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Afinal q o dia d’Ela Chegou

Odoyá Iemaniá

 

Estreia dia 31 no Teat(r)o Oficina

“pra dar um Fim no Juízo de deus” d’Artaud

 

No clima pós Guerra em Paris, ondas

da Rádio Nacional Francesa levavam

ao ar um programa d grande

audiência:

“A Voz dos Poetas”

Artaud saído d 9 anos d Hospício,

Grande Poeta, é convidado a dar sua

Voz ao Programa.

Vindas diretamente d seu Corpo,

escreve uma peça radiofônica q

grava à 4 Vozes:

Artaud, Maria Casares, Paule Tevin,

Roger Blin,+ Sonoplastas do Studio

Artaud estavam felizes d impregnar os

ares com a emissões das suas

enérgicas phalas, vindas de seus

Corpos.

Vozes fecundadas nas batalhas com

surrealistas,

na encenação de suas primeiras

peças,

na publicação d seus poemas,

nas epifanías d seus filmes,

nas viajens Xamânicas, em todas as

xamadas: drogas.

O Corpo d Artaud doía [por estar imerso

no mal estar da civilização ocidental].

Decide ir pro México, ao encontro dos

Índios Taraumaras

Mastiga o peyote dançado na Roda

dos Peidos dos Xamâns

Peidorrentos y tem a iluminação

“peido, logo existo”

No Rito vê a fraqueza dos Corpos

dos Colonizadores, sem Corpo, diante

da vitalidade dos Corpos Taraumaras.

Em Havana recebeu no Terreiro d

Santería

uma Espada d São Jorge Ogum

Guerreiro.

Retorna à Europa pela Irlanda

com o bastão y a poderosa Espada

Verde

botando fé q com ela, iria levantar o

povo Celta

para retomar sua vitalidade primitiva

como a dos Taraumaras

Mas é preso, deportado pra França,

y durante toda a 2ª Guerra Mundial,

passa 9 anos d Hospício à Hospício

passando por choques

elétricos, camisas d força, drogas pra

fazer desaparecer o corpo, fome da

escassez d alimentos na Guerra; mas

nunca deixou d inscrever o q sua

mente-corpo irradiava,

até ser posto em liberdade depois da

Paz:

um antropófago sem dentes…

entre seus muitos escritos gravados à

sangue,

(no seu cú talvez já jorrasse sangue

d’um câncer

q o impedia de cagar)

mesmo assim, estava vivo demais

y jorrava os líquidos d seus

sofrimentos

escrevendo espermeando, desejando

a Merda

Na sua Peça Radiofônica, faz

palavras, glossolalías se encontram

numa sumula d ser vivo, matéria

orgânica d toda sua experiência a ser

emitida aos ares, não somente a seus

contemporâneos mas pra nós q nem

tínhamos nascido.

Poema Peça Radiofônica – com tudo q

seu Corpo Marcado descobriu:

q por ser viva demais –  foi golpeada

com um impechment

pelos Juízes representantes crentes

do Juízo do Deus Único

da Verdade Única

Censores da Rádio Nacional Francesa

no dia 2 de fevereiro d 1948

(no Brasil, dia d Iemanjá).

Cortaram essa emissão,

foi o Golpe d Morte em Artaud

q piorando de suas dores q nem a

Morfina vencia

continuou escrevendo até vir a morrer

no dia 4 de março do mesmo ano d

1948.

Esta Peça, foi o sub texto pulsante

no Anti Édipo d Deleuze-Guatarí, q

explodiu clínicas y mais clínicas d

psiquiatria no mundo.

Essa emissão caiu de novo, agora,

nas mãos d Artistas do Teat(r)o

Oficina Uzyna Uzona, nestes dias em

q todos íamos percebendo os Golpes

do Juízo d deus, q já poluía o Brasil,

desde a vitória raspando d Dilma,

sobre Pentheu Aécio, q iniciou a

escalada dos Golpes tocado à veneno

dos ódio dos perdedores, q pediam

recontagem de votos. Depois foram as

“Pautas Bombas”, d’ um Congresso d

Gangsters Evangélicos.

O Clímax dos Golpes: foi a Co-

Produção Bíblica da Midiona, com

o Cardeal da Inquisição: Moro.

O Cortejo d Novela em seu novo

horário: 6h da manhã, estrelada

pelo vilão Lula, coagido a depor

de São Bernardo, atravessando

SamPã, a até o Aeroporto de

Congonhas.

Dia 18 a Manifestação da Paulista

despertou a Esquerda. A pessoa mais

eloquente do Brasil, d todos os

tempos, o Lula Paz Amor y Humor y

Muito Mais, estorou até a divisão entre

verdes y vermelhos.

Mas o Juízo d deus, no dia seguinte,

quando Moro já tinha proibido a

difusão dos grampos, levantou sua

proibição, “pelo bem da pátria

brasileira”, y escancarou seu Golpe no

Palácio da Alvorada: o Grampo

Telefônico no Palácio da Presidente

Dilma. Logo depois os Golpistas

tentaram invadir o Palácio.

Hoje o Impechment fervilha nos

Ajuizados d deus q não se entendem.

A Farsa do repeteco está no Poder 

“A sua Profecía vai fracassar,

y eu vou gragalhar qua qua qua”

Nós Estreamos “pra dar um Fim ao

Juízo d deus” d Artaud

dia 31 d Março no Oficina,

dia em q o Golpe d 1º de abril d 1964

estava parindo y nós não sabíamos d

nada.

Mas agora já sabemos.

Vivemos pelo menos há mais d um

ano neste escancaramento.

Não vai ter Golpe, porque já está

sendo dado, há algum tempo.

Minha Mar, é a dos Artistas y vou me

encontrar com elxs no dia d meu

aniversário, amanhã dia 30,

comemorando meus 79 anos

no Masp.

O “pra dar um Fim no Juízo d

deus”, manifesto carnal d Artaud,

nasce orgânico y cresce nesse

ambiente d Farsa como uma

trepadeira d maria sem vergonha.

Nesta noite no Oficina, a Peça

Radiofônica d Artaud, não vai mais ser

impixada -estará incarnada em corpos

vivos,

sem órgãos absorvendo y replicando

os acontecimentos vivíos em nossas

carnes.

Sinto talvez q todos os Corpos sejam

verdes, vermelhos, ou multicores,

e estão sofrendo no Brasil.

Fazendo esta peça revolucionária,

penso: vai surgir uma Frente Ampla d

pedaços d todos os partidos em

defesa da democracia?

Meu ser ZéArtaud, minha

Personagem, deseja

Mais q uma FRENTE,

uma RODA VIVA AMPLA 

d todas as Culturas Brazyleiras,

Ianomanis, Tupys Guaranys d todas

as Tribos, no movimento inevitável da

vida no Planeta Ser Vivo Terra, com

os Sem Teto, Sem Terra, Gays,

Lésbicas, Trans, Afro Descendestes,

Trabalhadores Inspirados, Mulheres

Livres, Hackers, Menores d 16 anos,

Favelados, Classe Média, alguns

Pirados dos 1% com suas Fortunas

distribuídas. Nessa Roda tiramos todo

s os rótulos y somos com os bichos,

águas, terras, seres vivos q juntos

vamos democratizar a democracia,

mudando democraticamente o

sistema, até atingirmos a Anarquía

Coroada y Tecnizada.

Esse lixo q cacareja o impeachment,

corruptores da própria Corrupção em

nome do JUIZO D deus, hoje sob o

comando d um Vampiro, ressucitado,

dando o desfecho á novela: será q o

Crime foi cometido pelo Mordomo?

Virão novos capítulos desta novela,

mas nós continuamos com a mesma

peça em cartaz.

Uma peça d Artaud, é um Corpo sem

Orgãos,quer dizer, como o mesmo

movimento d intuscepção d Terra q

renova-se livrando-se de seus

agentes adversos”

Zé Celso

MERDA

 

 

Fila na porta do Teat(r)o Oficina, no Bixiga. Sessões concorridas de Pra dar um fim no juízo de deus. Foto Jeniffer Glass.

Fila na porta do Teat(r)o Oficina, no Bixiga. Sessões concorridas de Pra dar um fim no juízo de deus. Foto Jennifer Glass.

No palco, a trupe discute a reconstrução da anatomia humana. E a maneira que essa ‘reconstrução’ é apresentada no palco é singular. Os atores ‘fazem uso’ de sangue, sêmen e excrementos humanos – gerados pelos atores diante dos olhos da plateia, certo. Como foi a preparação dos atores para isso?

A preparação para as ações anímicas fisiológicas Tabus é a de Concentração. Vem do próprio sentido  sensorial e anímico da peça. Artaud fez esta peça pra ser transmitida pela Radio Nacional Francesa, dia 2 de fevereiro de 1948, dia de Iemanjá, mas  a emissão foi proibida na época, foi gravada e hoje facilmente pode ser ouvida pela Net.

Mas a encenação que criamos, como toda encenação teatal , exige a incorporação física do Verbo. No Teat(r)o o Verbo tem de se tornar Carne.

O Teat(r)o de Artaud é emitido diretamente através do Corpo Animado do Ator, da Atriz, do Iluminador, do Músico, do Contra Regra, das Diretoras de Arte, dos Sonorizadores, dos Câmeras de Cinema.

Quer dizer, com Corpo Anima, dos que Atuam.

Pascoal da Conceição, que fez a peça em 1997, trabalhou bastante na sua alimentação especial, na sua fisiologia nos dias de fazer a peça, pois ele, como se sabe, caga em cena, pros produtos “sintéticos de reposição da natureza, inventados pelos americanos
O Jovem ator Roderick Himeros se masturba e faz sua emissão de sêmen concentrado na peça, assim como oferece suas grossas veias pro Sangue do Rito do Tutuguri, a partir de sua Paixão por Artaud e por sua Profissão = Teat(r)o.

Cada Atuador tem sua maneira de ativar sua fisiologia por sua Imaginação Criadora. Mas não se trata de uma “técnica“. É a Anima da Atriz, Ator Multimídia que atua através de seu Corpo, isto é, com seu Sangue, Vísceras Cerebrais, Cardíacas, Intestinais, Nervosas.

É o que, no Oficina, é atuação do TEATO.

E são acontecimentos ligados ao sentido físico-filosófico da peça.

Um crítico imbecil de Araraquara, quando estivemos aí em 1997, escreveu que Zé Celso foi a Ararquara pra cagar no Teatro Municipal da sua Cidade.

Foi uma temporada feita inteiramente às nossas custas, pois estávamos sendo processados por um padre confessor de minha mãe, pela encenação de “Mistérios Gozozos“, de Oswald de Andrade, no mesmo Teatro Municipal. Me lembro, quando desci do ônibus vindo de SamPã, em frente à casa de meu Pai e Minha Mãe, na Rua 7, eu beijei o chão ainda de paralelepípedos e passou um carro que gritou: vou meter uma bala na sua cabeça.

Qual a mensagem contextualizada que vocês querem passar com o espetáculo?

Teat(r)o não é Correio, não  tem mensagem; é uma arte em que, concretamente, o meio é a mensagem. Quer dizer, as emissões dos Corpos dos Atuadores com o Publico, e o sentido, não se comunica com uma fórmula ou receita, é o que é: TE-ATO.
Seria essa a montagem a mais polêmica e até chocante do Teatro Oficina?

Os Tempos são outros; estreamos com duas sessões pagas, lotadas no Oficina, que terminaram com uma Ovação do Publico. Há muito tempo não acontecia assim em nosso Teat(r)o Oficina. É a Crise que faz o Teatro emergir com todo seu PHODER.

Estamos literalmente con-Sagrados com esta peça. Por incrível que possa parecer, Artaud, o grande Curandeiro do Século XX, que inspirou a Obra Máxima de Guattari e Delleuze (“O Anti Édipo”) é um Autor que tem a palavra de quem escuta a divindade da Natureza, é um Santo Laico.

Até onde sua criatividade e ousadia podem chegar, Zé?

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Foto de Jennifer Glass para cena de Pra dar um fim no juízo de deus.

Não se trata de minha criatividade, mas a do ser humano, que é sem limites. “O  Ser Humano, quando  não seguram ele, é um Animal Erótico. Há nele uma tremedeira inspirada,uma espécie de pulsação criadora de inumeráveis bichos sem nome,que é a forma que os antigos povos terrenos chamavam deus“.

“Pra Dar um Fim no juízo de Deus” tem apenas uma hora de duração, diferente de suas anteriores, “Macumba Antropófoga” e “Calcida Becker”. Seria ela um tiro curto, mesmo?

Não é um tiro; não somos da bancada da bala. E muito menos um tiro curto. É uma intensidade poética que, em uma hora, consegue transmitir tudo que está contido nela. É uma nano capsula de energia que explode em cena, assim como “Ela“, de Jean Genet, que já encenamos, inclusive aí em Araraquara, junto a esta peça de Artaud. Sem comparação, minha primeira peça “Vento Forte prum papagaio Subir“, dura 40 minutos. Isso não quer dizer que as peças longas não tenham o mesmo impacto de comunicação. O tempo longo das peças que você menciona atinge uma esfera além do cansaço, que é extraordinária pra emoção do publico. O Teat(r)o é uma Arte que não se mede a metros.

A ideia da transmissão ao vivo pela internet é, no mínimo, interessante. O que o Teatro Oficina objetiva com isso?

Comunicação Luxuosa na Net. Não se trata de ser “interessante“, é muito mais que isso. É uma Obra de Arte extremamente bem filmada pelo Grande Câmera Igor Marotti, que por enquanto é dada generosamente ao público do Globo Terrestre. Claro que precisamos aperfeiçoar cada vez mais, pra chegar ao TodoMundo, mas já temos até Fãs Clubes internacionais de nossas transmissões.

A iniciativa é boa para o povo de sua terra, Araraquara, que aguarda seu retorno, Zé.

Quando quiserem, e pudermos ser pagos, estaremos de volta. Todo o elenco ama atuar em Araracoara, onde Guaracy, a Sol mora.

Para finalizar, queria saber do senhor, crítico que é, um pitaco sobre o atual momento político do País.

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Foto de Jennifer Glass para cena de Pra dar um fim no juízo de deus.

Vivemos, como o Mundo todo, uma Crise Sistêmica do Capitalismo do Século 21, corrupto em si mesmo – é o momento de maior desigualdade em toda a história da humanidade, de maior concentração da Riqueza em 1% da População.

Isso provoca as  loucuras do Monoteísmo que hoje virou fundamentalista, que faz Guerras religiosas, querendo tomar o poder temporal em nome de seu Deus único.

É um momento de muito Ódio, que muitas Verdades, com Deus únicos, emitem.

O Brasil vive um momento de retorno da Direita  fundamentalista, que pra se segurar e não perder seus privilégios no Crash Mundial, se organiza em torno dos “Hate Groups“.

Quem tem o que segurar, quer manter tudo como está, e atribui ao PT o Bode da Corrupção.

Mas hoje mesmo nos jornais, se lê da corrupção não só do PSDB (os inquéritos engavetados se reabrem), mas de um Militar que tem um Site de Pedofilia, dos Globais etc.

Luisa Erundina hoje procura criar uma rede vinda de baixo pra cima, porque quem está no andar superior, que tem muita grana, está ainda fazendo Pose de Gente do Bem, nas Colunas Sociais, nas Revistas Caríssimas, de Luxo…

Estão histéricos, morrendo de medo de perder suas fortunas, heranças, inúmeras Casas de Praia, na Vieira Souto, na Paulista etc.

O Sistema Capitalista já encheu o saco e agora vai pras ruas aos milhões – e não tem o que dizer.

Não tenho partidos, mas sou de esquerda e o Teatro, por si, é uma Arte Revolucionária.

Até o Ano Passado, o Teatro Radical e Antenado, como tem de ser, era totalmente desprezado, posto de lado.  Como a Cultura, era coisa desprezível, secundária, mas desde a estreia da peça de Artaud sentimos uma virada de 360 Graus.
O ápice da Crise trouxe de volta o Valor do Teatro e o Publico paga pra ver.

Apostamos pôr em cartaz esta peça, pra vivermos da bilheteria, como acontece com a dignidade das Putas q vivem de seus Corpos. Milagrosamente aconteceu, acertamos. Ela, a Bilheteria, reapareceu nesta ressureição do Poder Teatral.

Em todas as Crises da História da Humanidade, o Encontro entre pessoas vivas na Arte Teatral, no Corpo a Corpo, sem Pose, Caras e Bocas, as Máscaras Implodem no derretimento dos Botoxs das Sociedades de Espetáculo$.

Zé Celso

em seu Inferno Astral, 23 de Março de 2015

muito Feliz com o Retorno do Poder Teat(r)al