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Vertigem

foto d'artaud

foto d’artaud

Afinal q o dia d’Ela Chegou

Odoyá Iemaniá

 

Estreia dia 31 no Teat(r)o Oficina

“pra dar um Fim no Juízo de deus” d’Artaud

 

No clima pós Guerra em Paris, ondas

da Rádio Nacional Francesa levavam

ao ar um programa d grande

audiência:

“A Voz dos Poetas”

Artaud saído d 9 anos d Hospício,

Grande Poeta, é convidado a dar sua

Voz ao Programa.

Vindas diretamente d seu Corpo,

escreve uma peça radiofônica q

grava à 4 Vozes:

Artaud, Maria Casares, Paule Tevin,

Roger Blin,+ Sonoplastas do Studio

Artaud estavam felizes d impregnar os

ares com a emissões das suas

enérgicas phalas, vindas de seus

Corpos.

Vozes fecundadas nas batalhas com

surrealistas,

na encenação de suas primeiras

peças,

na publicação d seus poemas,

nas epifanías d seus filmes,

nas viajens Xamânicas, em todas as

xamadas: drogas.

O Corpo d Artaud doía [por estar imerso

no mal estar da civilização ocidental].

Decide ir pro México, ao encontro dos

Índios Taraumaras

Mastiga o peyote dançado na Roda

dos Peidos dos Xamâns

Peidorrentos y tem a iluminação

“peido, logo existo”

No Rito vê a fraqueza dos Corpos

dos Colonizadores, sem Corpo, diante

da vitalidade dos Corpos Taraumaras.

Em Havana recebeu no Terreiro d

Santería

uma Espada d São Jorge Ogum

Guerreiro.

Retorna à Europa pela Irlanda

com o bastão y a poderosa Espada

Verde

botando fé q com ela, iria levantar o

povo Celta

para retomar sua vitalidade primitiva

como a dos Taraumaras

Mas é preso, deportado pra França,

y durante toda a 2ª Guerra Mundial,

passa 9 anos d Hospício à Hospício

passando por choques

elétricos, camisas d força, drogas pra

fazer desaparecer o corpo, fome da

escassez d alimentos na Guerra; mas

nunca deixou d inscrever o q sua

mente-corpo irradiava,

até ser posto em liberdade depois da

Paz:

um antropófago sem dentes…

entre seus muitos escritos gravados à

sangue,

(no seu cú talvez já jorrasse sangue

d’um câncer

q o impedia de cagar)

mesmo assim, estava vivo demais

y jorrava os líquidos d seus

sofrimentos

escrevendo espermeando, desejando

a Merda

Na sua Peça Radiofônica, faz

palavras, glossolalías se encontram

numa sumula d ser vivo, matéria

orgânica d toda sua experiência a ser

emitida aos ares, não somente a seus

contemporâneos mas pra nós q nem

tínhamos nascido.

Poema Peça Radiofônica – com tudo q

seu Corpo Marcado descobriu:

q por ser viva demais –  foi golpeada

com um impechment

pelos Juízes representantes crentes

do Juízo do Deus Único

da Verdade Única

Censores da Rádio Nacional Francesa

no dia 2 de fevereiro d 1948

(no Brasil, dia d Iemanjá).

Cortaram essa emissão,

foi o Golpe d Morte em Artaud

q piorando de suas dores q nem a

Morfina vencia

continuou escrevendo até vir a morrer

no dia 4 de março do mesmo ano d

1948.

Esta Peça, foi o sub texto pulsante

no Anti Édipo d Deleuze-Guatarí, q

explodiu clínicas y mais clínicas d

psiquiatria no mundo.

Essa emissão caiu de novo, agora,

nas mãos d Artistas do Teat(r)o

Oficina Uzyna Uzona, nestes dias em

q todos íamos percebendo os Golpes

do Juízo d deus, q já poluía o Brasil,

desde a vitória raspando d Dilma,

sobre Pentheu Aécio, q iniciou a

escalada dos Golpes tocado à veneno

dos ódio dos perdedores, q pediam

recontagem de votos. Depois foram as

“Pautas Bombas”, d’ um Congresso d

Gangsters Evangélicos.

O Clímax dos Golpes: foi a Co-

Produção Bíblica da Midiona, com

o Cardeal da Inquisição: Moro.

O Cortejo d Novela em seu novo

horário: 6h da manhã, estrelada

pelo vilão Lula, coagido a depor

de São Bernardo, atravessando

SamPã, a até o Aeroporto de

Congonhas.

Dia 18 a Manifestação da Paulista

despertou a Esquerda. A pessoa mais

eloquente do Brasil, d todos os

tempos, o Lula Paz Amor y Humor y

Muito Mais, estorou até a divisão entre

verdes y vermelhos.

Mas o Juízo d deus, no dia seguinte,

quando Moro já tinha proibido a

difusão dos grampos, levantou sua

proibição, “pelo bem da pátria

brasileira”, y escancarou seu Golpe no

Palácio da Alvorada: o Grampo

Telefônico no Palácio da Presidente

Dilma. Logo depois os Golpistas

tentaram invadir o Palácio.

Hoje o Impechment fervilha nos

Ajuizados d deus q não se entendem.

A Farsa do repeteco está no Poder 

“A sua Profecía vai fracassar,

y eu vou gragalhar qua qua qua”

Nós Estreamos “pra dar um Fim ao

Juízo d deus” d Artaud

dia 31 d Março no Oficina,

dia em q o Golpe d 1º de abril d 1964

estava parindo y nós não sabíamos d

nada.

Mas agora já sabemos.

Vivemos pelo menos há mais d um

ano neste escancaramento.

Não vai ter Golpe, porque já está

sendo dado, há algum tempo.

Minha Mar, é a dos Artistas y vou me

encontrar com elxs no dia d meu

aniversário, amanhã dia 30,

comemorando meus 79 anos

no Masp.

O “pra dar um Fim no Juízo d

deus”, manifesto carnal d Artaud,

nasce orgânico y cresce nesse

ambiente d Farsa como uma

trepadeira d maria sem vergonha.

Nesta noite no Oficina, a Peça

Radiofônica d Artaud, não vai mais ser

impixada -estará incarnada em corpos

vivos,

sem órgãos absorvendo y replicando

os acontecimentos vivíos em nossas

carnes.

Sinto talvez q todos os Corpos sejam

verdes, vermelhos, ou multicores,

e estão sofrendo no Brasil.

Fazendo esta peça revolucionária,

penso: vai surgir uma Frente Ampla d

pedaços d todos os partidos em

defesa da democracia?

Meu ser ZéArtaud, minha

Personagem, deseja

Mais q uma FRENTE,

uma RODA VIVA AMPLA 

d todas as Culturas Brazyleiras,

Ianomanis, Tupys Guaranys d todas

as Tribos, no movimento inevitável da

vida no Planeta Ser Vivo Terra, com

os Sem Teto, Sem Terra, Gays,

Lésbicas, Trans, Afro Descendestes,

Trabalhadores Inspirados, Mulheres

Livres, Hackers, Menores d 16 anos,

Favelados, Classe Média, alguns

Pirados dos 1% com suas Fortunas

distribuídas. Nessa Roda tiramos todo

s os rótulos y somos com os bichos,

águas, terras, seres vivos q juntos

vamos democratizar a democracia,

mudando democraticamente o

sistema, até atingirmos a Anarquía

Coroada y Tecnizada.

Esse lixo q cacareja o impeachment,

corruptores da própria Corrupção em

nome do JUIZO D deus, hoje sob o

comando d um Vampiro, ressucitado,

dando o desfecho á novela: será q o

Crime foi cometido pelo Mordomo?

Virão novos capítulos desta novela,

mas nós continuamos com a mesma

peça em cartaz.

Uma peça d Artaud, é um Corpo sem

Orgãos,quer dizer, como o mesmo

movimento d intuscepção d Terra q

renova-se livrando-se de seus

agentes adversos”

Zé Celso

MERDA

 

 

Dedétooooo
Luissss
Luis Roberto
Salinas Fortes

Nosso 1º encontro virtual Dedéto
traz o re-Féto
“Retrato Calado”
re-parido agora e phalado.
Na pele, fibras,
escuta-se teu silêncio sutil não calado
no LIVRO
produzido, distribuído
pela Editora Cosac Naify
cozinheira exata pr’esse roast-beef
ser de novo antropofagiado,
mastigado macrobioticamente.

O jornalista Ferraz,
fazendo cumprir a lei novíssima
trouxe documentos inéditos sobre você,
recém liberados pelo Arquivo Nacional,
na esteira da Lei recém-nascida de Acesso à Informação.

FERRAZ
O que gostaria, basicamente, é que você contasse, por favor, sua experiência e amizade com Salinas.

Estava conversando com ele como sempre fizemos e faremos.

Para mim ele está vivo em mim e em todos que receberam sua benção de tolerância, e sobretudo de BELEZA.
Dedeto morreu de repente, ele nem sabia que estava a ponto de seu coração explodir.
Eu não estava presente.

Dedeto era e é, veja a foto, uma Epifania da Beleza.
O homem mais lindo, santo diabólico adorado de minha geração.
Tinha o sangue dançando transparecendo em delicadas teias
nos olhos verdes de mulata,
cambiando pro azul,
mas sempre transparentes,
até de óculos.

O rosto com zonas pintadas por uma deusa pontilista.

Topete imenso
com raízes de nascimento em V,
na testa,
florestado por todo crânio.
Nós todos que o vimos
aproximamo-nos desta beleza Trans Humana,
meninos
meninas
apaixonamo-nos por Ele à primeira vista.

Havia o tempo
antes de Dedeto
e o
depois de Dedeto
e as pessoas mudavam com a simples presença dele,
pra sempre.

Fenômeno de beleza
doçura desengonçada
estoica cataléptica James Dean.
Corpo de Filósofo inCorporando a Filosofia
dançando nela,
não se deixando capturar nunca
pelo Mundo Enfeitiçado que não sabe dar valor
ao amor à sabedoria no próprio Corpo e no do Outro.

Mesmo com o Corpo Torturado pelos Escravos deste Feitiço que é o Capitalismo Patriarcal, Militarizado, Marketizado, caindo pedaços de carne, mas o Corpo-Alma permanecendo mais Fortes que nunca.

Pois é um raro Filósofo que sabe dar valor a tudo que ninguém dá.
Pois sabe da Transvalorização de tudo vinda de Nietzsche e do Tabú Virando Totem do filósofo brasileiro que mais admirava, Oswald de Andrade.

Sua principal potência era a de valorizar. Trabalho difícil que cabe ao filósofo, não ao Economista, que só tem o cálculo abstrato da Moeda.
E quando valorizava investia, se dava, escrevia, atuava, com este Poder esculpido no seu rosto, em seus olhos que viam o fundo de nós mesmos. E nos regava de Afetividade. Acho que Maiakowiski, Cacilda Becker, tinham esta presença arrebatadora. Só que nele era a modéstia total, a absoluta falta de vaidade.

FERRAZ
Quando o conheceu?

Foi em Araracoara, já no Ginásio, depois no “Clássico”,
daí na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, como todos nós representado de óculos escuros, pra dormir nas aulas repetidas por anos, publicadas em apostilas, que decorávamos juntos tomando a anfetamina sartriana: Pervitin.

Carlos Queiroz Telles, como todos nós na Faculdade, estávamos focados em criar o Grupo Oficina. Lançamo-nos no “Teatro Novos Comediantes”, um teatro espírita onde nós acabamos virando a mesa branca e lá estamos há mais de 52 anos.

Dedeto escreveria por um bom tempo, todos nossos programas. Era nosso intérprete. Sabia avaliar nosso trabalho de Teatro, para ele
Teatro Filosófico como Festa Pública, sem representação. Advinhou onde estamos chegando agora depois de 25 anos: às viagens em Pré Teatros de Estádio para Multidões, a “Copa de 2014 no Teatro de Estádio Oswald de Andrade”.

Ele foi o 1º galã da 1ª peça encenada no Oficina: “A Ponte”, de Carlos Queiroz Telles. Seu rosto lindo é uma página grande de perfil, diante da atriz Alzira Cunha, que foi publicada em todos os jornais da Época.

Foi a 1ª Imagem de Ator do Teatro Oficina.

No acervo da Folha deve ter. A estreia foi no dia 28 de outubro de 1958, a crítica deve ter saído com a foto na madrugada do dia seguinte, 29, como era costume naquele tempo. Ou talvez antes no material de lançamento da peça.

Nesse tempo ele já fazia Filosofia na USP e este trabalho dele no Oficina tem tudo a ver com o que escreveu sobre o Teatro de Rousseau.
Teatro Público, de Estádio que é pra onde caminhamos.
Tanto que antes de morrrer repentinamente, diferentemente de nossos colegas de geração, ele sempre esteve no Oficina. Já tinha Cátedra quando voltamos do exílio e ele continuava não somente a nos acompanhar na Pista do Oficina, mas na nossa vida de camarim. Fumando Maconha, tomando ácido, mas tudo muito tranquilo. Levando presentes, até arrumando dinheiro nos momentos mais difíceis da Cia. Éramos Tabú, principalmente no  meio Universitário, quando retornamos do Exílio. O nosso grande público estudantil dos 60 repudiava nosso desregramento de todos os sentidos, o desbunde. Dedeto, como eu, apoiamos nossos amigos que iam pegar em armas, mas nunca abandonamos nosso Corpo em movimento no que nos apaixonava na Arte de Viver, percebendo-nos, tendo nas nossas escolhas, Paixão Absoluta, rimbaudianamente.

Dedeto na Filosofia, eu no Teat(r)o.

A descoberta da grande revolução que se dá hoje em direção a Economia Verde veio muito mais dos desbundados do que dos que pegaram em armas. Pena ele não ter podido ver os Rituais de Arte Pública que desejava, tornando-se visível com a inauguração do Teatro Oficina de Lina Bardi e Edson Elito, com o “Ham-Let” de Shakespeare no Corpo-Alma do Grande Marcelo Drummond.

FERRAZ
A amizade foi frequente? Durou até quando?

ETHERNAMENTE. Não compreendo que, com o convívio diário com esta  Beleza de Pessoa, desde Araraquara, na piscina, onde o tesão da juventude brota no “Esplendor da Herva da Água Verde”, nunca tenhamos nos sentido Amantes Amados. Para nós a Arte, a Filosofia, a Beleza, a Música, compunham uma novidade muito poderosa: a Política da Afetividade, da AMIZADE DOURADA.

Criamos com este amor um Tyazo, como chamavam os gregos as Companhias de Teatro. Roberto Piva lindíssimo, forte, passava as férias conosco em Araraquara. Também Marco Antônio Rocha, morador da “Morada do Sol”, juntamente com Inácio de Loyola, Plínio Pimenta, Antônio Marcos Pimenta Neves e muitos outros.

Foi se formando naturalmente uma corrente de ouro de amigos. Criamos um Centro Cultural. Uns bem à direita. Dedeto sempre à esquerda libertária, absoluto.
Não admitia partidarismo nem bodificação.
Era elegante!
Lemos sincrônicos, comentando juntos, “Ideologia e Utopia”, de Karl Manheim, o que nos afastou dos “ismos”, e começamos a trabalhar com a juventude do PTB (de Brizola, Getúlio, Darcy Ribeiro) no ISEB, “Instituto Superior de Estudos Brasileiros”, de Roland Corbisier, Guerreiro Ramos… Trazíamos os filósofos desta esquerda ligada que incluía o povo brasileiro todo, para conferenciarem em nosso Centro Cultural em Araraquara. Os  marxistas vulgares renegavam a maioria da população brasileira que não tinha carteira assinada, chamavam o povo de lumpenproletariat.

SARTRE E SIMONE NO BRASIL EM 1961
Quando Sartre e Simone de Beauvoir chegaram no Brasil saltamos logaritimicamente os Caminhos da Liberdade, descobrindo novas veredas. A Dupla SS, Simone e Sartre, conseguiu reunir todos os movimentos: estudantes, camponeses, operários, intelectuais, políticos, escritores, artistas plásticos, músicos, sambistas.
E o Grande acontecimento foi em Araraquara.
Depois de uma conferência “técnica” de filosofia para poucas pessoas, veio a  ÁGORA.
Um encontro de um Brasil Bio-Diverso, unido nas Reformas de Base que fervilhavam. Este encontro de movimentos contraditórios encontrou seus roteiros de energias coletivas contraditórias para a AÇÃO, no belíssimo Teatro Municipal, semelhante ao de Fortaleza, todo voltado para os jardins que o cercavam na Praça Central da Cidade.

Este local foi criminosamente derrubado por um prefeito da família Lupo, das meias Lupo, (que uso) para dar lugar a um arranha-céu “moderno porque era o mais alto”, onde instalaram-se os prefeitos da Ditadura Militar.

O Fato Histórico da União dos Contrários em direção à Transmutação do Brasil: Ligas Camponesas, dos Operários Sindicalizados, Cientistas, Estudantes Artistas encontrando-se no Teat(r)o Circular produziu a matéria energética de um Período Intenso de comunicação entre os brasileiros e o Mundo. A Dupla misteriosa trazia o “Furacão de Havana” de Cuba, recém revolucionada, preparando-nos para a Revolução Tri Continental, liberta do Maniqueísmo da  GUERRA FRIA.

Explodíamos de tesão, de amor, de revolução, de reinvenção da filosofia, o Teato, o Cinema, as Arte Plásticas.

REPETINDO O MISTÉRIO DO AMOR
É inacreditável, que nunca tenha passado por mim, que convivia com o mais Belo dos Homens, ter pensado em sermos Amantes, Amados. Éramos sim, mas numa forma de Amizade Dourada, Teatral Filosófica, mais que isso, era a AFETIVIDADE QUÂNTICA E BIOLÓGICA COMO POLÍTICA DA BELEZA DA JUSTIÇA SOCIAL QUE RENASCIA NO BRASIL COM ARTE E CULTURA.

FERRAZ
Sobre o livro “Retrato Calado”, especificamente, impressiona a frieza do relato dele sobre a prisão e tortura. Você conviveu com ele nos 70? Ele falava muito da repressão?

Não era jamais um ressentido. Ele e Flávio Império, de nós, foram os mais torturados e os primeiros.
Dedeto teve ferimentos graves que quase implicaram na amputação de seu pé. Ele e Flávio não criaram um jardim de vinganças, de lamentações.
Dedeto adorava Camus, que tem este sentido estóico da vida.
O Filósofo sofria, mas como Graciliano Ramos, apreendeu a estudar as “Memórias do Cárcere”.

A Tortura, como o assassinato de meu irmão Luis Antônio, 4 meses após a morte de Dedeto, foram os momentos mais Trágicos de minha vida.
Teatralizamos, escrevemos tudo que passamos o mais que pudemos, negando em absoluto a Autopiedade, a Culpa, o Marketing da Vítima da Tortura.
Mas Dedeto no “Retrato Calado”, desdramatiza a Tortura. Não é frieza, ao contrário, não faz a demagogia do Drama da Vítima. Pois se vê que a Tortura era e é ainda uma Indústria, aliás subvencionada por Industriais, Banqueiros e o próprio Estado Brasileiro.
Nós éramos um produto ao mesmo tempo objetos da encenação de um drama.
De nós deviam ser arrancadas informações, então tínhamos que passar por esta máquina de muros falsos, de sermos cobertos com capuzes como os da “Ku Klux Klan” – mas não eram brancos, eram pretos – tomar choques elétricos no nosso escroto, pendurados num Pau de Arara.
Todos os torturadores não são mais que escravos representando o papel de anti-subversivos, e anti-pobreza.
Quando eu estava na Solitária curando as feridas da tortura ouvia todos torturadores dançando e cantando juntos “Qua Qua Ra Qua Qua, fui eu”.
Nos documentos a que você Ferraz teve acesso, você viu. Só tem besteira. SNI que não sabe informar quem era este belíssimo brasileiro, sua contribuição para a Filosofia, para o Teatro, para a Escrita e sobretudo para a POLÍTICA DA AFETIVIDADE. Hoje os neurocientistas afirmam que o átomo, para produzir qualidade, precisa da afetividade humana de quem faz as coisas, seja a comida, seja dar aulas, seja ser político.
E é incrível que até hoje temos que engolir o sapo dos gorilas sem querer enfrentar a realidade da Tortura.
São pessoas que não têm a noção da Beleza e da grandeza deste ser no tempo, o humano, em direção do transhumanos.
São uns coitados, mas que não podem mais ter o Poder de fazer o que fizeram com nossas vidas e continuam fazendo.
O Retrato Calado retorna o poder do LIVRO para escutar o que até agora nunca foi dito, pois continuamos num Grande Enfeitiçamento pelo Fetiche da Mercadoria.
Dedeto é um filósofo que tirou sua filosofia de suas leituras claro, mas sobretudo de sua experiência afetiva de seu Corpo Alma transbordante de Generosidade.
Eu queria escrever muito mais, mas me encontro com o Coração meio Arritimado, excesso de Trabalho.
Quero descansar, meditar mais, estar com Dedeto revendo nossas conversas e recebendo dele Valor, Valor e mais Valor, de sua Generosidade perceptiva.

José Celso Martinez Corrêa

Só hoje me caiu a ficha que Luis Roberto, meu amigo, e Luis Antônio morreram no mesmo ano. A Velhice é uma novidade porque vamos relacionado tudo com tudo e vendo a Grandeza da Vida ser Mediocrizada pelos enfeitiçamentos da Sociedade de Espetáculos e Mercadoria.

Estou louco para reler Dedeto.

EVOÉ

Em fevereiro Rodrigo Levino Dantas, do Grupo Folha, me perguntou assim:

O senhor concorda que o dramaturgo Nelson Rodrigues tinha uma persona machista ou misógina? É possível fazer uma espécie de licença e fruir a obra dele sem olhar para esse aspecto? Uma voz como a dele é necessária na sociedade brasileira e por quê?

E eu respondi:

Eu não sou “Senhor”, não tenho escravos
e Nelson não têm nada a ver com “persona” nenhuma,
nem “machista”, nem “misógina”.

Nelson Rodrigues é um Poeta Grego-Negro TragiCômicoOygiástico.

Não tem nada a ver com quem não sabe sentir o pulsar da vida no mundo diretamente, escravos de rotulações fornecidas pelas “personas” que seguram a Imagem de Mulher – ou do Homem – direit(a)os: Glória das  Celebridades do  Rebanho, suas Caretas piegas, Prafentex. Gente que  não sabe onde tem seu nariz.

Nelson precisa de muita leitura, interpretação, para não ser assassinado por quem projeta nele seu  psicologismo de arrivista moralista.

Nelson Rodrigues não tem personalidade, não precisa, como diz João Gilberto.

É um Artista Dionisíaco q trabalha com todas as Máscaras sociais e estupra Todas, no Cosmos da “Vida Como Ela É”.

Ele é um dos maiores Artistas de Teatro da história da Trans-Humanidade, indo além de Ésquilo, Sófocles, Eurípedes, equiparando-se a Shakespeare, Tenesse Williams, Oswald de Andrade…

É Artista que cria o Teatro como Rimbaud. “Nelson é um Outro”, pra lá do Bem e do Mal.

Quanto aos preconceitos em torno da Puta que a sociedade cristã amaldiçoa, afirmo: as Putas são as  Bacantes, as Putas Sagradas, as criadoras do Rito Teatral.

Na Antiguidade descabaçavam os meninos e as meninas em Cerimônias Rituas belíssimas Religiosas nos Templos de Apolo, Dionísio ou Pã. Ou no “Bucolium” = “Fodódromo”.

A Grande Atriz que não ama a Puta e a Putaria, é uma coitada. Não é atriz.

Nem o ator q não ama o Puto.

E é o que domina o bom comportamento do Teatro Sério, da TV, sem símbolos eróticos perversos, com Atrizes e Atores armariados, Mort(os)s Vivos.

Darlene Glória, Cacilda Becker, Sônia Braga, amam Putas, são imortais.

Veja Cacilda nesta foto fazendo uma Putaça na peça de Pirandello “6 Personagens a Procura de um Autor”.

Terminava a peça gargalhando, Pomba Gira num balanço em que furava com os saltos altos um arco de papel e se lançava sobre o Público do TBC.

Os Monstros Sagrados do Teatro Brasileiro da Época de Ouro da Arte Irreverente do Teatro tinham “Carteirinha de Puta”.

Eu, felizmente, DRT não tenho, mas adoraria ter uma “Carteirinha de Puta” como no Tempo que Teatro era feito por Atores e Atrizes Antropófago(a)s.

Coristas que no Grand Finale  do Teatro de Revista íam dançando e passando o número de seus telefones a alguém do público q transfigurava-se em seu cliente.

Entravam em cena, perfumavam o espaço com seus corpos, desciam até a platéia, sentavam-se no colo dos Cavalheiros, e nos entre-atos vendiam seus retratos.

Q falta fazem hoje no Teatro essas mulheres livres, do amor livre, que davam tesão no público com seu Carisma de Putas. Hoje domina o Cabacismo

Nelson sempre estuprou todos os Cabaços e Cabaças. Do que é descabaçado pelo Ladrão Boliviano, á Virgem dos “7 Gatinhos”, todos puto(a)s.

No seu centenário Nelson não merece tamanha falta de sensibilidade e desconhecimento de seu Valor Universal de Deus, do Diabo, e do Neguinho.

CACILDA BECKER- q sempre quis fazer “Senhora dos Afogados”, o papel da Esposa Virtuosa Aristocrática Pernambucana, que é levada pelo amante Filho da Puta à Zona para ser Orgyada, Devorada e Decorada.

Morubixaba Antonin Artaud coroado de verde

ENTREVISTA Q SAiU INCOMPLETA NA FOLHA DE SP

Ió! Morris,

Fiquei surpreso!

Somente uma elite de 3% do Brasil fuma MACONHA?!

Logo os 97% da populacão devia calar a boca,
pois não sabe do que se trata, tem um  PRÉ-CONCEITO sobre uma substância que nunca experimentou. MACONHA.

Fumo desde 1968.

Estou com 75 anos, fumando um enquanto escrevo este texto.

Para mim é uma planta sagrada,
Santa Maria, Nossa Senhora, o princípio Feminino da Natureza,
como é considerada por muitas pessoas que a fumam ritualmente, rezando a AVE MARIA.

Além do mais sou Cardíaco
preciso de uma RECEITA
pois a MACONHA ABRE OS VASOS SANGUÍNEOS
É VASODILATADORA, COMO O VINHO.

Acho a maior falta de espírito científico esta pesquisa tratar desta preciosidade da botânica como uma questão de dependência  quando, ao contrário, é uma substância libertadora de nossa Consciência Positivista, na realidade nosso Super Ego-Moral.

Ela nos põe em contato conosco mesmo e do nosso entorno como fenômenos sem rótulos.

Os papéis, as Couraças , as Máscaras da Sociedade Careta de Espetáculos, se dissolvem e temos um contato direto com nossa Percepção (libertadora da Consciência) da vida.

Para mim sempre foi uma Musa Inspiradora.

Acordo de manhã fumo um e tomo guaraná em pó para equilibrar. E meu dia começa. E não  me sinto dependente quando não  tenho.

Passo às vezes até por um certo jejum
para desfrutar de novo como uma virgem, da sagrada Canabis.

É um absurdo que 3% da população fume e tenham sido ARMADOS EXÉRCITOS PARA COMBATÊ-LA, que matam a população, pois proibição implica em gangsterismo, como em Chicago  dos anos 20.

Levante-se esta criminalização tola e esta Guerra do Tráfico acaba.

Milhares de pessoas deixam de morrer a toa, os gastos em armamentos e em toda política do Narcotráfico internacional desaba.

Põe Cocaína para o Ministério da Saúde analisar,
e solta com “TARJA PRETA”, a melhor Cocaína, da Boa, com receita médica.

Drogas: assunto de Cultura, Saúde, Educação e mais de Inteligência.

José Celso Martinez Corrêa

Mas tem um porém – a MACONHA TEM DER SER DA BOA, BEM CULTIVADA, SEM AMONÍACO, ESTERCO, SEM NÓIA, ETC… O MINISTÉRIO DA SAÚDE TEM DE ZELAR POR ISSO TAMBÉM.

Polícia pro que precisa de Polícia


À
EXCELENTÍSSIMA PRESIDENTA DA REPÚBLICA DO BRASIL
DILMA ROUSSEFF

A
LUÍS INÁCIO DA SILVA

AO
CANDITADO À PREFEITURA DE SÃO PAULO FERNANDO HADDAD

A
TODOS

CARTA ABERTA

IÁ! COM TODO AMOR
PODE SE ORGULHAR PRESIDENTA
NA VÉSPERA
DESTE 1º DIA DE OUTONO DO ANO BISSEXTO
INTELECTUAIS
AQUI EM SÃO PAULO
PROCRIARAM
UM DOCUMENTO PODEROSO
RE-CRIANDO SAGRADAMENTE
O PODER POLÍTICO DA ENERGIA CULTURAL

– Abaixo deste o documento referido criado pelos intelectuais em São Paulo –

O MAIOR TABÚ INTOCADO:
A CULTURA
Q POR ESTA RAZÃO
ESTÁ REDUZINDO O CRESCIMENTO DO BRASIL
A MENOS Q 3%
FOI QUEBRADO
E AGORA TOCADA
VIRA TÓTEM
NUM DOCUMENTO
SEM CHAVÕES

ENFIM SURGE UM TEXTO
DO VALOR DO BRASIL
E DOS BICHOS HUMANOS BRASILEIROS DA ERA DOS BRICS

DOCUMENTO SOLAR
FORTE
NOVO
RENASCENTISTA
EXPLODINDO A PRESENÇA
DA ATUAL DITADURA DO PENSAMENTO ÚNICO NO BRASIL

SÓ DISCORDO DESTE TEXTO
NO FAZER DE BODE ANA DE HOLANDA
NÃO ESTOU TRATANDO DE SUA DEPOSIÇÃO DO CARGO
NEM MUITO MENOS DA BRILHANTE GESTÃO DA PRESIDENTA DILMAROUSSEFF

MAS SIM DO FATO
DE Q OS PARTIDOS DE ESQUERDA
CENTRO
E DIREITA
PRESSIONAM OS POLÍTICOS,
ELEITOS PELOS Q QUEREM FAZER
O BRASIL CRESCER
NA ECONOMIA VERDE E GOZOZA,
COM UMA IDÉIA ÚNICA
LITERALMENTE ABORTANDO SUA CONTRIBUIÇÃO PARA O PAÍS

POLÍTICOS COM VOCAÇÃO PÚBLICA
PODEM AGORA,
A PARTIR DO “MANIFESTO DOS INTELECTUAIS PAULISTAS”
SE DAR AO PRAZER DE GOZAR ESTA MUDANÇA DE ERA

UMA MUDANÇA DE POSIÇÃO
TRANSCENDER A PERSONAGEM ÚNICA
MARCANTE

POR EXEMPLO
PRESIDENTA
DE MÃE DO PAC
PASSAR A SER “AMANTE DO PAC” E DO CULTIVO DA VIDA PELACULTURA DA LIBERDADE POTENCIALIZADA

OUVIR A PARTIR DE SEU PRÓPRIO CORPO DE MULHER LINDA
AS PALAVRAS DESTE POEMA POLÍTICO:
Q INTELECTUAIS
SEM VERGONHA DE SER,
JUNTARAM-SE NA ERA DA INTELIGÊNCIA E PRODUZIRAM
A RETOMADA DA REVOLUÇÃO CULTURAL Q HOJE RENASCE E CANTA NOMUNDO TODO

A PERDA DE HEGEMONIA DO CAPITALISMO
DO SOCIALISMO
E TODOS OS ISMOS DOS FUNDAMENTALISTAS GANANCIOSOS DOPODER TEMPORAL DA MÁQUINA BUROCRÁTICA ECONÔMICA POLÍTICA ECULTURAL DO ESTADO
AUMENTOU SUA GANÂNCIA, SUA FOBIA
PORQUE SABEM Q ESTÃO SENDO ENGOLIDOS PELOS FINOS BISCOITOS
Q A MASSA PRODUZ
E QUER COMER

DILMA !
LULA ! (SEU GOVERNO ESTAVA DE ACORDO)
FERNANDO !
AMANTES DA VIDA LIVRE
FORA DO REBANHO,
COMO É IMPORTANTE ESTARMOS ACORDES PARA O ÓBVIO!

ACORDES !

SEM A CULTURA ESTAR POTENCIALIZADA
COMO ESTRATÉGIA DO ESTADO BRASILEIRO
NÃO HÁ MAIS DEMOCRACIA
NÃO HÁ MAIS PODER
LIBERDADE DE DÁDIVA
DE CRIAÇÃO
NOS HUMANOS

HÁ SOMENTE O PODER VAZIO
DA MÁQUINA DOS Q IMPÕEM SER DONOS DE UMA VERDADE
DEVASTADORA
ATRAVÉS DE PRESSÃO POLÍTICA
DE EXTREMA DIREITA

CAÍMOS NO FUNDAMENTALISMO DO PARTIDO ÚNICO

SÓ UMA CULTURA VIVA BIO-DIVERSA
Q NÃO TEM NADA A VER COM A DE CONSUMO
TEM O PODER
DE TORNAR DEMOCRÁTICOS O ESTADO MAFIOSO
E A VIDA DOS BRASILEIROS

A CULTURA NA DOÇURA
EXPLODE… MAIS Q ISSO… ESPATIFA
A DITADURA DESTA
IDADE MYDIA
DA TECNOCRACIA
DAS FOBIAS
DA SUBMISSÃO AO ÚNICO Q TEM UM PROGRAMA:
O PFC – PARTIDO FUNDAMENTALISTA CRISTÃO
Q JÁ AMEAÇA EXPULSAR A CULTURA
DA DISCUSSÃO POLÍTICA
TOMANDO SEU LUGAR OUTRA VEZ
NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS
COMO ACONTECEU NAS ÚLTIMAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

FERNANDO HADDAD
VOCÊ É MEU AMADO CANDIDATO
MAS NÃO POSSO VOTAR EM QUEM COMEÇA SUA CAMPANHA DIZENDO:
“SOU CONTRA O ABORTO”
NINGUEM É A FAVOR
MAS É UMA QUESTÃO FUNDAMENTAL DA DEFESA DA VIDA DASMULHERES
A ONU JÁ SABE DISSO
SUA CANDITADURA PODE EMPLACAR
SENDO A LUZ DA REVOLUÇÃO CULTURAL Q É DESEJO PLANETÁRIO

É HORA DE TER CANDIDATOS ÀS PREFEITURAS DAS CIDADES DOBRASIL Q NÃO SE SUBMETAM À ESTA DITADURA DITADA PELOMARKETING
CAINDO DE PODRE
E NOS APODRECENDO A TODOS
JUNTOS

A ECONOMIA VERDE É SOCIAL, POLÍTICA,
É PELO DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO DO BÁRBARO TECNIZADO
É RENASCENTISTA
É PLUGADA NA MAGIA DA NET
(SAGRADA COMUNICAÇÃO LIVRE)
DA REVOLUÇÃO DA NEUROCIÊNCIA
DA MEDICINA MOLECULAR
DAS CÉLULAS TRONCO
E SOBRETUDO DOS POVOS BIODIVERSOS
EM TODA TERRA SAGRANDO DESEJOSOS A PALAVRA “REVOLUÇÃO”

ESTA PALAVRA: “REVOLUÇÃO”
DEPOIS DO
“AI SE EU TE PEGO”
É MANTRA AGORA
DE NOVO
SACRALIZADA POR TODOS OS POVOS
TESUDOS DE LIBERDADE
BEM MAIS PRECIOSO
Q COMMODITIES
PRA PODER CRIAR O DESENVOLVIMENTO
E PROCRIAR
EM SINTONIA COM A REVOLUÇÃO CÓSMICA PERMANENTEMENTE VIVA
NA TRANSMUTAÇÃO CONSTANTE DA TERRA
E EXPANSÃO DO UNIVERSO

O MANIFESTO DOS INTELETUAIS
DISSOLVE EM SI
TODAS AS CRISES POLÍTICAS E RELIGIOSAS
POR QUE PEDE LIBERDADE
AO PODER DA CULTURA
DE CUIDAR DA VIDA
DO OUTRO
DE SI
DO COSMOS
E CRESCER

AMOR
BIODIVERSIDADE
JÁ NOS ESTILHAÇOS DA IDADE MYDIA
RECOMEÇA A ESTAR DENTRO
DA VIDA
DE TODAS ESPÉCIES
DOS ASTROS
DO AR

E ATÉ A POLÍTICA PODE PROCLAMAR SUA INDEPENDÊNCIA
DA SERVIDÃO DAS MÁFIAS
DA PRESSÃO DA “REVOLUÇÃO”
DA “VERDADE ÚNICA”
Q SÓ QUER JOGAR NO CARGO
O PAPEL DE FANTOCHE DE UM ESTADO FUNDAMENTALISTA REATIVO ÀVIDA

ESTÁ NA HORA DE TOCAR NOS TABUS
Q SÃO POLÍTICOS

A QUESTÃO DO ABORTO
QUER SE ACHE VERDADE OU NÃO
É DE SAÚDE PÚBLICA DO CORPO VIVO

A QUESTÃO DA LIBERTAÇÃO DA REPRESSÃO ASSASSINACRIMINALIZADORA
DAS DROGAS É TAMBEM UMA QUESTÃO POLÍTICA DE SAÚDE PUBLICA

A DEMOCRACIA SEM CULTURA LIVRE
POTENTE
PRECISA DE OUTRO MOVIMENTO
Q SEJA COMO O MDB NO FIM DA DITADURA
Q DISCORDE DO PENSAMENTO DO PFC EVANGÉLICO CATÓLICO
ALINHADO COM O NANICO PARTIDO PRÓ DITADURA
DEFENDIDA PELOS MILITARES TORTURADORES APOSENTADOS

ZÉ CELSO

20 DE MARÇO
DO ANO BISSEXTO
DE DOIL MIL E DÓSE

NOVAS CATEGORIAS POLÍTICAS:

HUMOR ! AMOR !
VERTIGEM NA LIBERDADE !!!
A CULTURA É INFRAESTRUTURA
MACRO MICRO DA VIDA


DOCUMENTO DOS INTELECTUAIS PAULISTAS

Na última década, o Ministério da Cultura transformou-se em uma área especialmente dinâmica do governo federal. Ao reconhecer a importância primária das práticas de sentido para a vida social, o Estado deu-se finalmente conta de que tem responsabilidades incontornáveis no que toca ao estímulo, apoio e defesa das manifestações criativas que emergem do povo, ou melhor, dos povos brasileiros como expressão de sua vitalidade e de sua personalidade.

À medida que o país foi ganhando projeção internacional, maior foi se tornando a necessidade de definirmos e consolidarmos a contribuição distintiva que o Brasil espera estar em condições de dar à civilização mundial. Com este objetivo, a abertura da esfera pública a uma multiplicidade de agentes e ações, oriundos de todas as regiões do Brasil, ligados à criação de cultura, isto é, de valor existencial – artistas, ativistas digitais, produtores culturais, editoras independentes, coletivos experimentais, criadores da moda e do design, intelectuais, povos indígenas, comunidades tradicionais, quilombolas, movimentos contra a discriminação de gênero e de orientação sexual, ambientalistas, grupos culturais dos mais variados matizes e propósitos – constituiu-se em uma das experiências institucionais mais inovadoras que o Estado brasileiro jamais promoveu.
Sob a liderança das gestões da cultura durante os 8 anos do governo Lula, o acolhimento entusiástico de uma vasta gama de manifestações antropológicas, tradicionais como modernas, regionais como nacionais, locais como globais, deu direito de cidadania e densidade politica a vários conceitos novos, doravante parte de nosso vocabulário de política pública: “cultura digital”, “pontos de cultura”, “cultura viva”, “patrimônio imaterial”, “cidades criativas”, “economia da cultura”, “diversidade cultural”, “creative commons”, “compartilhamento”, “cultura e pensamento”, “cidadania colaborativa”, “participação setorial” e tantos outros. Um Plano Nacional de Cultura foi redigido pelo MinC com ampla participação dos setores interessados, e foi aprovado pelo Congresso Nacional. Tratou-se de um esforço consistentemente democrático de transformação da agitação social em meio de conquista de uma voz pública, de expressão da força viva dos povos de nosso país nos termos de um discurso de dimensões propriamente políticas, no sentido mais nobre da palavra.

Como herdeiro legítimo deste legado, o governo Dilma tem um grande desafio pela frente. É enorme a expectativa dos inúmeros grupos envolvidos no processo de emancipação cultural iniciado nas gestões passadas. Os que acompanham, como cidadãos, essa histórica reviravolta inquietam-se sobre a orientação que irá prevalecer uma vez encerrado o primeiro ano de uma gestão federal de cultura marcado por hesitações, conflitos e por mudanças de rumo que nos têm parecido infelizes.

É inevitável constatar que houve inúmeras perdas de visibilidade e de nitidez no horizonte da política cultural, comprometendo a imagem de um país que avança para o futuro sem perder a relação com seu passado, e que se moderniza sem destruir suas tradições. Depois de inúmeras notícias desalentadoras ao longo do ano que passou, a opinião pública constata que a presente gestão de nossa política cultural vem se mostrando descomprometida com o legado das conquistas recentes neste âmbito, como o atestam as inúmeras iniciativas de grande impacto dentro e fora do País. É digno de nota, em particular, o que parece ser o total desconhecimento, por parte da atual gestão do MinC, do debate internacional sobre os desafios que o novo regime capitalista globalizado coloca para os criadores em todos os âmbitos da cultura, nesta época em que a criação de valores existenciais se viu capturada e sujeitada pela produção de valor econômico.

O despreparo para a prática do diálogo e do embate crítico por parte dos atuais responsáveis pelo MinC é dolorosamente evidente. É assustador, por exemplo, que em recente entrevista a ministra afirme que tem vivido uma “guerra de nervos” e que todo o seu universo de preocupação esteja reduzido à sensação de que os que discordam de sua gestão estejam apenas querendo derrubá-la de seu posto, deixando de lado o sentido maior da vida democrática que é a possibilidade do diálogo e da reconciliação em benefício de algo público e de grandeza comum.

A criação cultural é indissociável da construção inovadora de horizontes para o País, é a cultura que forma as realidades que nos condicionam e projetam os destinos da vida em comum. Não faz mais sentido pensar nos quadros anacrônicos que tinham a chamada “infraestrutura”, ou economia, como elemento primacial da vida humana, ao passo que a cultura, ou “superestrutura”, era vista como artigo de luxo. Pois não é possível, justamente, entrarmos em pleno século 21 equipados com uma “superestrutura” mental que data do século 19. É um engano gravíssimo um Estado contemporâneo não dar a devida importância à agenda das políticas culturais, pois a economia sem a cultura não pode mais do que propagar a desvalorização de uma sociedade, colocando-a a mercê de interesses estritamente econômicos.

Desde que a crise global se abateu sobre o ocidente capitalista em 2008, a agenda cultural se tornou um tema ainda mais importante para nós e as disputas de sentido vão direcionando os possíveis caminhos a seguir. Ora, foi precisamente neste momento crítico que passamos a constatar a decadência do protagonismo do governo federal na área da política cultural, com a trágica perda de capacidade para gerar consensos mínimos e coordenar o desenho de horizontes para os inúmeros segmentos que estavam sendo reconhecidos pelo governo Lula. Esse perigoso isolamento do MinC pode nos fazer retroceder mais e mais nos próximos anos, ainda que a prosperidade econômica se mantenha. A mera celebração de uma “cultura” concebida como excedente simbólico entregue a profissionais consagrados da indústria de entretenimento certamente não pode substituir a consciência ativa do papel central que a força de trabalho criativa passou a desempenhar no cenário do novo regime capitalista. O MinC de hoje desconhece os sistemas de acumulação financeira, de ganho unilateral de corporações com os direitos autorais e de imagens. Ao tornar-se refém de um modelo institucional arcaico, o governo federal vai aceitando que as forças mais reativas do modelo neoliberal passem a conduzir as subjetividades, tornando-se um instrumento para sustentar apenas desejos sociais compulsivos de consumo, como se estes fossem o meio de produção de sociabilidade.

Neste sentido, a escolha do(a) ministro(a) que a Presidenta tem em suas mãos é um dos trunfos fundamentais na consolidação do projeto de país que se começou a implantar desde o fim da ditadura militar. Esta é uma responsabilidade crucial do governo federal e da sociedade civil, não podendo ser deixada ao sabor da Realpolitik e seus jogos de acomodação partidária. Esperamos que Dilma Rousseff, que tem mostrado grande competência na condução do País em outros setores, confirmada pelos altos índices de aceitação popular, tenha sensibilidade e coragem para indicar um ministro da cultura à altura do que requer este cargo, em vista da importância do Brasil no cenário mundial contemporâneo. Um(a) ministro(a) que alie uma escuta fina para a diversidade cultural, no acompanhamento das complexas demandas culturais internas e na articulação ousada com o cenário internacional, sobretudo em torno dos problemas deste novo estatuto da cultura.

A experiência acumulada por este nome escolhido é algo essencial neste momento. Quer em termos profissionais, quer em familiaridade com a política da criação contemporânea e a rica variedade a de suas manifestações, uma liderança suprapartidária e democrática é o que pode garantir um pulso firme e uma capacidade de gestão dinâmica, de verdadeira liderança nesta direção que o presente nos aponta. Nós signatários, como todos os produtores de cultura neste País, temos nossa parcela de responsabilidade nesta tarefa: cabe a nós o apoio ao futuro portador desta inteligência de qualidade cultural e a exigência de uma escolha acertada para os próximos anos da atual gestão federal neste importante âmbito da vida nacional.

MARILENA CHAUÍ, EDUARDO VIVEIROS DE CASTRO, SUELY ROLNIK, LAYMERT GARCIA DOS SANTOS, GABRIEL COHN, MANUELA CARNEIRO DA CUNHA, MOACIR DOS ANJOS

Abrir e Fechar

Respirar

Comer o Mundo

Segurar

Atenção ao orar

à sua Rítmica

soltar o ar

segurando o abdomen

não só pra si

dentro de seu própio corpo

mas também para nossas estenções

de onde vamos comer as inspirações

centra de novo no abdomen

e solta

ouvindo o coração

o tic tac dele

ele é o nó de nós

a pulsação cria a pulsão

e a ligação com o espaço cardíaco

Relaxar o Marx-Lar

Comer o marximso, cristianismo, islamismo, capitalismo, socialismo, comunismo

e outros ismos

com a boca bem aberta

bocejando

“Ai que Preguiça”

Ócio

Cio

Des-Cansa do Neg-Ócio

bip

fecha-abre-fecha-abre, inspira expira

ouvindo o CORAÇÃO

pra comer o ar

abrir a boca aberta

boceja

ouvindo vendo dentro

seu Ogã

a maior divindade da vida:

o Ritmo

q nos liga à vida morte vida morte …

O coração nunca obedece a razão

proclama cantando Isaurinha Garcia

Pra que obedecer ?

pra quê ?

É obvio

o samba nasce no coração

na batucada da vida

não é simétrico

é quebrado

um coração pulsante em tempo de Dytiraaaaamboooooo

Samba

Macumba