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Crítica

– Venham, vou conversar fora de meu gabinete

aqui agora com vocês, meus colegas e repórteres

minha Experiência

dentro  do “Cordel Encantado”

Constelações do Luxo já desaparecidos do Hemisfério Norte

& do Nordeste Hemisfério Sul,

comendo-se,

o antigo esplendor das realezas européias

como contraponto,

as agruras do sertão brasileiro

estarão na próxima novela das seis da Globo

as duas talentosas autoras do ‘Cordel Encantado Eletrônico”

escreveram pra  Atuadores Artistas Técnicos/Figurinistas/Costureiras/Camareiros/Camareiras/

Faxineiros/Motoristas/Atores /Atrizes do Brazil

Jovens/MadurosCabaços no Teatro/ Cinema/ TV/

prontos/lindos/ outros maduros demais/

como eu/na delícia do apodrecimento/da fermentação em Vinho/

vivendo  todas energias para o Folhetim do Século 19(?), para 24 quadros cinematográficos na TV do século 21, acontecer.

Meu corpo é meu simógrafo desta experiência extraordinária que eu soube aceitar num momento de stress absolute, mas que eu não poderia se tivesse juízo, ter aceito, mas era ineviteviltável que eu vivesse  meu Tabu na Novela da Globo das Seis.

Vivi

Vivo aqui agora

Meu corpo ontem naquela Igreja Barroca Extraordinária

(eu que detesto Igrejas)

descobriu o Deslumbramento do  Barroco

o Ouro dos Escravos

provocando Axé num espaço de Arte

O mesmo impacto que os meus colegas estão tendo com os Canyons da Região de “Serra Talhada”, onde gravaram cenas o Núcleo do Nordeste do “Cordel Encantado”

Me atingiu forte, um sentimento de pulsão religiosa,

com aquela Multidão de Carnes, Corpos bem vestidos pelos figurinos de época

fantasiados de nobreza da Seráfia do Norte e a do Sul, até então, países divididos.

Sábio da Corte que eu tento incarnar

entrava em cena  quando os Convidados ao acontecimento extraordinário

de um Rei jovem e uma Rainha casarem-se como Príncipe William e Kate

e dizerem depois do Padre: AMÉM.

Naquele casamento extraordinário para a União das Seráfias

não se ouvia de onde eu estava, nem o Padre

nem  os convidados enthusiasmados possuídos pelo deus Barroco

uníssonos, clamarem AMÉM e esta era minha deixa.

Por intuição, sem ouvir nada, Amadeos, minha personagem entrou em cena, interrompendo este grande acontecimento.

Olhei para os 360º Povoados de Câmeras

“PAREM, POR SANTA EUDÓXIA, ESTE CASAMENTO NÃO PODE CONTINUAR”

A Voz da diretora bateu no Barroco da Igreja  severa no microfone:

“Zé não olhe para as Câmaras”

Meu Corpo-Ator não atingiu a potência de comunicar aquelas centenas de pessoas a gravidade da ação. Estavam lá figurinos vestindo carne, mas sem anima.

Começamos a fazer as coberturas de cenas

Repetí varias vezes sem eloqüência apesar de num determinado momento eu me acovardei diante da Grande Máquina do Folhetim Eletrônico para não

interpretar o óbvio que meu corpo sentia:

“Pare, por Santa Eudóxia, esse casamento (de meu Corpo-Ator) não  pode continuar (com essa máquina mecânica enorme, sem desejo, que cabe num écran de iPad ou de TV, mas não tem anima)

Saí deprimido, não conseguí ter CATAHRSYS.

Voltei quieto com o Chaufer para o Windsor Barra Hotel

Tomei banho

Queimei um

Falei com Marcelo Drummond que está na Arte Vida do Oficina há 24 anos comigo/com Roderick o mais jovem ator do Oficina Uzyna Uzona, para a Produtora do Teat(r)o.

Vim para a Internet e consultei os sites do “Cordão Encantado”

e saquei: eu diria hoje

“Parem , por Santo Eudóxia, este casamento (com a NoVelha) não pode continuar, mas podemos ser amantes simplesmene,

amantes simplesmente nada mais

pois  estamos numa encruzilhada

em que o Tabú pode Virar Totem!

A experiência que tive aqui confirmou minha hipótese de que é possível que todos esforços de Multidões  de  talentos humanos pra caber no ‘Cordel Encantado”

senti no corpo, no meu cavalo, nos corpos, nos cavalos que todo o Tabu de Novelas, pode hoje sair do Roteiro de Ferro do Folhetim

como faz Godard para filmar que afirma: “o Dinheiro está no Banco, então rasguem o Roteiro e vamos filmar”

Gravar Roteiros ao Vivos com as talentosas Autoras/Atores/Câmeras/Figurantes desfigurando-se e transmutando-se em atuadores Corais/

retornando o vigor do Godard da TV: Chacrinha, pra Televisão

Libertar nossas potências não para prender as pessoas em casa, mas contagiar com pulsões vivas além do bom e do mau, da boa e da má,

e incorporar o Brasil Mapa Mundi Explodindo no mundo, Artistas Futebolísticos da Arte e Teconologia do Teato ao Vivo.

O Tabu da Novela pra mim virou Totem

eu não vou estar casado com esta Novela,

nem nehuma outra

mas eu quero ser o amante das DesNovelas ao VIVO

Temos a Tecnologia Leve, de Ponta,

Possível

O Tesão Carnavaleco de 365 Dias

Os Grandessíssimos Atores/Atrizes

a Barbárie necessária para desencantar Cantando como Lyrinha o Encantamento do Cordel Desencantado do Teatro Brasileiro virado Totem, em Teatro Eletrônico Encantado ao Vivo, criando no delírio das Multidões nada Figurativas, mas Delyrantes / O Rito Universal da Antropofagia de todos os Povos / O Retorno ao Barbaro Tecnizado / Arte Tecnologia Vida Ecologia do TransHumano Animal Vegetal/Histórico/Barroco/Mineral/Mar/Mar/Mar/FOGO/FOGO/ FOGO/TERRA ATERRANDO  ADORAÇÃO

E pra mim tudo começou no “Roda Viva” o encontro do embrião desta Arte.

28 de março de  2011 12:19

Reencontro hoje 30 de agosto este texto 16:13

Me recordo da Festa de apresentação do Trailer da Novela pra todos que trabalharam nela

Estava me coçando pra phalar e Phalei que via o PROJAC como uma Universidade pronto pra realizar o sonho de um Teato do século 21: Teato Eletrônico ao Vivo com um Público Chacrinesco Ativo/Vivo /em Transmissão direta. Por uns momentos a Festa se calou suspense me ouvindo até que um grande ator, começou no meio de um discurso interminado /talvez interminável/

corou o barato cantando uma canção molenga em torno de meu corpo/

Calei …

Nunca mais esta geração me chamará para atuar com eles e eu mesmo só toparía se pudesse realizar meu sonho de fazer a Teatralogía Cacilda!!!!!!!!! com Público ao Vivo com todas as Cacildas de todas as idades do Brasil .

Contei numa noite num dos quartos do Mercury Hotel na França para Ricardo Waddington/  um bando de Protagonistas da Novela/Estavam todos bem loucos e pareciam ter adorado(?!)

Deixei com Ricardo os DVDs de “OS SERTÕES” para uma Macro Série da Globo.

Até hoje não tive Réplica. Será que terei?


Vou pro Massagista me aliviar de minha escoliose.

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Em fevereiro Rodrigo Levino Dantas, do Grupo Folha, me perguntou assim:

O senhor concorda que o dramaturgo Nelson Rodrigues tinha uma persona machista ou misógina? É possível fazer uma espécie de licença e fruir a obra dele sem olhar para esse aspecto? Uma voz como a dele é necessária na sociedade brasileira e por quê?

E eu respondi:

Eu não sou “Senhor”, não tenho escravos
e Nelson não têm nada a ver com “persona” nenhuma,
nem “machista”, nem “misógina”.

Nelson Rodrigues é um Poeta Grego-Negro TragiCômicoOygiástico.

Não tem nada a ver com quem não sabe sentir o pulsar da vida no mundo diretamente, escravos de rotulações fornecidas pelas “personas” que seguram a Imagem de Mulher – ou do Homem – direit(a)os: Glória das  Celebridades do  Rebanho, suas Caretas piegas, Prafentex. Gente que  não sabe onde tem seu nariz.

Nelson precisa de muita leitura, interpretação, para não ser assassinado por quem projeta nele seu  psicologismo de arrivista moralista.

Nelson Rodrigues não tem personalidade, não precisa, como diz João Gilberto.

É um Artista Dionisíaco q trabalha com todas as Máscaras sociais e estupra Todas, no Cosmos da “Vida Como Ela É”.

Ele é um dos maiores Artistas de Teatro da história da Trans-Humanidade, indo além de Ésquilo, Sófocles, Eurípedes, equiparando-se a Shakespeare, Tenesse Williams, Oswald de Andrade…

É Artista que cria o Teatro como Rimbaud. “Nelson é um Outro”, pra lá do Bem e do Mal.

Quanto aos preconceitos em torno da Puta que a sociedade cristã amaldiçoa, afirmo: as Putas são as  Bacantes, as Putas Sagradas, as criadoras do Rito Teatral.

Na Antiguidade descabaçavam os meninos e as meninas em Cerimônias Rituas belíssimas Religiosas nos Templos de Apolo, Dionísio ou Pã. Ou no “Bucolium” = “Fodódromo”.

A Grande Atriz que não ama a Puta e a Putaria, é uma coitada. Não é atriz.

Nem o ator q não ama o Puto.

E é o que domina o bom comportamento do Teatro Sério, da TV, sem símbolos eróticos perversos, com Atrizes e Atores armariados, Mort(os)s Vivos.

Darlene Glória, Cacilda Becker, Sônia Braga, amam Putas, são imortais.

Veja Cacilda nesta foto fazendo uma Putaça na peça de Pirandello “6 Personagens a Procura de um Autor”.

Terminava a peça gargalhando, Pomba Gira num balanço em que furava com os saltos altos um arco de papel e se lançava sobre o Público do TBC.

Os Monstros Sagrados do Teatro Brasileiro da Época de Ouro da Arte Irreverente do Teatro tinham “Carteirinha de Puta”.

Eu, felizmente, DRT não tenho, mas adoraria ter uma “Carteirinha de Puta” como no Tempo que Teatro era feito por Atores e Atrizes Antropófago(a)s.

Coristas que no Grand Finale  do Teatro de Revista íam dançando e passando o número de seus telefones a alguém do público q transfigurava-se em seu cliente.

Entravam em cena, perfumavam o espaço com seus corpos, desciam até a platéia, sentavam-se no colo dos Cavalheiros, e nos entre-atos vendiam seus retratos.

Q falta fazem hoje no Teatro essas mulheres livres, do amor livre, que davam tesão no público com seu Carisma de Putas. Hoje domina o Cabacismo

Nelson sempre estuprou todos os Cabaços e Cabaças. Do que é descabaçado pelo Ladrão Boliviano, á Virgem dos “7 Gatinhos”, todos puto(a)s.

No seu centenário Nelson não merece tamanha falta de sensibilidade e desconhecimento de seu Valor Universal de Deus, do Diabo, e do Neguinho.

CACILDA BECKER- q sempre quis fazer “Senhora dos Afogados”, o papel da Esposa Virtuosa Aristocrática Pernambucana, que é levada pelo amante Filho da Puta à Zona para ser Orgyada, Devorada e Decorada.

No início de fevereiro o Estado de São Paulo publicou uma matéria sobre Roda Viva realizada a partir de entrevista comigo. Como o repórter não tocou no miolo, no mais importante das minhas declarações, escrevi ao Ubiratan Brasil, pedindo direito de resposta. Ele estava de férias e me respondeu gentilmente que passaria ao novo editor do Caderno 2 o texto. Enfim, não saiu a matéria no Estadão.

Publico aqui essa réplica minha e mais três textos:

_ o que motivou minha réplica

_outro deste mesmo repórter feito especialmente para ULTRAPOP, um blog do Yahoo notícias, q não repliquei

_o meu segundo Texto q foi feito para uma entrevista sobre a polêmica surgida com a publicação do Estadão, a pedido do Jornal O Globo, do Rio, para uma repórter mulher. Só publicaram  uma notinha q segue ao final.

Aí VAI:

Roda Viva no Teatro Princesa Isabel, 1968

Ió! Querido Ubiratan

Q decepção!
Q matéria mais que horrível sobre “Roda Viva” hoje no Estadão!
MEDÍOCRE, VENENOSA.

Só fofoca, escravidão à Mídia doente de Celebritite.
Muita intriga.
Nunca mais farei uma entrevista com este repórter.

Falei horas com ele, e o miolo do que falei nem sequer foi tocado.

O importante no acontecimento “Roda Viva” foi a presença surpreendente dos jovens pagãos de 68, que traziam no corpo toda revolução que hoje reaparece no mundo, ainda que reprimida por este tipo de cabeça de gente como o repórter, que luta contra a passagem desta obscura Idade Mydia para um Renascimento difícil da humanidade na Economia Verde.

Estes jovens do eterno “aqui agora”, em 68, invadiram os testes de “Roda Viva” para um Coro de 4 pessoas, e foram todos admitidos, em número muito maior q 4.

Criaram o ponto luminoso Revolucionário do Retorno do Milagre
do Coro Grego no Teatro Brasileiro.

Eu sempre achei “Roda Viva” de Chico um texto maravilhoso.

Nasceu da própria experiência do corpo do grande artista Chico Buarque de Hollanda, quando ameaçado de ser triturado pela máquina da nascente cultura de marketing da Sociedade de Espetáculos no Brasil.

Para se livrar desta praga Chico criou esta obra de valor imenso para o Brasil e para o Mundo, num texto teatral não linear.

Roteiros, Roteiros, Roteiros Oswaldianos. Numa língua sofisticada de palavras, sílabas, notas musicais, soando Nelson Rodrigues. Musicalmente deslumbrante não somente nas canções, mas na sonoridade dos textos phalados.

68 trouxe a revolução cultural do “aqui agora” no mundo
e o Tsunami de jovens que tomaram pra sí “Roda Viva” .

Foram os jovens que tomaram para si “Roda Viva” os autores da Revolução da Beleza do Ritual do “Roda Viva”.

O Poema Teatral de Chico e meu trabalho de diretor foram possuídos por este Vendaval de crianças de 20 anos em 1968.

“Roda Viva” teve sua grandeza histórica e estética obscurecida pelo ataque do CCC, mas a matéria de hoje vem como um OUTRO MASSACRE de “Roda Viva”.

Felizmente há uma jovem pesquisadora universitária, Nina Hotimsky, que está estudando o acontecimento. Nina trabalha para desenfartar este coágulo da ditadura militar e vencer este tipo de ataque com que a escravidão à Mídia dominante das Celebridades, dos Reality Shows, pretende enterrar a cultura viva do DNA de “RODA VIVA”.

Seria de uma justiça histórica a publicação imediata desta réplica à vulgaridade destas porradas de 2012 em “Roda Viva” pelo CCC: Capacho da Cultura-sub das Celebridades.

Por essas é que mais do que nunca, se o amadíssimo Chico liberar “Roda Viva”, por Amor à Revolução Teatral, eu topo montar.

Jose Celso Martinez Corrêa

“Eu quero te contar
das noites que varei
no escuro a te buscar,
das lutas contra o rei
das discussões com Deus
e agora que eu cheguei
eu quero a recompensa
eu quero a prenda imensa dos carinhos teus” *(Citado de Cabeça)*


Zé Celso questiona decisão de Chico de vetar encenação de ‘Roda Viva’

Musical de 1968 é um dos acontecimentos mais importantes da cultura brasileira

02 de fevereiro de 2012 | 21h 00
Pedro Alexandre Sanches/ESPECIAL PARA O ESTADO

Escrito pelo compositor Chico Buarque e levado aos palcos em janeiro de 1968 pelo encenador José Celso Martinez Corrêa, o musical Roda Viva é visto como um dos mitos fundadores da cultura brasileira contemporânea. Ainda assim, pouquíssimos brasileiros tiveram a oportunidade de conhecer o texto da peça e presenciar uma montagem sua. Chico tem vetado qualquer reencarnação de Roda Viva. Lançado em 1968 pela (extinta) Editora Sabiá, dos escritores Fernando Sabino e Rubem Braga, o texto também está fora de catálogo há décadas.

“Há um tabu social por trás disso, uma coisa que precisa ser mexida”, provoca Zé Celso. “É um resquício da ditadura, uma sequela, uma doença. O fato de Chico não publicar e não deixar montarr é muito estranho.”

O que parece ser uma autocensura de Chico com relação a Roda Viva soa desconcertante porque se trata de um herói pop da resistência à ditadura militar, ele próprio censurado repetidas vezes pelo regime. O autor de Sabiá (1968), Apesar de Você(1970) e Cálice (1973) não dá detalhes sobre o que motiva a interdição, mas reconhece o veto falando por intermédio de seu assessor de imprensa, Mario Canivello. “A justificativa do Chico é simples: ele considera que as deficiências do texto ficam ainda mais evidentes à medida que o tempo passa. Houve um caso em que, se a memória não me trai, alunos da universidade UniRio tentaram colocar em cartaz uma montagem acadêmica da peça. Só esqueceram o pequeno detalhe de que precisavam antes do consentimento do autor”, afirma Canivello.

“Falei com Marieta Severo, ela diz que Chico acha a peça horrível, fraca”, conta Zé Celso, referindo-se à ex-mulher do artista, que interpretou a protagonista feminina de Roda Viva no Teatro Princesa Isabel, no Rio. “Não é suficiente, não se proíbe uma peça porque ela é fraca ou horrível. O artista não pode proibir a própria obra. Quer dizer, pode, se quiser, mas Chico, um sujeito ligado ao lado libertário, não pode.”

Dirigida por Patrícia Zambiroli, a peça da UniRio a que Canivello se refere estrearia no Teatro Glória, em 2005, mas o autor não liberou. Outro que emperrou em Roda Viva foi Heron Coelho, que já havia reencenado os musicais buarquianos Gota d’Água (1975), em 2006, e Calabar – O Elogio da Traição (1973), em 2008. “Por critérios particulares do querido Chico, atendi ao pedido de não levar adiante o projeto, que estava avançado”, admite Heron, cuidadoso. “Cancelei a montagem e passei adiante o patrocínio que tinha.”

Roda Viva ficou eternizada como uma montagem de alto teor político, principalmente por causa dos episódios que marcaram duas encenações em 1968. Em 17 de julho, numa ação batizada “Quadrado Morto”, o Comando de Caça aos Comunistas (CCC) invadiu o Teatro Galpão, de Ruth Escobar, onde ocorria a montagem paulistana da peça. Depredaram o espaço, despiram e espancaram o elenco, que incluía Rodrigo Santiago, Marília Pêra (no papel que fora de Marieta), Antônio Pedro e Paulo César Pereio. A agressão se repetiu em 3 de outubro, em Porto Alegre, dessa vez por ação direta do Exército brasileiro, segundo Zé Celso. Roda Viva morreu ali, dois meses antes do AI-5

“Hoje, eu voltaria a fazer Roda Viva, de birra. Deveria ser remontada, porque fez uma revolução no teatro brasileiro”, diz Zé Celso. “Chico vinha de uma formação muito tradicionalista, os Buarque de Holanda eram muito religiosos. A peça não tinha nu, mas ainda assim ele pediu: ‘Olha, Marieta não pode ficar nua’. Voltar a Roda Viva talvez fosse libertador, porque deve ter um trauma. Diziam na época que a peça era minha, que era alienada. Ele acreditou nisso”, afirma. Zé Celso também questiona a suposição de que a indisposição atual do autor com a face “política” de sua obra explica sua guerra pessoal contra a peça, estreada quando ele tinha 23 anos.

Roda Viva é constantemente supervalorizada na obra do Chico”, opina o historiador Gustavo Alonso, autor do livro ensaístico Simonal – Quem Não Tem Swing Morre com a Boca Cheia de Formiga” (Record, 2011), em que tece considerações sobre a construção da imagem pública de Chico como herói da resistência esquerdista. “Não é um texto político, é uma crítica à jovem guarda”, Alonso afirma.

A preocupação central de Chico à época era criticar as engrenagens da produção de ídolos pop – podia estar se referindo a Roberto Carlos ou mesmo a si próprio. “Ele trata das metamorfoses a que a máquina de marketing obriga Benedito da Silva, que se transforma em Ben Silver, um ídolo de iê-iê-iê”, evoca Zé Celso. “Mas o personagem fica ultrapassado porque vem a linha da música brasileira, é quando canta Roda Viva. Em seguida, surge a turma de Geraldo Vandré, da militância, da música ideológica. E depois é comido pela máquina. É obrigado a se suicidar, e a mulher dele, Marieta, toma seu lugar, vira uma coisa parecida com Caetano Veloso, mas mais pro hippie.”

Zé Celso credita ao coro de Roda Viva grande parte do sucesso da peça em 1968. “Era toda uma fauna inédita, tinha negro, gay, mulher, gente feia, gente bonita, cientista, ambientalista. De repente, caíam em cima daquele público supercareta do início de 1968. Era um estupro, um estupro com exaltação.” Entre os atores do coro, estavam Pedro Paulo Rangel, Zezé Motta e André Valli. “Nós começamos isso no Brasil. Foi um ano antes de Hair, que não é nada diante de Roda Viva. O Brasil nesse sentido foi vanguarda, porque tudo começou a explodir aqui em 1967. No resto do mundo explodiu em 1968.”


Texto publicado no ULTRAPOP, e replicado de uma certa maneira com a matéria que respondi ao Globo.

Chico Buarque censurou “Roda Viva”?

Por Pedro Alexandre Sanches | Ultrapop – sex, 3 de fev de 2012

Escrita por Chico Buarque e encenada por José Celso Martinez Corrêa, a peça musical “Roda Viva” (1968) sofreu na carne as navalhadas do Brasil sob ditadura civil-militar. Poucos meses antes da decretação do Ato Institucional No 5 (AI-5), em julho de 1968, o teatro paulista onde era encenado foi invadido pelo Comando de Caça aos Comunistas (CCC). O elenco foi humilhado e espancado. Em setembro, o horror se repetiu após uma única apresentação em Porto Alegre, desta vez por ação direta do Exército brasileiro. Em 13 de dezembro, o AI-5 sacramentou definitivamente a mão pesada da censura sob o país.

Depois de 43 anos e de todos os percalços vividos por “Roda Viva”, quem resta em guerra com o texto é seu próprio autor, cujos olhos azuis Zé Celso gostaria de ter colocado no cartaz da peça, boiando numa posta sangrenta de fígado. Como relatei em reportagem publicada no jornal “O Estado de S. Paulo”, Chico interditou o texto da peça e não permite que ela seja reencenada no circuito comercial.

As razões da guerra particular só o próprio artista poderia desanuviar – e, por razões para mim misteriosas, ele gosta cada vez menos de responder perguntas. Para o Brasil, é (ou deveria ser) perturbador constatar que, nesse caso, o censurado virou o (auto)censor.

Nos acostumamos às atitudes do supostamente “alienado” Roberto Carlos, que, por transtorno obsessivo-compulsivo ou descompromisso político não apenas não canta mais “Quero Que Vá Tudo Inferno” como fez mutilar a reedição de um disco de Nara Leão que continha a música. Ao longo das décadas, o “Rei” já clamou pela censura de um filme de Jean-Luc Godard, expurgou a palavra “mal” de suas canções (e depois voltou atrás), proibiu a reedição de seu primeiro e hoje obscuro LP, abortou reportagens do jornal “Notícias Populares” e tirou de circulação a biografia “Roberto Carlos em Detalhes”(2006), de Paulo Cesar de Araújo.

A autocensura de Chico, tomado como herói de esquerda e sempre proclamado como o artista brasileiro mais perseguido pela censura nos anos 1970, soa mais desconcertante. Não só os “alienados”, mas também nossos heróis mais conscienciosos tentam por vezes apagar o próprio passado? Quando são eles que o fazem, perdoamos com maior tolerância que se fosse um general ou um cantor de iê-iê-iê?

A fúria censora de Roberto Carlos é célebre, e eu apostaria que tem muito a ver com TOC. Chico, que se saiba, mandou para o limbo “apenas” uma obra – simplesmente a peça-símbolo de 1968, que hoje Zé Celso considera uma antecipadora de “Hair” (orgulho teatral-musical dos hippies estadunidenses). Gilberto Gil, libertário tropicalista de 1968, mirou-se no conluio de Roberto com um juiz-cantor-fã, e fez brecar uma biografia não-autorizada que estava em curso. Certamente há muitos mais exemplos.

Uns entes públicos vetam-se a si próprios (eventualmente vetam, junto, um trecho da história do lugar de onde vêm). Outros se abatem sobre tentativas alheias, por se acreditarem donos e controladores únicos do que produziram para a fruição pública (e para a própria subsistência). Não são “só” eles. De um jeito ou de outro, todos nós (nos) cesuramos (e aos outros).

Por controverso que seja o assunto, é preciso notar o momento inédito – e positivo – que vivemos. No auge da ditadura, a sociedade outorgou a cidadãos fardados e burocratas a tarefa de determinar o que NÓS podíamos (ou não) encarar em termos ideológicos, políticos, comportamentais. Como se fôssemos incapazes, uma comissão decidia em nosso lugar nossa vontade política e nossos “bons” costumes.

Vários estudiosos (como o historiador Gustavo Alonso, autor do fundamental ensaio “Simonal – Quem Não Tem Swing Morre com a Boca Cheia de Formiga”, que a editora Record publicou ano passado, após grande relutância) chamam atenção para um fato desconcertante: arrefecida a censura oficial, na virada dos anos 1970 para os 1980 e adentro, o governo federal recebia toneladas de correspondências de cidadãos “indignados” – que exigiam MAIS censura, e não menos. Como indaga Gustavo, seria mesmo esse povo “vítima” de uma ditadura forçada?

Da redemocratização para cá, a censura instituicional desmoronou no Brasil – devagar e muito aos poucos, mas desmoronou. O Estado ainda intervém aqui e ali, e produz desastres e/ou aberrações vez por outra (pense no Pinheirinho, na Cracolândia, em Belo Monte, na Favela do Moinho, na USP, no Big Brother Brail). No mais das vezes, entretanto, cada um tem de decidir sozinho o que pode tolerar e o que o escandaliza. E tem, acima de tudo, de arcar com as consequências de seus ímpetos e atos libertários e/ou censuradores.

Vale para qualquer um de nós: eu, você, Roberto Carlos, Chico Buarque, a presidenta do Brasil, o papa. E não deixa de ser perturbadoramente eloquente que, mortas e enterradas as tesouras censoras “oficiais” da outrora famosa dona Solange Hernandez & seu pares, Chico Buarque se tenha se convertido no censor oficial de “Roda Viva”.


Resposta por email à entrevista pedida pelo Globo depois da matéria que saiu no Caderno 2, para a repórter Cris Tardáguila. A responsabilidade pela não publicação deve ter sido da edição do Caderno 2. A entrevista além de ser longa não é vendável, não cira a polêmica Zé Celso X Chico Buarque.

Leia com atenção as perguntas da jornalista Cris Tardáguila, minhas respostas, e depois leia e veja o q saiu publicado no Globo:

Existe um plano concreto seu para remontar “Roda Viva”?

Não. Arrisquei uma entrevista longa com um repórter tipo inquisidor, sobre “Roda Viva” para tocar esta “Obra Prima”.

Mas o grande acontecimento teatral de retorno depois de milênios do CORO da Tragédia Grega no Teatro Princesa Isabel, no Rio de Janeiro, abrindo o ano de 1968, foi obscurecido pela Repressão da Ditadura Militar:

Primeiro em São Paulo – através do ataque físico aos artistas, técnicos, equipamentos, ao próprio corpo do Teatro Ruth Escobar, realizado pela “Operação Quadrado Morto” e planejado e executado por um Bando paramilitar auto-denominado CCC = Comando de Caça aos Comunistas.

Depois em Porto Alegre, no dia seguinte à estreia da peça na cidade, pela ação militar do próprio Exército Brasileiro, através do 3º Batalhão de Polícia do Exército, o “Porto Alegre 3º B P E”, que invadiu e cercou o hotel onde o elenco da peça estava hospedado para espancá-los nos quartos, perseguu os que tentavam fugir pelas escadarias e corredores do Hotel, bloqueou os telefones para impedir a comunicação com advogados e imprensa de Porto Alegre e do Brasil e raptou a atriz Elizabeth Gasper e o violonista da peça, levando-os para o mato distante, para ameaçá-los com um estrupo.

Depois de toda esta Ação de Tortura Coletiva, meteu todo elenco ferido, sangrando, aterrorizado, dentro de um ônibus despachado para São Paulo.

Em seguida o próprio Exército Brasileiro proibiu oficiosamente a encenação da peça em todo território nacional.

Hoje, quando existe a “Comissão da Verdade”, estes atos devem ter seus atores revelados pois eles realizaram uma forma inédita de Tortura, a Coletiva, de jovens Artistas e técnicos.

Porque? Por terem dado a Luz à uma Grande Obra de Arte revolucionária, inspirada na Obra de Chico Buarque e na minha direção.

Foram esses jovens mesmos, que com seus Desejos Corais do “aqui agora” de 68 comeram a mim e ao Chico e pariram o Rito Coral “Roda Viva” para o Teatro Brasileiro.

Completando sua pergunta, afirmei num texto em que repliquei a matéria inquisitorial em cima do Chico publicada no “Caderno 2” do Estadão. Declarei que montaria a peça se Chico quisesse. O artista é livre em seu querer, é o óbvio que mais irrita os escravos da mentalidade do rebanho, sempre em busca de um culpado.

Minha intenção foi, e é, transformar o Tabu “Roda Viva” em Totem do Teatro Brasileiro e Mundial.

Chico tem toda liberdade de tomar a posição que quiser. Mas como tenho um carinho imenso pela pessoa dele e pela Obra, estou querendo mostrar a Chico que a peça que escreveu menino, vinda de suas entranhas rebeldes, à Máquina de Massacrar na nascente Cultura de Marketing nos anos 60, é extraordinária.

Aconteceu a mesma coisa comigo. Comecei a fazer Teatro por ter conseguido escrever em 40 minutos minha 1ª peça “Vento Forte para um Papagaio Subir”, que juntamente com “A Ponte”, de Carlos Queiroz Telles, estreou o Oficina em 1958.

Logo a seguir escrevi “A Incubadeira”. As duas peças fizeram junto ao público um sucesso extraordinário. Mas havia em São Paulo, no Teatro de Arena, um “Seminário de Dramaturgia” que indexou as duas peças como “psicológicas e “pequeno-burguesas”. Décio de Almeida Prado, considerado o maior crítico de teatro do Brasil, na época, taxou o “Vento Forte para um Papagaio Subir” uma peça “excessivamente simbolista”.

Essas coisas numa época em que dominava o realismo me fizeram deixar de escrever. Minha escrita virou caligrafia da encenação teatral. Perdi as peças. Somente as reencontrei quando fui pesquisar o repertório de Cacilda Becker para escrever a Teatralogia Cacilda!, !!, !!!, !!!!, no Arquivo da Polícia Estadual de São Paulo. Comprado pela USP lá se encontram todos os textos montados no Brasil do começo do século XX a 1968.

Reli as peças e as achei medíocres. Quando completei 70 anos o SESC de Araraquara, minha terra, me convidou para dirigir “Vento Forte…”. Aceitei, e em contato com o Corpo do Texto, para teatralizá-lo, apaixonei-me. Era como reconhecer minha primeira filha. Percebi aos 70 que tinha feito um Teatro Poesia, e que eu mesmo era antes de tudo um Poeta.

Sinto um paralelismo com a posição do Chico em relação à sua 1ª peça.

Foi muita repressão militar somada às fofocas de egos que achavam que minha encenação tinha roubado a peça do Chico.

Os autores deste Fenômeno não foram nem Chico nem eu, mas sim o CORO de jovens Pagãos de 68, que invadiram o Teatrinho Princesa Isabel no dia de um teste para 4 pessoas, para um Coro convencional, e tomaram a peça pra si. Essas pessoas, de um talento extraordinário para a ação teatral orgyástica coletiva, com grande estratégia de jogadores de Teatro, não distinguiam o Palco da platéia, Atores de Espectadores, e recriou a revolução de tocar no corpo dos espectadores. Como acontece no Candomblé, nos Rituais Indígenas, no Carnaval.

Esta devoração do Publico pelo CORO de “RODA VIVA” trouxe de volta a feitiçaria milenar dos Dytirambos Dionisíacos, e ressucitou o Teatro Brasileiro linkando-o com o maior momento de Potência do Teatro no Mundo: “A Tragédia Musicada Grega”. Oswald de Andrade já desejava para seu teatro “a Grécia Carnavalesca do Brazyl”.

Quem faria (ou seria um bom ator para fazer) Ben Silver?

Na peça é claro que importa muito a Protagonização, que foi soberba em 1968, mas os reais Protagonistas de “RODA VIVA” foram os que fizeram o CORO. Coros Autocoroados de Protagonistas jogando, cantando, dançando, em estratégicas rodas de passes vivos entre si e o Público.

Muito mais difícil hoje, do que encontrar os atores que podem protagonizar as personagens da peça, é encontrar o CORO, com o espírito Orgyástico, de Intensidade Inventiva, Poética, Jogo, Esperteza, Inteligência, Sensualidade, Coragem Coroal do Coro Obra Prima – (no sentido literal). CORO DE CRAQUES, como um time de futebol que com Arte e Ciência Teatral, fora do palco italiano, joga para os 4 cantos, céu e inferno do espaço com o Público tomado como Atuador Ativo. Um Time de Titãs! Cada um brilhava e todos juntos explodiam em galáxias. Tenho trabalhado muito neste milênio egóico, competitivo, de fim do neoliberalismo, com Coros. Consegui com muito trabalho, em muitas Obras que criamos juntos no Oficina Uzyna Uzona, através de muito estudo e de uma desconstrução total dos Corpos e das Mentes.

Em 68 o CORO surgiu com força ctônica, telúrica. Brotou espontâneo na Virada do Mundo no “aqui agora” de 68. Tem dado um trabalho imenso reencontrar esta matéria Coral inicial.

A Ideia Fixa nos jovens hoje é que ser ator é ir para TV protagonizar. Traz esquizofrenia na maior parte dos jovens que vivem esta Medíocre Idade Mydia de Celebritite e submissão ao Big Brother.

Mas temos conseguido muito no Oficina Uzyna Uzona e vamos conseguir cada vez mais. “BACANTES” nasceu inteiramente de “Roda Viva” assim como a “TRAGIKOMÉDIORGYA” e a “ÓPERA DE CARNAVAL ELEKTROKANDOMBLAIKA”.

Hoje vivemos a Obsessão de erguer nestes anos de Copa do Mundo e Olimpíadas o TEATRO DE ESTÁDIO OSWALD DE ANDRADE.

Já tentou conversar pessoalmente com o Chico sobre o assunto? Quando? Qual desfecho?

Não, mas num determinado momento fui ingênuo e comecei a tentar me comunicar por ele por entrevistas e textos. Mas o jornalismo hoje é o Purgatório da Inquisição, da Celebritite, da provocação de Intriga entre os artistas, porque “só isto vende”.

Mesmo as perguntas desta matéria revelam às vezes a armadilha da fissura de se cair na notícia q venda. Pode ser que o conteúdo do que estou escrevendo não caiba na estreiteza dos Cadernos das entediantes fofocas culturais. Não sei se vende o que estou tentando passar.

Pedi a entrevista por email porque é abominável o que vejo publicado como se fosse o que eu disse.

Aconteceu há pouco tempo com uma matéria vagabunda que a “Folha Ilustrada” fez comigo sobre as artistas que fizeram plástica. Foi feito tudo pra saírem de minha boca coisas desagradáveis sobre atrizes de Teatro q estão na TV e que amo.

Chico alega que o tempo revelou que seu texto em “Roda Viva” é fraco. Você concorda? Qual sua opinião? O que há de fraco nele?

Nada de fraco. Só tempos fortes. Cacilda Becker dizia que o único pecado do ser humano é não confiar em si mesmo, em sua potência. “RODA VIVA” tem estrutura não linear Oswaldiana, criada pelas vísceras do jovem fígado de Chico. Daí eu ter sugerido em 68 que o cartaz da peça trouxesse os maravilhosos olhos azuis de Chico numa Posta de Fígado Crú. Para mim “O Rei da Vela” é o Primeiro Ato e “Roda Viva” o segundo de uma mesma peça. Duas obras que marcam a revolução cultural de retorno à Antropofagia, consequentemente aos rituais indígenas, africanos, à Rádio Nacional, às maravilhosas Macacas de Auditório, à Música Ditirâmbica Negra Mundial, à música eletrônica dos “Bárbaros Tecnizados”. O adeus ao Padre Anchieta.

A Tropicália, retomando a Antropofagia, operou a descolonização cultural do Brasil. Esta potência cultural que emerge dos baixos, fora da maioria insossa culturalmente da classe média.

Que memórias você guarda das exibiçoes que fez de “Roda Viva”?

Energia milenar acumulada no cérebro arcaico, no meu útero coração:

“Aqui Agora”.

Paixão da Roda Viva de todas as noites e matinês. A Companhia se auto denominava “CU” = “Companhia Utópica”.

Não está na minha memória. Vive aqui agora em mim e no DNA da cultura brasileira neste dia 10 de fevereiro de 2012.

Qual seu interesse em levar “Roda Viva” aos palcos outra vez? Enxerga um momento político ou artístico adequado?

Não é uma questão de interesse nem de adequação ao momento. É Além do Além, é “aqui”. Liberar “RODA VIVA” com um CORO q nada tem a ver com os dos musicais do momento atual é expurgar uma seqüela, um coágulo de 44 anos produzido pela ditadura no Brasil, que tem sido uma rolha no fluxo da revolução cultural brasileira e mundial.

Chico, como todo ídolo, dificilmente é contrariado ou criticado – menos ainda publicamente. Ao dizer que a decisão dele sobre “Roda Viva” é um caso de auto-censura, você de certa forma acaba criticando-o. Como é estar nesta posição? Tem recebido muitas mensagens e telefonemas em torno dessa história? Pode compartilhar?

Eu não digo que Chico autocensura “Roda Viva”. Ele simplesmente não quer que a peça seja montada como eu não queria saber de minhas primeiras peças. Em Teatro, em Arte, não existe essa de forçar ninguém à nada, de julgar as pessoas. Eu Fiz uma peça do Artaud chamada “Para Dar um Fim ao Juízo de Deus”. Nas entrevistas que tenho feito tento passar o fenômeno Estético, de Revolução Política do Corpo Individual e Coletivo que foi e é “RODA VIVA”.

Quando acontece um fenômeno assim na história jamais ele será esquecido. Está no DNA da espécie este “Eterno Retorno”, como diria Nietzche. Ou esta “Evolução Regressiva” como escreveu Euclides da Cunha em “Os Sertões”.

Quais são seus planos para o futuro próximo? Onde está agora e o que está fazendo profissionalmente?

Vamos reestrear em Março a “MACUMBA ANTROPÓFAGA URBANA”, no Teatro Oficina, q saiu com as casas lotadas porque tivemos que preparar “BACANTES” para o Grand Finale do “Ano do Brasil na Bélgica”. Fizemos a peça em Liége e no Teatro São Luiz em Lisboa, 52 pessoas, retornamos ao Brasil, e fomos todos descansar, estávamos todos exaustos.

Este ano nossa nova criação será “ACORDES”, do jovem Bertolt Brecht e do músico da escola de Frankfurt Paul Hindemith. Retornamos aos nossos estatutos da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona, inpirados nesta obra. No Acordo pela mudança permanente. Esta peça é uma Macumba para que seja trocado, como propôs Silvio Santos, imediatamente, o terreno do entorno do Teatro Oficina, tombado pelo IPHAN, por um terreno de equivalente valor da Prefeitura, para que possamos dar continuidade ao que começamos já nas “Dionisíacas” e na “Macumba Antropófaga Urbana”: a ocupação do entorno para lá levantarmos o “Teatro de Estádio”, a “Universidade Antopófaga”, a “Oficina de Floresta”, e reanimarmos o BAIRRO DO BIXIGA, coração da Metrópole de São Paulo, q chamamos de Sampã.

Confesso que fiquei pasmo de gargalhar com a resposta reacionária que em muita gente provocou esta entrevista feita por um repórter que, para vender a matéria, foi na onda do rebanho que quer julgar, acusar, estigmatizar.

Respondi a matéria que gerou toda a mediocridade destas reações ressentidas, mas até agora não sei se foi publicada pois estou nas ondas de “A Mar” que nos transporta de uma Duna pra outra em Jericoacara.

Abraços carinhosos,

de Zé

EVOÉH

Eu não sabia que tantas perguntas eram para aquela página de “entretenimento”, quer dizer, de “serviço”.

Acho q meu Blog vai ser enormemente insuportável com as imensas publicações que envio e que a Mídia joga no Lixo, sem revelar ao menos um breve resumo do CONTÉUDO.

E isso num dos jornais de maior penetração no Brasil.

Como eu sou Idiota!

A MAIOR ARTISTA DA CRÍTICA DA ARTE DO TEATRO BRASILEIRO, MARIÂNGELA ALVES DE LIMA, ESTÁ SENDO DEMITIDA PELO “ESTADÃO”

RAZÕES DA ARTEFOBIA DO PUBLICOMARCADO DO MERCADO? OU O Q?

Achei muito estranho o fato do “Estadão” estar demitindo a maior crítica de Teatro do Brasil: Mariângela Alves de Lima.

Mais que amor à primeira vista, com Mariângela senti no nosso primeiro encontro, na cena, atuando em “Gracias Señor”, a comunhão de uma irmã animal, que buscava naqueles tempos de escuridão, a Luz onde quer que ela se encontrasse.

Aliás o etherno Luis Antônio Martinez Corrêa, Luix, como pronunciam os meus irmãos, e entre eles o arquiteto João Batista Martinez Corrêa, são como ela, cancerianos, buscando sempre esta Luz, que esta minha outra irmã, em seus territórios de ação, percebo neste instante que escrevo, busca.

Nosso esbarrão foi em 1972, no auge da repressão da Ditadura Militar, no Teatro, no Subterrâneo do Ruth Escobar.

Tinham acabado de arrancar os dentes dos ferros piramidais de “O Balcão”, de Vitor Garcia, e o arquiteto Lina Bo Bardi, criadora da Arquitetura Cênica de “Gracias Senõr”, ou “Revolição – Lição de Voltar a Querer”, foi comigo ver o espaço.

Lina pirou!

Não tinha mais poltronas! Nas paredes, tijolos quebrados, desvestidos da massa corrida, formavam uma caverna arruinada! Um paredão de pé-direito muito alto, pintado de negro, mas todo descascando!

Era exatamente o espaço cênico em que nós brasileiros, aquele ano, estávamos confinados, postos à força contra o Paredão sem saída de Fuga. Nossa geração nas prisões, torturados nos porões encobertos por cenografias fakes de muros que escondiam as Portas de Entrada no Inferno e nos sanatórios em que se lobotomizavam os dissidentes.

Lina imediatamente deslumbrada sacou: “Não precisa fazer nada. A Arquitetura Cênica do “Gracias Señor” é esta, é o que a peça chama de TeAto, não mexam em nada!”

Em cena topei com Mariângela, na parte além da Morte do desejo reprimido, na Barca de Serafim, no Sonho da União dos Corpos, na Orgya.

Senti que estava diante de uma sensitiva. Mariângela, uma jovem de 24 anos, estava em transe lúcido: tremia, tinha os olhos transbordantes d’águas e um vermelho vinho vibrava vivo em todo seu Corpo.

Não estranhei nada quando voltando do Exílio comecei a ler suas extraordinárias críticas no Estadão.

Lia a mesma sensitiva, com percepção aguçada do cerne do que via: do teatro em si ou não, de cada peça que observava.

Mariângela nunca julgou ou julga, nunca “prestou serviço” para os clientes do jornal, como todos os críticos da época, inclusive a Velha Senhora Bárbara Heliodora, a grande Empregada dos valores do Teatro pequeno burguês.

Mariângela ilumina com sua sabedoria sensível. Especifica o fenômeno teatral “em si”, interpreta o que tem à sua frente, ilumina o trabalho dos Artistas.

Depois de suas críticas os nossos trabalhos como que ganham a tão necessária percepção do outro, do artista, do público amante da Arte em si.

Próximo a ela antes estava Ian Michalski.

Ela retoma a tradição dos grandes críticos, como Décio de Almeida Prado, Sábato Magaldi, Paulo Francis, mas já sem a crença que o teatro brasileiro havia começado com Padre Anchieta.

Nunca foi fundamentalista do teatro Realista, de costumes. Não é fundamentalista do realismo das peças para a classe média. Tem a a paixão pela ressurreição do Teatro como Grande Arte.

Será que foi demitida por estas qualidades de ser independente, não empregada do jornal e de grande parte dos leitores deste?

Mariângela é uma das raras artistas da Crítica.

Ela, que foi ver todas as peças do Teatro Oficina Uzyna Uzona a partir de “Ham-let”, coisa que os críticos que fazem parte do júri do Prêmio Shell e da APCT, atualmente já não  fazem. Viramos agora fantasmas, para estas pequenas mediocridades instituídas.

Nenhum crítico desses escreve mais sobre nosso trabalho, reconhecido mundialmente para a ressurreição do Teatro.

Ela viu e vê tudo. O Estadão tem outro crítico, que revelou-se um puxa-saco da família Mesquita, querendo rebaixar o teatro antropofágico para exaltar a dramaturgia realista do  maravilhoso diretor da EAD, Alfredo Mesquita.

Na Folha de São Paulo Nelson de Sá, Sérgio Sálvia, Mario Vitor, que enobreceram lá a crítica, foram sucedidos por críticos empregadinhos do jornal, e sem cultura teatral nenhuma. Até a chegada do ótimo crítico Luis Fernando Ramos.

Destes críticos ficamos com ele e Mariângela na ativa nestes últimos anos decisivos, em que apareceram Companias muito fortes em Sampa. Nem dá pra citar nomes, é uma Florada. O Teatro vive um renascimento ignorado pelo mainstream do Teatro de Costumes, teatro pequeno burguês de auto-ajuda, boa consciência, careta.

Toda esta revolução subterrânea, que não sai nos grandes anúncios horrendos dos Guias, está sendo percebida pelo olhar vidente de Mariângela como pontos luminosos prestes a iluminarem juntos o Eterno Retorno do Poder do Teatro como Arte, em Sampa Paratodos! Percebeu até essa revolução numa peça do Teatro Comercial: a última peça dirigida por Monique Gardenberg. Mariângela fez uma crítica que me fez ver o que não pude ver por estar trabalhando nos mesmos dias. Vejo que ela vê a Beleza que pode brotar até no mainstream global.

A escrita de sua crítica de “Cacilda!” – lembro-me de quando lemos – parecia jorrar em cachoeiras infinitas sobre nós. Chorávamos rindo de Alegria e Beleza do texto. Se ela sente Arte, ela multiplica em mais Arte.

Interpreta em vez de julgar, que é o que o Artista faz. Por exemplo: nos revelou na sua crítica da “Macumba Urbana Antropófaga”, que já não somos mais vingativos como o jabuti, mas estamos em 2011 a acreditar nos sinais. Colhendo palavras do texto de Oswald fez perceber ao público e a nós mesmos os rumos atuais do Oficina Uzyna Uzona.

A maioria dos nossos espetáculos ela foi ver duas, ou até três vezes, antes de sair a crítica. A da “Macumba” saiu no último dia da peça. Mas valeu pelo brilho poético do que percebe como Arte.

Neste dia o Teatro Oficina, no início da Macumba, estava lotado do lado de dentro, e fora estavam 400 pessoas.

Nós tiramos a peça de cartaz para reensaiar “Bacantes”, que faz o Gran Finale do “Ano do Brasil na Bélgica’, em janeiro de 2012, mas vamos voltar depois do Carnaval, com a crítica de Mariângela abrindo alas para as novas temporadas da “Macumba”. Como ela sempre demora pra escrever a crítica de nossas macumbas, ficamos putos, muitas vezes, mas quando chega, entendemos.

O tempo dela não é o do rebanho.

Mariângela é a Crítica Artista, o João Gilberto da Crítica do Teatro Brasileiro. Só cria em seu tempo, não de encomenda. É vital para o “Estadão” dar epaço para esta Crítica Artista. Ela é como João. O que produz nas letras, no jornal, tem a mesma maravilha da visão divina do criador da batida da bossa nova.

Porque desperdiçar um ser desta dimensão?

Ela fora do jornal vai continuar escrevendo por ser mesmo uma compulsiva grande Crítica de Teatro, como Harold Bloom, Ian Kott. Mas e nós que estamos criando o teatro de que a mentalidade pequeno burguesa do rebanho tem medo, não entende, nem quer entender? Como ficamos sem Mariângela num jornal da importância do “Estadão”?

E como fica o “Estadão” sem uma Artista desta vitalidade?!

Será um sintoma desta época que tem medo da Arte, que só pensa no rebanho mercantil, que vai se drogar no Teatro pra ver de perto os artistas de TV? Que tem horror e ódio do Teatro que fazemos? Que dão bandeiras até de artefobia, de oficinofobia?

É um fato histórico no Teatro-Arte Brasileiro esta demissão de sua melhor Crítica. É mais que justo que seja revisto pela direção do jornal, ou assumido como uma submissão à  pressão da mediocridade burra do público consumidor do Mercado de produtos descartáveis.

Submissão aos moralistas, aos que não querem o Teatro que toque nos Tabus do Desejo de todos nós bichos humanos, sem importar a classe social. Aos que não querem abandonar os privilégios de sua Imagem, de seu Padrão. Aos que não querem transfigurar-se com a Arte Libertária do Teatro. Aos que mantêm os padrões de opressão ao bicho humano que sai do seu papel miserável na Sociedade de Espetáculo, em pleno desabamento.

Eu gosto muito das páginas do Caderno 2. Adoro os dois críticos de Cinema e o Quiroga me dá sempre toques necessários. O Loyola, o Jabor, o adorável Daniel Piza – apesar de nunca ter aparecido no Oficina e ter um certo preconceito comigo – e todo o “time” de craques como Antoninho Gonçalves, Roberto da Matta, João Ubaldo Ribeiro, Marcelo Rubens Paiva, Luis Fernando Veríssimo, Jota B Medeiros (muito importante, nosso aliado), Ubiratan Brasil. Gosto da importância ganha pela Música nas páginas, etc…etc…

Mas pergunto: porque fazer isto com o Teatro? Com a Arte Teatral ?

Ela está emergindo com muita força, vinda dos terremotos da Era Capitalista Liberal, que nunca soube apreciar esta Arte.

A Arte que Mariângela cultiva, como a música de João, vem vindo, com a Economia Verde, saltando os obstáculos de sua chegada com a rapidez da Internet.

“Estadão”, por Cacilda Becker! Não cometa esta injustiça contra as leis de Antígone, as leis transumanas que a Arte de Teatro há milênios cultiva para o não desaparecimento da espécie humana, em extinção na caretice do rebanho.

José Celso Martinez Corrêa

Regente dos Coros do Teatro Oficina Uzina Uzona em direção à Arte do Teatro de Estádio Oswald de Andrade.

SamPã

O  Concerto de Piano do garoto experimental Vitor Araujo,
charmoso na rebeldia angustiada etherna, exagerada e bela de  mais um Neymar,
o mais jovem craque pernambucano da geração pós Science,
Pianista Compositor Inventor, Intérprete ao Vivo das emoções do instante,
Jazista Erudito Pop, alimentado de Villa Lobos Lobos, Scriabin e por Beats d’alma do Mangue.
Cantor ajeitando o microfone com a precisão de um gesto de dedo
que tirou meu, nosso ar, foi um  salto mortal de circo.

Vitor cria  com o belo Lirio Ferreira,  Bailando Perfumado esta obra de Gêmeos – Gênios,Vitor revela  Lirio q revela Vitor,
Lírio- Artista Total de Trans-Cinema, Trans-Teatro
plantado no Jardim do  Som, da Música, da Luz, do Silêncio…
na moldura tecnológica precisa,
é sem dúvida um  dos maiores artistas do Brasil e do Mundo, hoje.

Ah! Nos meus 74 anos vivi este grande acontecimento estético milagroso do aqui agora!

É a cara mais angustiosamente criativa desta SamPã fria, feia, de onde Lirio e Vitor arrancam beleza jorrando farta, quente
como um banho de chuveiro neste inverno.
Tem a ver com Tarkowski num assumir totalmente a vida nitzcheanamente como ela é hoje no mundo,com sua beleza selvagem oculta que só os que vivem cada aqui agora sacam e conseguem dar ao Outro .

É um fenômeno de Arte imperdível pra quem goza com o abuso da beleza do Gozo de uma Foda de Estetas.

E está em cartaz às 2ª’s e 3ª’s feiras, espermeando as noites de SamPã.

Zé Celso

Pirado, contaminado, de tanta beleza diante do Fenomeno Estético acontecendo neste  momento no Brasil.