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Arquivo mensal: julho 2017

Volksbühne_House-for-sale

Num dos lugares do Mundo em que o teatro contemporâneo estava em plena ebulição, animando o Teatro meio combalido do mundo inteiro, mais precisamente na Alemanha de 2017, aconteceu um fato grave, que me deixou com um aperto no coração y me fez ditar este texto ao ator Cyro Morais, meu assistente.  Desde Goethe, traduzindo Shakespeare y montando Hamlet com a sua companhia, o teatro que foi semeado na Alemanha floresceu no “ardor irresistível”, sobreviveu ao Nazismo e nos pós-guerra deu ao mundo o conhecido Teatro Berliner Ensemble nas mãos do poeta Bertolt Brecht.  

Outro teatro, o Volksbühne, “Teatro do Povo”, foi reaberto no pós-guerra pro renascimento  da sua tradição que vinha do século 19, de grandes companhias de repertório, que o tinham ocupado, como a de Max Reinhardt, que cria uma companhia com uma estrutura perfeita para construir um teatro sempre renovado y libertário. No pré-Nazismo teve Erwin Piscator, que antropofagiava cinema y teatro no seu repertório de Teatro Político no Volksbühne. O Teatro do Povo foi capturado pelo Nazismo.  Teve no saguão um círculo no chão com a suástica  esculpida com pedras preciosas. Desta parte ficou apenas a tatuagem histórica no cimento. O Volksbühne foi libertado no fim da Segunda Guerra Mundial, assim como os outros teatros de todas as Artes Cênicas da Alemanha.

Desde a última década do século XX, até hoje, 4 de julho de 2017, o Volksbühne era animado pelo poeta espatifador da ordem vigente no mundo y no teatro Frank Castorf, que tive o prazer de conhecer nas duas vezes que levou Os Sertões para lá, uma em Berlin, no próprio Volksbühne, y  outra no Festival que ele dirigia na cidade Recklinghausen. Lá, pôs para atuarmos na antiga fábrica da Krupp para encenar Os Sertões. A Krupp foi exatamente a fábrica de armamentos que municiou o exército brasileiro para massacrar Canudos. Este temporada foi interpretada como uma reparação dos danos causados ao povo brasileiro por esta fábrica alemã.

cartaz

Hoje, acabo de ler a muito bem escrita matéria de Guilherme Conte no Estadão com o título “O Fim de Uma Era do Volksbühne, em Berilm”.  O teatro passará  ser dirigido por um ex-curador da Tate Modern Gallery, em Londres. Adoro a Tate Gallery. Nós vamos até apresentar o filme O Rei da Vela nesta galeria no dia de 12 de novembro. Mas surge a percepção de que estes grandes teatros de companhia de repertório de teatro ao vivo passarão a não mais ser geridos por pessoas de teatro. Abre uma perspectiva que revela uma tentativa de tirar do mainstream o teatro com sua radicalidade de estar ao vivo provocando dinamismo na sociedade robotizada.

Há uma ilha intocável em Berlim, o teatro Berliner Ensemble, criado por Brecht y Helene Veigel, onde em solidariedade a Castorf, ele vai dirigir, imediatamente, Os Miseráveis, de Victor Hugo. É preciso constatar que toda a classe teatral alemã compareceu em peso ao último espetáculo de Castorf, no Volksbühne. Pessoas que amam o diretor e outras que não gostam dele, mas que reconhecem que é preciso manter a estrutura deste teatro com sua radicalidade poética libertária.

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© Paul Zinken/dpa

Funcionários de todas as máquinas de desejos do espetáculo de Berlim estiveram presentes também. Este ato assemelha-se a uma espécie de capturação de posse pela secretaria de Cultura de Berlim à Terra onde brota uma especialíssima qualidade de vegetação teatral e à subjetividade da criação desta arte viva. Um atentado que faz parte de uma tendência que já se sente aqui no Brasil. Por exemplo, o Teatro Oficina, tombado pelo Condephaat, pelo secretário de cultura pianista gênio João Carlos Martins, pelo sábio geógrafo Aziz AbSaber e pelo grande artista cenógrafo e figurinista Flávio Império, desapropriado pelo governador Franco Montoro,  na época do Partido Social Democrata Brasileiro centroesquerda, hoje, tem um secretaria de cultura que desde há muito tempo, não paga mais nada da Companhia. Indo para os 60 anos de atividade, o Oficina estreou no dia 24 de junho, Natal no Hemisfério Sul, a Macumba Antropófaga de 2017 sem apoio nenhum da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. Esta secretaria tem a propriedade do prédio da companhia, conquistada por nós para evitar a compra do teatro e do terreno do entorno pelo grupo Sílvio Santos.

A partir do que aconteceu na Alemanha, sinto uma declaração mundial e estadual, no caso aqui de São Paulo,  de pretensão a massacre, assim como aconteceu em Canudos,  pelo desprezo que ostentam com as companhias multimídia, como a nossa, de teatro ao vivo de repertório, animadas por numerosos artistas e com os teatros de rua que não estão nos shoppings. Parece que há no ar uma onda política conservadora culturalmente robótica cadaverizante, investida em exterminar o teatro ao vivo. Matar uma companhia de teatro ao vivo em atividade há muito tempo é matar um Ser Vivo em Si. O que aconteceu na Alemanha é um alerta sobre esta invasão da cultura robótica cadaverizante global em território onde ela não pode se meter. Nós todos que fazemos teatro ao vivo em Sampã estamos neste momento com mais poder que nunca. O poder de estar ao vivo nestes dias de precariedade radical, mas dando-se ao luxo da liberdade de criação em torno dos acontecimentos deste instante, dessa dominação golpista, desintegrando-se no Brasil e no Mundo. O Corpo-Humano-Ator-Atriz-Ativo é um biscoito fino pras massas neste momento. É a felicidade guerreira que enfrenta este combate com mais criatividade do que nunca. E que mesmo nestes dias gelados tem tido um público de bichos humanos  plugados na transformação dos tabus todos dos zumbis e suas máquinas que não querem deixar o poder e nos querem dominar agora. Este combate ao Ao Vivo nos junta, mais do que nunca, à luta dos povos indígenas por toda a Face da Terra. Mas é preciso estar atento y forte. O que aconteceu com Volksbühne é um sinal de perigosa invasão neonazista. Mas com  humor, tesão y muito mais estamos vencendo.Uma Companhía Permanente de Repertório de Artistas y Técnicos ao Vívo das Artes Cenas vai criando em sua existência, Poéticas nascidas da Criação  com seus Apaixonados Fregueses Humanos, q nascem,vivem, envelhecem,morrem y renascem recriando com Gerações y Gerações,  Sonhos Orgiásticos  Comuns vindo d muitos Corpos Vivos ou Mortos como Shakespeare, Cacilda Becker ou tantos comidos pelos Vívos! Estes Sonhos criam Comunas AutoCoroádas Vivas: Organismos Visvos como a Terra.

Nosso Exterminio é impossível por mais q queiram

haters,

quem nos desprézam,

quem nem imagina existir Teatro ao Vívo com Tesão. Grandes ou Pequenas Companhias de gente q faz Artes Cênicas, ou seja Dança, Circo, Palhaços, Palhaças , Teatro, Performers, Satand-ups. Artistas das Operas,Operetas, Concertos.

Nós Artistas Cênicos ao Vívo caprichamos no dar nossas vidas á delícia de criar dentro y fóra de Cena: a  Arte do Corpo em Movimento~comendo, alimentando-se, trocando energias febrís tragicômicas y eróticas entre os Terráqueos Mamíferos em Corpos Presentes=Platéia. Essa Fenômeno da Natureza da Criação Humana não pode assassinar o  Volksbühne d Berlim. Não sei quem é este Secretário da Cultura de Berlim,nem de q partido é. Sei q todos os artistas q trabalham ao vivo, q estão em companhias de Teatro Permanentes ou não; q estejam no Cinema, na Internet, ou na TV não podemos permitir essa desvalorização das Artes das Companhías como o Volksbühne. Nós todos não podemos permitir q este massacre aconteça.

Zé Celso Martinez Corrêa

Autor, Cantor, Ator , Diretor Co-Criador  da Associação de Teatro Oficina Uzyna Uzona

SamPã, 5 d Jullho d 2017

EVOé BÁCO

 

 

 

 

 

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