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Justiça

tizerias + cacilda

TyZÉRias e Cacilda no Baile das Torres, prestes a semear o terreno do entorno cercado. Foto: Mário Pizzi

zé,

acho q como bateu,

atingiu as pessoas,

sobre a importância de tirar a corda do seu pescoço,

mas é também fundamental atingir, chegar, bater,

q sua situação está nesse ponto também – e muito – pela diminuição radical de investimentos no trabalho da cia em 2015.

o dinheiro no ano da crise foi muito pouco – por volta de 40% do q ganhamos em 2014.

isso fez com q experimentássemos um tipo de comuna, com os cachês equivalentes, já q não faria sentido fazer distinção de salários – o mínimo seria pouco demais.

assim, você com 57 anos de teatro, ganhou a mesma coisa q atores ainda muito inexperientes.

criamos bastante na crise, com menos patrocínio, produzimos como coelhos pra manter o teatro aberto e ganhar bilheteria – pra dar um fim no juízo de deus, de artaud, o banquete de Sócrates, platão e zé celso, navalha na carne, de plínio marcos, com direção de marcelo drummond, q estreou no sesi num festival, o festival de música das bandas do oficina, a segunda dentição da universidade antropófaga e mistérios gozosos, a partir de o santeiro do mangue de oswald de andrade – estes dois últimos como parte do projeto oswaldianas, teato na cidade seca sobre rios, patrocinado pela petrobras.

os espetáculos, desde os sertões, tem uma multidão na equipe – por volta de 60 pessoas.

ainda não caiu a ficha d q o trabalho é muito caro e valioso. exige dedicação, e iríamos muito mais além se tivéssemos condições de pagar bem ao time q não só monta e atua nos espetáculos, mas está ligado no tudão, na manutenção do espaço, na concepção da expansão urbana, na continuidade do projeto de lina bo bardi e da linha estética da companhia, q existe desde 1958.

a petrobras tem sido muito importante pra cultura,  e é a cultura é q vai fazer a reciclagem da empresa, passando do petróleo, em fim d Éra, pra produção d Energías renováveis.

o patrocínio da petrobras é muito importante, aliás, fundamental – é uma base de investimento q sustenta a continuidade do trabalho, mantém o fogo aceso do núcleo da companhia, como aquelas chamas eternas das refinarias – é muito bonito ver de vários pontos da baía de guanabara aquelas torres piras da refinaria d duque de caxias.

mas, além disso, precisamos de plataformas, navios…

da petro vem o patrocínio d manutenção da companhia, que por 11 anos seguidos vem garantindo a continuidade do nosso trabalho – é o q nos permite não parar.

mas não é suficiente para manter a companhia o ano todo + a montagem de um espetáculo inédito + manutenção do melhor teatro do mundo segundo o jornal The Guardian. 

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além do prédio do teatro oficina, q é de propriedade do estado de são paulo, mas tem todas as despesas – água, luz, limpeza, reparos – inteiramente mantidas por nós, posseiros, a cia mantém a casa de produção, um depósito de objetos de cena na rua são domingos, um acervo de figurinos na rua major diogo, e um depósito no sacolão, embaixo do minhocão, para grandes objetos.

além da montagem dos espetáculos, existe uma despesa mensal para esse acervo e para o time q realiza esse trabalho.

isso sem falar na necessidade de treino dos atores e cyberartistas, nos trabalhos diários de música, dança, tecnologias, estudos…

recebemos em 2015 R$ 1.000.000,00 do nosso patrocínio de manutenção da petrobras, o q é muito dinheiro, mas imaginem quanto custa idealmente um ano de trabalho:

equipe: R$ 2.160.000,00 

60 artistas x  12 meses x RS3.000,00 (um valor médio mínimo q possibilitaria dedicação exclusiva)

manutenção dos espaços: R$ 360.000,00

R$30.000,00 x 12 meses (aluguéis d depósitos + contas de água, luz, telefones, internet, funcionários de limpeza e zeladoria, etc…)

produção da montagem de espetáculo inédito: R$ 200.000,00

(gastos com arquitetura cênica, figurinos, material gráfico, montagem e equipamentos de luz e vídeo, gastos com lâmpadas de refletores e dos projetores audiovisuais, manutenção de microfones sem fio – q são muitos pois o elenco é gigante…, investimento em mídia paga…)

estes três itens somados dão R$ 2.720.000,00

e não contamos viagens com os espetáculos (as quais exigem adaptação de espaços, locação de equipamentos e transporte, alimentação e hospedagem pra 60 pessoas), nem gastos com a produção de espetáculos do repertório…

por tudo isso, precisamos de outros patrocinadores como a petrobras e de investimento direto, como as instituições de arte do mundo inteiro recebem apoios inumeráveis de mecenas generosos, q pagam pela existência daquele valor cultural.

sampã, 13 d fevereiro,

camila cacilda mota + TyZÉRias

Grandes jovens Pensadores como o jovem Psicanalista Tales Ab’Saber, o mais jovem ainda, Silas Martí, crítico de artes plásticas da Ilustrada, Rudifran, o dinâmico diretor da Cooperativa de Teatro de São Paulo, o jovem advogado Hugo Albuquerqueestão criando um Cerco de Amigos Dourados do Teatro Oficina ao $erco das Torres, feito de Inteligência, Amor à Vida, à Terra, em Indústrias Reunidas de Poesías como um Levante do Poder das Línguas da Cultura Brazileira y Mundial.

 

 

A cidade vista “pelo mais”

Por Guilherme Wisnik

O Teatro Oficina é hoje, em certa medida, ainda mais relevante do que foi nos gloriosos anos 1960. É o edifício radical de Lina Bo Bardi e Edson Elito, com sua generosa visão urbanística, que foi escolhido pelo jornal britânico “The Guardian”, no final do 2015, como “o melhor teatro do mundo”, à frente, inclusive, do anfiteatro de Epidauro, na Grécia.

Quando reaberto ao público em 1993, depois de 20 anos fechado, o novo Oficina passou a contracenar com uma cidade muito distinta da que existia no auge da contracultura e da repressão militar.

Hoje, ele se tornou não apenas um polo de experimentação teatral de vanguarda mas também uma importantíssima referência de urbanidade, na contramão da cidade-empresa neoliberal que se tornou hegemônica desde então.

Acuado pelo avanço especulativo que vai destruindo o bairro do Bexiga e ameaça emparedar o próprio teatro, o Oficina se associou aos movimentos de sem-teto do entorno, trazendo-os para o palco, passou a defender a gestão pública e coletiva da terra urbana com uma visão ecológica, propondo um parque e uma universidade no seu entorno, e colocou claramente os valores culturais, educacionais e de lazer como paradigma de resistência à pura especulação privada da terra.

Sua presença na cidade é, assim, essencialmente política.

O traço que une fortemente o Oficina aos movimentos por moradia, e que os torna muito exemplares, é a afronta ao sacrossanto direito de propriedade privada.

Zé Celso é antropófago. Atacado, ameaçado de desaparecimento, ele reage em grande estilo, querendo incorporar aquilo que é do outro: os terrenos do Grupo Silvio Santos. Não para o seu próprio bem, mas para o da coletividade. Sei que não é algo muito “razoável”. Mas representa a resistência necessária, e muito minoritária, hoje, contra o cálculo burocrático, contra a ideia de inevitabilidade do mercado, contra a desistência da política. Foi com a consciência antecipada disso, baseada em uma grandeza intelectual ímpar, que Aziz Ab’Saber tombou o teatro no Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), em 1982.

Hoje, o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) permite a construção de enormes torres vizinhas ao teatro. O que, se acontecer, obscurecerá a sua enorme fachada lateral de vidro, por onde passa uma árvore, soterrando sua dimensão urbana.

Sofrendo forte pressão do Ministério Público, o Iphan liberou a construção do empreendimento, em contradição aberta com o laudo de tombamento do teatro feito pelo órgão em 2010, alegando não ter instrumentos jurídicos para barrá-lo.

Trata-se de um processo crescente de judicialização da política, com consequências terríveis para as nossas cidades. Em nome de um suposto maior controle da sociedade sobre as decisões na cidade, acaba-se submetendo a política à burrice mesquinha da burocracia. É o que tem travado, também, muitas das importantes propostas urbanas da gestão Haddad.

Vamos assistir a isso de forma resignada, alegando que se conseguiu fazer “pelo menos” algumas ações paliativas? Ou vamos agir “pelo mais” e defender o Teatro Oficina e sua ambiciosa e exigente visão de cidade?

 

Da arte de celebrar e vilipendiar Lina Bo Bardi

Por Silas Martí

Nos últimos tempos, Lina Bo Bardi vem sendo redescoberta pelo meio artístico do Brasil e do mundo, inspirando mostras, livros e debates. No Masp, o resgate de seus cavaletes de vidro, que voltaram a fazer os quadros flutuar na galeria de pinturas do maior museu da América Latina, foi o gesto mais autêntico e radical da nova administração da instituição, mostrando que um olhar para o passado às vezes pode pavimentar a rota para um futuro menos cruel com a memória.

 

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Teatro Oficina, obra de Lina Bo Bardi, em São Paulo

Mas a confirmação recente de que o Iphan, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, deve autorizar em breve a construção de três torres de até 28 andares no terreno ao lado do Teatro Oficina, uma das obras mais poderosas de Bo Bardi, é um tanto chocante. Talvez mais chocante seja a justificativa esfarrapada desse órgão de que o tombamento que deveria proteger o teatro na Bela Vista diz respeito só ao interior do prédio e não à preservação da vista de seu janelão de cem metros quadrados. Letras miúdas à parte, os burocratas lotados ali parecem não saber que a transparência —nunca viram a Casa de Vidro?— é um dos maiores valores que pautam as obras dessa arquiteta. A construção de um paredão de prédios colado ao Oficina será a morte de sua maior virtude, que é ser ao mesmo tempo uma rua e uma plataforma cênica aberta à cidade, penetrada pela metrópole e ao mesmo tempo deixando vazar para a rua a fúria de seus espetáculos.

 

Não sou do time que resiste a qualquer mudança na cidade, nem acho que tudo deve ser cristalizado como está. Mas o Oficina precisa ser preservado, quem sabe ganhando a praça externa que Bo Bardi idealizou em vida. Entendo que o espaço é também protegido pelos órgãos de defesa do patrimônio do Estado e do município de São Paulo, o que atravanca um pouco os planos do Grupo Silvio Santos de construir suas torres ali. Acontece que com o aval da esfera federal, essas entidades regionais têm poder reduzido e podem acabar cedendo.

 

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Cavaletes de Lina Bo Bardi na Galeria de pinturas do Masp

É no mínimo paradoxal que Bo Bardi seja ao mesmo tempo celebrada e vilipendiada na mesma cidade, a São Paulo que absorveu sua obra do jeito desengonçado e atravessado que as coisas acontecem por aqui. Esse não deixa de ser mais um marco na paisagem que pode sofrer um arranhão. Evitar a construção de um paredão ali pode evitar o que já ocorre na Vila Mariana, onde um prédio gigantesco de escritórios foi construído atrás das casas que Gregori Warchavchik construiu na rua Berta, hoje quase esmagadas pelo vizinho. Pelo visto, a memória da arquitetura em São Paulo parece sobreviver só da porta para dentro, em fotografias, reproduções e resgates historicistas. Enquanto isso, empreiteiras vão reduzindo a pó pedaços da história da cidade.

 

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Perspectiva de como deve ficar o Teatro Oficina junto às novas torres

 

Estamos desaparecendo! Ou reagimos ou sumimos… puff!

Por Rudifran Almeida Pompeu

O IPHAN, órgão do Ministério da Cultura que tem a missão de preservar o patrimônio cultural brasileiro, diz que não tem instrumentos jurídicos para conter a mão pesada e endinheirada da especulação imobiliária e, com isso, declara sua incapacidade de preservar o Teatro Oficina das ambições milionárias da SISAN.

O “Oficina de José Celso Martinez Corrêa, o Oficina do escândalo brasileiro universal do Rei da Vela de Oswald de Andrade, o Oficina dos atores espancados por paramilitares em 1968, quando da encenação de Roda viva de Chico Buarque!” como bem disse o Tales Ab’Sáber.

Portanto, sugerimos ao Ministro Juca Ferreira que não entre nessa esparrela jurídica da impossibilidade instrumental sempre utilizada pelos poderosos para nos suprimir do mapa e que reaja com firmeza nessa ação que se torna emergencial e urgente.
Que o ministro se interponha de todas as maneiras junto a presidenta da republica e aos órgãos de governo para esse enfrentamento contra a especulação imobiliária que todos sabem servir de dinheiro as campanhas políticas de quase tudo quanto é legenda desse país! Que a luta pela preservação de nosso patrimônio seja mais forte que as forças financeiras que só visam o lucro e beneficies particulares.

Se isso não for possível, então que se feche o IPHAN já que não serve pra defender o óbvio…

Bora pra luta! Bora brigar um pouco, porque os governos sempre passam e nós continuaremos aqui. Seguimos na luta pelo não encaixotamento do oficina! ‪#‎juntoscomzecelso‬ ‪#‎teatrooficinaresiste‬ ‪#‎reageoficinauzinauzona‬

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foto: Nancy Mora

Sou Cégo d’Teat(r)o

q vê

da Terra do Bixíga

onde Teatro

em se plantando

sempre deu

a quem se dá 

mas…

q está $ercado

por $oldados Engravatados Executivos Executores

do Holocausto Repetitivo

do Direito Romano de Propriedade

q diferença existe

entre fundamentalistas destruidores de Santuários,

cortadores de Cabeças

y

os Fundamentalista$ da Especulação Imobiliária Néo Bandeirantes:

Caçadores Destruidores de santuários y cortadores d cabeças q não querem ser capturadas?

 

Estes pretendem destruir o último pedaço de terra livre do Centro d SamPã.

Pra isso tem de Cortar Cabeças

d Artistas,

d’ Autoridades d Defesa do Patrimônio,

d’ Jornalistas das Mídias, Midiinhas, Midionas,

d’ Cabecinhas, Cabeçonas

q não cabem nas suas toscas estruturas de captura:

no seu Carandirú Pobreza

“Trê$ Torre$ Prisões

Nessa Terra “perdida

há Cabeças Coroadas de Héras, se Fazendo ,

se dando às mitolo(r)gias

q os povos noite y dia

criam,

cantam,

dançam,

na terra

no ar

pássaros voadores

des-assombrando

pensamentos livres

q vôam

mas

q sabem se erguer do chão

com seus Bastões,

Tyrsos Báquicos

y conceber suas estratégias

num piscar da voz da

Marechal de Nossa Tropa:

Madame Morineau:

O Teatro Recuou, Meu Filho! Ohpuf …realmente…

No, No, No, assí no dá …

 

Ah! E aí, sentir o desejo de passar do “recuo” ,

ao AVANÇO

com seu Bastão de Bacantes y Satyrxs Guerreirxs

y

proferir na própria carne

a palavra mágica Ham-let:

AÇÃO

Estes tem o Phoder de enfrentar estes Exército$ de Pentheus y Drs. Abobrinhas

 

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foto: Mário Pizzi

 

Ió! Os Artistas de Todas as Artes

 

Ió! Gente q phala pra Gente,

Na língua direta de Gente,

 

Ió! Dytirambistas (todos os Tambores)

 Músicxs

Arquitetxs, Urbanistxs, Cientistxs, …

Façam esse favor pra todos…

Mas a Protagonização da Arte Aglutinadora Física dos Teatros onde Todos

os Teatros são nossos Teatros

é, quer se queira ou não,

a gente de teatro

mesmo combalida.

É só se apoiar no Tyrso d Dionisios y ficar de Pé Dançante

Somos peões satyrxs de SamPã

da Tropa de Choque Cultural q pode Acordar

no Bixiga

não só o Brasil,

mas o Mundo.

 

IÓ! Amantes d Dionizios do Mundo Inteiro,

Vamos criar uma Orgya da Arte d Teatro do Bárbaro Tecnizado Total da Terra!

 

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foto: Mário Pizzi

 

 

IÓ! Estrategistas d todas as Artes

 

IÓ! Amantes do estar em cena com o Público diretamente

 

IÓ! Anônimos nas revistas caras, esbanjando poder de aventureiros teatrais nos teatros de rua, cultivando as Metrópoles engasgadas quase subterrados;

 

IÓ! Cooperativas de Teatros q se tornam Comunas Teatais

 

IÓ! Celebridades de Televisão q tem Sangue de Teatro no Corpo

 

IÓ! Poder da Imaginação, d Atrizes, Atores, Palhaços do Brasil y do Mundo

 

Muitos me perguntam

como ajudar” ?

 

Não, ajuda”, não,

não tem “ ajuda

nem dar uma força,

mas atuar

até se espatifar

pra poder voar

 

IÓ! É o Xamado Báquico

À Massa d Sangue dos Corpos em Possessão q vem se juntar aos Posseiros impedindo os Carrascos da Propriedade Privada

É o q

TIRIAS

Vê hoje

 

Terça-Feira GORDA DE CARNAVAL DE 2016 em SamPã

 

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foto: Mário Pizzi

 

Amadxs Beth Viviani y Guilherme Wisnik

Antes de TUDO

Guilherme:

Teu texto é Maravilhoso

Corajoso

Claro

Luminoso

Inspirador

de TiZÉrias o Antropófago

nesta Terça Gorda de Carnaval

depois de te ler y quebrar meu útero coração de criar um Diário do $erco no meu Blogg, mas pra espalhar, não ficar lá dormindo …

Acordei hoje animado por Momo

Y inpirado em Vossos Textos:
Guile y Beth

Inaugurei um

Diário d “TyZÉrias $ercado

Mas há correção de um Erro de má compreensão desta Entidade q baixou em mim, desde q soube do $erco:

y Beth, foi você com teu corajoso, lúcido texto quem me fez ver, após você ler o texto de Guilherme, y me escrever y botar o dedo na contribuição enorme deste erro.

quando fui avisado à 22 de Janeiro deste ano de 2016, q este era o último dia do prazo para que a Presidente do Iphan, a Arquitetx e Urbanistx Jurema Machado, liberasse ou não,

à Sizan Empreendimentos Imobiliários” do Grupo Silvio Santos,

a construção das Gigantescas Torres, Prisões do Entorno Tombado do Teat(r)o Oficina; comecei a ligar desesperado pra pessoas mais próximas à luta por esse último terreno respirável de SamPã.

Liguei pra você meu amigo dourado Arquiteto Urbanista Guilherme Wisnik, no seu celular.

Você estava na Praia em Férias no Litoral da Bahia, eu devo ter dito por telefone a você Gui, q o Ministério Público era o responsável pela Ação de Reintegracão de Posse.

Acho q foi assim q eu, doido d TyZérias, recebi ou ouvi a notícia do $erco

Mas eu mesmo achava muito estranho q justamente este órgão q tem o papel de defender o Patrimônio Cultural do Brasil, tivesse tomado esta medida.

Somente antes do Carnaval, Juca Ferreira, Ministro da Cultura esclareceu minha cegueira, dizendo q se tratava de uma Ação da Justiça, vencida pela $isan e me aconselhou a procurar Nabil Bonduki Secretário Municipal de Cultura de São Paulo. Este teria informações mais precisas.

É o q eu vou fazer na 4ª Feira de Cinzas, mas acho q entendi. Tive conhecimento deste $erco quando já era aparentemente “vitorioso”, nem deu pra lamentar, porque não adianta reclamar do leite derramado.

Claro q se trata do famoso Direito de Propriedade Romano, o único direito q aprendi na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, como um Dogma, um Tabu, um Axioma Indiscutível, aquele em que ainda se baseia toda a Ordem Mundial Capitali$ta

Mas me recordo de uma citação em latim de um jurista do ex-Império: “ut eleganter Celsus dixit, ius est ars boni et equi” = como o elegante jurista Celsus disse: o direito é a arte do bom e do equitativo.

Nunca acreditei neste Mito da Propriedade Privada, e sempre vi a Justiça como uma questão de Interpretação, como no Teat(r)o, dependendo de cada situação concreta.

Grandes jovens Pensadores como o jovem Psicanalista Tales Ab’Saber, o mais jovem ainda, Silas Martí, crítico de artes plásticas da Ilustrada, Rudifran, o dinâmico diretor da Cooperativa de Teatro de São Paulo, estão criando como você Guile, como você Beth, um Cerco de Amigos Dourados do Teatro Oficina ao $erco das Torres, feito de Inteligência, Amor à Vida, à Terra, em Indústrias Reunidas de Poesías como um Levante do Poder das Línguas da Cultura Brazileira y Mundial.

Por isso no ontem do sempre hoje,

passo a palavra à minha amiga, escritora Beth Viviani:

“Por coincidência, depois de pensar em você e te escrever um email, leio agora à meia noite o texto do Wisnik na Folha.”

Aí , Yo, TiZÉrias intervenho, pois é o q me levou a entender a questão mais profundamente:

“Não entendi a ‘forte pressão do Ministério Público’ sobre o Iphan.

Baseado em que argumento o MP fez a pressão?

O que significa 

‘um suposto maior controle da sociedade 

sobre as decisões na cidade’?

Não é  o contrário?

Temos que fazer política.

O movimento do capital não pode ocorrer no vácuo.

Existem controles e regras que o poder público pode impor, que foram incorporados em legislações criadas pelos movimentos da sociedade ao longo da história.

Acho que há espaço e toda a legitimidade na defesa de nosso patrimônio cultural.

Ninguém vai pretender abolir a propriedade privada, mas ela deve se curvar à história da nossa cidade.

Me explica essa postura do MP.”

(ainda não sei do Caso na Justiça, sabendo ponho na Ágora)

Vitória na guerra!

Podemos usar esse bordão da novela sensação da Globo! 

 Querido Zé Celso = TyZÉrias,

enviei um recado para você e Marcelo pelo Whatsapp, no contato do Oficina que apareceu na lista. Mas vou repetir aqui o que falei. É grande minha preocupação com a decisão legal (?) sobre o destino do terreno que, por direito de cidadania, de prioridade cultural, de ocupação urbanística civilizatória de São Paulo, pertence ao Oficina e ao povo paulista.

Qual a reação mais adequada para reverter mais esse golpe do capital imobiliário e de autoridades servis?  

Citando a famosa frase,

o que fazer?

Nós, cidadãos revoltados, podemos fazer algo?

Estou neste momento em São Sebastião de férias, 

volto em torno do dia 22.

Com o afeto da

Beth Viviani”

Beth, muita gente me pergunta, só agora sei responder, TyZÉrias vai saber esta semana, é importantíssimo termos acesso aos Autos deste Processo, q redunda neste Crime Ecológico Cultural.

Dr. Gustavo Neves Fortes do Escritório de Advogados do Grande Criminalista Dr. Tales Castelo Branco está já investigando.

TyZÉrias 

EVOÉS

janelao

Auê na audiência pública que debateu privatização do entorno. Subprefeito atônito diante das críticas. Tecnocratas ensaiam recuo – sem concretizá-lo, porém

Por Hugo Albuquerque, do Outras Palavras

Visivelmente constrangido, o subprefeito Alcides Amazonas foi encolhendo em sua poltrona, à medida em que ouvia as críticas – até que se retirou do recinto, meia hora após iniciada a audiência pública. Alguns assessores, galhardos, tentaram defender a proposta em debate. Inútil. Dezenas de intervenções, vindas de integrantes da sociedade civil, reduziram o projeto a seu real tamanho. Ficou claro que a “requalificação urbanística” (disponível aqui) pretendida pela prefeitura de São Paulo para a área em torno do icônico Teatro Oficina é o que parece ser: mais uma tentativa de privatizar o espaço público, entregando-o, a preços módicos, a grandes corporações. Ficou tão claro, aliás, que os representantes do poder municipal recuaram – ao menos em palavras. Das duas ameaças que pairam sobre o Oficina (leia texto de Zé Celso Martinez Corrêa), uma saiu combalida, da tarde da última quarta-feira, 3 de fevereiro.

A audiência fora convocada às pressas, pela subprefeitura da Sé (que administra a maior parte do centro de S.Paulo) em virtude da pressão popular surgida pela maneira pouco democrática de como o edital foi construído. O processo licitatório prevê uma concorrência entre empresas e/ou consórcios pela concessão de uso dos baixios do Viaduto Júlio de Mesquita, defronte ao teatro. São mais de 11 mil metros quadrados. Os interessados terão de desembolsar no mínimo 12 milhões de reais. Quem dispuser destes recursos poderá servir-se, por dez anos, de vasto território, em área “nobre” da cidade. O vencedor da concorrência terá direito à exploração comercial e gestão do espaço.

O Teatro Oficina, como existe atualmente, é obra da genial arquiteta Lina Bo Bardi — que assina outros marcos arquitetônicos da cidade como o Sesc Pompeia e o MASP. Foi escolhido, pelo prestigiado jornal inglês The Guardian, em 2015 como o melhor teatro do mundo.

Por coincidência ou não, o edital surge junto com a ameaça de construção de torres residenciais no terreno do próprio teatro, conforme narra Zé Celso Martinez Corrêa. A ameaça acaba com a vista da janela principal do lugar, parte essencial de sua estrutura, por sinal tombada, além de outros danos e potencial danos.

Na audiência pública, com o auditório da subprefeitura lotado, os participantes — membros do Oficina, moradores da região, ativistas e comerciantes levantaram importantes questionamentos ao subprefeito, seu chefe de gabinete e representantes de vários órgãos municipais.

O maior deles foi quanto a própria forma de construção do edital, sem a participação da sociedade civil. Além disso, levantou-se a ausência de previsão de gestão democrática do espaço, já que o próprio edital diz em seu item 1.8: “A concessão onerosa precedida de procedimento licitatório envolverá a totalidade dos espaços A, B e C, sob a gestão de uma única empresa ou consórcio, que terá a finalidade organizar o mix de atividades”.

Não existem garantias para que os pequenos comerciantes, que já desenvolvem suas atividades na área sob regime do Termo de Permissão de Uso (TPU), permaneçam. Conforme o item 40 do edital, a empresa vencedora dará a palavra final sobre a permanência deles.

Diante do protesto dos presentes, a subprefeitura comprometeu-se a realizar uma nova audiência, mais ampla, após o Carnaval. Também alegou que pretende incorporar os itens mais sensíveis da enxurrada de críticas a um novo texto — assim como tornar a redação de vários itens mais clara. O edital, contudo, já está publicado e vigente. Os representantes do prefeito não falaram em anulá-lo – apenas, em revê-lo – o que mantém a ameaça de pé, embora enfraquecida.

Ainda que a administração municipal defenda que a tal “revitalização urbanística” não consiste em uma medida higienista e antidemocrática, salta aos olhos a maneira como o processo de construção do edital foi realizado. Produzido pelos técnicos da prefeitura em seus gabinetes, ele ignorou a realidade política e social preexistente, as singularidades do Teatro Oficina bem como os grupos vulneráveis como moradores de rua e pequenos comerciantes.

Ronda o projeto o fantasma da gentrificação, do embelezamento urbano, sem a preocupações sociais – ainda mais, com a possibilidade de o espaço ser gerido de maneira centralizada pela empresa vencedora.

A prefeitura, que resolveu tardiamente se abrir ao diálogo, pode se utilizar da oportunidade para, ao menos, remediar os erros que cometeu, mas sua atuação cronicamente distante da multidão não gera muitas esperanças. A bola está, portanto, mais uma vez, com os movimentos interessados no Direito à Cidade e em um urbanismo democrático. Diante da tantos e tamanhos interesses econômicos, é preciso se preparar à altura do enorme desafio. A crise, em seu aspecto positivo, faz surgir a oportunidade de se enfrentar a gentrificação de maneira direta…

jurema machado

Foto: Janine Moraes

Segundo matéria publicada hoje na Folha Ilustrada:

“Órgão (IPHAN) vai liberar Torres perto do Oficina” 

Estas Torres são as da Sisan Empreendimentos Imobiliários, q faz parte do Grupo Silvio Santos, e irão, se aprovadas, sufocar o Teat(r)o Oficina y o Bixiga.

Jurema Machado, no seu Laudo do Tombamento do Teat(r)o Oficinatem a réplica necessária à matéria da Ilustrada de hoje, dia 1 de fevereiro d 2016

Tenho certeza q ela acredita até hoje totalmente no q escreveu. Mas, de uma maneira ou de outra, sinto q paira sobre a cabeça de Jurema a inquisição como a q caiu  sobre a cabeça de Galileu Galilei, ou mesmo a ameaça de ser queimada como Joana d’Arc.

É um escândalo  Cultural e Político isso acontecer com uma Autoridade e Pessoa tão fundamental na Presidência do Instituto de Preservação do Patrimônio Histórico e Artístico do Brasil, não poder fazer o q pensa pro bem do Patrimônio Histórico y Artístico Brasileiro.

Leiam com atenção estas palavras q resumem seu parecer do Tombamento de 2010.

É o q Jurema,  como arquiteta, urbanista, técnica e pessoa afetiva, pensa, sente e vive hoje ainda:

 

RESUMO DO Q IMPORTA AGORA

A relação entre o Teatro Oficina e o Bexiga e as recomendações quanto ao entorno:
Os imigrantes italianos pobres, que se instalaram nos pequenos lotes do parcelamento da Chácara do Bexiga no final do século XIX, encontraram ali o núcleo semi-rural de Saracura, onde existia um remanescente de quilombo. Uma situação topográfica complicada, a proximidade do centro e da Avenida Paulista, fizeram do Bexiga um reduto de trabalhadores domésticos das casas de alto padrão, operários, trabalhadores informais, pequenos comerciantes. Esse modelo, que, segundo Raquel Rolnik em A Cidade e a Lei – legislação, política urbana e territórios na cidade de São Paulo, se reproduziu em vários bairros da cidade, explica porque o Bexiga é hoje, não apenas o bairro dos italianos, mas o lugar das festas populares, do samba paulista, de uma das mais importantes escolas de samba do país – a Vai Vai, e dos terreiros de candomblé. Em torno dos anos 1960/70, o Bexiga se tornou um pólo da vida boêmia da cidade, lugar dos teatros (ainda hoje são mais de dez), bares e cantinas, hoje integrados a um circuito turistico-cultural de São Paulo.

Encontra-se em desenvolvimento, pelo Departamento de Patrimônio Imaterial do IPHAN, o inventário de Referências Culturais da região, que poderá oferecer insumos importantes para a salvaguarda desses valores culturais.

Tombamentos municipais (cerca de 900 imóveis) e zonas especiais (ZEPCs – Zonas de Especialis de Patrimônio Cultural e ZEIS – Zonas Especiais de Interesse Social) previstas pelo Plano Diretor atestam a importância do bairro e o interesse de se preservar ali, não apenas edificações, mas os usos e a diversidade que são o seu maior valor.
É imediato associar o Teatro Oficina a esse contexto por duas vias: tanto o Oficina pode ser tomado como elemento chave de um processo de reabilitação, quanto a preservação dos valores do bairro é essencial à vitalidade do Oficina.

O que não fica claro – e deveria merecer uma avaliação mais aprofundada – é porque uma cidade como São Paulo, onde se tem a maior e mais consolidada experiência de aplicação de instrumentos urbanísticos como a transferência do direito de construir e as operações urbanas não elegeu o Bexiga para a aplicação prioritária desses mecanismos, justo uma região tão bem localizada, que tem potencialmente muito mais valor para São Paulo – até mesmo sob o ponto vista estritamente financeiro – pela sua diversidade cultural do que pela quantidade de metros quadrados que se possa construir ali. Edificações com destinações comerciais e de serviços, que não tenham outros requisitos locacionais a não ser a acessibilidade, podem ser deslocadas dentro do espaço da cidade utilizando instrumentos dessa natureza. Já o lugar das práticas culturais é ali, e só ali. Se não for ali, o Bexiga como tal deixará de existir.

Jurema Machado
Rio de Janeiro, 24 de junho de 2010

Conclusão
Considerando o Parecer da Relatora e após discussão do Conselho, foi a seguinte a decisão final:

  • Pela inscrição do Teatro Oficina no Livro de Tombo Histórico e no Livro de Tombo das Belas Artes.

  • Pela re-avaliação posterior, pelo IPHAN, da delimitação do entorno, tendo em vista tratar-se de bem a ser inscrito também no Livro de Belas Artes e não exclusivamente no Livro Histórico,e

  • Pela manifestação, ao Ministro da Cultura, de que o Ministério e o governo federal identifiquem mecanismos que viabilizem a destinação do terreno contiguo ao Teatro Oficina para um equipamento cultural de uso público, utilizando mecanismos tais como a aquisição, a desapropriação ou a conjugação destes com instrumentos urbanísticos a serem identificados em cooperação com o Município e com o Estado de São Paulo.

 

Processo de tombamento N 1.515-T-04

Teatro Oficina, de São Paulo

 

Zé Celso

…a Terra gira… stá girando 

aziz

Zé Celso me pediu que eu relembrasse um pouco a ação política de meu pai referente ao patrimônio cultural paulista, e também brasileiro, de quando ele esteve à frente do Condephaat, no início dos anos de 1980.

Naquele momento travado da cultura política do Brasil, em que o processo de redemocratização se tonara irreversível, mas também parecia sempre adiado ao infinito pelos interesses bem incrustrados na ditadura militar, que parecia não querer acabar nunca, uma série de buscas políticas renovadoras emergiram desde a sociedade civil que, com um grande esforço pela diferença, e em luta constante contra o poder autoritário, manteve-se viva ao longo dos anos de 1970. Tais ações projetavam esperança em um tempo renovado que estaria por vir, e que, como todos sabemos, hoje podemos dizer que não correspondeu ao que se sonhava. No bojo deste movimento bem mais amplo, meu pai, geógrafo e cientista importante, com obra real que se tornou conhecida em todo mundo, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, assumiu o órgão responsável pela memória e a manutenção do patrimônio histórico e cultural do Estado de São Paulo. Ele presidiu o Condephaat por pouco mais de um ano, o suficiente para a produção de uma política fortemente renovadora do entendimento da ideia de patrimônio e do vínculo da gestão pública com a cultura viva, a mais viva possível.

Além de valorizar e buscar acelerar o processo de tombamento de bens tradicionalmente reconhecidos como patrimônio histórico, Aziz Ab’Sáber interveio em dois universos até então desconsiderados no âmbito da preservação, e mesmo do reconhecimento, de valores históricos materiais. Em primeiro lugar, ele promoveu o tombamento de importantes bens coletivos referentes a espaços ambientais de grande escala, de escala propriamente geográfica, como a Serra do Japi e todo o espaço natural remanescente de mata atlântica original da Serra do Mar de São Paulo, desde então felizmente preservada da desastrada intervenção humana – 91,5% da mata nacional foi destruída, e São Paulo, talvez por esta política, é o Estado que mais preservou algo da mata original, contida exatamente no setor da Serra. E, em um segundo e igualmente importante movimento, ele promoveu o surpreendente reconhecimento como patrimônio de bens muito recentes, modernos, ainda em processo histórico vivo e em pleno desenvolvimento, mas que implicavam grande impacto real, de importância irrecusável, na própria cultura brasileira contemporânea.

O exemplo máximo desta nova política foi o tombamento muito especial do Teatro Oficina. Me recordo quando meu pai, em um dia chuvoso me convocou – eu tinha 17 anos – para ir com ele ao Teatro, afirmando enfaticamente tratar-se de uma joia da cultura contemporânea, algo realmente importante. Ele queria de todo modo que eu conhecesse Zé Celso, com uma insistência que era relativamente rara em relação aos seus amigos. Fomos ao teatro, uma vez, para assistir a montagem experimental de Na selva das cidades em pleno espaço do canteiro de obras, daquilo que um dia viria a se tornar outra obra prima de Lina Bo Bardi. E fomos outra vez, em uma noite também muito fria, para uma projeção da filmagem de O rei da vela.

Quando cheguei ao teatro e me deparei com a situação de obra inacabada, que levaria ainda muitos anos para se completar, confesso que então não compreendi o avanço, hoje óbvio, da concepção de cultura que animava meu pai como preservacionista. Para mim, no imaginário conservador de um garoto protegido de classe média intelectualizada – às voltas com as primeiríssimas leituras de Machado, Oswald, Mário, Drummond, Borges, Flaubert, Kafka e Dostoievski, da poesia concreta brasileira, que animava muito os adolescentes da época, e ouvindo muito Caetano e The Clash – patrimônio ainda se referia vagamente a lugares construídos que implicassem em relevante qualidade artística, ou valor cultural, com originalidade histórica. Enfim, qualquer coisa antiga, importante e bonita. Era difícil entender como era possível se tombar, como patrimônio, um canteiro de obras.

Mas meu pai era maduro para estas coisas. Ele já sabia do impactante projeto de Lina Bo Bardi e de Zé Celso para o lugar – então apenas uma maquete – e partilhava fortemente da ideia daquela contribuição à cidade, antecipando o processo e protegendo o teatro dos inimigos já presentes na especulação imobiliária. De algum modo, ele já antevia aquele que seria o melhor teatro do mundo, como o jornal britânico The guardian escreveu a respeito do Oficina em 2015. Era um pacto histórico estratégico de forças e de homens muito diferentes entre si, a um tempo visionários e pragmáticos, que sonhavam mesmo com o atual Teatro Oficina Uzyna Uzona, e sua imensa contribuição à vida da desnaturada cidade de São Paulo.

Além disto, e o mais importante, meu pai me fez ver que aquela obra imensamente atrasada era de fato a representação presente, mas também em perpétua gestação, do Teatro Oficina: o Oficina de José Celso Martinez Corrêa, o Oficina do escândalo brasileiro universal do Rei da Vela de Oswald de Andrade, o Oficina dos atores espancados por paramilitares em 1968, quando da encenação de Roda viva de Chico Buarque! Era de fato, e principalmente, este movimento social e artístico limite, e contemporâneo, do mais forte e exigente do Brasil, que simbolicamente meu pai ajudava a “tombar” quando tombava o que era então o espaço em obras do teatro. A política cultural de patrimônio dava assim uma guinada espetacular, rumo à vida moderna e contemporânea brasileira. Talvez só o Teatro Oficina permitisse de fato tal passo, da criação real de uma nova política de patrimônio. Estes termos possuem todos afinidades eletivas internas.

Aquela ação cultural foi de extrema importância para que pudéssemos chegar a ter este melhor teatro de hoje, com o seu forte impacto na vida do bairro e da cidade. Pois, já naquele tempo, há mais de trinta anos, o teatro era acossado fortemente pelos imensos interesses imobiliários, muito grosseiros, que o cercavam, e que desejavam o seu próprio espaço. E estávamos ainda em uma ditadura militar, em seus estertores, mas que ainda colocava bombas em shows de 1º de maio com milhares de pessoas presentes. Sem o tombamento do movimento do Oficina, bem combinado entre o professor e os artistas, que não foi inteiramente fácil politicamente, talvez hoje nós não tivéssemos o incrível casamento de mais uma obra prima de Lina Bo com a paixão dionisíaca de Zé Celso, que ocupa e que anima o pedaço, mantendo viva a tradição radical moderna brasileira com suas obras fortes.

Como a atual e lindíssima montagem de Mistérios gozosos, baseado no “Santeiro do mangue” do patrono Oswald de Andrade, que comenta com rigor erótico máximo nossa atual situação contemporânea desoladora. Uma peça que fala exatamente a situação que aflige o Teatro mais uma vez. Sem aquela ação pública decisiva no início dos anos 80, daqueles homens de fato modernos, o Grupo Silvio Santos simplesmente teria vencido já na época, e todos nós teríamos perdido para sempre o Teatro Oficina, e tudo o que ele representa.

Era uma concepção de cultura e de vida pública mais radical, mais livre e muito mais relevante que animava aqueles homens, ao final da violenta ditadura militar de 1964-84 brasileira. Ela não passava de nenhum modo por uma cultura geral da mercadoria, mas pelo espaço público, pela arquitetura coletiva e de alto repertório, e pelo teatro crítico radical. Era um movimento político, envolvendo arquitetos, professores universitários, burocracia estatal e artistas, que sonhavam, e que ainda realizavam o melhor. E nós sabemos que aquele movimento fazia parte de um outro movimento, muito mais amplo, o da fundação de um novo e renovado partido nacional de esquerda. Naquele tempo, de algum modo próprio à época, as pessoas sabiam o que estavam fazendo e faziam exatamente o que tinham que fazer. De modo diametralmente diferente das ações erráticas, débeis, dúbias, quando não perversas do campo da política, e da política da cultura contemporâneas. Incluindo aí, agora, o já precocemente envelhecido, vencido pela adesão ao velho Brasil, grande partido de esquerda.

No final de 2015, conforme me contou um conselheiro do Condephaat, o meu amigo e historiador Pedro Puntoni, o Conselho barrou pela segunda vez uma tentativa do governo do Estado de São Paulo de adentar o perímetro tombado da Serra do Mar – por Aziz Ab’Sáber e pelo próprio Estado – para retirar água de um rio, ainda bem protegido no interior da Serra. Assim, mais uma vez, buscou-se somar um erro a outro: além do descaso com o sistema de abastecimento de água da cidade e do Estado de São Paulo, tentava-se destruir, como se fosse letra morta, o patrimônio público tombado do Estado, no caso, um raro patrimônio ambiental. Nas reuniões que barraram aquele processo, como agora, as ideias firmes, que não se enganavam sobre estas coisas, de Aziz Ab’Sáber foram evocadas, e a lei de proteção idealizada por ele foi, no último segundo, ainda protegida. Pedro Puntoni lembrou mesmo o preceito esquecido que Aziz professava: “Não temos o direito de penalizar as gerações futuras com os erros do presente, destruindo patrimônio ambiental que não nos pertence.”

Ao invés de finalmente dar andamento ao importantíssimo e totalmente esquecido Projeto Floram, realizado por uma grande equipe multidisciplinar na Universidade de São Paulo, e coordenado por Aziz Ab`Sáber, ainda em 1990, de reflorestamento sistemático e maciço do Estado de São Paulo e de todo o país, e assim manter e recuperar a flora, a fauna e as águas do Estado, se “pensou” em destruir mais um patrimônio coletivo, matando um rio, em detrimento das gerações futuras, que deverão pagar pela nossa regressão satisfeita, intelectual e ética, como pagamos hoje pelos grandes erros acumulados de nossa modernidade equivocada. Do mesmo modo, ao invés de se realizar um inteligente zoneamento ecológico e econômico da Amazônia, como meu pai escreveu em meados dos anos 90, o governo brasileiro, do qual ele se afastou nos últimos anos de sua vida cidadã, tem que explicar ao mundo, sempre e a cada ano, os constantes e massivos desmatamentos, em uma reiterada destruição de capital social, cultural e ambiental, incalculável, que visa apenas, mais uma vez, o capital privado imediato.

Do mesmo modo, observamos agora, ainda mais uma vez – após trinta anos do tombamento – a tentativa de liberar o espaço em torno do Teatro Oficina – uma obra prima da arquitetura mundial, um trabalho artístico e social de relevância histórica reconhecida, o teatro cuja energia circulante fez dele o melhor de todos, segundo os ingleses – para mais uma rodada de ataque especulativo ao bairro do Bixiga e à cidade de São Paulo. Mais uma vez, se busca reduzir o espaço cultural e público, o espaço da fruição estética e crítica, de experiência vital, para ocupá-lo com o espaço monótono e feio da cidade privativa, desde o projeto especulativo até o uso e a paisagem final, tão pobre.

O Brasil, e a cidade de São Paulo, não fizemos o trabalho de crítica mínima da produção ditatorial sobre as nossas vidas. Pois, ao invés de derrubarmos definitivamente o Minhocão – o elevado Costa e Silva – e tudo o que ele representa de ruim e mal para a cidade, e mantermos a importante praça agregada aos trabalhos profundos do terreiro eletrônico do Teatro Oficina, queremos mais uma vez encarcerar o Teatro com prédios paupérrimos, para a produção mais comum da cidade ruim de todos os dias. A mesma cidade que alimenta hoje os homens muito ruins, política e intelectualmente, de todos os nossos dias.

Tudo parece indicar que, pelo menos em outros tempos, com o trabalho de homens e mulheres como Zé Celso, Lina Bo Bardi e Aziz Ab’Sáber – e ainda tantos outros – o Brasil foi, ou buscava ser, um país inteligente e generoso. Bem mais do que o país muito discutível, esperto, arrogante e oportunista, para não dizer burro, que nos tornamos hoje.

 

Tales Ab’Sáber,

psicanalista , Professor da Universidade Federal de São Paulo.