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Amor Humor

 Estreia_Misterios_ Jennifer_Glass

 

No último sábado, 11 de dezembro de 2015, às 21h, o Teat(r)o Oficina participou da Programação da 1ª Jornada do Patrimônio em São Paulo, com a Encenação de Mistérios Gozósos, inspirado no Poema “O Santeiro do Mangue” de Oswald de Andrade .

A Secretaria da Cultura da Cidade de São Paulo, agora na gestão do arquiteto Nabil Bonduki, patrocinou o espetáculo.

Assim tivemos a Glória de receber uma Multidão de Graça pra conhecer, reconhecer o Espaço Tombado pelos 3 Órgãos de Proteção do Patrimônio do Brasil: IPHAN, COMPRESP y CONDEPHAT, em sua plena Ação Pulmonar d seus Ritos Teatrais .

Tão intensa, quanto muitas q os 54 anos do Teat(r)o Oficina tatuaram na História do Teatro Vivo Mundial. Toda a nova geração y eu mesmo, dos meus 78 anos, apreendi com o Público q lotava o Teat(r)o muito esta noite, sobretudo por ser um lance ligado à Jornada do Patrimônio, q depois de 21 anos ainda nos mostrou q podemos ir mais longe no Espaço q ocupamos.

Estou na Madrugada de véspera de um Ensaio da peça em Cartaz, em q vamos com toda a equipe multimídia plural do Elenco estudar o quanto podemos criar mais, nos Mistérios, depois desta noite.

Y tivemos a surpresa de uma extraordinária coincidência: Na mesma data, o Teatro Oficina foi considerado pelo Crítico de Arquitetura Rowan Moore, do The Observer/The Guardian, o melhor teatro do Mundo. Eu mesmo comuniquei ao Público esta notícia; os aplausos por este reconhecimento incendiaram novamente o TeAT(r)O Oficina.

Sei q é inimaginável pra muitos o Oficina estar à frente do Teatro Grego de Epidauro. Eu mesmo levei um susto. Como? O Oficina , na frente do Terreirão d Dionísios, o deus do Teatro?

Mas hoje, traduzindo o texto e Rowan pro brazileyro, entendi o q mais o impressionou: a intensidade, trazida por este espaço pela revolução no assistir Teatro, na visão da multiplicidade de perspectivas possíveis.

Há um verso q repetimos, cantando entre os vários quadros da peça:

Há um grande cansaço de explicar o mar…

A Dificuldade de, mais q nunca, nos dia d hoje, termos de explicar o inexplicável… q é o q é, o q esta sendo no Teat(r)o Oficina

Há 54 anos conseguimos, nós, tecno-artistas, manter vivo este lugar, com um inexplicável esforço, varando crises como esta dos dias y noites em q vivemos hoje.

Nessa noite, somada a esta notícia vindo do The Guardian, vislumbramos a possibilidade de pedir o Tombamento do Teat(r)o Oficina também pela UNESCO, visando o encontro de apoios do Poder Econômico, ou da Filantropia Internacional do Capitalismo, q numa atitude Perestroika, em sua decadência, nos possibilite um voo muito maior da Arte do Teatro no Brasil y no Mundo.

O Teat(r)o Oficina, seu Acervo Enorme Multimidias, até hoje trancafiado, y sua própria Ação Teatral noturna y diurna, em SamPã ou em qualquer lugar do mundo, pode trazer uma contribuição imensa pra transmutação dos valores q mantem o Mundo vivendo talvez a Crise mais Burra de sua História.

Pode até ser uma pretensão desmedida, mas tenho q clamar enquanto estamos vivos. Como, talvez, a imensa maioria dos seres vivos hoje no Planeta Vivo chamado Terra, estamos dando muito menos do q podemos dar, travados por “Preconceitos, Tabus…”, q, como disse Luiz Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança, na sua Última Entrevista ainda Vivo, “…têm Infernizado a trajetória da humanidade, até agora”.

Há um Tabú enorme em torno do Teat(r)o Oficina, q sufoca todos q, em cada geração, dão almas y corpos a esta transformação dos Tabus em Totens.

Há um grande cansaço em explicar o mar

Nesta mesma sessão de Mistérios Gozósos, um poeta, jornalista, crítico literário, dramaturgo com peças publicadas, q já escreveu sobre Augusto de Campos , publicou um livro chamado “A prova dos nove: alguma poesia moderna e a tarefa da alegria”, Professor do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp; sobretudo, um dos criadores da mais bela exposição q vi em minha vida, com fotos nos Ianomamis, de Viveiros de Castro, pois essa pessoa, logo depois de ter visto a peça, foi pro FaceBook y fez este comentário:

Minha ideia de pesadelo: ser submetido a uma peça de teatro que use, de forma canalha, as palavras e o nome do xamã yanomami Davi Kopenawa para defender o governo etnocida de Dilma Rousseff. Uma peça que minta para seu público que salvar a carreira política de Dilma é salvar a Amazônia. Uma peça que traga a voz e a cara de Jorge Mautner, garoto-propaganda daquele completo crime que é a hidrelétrica de Belo Monte, para propor Oswald de Andrade como o suposto criador de um “cristianismo do século XXI”. Uma peça que seja um tenebroso hino aos poderosos da vez, com o detalhe que seria irônico – se não fosse constrangedor – de ser patrocinada pela Petrobras, mas que acabe gritando, infantilmente, que “não tem arrego”. Ora, essa peça seria um arrego do início ao fim…Eduardo Sterzi

Este texto me chocou tanto, vindo de quem veio, pois Mistérios Gozósos, já em Oswald d Andrade, é um texto de muitas Vozes. Há uma belíssima tese com o nome de “CONTRAPONTO DE VOZES”: A BIOGRAFIA DE O SANTEIRO DO MANGUE, DE OSWALD DE ANDRADE, por
RENATO CORDEIRO GOMES, Professor de Literatura Brasileira (UERJ) e de Comunicação e Teatro (PUC-RJ), q aconselho a Eduardo ler.

Mas o q me impressiona mais é q a peça é uma Obra de Arte, não é um manifesto político. É difícil entender a cabeça de um ser humano com a formação de Eduardo, q nos chama de Canalhas, porque numa mesma peça, segundo ele,“usamos”o nome de Davi Kopenawa pra defender o governo etnicida de Dilma Rousseff”.

Há duas cenas no Poema de Oswald em q surge, na Roleta do Cassino do Comendador do Mangue, a personagem de Madame Bovary, feita magistralmente pela grande atriz Joana Medeiros.

A Primeira vez q aparece é em na “Oração do Mangue”, na mesma cena em q Davi Kopenawa é citado pela 1ª Vez, em q a Persongem de Madame aparece com o seguinte texto d Oswald: “Encontrei num Grande Hotel Lord Byron y Madame Bovary, y sobre eles erguido o Comendador do Mangue, erguido sobre o Mangue, tendo ideias” sobre a Crise, etc…

Na Cena a Personagem do Comendador do Mangue enraba Madame Bovary y Lord Byron, no alto da mais alta estrutura do Teat(r)o Oficina. A Personagem de Madame Bovary aparece copulando metaforicamente, com o Comendador, comprometida com Ele.

Já num quadro seguinte, Madame Bovary reaparece pra jogar no Cassino da Roleta Viciada q sempre termina de rodar no Vermelho 28, número q o Comendador sempre joga y ganha. No dia seguinte à instauração do Impeachment contra Dilma Roussef reescrevi esta cena, em q ficava explícita a situação do Impeachment, com todas as Personas envolvidas na inauguração – q chamei d Bolsacaro Infeliciano da Unha, concentradas numa Personagem criada pela grande atriz trans Wallace Ruy.

E depois, ainda, a pedido do ator mais jovem da Cia., inclui uma Cena sobre o “não arrego”.

Declaro aqui, como já assinei no Manifesto dos Artistas, q sou contra o Impeachment de Dilma. A Cena referida é uma Voz q não podia deixar de ser trazida em forma d Ópera de Carnaval. Em Madame Bovary, Joana Medeiros ainda trouxe as vozes tão faltantes de Darcy Ribeiro y de Lionel Brizola. O amado político antropólogo.

 Óbvio q sei da posição de Dilma diante da luta Indígena, d sua mentalidade desenvolvimentista, mas o q dizer das Personagens q querem seu Lugar? Vão ser muito melhor para os Índios q vivem no Brasil?

São Vozes q neste momento fazem parte da situação específica do País em q vivemos. Prefiro a liberdade d expressão e de investigação q rola no Brasil do q as ameaças dos q querem suceder Dilma.

Vivi a Tortura, o Exílio, na Ditadura y há um ano sei q vivemos sob a ditadura do Congresso mais asqueroso d toda a História do Brasil, responsáveis pela Crise Atual muito mais q Dilma, impedida de Governar.

No Teatro, nós, canalhas, não julgamos ninguém; a arte é livre do radicalismo político ideológico.

Me impressiona q justamente você, Eduardo Sterzi, com a cultura q tem, esteja tomado pela Cegueira do Fascismo Brasileiro do Ódio ao Bode Expiatório Dilma. Você, nos chamando de Canalhas, por sermos patrocinados pela Petrobras? Uai, você deve ter seu carrinho, eu não tenho. O belíssimo livro de Davi Kopenawa está editado em papel, pele arrancada da Floresta. Como Davi Kopenawa, também viajo d avião quando posso. Augusto de Campos recebeu título d Grande Poeta das mãos d Dilma. E é também contra o Impeachment.

Mas o q mais me surpreende é você estar tão cego q é incapaz de ler uma Obra de Arte d Teat(r)o: essa arte da própria contradição da alegria y tragédia, d estarmos vivos, além do bem y do mal.

Seu Ódio cheio de Juízo d Deus, tão estreito, tão burro mesmo… Assim você passa a fazer parte da onda d burrice q assola o Brasil.

Acorda cara, leia a crítica maravilhosa da peça feita pelo jovem crítico de teatro, o talentosíssimo Wellington de Andrade, da Revista Cult. (Leia aqui)

A Tua Voz, nos chamando d Canalhas, penso, vai ter q entrar nos Mistérios, pois deve haver muitos q estão tomados por esta onda d ódio policial em cima das Artes. Mas espero que você logo se liberte deste vodu.

Minha avó paterna é Índia. Eu uso sempre, mesmo na peça, um colar indígena.

Cultuo este meu DNA, como a parte mais amada d meu próprio corpo.

Na mesma noite q você viu a peça, uma jovem índia, Belíssima, veio me dar um abraço y um passe indígena, pra q minha pessoa não seja maltratada, como você faz comigo y com todxs do Oficina Uzyna Uzona

E concluo com:

E o mar q mais parece um caramujo sujo
Cor de chumbo
Plúmbeo
Há um grande cansaço em explicar o mar
Há um grande cansaço em explicar o mar
Há um grande cansaço em explicar
Há um grande cansaço
A Mar

Desejo q alguém leia este texto todo

Acho q vai ser pouca gente

Mas tinha q pôr tudo isso pra fora com tudo q sintomatizou em Cena este 12 d dezembro.

MERDA

Quarta e última parte da carta aberta a Presidente do Condephaat, Ana Duarte Lanna, respondendo a seu texto apresentado em 9/9/2013 ao órgão que preside, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo que, em maio deste ano, autorizou a construção de duas torres residenciais ao lado do Teatro Oficina, tombado por este mesmo órgão em 1982.

As três primeiras partes foram publicadas nos dias 18, 19 e 20 de setembro.

Teat(r)o_Oficina_foto_Marcos_Camargo

A Farsa
“Neste exato momento tramita na Secretaria da Cultura um processo atendendo à solicitação do grupo Usyna Uzona (sic) para contratação de projetos para a realização de obras no bem tombado.”

Só que esse momento dura anos e mais anos. O Teatro é uma arte viva, não bate com o tempo irreal da burocracia cultural do atual Governo de SP. Quisemos até fazer um trabalho com vocês sobre a Burocracia em que vocês seriam também Atores / Personagens – “O Contrato (Ou Convênio) Exemplar”. Claro que não passou. Entregamos os Cadernos desta Proposta Maravilhosa nas mãos do Secretário Marcelo Araújo.

Esta Secretaria somente nos paga os porteiros e ainda afirmam que é somente por este ano. Água, luz, limpeza, enfim, melhoramentos, somos nós que fazemos sempre. Se fôssemos esperar pelo atendimento da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de SP a Árvore Cesalpina já teria morrido, o chão do Teatro já teria caído de podre, as galerias desmoronado.

Nós reconstruímos quase tudo este ano com as quotas da geração que hoje faz o brilho de “Cacilda !!!” – Refizemos a pista conforme Lina concebeu, com a mesma madeira que inaugurou o Terreiro há 20 anos atrás. E sempre com o sacrifício dos pagamentos ínfimos que nós Associados hoje recebemos.

Nunca vimos este dinheiro que o Estado destinou – mais de meio milhão de reais para a realização deste projeto.

Depois você Ana Lanna escreve que essas obras, para as quais esse dinheiro se destina, deverão ser analisadas e “obter a aprovação do Condephaat para a realização das obras desse custo, bem como dos demais órgãos de patrimônio junto aos quais o bem é tombado.” 

Não temos condições de esperar este Godot, pois talvez nunca venha mesmo com esta boa vontade com que somos tratado pelo Condephaat e o Departamento Jurídico desta Secretaria de Cultura!!!

E vamos tocando com o que podemos, que não é quase nada. Mas não esperamos estas – palavras de Ana Lanna novamente – “Dinâmicas das leis que expressam os pactos possíveis que a sociedade institui”.

Quem está interpretando estas leis a favor dos privilégios da Especulação Imobiliária são vocês – pessoas de Poder nesta Secult.

E que autoridade vocês tem em falar de democracia que, segundo você, nós desrespeitamos e estamos sempre colocando em risco o estado de direito?!
Vocês que criam interpretações das Leis para impor a violência da Especulação Imobiliária.

Na Revista de Antropfagia de 1928 nós vemos este texto:

“O Direito Antropofágico”. O jurisconsulto Pontes de Miranda, tomando a frente da Escola Antropophagica, lançará dentro de pouco tempo, as bases para a reforma dos Códigos que nos regem actualmente, substituindo-os pelo direito biológico, que admite a lei emergindo da terra e semelhante ás plantas.”

O Teatro desde a Grécia é em si um Poder – o Poder Humano de Antígone diante de Creonte, o Governador – e não somente o Teatro – A Cultura em si é um Poder – não um enfeite, um Museu Histórico do Oficina dos anos 60. O Oficina nem nesta época abdicou de seu Poder Teat(r)al nem agora que é Oficina Uzyna Uzona.

Leia se conseguir com atenção estas falas de Cacilda Becker em Cacilda!!!

Cacilda Antígone Chanel em 68 Aqui Agora:
Foi a Justiça dos deuses subterrâneos que criou nossas leis
Os soterrados vieram à luz
a justiça acolheu, enxergou
Nas tuas leis Governador Creonte
não reconheço força para violar as leis divinas
sempre da hora
não escritas, sem nome
não são de hoje
mas do Etherno Agora
ninguém sabe nem sequer se foram promulgadas
nossa vida de estúpidas penas
mesmo assim não atrofiou nossas antenas…

Vocês não entendem a grandeza do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Somos um Cosmos de mais de 50 anos, uma das Cias. mais longevas do mundo. Não somos diferentes do “Berliner Ensemble” criado por Brecht, que continua até hoje trabalhando em torno da linha deste Autor.
Ainda este ano o vimos com “A Ópera dos 3 Vinténs”, dirigida por Bob Wilson, peça trazida pelo SESC, a única instituição – dirigida pelo grande Danilo Miranda –  que tem mantido o Teatro Arte vivo em Sampã .

Nos anos 60 o Brasil, mesmo ainda na Ditadura Militar, tinha companhias assim. Como o Teatro de Arena, o TBC, O Teatro Maria Della Costa, o Teatro Sérgio Cardoso e Nydia Licia, a Companhia Tônia Celi Autran, o Grupo Decisão, dirigido por Antônio Abujamra.

Das Companhias permanentes que eram como Repúblicas Anárquicas auto geridas, com repertório e estilo próprio independente, Cosmos que brilharam nos anos 60, só restou o Oficina, que em sua re-existência tornou-se a Associacão Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona e fez florir o que plantou: o que surgiu nos anos 60. Cuidou do Teat(r)o Oficina e manteve sempre seu Tyazo ativo. Mesmo no exílio, quando o Teatro ficou funcionando sob a direção de uma bilheteira à época, a maravilhosa Tereza Bastos, que hoje é funcionária aposentada do Teatro Sérgio Cardoso. Em sua gestão ela transformou o Oficina, por necessidade de sobrevivência, numa casa de exibição, oferecendo pautas, alugando o espaço para várias Cias. de São Paulo, independentemente da linha teatral que elas criavam. Meu irmão, o grande artista Luiz Antônio Martinez Corrêa, também ocupou o Oficina por mais de um ano com sua Companhia, a Pão e Circo e depois foi sediar-se no Rio de Janeiro.

Nós, no exílio, re-existimos como Oficina Samba e trabalhamos na Revolução Portuguesa fazendo Te-Atos, “Galileu Galilei” no Teatro São Luiz, que é um teatro municipal como o de São Paulo, em Lisboa. Filmamos “O Parto” sobre os 9 meses da “Revolução dos Cravos” exibido na Rádio e Televisão Portiguesa, a RTP, depois fomos para Moçambique onde filmamos a Independência do País – “25” é o nome do filme. Este foi o ganhador do prêmio de público no 1º Festival de Cinema no MASP inaugurado por Leon Cakoff.

Quando regressamos do exílio, Tereza Bastos entregou-me o Teat(r)o Oficina e eu assumi a direção criando com, além das pessoas exiladas comigo, um novo Tyazo com grandes artistas nordestinos de SamPã, como o sambista parceiro de Jackson do Pandeiro, Edgard Ferreira, o cirandeiro e artista plástico Surubim Feliciano da Paixão, a grande cantora Sandy Celeste, todos 3 de Pernambuco. Eles criaram no Oficina o “Forró do Avanço”, que funcionava com gente de todas as tribos populares de SamPã. Havia a cozinheira alagoana Zuria, que dirigia a Cantina Cabaret.

Com eles apreendemos o Amor às Terras do Oficina e nos tornamos defensores dela diante das 1as investidas do Grupo SS. Esse era o que chamávamos o Tyazo que semeava Os Sertões.

Vieram de todos pontos do Brasil jovens atores, atrizes, músicos jovens que constituíam o Tyazo das Bacantes.

E os criadores da Arte do Vídeo no Te-Ato: Noilton Nunes, Edson Elito que depois iria trabalhar com Lina Bardi, Tadeu Jungle e Walter da Silveira. Esse era o Tyazo do Homem e o Cavalo, de Oswald de Andrade.

O Tyazo da Memória, criador do Arquivo Oficina 20 Anos: Ana Helena D’Staal e Gilles d’Staal, francês que estivera conosco em Portugal no Oficina Samba.

O Tyazo do Circo dirigido pela 1ª geração de renovação do Circo em SamPã: Veronika Tamaoki, hoje a grande pesquisadora e animadora da ethernidade do Circo em SamPã.

Catherine Hirsch, francesa que está há 30 anos conosco e produziu a reengenharia do Oficina em Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona.

Com todos estes novos sócios acima mencionados, em várias mídias, inauguramos o Oficina Terreiro Eletrônico de Lina Bardi e Edson Elito, qu e levou 13 anos para ser levantado com Ham-let, com Marcelo Drummond trazendo sua geração de artistas brilhantes: Alleyona Cavalli, Julia Lemmertz, Alexandre Borges, Adão Filho, Denise Assunção, Paschoal da Conceição.

Neste 20 anos criamos, além de Ham-let, Mistérios Gozozos, de Oswald de Andrade; Taniko – Nô Bossa Nova Trans Zen Iko, do Japonês de ZenXico; Pra Dar um Fim no Juízo de Deus, de Antonin Artaud, fundamento da Obra prima dos filósofos franceses do Século XX Deleuze e Guatarri; Ela, de Jean Genet, por ocasião da visita do Papa ao Brasil em 1997; Cacilda!, de José Celso Martinez Correa; Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues; as 5 peças de Os Sertões, de Euclides da Cunha no Teat(r)o Oficina e 2 vezes na Alemanha, depois levadas em tendas para as capitais do Brasil até Quixeramobim, terra de Antonio Conselheiro e Canudos, cidade onde se passa o Livro de Euclides, massacrada pelo Exército e reconstruída várias vezes. Esta peça de 5 partes foi construída e permaneceu em cartaz durante 5 anos, de 2002 a 2007 e em 2005 Berlim a elegeu como maior acontecimento cultural do ano.

Em 2001 fundamos o Movimento Bixigão – projeto social com oficinas de teatro, circo, capoeira, música, Teat(r)o, tendo como público alvo crianças e adolescentes moradores do Bixiga. Seu embrião foi uma comunidade de Sem Teto que ocupava um prédio da Caixa Econômica, depois derrubado pelo Mega Grupo Financeiro Grupo SS.

No seu jubileu de ouro de 50 anos o Oficina produziu O Assalto, de Zé Vicente, com direção de Marcelo Drummond, que excursionou pelo Brasil e Europa; leitura encenada no Volksbühne de Berlim, com atores da Cia. daquele teatro, em alemão, de O Rei da Vela, de Oswald de Andrade; Santidade, de Zé Vicente, também com direção de Marcelo Drummond; Os Bandidos, de Friedrich Schiller, que estreou no National Theatre de Manheim durante o Festival Schiller e depois entrou em carreira no Brasil; Cypriano & Chantalan ou Sensações e Folias de 1973, de Luis Antônio Martinez Corrêa e Analu Prestes, com direção e luz Marcelo Drummond, que teve no elenco atores da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona e do Movimento Bixigão; Vento Forte pra um Papagaio Subir, de José Celso Martinez Correa; Labrinco 50 – Rito Cyber Teatal Viagem, rito das 50 voltas em torno do Sol do Oficina Uzyna no dia 28 de outubro de 2008 – o grupo amador Teatro Oficina nasceu dia 28 de outubro de 1958 no Teatro Novos Comediantes, situado no mesmo local onde o Oficina existe hoje; Vento Forte – exposição virtual Oficina 50 Anos, inaugurada dia 3 de dezembro de 2008 no prédio do Centro Cultural dos Correios no Rio de Janeiro, um projeto-presente da catedrática em literatura da UFRJ Heloisa Buarque de Holanda com curadoria de Camila Mota, Lucas Weglinski e Alberto Renault; O Banquete, de Platão, estreado no Queer Festival em Zagreb, na Croácia, depois em temporada em SamPã e apresentado no FIT BH, onde ocupou o Museu de Arte da Pampulha, obra de arte de Oscar Niemeyer; Cacilda!! – Estrela Brazyleira a Vagar, de Zé Celso, com estreia no Rio de Janeiro no Teatro Tom Jobim dentro do parque Jardim Botânico e depois temporada em Sampã.

Em 2010 saímos em turnê nacional com as Dionizíacas: Taniko, o Rito do Mar, Cacilda!! – Estrela Brazyleira a Vagar, O Banquete e Bacantes. Neste projeto, patrocinado pelo Ministério da Cultura, em que a Cia. excursionou por 7 capitais do Brasil apresentando estes 4 espetáculos de seu repertório gratuitamente em tendas de 2000 lugares, além de dar oficinas gratuitas de todas as artes que compõem os cyberespetáculos: atuação, direção, música, luz, video, arquitetura cênica, figurino, direção de arte, produção, divulgação e difusão. Depois do Tombamento do IPHAN, no dia 24 de junho de 2010, a tenda foi montada em Sampã, a 8ª capital, no Entorno do Oficina Tombado, no terreno cedido em Comodato até este ano pelo próprio Silvio Santos.

No mesmo ano de 2010 fizemos O Bailado do Deus Morto, de Flávio de Carvalho em encenação apresentada durante a 29ª Bienal de Arte de Sampã no Pavilhão da Bienal no Ibirapuera e a Macumba Antropófaga, de Oswald de Andrade. Encenação do “Manifesto Antropófago” criada durante uma semana de ensaios e laboratórios no Inhotim Centro de Arte Contemporânea, localizado em Brumadinho MG, apresentada na obra de arte de Magic Square #5 de Helio Oiticica durante a turnê Dionizíacas. Esta peça entrou em cartaz no Terreno do Entorno do Teat(r)o Oficina num Circo instalado com essa finalidade. Em Sampã o espetáculo acontecia, além do Teatro, nas ruas do Bixiga, na Casa de Dona Yayá, no TBC e no prédio onde morou Oswald de Andrade na rua Ricardo Batista. Em janeiro de 2012 Bacantes, de Eurípedes, seguiu em, em turnê europeia por em Liége, na Bélgica, no Teatre de la Place e em Portugal, Lisboa, no Teatro São Luiz. No mesmo ano foram feitos os Acordes, de Bertolt Brecht e Paul Hindemith, encenada no Oficina, em seu entorno e em turnê pelo interios de São Paulo, também patrocinada pelo Sesc. Atualmente fazemos Cacilda!!! – Glória no TBC e em 68 Aqui Agora, de Zé Celso, também no Teat(r)o Oficina e no terreno do entorno cedido por Silvio Santos.

Isso é um resumo de nosso Currículo.

Não mencionamos os vídeos gravados profissionalmente, distribuídos pela Trama, nem os vídeos de Os Sertões
– 5 DVD’s, por enquanto somente adquiridos no próprio Oficina, nem a caixa comemorativa dos 50 anos com 4 vídeos gravados em 2008. O trabalho de produção audiovisual da Cia. ainda vai lançar em breve O Rei da Vela, o filme e pelo menos outras 4 peças do repertório já gravadas profissionalmente, em fase de montagem e finalização.

Além do Oficina Uzyna Uzona, nos tempos atuais, surgiram muitas outras Companhias permanentes que não nos deixam mais a sós hoje: Vertigem que atuou no Tietê, em prisões, igrejas, hospitais; o XPTO, Grupo Tapa, Latão, Parlapatões, Satyros, Os Fofos, Os Crespos, BR116, Cia. Mundana, Cia. Livre, Folias, Cia. do Feijão, Club Noir… Inúmeros outros Tyazos = Companhias Corais na terminologia da Tragédia Grega Dionisíaca Apolínea e de Pã, aqui em SamPã e também no Rio de Janeiro além de Cia. Armazém, no Paraná, outras no Piauí, atualmemente pelo Brasil todo. Elas são como as Escolas de Samba e os Times de Futebol: Cosmos. Tem uma linha própria que evolui no tempo.

E não resta a menor dúvida: todos estes Tyazos e os da mesma qualidade aqui não mencionados podem, se desejarem, atuar com o Oficina Uzyna Uzona, no Teat(r)o Oficina tombado e no seu entorno.

Como é possível um órgão que defende o Patrimônio Cultural do Estado ter tamanho desprezo pelo Oficina Uzyna Uzona e manifestar-se grosseiramente, sem Arte, neste documento, como se fôssemos usurpadores do Teatro Oficina.

É mais que Ignorância.

Nossa Companhia e nosso Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, seu projeto total de expansão, são hoje objeto de estudo no mundo todo. As Grandes revistas de Arquitetura como Domus, na Itália, 2G na Espanha, dedicaram números inteiros saudando o Projeto do Teat(r)o Oficina e sua extensão urbana no Anhangabaú da Feliz Cidade.

Vocês deviam se inteirar mais de quem somos para não nos entregar assim, com esta brutalidade, para a Especulação Imobiliária. Isso, por nossa Luta e do público brazyleiro e internacional, felizmente não vai acontecer, para a sorte de vocês. Porque se acontecer, vocês serão os neonazistas da América do Sul e irão sofrer muito quando caírem em si.

Hoje uma geração formada por nossas encenações, que são já consideradas cursos da Universidade Antropófaga, revela uma equipe de sócios do mais alto grau de talento. Todo público que viu a 1ª temporada de Cacilda!!!  ficou surpreendido com o talento das atrizes, dos atores, cantores, acrobatas, dançarinos, músicos, instrumentistas, ao mesmo tempo dos talentosos iluminadores, da qualidade do som, dos vídeos, dos  câmeras, figurinistas, camareiras, qualidade da produção e administração, das arquitetas do espaço cênico, dos operadores das transmissões diretas por nosso site, dos protagonistas e dos coros.

Peço que vocês, público, e vocês do Condephaat, se pluguem ao nosso site para conhecer estes maravilhosos artistas de Teat(r)o Multimídia, seus nomes, suas fotos e as transmissões online dos espetáculos de Cacilda!!!, de volta a partir de 3 de outubro.

Ana Lanna, seu texto me inspirou estas noites de réplica e de Insônia, a Deusa da Vida Alerta.

Não somos do PT, mas de esquerda.

“Ser de esquerda é saber que a maioria é ninguém e a minoria é todo mundo.” – Gilles Deleuze

José Celso Martinez Corrêa

Presidente da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona

Segunda Feira, 16 de setembro de 2013 – 2h51’

Evoé! 

Há um desentendimento absoluto entre a Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona – que cuida do Teat(r)o Oficina há mais de 50 anos e nele realiza suas produções artísticas – e o atual Governo do Estado de São Paulo. Assim como todos que estiveram no poder pertencentes ao PSDB posterior a Franco Montoro – governador que desapropriou o Teatro Oficina em 1984 para que não fosse engolido pelo Baú da Felicidade do Grupo Silvio Santos – o atual governo não tem a menor ideia do valor histórico, artístico, arqueológico e turístico do Oficina.

O que prova esta ignorância advinda nos sucessivos governos do PSDB pós-Montoro é esta Guerra deflagrada pelo atual Governo do Estado contra o Teat(r)o Oficina com o ATO praticado pela atual Presidente do CONDEPHAAT, Ana Lucia Lanna: em vez de defender o Teatro como seu Patrimônio Cultural – objetivo do Conselho – faz como Feliciano na Comissão dos Direitos Humanos da Câmara Federal e inverte seu papel ao aprovar a construção do empreendimento da Sisan, braço da especulação imobiliária do Grupo SS, que pretende simplesmente assassinar a Obra de Arte de Lina Bardi e a vida em plena produtividade dos 60 atuadores multimídia do Teat(r)o Oficina.
O projeto das torres encaixota a Obra de Arte do “Arquiteto” Lina Bardi e impede sua complementação e sua existência de mais de 50 anos de criação de um dos mais fortes Coletivos de Teatro do Mundo desde o Século XX até hoje, 2013.
Além do mais pretende entregar o entorno tombado do Teatro Oficina pelo próprio CONDEPHAAT em 1983, na gestão do geógrafo Azis Ab’Saber, do pianista João Carlos Martins, tendo como autor do Laudo Técnico de Tombamento o artista, homem de teatro e arquiteto Flávio Império.

Simulação das edificações autorizadas pelo CONDEPHAAT no entorno do Oficina (destacado em vermelho)

Simulação das edificações autorizadas pelo CONDEPHAAT no entorno do Oficina (destacado em vermelho)

O empreendimento da Sisan foi aprovado em uma reunião obscura, em maio deste ano, com votos de apenas 13 dos 24 conselheiros, e um texto reles e mal escrito, incomparável com os laudos de seus antecessores acima mencionados e mesmo com o documento da atual Presidente do IPHAN, Jurema Machado, apresentado em 24 de junho de 2010, no dia do tombamento federal do Oficina quando ela era ainda representante da UNESCO. É um dos melhores textos escritos sobre o Teat(r)o Oficina e conseguiu a aprovação unânime dos membros daquele conselho.

A aprovação do parecer de Jurema termina com as diretrizes consequentes:

Considerando o Parecer da Relatora e após discussão do Conselho, foi a seguinte a decisão final:

· Pela inscrição do Teatro Oficina no Livro de Tombo Histórico e no Livro de Tombo das Belas Artes.

· Pela re-avaliação posterior, pelo IPHAN, da delimitação do entorno, tendo em vista tratar-se de bem a ser inscrito também no Livro de Belas Artes e não exclusivamente no Livro Histórico, e

· Pela manifestação, ao Ministro da Cultura, de que o Ministério e o governo federal identifiquem mecanismos que viabilizem a destinação do terreno contíguo ao Teatro Oficina para um equipamento cultural de uso público, utilizando mecanismos tais como a aquisição, a desapropriação ou a conjugação destes com instrumentos urbanísticos a serem identificados em cooperação com o Município e com o Estado de São Paulo.

A decisão do Órgão de Defesa do Patrimonio Cultural do Governo do Estado de São Paulo de assassinar o Teat(r)o Oficina e seu
entorno demonstra por si o apogeu deste desentendimento entre este Estado e o Oficina. Nunca quisemos assinar um Contrato de Permissão de Uso do Teatro Oficina a Título Precário com o Governo do Estado de São Paulo porque a própria incompreensão já revelada neste documento do Departamento Jurídico da Secretaria de Cultura não compreendia que já existíamos muito antes do Tombamento e posterior desapropriação pelo Governo Montoro.
Estas medidas jurídicas tomadas pelo Governo do Estado com o retorno da democracia e nosso retorno do Exílio imposto por este mesmo Estado no Período Militar visavam garantir nossa permanência no local que criamos: o Oficina na Rua Jaceguay 520.

Exatamente por nos tratarem desta maneira nunca assinei este documento de “Permissão de Uso a Título Precário” e nos garantimos até hoje com o Tombamento e a Desapropriação como garantia jurídica de nossa permanência por mais de 50 anos.

Durante estes últimos anos o Estado recusou uma proposta por nós feita de um Trabalho Teatral em torno de nossas relações burocráticas e jurídicas em que fiossemos personagens, assim como o Corpo Humano que trabalha na sua Administração, com o objetivo de realizar um “Convênio Exemplar” (nome da peça de Vídeo, Teatro e Debates que faríamos). No Lugar desta peça então trocamos o projeto por 4 semanas de leituras encenadas da peça “Cacilda !!!”. Fora isso não tivemos mais nada do Proprietário Estatal da Rua Jaceguay 520. Tivemos que nós mesmos fazer obras necessárias no Teatro como trocar toda a madeira da pista que já estava corroída pelos 20 anos consecutivos de uso; salvar a vida da Cezalpina plantada por Lina que nasce no nosso jardim e atravessa o muro e os vidros do Janelão que Lina criou e avança com sua generosa sombra sobre o Terreno pertencente ao grupo Silvio Santos, além de inúmeras outras obras de manutenção e consertos.
O Estado de São Paulo nos oferece somente o porteiro do Teatro, sendo que pagamos Luz, Água, Telefone, Internet, enfim todas as imensas despesas de manutenção de um Espaço Obra de Arte como o Oficina.
Depois de termos pedido há anos que regulem a situação de segurança do Teatro com o Corpo de Bombeiros – responsabilidade esta do proprietário – pois não temos saída de incêndio, a Secretaria no oferece esta monstruosidade de trancar toda esta Obra de Arte e nossa Atuação de Artistas com esta Torres e as outras por todo o Terreno, com uma saída de emergência com 1 metro e 80 cm., que ao mesmo tempo destrói o Janelão MASP criado por Lina Bardi e corta a Cezalpina plantada por ela. Nos fecha de novo sem Sol, sem ar, assim como todo o envoltório do Teatro atingindo a “Casa de Dona Yayá”, restaurada pela própria Presidente do CONDEPHAAT que aprovou estas Torres.

janela linabobardi cezalpina

A Cezalpina que atravessa o Janelão do Oficina. Foto Jennifer Glass

Mas sei que no ápice deste desentendimento e desta Guerra poderá dar-se o início de uma outra relação. Esta guerra vomita tudo que não é dito publicamente. Por decisão da Comissão de Cultura da Asssembléia Legislativa do Estado de São Paulo, o Deputado Paulo Rillo teve sua proposta de realização de uma “AUDIÊNCIA PÚBLICA” aprovada. Será no dia 5, ás 14:30h, no Teatro Oficina com a Presidente do CONDEPHAAT a propósito desta tentativa de destombamento e massacre do Teatro. A audiência teve o apoio dos Deputados do PSDB, do PC do B e de todos os Partidos enfim que compõem a Comissão de Cultura.
É um ato público em que é desejável a presença de todos os defensores deste Patrimônio: o Teatro Oficina. Os que aqui atuaram nestes 50 anos, os que aqui vieram ver e viver nossos trabalhos, o grande Público do Oficina Uzyna Uzona e todos que desejam também o Tombamento da Área Verde do Parque da Augusta e a entrada de nossa Metrópole nesta Era Ecológica Digital, portanto Pós Industrial.

Estas Torres enfartam ainda mais não somente todo BIXIGA como toda SamPã. Nesta audiência devemos tratar também do bem vindo plano de construção de moradias populares no Bairro do Bixiga pelo Governador Alckmin, mas precisamos estar certos de que não se repetirão casos como o do Teat(r)o Oficina: a derrubada dos lugares preciosos que dão a personalidade magnífica deste Bairro irmão da Lapa, hoje reconquistada no Rio de Janeiro como Espaço Cultural restaurado e frequentado por Multidões de toda Cidade.

Queremos o mesmo pro Bixiga. Estou certo que, como vivemos uma Época magnífica de transição de um Capitalismo que esgotou as reservas do Planeta e que precisa abandonar seu “ismo”, ficando com o Capital somente, para que nós todos possamos cuidar dos estragos feitos no Planeta Terra e aprender a viver de uma maneira mais culta – mais simples.

Na peça que fazemos agora, Cacilda!!!, Franco Zampari declara que a Cidade do seu tempo começava a descobrir a Indústria dos Séculos Futuros: a Cultura. E realmente ele trocou toda sua fortuna para criar a modernização do Teatro e do Cinema Brasileiro no TBC, aqui no Bixiga, e na Vera Cruz. No fim dos anos 40 e nos 50 a Burguesia Paulista deu uma Infraestrutura que é a que existe até hoje em SamPã: a Bienal, o Ibirapuera, o MAM, o Cultura Artística, o MASP.

Hoje temos o SESC. Sem Danilo Miranda essa cidade não produziria mais Teatro Arte. Mas temos que ir mais longe – a própria condição desesperadora da Metrópole Caótica e Enfartada em que vivemos precisa de mais – de uma Infraestrutura Cultural que é a da própria Vida da Cidade, de seu ar, de suas terras vazias de Torres, das Águas de seus Rios fedidos despoluídas no Fogo de uma Virada Cultural intensa de todos os 365 dias do Ano.

Talvez desse desentendimento entre o Oficina e a Cultura do Governo do Estado possa nascer uma nova compreensão do que é uma CULTURA VIVA – não sujeita às burocracias – tendo suas leis interpretadas a favor de nós todos humanos que aqui vivemos. Esta AUDIÊNCIA pode ser o início de um Marco Zero no movimento para a Cultura atravessar toda nossa vida URBANA, SUBJETIVA, MATERIAL E IMATERIAL. Talvez desse encontro comecem a germinar sementes que superem este desentendimento entre Cultura e o Peso Irracional dos Departamentos Jurídicos sem a presença do Poder Subjetivo na Interpretação das Leis.
Não há leis Pétreas. Se fosse assim não haveria necessidade de ninguém em postos como os de Preservação do Patrimônio Cultural e nas Secretarias e Ministérios da Cultura. A Intervenção do fator humano no Poder hoje é decisiva nesta nossa luta diária para não deixar que esta Cidade e este Planeta apodreçam acabando de vez com a Cultura Nova, pós industrial.

O momento exige a mudança de nós todos.

As ruas vão clamar por esta nova Independência neste 7 de setembro – Primavera de 2013.

José Celso Martinez Corrêa
Uma pessoa chamada Zé,

MERDA

IÓ! AMADA JUREMA MACHADO, PRESIDENTE DO IPHAN

Hoje, quando se luta pela transformação das metrópoles enfartadas, tanto nas vozes das ruas do Brasil todo quanto, felizmente, na voz do Prefeito de São Paulo Fernando Haddad, esta imagem do projeto da incorporadora SISAN – aprovado pela Presidente do CONDEPHAAT Ana Lana para o entorno do Oficina tem a feiúra de uma PENITENCIÁRIA. É provocação para uma GUERRA.

Simulação das edificações autorizadas pelo CONDEPHAAT no entorno do Oficina (destacado em vermelho)

Simulação das edificações autorizadas pelo CONDEPHAAT no entorno do Oficina (destacado em vermelho)

Obtivemos o PDF onde encontram-se as atas de duas reuniões :

1ª – O Conselheiro Egídio se coloca contra a permissão da construção de Torres Babélicas no último quarteirão vazio de SP como propunha a Presidente do CONDEPHAAT, e em seu posicionamento clama pela intervenção do IPHAN na contenda, antes da Catástrofe.

2ª – Outra reunião do chamado “Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico”, no dia 4 de junho de 2013, em que a Presidente impõe sua visão inoportuna para a questão do entorno do Oficina e permite a construção de Torres de apartamentos empilhados, mais que arranhando, penetrando os céus no Terreno do entorno tombado do Teatro Oficina pelo próprio CONDEPHAAT, por Aziz Ab’saber, João Carlos Martins, Flávio Império e pelo CONPRESP, assim como pelo IPHAN em 2010.

Estreamos “Cacilda !!! – Glória no TBC e no Aqui Agora de 68” no dia 16 de agosto no Teat(r)o Oficina e seu entorno, que ocupamos desde 2010, ano do tombamento federal que aconteceu em 24 de junho.

Estivemos viajando com a peça pelo o Interior de São Paulo em 3 SESC’s do Estado de São Paulo. Só soubemos da publicação no Diário Oficial de São Paulo quando chegamos de volta, em 11 de agosto. A Peça passa-se no Oficina e no seu entorno, inclusive onde está construído o “Nick Bar” para o público no Intervalo e depois do fim da peça.

Ana Lanna já cometeu o crime ecológico e a profanação pela intenção de destruição da ÁRVORE TÓTEM DO TERRENO ELEKTRÔNICO DO TEAT(R)O OFICINA, plantada por Lina Bardi: a CEZALPINA que atravessa os muros do Oficina e abre sua sombra no “AnhangaBaú da Feliz Cidade”.

No Diário Oficial está dito que nos oferecem uma servidão de passagem de 1 metro e 80 centímetros – tão estreita que passam por ela somente duas pessoas. Com esta permissão à Epeculacão Imobiliária pretendem destruir o janelão da lateral da Arquitetura Urbanística de Lina Bardi para o Teat(r)o Oficina – Terreiro Eletrônico, e muito mais.

Em setembro o entorno será uma das locações em que os arquitetos vindos de várias partes do mundo virão trabalhar durante a “BIENAL DE ARQUITETURA 2013 em SP” – criando com o Oficina Uzyna Uzona e o púbico em geral soluções para ocupação imediata do belíssimo espaço como Área Pública.

O Terreiro Elektrônico criado por Lina Bardi e Edson Elito este ano completa 20 anos no dia 3 de outubro com a estreia da 2ª parte de CACILDA !!!, A Fábrica de Teatro e Cinema, em que faremos do nosso entorno a réplica da Cia. de Cinema Vera Cruz, de São Bernardo do Campo, para as cenas de filmagem.

Nesta data iniciamos as Comemorações do Centenário deste “arquiteto”, considerado um dos mais ACORDES com o momento contemporâneo: Lina Bardi. Vem gente do mundo inteiro ver seu teatro e o projeto de ocupação no terreno do entorno que já na “precariedade radical”, como gostava de dizer Lina, estamos ocupando e cultivando.

A Intervenção do IPHAN neste assassinato cultural precisa vir o mais cedo possível. Foi aliás chamada, como já me referi acima, por um dos arquitetos daqui do CONDEPHAAT que antes da aprovação do entorno para fins de especulação imobiliária recusou a proposta da presidência e pediu que fosse consultado antes o Órgão dirigido por sua pessoa: o IPHAN.

O MPL – Movimento do Passe Livre, fez 4ª feira passada uma manifestação contra o Governo Alckmim envolvido na corrupção da construção do Metro. Temos sido apoiados e apoiamos este movimento deflagrador da transmutação do Brasil num corte Copernicano: antes e depois.

No Oficina realizam-se encontros no “CULTURA ATRAVESSA”, com os Artistas vindos do movimento das Ruas nascido no Ano Novo do hemisfério sul em junho em todo Brasil, precedido pelo movimento dos índios em todo Brasil através do Facebook. Isso que dizer que estamos, como nunca deixamos de estar, na luta com essa inversão dos objetivos dos Órgãos Públicos engolidos pela Especulação Imobiliária, pela Ditadura Financeira mundial imposta a todo Planeta.

Nos textos da permissão ao projeto Financeirista da Sisan referem-se hipocritamente ao Oficina como grupo que se notabilizou no combate à Ditadura – e nem se tocam na Arte q produzimos, intimamente ligada às terras que ocupamos – e nem imaginam que estão tratando com uma Obra de Arte Urbanística Arquitetônica. A Partir de hoje começa a luta para derrubar a Ditadura desta Presidência do CONDEPHAAT e a ganância fora de tempo do Grupo Sisan.

Chega de hipocrisia – tudo está feito pelo servilismo aos interesses do dinheiro pretendendo destruir “coisas belas”: os Patrimônios que são construídos, cultivados, pelas Paixões de multidões que atuaram com seu Corpo e Alma nos 55 anos do Oficina, e de seu Público sempre renovado pelas Primaveras das Juventudes. A infeliz Ana Lanna abriu seu jogo pessoal, de transformar um assunto de interesse público, despertado por uma luta de mais de 30 anos num assunto psicológico. Num domingo, em uma festa, declarou: “Construir uma Arena para o Ego de Zé Celso? Sou contra!”. Sua posição decorre de um ponto de vista psicológico que deve estar alojado no própio eguinho dela. Será que fiz alguma coisa errada para esta pessoa? Tenho curiosidade de saber de onde ela tira esta interpretação psicológica e a aplica em sua decisão num Orgão Público.

Estamos informando esta violentação do CONDEPHAAT aos próprios fins para os quais foi criado – o mesmo q acontece por ex. na Comissão dos Direitos Humanos com Feliciano aqui está acontecendo com esta Ana Lanna que por enquanto não sei quem é – mas só tenho dela a informação do ato criminoso q pretende ver realizado contra a Cidade de São Paulo e a razão de ser do Organismo q preside.

O MPL, que esteve presente nas reuniões dos artistas de SamPã (como chamo São Paulo), no Movimento “CULTURA ATRAVESSA”, certamente nesta 4ª feira de sua Manifestação pelas Ruas acolheria esta luta coletiva pela não destruição deste Terreno que vai se transformar numa Praça Tahir Brazeira: s Praça do “AnhangaBaú da Feliz Cidade’ para onde hoje dá a Rua Lina Bardi – Pista de Atuação do Teat(r)o Oficina.

Não é possível o IPHAN calar-se um minuto e não impedir a realização deste Crime Urbanístico Arquitetônico que ofende mais as Artes do que a Censura da Ditadura Militar. Está mais próximo à uma tortura imposta ao BIXIGA, à SAMPÃ e aos que no mundo todo estão lutando pela transformação desta Ditadura Financeira que vem comprando os Poderes Públicos de maneira cínica e sobretudo ignorante dos tempos presentes.

José Celso Marinez Corrêa

Presidente da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona

JUREMA ENTRA NESTA CENA – ESTÁ DADA A DEIXA – AS RÉPLICAS NÃO PODEM DEMORAR-SE MUITO SENÃO QUEBRAM O RITMO DA AÇÃO/

ESTES ACHINCALHES À CIDADE ACORDAM A SAÚDE DE NOSSA ENERGIA MAIS ESPERTA PARA IMPEDIR MAIS DEVASTAÇÃO, AFINAL ESTAMOS DESPERTOS COM PESSOAS IGUAIS A NÓS LUTANDO EM TODO MUNDO PARA DISSOLVER A CONTINUAÇÃO DA DESTRUIÇÃO DA VIDA NAS METRÓPOLES PELOS QUE TEM A PAIXÃO PELO COCÔ DO $$$$$$$$$$.

AMADA JUREMA : TUDO A FAZER : ESTAMOS PRESTES

Rap composto e ensaiado no final do espetáculo de Cacilda !!! – Gloria no TBC & 68, com o Público, dia 18 de Agosto de 2013

Para ver o vídeo clique aqui: http://new.livestream.com/uzyna/cacildasampa1/videos/27699786

O Ai 5 já Era
agora a Terra
vive
outra Guerra

A Praça da Turkia : Taksim
no Brasil é no Oficina

Táki Sim Taki Sim

 O Oficina Lina Bardi ameaçado
de ser encaixotado
pelo Condephaat
do Governo do Estado

Comprado
pela  Especulação Imobiliária
da SISAN
enfarta  o Bixiga e toda SamPã

Felicidade Guerreira
Vem Primeira
Lutar Corpo & Alma pra ganhar

Vamos juntos  já
ocupar
o  Nick Bar

Devorar esse Répão
feito hoje na Improvisação

Fora Ana Lanna
Infeliz Feliciana

O Teatro é uma Arte aparentemente em Extinção, como muitos animais, plantas, mas é uma arte imanente descoberta por nossos ancestrais milenares. Ela foi o ponto de encontro das Cidades da Antiguidade e recarrega a energia com poder de comer a Especulação Finaceira que devorou, no Brasil, o Phoder Humano da Arte Política.

Toda esta matéria sem circulação social, sem meios pra ser digitalizada, socializada, encenada, proibida pelo Bloqueio Econômico Permanente do Capital, do Mercado – por ter tocado nos Tabus do Sistema Cristão Capitalista, estava vivendo seus momentos mais difíceis este ano no Brasil, sufocada por ares poluídos e águas estagnadas. Mas nas últimas semanas pôde respirar aliviada, deixar suas arenas e manifestar-se nas Avenidas com as Multidões.

Foi descoberto o óbvio: quando tudo estaciona na Esclerose do Vodu dos Poderes do Sistema Burocrático Financeiro os Phoderes Humanos dos Corpos Bioecológicos impedidos de ser, vão agregando mesmo sem saber, inconscientemente, uma energia que explode no ponto máximo do limite da opressão. Sempre tudo começa com uma gota d’agua, desta vez foi uma gota de 20 centavos e o Oceano todo emergiu trazendo todos os descontentamentos destampados, fazendo chegar a prova dos Nove da Alegria nas Ruas do Brasil, com estratégias novas, inteligentes, baratinadoras!!!

Precisamos neste momento da Presença do que gera a recriação desta Arte. Muitos têm este talento – ARTISTAS E ESTRELAS DA ARTE POLÍTICA – mas estão cercados e isolados pelos Canastrões que ocupam os Postos em nome do Povo: uma maioria dos Sem Talento Político. O que possibilita este “TALENTO” são pessoas que constroem por Amor a cultivar a AgriCultura da Cultura, ACORDES com as Revoluções dos Costumes Patriarcais, da Era Digital, das Ciências todas, sobretudo com as polêmicas: as Genéticas e as que podem por fim à suja guerra perdida contra as chamadas Drogas, assunto da Medicina, nunca da Polícia. Ciências que percebem o Poder das Artes e da Vida ao Vivo em Mutações Permanentes.

Essas Manifestações, que conseguiram vir até nós em todos os pontos da Cidade quando não íamos ao encontro delas, podem trocar a violência e a aridez de uma Política sem Arte ou Emoção, baseada em velhas palavras de ordem, pela Imaginação, e trazer a Poesia – como Maiakovski na Revolução Russa – pras Ruas, pro Estado, pras Corporações Financeiras que se quiserem participar neste momento devem virar-se do avesso, investir muito não somente na EDUCAÇÃO E NA SAÚDE, mas na CULTURA, ARTES, PESQUISA CIENTÍFICA, TECNOLOGIA.

Se não houver investimentos na CULTURA LIVRE E NAS ARTES QUE CRIAM COM AS CONTRADIÇÕES DA LIBERDADE, COM O PARADOXO HUMANO ANIMAL, VEGETAL, COM A POESIA, BELEZA, PRÁTICAS DE ACORDO COM A BELEZA DA VIDA DA NATUREZA, ESTAREMOS REPETINDO ETERNAMENTE AS MESMAS “PALAVRAS DE ORDEM”, E O MANIFESTANTE DE HOJE SE TORNA O POLÍTICO CANASTRÃO DE AMANHÃ.

O QUE PODE O SER HUMANO É INCOMENSURÁVEL E COM O PODER DA ARTE, DA CULTURA, CIÊNCIA E TECNOLOGIA, SE TORNA POLÍTICO PHODEROSO PARA ENCONTRAR NESTA BABEL, SAÍDAS CRIATIVAS QUE A SITUAÇÃO DE RETOMADA DA ALEGRIA DAS RUAS INSPIRA.

GERALMENTE SOMENTE SE DÁ ESTE ENCONTRO A DOIS, ENTRE NAMORADOS, MAS NO TEATRO A PRÁTICA É COLETIVA, MAIS PRECISAMENTE ORGIÁSTICA – NÃO TEMAM ESTA PALAVRA QUE É SAGRADA – SOMOS TODOS DA MESMA ESPÉCIE E PRECISAMOS DESTE LUGAR ONDE OS HUMANOS SE ESPELHAM E VÃO ALEM DE SI MESMOS ATRAVÉS DE ROTEIROS IN(s)PIRADOS NA MARAVILHOSA LITERATURA TE-ATAL DE TODOS OS TEMPOS E NA QUE SE CRIA NO AQUI AGORA QUANDO PESSOAS SE PERMITEM ENCONTRAR, COMO MORTAIS EM PLENA LIBERDADE POR UMA COINCIDÊNCIA DE TEMPO.

É HORA, É TEMPO, DO TE-ATO ENTRAR EM CENA PÚBLICA.

intimacao

Pois é. Acabo de receber esta intimação policial como “Ilmo. Sr. Diretor da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, para fazer comparecer no 23º DISTRITO POLICIAL DE PERDIZES, dia 11 de junho, um dos nossos tecno-artistas associados para elucidar os fatos, e mais: reconhecer os atores de teatro em fotos ou vídeos postadas na web sob o título “Decapitação do Papa na PUC”, na “Ocupação da PUC pela Democracia”.

Achei o documento francamente delicado, educado, mais ainda, até afetusoso. Mas… o fato é que estamos sendo precessados mais uma vez pelos que devíamos processar pelo desrespeito ao Teatro e ao Estado Laico Brasileiro: os “Fundamentalistas Católicos Apostólicos ROMANOS”, que consideram a atuação teatral farsesca mais desrespeitosa do que o próprio ato destes Fundamentalistas de violar o espaço até então livremente sagrado da Universidade Católica.

Os alunos e muitos professores ocuparam a Universidade em virtude da nomeação para a Reitoria de uma candidata que pegou 3º lugar na eleição, mas foi a escolhida antidemocraticamente pelos representantes do Vaticano no Brasil por estar de acordo em transformar a PUC num “Recinto de Pregação Fundamentalista ROMANA”.

Estamos pasmos de ver todo dia e toda noite as epidemias mundiais assassinas na violência praticada pelos Monoteísmos Fundamentalistas de todos que se consideram donos de “Uma Verdade Absoluta” e “Um só Caminho”.

Ratzinger, antes de ser Bento XVI, já tinha castrado o movimento da Teologia da Libertação, de importância imensa para a vida cultural, religiosa e social do Brasil. No ano passado, quando sua fé como Papa já estava se perdendo, o representante de Deus na Terra quis tornar a PUC o que era no seu início.

Eu fiz dois anos de Filosofia na PUC nesta fase inicial, antes dos anos 60, ao mesmo tempo que fazia Direito na São Francisco. Desisti porque, entre outros, nosso professor Alexandre Correia, por exemplo, explicava com argumentos na matéria que lecionava, Lógica, a transubstanciação da Eucaristia em Corpo de Cristo… Vocês acreditam?
O Livro de Filosofia adotado no curso era um Catecismo trans-medíocre do Padre Leonel Franco.
Mas depois a PUC evoluiu de acordo com a evolução da Igreja nos anos 60,70 e 80 e tornou-se mesmo um reduto das mais decisivas lutas para derrubar a Ditadura Militar no Brasil.
O velho fundamentalismo do ensino havia sido superado e a Universidade Católica de Perdizes tornou-se Exemplar no Brasil e no Mundo pela sua prática da Liberdade Criadora nos Ensinos da Ciência, das Tecnologias e das Artes.

No ano passado estudantes da PUC foram nos procurar quando estávamos fazendo a peça “Acordes”, de Bertolt Brecht, chamando-nos outra vez à luta pela Liberdade do Ensino Laico no Estado Brasileiro Laico, na PUC agora ameaçada pela regressão à uma Universidade Fundamentalista Católica Apostólica ROMANA.
Os estudantes tinham ocupado a PUC e não permitiam a entrada da reitora imposta pelos representantes do Papa em São Paulo.
Na peça “Acordes” havia um Bonecão que representava o Capitalismo e que era despedaçado por dois Palhaços numa Cena de Circo de Horrores, no estilo tradicional teatral de “Gran Guignol”.
Então adaptamos o texto para a situação que a PUC estava sofrendo e apresentamos esta cena clássica do “Circo-Teatro” de Todos os Tempos: a Desmontagem, a DesParamentação, a retirada de uma Máscara Papal, tal como o próprio Ratzinger que acabou, ele mesmo, safando-se, saindo dela.

Será que a Bruxaria Teatral tem este poder? Libertou Ratzinger da própria Estrutura de sua Fantasia Papal?

O Teatro tem este poder: o de mostrar o ser humano mortal Paramentado com as vestes que lhe conferem Autoridade, muitas vezes destruindo a própria humanidade dos que se Paramentam, que passam a agir como Aparelhos, pois a Mascara se colou à pele

Jean Genet, em sua Obra Prima “O Balcão”, mostra um Bordel onde os clientes vestem as máscaras sociais de Papa, de Juiz, de Rainha, de General, de Polícia, etc… para transar seu “p(h)oder” com as putas que fingem acreditar em suas representações.
Na peça há uma Revolução e estas Máscaras das Autoridades são depostas, mas os partidários anti–revolucionários que restam vão ao Bordel e pedem que os clientes que frequentavam o Puteiro apareçam no Balcão do Palácio do Governador com suas Fantasias para conter a humanidade revoltosa com elas: suas Máscaras de Poder.

Bertolt Brecht tem em “Galileu Galilei” uma das mais belas cenas de teatro: mostra um Cardeal a favor da liberdade da Ciência, amigo de Galileu que vai se tornar Papa, mas à medida que vai se paramentando de Cardeal da Santa Inquisição, passa a argumentar a favor da prisão e tortura do grande físico Galileu porque ele afirma que a Terra gira.
No final da Paramentação, quando recebe a Mitra, o Cardeal Libertário concorda com a intimação do seu ídolo: o físico GG, para as salas de Tortura da Polícia da Inquisição.

Querer incriminar os artistas de Teat(r)o por esta cena é um atentado à liberdade de expressão do ator, isto é, ao “Anarquista Coroado”, como Artaud, um dos maiores sacerdotes Xamãs do Teatro afirma.

O Teatro é realmente o lugar onde tudo que é humano, transumano, subumano, animal, vegetal, mineral, pode ser vivido em forma de Máscaras de Dionísios, seu deus.
É o espaço da Liberdade Total. Nós das Artes, que lutamos contribuindo para abolir a Censura no Brasil durante a Ditadura Militar e ganhamos esta conquista não podemos recuar e aceitar a CENSURA à nossa atividade.

Esta criminalização da etherna atividade teatral à Liberdade de “rir corrigindo os costumes” demonstra que quem nos processa quer criminosamente o retorno do “Imperialismo Romano Católico Apostólico”, intrometendo-se no Estado Democrático e Laico brasileiro em forma de Criminalização Inquisitorial.

O Brasil é um país de maior número de católicos no mundo. Eu mesmo sou batizado, fiz 1ª Comunhão, mas por ter uma educação religiosa fundamentalista tirei o meu Corpo deste campo minado de Perversões.
Os brasileiros católicos não são romanos, são católicos antropófagos – frequentam o espiritismo, a Macumba, o Candomblé, a Umbanda, o Budismo – trepam com camisinha, portanto não somente para fabricar filhos, mas pelo prazer desta prática sagrada que é o ato sexual em si – um ato de amor, de criação e procriação quando há consentimento das partes.
Se casam, como os gays de hoje. Se a mulher que é mulher sabe o que quer e quiser abortar, aborta e depois confessa e comunga.
Sou vizinho de um lugar onde de 15 em 15 dias se encontram casais católicos carismáticos que passam os sábados e domingos dançando ao som do Tambor com toques até de Mãe Menininha.

Há, como diz Oswald de Andrade, um sentimento religioso “órfico” em todos nós, diante do Mistério da Vida no Cosmos.

Nossos ancestrais – minha avó paterna era índia – eram antropófagos, comiam carne humana tanto do inimigo mais forte para lhe adquirir as qualidades quanto dos entes queridos, filhos, irmãos, pais, avós, mulheres e maridos.
Era uma Cerimônia não para matar a fome, mas religiosa como a Eucaristia Católica que é uma sublimação da Antropofagia.
Talvez por isso no Brasil o catolicismo popular da maioria não tem a rigidez de outras religiões.

O Fundamentalismo é imposto pela religião do Hemisfério Norte, que antropofagiou o Império Romano e seus cristãos entregues aos leões, e tornou-se a Religião Católica Apostólica do Império Romano com ambições colonialistas e imperiais no mundo todo.

Esse tempo passou.

Vivemos de acordo com o que desejamos para nós mesmos e para todos, de mais gostoso.

A submissão a podres poderes é um assunto que está querendo retornar pelos que se sentem inseguros diante das revoluções que vem trazendo outros ares aos nossos tempos, desde 1967.

Esta intimação, aparentemente delicada, acolhe os interesses dos inquisidores fundamentalistas que determinam que eu, como diretor do OficinaUzynaUzona, cometa o crime anti-liberdade teatral e pró-censura de intimar artistas ou técnicos da nossa Cia. a dedurar através de fotos, como criminosos, atores que atuaram num evento pelo retorno da democracia na PUC.

Este instrumento jurídico, que a Inquisição da PUC conseguiu passar para  uma Delegacia de Polícia, é uma intimação contra a Constituição  do  Estado Democrático Laico no Brasil, a favor da reinstauração da Censura, contra a qual tanto lutamos nos tempos da ditadura militar.

É um atentado a Arte considerada como Crime.

Não desejo ser cúmplice deste Crime por isso vou por a  BOCA NO TROMBONE DO MUNDO.

José Celso Martinez Corrêa

orgulhosamente

Presidente da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona

Paz Humor Amor e Muito Mais