, promove e apoia.

Outro aspecto que compreende nosso diálogo com a cidade para uma política cultural ampla, democrática e transparente com a cidade é a integração e parcerias com a Educação. Afinal, cultura e educação são palavras que não podem ser lidas separadamente.

 

Ser um agente que empresta suporte e visibilidade para esse cenário encantador em diversidade e volume é a principal tarefa dos desafios da administração da cultura na cidade.

Por isso, para o nosso Programa Cultural, do passado vamos dinamizar os acertos, para o presente vamos oferecer soluções inteligentes, mas é o futuro, a sua maior marca.

“Política Cultural é construir bases objetivas para o desenvolvimento das potências criativas humanas, projetando novos horizontes sociais, menos desiguais e mais democráticos, para que possamos crescer economicamente e nos encantando com as belezas que a cidade de São Paulo proporciona”.

 

ALGUNS APORTES PARA PENSAR A CULTURA

Vivemos uma crise social, econômica e política, mas, sobretudo cultural. Grande parte desta crise tem origem num longo processo denominado colonialidade do poder que se impôs ao invés da colonialidade do ser (diferentes formas de existir), do saber (várias formas de conhecimento) e da natureza (água, terra, corpos, etc.) estabelecido, primeiro pela Europa e depois pelos EUA.

Este padrão permanece até os dias de hoje para a acumulação do capital e a manutenção de uma realidade imersa em relações de poder: da exploração de uns sobre outros, da exploração do Capital sobre o trabalho, da dominação do masculino sobre o feminino, da hierarquia de culturas, da massificação dos indivíduos, da violência, do terrorismo e do medo como formas de controle, das divisões de classe, étnica e da exploração da natureza.

Para além da dominação e exploração econômica e social, há um processo de colonização de saberes e imaginários por meio de todas as instituições que regem a vida social: o Estado, a Cultura, a Educação. Impondo, desta forma, comportamentos, crenças e valores sobre a forma de viver, pensar e sentir do mundo; tudo isso se dá através de uma dimensão cognitiva, que envolve memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e linguagem.

Uma perspectiva emancipadora de Cultura pressupõe sua reconceitualização como uma dimensão (e não uma esfera separada de outras) que perpassa toda a vida: as formas de ser, de saber e a natureza.

Somos um povo diverso e misturado e que não para de crescer em sua diversidade e mistura, essa é a nossa beleza enquanto povo e, por isso mesmo, nos propomos a resgatar nossas sementes mais profundas de ética, filosofia e ação cultural e política.

“Por uma Cultura do Bem Viver, conforme nossos irmãos ameríndios desenvolvem há milênios, pela valorização do círculo, da roda e da ciranda, conforme nossas tradições ancestrais africanas expressas no sentimento de Ubuntu (humanidade), pela reinvenção das utopias a partir do encontro mais profundo com os ideais de liberdade, igualdade, fraternidade e que agora se reencontram com a natureza a partir do ecossocialismo”.

 

Para tanto é preciso ver a Cultura

A FILOSOFIA

Esta devolve à cultura o seu sentido de valor, através do qual as questões estéticas interrompem o processo mercadológico, devolvendo o sentido às expressões coletivas e resgatando a dimensão simbólica da política. Somente a partir da Cultura poderemos produzir formas de viver, pensar e imaginar a vida em alternativa à ordem mercadológica que se faz no tempo do capital, da venda, e da quantidade de receptores passivos da obra de arte. Portanto, significa ver a cultura como estetização da vida, exigindo também uma reconceitualização da arte.

A ARTE

Como expressão mais sensível da habilidade humana, a Arte não deve ser encarada apenas como uma representação da vida, passando ser a própria vida. Isto implica que toda e qualquer linguagem pode ser vista como arte, ultrapassando, assim, a ideia de que arte se restringe a fazer música, dança, teatro, podendo ser encontrada em tudo que as pessoas fazem, desde o pão, a casa, as roupas. Como nos ensinam os povos indígenas e tradicionais, tudo que a humanidade faz nos representa e deve ter uma dimensão estética, devendo ser executado com a maior beleza e perfeição. Assim, a arte deixa de servir ao artista para servir às pessoas, possibilitando a liberdade de construção de seu próprio discurso para se tornar sujeito de sua própria história. A recepção passa a ser fruição, e a produção se transforma em criação e processo, ou seja, conhecimento. Trata-se, de uma articulação entre Arte, Estética e Conhecimento para produzir uma cultura voltada para a compreensão, reprodução e transformação do sistema social e da própria vida.

Cultura como conjunto de projetos

Que englobem um pensamento interdisciplinar, em que tudo está integrado e pode ser construído através da arte, buscando criadores e participantes para além de espectadores. Incluindo as diferentes formas de conceber e conhecer o mundo baseadas em distintos sistemas de símbolos que são pré-requisitos da Cultura. Não importa o que é arte, mas o que ela pode proporcionar nas instituições de Cultura, de Educação e nos espaços públicos para a vida das pessoas enquanto seres coletivos e sociais, recuperando, assim, memórias, linguagens e afetos.

 

CULTURA COMO PROJETO POLÍTICO

Propõe que o Estado seja um agente de interesses públicos e ajude a defender tudo o que, na vida simbólica das sociedades, não pode e não deve ser comercializado, como por exemplo: os direitos humanos, as inovações estéticas, a construção coletiva do sentido histórico.

CULTURA LIGADA À NATUREZA

A Cultura Viva, porque integra todas as dimensões da vida – corpo, mente e ambiente. A cultura longe de ser uma entidade ou em fenômeno separado da natureza é como a vida mesma que só deixaremos de fazer quando deixarmos de ser.

COMO SUBJETIVIDADES E IMAGINÁRIO

Aquilo que nos faz ser o que somos, incluindo, a uma só vez, a união do que se conhece como patrimônio imaterial, material, e natural, pois o imaterial se faz pelo material e vice- versa e na relação destes com a natureza. Este conjunto é o que dá forma à malha simbólica que envolve a sociedade unindo conteúdo, forma e ideia.

PROGRAMAS E AÇÕES

Definido o conceito, as medidas práticas. Como primeira medida: o fortalecimento, democratização e reestruturação da Secretaria Municipal de Cultura. Não é possível que a prefeitura de São Paulo continue tratando a Cultura como mero ornamento, com políticas públicas acanhadas e concentradas, tanto no espaço geográfico, quanto social, ou restritas à realização de eventos e atividades artísticas pontuais.

Se, de um lado, nos últimos governos municipais, houve a positiva e necessária recuperação do Teatro Municipal e Biblioteca Mário de Andrade, ou a construção de espaços como a Praça das Artes, além do evento “Virada Cultural” (que deve ser mantida e aperfeiçoada); de outro, o investimento em Cultura, para além do centro da cidade ou para além de um grande evento anual, segue restrito e em pequena escala, mesmo com boas inciativas, que devem continuar e ampliar sua abrangência, com VAI, Fomento à Periferia, Jovens Monitores Culturais; igualmente relevante, mas que precisa de revisão, foi a criação da SpCine.

 

Como consequência, há diversos outros agentes e instituições que assumem um papel mais ativo na vida cultural de São Paulo, como o SESC ou a iniciativa privada financiada com recursos de renúncia fiscal, e as manifestações e organizações autônomas da sociedade, com saraus literários de periferia ou os pequenos teatros de grupo, que florescem com pouco apoio da prefeitura.

Sem dúvida, uma cidade com as dimensões de São Paulo necessita desta pluralidade de espaços, agentes e iniciativas culturais, que podem e devem ser estimuladas; todavia, o que não cabe continuar acontecendo é o fraco protagonismo do poder público municipal, que precisa ser revertido.

“O programa de Cultura do governo Luiza Erundina e Ivan Valente será estruturado a partir de uma visão integradora da Cultura, sob o conceito da cidadania cultural, conceito este desenvolvido em seu primeiro governo (1989/92), percebendo a Cultura enquanto processo, e não somente como produto. E indo além”.

Igualmente, nosso programa parte de uma visão ampliada de Cultura, enquanto expressão simbólica, enquanto cidadania, comportamentos e valores e enquanto economia. Como forma de gestão: busca um processo sistêmico, a partir de Macro Programas, interligados e transversais, não somente entre si, no âmbito da Secretaria de Cultura, mas em inter- relação com as demais secretarias e programas da Prefeitura de São Paulo.

CULTURA e EDUCAÇÃO

Quando a Educação se afasta da Cultura ela perde sua alma. Quando a Cultura se afasta da Educação ela perde seu corpo. Reaproximar Cultura e Educação é reaproximar corpo e alma.

O programa Cultura e Educação pretende promover a integração destes dois campos, retomando proposições e atualizando experiências já pensadas e desenvolvidas no Brasil e em São Paulo, como a Escola Parque, formulada por Anísio Teixeira, ou os Parques Infantis, implantados em São Paulo, por Mário de Andrade. Há acúmulo teórico e prático, comprovando que esse encontro é indispensável para uma Cultura Cidadã e uma Educação Emancipadora.

Partimos do conceito de Territórios Educativos, compreendido como os espaços, os equipamentos, os sujeitos e as experiências culturais e artísticas, com potencial educativo, no entorno escolar, na comunidade, no bairro e na cidade, propõe atuar em diversas linhas, dando forma a São Paulo, cidade educadora. Aqui não se trata da pedagogização da cultura e das artes na escola, mas da integração entre cultura e educação, em um processo permanente, que aconteça em todos os lugares, com todas as linguagens e por toda vida. A base da cidadania cultural brota deste contínuo cultivo.

O programa Cultura e Educação contribuirá para o fortalecimento e ampliação da Educação Integral na rede municipal de ensino, que não se traduz somente e necessariamente pelo aumento da jornada escolar, mas sim, como oportunidade para vivificar o ensino escolar, introduzindo conteúdos temáticos e novas experiências pedagógicas, utilizando a rede de Cultura da cidade.

AÇÕES DO PROGRAMA CULTURA E EDUCAÇÃO

a) Programas de Formação Artística nas Escolas via o fortalecimento do PIÁ (5 a 14 anos) e Vocacional (a partir de 14 anos) oferecendo experimentação viva de processos artísticos emancipatórios em Teatro, Música, Artes Visuais, Dança, Circo, Literatura e Difusão Científica e Tecnológica, de forma continuada;

b) Ampliação das EMIAs (Escolas Municipais de Iniciação Artística), que devem contar com ao menos uma unidade por subprefeitura, como um acréscimo aos programas de formação, mas também abertos às inscrições livres –e para todas as idades- para quem deseja se aprimorar em Arte;

c) Formação de público com frequência a teatros, museus, centros culturais, bibliotecas, cinemas, ao menos uma vez por semestre em cada uma das linguagens artísticas (no mínimo, uma apresentação de teatro, uma de dança, uma de música de concerto, uma de circo, uma visita a museus e exposições, por semestre e frequência a cinemas); além do resgate do conceito original do Recreio nas Férias (com atividades de cultura, esporte e lazer nos polos de férias, passeios e visitas a áreas de lazer);

d) Corpos Artísticos Juvenis em parte o programa Vocacional já é responsável pela formação dos muitos grupos e coletivos juvenis que atuam na cidade, porém é preciso criar estrutura para dar suporte aos coletivos e, especialmente, tirar os programas de formação da precariedade, bem como perenizar Orquestras e Corais, em formato clássico, armorial ou popular, Corpos de Dança e estímulo a grupos de teatro, dança, musica, circo e coletivos em artes visuais ou audiovisuais com a realização de concursos e festivais;

e) Cultura no ambiente escolar é ressignificar o espaço escolar começa por projetos arquitetônicos que adaptem as escolas já construídas de modo a promover atividades de circulação artística e cultural, propiciando a apropriação do espaço escolar pela comunidade local. Esta experimentação foi exercitada recentemente pelas ocupações secundaristas, que ressignificaram o ambiente escolar.

Ao promover este processo a Cultura estará contribuindo para a reconexão dos conteúdos curriculares e práticas pedagógicas escolares com o mundo da vida, promovendo Arte e iniciativas culturais, em processos contínuos de introdução de saberes e práticas educativas não formais, sejam no cotidiano escolar ou em ações de troca de saberes entre formação professores e agentes artísticos e culturais do território educativo.

“Cultura e Educação,
o reencontro entre alma e corpo por uma cidade das pessoas”.

CULTURA VIVA

Cultura Viva, um conceito de cultura que se desenvolveu no Brasil e se espalha por toda América Latina. A Cultura entendida como processo e não produto, feita pelas pessoas, sem hierarquias ou controle. Cultura como expressão simbólica, como cidadania e como economia. Uma Cultura que se desenvolve com autonomia e protagonismo potencializados na articulação em rede.

São Paulo é a cidade da Cultura Viva. São mil povos, mil fazeres e mil sonhos. Tudo junto (e misturado). Para sedimentar a rede Cultura Viva (ou: o “fazer cultural autônomo e protagonista’) há os Pontos de Cultura.

Os Pontos de Cultura são entidades culturais da sociedade, selecionadas por edital público e que já desenvolvem trabalhos em suas comunidades, atuando nas mais diversas linguagens artísticas, com ação direta no território, unindo de ações socioculturais com populações em vulnerabilidade social a grupos eruditos a populares, do fortalecimento de laços identitários e tradições à experimentação estética e à vanguarda da cultura digital em software livre.

São os mais diversos recortes, cada qual à sua maneira, pois a cultura do comum só se realiza quando há igualdade na diferença. Ao se potencializarem nas relações em rede vão se desenvolvendo, tanto do ponto de vista ético, estético ou econômico. E o fazem em uma relação horizontal, entre iguais, rompendo com processos formativos de cima para baixo e, sobretudo, com a ideia de que Cultura é sinônimo de Mercadoria.

“Em novos editais, cada Ponto de Cultura deverá receber
R$ 100 mil/ano e desenvolver seu plano de trabalho conforme as suas necessidades, empoderando-se no processo.
Meta: 500 Pontos de Cultura (com investimento total de
R$ 50 milhões/ano – um Ponto de Cultura
para 22.000 habitantes)”.

Mas Cultura Viva vai além dos Pontos de Cultura e também envolve ações como “Cultura Digital”, “Cultura e Saúde”, “Economia Solidária e Cultura”, “Agentes Jovens de Cultura”, “Griôs e Mestres da Cultura tradicional transmitida pela Oralidade”, “Interações Estéticas”, “Escola Viva”, “Pontos de Leitura”, “Pontos de Memória”, “Pontos de Mídia Livre”, “Pontinhos” (para cultura da infância e lúdica), “Pontões de Cultura” (articuladores, capacitadores e difusores na rede). Todas estas ações – e outras – devem desenvolvidas junto com os Pontos de Cultura, como alavancas na potencializanção em rede, como agulhas de uma acupuntura cultural.

Há tanta cultura tradicional, tantos mestres, tantos Griôs e tanto conhecimento que podem e devem contribuir para o desenvolvimento da cidade; há tantos Pontos de Mídia Livre, rádios e TVs comunitárias, sites, blogs, fanzines e revistas independentes que contribuem para difundir o que de mais profundo e esquecido se produz por aí; tantos artistas dispostos a interagir com comunidades em efetivas interações estéticas, ensinando e aprendendo com elas; a Cultura e Saúde com terapias alternativas e a arte como elemento de desenvolvimento das pessoas com deficiências intelectuais ou físicas; Pontos de Memória, com memoriais e museus comunitários, de vizinhança, temáticos, afetivos, em escolas; e Pontos de Leitura e Bibliotecas Comunitárias, as biciclotecas e tanta ideia boa surgida na mente de gente boa, por vezes catadores de papel que reciclam livros e vidas.

Tanta coisa boa e bela que pode se revelar por aí. Isso é Cultura Viva.

E vai além. Há que desenvolver ações de Apoio à arte e aos artistas de rua, que tanto humanizam a cidade. E os grupos de teatro e dança que foram abrindo seus espaços próprios, gerando polos de criação e fruição de arte, inovação e convivência, sobretudo no eixo Bixiga/Praça Roosevelt/Rua Augusta e Consolação.

A manutenção destes espaços é custosa, cabendo criar um arcabouço de apoio aos Espaços Culturais de grupo, alternativos ou pequeno porte, não somente com a redução ou isenção de impostos, mas também pelo financiamento público que assegure a manutenção dos custos fixos destes espaços, ou mesmo a garantia de compra de espetáculos e Oficinas para o programa de Cultura e Educação, entre outras possibilidades.

O apoio ao Circo e aos artistas circenses envolvendo todas as suas especificidades, da regulação do uso de espaços à formação, do circo tradicional ao novo circo, de Oficinas a Espetáculos.

E as iniciativas Culturais da Juventude ou grupos culturais não formalizados, fortalecendo e ampliando o bem sucedido programa VAI; ou a Bolsa Cultura, para jovens artistas e articuladores culturais por nossa São Paulo; ou Agentes Comunitários de Cultura e Lazer.

O apoio às manifestações da diversidade e orgulho LGBT e a todas as ações de combate à discriminação, sejam de caráter religioso, gênero, étnico ou cultural.

As Culturas tradicionais e populares; há tantas em São Paulo, dos índios Pankararu que redescobrem suas raízes na favela do Real Parque aos jovens do Hip Hop que se reencontram com o repente. As festas populares, a feira dos bolivianos no Pari, as festas italianas, japonesas, da cultura judaica, caipira, coreana, das tradições nordestinas do sertão (e por que não realizar na zona leste uma grande Festa Juninal? Afinal, São Paulo é a cidade com maior população nordestina do país).

Os saraus das quebradas vertendo literatura e poesia pelas periferias de norte a sul da cidade.

A Cultura Hip Hop. O Hip Hop, com seus cinco elementos (MC, Rap, Street dance, skate e grafite) deve ser reconhecido como um Sistema Cultural, com bases próprias de entendimento do mundo. Daí a necessidade das Casas do Hip Hop, das Jornadas e espaços de expressão, envolvendo um conjunto de políticas próprias e realizadas em definição comum com o próprio movimento.

Os Blocos de Carnaval, as rodas de samba, as Escolas de Samba, que devem contar com políticas permanentes, para além do evento de carnaval, afinal, são promotores de toda uma arquitetura comunitária, que vai da estética à economia popular.

Tudo isso, e muito mais, é Cultura Viva, a Cultura que não é feita pelo Estado, nem quer ser transformada em mercadoria, a Cultura feita pela gente, por uma Cidade das Pessoas.

ARTE e ALTERIDADE

Objetivo: a Arte. E só. E isso é muito. Arte como habilidade, criação, beleza, convivência. A Arte de bem viver. Entre todas as habilidades humanas, talvez a Arte seja a única que tenha a capacidade de nos transpor para o efetivo exercício da Alteridade, o se perceber na “outra”, o se sentir no “outro”. Falar em Arte, portanto, é educar pela beleza, pelos afetos e sentidos, por uma dignidade própria que pulsa do fundo da alma humana jamais podendo ser reduzida à dimensão ordinária de algo que se compra e se vende.

Uma cultura cidadã só pode acontecer se as pessoas conviverem em estado de Arte, cultivando as formas e o espírito e, no espaço da liberdade da criação, aprenderem a viver com liberdade e respeito. Arte, conceito difícil de definir e ao mesmo tempo tão presente em nossas vidas, devendo permear o conjunto dos programas de toda política cultural.

Arte necessita de fomento, que ative e impulsione o processo criativo. Nos últimos 20 anos as políticas de fomento estiveram basicamente concentradas em instrumentos da renúncia fiscal, transferindo recursos públicos para um processo de decisão privada, submetida à lógica do Mercado.

Houve iniciativas que caminharam em outro sentido, apresentando resultados consideráveis, como as iniciadas no movimento Arte contra a Barbárie, que resultou na Lei do Fomento ao Teatro, que deve ser fortalecida, assim como experiências nacionais e municipais, como o programa Cultura Viva e os Pontos de Cultura ou editais específicos nos campos da identidade e diversidade e das artes.

São contrapontos ao modelo que reduz a Cultura e a Arte apenas à dimensão produto ou mercadoria.

Cultura e Arte são direitos inalienáveis, que devem ser realizados pelas pessoas, pela sociedade, em ambientes de liberdade criativa, cabendo ao Estado assegurar meios para que aconteçam em toda sua potencialidade, com critérios públicos e sem dirigismo, seja do Estado ou do Mercado.

“O principal meio para efetivação desta política será a criação do Fundo Municipal de Cultura, com dotação orçamentária própria e destinada diretamente ao fazer cultural e artístico da sociedade, das pessoas. Como meta: 1% do orçamento municipal diretamente destinado ao Fundo de Cultura, sendo que os recursos deverão atender, exclusivamente, ao fomento das ações da sociedade e mecanismos públicos na definição de acesso a estes recursos. Para as necessidades de manutenção e investimento direto do município, a Secretaria de Cultura deve contar com orçamento próprio”.

Com o Fundo Municipal de Cultura será possível manter e ampliar as ações de fomento já existentes (VAI, Fomento ao Teatro, Periferias, Dança) e ir muito além. O Fundo deverá contar com Fundos Setoriais (Artes, Diversidade e Cidadania Cultural, Patrimônio e Memória, Audiovisual, Livro e Leitura e Projetos Especiais), pois somente com um Fundo efetivamente estruturado e com recursos suficientes será possível realizar uma efetiva política de fomento à cultura na escala que São Paulo exige.

Indo além da política de editais por projetos, como também incluindo processos, o que já se faz, pessoas físicas e financiamento direto a artistas e agitadores culturais, diferenciação por categorias (iniciantes, profissionais, consagrados) ou mesmo novas formas de seleção e financiamento, como curadorias, festivais ou prêmios, compra de espetáculos ou iniciativas de promoção e difusão da obra de arte.

AUDIOVISUAL

Houve avanços, mas é necessário ir além, consolidando a SpCine na abertura de salas de cinema na periferia e como Agência de fomento à produção e distribuição audiovisual.

São Paulo é um grande polo audiovisual, não somente cinema, como também games, televisão e outros produtos mas carece de um conjunto de iniciativas para se desenvolver, desde legislação específica à indústria audiovisual, regulamentação de Film Comission, até estúdios públicos e co-trabalho audiovisual, do artesanato audiovisual, com estúdios multimídia e formação de midialivristas e cineastas em comunidades à indústria cultural.

FUNDAÇÃO THEATRO MUNICIPAL

Primeira medida: retirar o Theatro Municipal das páginas policiais e devolve-lo aos Cadernos de Cultura. Lamentavelmente este precioso equipamento cultural de São Paulo, que consome quase 25% do orçamento municipal da Cultura, palco da Semana de Arte Moderna de 1922, nos últimos anos foi reduzido a notícias criminais, com prisão de diretor da Fundação, delações e desvios comprovados, até o momento na ordem de R$ 18 milhões. Em que pese ter sido a controladoria do município a identificar os desvios, também foi a atual gestão que fez as nomeações. Há que promover uma auditoria, não somente para identificar os roubos, como também os desmandos e gastos em excesso.

Em boa parte, tais desvios foram facilitados em virtude de um modelo de gestão absolutamente esdrúxulo. Ao mesmo tempo em que o Teatro foi transformado em Fundação, medida necessária, a sua programação foi repassada a uma Organização Social de gestão privada, gerando duplicidade na gestão, a tal modo que, até hoje, a Fundação não conta com um Diretor Artístico e gerando um ambiente propício para o descontrole contábil. Afora salários exorbitantes. Há que mudar.

A Fundação Theatro Municipal conta com todos os mecanismos legais para assumir a gestão direta do Teatro e da Praça das Artes, não cabendo a duplicidade com uma OS, e quando for necessário contar com produção privada para montagens e projetos especiais, que se realize por meio de chamada pública.

Em paralelo há que implantar um justo plano de cargos e salários para os Corpos Artísticos Estáveis (Orquestra, Coro, Companhia de Dança), incluindo maestro e auxiliares, em valores adequados e com todas as garantias da legislação trabalhista.

A ideia de que qualidade artística só pode acontecer acompanhada de valores exorbitantes é falsa e só triunfa em razão do hermetismo com que o mundo da alta cultura é tratado, em que a maioria das pessoas, incluindo gestores públicos, nem se atreve a discutir.

A Fundação Theatro Municipal, sob a gestão de Luiza Erundina e Ivan Valente contará com todos os meios para assegurar estabilidade nos Corpos Artísticos, boas condições de trabalho e remuneração e que sejam condizentes com uma programação de alta qualidade. E que também atenda mais cidadãos, porque todos, até os que pensam que não gostam por nunca terem tido a oportunidade de conhecer, merecem tudo que de bom e de melhor as artes já produziram.

Um bom começo: estender as temporadas de Ópera e Concertos Sinfônicos. O investimento é alto e não faz sentido que sejam usufruídos por poucos. Estas temporadas também deverão ser gravadas e transmitidas pela Rádio e Televisão Pública Municipal.

Também há que experimentar mais a programação para crianças e jovens, com Ópera para crianças, com ao menos uma montagem de Ópera para crianças e Jovens ao ano (há muitas boas opções para além de Pedro e o Lobo). E por que não um Circuito Popular de Ópera? Criando mais uma Companhia junto ao Teatro (ou em convites para produções específicas), com elenco jovem, igualmente de qualidade, realizando produções com menor custo e que possam circular pelos teatros municipais de bairros ou nos CEUs.

O mesmo com a Dança e o maravilhoso Balé da Cidade de São Paulo. E os Coros Lírico e Paulistano, a Orquestra Experimental de Repertório, o Quarteto de Cordas. Para além de seus próprios Corpos Artísticos, que podem e devem circular mais pelos espaços culturais descentralizados, a Fundação deve assumir a programação de um Circuito cultural de música e dança nessas unidades (CEUs, Teatros Municipais de bairro).

Também Oficinas de Concerto, ensaios abertos, didáticos; Mário de Andrade, como diretor de Cultura, já realizava estes concertos em 1936, eram os chamados Concertos Operários.

E se no início não houver condições para realizar tanto, ao menos abrir o Teatro para um concerto de Orgão ao meio da tarde, oferecido à população que trabalha e circula pelo centro.

“Se é bom, há que ser para muitos!”

Pela sua dimensão, São Paulo e o Teatro Municipal podem ter um papel de dinamizador e fomentador de todo um campo da Cultura, para além dos limites da cidade. Um circuito sul- americano de Ópera e Concertos Sinfônicos, otimizando custos e permitindo intercâmbios, estimulando que novos centros de desenvolvam. Contemplar concursos para encomendas de novas Óperas, Operetas, Missas e Sinfonias.

E o aprimoramento da Praça das Artes, como espaço de formação artística, aberta, inclusive, para exposições de artes visuais, bem como para uma melhor utilização do seu auditório como espaço de iniciação de novos artistas.

PATRIMÔNIO, MEMÓRIA E MUSEUS

“Patrimônio: a herança do pai”

A palavra já revela muito, preserva-se uma herança patriarcal e das classes dominantes e esquece-se dos esquecidos e silenciados. Por isso nosso conceito de patrimônio é matripatrimonial, ou fratermonial, nos remetendo à herança comum, à herança de todas e todos.

Para começar: a herança da Mãe Terra. Os rios que fizemos desaparecer em canais subterrâneos ou abertos, transformando-os em esgoto, a exemplo do Tietê, base da identidade paulista. A várzea, os campos de várzea, piqueniques, o remo, a São Paulo a nado.

Tudo isso existe na base de nossa cultura e deve voltar a respirar, pois enquanto não nos reencontrarmos com nossos rios e matas, nossa fonte de vida, São Paulo seguirá uma cidade alienada, perdida de si mesma. Um Parque onde hoje passa Marginal, nem que seja iniciando por algumas faixas de trânsito. Precisamos fazê-lo já! E tratando este tema como uma questão de cultura, urbanismo e urbanidade. Menos asfalto e brita e mais terra e jardins, menos esgoto a céu aberto e mais água limpa, menos monóxido de carbono e mais fotossíntese.

Quem observa as grandes (e pequenas) cidades do mundo sabe que elas se elevam em termos civilizatórios exatamente quando se reencontram com suas referências naturais. Um povo que não trata bem à sua mãe jamais poderá tratar bem a si mesmo. Tratar bem os Parques que nos restam, e as matas nativas, o Parque Augusta, o Parque dos Búfalos e suas nascentes, as Serra do Mar e Cantareira, bem como a recuperação de áreas degradas é, sobretudo, uma atitude de preservação do patrimônio cultural de um povo, assim como fazer horta na cidade, ou ir a feiras de alimentos saudáveis, ou economia solidária, ou ter boas praças e calçadas.

O conceito de herança comum pressupõe a valorização de paisagens, sejam naturais, edificadas ou simbólicas, de uso. São paisagens de referência, de afetividade. Também definimos por onde começar: o Território de Interesse da Cultura e da Paisagem LUZ/PAULISTA (TICP LUZ/Paulista).

Também há que encontrar solução definitiva, não mais cabendo atitudes protelatórias ou dissimuladas por parte dos poderes públicos (municipal, estadual e federal) em relação ao Teatro Oficina, a ser realizado em plenitude, com Universidade Antropofágica e Teatro Estádio e, para tanto assumimos o compromisso de decretar o terreno à sua volta como área de interesse público, passível de desapropriação a ser compensada com troca de terreno, troca do potencial construtivo ou mesmo pagamento direto, ou um misto entre as três alternativas, assegurando a plena realização deste marco cultural de São Paulo e do mundo.

Sem esquecer da recuperação do TBC, via gestão com Funarte, proprietária do prédio e demais os espaços culturais e históricos desta rica paisagem de São Paulo, sejam privados ou públicos.

“Como acervo de Memória Comum, o intangível, o inefável, o que não se toca, mas se sente. Há que ter uma política melhor definida para a memória viva, no qual o Pavilhão das Culturas,
no Ibirapuera e o Museu da Cidade, devem ter papel estratégico neste processo de resgate, preservação e interação.”

Não basta apenas preservar edificações (e quais edificações), há que respeitar o entorno. O Conselho do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo – Conpresp – precisa ter sua política e composição revistas de modo a assegurar políticas estáveis de preservação, que possam conviver com as necessidades da expansão imobiliária sem prejuízo à preservação de nossas referências históricas, ambientais e afetivas.

Hoje até os limites de bairros são desrespeitados por conta da especulação imobiliária, bem como as áreas envoltórias de patrimônios tombados precisam ser inventariadas, assegurando regras prévias e claras para os proprietários do entorno e ao mesmo tempo evitando que esses bens tornem-se ilhas isoladas de seu contexto.

Infelizmente, sob o atual governo, assim como nos anteriores, há uma captura da política de preservação por interesses da especulação imobiliária, restringindo a ação preservacionista e praticamente abandonando as áreas envoltórias; do contrário jamais se liberaria a construção de edifícios ao lado de uma mata tombada, como no Parque Augusta, o emparedamento de um bem tombado como o Teatro Oficina, considerado um dos dez teatros de arquitetura mais inovadora no mundo. Da mesma forma o DPH precisa ser valorizado em sua função de preservação do patrimônio histórico da São Paulo, de palácios às casas operárias, de objetos excepcionais e de uso comum, como instrumentos de trabalho, de documentos raros à iconografia do cotidiano.

Como mecanismo de compensação cabe efetivar a lei da troca do potencial construtivo (em que o proprietário de um imóvel tombado poderá negociar o potencial construtivo de seu imóvel em outras áreas da cidade, assegurando recursos para preservação do bem tombado), permitindo, inclusive, que o direito de venda de potencial adicional atinja até a cobertura total do custo de recuperação e manutenção do bem tombado. Afinal, se um bem é tombado pelo interesse público, cabe criar mecanismos para que ele seja preservado e que, com a troca do potencial construtivo pode ser realizado sem onerar o orçamento público.

Também há que priorizar, de forma definitiva, a implantação do Museu da Cidade, como um espaço vivo e dinâmico, com Percursos Museológicos Vivos, estilhaçados por toda a cidade de São Paulo, contando com um grande espaço expositivo para que crianças, jovens, adultos, idosos e visitantes possam mergulhar na história de São Paulo, compreendendo sua história, de onde viemos, para onde vamos; um Museu ativo, vivo, que integre diversos espaços, preserve acervos, inventarie, catalogue e mapeie os patrimônios imateriais, realizando ações nas subprefeituras, nos bairros e comunidades. Que realize o levantamento da memória e o reconhecimento do patrimônio da cultura negra, até porque esta é uma das demandas apresentadas nas discussões do Plano Municipal de Cultura.

A construção da memória dos bairros, dos movimentos de cultura, dos artistas e dos mestres e mestras de cultura são fundamentais para a valorização da diversidade, da afirmação de identidades e da formação cidadã, em que a própria comunidade de uma Escola de Samba, por exemplo, poderia fazer o levantamento da sua história, ou então, estudantes de uma escola ou mais escolas, desenvolvendo parceria com entidades comunitárias para estudos de recomposição da memória do bairro; daí a necessidade de interagir com Museus Comunitários, Escolares. Um Museu que aconteça em Edifícios e Praças, e também no imaginário, que esteja presente no coração e na mente de todos que amam São Paulo.

CULTURA EM REDE

Um retrato da desigualdade em São Paulo: abundância e escassez na distribuição dos equipamentos culturais. Há regiões da cidade, ou mesmo uma única avenida ou parque público, que concentram diversos equipamentos culturais da mais alta qualidade, enquanto regiões inteiras, com centenas de milhares de habitantes, sequer dispõem de um único teatro ou biblioteca adequados. Fazer uma política democrática de Cultura pressupõe reverter este quadro.

Esta situação começou a ser modificada quando da implantação dos CEUs; porém, igualmente sofre de descontinuidade e apequenamento do projeto original.

“O principal objetivo do Cultura em Rede será assegurar que toda subprefeitura conte com, ao menos, um teatro, uma biblioteca, um cinema, um museu e um espaço para oficinas culturais, cursos de iniciação artística e exposições”.

Isto poderá acontecer a partir da construção de equipamentos integrados, requalificação de Espaços e Casas de Cultura, recuperação de edifícios históricos e integração com equipamentos esportivos ou praças e parques públicos, ou mesmo a integração com espaços culturais comunitários, de grupos de teatro, escolares ou privados. O fundamental é que se relacionem em rede e de maneira complementar.

Com isto, rapidamente e a um custo relativamente pequeno, a cidade poderá contar com um Sistema Integrado de Espaços Culturais em que, para além da construção física, cada Espaço Cultural (ou conjunto de equipamentos culturais) deverá dispor de verba específica para sua manutenção e programação, compreendendo todo ciclo da produção cultural (patrimônio, formação, produção e difusão).

 

CULTURA EM REDE para integrar e consolidar o Sistema de Espaços Culturais da cidade

a) Assegurar ao menos uma grande Instituição Cultural (Centro Cultural, Museu ou Biblioteca Parque) em cada macrorregião de São Paulo (Leste, Oeste, Norte, Sul e Centro). Estas Instituições funcionarão como centros de referência, integrando e complementando programação, promovendo intercâmbio e interações estéticas, articulando São Paulo com o circuito mundial das artes, da cultura e do pensamento.

Exemplos destas futuras grandes Instituições Culturais: Museu do Migrante na zona leste, Biblioteca Parque da extremidade da zona sul (consolidando todo um polo de criação e difusão literária a partir dos saraus de periferia), Museu da Cidade -distribuído em diversos espaços, sob o conceito de EcoMuseu ou Museu Estilhaçado- e o fortalecimento do Centro Cultural São Paulo; o CCSP também poderia funcionar como universidade livre das artes e do pensamento.

b) Cultura em rede pressupõe articulação e integração entre estrutura física, conceito e rede digital. No campo digital os “Laboratórios e Praças da Cultura Digital”. A cidade de São Paulo é referência e vanguarda mundial no que diz respeito à cultura digital e concentra as mais inovadoras experiências que integram comunidades de software livre, meta- reciclagem, estúdios multimídia e trabalhos colaborativos com o desenvolvimento de novas práticas econômicas sob os princípios da economia solidária – trabalho colaborativo, comércio justo, consumo consciente, generosidade intelectual e gestão em rede.

Os Laboratórios de Cultura Digital devem integrar essas iniciativas e espaços de co-trabalho e desenvolvimento de novas tecnologias (como impressão 3D), em que as Praças de Cultura Digital, para além de espaços públicos dotadas de banda larga em alta velocidade, tornem-se ambientes de convivência para as comunidades digitais e centros de coleta e reciclagem de computadores e aparelhos eletrônicos.

c) Integrar e apoiar Espaços Culturais e Teatros de pequeno porte sob a gestão comunitária, privada ou de grupos, mantendo incentivos fiscais (como a recente lei de isenção do IPTU) e, sobretudo, a partir de uma política de contratação de produções e oficinas artísticas. Também a busca de cessão de espaços públicos ociosos para ocupações artísticas e espaços culturais.

“Com a Cultura em Rede a cidade cresce se potencializa e se torna uma Cidade das Pessoas”.

 

CULTURA E COMUNICAÇÃO

A Cultura só se realiza a partir de um ato comunicativo, do mesmo modo que a comunicação só acontece quando difunde uma Cultura. Assim como Cultura e Educação devem ser compreendidos como partes de um mesmo processo, não há como pensar a Cultura sem a Comunicação e vice-versa.

Uma São Paulo das pessoas deve prever uma TV e Rádio Públicas. Não emissoras do governo, mas da sociedade, que difundam conteúdos culturais, que informem e formem com democracia, assegurando opiniões divergentes e a pluralidade de ideias. Uma TV e Rádio Públicas que inovem e experimentem novos formatos e conteúdos e que realizem isso em articulação com produção autônoma da sociedade, com mídia livre, realizadores independentes, TVs e Rádios Comunitárias, Públicas, Educativas e Universitárias.

“Que São Paulo tenha em breve uma TV e uma Rádio Pública do tamanho da polifonia da cidade”!

 

LIVRO, LITERATURA, LEITURA e o SISTEMA MUNICIPAL DE BIBLIOTECAS

Sistema Municipal de Bibliotecas

Bibliotecas são, por natureza, instituições democráticas. Nas suas estantes convivem, lado a lado, em forma de livros ou outros suportes, diferentes linhas de pensamento, diferentes estéticas, diferentes engenhos, por vezes aliados, por vezes adversários, por vezes até mesmo inimigos viscerais, sempre prontos para o embate, para conquistar corações e mentes quando mobilizados. Podemos frequentá-las nas diferentes fases de nossas vidas e lá encontrarmos outras pessoas também em processo de leitura, de aprendizagem e reflexão.

Nesta perspectiva, a melhor biblioteca é aquela que permite a convivência de diferentes ideias e para tanto deve ter não apenas um belíssimo e abrangente acervo, em diferentes suportes e linguagens, mas se propor como o local adequado para as trocas simbólicas tão necessárias em qualquer momento da vida, e, em especial, quando iniciamos nossa trajetória como leitores, quando adentramos em novos campos ou, como é tão comum em nossa sociedade, quando não pertencemos a um grupo de leitores, seja na família, seja no nosso grupo social.

Nas sociedades leitoras a biblioteca pode ter, com sucesso, um papel de aglutinadora de suas comunidades de leitores; na nossa sociedade, não leitora, este papel passa a ser fundamental e abrir mão dele pode significar abrir mão de desempenhar um papel importante e de destaque nos circuitos sociais da leitura e da informação ao lado da escola, com repercussões na própria convivência democrática da sociedade.

Considerando o tamanho e a diversidade sociocultural da Cidade de São Paulo, propomos que as suas bibliotecas públicas, além dos serviços tradicionais como orientação à pesquisa e empréstimos de livros e outros materiais, desempenhem papéis diferentes que venham a integrar e fortalecer os circuitos de cultura e, neste âmbito, atuem como espaço de acolhimento, fruição e projeção, não exclusivamente, mas especialmente das práticas de leitura e escrita.

De acordo com o seu porte, localização, equipe profissional, potencialização das condições adequadas de oferta e possibilidades de acesso e infraestrutura, as Bibliotecas devem estar aptas a oferecer, nos diferentes pontos da cidade, serviços diversificados e de qualidade. As Bibliotecas devem cumprir o importante papel de fomentar a produção do conhecimento e debate de ideias local e funcionar também como plataforma de lançamento para os seus produtores possibilitando a sua inserção no circuito cultural da cidade.

Propomos assim a criação de uma Rede de Leitura, composta pelas Bibliotecas Públicas, Centros Culturais, Bibliotecas e Salas de Leitura da rede escolar municipal e parceiros tais como agentes de leitura, livreiros, editores, escritores, professores, contadores de histórias, ou seja, instituições e pessoas físicas que atuem na área da leitura.

As Bibliotecas podem iniciar o processo, funcionando como articuladoras de rede e como polos de atração e irradiação de práticas leitoras, respeitando as identidades e vocações locais, assim como as maneiras específicas de circulação cultural, para que possamos, em curto espaço de tempo, constituir de fato uma rede capaz de gerar sinergia e auxiliar nos avanços necessários na direção de uma sociedade leitora. Elas, como instituições dedicadas à leitura pública, podem e devem se constituir como pontos referenciais da rede de leitura local, articulando-a com a rede de leitura da cidade.

Para tanto a estrutura do Sistema Municipal de Bibliotecas Públicas deve ser repensada, saindo de um padrão hierarquizado para um padrão que efetivamente dê sustentação para o trabalho em rede, que privilegie o empoderamento das estruturas que viabilizam o fazer e a circulação de bens culturais, ou seja, uma estrutura que, de fato, viabilize as condições de trabalho e de articulação para toda a rede tendo como foco aqueles que atuam diretamente com os parceiros e com a população.

Tendo em vista a responsabilidade do estabelecimento e implementação de políticas públicas de informação e leitura que contemplem a todos os setores da sociedade e, em especial, aos jovens, e que abranja todo o território, entendemos como fundamental que as bibliotecas sejam requalificadas e que possam contar com serviços de extensão (agentes de leitura, clubes de leitores, etc.) para, de fato, atender a toda a população.

Em cada momento da vida, nos relacionamos com a leitura e com a informação de maneira diferente, o tempo livre, as necessidades de formação, as solicitações do dia a dia são diferentes em cada faixa etária e têm impacto direto nas formas pelas quais nos informamos e na nossa relação com a leitura. A juventude se configura como a idade em que fazemos tudo ao mesmo tempo – trabalho, estudo, vida social, familiar e afetiva – e quando não temos tempo para nada.

Assim as instituições ligadas à leitura precisam se configurar como espaços de convivência, de diálogo, de informação, de diversão e de leitura. Tudo ao mesmo tempo agora, buscando de fato serem significativas para os jovens sob pena de não terem lugar neste momento da vida, perdendo a chance de desempenhar um papel fundamental na formação integral desses indivíduos e continuar acompanhando-os pela vida afora.

A leitura é uma aliada valiosíssima para o entendimento do mundo e que trabalharmos por uma sociedade leitora faz parte do processo mais amplo de luta por um mundo socialmente mais justo e igualitário.

Daí a necessidade de um programa integrado e específico, não somente para bibliotecas, mas para todo o ciclo do livro, leitura e criação literária, com o estímulo a Festas e Saraus literários, Feiras do Livro, Difusão da leitura em escala (por exemplo: distribuição de livro de coletâneas – prosa, poesia, ensaio- com baixo custo, podendo ser distribuído gratuitamente à população em locais de grande concentração pública), Estantes-Biblioteca em Pontos de ônibus. E fomento aos escritores, novos ou que seguem na escrita há mais tempo.

CULTURA CIDADÃ

Objetivo: a convivência cidadã, a cultura de paz, a democracia e a emancipação.

Uma política cultural que não compreenda a dimensão democrática e cidadã da Cultura será sempre uma política incompleta, isso porque a Cultura está presente em tudo e em todos e todas. E há sentido de urgência neste campo. Não podemos mais tolerar o genocídio da juventude pobre, em sua maioria negra e moradora da periferia, muito menos o assassinato de crianças e a violência policial generalizada, responsável por um em cada quatro homicídios na cidade de São Paulo (1.591 assassinatos em 2015). Esta é uma questão de Cultura!

Contra a Cultura da morte, a Cultura da Paz e a ética africana do Ubuntu.

Há igual sentido de urgência na relação com as pessoas mais velhas, cada vez mais descartadas em uma sociedade em que prevalece a Cultura do descarte; há que resgatar toda a sabedoria acumulada, os afetos, garantindo uma existência digna e produtiva – na forma de troca de saberes- para nossa velhice, integrando gerações e cerzindo convivências.

Também é urgente uma cidade mais humana na relação com os mais desemparados, com a população em situação de rua, com as pessoas com deficiências, com os refugiados e novos imigrantes em razão de guerras, fome e mudanças climáticas, com as nossas crianças, com nós mesmos. Assim como é urgente nos reconciliarmos com nossos rios e matas.

Uma Política Pública que tenha sentido democrático e emancipador tem a Convivência e Cultura Cidadã como prioridades. E isto pode acontecer na forma de exercícios de civilidade e civilização. Mas há que escolher. Quando se escolhe o caminho da segregação e da iniquidade, o que se colhe são ódio e violência; quando se escolhe o caminho do Encontro e da Paz, o que se colhe é bem viver.

Nossa escolha é pelo Encontro, pela Paz. E devemos fazer isso com pequenas delicadezas, com gentilezas gerando gentilezas.

A começar por calçadas adequadas ao passeio público de cadeirantes, idosos, carrinhos de bebê; de preferência ladrilhadas (como na cantiga de roda) com pequenas peças de cerâmica espalhadas pelo trajeto, floreiras. Ruas Abertas aos pedestres, continuando e ampliando a boa iniciativa da Avenida Paulista aberta aos domingos. E Ruas de Lazer, em um programa revigorado, que distribua kits de jogos, brinquedos e esportes para uso comum.

E a Cultura da Virada. Para além da Virada Cultural uma vez por ano no centro, há que pensar em Virada nos bairros, uma por semana, em cada uma das 32 subprefeituras, estimulando o interconhecimento interbairros, e também o autoconhecimento. Também a noite dos Museus, dos Livros, as Galerias Abertas, as Jornadas dos Teatros, assim como a manutenção das Viradas temáticas já existentes (jornada do patrimônio, dos esportes, da sustentabilidade).

E sempre levando em conta a busca da igualdade na diferença, com ações em defesa à diversidade e fomentado ações de convivência e paz de modo a combatermos o ódio e o preconceito, seja de caráter homofóbico, racial ou de classe.

E o Passe Livre. O transporte público como um direito de ir e vir livremente. Para experimentar a Tarifa Zero no transporte público, podemos começar com a TARIFA ZERO AOS DOMINGOS, começando por um domingo por mês, e depois vamos ampliando, até como um laboratório para a experimentação da Tarifa Zero durantes todos os dias. Uma gentileza e tanto, afinal, uma família com cinco pessoas e que deseja visitar parentes em outros bairros, e que utilize apenas duas conduções, terá que gastar R$ 38,00, talvez seja a diferença entre comprar ou não comprar pipoca para os filhos num passeio no nunca visto Ibirapuera. E nos domingos com Tarifa Zero, muita arte, lazer, cultura e esportes oferecidos nos espaços públicos.

Cultura Cidadã também envolve o cultivo das pessoas, o seu fortalecimento e empoderamento.

Um bom caminho: os AGENTES DE CULTURA CIDADÃ, jovens, e também idosos (pois para estimular a convivência é sempre bom juntar gerações) que receberiam uma Bolsa e uma Formação para o desenvolvimento de trabalhos comunitários, tais como serem professores de xadrez e damas em Praças Públicas, contadores de história, brincantes e brinquedeiros, monitores em artes, agentes em Museus, Griôs, agentes de recreação em ruas de lazer, midialivristas, agentes em cultura digital, em ambiente, em hortas comunitárias.

A prefeitura até conta com alguns programas para Agentes Comunitárias, mas em escala pífia, há que espalhar e estimular todos estes talentos e vontades que brotam da energia comunitária e da cultura cidadã, aos milhares, gente aprendendo e ensinando ao mesmo tempo, em convivência e trabalhos comunitários.

Cultura Cidadã também é democracia e participação. Que tal exercitarmos as JUNTAS DO BOM GOVERNO, conselhos cidadãos de acompanhamento da gestão pública, que permitam um aprendizado mútuo entre Estado e Sociedade, até quando, em algum momento da história, esta diferença se dissolva.

Podemos exercitar essas Juntas na gestão e acompanhamento de equipamentos culturais e de lazer, por exemplo, já seria um bom começo. E para formar as Juntas, as ASSEMBLÈIAS CIDADÂS.

Para quem duvida ou considera tudo isso utópico e impossível, respondemos com esperança e coragem. E também com um exemplo, ao nosso lado, na vizinha Colômbia, na cidade de Medellin. Cidade com 3 milhões de habitantes, antes conhecida pelo cartel do tráfico; em 2002 decidiram dar um basta a tudo de mal que passavam e investiram na Cultura Cidadã; de um ano para o outro o orçamento da Cultura saltou de 0,7% para 5% permitindo a realização de pequenas e grandes delicadezas para sua gente.

Para quem gosta de resultado concreto, basta apresentar um: em 2002 eram 7.000 assassinatos por ano, mais que em São Paulo, em 2012 foram 700. São Paulo também pode dar este salto, basta querer abraçar a Cultura Cidadã.

ECONOMIA VIVA

Mudar o paradigma. Não pretendemos menos que isso ao tratar a economia a partir da cultura e dos valores humanos.

O determinismo econômico talvez seja o principal motivo tanto mal estar nas civilizações, pois ao invés de a economia servir à vida, a vida é que tem servido à economia, que foi ganhando “vida” própria, o Mercado, ente que ninguém vê e que a todos comanda. Há que inverter esta equação e poderemos fazer isso a partir de novos exercícios de produção e comportamento social.

As novas formas de economia, movidas a valores. A Economia Solidária, o comércio justo, o consumo consciente, o trabalho colaborativo, a generosidade intelectual; as Empresas Sociais, em que a razão motriz é o bem estar da coletividade; a Economia da Dádiva; a Economia do compartilhamento, em que ter acesso a um bem é mais importante que ter.

A Cultura tem todo potencial para abrir todo um campo de experimentação em novas atitudes econômicas, desde os Laboratórios de Cultura Digital, passando por novos ordenamentos na prestação de serviços comunitários, como fornecimento de alimentação escolar e uniformes via cooperativas locais, hortas comunitárias, a cultura do cicloativismo e compartilhamento de bicicletas, empreendimentos sociais para produção de placas solares e eólicas, o fortalecimento de cooperativas de catadores.

O Financiamento solidário, o microcrédito. As moedas sociais. Cabe lembrar que a primeira moeda social em São Paulo, o Sampaio, no Campo Limpo, nasceu da iniciativa de um Ponto de Cultura. A Economia da Cultura.

Enfim, há todo um campo de relações econômicas e culturais a ser experimentado a partir do encontro entre Cultura e Economia, preparando São Paulo para a economia dos séculos vindouros e que ela seja generosa e viva!

GESTÃO DA CULTURA

Cultura e emancipação na cidade de São Paulo

Todas estas medidas precisam vir acompanhadas da reestruturação da Secretaria Municipal de Cultura. E não só, pois o programa de Cultura para o governo de Luiza Erundina e Ivan Valente prevê a inter-relação entre as secretarias, de modo que muitas propostas serão executadas não diretamente pela SMC, mas sempre em transversalidade.

Daí a necessidade a necessidade dos encontros entre áreas que tradicionalmente não se encontravam na administração pública, funcionando com campos estanques.

Também há que rever a meta orçamentária para a Cultura, que atualmente é inferior a 1% do orçamento do município, menos que o recomendado pela UNESCO, demonstrando em número pouca prioridade que se dá a um tema tão vital.

Como meta: 3% do orçamento municipal para a Cultura, sendo 1% exclusivamente para o Fundo Municipal de Cultura.

Chega-se a 3% para o orçamento municipal para a Cultura, com 1% para o Fundo de Cultura a partir de dados que indicam que entre 5% e 8% do PIB nacional (IBGE) advêm da economia da cultura.

Em São Paulo a presença da cultura na economia deve ser ainda maior, mas infelizmente o poder público ainda não se preocupou em construir um eficaz sistema de informações sobre a cultura na cidade, por isso a falta de dados precisos.

Essa economia gera recursos para a cidade que retornam na forma de tributos diretos, como ISS sobre eventos e atividades artísticas, ou IPTU de grandes espaços culturais privados e indiretos (arrecadação em bares, restaurantes, hotéis e demais atividades diretamente impactadas pela economia da cultura), o que significa um retorno em tributos na ordem de 1,7% a 3% do PIB.

Nada mais justo e necessário que parte destes recursos sejam aplicados na própria atividade que os gerou, permitindo, inclusive, a ampliação desta receita em tributos, como motor da própria atividade econômica da Cultura.

Em perspectiva, o ideal seria destinar 5% para a Cultura, neste conceito alargado, conforme apresentado no atual programa, como se faz na cidade de Medellín, com evidentes resultados sociais e civilizatórios, reconhecidos em todo o mundo, também a cidade de Rosário, na Argentina, investe quase esta cifra em Cultura, assim como a Costa Rica, por décadas manteve um patamar mínimo de 5% para a Cultura (e 40% para a educação), resultando em um dos países mais hermosos e pacíficos do mundo.

Mas para o quadriênio, a meta será de 3%, que já representará um avanço considerável.Como medida institucional de gestão de Cultura, o cumprimento pleno das regras do Sistema Nacional de Cultura:

  1. a)  Regular convocação de Conferências Municipais de Cultura (bienal e em caráter deliberativo);
  2. b)  Plano Municipal de Cultura; efetivação e democratização do Conselho Municipal de Cultura (e criação de conselhos por subprefeituras, assim como Juntas do Bom Governo na gestão de equipamentos culturais);
  3. c)  Imediata Criação do Fundo Municipal de Cultura (com dotação orçamentária própria e repasse de recursos por processos públicos e transparentes).

Igualmente há que fortalecer a capacidade de gestão e formulação da Secretaria de Cultura, com plano de carreira da cultura e realização de concurso público para recomposição do quadro funcional; além da efetivação de um Sistema de Informações e Mapeamento Cultural.“Vida e utopia, imaginação, cultura e emancipação. Luiza Erundina e Ivan Valente na prefeitura de São Paulo”.

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A TERRA ESTÁ A PERIGO  Dia 5 d Julho d 2016

No Congresso

o Bando de Deputados

Entreguistas da Bancada

da Bíblia/Boi/Bala Bo$ta Mental

vota em

BRAZÍLHA

a proposta do Chanceler ilegítimo Jose Serra q propõe a

ENTREGA DO SANGUE NEGRO DA

TERRA DO BRAZÍL

AOS ABUTRE$$$

Minha Geração, quase a mesma do Serra

nasceu Politicamente  

na Campanha

“O PETRÓLEO É NOSSO”

provocada pelo Livro d

MONTEIRO LOBATO

pra Nacionalização d sua Exploração

pelo Estado Brasileiro

y daí veio

a CRIAÇÃO DA PETROBRAS

 

Getúlio Vargas - 1882-1954

Getúlio Vargas – 1882-1954

 

Hoje indo pros meus 80 anos sei q

O PRÉ ÓLEO NÃO É NOSSO

MAS

DO CORPO VIVO DA

TERRA

LOGO

O PRÉ SAL  É

DA  TERRA

NUNCA DA

PROPRIEDADE

PRIVADA

PRA EXPLORAÇÃO DOS ABUTRE$$$ PROPRIETÁRIO$ GLOBAI$ OU NACIONAI$

 

OS PETROLEIROS MOVIMENTAM-SE CONTRA ESTA LEI ENTREGUISTA

 

petroleiros_contra_o_golpe

 

NO FIM DA

ERA DO PETRÓLEO

A HUMANIDADE

PREPARA-SE PRA

TRAVESSÍA    

PRA

ERA DAS ENERGÍAS

RENOVÁVEIS

Y

PRA NÃO ENTREGAR TUDO PROS

VENDILHÕE$

APOIO A LUTA DOS PETROLEIROS

POR UMA QUESTÃO DE

REAL POLITICK:

A RENDA DO PRÉSAL

SERIA INVESTIDA PELO

GOVERNO ELEITO

NA CULTURA,

NA EDUCAÇÃO,

NA SAÚDE

DOS POVOS Q MORAM NESTE PEDAÇO

DO MUNDO

CONDIÇÃO PARA Q SE

FAÇA TAMBÉM AQUÍ

NO BRASIL
A TRANSIÇÃO

DA ERA MUNDIAL DO PETRÓLEO

PRA ERA DAS ENERGÍAS

RENOVÁVEIS DA TERRA

DO UNIVERSO DIVERSO

 

yanomami-maloca

maloca yanomami

DÓI NO CORAÇÃO DE

MINHA JUVENTUDE

VIVA EM MIM

NA MINHA VELHICE

MAS BOTO FÉ

NA INSSUREIÇÃO MUNDIAL

CONSCIENTE

OU NO INCONSCIENTE DO Q ESTÁ VIVO
IMPEDINDO A

“QUEDA DO CÉU”

Q O XAMÃ

DAVID KOPENAWA

EM SUA OBRA PRIMA
CONSTRUÍDA PELOS POVOS INDÍGENAS ANTES DE CABRAL

AVÍSA

ZÉ CELSO

4 DE JULHO D 2016

SAMPÃ