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por Daniel Kairoz

TEATRO ÚNICO NO MUNDO
O Teat(r)o Oficina goste ou não goste é teatro único no Mundo dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil o mais antigo grupo de teatro vivo em ato e teato em trabalho continuado ao longo de 59 anos cujo Diretor Xamã Zé Celso no auge de seus 80 anos segue com seu ponto firmado criando obras teatrais fundamentais para o Teatro Mundial além de seguir cultivando a vida popular do Bixiga de Sampã do Brasil do Mundo

ELO TEMPORAL
E mais o Teat(r)o Oficina é elo entre Tempos e Movimentos é elo entre gerações passadas presentes futuras é cultivo das forças primordiais dessa Terra parte viva da História e da Mitologia brasileira é Uzyna da Cultura dessa Terra da sua força ancestral mas também das suas forças modernas contemporâneas é Terreyro Eletrôniko Bárbaro Tecnizado abraça o velho e o novo e abre caminho para além dando continuidade à tradição Antropófaga própria de Pindorama que nada tem a ver com canibalismo isso é o que aprendemos com os Tupinambás que devoram apenas o que há de melhor no outro para além das ideologias para além de qualquer ismo devoram o guerreiro inimigo admirado para adquirir sua força devoram o parente amado para incorporar o ser amado ao próprio corpo devoram o outro e o mesmo o amigo e o inimigo Tupinambás Modernismo Paulista Tropicália o Teatro Oficina conecta tudo isso e mais e segue adiante pulsante em conversa infinita com seu tempo mas sem trégua nem qualquer vestígio de nostalgia vê além abre caminho para tempos vindouros re-existindo a cada golpe se reinventando inventando infinitos brasis sob o céu de Tupã entusiasmados pelo Deus Baco Brômios Dionísio cantando o bode fazendo dos tabus totens com suas Óperas Carnavalescas Tragicomicorgiásticas

REUNIÃO DE TODAS AS ARTES
Isso é muito e o Oficina vai além e agrega em seu trabalho todos os campos das ciências sagradas que num determinado momento passaram a ser chamadas Ars Artes Música Dança Arquitetura Cinema Artes Plásticas Poesia Literatura está tudo ali numa encruzilhada entre artistas imensos um teatro construído com o trabalho de muitos dos maiores artistas dessa Terra de cada um desses campos de cultura (porque cultivo) reconhecidos mundialmente cósmicamente que alimentaram e alimentam essa Oficina com seus Sacro-Ofícios goste ou não goste desses artistas pois a importância de um artista não é medida pelo gosto ou desgosto mas pela pertinência de suas obras ao mundo sua relevância cósmica e ser humano nenhum é capaz de mesurar isso e a importância desses artistas que fizeram o Oficina ser o que é hoje é inquestionável assim como o próprio Teat(r)o Oficina e isso quem nos diz é o Tempo

ARQUITETURA CÊNICA
Mais ainda ao agregar arquitetos urbanistas dos mais importantes Joaquim Guedes Flávio Império Rodrigo Lefèvre Edson Elito e uma das maiores arquitetas do mundo Lina Bo Bardi cujas obras são o símbolo de um pensamento sofisticadérrimo de arquitetura e cidade encontrando em cada obra uma perfeita alquimia entre forma função beleza sem perder sua força popular e sua ligação com essa Terra em comunicação direta com os saberes dessa Terra e em respeito imenso à Terra e suas riquezas naturais um paradigma para a Arquitetura Mundial e para as cidades contemporâneas que se encontram à beira do colapso

URBANISMO ANTROPÓFAGO
No Teat(r)o Oficina nesses 59 anos de Uzynagem há um saber extremamente elaborado de arquitetura urbanismo e cidade que se mostra caminho a ser explorado em tempos de saturação absoluta dos modelos urbanísticos vigentes com seus conjuntos de avenidas às custas dos rios que nos trouxeram mais problemas que soluções para o crescimento dos centros urbanos que violentam o corpo da cidade afim de extorquir até a última gota os recursos naturais da Terra construindo excessivamente casas sobre casas prédios sobre prédios especulando cada metro quadrado de terrenos esquartejados em lotes com um pensamento muito pobre e mesquinho que visa apenas o máximo lucro dos envolvidos sem levar em conta as reais necessidades da Cidade da Terra e do Céu cujas vozes da Cidade da Terra e do Céu esse Teatro manifesta em seus projetos arquitetônicos e urbanísticos é só olharmos para o programa do projeto do Anhangabaú da Feliz Cidade cujos fundamentos – Oficina de Florestas Y Universidade Antropófaga Y Teatro de Estádio – estão acordes com os pensamentos mais visionários de cidade e abrem caminho para o que poderíamos chamar de Urbanismo Antropófago ao cultivar uma cidade que honra a Terra que habita de onde tiramos nosso sustento alimento que se projeta em respeito à força Nutriz Matriz Mãe Matéria Mater Dei

AS LEIS HUMANAS NADA PODEM CONTRA AS LEIS DIVINAS
E mesmo assim os ataques continuam por parte do grupo Silvio Santos que insiste numa obtusa ideia de construir torres de 100 metros ao redor de uma obra de arte com importância mundial demonstrando assim uma total falta de conhecimento da importância desse Teatro mas também do bairro tornando-se uma ameaça sinistra para o bairro do Bixiga como um todo tamanho impacto assombroso que essas torres seriam para sua vida mas também para a cidade de São Paulo que perderia a oportunidade de repensar seus caminhos urbanísticos aceitando que os já trilhados até o momento apresentam mais ônus do que bônus e que ainda há tempo de desfazer o mal feito

EMPREENDER HORIZONTE
No vídeo que está circulando pelas redes da reunião entre o Zé Celso Silvio Santos o atual prefeito de São Paulo João Dória e equipes vemos claramente a total falta de visão desses dois que são vistos como exemplares empreendedores Silvio Santos e João Dória Jr. não enxergam o prejuízo imenso pra cidade que o projeto do Grupo Silvio Santos pode causar não enxergam que a cidade está completamente saturada desse tipo de empreendimento não enxergam que é um projeto falido em sua gênese esse que querem implantar ali projeto que é apenas mais do mesmo de um pensamento já exausto e exaurido e que a economia mundial caminha para novos caminhos que se afastam cada vez mais desse tipo de empreendimento que eles defendem para o entorno do Teatro não enxergam a mina de ouro que o Teat(r)o Oficina é e que eles poderiam lucrar muito mais dando o devido espaço ao Oficina proporcional à sua importância cultural para o Brasil e que o Oficina é Uzyna força inesgotável de criação que pode ser um ponto de projeção do Brasil para o Mundo de um novo pensamento de economia cultural e que o projeto do Teatro de Estádio e do Anhangabaú da Feliz Cidade como um todo será um marco na história do urbanismo mundial

VAMOS COMER OFICINA
Não dá para deixar de pensar que é de uma estupidez tacanha assassinar o Teat(r)o Oficina quando se poderia devorá-lo como amante amado ou como inimigo odiado tanto faz pois sua força é imensa e se faz precisa ao tempo mais do que nunca!

Vida longa ao Teatro Oficina Uzyna Uzona!

#ficaoficina

#vetaastorres

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O grupo do $ILVIO $antos SS,
em seu ataque às terras tombadas nos 300 metros no entorno do teatro oficina,
sítio arqueológico fértil,
onde mora o rio do Bixiga,

q vai começar a ser desenterrado nessa primavera cultural do brasil pro mundo!

No dia 23/10, houve um assassinato no CONDEPHAAT por 15 burocratas ignorantes, sem noção do Patrimônio Histórico Artístico Arqueológico Turístico do Estado de São Paulo, sem mencionar nenhuma obra de teatro realizada lá que:

– autorizaram a construção de torres no sítio arqueológico onde corre o vale fértil do Rio Bexiga, vai entrar profundamente pela culatra.  Pois acaba de nascer a Rebelião dos Artistas que criam agora a Primavera Cultural do Brasil de 2017.  Retomando a Cultura Descolonizadora da Tropicália Antropófaga e do Carnaval de Rua, artistas de:

– todos os teatros,

– de todas as televisões,

– de toda a Net,

-de todas as artes,

– desde o movimento de Caetano Veloso, Paula Lavigne e artistas do Rio no 342 Arte que já chegou nas mãos da Mídia Ninja (no momento em que escrevo esse manifesto acabo de saber que Caetano e seus filhos, estão impedidos pelo Prefeito de São Bernardo de entrar com os instrumentos para fazer o show que terá a presença dos bichos humanos do Movimento Sem-Teto)

 

– Da palavra mágica “desacovardamento”, da xamã Fernanda Montenegro

criaram o terreno propício para a grande florada cultural comer esse inimigo sacro: a Serpente Nazista, já fora do ovo. Serpente, você vai ter que dançar ao violino e ao canto de Jorge Mautner:

“Qual é o mais lindo presente que os Deus dão pros mortais?

O que é mais lindo

O que é mais amigo

Ter a cabeça do inimigo nas mãos

E a sabedoria de tocar

Pra ele ver de pé

A nossa vitória”

O terreno desse sítio ecológico nos 300 metros de entorno tombado, vai receber o povo todo do Brasil e do Mundo e vai ter circo, shows musicais e o Teatro de Estádio nômade para que permaneça com a beleza da sua maravilha de seu vazio povoado pela natureza. E aberto a todos os povos, a começar do Bexiga.

Lugar que corre o mesmo risco, onde poderá ser praticado um genocídio, a expulsão dos habitantes que criaram esse centro popular de cultura. Nascedouro de todos os teatros modernos do Brasil, vindos do TBC, ameaçado de privatização para enlatados.

Esse lugar cobiçado pela especulação financeira que já sufoca nossa cidade com três pragas: torres, trânsito e poluição, foi musicado pelo poeta-cantor José Miguel Wisnik. Então, nós todos passamos a chamar de ANHANGABAÚ DA FELIZ CIDADE. E será cantado e gravado por cantoras e cantores em coral e orquestra.

A

ANHANGÁ

ANHANGABAÚ

A

ANHAGÁ

ANHANGÁBAÚ

DA

FELIZ CIDADE

AH, TUPÃ,

DEUS DO BRASIL

QUE O CÉU ENCHE DE LUZ

DE AMOR E DE ESPERANÇA

AH, TUPÃ

TIRA DE MIM ESSA SAUDADE

AH

ANHANGÁ

ANHANGABAÚ

DA FELIZ CIDADE

O Teatro vai ser abraçado por artistas do País inteiro. No Teatro Oficina, da rua Jaceguai (em tupi, “come cabeça”), na rua Lina Bardi, chão de terreiro, galeria do Scalla de Milano, dando com “as catacumbas de Sílvio Santos”, apud Lina Bardi.

Esse terreiro xama a Tropicália Antropófaga, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé, Chico Cesar e Chico Buarque, que libera neste momento sua Roda Viva, já sendo ensaiada no Teatro Oficina,

deseja também ter o Maestro João Carlos Martins que tombou este lugar sagrado, trazendo sua orquestra sinfônica Bacchiana.

A filósofa Marilena Chauí para vir dar uma aula.

Dráuzio Varella e Regina Braga.

Nossos amigos que viram quase todos os espetáculos da Oficina Uzyna Uzona para virem aos ensaios de Roda Viva. Serão ensaios abertos para ocupação permanente do Teatro Oficina, aberto nesta primavera. E queremos a presença dos artistas do Movimento dos Sem-Teto, liderados pelo xamã Guilherme Boulos.

Que venham o xamã dos Sem-Terra Pedro Staedler e as cozinheiras brilhantes que participaram da feira que nos salva dos produtos envenenados do agronegócio.

Eu, Zé Celso, Exú das Artes Cênicas, maior honraria que recebi em minha vida de Mãe Estela, depois de ela ter visto, de pé, com 80 anos, as 5 peças d Os Sertões, de Euclides da Cunha numa semana só. Ela concedeu neste mesmo encontro internacional do candomblé ao Ministro da Cultura, Juca Ferreira, a honraria de Oxossi, Senhor das Florestas.

P.s.: Eu, pessoalmente, Zé Celso, que tenho adoração pelo príncipe Criolo, vou morrer de paixão se ele vier abrir estes acontecimentos que mudarão a história do Brasil e trouxer com ele o Pabllo Vittar e toda a Primavera Cultural Perifa y a mais venha Mulher de Todos, Helena Ignez. Venha Michele Matalon, Sonia Braga, Letícia Sabatela! Em vocês quatro, chamo todas de que sou amante e que amam.

Este Teatro magnífico está aberto pra Arte. Pra todas as artes que dão Flores Antropófagas nesta primavera.

 

Merda!

Mensagem de Mateus para Zé

Zé, aqui quem escreve é o ator Mateus Solano. Você provavelmente não se lembra de mim, mas eu viajei algumas vezes nesta vida para assistir os espetáculos do Oficina (moro no Rio). Enfim, não vou nem tentar descrever a importância do teu Teatro para mim. Eu e mais um grupo forte de atores que fazem TV estamos querendo saber como podemos ajudar na luta pelo teu projeto no Bixiga. Você pode aparecer ou pedir aos teus “braços direitos” (ou esquerdos) para entrar em contato comigo?
Um beijo cheio de afeto,
Mateusolano



Mensagem de Zé para Mateus Solano

Mateus Solanus!
Você, Amor, foi o primeiro da casta global a manifestar a paixão do seu corpo pelo teatro.

Já despertou Monique Gardenberg, que sempre foi esperta e desperta e me ligou dizendo que não é manifesto, não é assinatura. É abraçar o quarteirão tombado do Oficina com o corpo, entrar no sítio arqueológico, que é o nosso entorno tombado.

Penetrar com arte, respirando o último vazio de SamPã, onde nós já decidimos não fazer o Belo projeto do Teatro de Estádio, mas construir uma tenda de teatro nômade para 3 mil pessoas. E que vai deixar o lugar livre pro povo do Bixiga que também está ameaçado de um genocídio do próprio grupo Sílvio Santos, que parece ter recebido a exclusividade, o monopólio pra transformar o Bixiga, a mãe do teatro moderno em São Paulo e Brasil. Em que os teatros brotaram e trabalharam com o povo do bairro como técnicos, contra-regras…

E fez do bairro o umbigo cultural de São Paulo, a Lapa de São Paulo.

Ameaça as pessoas populares que vivem lá, de cobri-las todas com cimento e torres. Este golpe do dia 23 de outubro, cometido por 15  membros do Condephaat, que não são pessoas da defesa do patrimônio, mas sim da especulação imobiliária financeira, acabaram produzindo o seu avesso: um movimento da cultura, das artes, do Teatro. Começou com a Fernanda Montenegro jogando a palavra “desacovardamento” na net e nessa primavera fez o golpe no Oficina eclodir como uma florada selvagem. Uma revolução cultural. Uma retomada da descolonização criada pela Tropicália Antropófaga. Esse movimento das Artes Cênicas tão desprezadas, mas de prontidão como todos os artistas de todas às áreas comerem a serpente já fora do Ovo: o nazismo que rebaixou sobre o mundo e aqui no Brasil adquiriu a forma farsa assassina dos lugares sagrados como se estivéssemos no Estado Islâmico.

E dos haters e da cafonice, burrice, da incompetência da cleptocracia que produziu o primeiro golpe para destruir todas as conquistas sociais que nasceram há 100 anos atrás aqui nessa cidade que leva o nome do santo facista São Paulo, que eu chamo de SamPã, aquele satyro de pau grande, o Diabo, que come que e é comido por todo mundo.

Você me inspirou este texto, como Phédro, de Platão, onde Sócrates se inspira num jovem lindo como você, chamado Phédro.


Exú das Artes Cênicas, título dado por Mãe Stella, que com 80 assistiu 5 espetáculos d Os Sertões, de pé. Ela concedeu no mesmo congresso de candomblé em que me deu este título o de Oxossi, Senhor das Florestas, a Juca Ferreira, que é ecologista.





O grupo do $ILVIO $antos SS,
em seu ataque às terras tombadas nos 300 metros no entorno do teatro oficina,
sítio arqueológico fértil,
onde mora o rio do Bixiga,

q vai começar a ser desenterrado nessa primavera cultural do brasil pro mundo!

Merda!

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foto: Jennifer Glass
Matéria originalmente publicada no blog Inconsciente Coletivo, do Estadão.

O diretor José Celso Martinez Corrêa se sente mais ou menos como se sentia, há 50 anos, em 1967, às vésperas do AI-5, quando encenou pela primeira vez a peça O Rei da Vela, de Oswald de Andrade, no teatro Oficina: apreensivo, cercado por forças conservadoras, temendo pelo que possa acontecer para o país, a classe artística e o teatro. Ele acha que os momentos são muito parecidos e que a peça de Oswald, que, estreia amanhã, uma remontagem histórica no Sesc Pinheiros que fica em cartaz até o dia 19 de novembro, detecta essas afinidades do insconciente coletivo entre as duas épocas.

O que Zé Celso mais teme, em suas palavras, é o avanço da repressão, do nazismo, do fascismo e da violência de Estado, que ele já vê instalados na sociedade. É hora de se preocupar. Ele acha que o ovo da serpente já se abriu e as forças do mal se alastram. “Essa peça hoje é mais forte ainda do que foi quando ela foi encenada, em 1967. A violência hoje é maior”, afirma

Zé Celso deu essa entrevista para o blog especialmente influenciado por um vídeo da atriz Fernanda Montenegro, divulgado pelo movimento 342 Artes, no qual ela faz um apelo contra a censura artística, denuncia a cultura da repressão e defende a cultura da liberdade.

Zé Celso também recebeu de Fernanda uma carta de apoio para uma luta que vem enfrentando para preservar o teatro Oficina. “É tanta porrada que todo mundo está acovardado. No maravilhoso depoimento da Fernanda Montenegro, ela se dirige aos políticos ainda honestos que existem e fala do processo de desacovardamento. Olhe o que está acontecendo e tome uma posição”, afirma Zé Celso. “Foi um golpe. Golpe! Foi um golpe pior que o de 1964 porque, além de conter os militares que já estão conspirando, é apoiado por esses partidos desses jovens que nem sabem o que é uma ditadura, como esse Kim não sei o quê.”

A encenação cinquentenária do Rei da Vela celebra os 80 anos de Zé Celso e do ator Renato Borghi, que interpreta Abelardo I. Zé Celso faz o papel transexual de Dona Popoca, uma virgem sexagenária. A cenografia está a cargo do artista Hélio Eichbauer, que recriou o palco giratório original no Sesc Pinheiros. A montagem conta com vários atores que passaram pelo grupo durante meio século. A peça foi escrita por Oswald em 1933, sob os efeitos da crise financeira de 1929 e da ascensão dos regimes totalitários na Europa. É a fábula decadente de um usurário, Abelardo I. A obra se passa em um escritório de agiotagem e o protagonista – banqueiro e rei da vela, arruinado por dívidas com os americanos, achaca clientes devedores e faz suas negociatas com Abelardo II, que depois lhe dará um golpe e o sucederá no negócio.

Zé Celso está especialmente preocupado com uma reunião que haverá na próxima segunda-feira no Condephaat, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo, para se discutir e definir o destino do terreno em torno do teatro Oficina, onde o empresário Silvio Santos pretende construir três torres residenciais. Está em jogo também a preservação da integridade do projeto do teatro feito pela arquiteta Lina Bo Bardi, e listado como um dos melhores do mundo pelo jornal inglês The Guardian. Zé Celso diz que o projeto de Silvio Santos ameaça o Oficina e descaracteriza a região.

O Oficina está, atualmente, em seu terceiro projeto arquitetônico. Houve um primeiro que foi destruído pelo Comando de Caça aos Comunistas (CCC), em 1968, um segundo projetado pelo arquiteto Flávio Império, que foi tombado pela Condephaat, e o terceiro, de Lina Bo Bardi, que modificou a construção de Flávio Império e deu a configuração atual ao projeto. O prédio atual contém um janelão, que seria coberto caso os advogados consigam aprovar o empreendimento imobiliáriário de Silvio Santos. “Eles querem que se construa as torres em torno do teatro e querem que feche o vidro que a Lina colocou lá porque eles acham que muda o projeto original”, explica Zé Celso.

*

“Nunca na minha vida, mesmo durante a ditadura em que fui torturado, em que fui exilado, vivi uma situação igual. Eu me sinto diariamente golpeado”.

“Toda a burguesia com o golpe apoiou a extrema direita. A burguesia não sabe o que fazer. Esta época é tão torturante quanto o AI-5.”

“Já abriu o ovo da serpente, é só você ver que a cada dia você recebe um golpe. Semana passada foi a Cármen Lúcia que, na confusão mental dela, votou a favor da liberdade desse Congresso, um bando de gente ignorante e corrupta, para salvar o Aécio. Todo dia tem alguma coisa.”

“E hoje eu saquei que o Chico Buarque para escrever Roda Viva se inspirou no Rei da Vela. Vou escrever uma carta para o Chico porque a peça, até agora, está proibida. Vou montar Roda Viva.”

“O Rei da Vela descolonizou totalmente a cultura brasileira. Hoje está havendo um processo nazista de recolonização do país.”

“Todas as peças que eu fiz foram criadas como um xamã faz sob efeito de drogas, de peyote, ayuahasca, de maconha, sempre maconha.”

“As drogas são essenciais e precisam ser liberadas para todo mundo, claro, porque é uma idiotice fazer o que fazem, a paranoia que têm com maconha. Eu fumo há mais de 50 anos, talvez. Eu fumo o dia inteiro. Antes era diversão, era percepção, agora é remédio também.”

“O Oficina tem inferno, terra e céu, é onde se pratica um teatro cosmopolíticopoético, entendeu?”

“Para a saúde a velhice é péssima, mas para a mente é ótima, você renova todo seu DNA, como se você reiniciasse o computador orgânico para ver as coisas de outra maneira. Mas ela não é igual para todo mundo. O Silvio Santos está burro, ele não percebe essas coisas, ele é grotesco, virou o Abelardo I. Ele é o Rei da Vela que atualmente me inspira.”

“O Rei da Vela foi montado no Sesc Pinheiros porque no Oficina não caberia. Talvez a gente volte a fazer no Oficina, mas como se fosse um desfile circense. Agora é igual como foi em 1967, com um grande palco giratório, mas muito mais lindo do que nunca.”

*

Qual é a importância dessa montagem, dos 50 anos do Rei da Vela?

É o inconsciente que a Fernanda Montenegro despertou, eu dedico a direção a ela, exatamente ao desacovardamento não só dos políticos, mas do povo brasileiro que está sofrendo e os artistas. Então é dedicado a isso porque essa peça hoje é mais forte ainda do que foi quando ela foi encenada, em 1967. A violência hoje é maior. Lá atrás foi um momento glorioso porque durante a ditadura, ainda no tempo de Castelo Branco, a minha geração, que vinha do suicídio de Getúlio Vargas e da carta-testamento, floriu criando um movimento descolonizador com a antropofagia vinda do Rei da Vela e ligando a Tropicália. Não o tropicalismo, mas a tropicália. Tropicália antropófoga. Então descolonizou totalmente a cultura brasileira.

E como isso se relaciona com o tempo presente?

Hoje está havendo um processo nazista de recolonização do país. Essa peça foi escrita há 80 anos, que é minha idade, quando eu nasci, quando o Renato Borghi nasceu. Ela foi publicada um pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Desde 1936 ela estava sendo escrita. Então ela contém o nazismo, o fascismo, o stalinismo e a poesia. E a maneira absolutamente genial que o grande poeta, um dos maiores poetas da história mundial, Oswald de Andrade, faz cenicamente parodiando todos os teatros, todos os gêneros em três atos.

Você está vendo esse nazismo na sociedade hoje?

Já abriu o ovo da serpente, é só você ver que a cada dia você recebe um golpe. Semana passada foi a Cármen Lúcia que, na confusão mental dela, votou a favor da liberdade desse Congresso, um bando de gente ignorante e corrupta, para salvar o Aécio. Todo dia tem alguma coisa. A questão das religiões vai provocar guerra religiosa. Em vez de ter uma coisa maravilhosa que é o ensino da história das religiões em que você estuda todas elas, cada um vai ter a sua e o candomblé não vai ser permitido. Hoje, foi o Temer comprando todos os deputados. Esse conservadorismo já é nazismo. Imagina a próxima eleição. Eles vão fazer tudo para ficar no poder. A eleição está ameaçada de se tornar um novo golpe porque eles golpeiam diariamente. Eu me sinto diariamente golpeado.

Há uma repressão moral?

Moral nada, é fisica. Uma repressão que nos ameaça. Nós estamos ameaçados e no próximo dia 23 de outubro, segunda-feira, dois dias depois da estreia da peça vai ter uma reunião no Condephaat, em que vai se decidir ou não pelo projeto apresentado pelo Silvio Santos, que eu chamo de $$, contra o teatro Oficina e para construção de torres no Bixiga.

Me explica isso?

Eles têm uma visão que nós destruímos o primeiro Teatro Oficina, que era um tombamento histórico, para construir esse teatro ‘ilegal’ da arquiteta Lina Bo Bardi, que abre um janelão maravilhoso dando para o terreno do entorno e onde Lina plantou uma árvore que está enorme, depois de 24 anos, que dá sombra no terreno. Nós não temos um contrato, mas isso não tem nada a ver – eu sinto que aquela terra é nossa, que nós somos os índios de lá, a gente de lá, aí foi tombado, e agora eles estão dizendo que nós destruímos aquele teatro.

De novo?

De novo não. É novo. É mais grave do que todos. É fascista. Nunca teve essa audácia de nos colocar fora do teatro. Isso é novo. Tem uma coisa de lugar da imprensa que não dá, vocês precisam que acordar. É uma coisa terrível isso. E as pessoas estão dormindo. É por isso que estou com a Fernanda Montenegro. É o desacovardamento. A situação é muito grave.

E o que o O Rei da Vela tem a ver com tudo disso?

O Rei da Vela, inevitavelmente, reflete esse momento, mas como paródia. Reflete tanto quanto o momento da primeira montagem, em 1967, antes do AI-5. Só que agora é pior. Essa época é tão torturante quanto foi o AI-5. Porque estão torturando os corpos dos seres humanos que não pertencem ao andar de cima. O andar de cima está ileso, não paga um tostão. O andar de baixo recebe uma porrada todo dia. Os corpos das pessoas desempregadas, passando fome, as artes, o teatro, por exemplo, lutando para sobreviver. É preciso uma revolução cultural agora e Fernanda Montenegro começou a capitaneá-la para todo o teatro brasileiro. O teatro brasileiro é o grande enjeitado.

É um renascimento do tropicalismo?

‘Ismo’ não, é Tropicália. Eu sou contra todos os ‘ismos’ porque os ‘ismos’ estão nos impedindo, agora, que nosso inconsciente coletivo se junte culturalmente para derrubar esse Estado nazista. Para não deixar acontecer o nazismo, o fascismo, como está acontecendo agora, para derrubar esses fascistas, esses stalinistas, esses ‘istas’. Qualquer ‘ista’ atrapalha neste momento. Tem que sair de cena a partir da imersão do inconsciente e da dimensão maior que a cultura dá, que o cinema, que o teatro, que a literatura, que as artes, enfim, captam. São as maneiras de se captar a realidade cosmopolítica. A arte capta o inconsciente, leva a uma a imersão no inconsciente, dá uma nova percepção.

Dá para perceber um sentido de urgência no seu discurso.

A urgência com a situação em que o Teatro Oficina se encontra e eu me encontro é porque há questão de um mês atrás, o advogado do Silvio Santos veio falar com a gente. Eles criaram uma coisa chamada jurídico, uma coisa metafísica, e o jurídico não permite mais que se pise no entorno. Durante 37 anos, esse lugar esteve tombado e desapropriado para nos proteger do Silvio Santos. Em 2010, foi tombado pelo Iphan e, portanto, é tombado em todas as instâncias. E tudo foi feito para que o Oficina pudesse ter o espaço que a Lina Bo Bardi tinha imaginado. A Lina dizia “chão de terreiro, galeria do Scala de Milão dando para as catacumbas de Silvio Santos”. E o primeiro projeto que ela fez em cima do terreno foi em 1980, ano em que o Silvio Santos quis comprar o teatro pela primeira vez.

Nós temos muitos anos de ocupação, então nos tornamos posseiros daquela terra que para nós virou sagrada. Nossa situação é idêntica à da gente indígena. Hoje, os líderes deles, o Ailton Krenak, todos, se referem a si próprios como gente yanomami, gente guarani, etc, de várias tribos, como “burús” e não como índios. E nós estamos na mesma situação porque nós sagramos a nossa terra com 57 anos de ocupação. Eu estou com sentido de urgência porque nunca na minha vida, mesmo durante a ditadura em que fui torturado, em que fui exilado, vivi uma situação igual.

É uma questão de legitimidade?

Mais que legitimidade. É a terra. O Oficina produziu espetáculos que magnetizaram o lugar. Houve três teatros. Um foi queimado pelo CCC, o segundo foi superado pelo próprio Rei da Vela e a Lina fez o terceiro. Ela morreu um ano antes de ficar pronto. E ela fez no teatro o mesmo que fez na casa dela, a Casa de Vidro, que ela construiu em cima de um morro e penetrada por uma árvore ao meio. Fez o mesmo na última obra e na última casa. Quando vi aquilo eu fiquei pirado. A arquitetura naquela época era uma maravilha e hoje é um lixo. Como na última obra dela, ela rasgou um janelão de vidro. E nesse janelão ela plantou uma árvore. Ela morreu um ano antes de inaugurar o teatro. Essa árvore cresceu tanto, há 24 anos está lá, que dá sombra no terreno vizinho. Foi a nossa vanguarda. E durante 37 anos nós lutamos para legitimar o tombamento de 300 metros feito pelo Estado. O grupo de Silvio Santos, através do jurídico dele, age de uma maneira nazista.

O que eles alegam?

O advogado alega que nós não temos contrato assinado, que o Estado se quiser nos tira de lá. Ele não menciona nada do nosso trabalho, para eles não existe Os Sertões, o Rei da Vela, Pequenos Burgueses, Hamlet, Galileu Galilei, O Banquete, Bacantes. Não existe. A gente é um prédio com pessoas que estão incomodando. Eles não têm ideia do valor do teatro. É uma obra de arte. Eu comparo a atuação do Silvio Santos e dos advogado dele ao Estado Islâmico. Querem destruir. Imagina, o teatro mais belo do mundo, um teatro maravilhoso da Lina Bo Bardi, que ganhou um nome enorme no mundo inteiro. A Lina seguia um caminho totalmente divergente dessa arquitetura vagabunda de torre. É o que ela chama de arqueologia humana, como ela fez no Sesc Pompéia, que tem uma torre, mas ali ela reviveu toda uma fábrica.

O que pode acontecer com o Oficina?

Eles querem que se construa as torres em torno do teatro e querem que feche o vidro que a Lina colocou lá porque eles acham que muda o projeto original. Nós vivemos sob domínio do jurídico, então eles pegaram o jurídico, inventaram uma história que destruímos o teatro que foi tombado, que era projeto do Flávio Império. E construímos no lugar um teatro ilegal, que tem um vidro para o vizinho, para a vizinhança, o que é proibido por lei. O Silvio Santos está histérico.

Como ele se posiciona?

Estive com ele numa reunião com o Suplicy e o Doria. Escrevi uma carta para o Doria. Doria é um negociador, um homem de negócios. A carta foi entregue. Ele foi visitar o teatro. Na visita que ele fez ao teatro eu mostrei para ele o terreno. E fui mostrar a coisa mais linda que tinha no terreno, uma aléia, uma área verde que dava legumes, flores, tudo, uma coisa maravilhosa que eles destruíram. Eu fui mostrar para o Doria e estava tudo destruído. Eles estão destruindo tudo. Mas mesmo assim, como antropófagos que somos, nós continuamos semeando lá. Nós semeamos muito e deixamos os negócio verde. Acho que depois do golpe, a burguesia está paranóica, ela acha que os craqueiros podem tomar conta, os moradores de rua, o povo do Bixiga pode ocupar o terreno. Eles estão paranóicos porque toda a burguesia com o golpe apoiou a extrema direita. A burguesia não sabe o que fazer.

Você tem alguma ideia?

Segundo Thomas Piketty, o capital especulativo é logaritmo. Há o maior abismo social que a história da humanidade já conheceu. E essa desigualdade afeta uma população enorme. É um problema que não se sabe como resolver. Eles não querem abrir mão do dinheiro, então eles mandam a polícia em cima. Repressão, repressão, repressão. Esse golpe veio disso.

O impeachment?

Foi um golpe. Golpe! Foi um golpe pior que o de 1964 porque, além de conter os militares que já estão conspirando, é apoiado por esses partidos desses jovens que nem sabem o que é uma ditadura, como esse Kim não sei o quê. Essa situação fez com que em pouquíssimo tempo todas as conquistas sociais, da arte, da cultura, da saúde fossem destruídas. O Rei da Vela mostra isso. O Oswald escreveu a peça em 1933 e a publicou em 1937. A situação hoje é a mesma. Houve uma regressão.

Não é uma coisa só do Brasil?

É mundial. É uma coisa ligada a não saber exatamente o que fazer. A única maneira que se imagina é a repressão.

Por isso, a necessidade de desacovardamento?

É tanta porrada que todo mundo está acovardado. No maravilhoso depoimento da Fernanda Montenegro, ela se dirige aos políticos ainda honestos que existem e fala do processo de desacovardamento. ‘Olhe o que está acontecendo e tome uma posição’. E, ao mesmo tempo, se não fizerem isso, vão perder a pele. Ela também me mandou um texto maravilhoso. Nós queremos incluir o texto da Fernanda nos autos de defesa do Oficina.

O Oficina deve ser imutável?

Não é imutável. A gente pode mexer naquilo, mas eles não. Porque eles querem destruir. O teatro da Lina nasceu do Rei da Vela e do Roda Viva quando nós vimos que tínhamos que abrir uma rua com o público todo participando, com aquele janelão voltado para a cidade, com um teto móvel voltado para o infinito. O Oficina tem inferno, terra e céu, é onde se pratica um teatro cosmopolíticopoético, entendeu? Por isso é considerado pelo jornal The Guardian o melhor entre os dez melhores teatros do mundo e o mais intenso. Isso tudo o Silvio Santos ignora completamente. Para ele nós somos um bando de vagabundos.

Você acha que ele pensa isso?

Tanto que ele tentou me comprar, me ofereceu 5 milhões. Ele não vai desistir mesmo. Eu aprendi tanto com você, Silvio Santos, e você não aprendeu nada comigo. Mas ele está pirado. Ele está gagá, ele não está sabendo o que ele está fazendo. Ele está desesperado. Ele tem uma percepção maior de que essa situação é perigosa para o capital. Ele está apavorado com os sem teto, com os que dormem na rua, com os craqueiros. Eles estão acuados. Vale um trecho do Rei da Vela, aliás: “Há um momento em que a burguesia abandona a sua velha máscara liberal e se declara cansada de carregar nos ombros os ideais de justiça da humanidade, as conquistas da civilização e outras besteiras. O povo está machucado, acovardado e dividido.” Isso é o Abelardo I. Eu descobri hoje que o Abelardo I é o Silvio Santos. A peça é um circo tragicômico.

Vocês recebem algum subsídio estatal?

Atualmente não pagam mais nada. Antes ainda davam porteiros, agora nem isso. Nada. A Petrobras cortou tudo. Nada, nada, nada.

Por que o Rei da Vela não foi montado no Oficina?

Foi montado no Sesc Pinheiros porque no Oficina não caberia. Talvez a gente volte a fazer no Oficina, mas como se fosse um desfile circense. Agora é igual como foi em 1967, com um grande palco giratório, mas muito mais lindo do que nunca. O espaço do Sesc é maravilhoso. Danilo Miranda é nosso ministro da Cultura. Se não existisse Danilo Miranda (diretor do Sesc) não existiria teatro em São Paulo, só existiria musical. Graças a ele, que está com o orçamento bem limitado pela crise porque o comércio caiu e a renda do Sesc diminuiu, essa montagem aconteceu. No final eles pegaram a produção da peça e vão pagar nossa atuação. Mas é um dinheiro que dá muito justo, não é uma fortuna. Pelo menos é alguma coisa. E aí o Hélio Eichbauer fez um cenário com tudo à mostra, um boneco enorme, um caralho. É o mesmo cenário do passado que está sendo reconstruído hoje no Sesc Pinheiros. Só que o Sesc Pinheiros é muito maior que o Oficina. Então ele fez uma coisa imensa com três cenários completamente diferentes, revelando os três gêneros da peça: o primeiro ato que é uma chanchada trágica, o segundo, que é teatro de revista, e o último, que é ópera. Variam completamente os estilos da peça.

Acha que tem alguma correspondência com os acontecimentos de Brasília?

Acho que tem tudo, até demais. É o vice que dá um golpe. É um Abelardo trágico. Inclusive ele se transforma inteiramente, ele é uma entidade de um banqueiro. É um teatro de entidade, não é um teatro de personagem.

Não é bem do candomblé, é parecido, mas não é candomblé. É uma entidade dionisíaca, que ao mesmo tempo é apolínea porque todo o trabalho cenográfico de Hélio Eichbauer é apolíneo e, ao mesmo tempo, dionisíaco, tem todo um contorno, toda uma coisa maravilhosa. E hoje eu tive um insight com as iniciais de Rei da Vela, RV, adivinha? Roda Viva. As mesmas iniciais. Para mim são a mesma peça. Eu montei uma atrás da outra. E hoje eu saquei que o Chico Buarque para escrever Roda Viva se inspirou no Rei da Vela. Depois que você sair eu vou escrever uma carta para o Chico porque a peça, até agora, está proibida. Mas hoje eu saquei que as duas são uma única peça. O coro do Roda Viva é uma coisa que não existe no teatro mundial desde o teatro grego. O teatro grego tem o coro como tem o candomblé, que fazia as pessoas participarem da peça. E vários diretores tentaram reconstituir o coro. Hoje o único coro que está aí é o do musical americano. E chega aqui enlatado e é um sucesso, porque custa caro e a burguesia adora. O Roda Viva tem o coro que falta no Rei da Vela. Foi um escândalo o dia da estreia do Roda Viva. Foi o coro que me inspirou, que me deu o primeiro ácido – põe na boca porque você é super racionalista e não vai acontecer nada com você.

E a partir desse primeiro ácido o que aconteceu?

A partir daí eu passei por todas as drogas, todas as peças que eu fiz foram criadas como um xamã faz sob efeito de drogas, de peyote, ayuahasca, de maconha, sempre maconha. Depois eu tive que parar porque eu tive um infarto. Eu não posso mais tomar alucinógenos, então eu tenho que tomar vinho e fumar maconha. A minha alucinação continua só pela maconha. E eu continuo trabalhando com alucinação, como o (Davi) Kopenawa, que ditou em yanomami a queda do céu para o etnólogo francês Bruce Albert. O livro foi editado, no ano passado, no Brasil. http://brasil.estadao.com.br/blogs/inconsciente-coletivo/um-xama-na-avenida-paulista/

Como as drogas se conectam com o teatro?

Para o ritual do teatro é essencial. A droga deve ser liberada para os rituais sagrados do teatro porque eu pratico um teatro sagrado, um teatro dionisíaco, cosmopolítico. Não é um teatro só social. É social, mas, ao mesmo tempo, é cosmopolítico. Está conectado com uma coisa maior, mas que está dentro de nós. Dentro de nós está os cosmos. Tudo está dentro de nós. Como o João Gilberto chamou, é o “tudão”. As drogas são essenciais e precisam ser liberadas para todo mundo, claro, porque é uma idiotice fazer o que fazem, a paranoia que têm com maconha. Eu fumo há mais de 50 anos talvez. Eu fumo o dia inteiro. Antes era diversão, era percepção, agora é remédio também.

Como assim?

Eu estou com 80 anos e se eu sinto alguma coisa imediatamente eu fumo um baseado e já alivia. É um crime deixar isso com o narcotráfico. Tem que imediatamente liberar e ir para o Ministério da Saúde. Aí vai ter uma luta com o tráfico. E a cocaína vai ser vendida como remédio tarja preta na farmácia careta. Crack é diferente porque mata.

E a velhice como você encara?

Para a saúde a velhice é péssima, mas para a mente é ótima, você renova todo seu DNA, como se você reiniciasse o computador orgânico para ver as coisas de outra maneira. Mas ela não é igual para todo mundo. O Silvio Santos está burro, ele não percebe essas coisas, ele é grotesco, virou o Abelardo I. Ele é o Rei da Vela que atualmente me inspira. Mas digo que o Rei da Vela tem uma transformação maravilhosa. O Oswald deu para Abelardo I uma percepção trágica e ele, no terceiro ato, renega tudo, entrega tudo. Como ele está morrendo ele entrega tudo, entrega a burguesia. É tipo vida, paixão e morte do burguês lúcido.

É uma peça que elucida.

Não é que ela elucida, ela toca no inconsciente coletivo e é preciso tocar no inconsciente coletivo. Só 5% apoiam o Temer. O inconsciente coletivo, que é a maioria da população, está contra. A minoria tem dinheiro e quer resolver seus problemas sem perder privilégios, quer continuar na casa grande e botar a gente numa senzala cada vez pior. A burguesia está cagando pra gente porque eles estão lá em cima. Você sente que a função do teatro é como captar o inconsciente coletivo. E o Rei da Vela consegue captar. Roda Viva idem. Vou montar Roda Viva. Vou dizer: agora não dá para proibir. É a mesma peça. É aquela corrente de 1967, 1968. É a mesma coisa.

E a operação Lava Jato, o que você acha?

Eu acho o seguinte, o moralismo e a corrupção não são nada diante do regime capitalista na fase que ele está em si. A corrupção é um sintoma. A corrupção faz parte do capitalismo. Não existe capitalismo sem corrupção. Já é uma corrupção uma minoria de pessoas tendo uma renda maior do que toda a maioria. Isso é uma corrupção sem nome. O grande problema de hoje é a desigualdade.

No Brasil e no mundo. Mas isso é uma coisa totalmente corrupta. De onde vem, então, todo esse dinheiro? Quem produziu esse dinheiro? Quem produziu tudo, quem fez, quem trabalhou realmente e que não ficou só na especulação? Claro, os especuladores trabalham, os lobistas trabalham mas eles trabalham com um dinheiro que é estéril.

Sou a favor do comum, eu sou viado, sou a favor dos viados, sou a favor das mulheres, mas sem ‘ismo’. Sou a favor dos africanos que criaram o candomblé e deram um exemplo de resistência formando uma religião que não querem que se desenvolva, tentam proibi-la. A burguesia está incentivando a guerra das religiões. Em vez de ensinar a história das religiões, que é uma coisa maravilhosa, para você poder conhecer todas, e ao mesmo tempo poder transar com todas, estão criando limites. Oswald de Andrade dizia assim: todas religiões e nenhuma igreja. E, sobretudo, muita bruxaria.

É Preciso Salvar o Oficina
Paulo Francis, de Nova York 
26 de Outubro de 1980
 
Estou sabendo que o Teatro Oficina está ameaçado de perder o teatro que será comprado por Silvio Santos. Não quero acreditar nisso.
O Oficina é uma das raras glorias incontestadas do teatro brasileiro, produto talvez o mais versátil e brilhante da revolução do teatro brasileiro entre 1955-1964, seja em autores convencionais, Gorky, Max Fritsch, ou em revivendo um dos mestres do modernismo brasileiro, Oswald de Andrade, José Celso Martinez e companheiros deixaram uma marca que ninguém apagará.

E São Paulo, digo o Estado, a cidade e a imprensa, vão permitir isso? Pelo que vale aqui fica meu espanto e protesto. O espanto é que essa revolução no teatro brasileiro começou em São Paulo e no Rio, quando apareceram diretores como Flávio Rangel, Antunes Filho, Augusto Boal, autores como Jorge Andrade, Oduvaldo Viana Filho, Gianfrancesco Guarnieri, Dias Gomes, companhias renovadas como a de Maria Della Costa, o Teatro dos Sete, Tonia – Celi – Autran, o Arena, o TBC, etc.
Não quero me alongar em nomes e no assunto. Quero é frisar que foi um esforço combinado de governos, do Estado, de jornais (“O Estado de São Paulo” tinha três críticos influentes, Décio de Almeida Prado, Sábato Magaldi e Delmiro Gonçalves, a “Folha”, Paulo Mendonça), que tornou possível essa revolução.
E agora? Isso vai ser entregue ao meretrício (e possível abuso da bolsa popular, nos tais “carnets”) de um mambembe como Silvio Santos, que representa o pior “show business” brasileiro?

A questão, claro, é econômica. O sr. Silvio Santos tem todo o direito de comprar o imóvel., o teatro. O que não é admissível é que as forças políticas, econômicas e culturais de São Paulo permitam que isso aconteça, particularmente quando José Celso Martinez pretendia transformar o local e rua num centro cultural variado.

Francamente, só acompanho política brasileira no que se refere a reflexos no exterior, pouco sei sobre o Sr. Maluf, exceto que é violento em expressar opiniões e posições e que é violentamente combatido. Mas seja ele o que for, não deve fugir da responsabilidade de manter Sâo Paulo no centro da cultura no Brasil. Que são Paulo mate essa companhia, permitindo que Silvio Santos continue reduzindo à miséria a sensibilidade do povo, com um estúdio de TV, fazendo circo, é um escândalo que o Sr. Maluf devia evitar.

Nos tempos mais negros da ditadura o Oficina certamente foi visado como inimigo. Bem, e quem não foi? E na revolução do teatro brasileiro havia um forte componente de esquerda, mas isso nunca impediu “O Estado de São Paulo” de prestigiá-la pelos valores culturais que trouxe ao Estado e à cidade. O Sr. Maluf terá menos grandeza que os Mesquitas?

Todo mundo me fala da desagregação da sociedade brasileira. Mas não quero acreditar que tenha chegado ao ponto em que São Paulo se permite despejar uma das companhias mais produtivas e experimentais que o teatro brasileiro já produziu. Seria uma vergonha para a cidade, para o Estado, para os paulistas, para nós todos.

Se o governo não ajudar o Oficina, espero que grupos particulares apareçam e façam a hipoteca que pode salvar o Oficina, que afinal é uma das raras companhias que restam de um movimento teatral que deixou marca em nossa história. “Vender” o Oficina a um explorador da cabeça do povo é uma traição. É, em verdade, uma ameaça a segurança nacional. Não posso e não quero acreditar que isso vai acontecer logo em São Paulo. Tenho dito
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Paulo Francis | Fotografia de Bob Wolfenson

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Amado muito Amado Chico Buarque de Hollanda

Hoje foi meu 1º Dia de Folga dos Ensaios de “O REI DA VELA”

com o mesmo RENATO BORGHI, fazendo ABELARDO 1º  

no TEATRO PAULO AUTRAN no  SESC PINHEIROS

q Estreia dia 21, Sábado  y 22, Domingo –

dia de 67 Anos da Ethernidade do Poeta Oswald de Andrade;

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RENATO BORGHI, RICARDO BITTENCOURT E TULIO STARLING | O REI DA VELA 2017 | Foto Jennifer Glass

tive uma SACAÇÃO  muito Forte com VOCÊ ARTISTA  y sua peça “RODA VIVA”.

Saquei q você me chamou pra dirigir esta sua peça por q ela foi inspirada na montagem de 50 anos atrás de “O Rei da Vela”, q você assistiu, encenada por mim.

Assim como na peça de Oswald, em q há muitos Teatros o da Chanchada Tragicômica, O Tetro de Revista, a Ópera, o Teatro da Crueldade de Antonin Artaud,

dentro de uma só peça.

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II ATO em teatro de revista | O REI DA VELA 2017 | Foto Jennifer Glass

Sua peça escrita durante seu sucesso absoluto como Poeta, Músico, Letrista, Cantor, junto ao Público, mas ao mesmo tempo dentro da Engrenagem q você percebeu existir no mundo do Show Bu$ine$$. Você, um garoto, um menino,

nesta peça prodigiosa, entregou, expôs todo o Mecanismo da Crueldade do Marketing q sua pessoa tinha visto y experimentado.

Então, como em “O REI DA VELA”, sua peça mostra os vários, os muitos Teatros Musicais dento d’ÉLA – A JOVEM GUARDA, a MBP, a MÚSICA DE PROTESTO DO SERTÃO DE GERALDO VANDRÉ  y por fim a TROPICÁLIA na COROAÇÃO DA PERSONAGEM JULIANA, NA MARAVILHOSA MÚSICA DO FINAL DA PEÇA.

Marília Pêra e Rodrigo Santiago_montagem paulistana de Roda Viva Foto Cristiano Mascaro
Marília Pêra e Rodrigo Santiago | montagem paulistana de RODA VIVA | Foto Cristiano Mascaro

Assim como minha geração em 1967 brotou em plena Ditadura Militar de Castelo Branco, por coincidência emergimos na TROPICÁLIA ANTROPÓFAGA, você deu continuidade à DESCOLONIZAÇÃO DO TEATRO MUSICAL.

Tivemos uma Sorte Imensa! Íamos ter um CORO com 4 pessoas, mas no dia do Teste, uma multidão ocupou o Teatro Princesa Isabel, em q os Funcionários, todos Negros, vestiam uniformes Inspirados na Pintura dos Escravos  de Debret.

Esses jovens traziam no Corpo todas as Revoluções: a Política Anárquica, a Sexual, a Alimentar, a Ambiental, a das  Drógas Xamânicas, a das Mulheres, dos Gays, a da Liberdade, Igualdade, Fraternidade, enfim, inumeráveis revoluções. Tinham a Competência para o q desejam dos Jogadores de Futebol. Eram um TIME.

coro roda viva_68

CORO DE RODA VIVA, 68

Por isso não  respeitavam Palco y Platéia; tocavam nas pessoas do Público como no Carnaval, no Candomblé, na Umbanda… enfim, TRAZIAM DE VOLTA DEPOIS DE MILÊNIOS O CORO DA TRAGÉDIA GREGA.

Séculos y Séculos os Diretores de Teatro como Meyerhold, tentaram em vão, reencontrar-se com os COROS GREGOS. Este Milagre aconteceu na passagem de 1967 para 1968, com o levante telúrico do CORO DE RODA VIVA.

Eles me fizeram a CABEÇA Y O CORPO. Me entreguei inteiramente à Eles.

Eles me fizeram fumar Maconha, q fumo há 50 anos, primeiro sentindo sua qualidade na nossa percepção, na diversão, hoje com 80 anos até como Medicina pras Dores. Me apresentaram  Alucinógenos Maravilhosos: Ayuasca, Peyote, Don Pedrito etc… Hoje não posso mais tomar por q tive infarto em 1984, já tenho Stents y Marca Passo. Os Alucinógenos são Vaso-Compressores. Hoje só posso Vinho y Maconha.

Digo isso porque essas drogas me fizeram criar todas as peças q criei. Depois q lí “A QUEDA DO CÉU” q David Kopenawa ditou em Ianomami pra um Etnólogo Francês

em Paris y só foi publicado o ano passado no Brasíl,  percebi q nós artistas somos Xamãs.

Por isso afirmo: não fui eu q dirigi “Roda Viva”, mas sim o TALENTO DO CORO, COMENDO A  SUA BELÍSSIMA PEÇA , INSPIRANDO A  CENOGRAFIA Y OS FIGURINOS DO GRANDE FLÁVIO IMPÉRIO, OS MÚSICOS DA BANDA Y ATÉ VOCÊ Q ASSISTIA MUITOS ENSAIOS, POIS ESTAVA NAMORANDO A MARAVILHOSAMENTE BELA MARIETA SEVERO!

chico buarque em leitura da peça roda viva
Marieta Severo e Chico Buarque em leitura da peça RODA VIVA | Foto reprodução

SEUS AMIGOS MAIS VELHOS, COMO RUBEM BRAGA Y OUTROS, T ENCHERAM A CABEÇA DIZENDO Q EU TINHA ESTUPRADO SUA PEÇA.

O SUCESSO POLÍTICO FOI TÃO GRANDE, Q O CCC ATACOU EM SAMPÃ y O EXÉRCITO FEZ O MESMO UM DIA DEPOIS DA ESTRÉIA EM PORTO ALEGRE.

O ZUENIR VENTURA , ESCREVEU Q O AI 5  INSPIROU-SE NO SUCESSO INSURRECIONAL DESTA PEÇA. HÁ REALMENTE NO TEXTO DO AI 5 A PROIBIÇÃO DE FREQUENTAR CERTOS LUGARES, DITOS CULTURAIS.

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Destruição do Teatro Galpão em São Paulo pelo CCC | Foto reprodução

Fachada do Teatro Leopoldina, na Av. Independência, foi alvo de pichações contra a imoralidade e a pornografia mostradas na peça


Fachada do Teatro Leopoldina, em Porto Alegre, atacado pelo 3º exército

O CORO DE RODA VIVA FOI ACOLHIDO PELO TEATRO OFICINA NA MONTAGEM DE GALILEU GALILEI, MAS FOI PROIBIDO DE SEQUER OLHAR PARA O PÚBLICO.

COM O AI 5 VEIO A TORTURA Y OS GRANDES CORIFEUS DOS COROS COMO O SAMUKA,O HENRICÃO, Q NÃO PARTICIPOU DE R.V., MAS CORIFEOU NO “GRACIAS SEÑOR”,  TODOS ATORES Q PARTICIPARAM COM TALENTO NESTE PROCESSO Q “RODA VIVA” INSPIROU SE DESTRUÍRAM, POIS A CENSURA NÃO PERMITIU Q ATUASSEM NO TEATRO DE COROS REVOLUCIONÁRIOS.

HOJE PERCEBI O Q JÁ TINHA PERCEBIDO, MAS NÃO COM A CLAREZA Q BAIXOU EM MIM .

SAQUEI Q “O REI DA VELA” Y “RODA VIVA” SÃO A MESMA PEÇA.

A 1ª AINDA SEM  CORO Y RODA VIVA COMO O CORO DE REI DA VELA.

Y ME RETORNOU UM DESEJO ENORME DE REMONTAR A PEÇA NO TEATRO OFICINA, COMEÇANDO A ENSAIAR LOGO DEPOIS DA ESTRÉIA DE “O REI DA VELA”

ESTOU, ESTAMOS VIVENDO NO OFICINA UM MOMENTO MUITO GRAVE: POR 37 ANOS CONSEGUIMOS Q NÃO SE CONSTRUÍSSE NADA NO ENTORNO DO TEATRO OFICINA.

DEPOIS DO GOLPE DO ANO PASSADO, SILVIO SANTOS PIROU Y ENTROU COM UMA AÇÃO NO CONDEPHAAT NOS ACUSANDO DE TERMOS DESTRUÍDO O TEATRO OFICINA, ONDE ESTREOU O REI DA VELA, Q TINHA SIDO TOMBADO COMO TOMBAMENTO HISTÓRICO PRA CONSTRUIR UM TEATRO ILEGAL.

POIS LINA BARDI, NESTE SEU CANTO DE CISNE, ABRIU UM JANELÃO ENORME DE VIDRO, Q DÁ PRO MINHOCÃO, EVOCANDO SUA PRIMEIRA OBRA: A CASA DE VIDRO NO PICO DE UM  MORRO FLORESTA, VOLTADO AOS 4 CANTOS, COM UMA ÁRVORE NO MEIO.

PLANTOU UMA ÁRVORE Q HOJE JÁ TEM 24 ANOS, CRESCEU MUITO, VAROU O JANELÃO Y FOI DAR SUA SOMBRA NO TERRENO TOMBADO DE NOSSO ENTORNO

POR TODOS OS ÓRGÃOS DE PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO: ESTADUAL, MUNICIPAL, IPHAN.

EM 2015 FOI CONSIDERADO PELO CRÍTICO DE ARQUITETURA DO “THE GUARDIAN”, ENTRE OS 10 MELHORES TEATROS DO MUNDO, O MELHOR Y MAIS INTENSO.

O GRUPO SS DÁ UMA DE ESTADO ISLÂMICO Y QUER DESTRUIR ESTA OBRA PRIMA

Y MAIS, QUER NOS EXPULSAR, NÓS ARTISTAS, ATRIZES, ATORES, TÉCNICOS, FUNCIONÁRIOS Q CULTIVAMOS AS TERRAS DA RUA JACEGUAY 520 HÁ 56 ANOS.

ISSO PODE ACONTECER NO DIA 23, PRÓXIMA 2ª FEIRA, NO DIA SEGUINTE DA ESTRÉIA DE “O REI DA VELA”

T CONTO ISSO CHICO, POR Q STAMOS, STOU COM UMA SENSIBILIDADE AGUÇADA SOBRE A IMPLANTAÇÃO PROGRESSIVA Y RÁPIDA DO NAZISMO NO BRASIL.

NÃO É PARANOIA. FERNANDA MONTENEGRO, VOCÊ DEVE TER VISTO, FEZ UM DEPOIMENTO EMOCIONADO Y DELICADÍSSIMO Y DURO, CHORANDO, PERCEBENDO COMO UMA XAMÃ A NECESSIDADE DE

DESACOVARDAMENTO DOS RAROS  TALENTOS POLÍTICOS Q AINDA RESTAM

Y AINDA COMO UMA BRUXA PITONISA
PREVIU Q SE NÃO ACONTECER ISTO,  OS COVARDES VÃO PERDER A PRÓPRIA PELE.

O TEXTO FALADO D’ÉLA, REVELA Q ESSE DESACOVARDAMNTO SE

REFERE À NÓS TODOS.

ONTEM ELA ANIVERSARIOU Y EU DEDIQUEI MEU TRABALHO DA NOVA ENCENAÇÃO DO “REI DA VELA” À ELA.

PASSEI A ACREDITAR NUM MOVIMENTO CULTURAL CONCRETO DE NÓS TODOS ARTISTAS q CAPTAMOS O INCONSCIENTE DO POVO BRASILEIRO, NÓS MESMOS. OS ARTISTAS DO ANDAR  DE BAIXO PODEMOS COM O Q RESTAM DOS ARTISTAS COMO VOCÊ, Q NÃO SE RENDERAM, DEVEMOS NOS JUNTAR NESTE MOMENTO FORA DOS ISMOS;

PRINCIPALMENTE COM OS BURÚS, OS ÍNDIOS, AMEAÇADOS EM TODA A AMÉRICA EM SEUS TERRITÓRIOS,
Q SAGRAM A TERRA Q HABITAM.

DAÍ BROTOU EM MIM O DESEJO

DE OCUPAR O TEATRO OFICINA AMEAÇADO COM A MONTAGEM IMEDIATA DA SUA “RODA VIVA” –

O MAIOR TABU DA HISTÓRIA DO TEATRO BRASILEIRO LIBERTÁRIO.

TUDO ISSO ME FAZ SENTIR DENTRO DO “TERROR Y MISÉRIAS DO 3º REICH” DE BRECHT.

MAS ME INSPIRA À REVIRAR A SITUAÇÃO

Zé Celso

RODA VIVA COMPLETA A ENCENAÇÃO DE “O REI DA VELA”, COMO EM 68,

LIBERTE ESSA SUA OBRA PRIMA.
O MOMENTO HISTÓRICO DE HOJE CLAMA PELA PEÇA MAIS MACHUCADA Y AO MESMO TEMPO VITORIOSA DO TEATRO BRASILEIRO DE EXPORTAÇÃO