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Afinal q o dia d’Ela Chegou

Odoyá Iemaniá

 

Estreia dia 31 no Teat(r)o Oficina

“pra dar um Fim no Juízo de deus” d’Artaud

 

No clima pós Guerra em Paris, ondas

da Rádio Nacional Francesa levavam

ao ar um programa d grande

audiência:

“A Voz dos Poetas”

Artaud saído d 9 anos d Hospício,

Grande Poeta, é convidado a dar sua

Voz ao Programa.

Vindas diretamente d seu Corpo,

escreve uma peça radiofônica q

grava à 4 Vozes:

Artaud, Maria Casares, Paule Tevin,

Roger Blin,+ Sonoplastas do Studio

Artaud estavam felizes d impregnar os

ares com a emissões das suas

enérgicas phalas, vindas de seus

Corpos.

Vozes fecundadas nas batalhas com

surrealistas,

na encenação de suas primeiras

peças,

na publicação d seus poemas,

nas epifanías d seus filmes,

nas viajens Xamânicas, em todas as

xamadas: drogas.

O Corpo d Artaud doía [por estar imerso

no mal estar da civilização ocidental].

Decide ir pro México, ao encontro dos

Índios Taraumaras

Mastiga o peyote dançado na Roda

dos Peidos dos Xamâns

Peidorrentos y tem a iluminação

“peido, logo existo”

No Rito vê a fraqueza dos Corpos

dos Colonizadores, sem Corpo, diante

da vitalidade dos Corpos Taraumaras.

Em Havana recebeu no Terreiro d

Santería

uma Espada d São Jorge Ogum

Guerreiro.

Retorna à Europa pela Irlanda

com o bastão y a poderosa Espada

Verde

botando fé q com ela, iria levantar o

povo Celta

para retomar sua vitalidade primitiva

como a dos Taraumaras

Mas é preso, deportado pra França,

y durante toda a 2ª Guerra Mundial,

passa 9 anos d Hospício à Hospício

passando por choques

elétricos, camisas d força, drogas pra

fazer desaparecer o corpo, fome da

escassez d alimentos na Guerra; mas

nunca deixou d inscrever o q sua

mente-corpo irradiava,

até ser posto em liberdade depois da

Paz:

um antropófago sem dentes…

entre seus muitos escritos gravados à

sangue,

(no seu cú talvez já jorrasse sangue

d’um câncer

q o impedia de cagar)

mesmo assim, estava vivo demais

y jorrava os líquidos d seus

sofrimentos

escrevendo espermeando, desejando

a Merda

Na sua Peça Radiofônica, faz

palavras, glossolalías se encontram

numa sumula d ser vivo, matéria

orgânica d toda sua experiência a ser

emitida aos ares, não somente a seus

contemporâneos mas pra nós q nem

tínhamos nascido.

Poema Peça Radiofônica – com tudo q

seu Corpo Marcado descobriu:

q por ser viva demais –  foi golpeada

com um impechment

pelos Juízes representantes crentes

do Juízo do Deus Único

da Verdade Única

Censores da Rádio Nacional Francesa

no dia 2 de fevereiro d 1948

(no Brasil, dia d Iemanjá).

Cortaram essa emissão,

foi o Golpe d Morte em Artaud

q piorando de suas dores q nem a

Morfina vencia

continuou escrevendo até vir a morrer

no dia 4 de março do mesmo ano d

1948.

Esta Peça, foi o sub texto pulsante

no Anti Édipo d Deleuze-Guatarí, q

explodiu clínicas y mais clínicas d

psiquiatria no mundo.

Essa emissão caiu de novo, agora,

nas mãos d Artistas do Teat(r)o

Oficina Uzyna Uzona, nestes dias em

q todos íamos percebendo os Golpes

do Juízo d deus, q já poluía o Brasil,

desde a vitória raspando d Dilma,

sobre Pentheu Aécio, q iniciou a

escalada dos Golpes tocado à veneno

dos ódio dos perdedores, q pediam

recontagem de votos. Depois foram as

“Pautas Bombas”, d’ um Congresso d

Gangsters Evangélicos.

O Clímax dos Golpes: foi a Co-

Produção Bíblica da Midiona, com

o Cardeal da Inquisição: Moro.

O Cortejo d Novela em seu novo

horário: 6h da manhã, estrelada

pelo vilão Lula, coagido a depor

de São Bernardo, atravessando

SamPã, a até o Aeroporto de

Congonhas.

Dia 18 a Manifestação da Paulista

despertou a Esquerda. A pessoa mais

eloquente do Brasil, d todos os

tempos, o Lula Paz Amor y Humor y

Muito Mais, estorou até a divisão entre

verdes y vermelhos.

Mas o Juízo d deus, no dia seguinte,

quando Moro já tinha proibido a

difusão dos grampos, levantou sua

proibição, “pelo bem da pátria

brasileira”, y escancarou seu Golpe no

Palácio da Alvorada: o Grampo

Telefônico no Palácio da Presidente

Dilma. Logo depois os Golpistas

tentaram invadir o Palácio.

Hoje o Impechment fervilha nos

Ajuizados d deus q não se entendem.

A Farsa do repeteco está no Poder 

“A sua Profecía vai fracassar,

y eu vou gragalhar qua qua qua”

Nós Estreamos “pra dar um Fim ao

Juízo d deus” d Artaud

dia 31 d Março no Oficina,

dia em q o Golpe d 1º de abril d 1964

estava parindo y nós não sabíamos d

nada.

Mas agora já sabemos.

Vivemos pelo menos há mais d um

ano neste escancaramento.

Não vai ter Golpe, porque já está

sendo dado, há algum tempo.

Minha Mar, é a dos Artistas y vou me

encontrar com elxs no dia d meu

aniversário, amanhã dia 30,

comemorando meus 79 anos

no Masp.

O “pra dar um Fim no Juízo d

deus”, manifesto carnal d Artaud,

nasce orgânico y cresce nesse

ambiente d Farsa como uma

trepadeira d maria sem vergonha.

Nesta noite no Oficina, a Peça

Radiofônica d Artaud, não vai mais ser

impixada -estará incarnada em corpos

vivos,

sem órgãos absorvendo y replicando

os acontecimentos vivíos em nossas

carnes.

Sinto talvez q todos os Corpos sejam

verdes, vermelhos, ou multicores,

e estão sofrendo no Brasil.

Fazendo esta peça revolucionária,

penso: vai surgir uma Frente Ampla d

pedaços d todos os partidos em

defesa da democracia?

Meu ser ZéArtaud, minha

Personagem, deseja

Mais q uma FRENTE,

uma RODA VIVA AMPLA 

d todas as Culturas Brazyleiras,

Ianomanis, Tupys Guaranys d todas

as Tribos, no movimento inevitável da

vida no Planeta Ser Vivo Terra, com

os Sem Teto, Sem Terra, Gays,

Lésbicas, Trans, Afro Descendestes,

Trabalhadores Inspirados, Mulheres

Livres, Hackers, Menores d 16 anos,

Favelados, Classe Média, alguns

Pirados dos 1% com suas Fortunas

distribuídas. Nessa Roda tiramos todo

s os rótulos y somos com os bichos,

águas, terras, seres vivos q juntos

vamos democratizar a democracia,

mudando democraticamente o

sistema, até atingirmos a Anarquía

Coroada y Tecnizada.

Esse lixo q cacareja o impeachment,

corruptores da própria Corrupção em

nome do JUIZO D deus, hoje sob o

comando d um Vampiro, ressucitado,

dando o desfecho á novela: será q o

Crime foi cometido pelo Mordomo?

Virão novos capítulos desta novela,

mas nós continuamos com a mesma

peça em cartaz.

Uma peça d Artaud, é um Corpo sem

Orgãos,quer dizer, como o mesmo

movimento d intuscepção d Terra q

renova-se livrando-se de seus

agentes adversos”

Zé Celso

MERDA

 

 

 

 

Crítica Teatral do Teatro dos Patos – A maior manifestação de São Paulo!

Prêmio pela Eloqüência da Inexpressividade!

 

Manifestação nota Zero,

Inexpresiva,

sem ter o q dizer.

 

Só o boneco do Lula preso.

 

 

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foto: Agência Estado

 

 

O Pato

quem paga?

Você,  nariz d pato,

é o Pato em si.

 

Um Pato Amarelo d Plástico

é o Totem do rebanho

verde Amarelo

da Coréia do Norte do Brasil.

 

 

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foto: J Duran Machfee / Agência Estado

 

 

O Xamã Marx Selvagem

Profetizou:

repetir a história

dá em Farsa.

 

O Cover é miserável diante da Pompa das Marchadeiras de 64,

d tão sem graça.

Uma farsa

onde a graça

é a total falta de graça.

Mas assim mesmo dá pra quase morrer, mesmo, de rir.

 

A Burrice encenada na falta de imaginação nas Avenidas do Brasil…

Mas nada se compara à gente feia da Avenida Paulista de Sam Pã

com as caras afirmando: sou burro sim.

Os  empregados bobos da globo

estavam presentes com seu público

com caras de celebridades pátrioeducadoras.

a globa é boba…

a globo eh boba…

 

Ai, q falta das  marchadeiras do tempo do LP!

 

 

Marcha da Família com Deus pela Liberdade

Mulheres com bandeira durante Marcha da Família com Deus pela Liberdade. (25.03.1964. Foto: Acervo UH/Folhapress. Negativo: 21492.64)

 

 

O Bando  conduzido por um Pato d plástico!

Qua! Qua! Quaka?

Será q isso é o q chamam d gente atoa?

 

O importante é fazer número!

– Ah! Eu amo ser um número d estatística!

 

O facismo conta cada um,

pra ser a demonstração numérica  maior q já houve

das Burrices em Festa!

 

Vou sair pra  comer um Pato ao Tucupy

no Restaurante Amazônia da 13 d maio, no Bixiga.

É o q vou  fazer chegando em Sam Pã

depois de ser atacado via globo,

à beira mar,

por este  Pato Plástico

q  nem dá pra comer – isso é com os canibais do plástico.

 

Q comédia!

 

A maior manif em Sampan foi Cover das da Coréia do Norte.

É do Faustaun, então!

Só q o garoto da própria Coreia do N.

é um gordinho sorridente,

y o Faustaun murchou d mau humor…

Cara fechada de bola murcha,

o auditório do Camarada Faustão,

é muito mais mecânico – ele devia ensinar o Ditadorzinho da Coréia do Norte!

 

 

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Kim Jong-il, ditador da Coréia do Norte. Foto de divulgação

 

Mas os operários da Coréia do Sul,

aqui em Cumbuco,

são os mesmos da do norte

com uma diferença: as Iracemas daqui estão comendo eles.

Elas são lindas.

Uma cultura nasce aqui.

Vocês, rebanho do pato,

vão pra Coréia do Norte!

Stou gragaiando Humor!

 

Viva os Palapatões

Or Not

to be

Enquanto Isso…

 

 

O  Corvo invocado nesta incarnação  foi promovido à Idiota.

Jesus.com.

Y esta histérica quer dar sua última cagada na historia do Brasil.

A bruxa quer ser a detonadora da Pauta Bomba  Final:

o impeachment,

o Golpe.

 

No q vai dar esta trágica farsa?

Quem souber, não deixe acontecer

 

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foto: Nancy Mora

Sou Cégo d’Teat(r)o

q vê

da Terra do Bixíga

onde Teatro

em se plantando

sempre deu

a quem se dá 

mas…

q está $ercado

por $oldados Engravatados Executivos Executores

do Holocausto Repetitivo

do Direito Romano de Propriedade

q diferença existe

entre fundamentalistas destruidores de Santuários,

cortadores de Cabeças

y

os Fundamentalista$ da Especulação Imobiliária Néo Bandeirantes:

Caçadores Destruidores de santuários y cortadores d cabeças q não querem ser capturadas?

 

Estes pretendem destruir o último pedaço de terra livre do Centro d SamPã.

Pra isso tem de Cortar Cabeças

d Artistas,

d’ Autoridades d Defesa do Patrimônio,

d’ Jornalistas das Mídias, Midiinhas, Midionas,

d’ Cabecinhas, Cabeçonas

q não cabem nas suas toscas estruturas de captura:

no seu Carandirú Pobreza

“Trê$ Torre$ Prisões

Nessa Terra “perdida

há Cabeças Coroadas de Héras, se Fazendo ,

se dando às mitolo(r)gias

q os povos noite y dia

criam,

cantam,

dançam,

na terra

no ar

pássaros voadores

des-assombrando

pensamentos livres

q vôam

mas

q sabem se erguer do chão

com seus Bastões,

Tyrsos Báquicos

y conceber suas estratégias

num piscar da voz da

Marechal de Nossa Tropa:

Madame Morineau:

O Teatro Recuou, Meu Filho! Ohpuf …realmente…

No, No, No, assí no dá …

 

Ah! E aí, sentir o desejo de passar do “recuo” ,

ao AVANÇO

com seu Bastão de Bacantes y Satyrxs Guerreirxs

y

proferir na própria carne

a palavra mágica Ham-let:

AÇÃO

Estes tem o Phoder de enfrentar estes Exército$ de Pentheus y Drs. Abobrinhas

 

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foto: Mário Pizzi

 

Ió! Os Artistas de Todas as Artes

 

Ió! Gente q phala pra Gente,

Na língua direta de Gente,

 

Ió! Dytirambistas (todos os Tambores)

 Músicxs

Arquitetxs, Urbanistxs, Cientistxs, …

Façam esse favor pra todos…

Mas a Protagonização da Arte Aglutinadora Física dos Teatros onde Todos

os Teatros são nossos Teatros

é, quer se queira ou não,

a gente de teatro

mesmo combalida.

É só se apoiar no Tyrso d Dionisios y ficar de Pé Dançante

Somos peões satyrxs de SamPã

da Tropa de Choque Cultural q pode Acordar

no Bixiga

não só o Brasil,

mas o Mundo.

 

IÓ! Amantes d Dionizios do Mundo Inteiro,

Vamos criar uma Orgya da Arte d Teatro do Bárbaro Tecnizado Total da Terra!

 

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foto: Mário Pizzi

 

 

IÓ! Estrategistas d todas as Artes

 

IÓ! Amantes do estar em cena com o Público diretamente

 

IÓ! Anônimos nas revistas caras, esbanjando poder de aventureiros teatrais nos teatros de rua, cultivando as Metrópoles engasgadas quase subterrados;

 

IÓ! Cooperativas de Teatros q se tornam Comunas Teatais

 

IÓ! Celebridades de Televisão q tem Sangue de Teatro no Corpo

 

IÓ! Poder da Imaginação, d Atrizes, Atores, Palhaços do Brasil y do Mundo

 

Muitos me perguntam

como ajudar” ?

 

Não, ajuda”, não,

não tem “ ajuda

nem dar uma força,

mas atuar

até se espatifar

pra poder voar

 

IÓ! É o Xamado Báquico

À Massa d Sangue dos Corpos em Possessão q vem se juntar aos Posseiros impedindo os Carrascos da Propriedade Privada

É o q

TIRIAS

Vê hoje

 

Terça-Feira GORDA DE CARNAVAL DE 2016 em SamPã

Essa entrevista foi feita com o jornalista Miguel Arcanjo Prado em dezembro de 2015, para o Portal UOL, que a publicou com algumas edições. Agora, ela segue aqui na íntegra:

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Zé Celso em cena de Mistérios Gozósos. Foto Jennifer Glass.

Por que você resolveu recriar Mistérios Gozósos neste momento?

Pra trazer pra este coito interrompido q estamos vivendo o olho d´água da renovação permanente da vida, q é o Gôzo Gozado d quem todos somos filhxs, em suas Gotas antropogafiadas pelos Mistérios da Boceta d nossas mães; ou, simplesmente, ejaculado por prazer de semear alegria na Terra.

Como a peça Mistérios Gozósos dialoga com o Brasil atual?

Ela não dialoga, ela nutre nossos corpos cansados d explicar o mar, q batizamos d A Mar; mas esse nós não somos nós do Oficina UzynaUzona, somos todos os habitantes dos versos d Oswald: “Há um grande cansaço d explicar o mar…”, q termina na Mar d Amar

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Roderick Himeros e Carina Iglecias em Mistérios Gozósos. Foto Jennifer Glass.

Qual sua percepção do atual momento sociopolítico (a tentativa de processo de impeachment contra a Dilma, a carta pública do vice-presidente)? Você teme um retrocesso democrático?

Ele já esta aí, desde o dia 26 d outubro, quando a direita passou raspando, mas perdeu a eleição. Há uma ditadura no Congresso, q já nascia da onda d ressentimento, ódio, revanchismo d não saber perder. Temos é q nos livrar desta Ditadura q continua do período Civil Militar d 64 até agora.

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Joana Medeiros vive Madame Bovary. Foto Jennifer Glass.

Você coloca a bancada BBB, Bíblia, Bala e Boi em Mistérios Gozósos. Por quê?

Porque parece uma peça Gozada de Brecht, essa união de Pastores Gangsters q privatizaram o Congresso pra exercer uma ditadura q esculhambou com a Economia y a Política do Brasil. Y como o Nazismo, vai acabar mal, devia desde já ser Impichada.

 O que você achou das ocupações das escolas pelos estudantes pelo não fechamento das unidades, conseguindo fazer o governo estadual voltar atrás?

Não arregramos e continuamos não arregrando, já sacou q isto está acontecendo no Brasil? Y as mulheres q não aceitam a criminalização da liberdade d seu próprio corpo! Y os Sem Teto! Y o povo do Teatro não de Shopping, mas d Rua?!

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Sylvia Prado é Lurdz, a Paulista. Foto Jennifer Glass.

Por que resolveu manter Mistérios Gozósos em cartaz no Natal e no Ano-Novo?

Porque estamos com esta peça q é um Auto de Natal do Catolicismo Antropofágico do Brasil do Século XXI. Ela já foi feita aqui no Natal d 1994. No Reveillon vai ser maravilhoso. Quando der Zero Hora, estaremos com as Pessoas q vierem pra festa, cercado de 20 minutos dos Fogos de toda SamPã, por todos os lados. Lindo!

Este ano é atípico: sentimos que, desde o Público q veio estar conosco em “Pra Dar um Fim no Juízo de deus”, d Artaud y, logo a seguir, com “O Banquete”, d Platão, tivemos o Oficina sempre lotado. O Povo q está vindo ao Teat(r)o Oficina neste ano de 2015 y a todos os Teatros de Rua d SamPã, sente q Teat(r)o junta pessoas q buscam uma transmutação Antropofágica. O teatro desde Dionísios é uma Arte Antropófaga q junta, mistura, come y dá de cumê tudo igual à cidade de SamPã – não São Paulo.

Nestas datas, y mais a do aniversário desta Cidade, dia 25 d janeiro de 2016, estaremos festejando.

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Mariana de Moraes (Eduléia) e Marcelo Drummond (Jesus das Comidas)

Quais são seus planos para o Oficina em 2016?

Estar respirando, descascando os Pepinos d saber como vamos criar na dureza geral, em todos os sentidos, os Poemas Teatais na Terra Sagrada do Teat(r)o Oficina. Cuidar desta Obra d’ Arte Arquitetônica Urbana y dar continuidade ao q está sendo gerado no Mangue Sertão, dos Mistérios Gozósos.

O que não dá? O que você deseja para o Brasil em 2016?

Desejo muita Libido pra florescer a Vida de todos os Direitos y Desejos Trans Humanos, Humanos d nós todos Mamíferos, Bactérias, Minerais, Florestas, de toda essa Humana demasiadamente humana, Terra.

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Camila Mota e Marcelo Drummond em cena de Misterios Gozósos. Foto Jennifer Glass.

O que um ator precisa ter para ser do Oficina?

Palhaço Curioso

Por que você faz teat(r)o há tanto tempo?

Por Amor aos Fatos; aconteceu assim y vou fazer até desapare-ser, porque, até esse instante, minha vida é Teat(r)o d SamPã y do Mundo, d Pan, q tem Tudo incluso, o Tudão, como João Gilberto chama o Universo y tudo q existe – e q dá pra ver lá do Oficina, do Janelão de Vidro: a Cidade, a Lua, a Chuva, o Sol. Enfim, o “tudão”.

Qual a coisa mais importante no mundo para você?

Estar aqui agora, doido pra beber um vinho, brindando a você y a quem for ler esta entrevista na íntegra no UOL.

Por quê?

Parece que teatro é sempre aqui agora, a gota q goza.

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Pau2

Rito da Primeira Estação pelas ruas do Bixiga, cheio de Libido. Foto Jennifer Glass.

MANIFESTAÇÕES POLÍTICAS NÃO DECIFRADAS

No início dos 60, Sartre e Simone de Beauvoir foram ao pedacinho da Terra onde nasci, Aracoara, a morada do sol: Araraquara. O sucesso de mydia ficou por conta da conferência que Sartre fez na Faculdade de Filosofia. Mas o grande acontecimento político se deu no velho Theatro Municipal. O Theatro era irmão vindo da mesma fábrica do Theatro José de Alencar, de Fortaleza: estruturas arquitectônicas importadas de Glasgow, na Escócia, feitas especialmente para o calor dos trópicos do Hemisfério Sul. Era lindo, mas, por estupidez, foi destruído na Ditadura para dar lugar a uma Torre da Prefeitura da Cidade. Sem comentários. Não quero fugir do que quero dizer.

Leia o texto na íntegra aqui.

Em 1990, enquanto íamos criando as 900 páginas desta Odisseia, ainda não totalmente encenada, Walmor Marcelo Drummond e eu, Zé, fomos encontrando, na VidaArte teat(r)al de Cacilda Becker, a desconhecidíssima história das gerações que nos antecederam, quer dizer, a história de nossa própria vida no teatro, mergulhada na phoderosa y TragiCômicOrgiástica história da humanidade de todos os tempos.
 
Como diretor, nunca levei meus textos da “Odisseia Cacildas”. Nos ensaios ouço phalas, sons, palavras, embriões cantados, musicais, gestos, luzes, objetos cênicos, interpretações cambiantes dos q vão atuar, e aos poucos a obra do papel vai ganhando os Corpos dos Cyber y Atuais Tecno Artistas, como uma peça sempre ethernamente contemporânea, em obras mutantes permanentes, sempre…
 
Vem o nascimento d’Ela na apostada em cena; depois, em cada bloco de tempo em q ela é esculpida na nossa carne pela carne do tempo.

Agora, 10 dias, 5 peças vezes 2, como o preço do ingresso Bancado pelo Banco Itaú 2 vezes, Itaú Cultural: R$2, 2(duas) Cacildas Protagonistas: Sylvia Prado y Camila Mota, 2 Cellos, dois Sopros, “Odisseia Cacildas” estreando a dia 12 d 12.

Mas desde a véspera do dia 5 já dedicada a Celebrar nosso 2, nosso Duplo: AcccuilLina Bardi, a Outra Cacilda, criadora do berço q concebeu, pro nascimento desta e muitas Odisseias Teatais: o Teat(r)o Oficina Terreiro Elekrônico, Obra de Arte tão Gêmea Viva da CosmoPolítica RITUAL q praticamos em nossas peças, q ficamos pasmos; Lina é mesmo uma Gêmea e q tem nos surpreendido sempre. Uma Arquitetura Urbana Teat(r)al ainda sendo completada, sempre viva y querendo mais vida.

Agora, o Mistério desses 15 dias, contando as pausas de descanso, meditação y nem sei o q mais. O q é?

Mais q nunca cabe ao Teatro quando é vivido com o público dessa maneira noturna radical, revelar com q energia poética, criadora, vital, nossos corpos vão atravessar essa Era q está berrando brutalmente a nossa frente, Era q já Éra. Começou tão mal, com o Espetáculo da Indignação Hipócrita diante da Corrupção essência do Capitalismo, anunciando cortantes ajustes fiscais cantados por Corais d’Ódios y Ressentimentos Reai$ Orquestrados em Magnificats, entoando um só mantra: “Vão pra Cuba q os pariu?”

Tem a ver. Teatro, quando é mesmo valioso, é rhealmente uma Cuba, Libre, Cuba Libre, com Coca Cola, Rhum y Santería, com Bloqueio Americano Caído a la Muro de Berlin dos Trópico. Aí me inPÍro mais ainda, quanto mais ouço esses mantras, pra esta Odisseia Tropical do teatro antropófago descolonizado, no desprezado cú do mundo Brasil, q eu, ao contrário, cobiço tanto!

5 peças, 2 vezes encenadas, 2 vezes em forma de uma peça só, totalmente nova no Juízo Final do Fim do Juízo no fim do ano de 2014.  Esse Back Ground me leva a descobrir agora, porque chamamos o q vamos fazer d “Odisseia Cacildas”.

O tempo pouco q atualmente gira mais rápido pros humanos não deu pra refazermos “Cacilda!” y “Cacilda!!Estrela Brazileyra a Vagar”. Sofri com isso.

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CACILDA! – Bete Coelho e Marcelo Drummond

 

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CACILDA!!! GLÓRIA NO TBC – Camila Mota e Marcelo Drummond (foto Jennifer Glass)

WALMOR Y CACILDA 68-AQUI AGORA - Sylvia Prado e Marcelo Drummond (photo Jennifer Glass)

WALMOR Y CACILDA 68-AQUI AGORA – Sylvia Prado e Marcelo Drummond (photo Jennifer Glass)

  3 momentos da ODISSEIA

1969. Esperando Godot.
No intervalo Cacilda tem um aneurisma e não volta pro segundo ato.
40 dias em coma.
No delírio de Robespierre, o Etherno Retorno.
O barbante não tem fim.

 

É q o Mundo, o Brazil, nós,estamos muito esquisitos
E o Teatro, como está? Assim:

Amanhã vamos na Audiência Pública na Assembleía Estadual, em torno do despejo do “NÚCLEO BATOLOMEU” o maior vexame em cima da ARTE TEATRAL em 2014.

Devia ser Premiado.

Este século 21 vive em seu início, sem exagero, um dos momentos de maior desprezo por esta arte multimilenar do Teatro q é o mesmo menosprezo q se sente pela vida intensamente vivida ao vivo das pessoas humanas, quase uma das muitas espécies em extinção.

No século 21, Vinte e uma Companhias de Pessoas da Arte Teatral, fecundadores de nossa Metrópole Enfartada pela Voracidade Descancarada do Espetáculo Boçal da Especulacão Financeira atualmente em Cartaz, estão na mesma situação do NÚCLEO BATOLOMEU: ameaçados por ações de Reintegração de Posse.

Nessas circunstâncias, essa “ODISSEIA CACILDAS”, reunindo um povo de mais de 60 pessoas (atrizes, atores, cantrizes, stage menager, contra regras, dançarinos, iluminadores, cineteatrógrafos, arquitetos, imagistas, maquiadores, camareiras, músicos, figurinistas, tradutoras, criancinhas, produtores, faxineiras, porteiros, administradores – tudo isso, em si, já é absurdo, impensável nos dias de hoje) faz desta “ODISSEIA CACILDAS” um Ato Cultural atrevido demais neste instante de 2014.

Muitos guardam silêncio por estarem perplexos, com os recentes acontecimentos. Nós vamos ter também silêncios vividos com a respiração das pessoas dos públicos, sons, palavras mantras, imagens q vão trazer a todos o q é função do teatro: trazer a alma deste tempo renovada, mágica e concretamente impulsionando a ação além do bem e do mal em um Toca em Frente q faz parte do destino do Circo Teato.

O material produzido é precioso, fértil como o que Ronda. Tudo é vivido em cena:
Cacilda, Walmor, Celi, Tônia, TBC, Berrini, PM, Robocops, prisões de manifestantes, despejos de teatros, Creontes Corruptos de todas os Phodere$ do Mundo e daqui da Capital do Capital.

Esse mergulho final, ao mesmo tempo inicial, marca uma pausa d pelo menos 2 anos na produção pelo Teat(r)o OficinaUzynaUzona da continuidade desta “ODISSEIA CACILDAS”. Há textos a serem montados, mas no futuro; agora, a obra viva da Atriz Matriz vai nos levar a sintomatizar o q fazer em 2015. Sobretudo no seu Final, às 2h30 da Tarde do dia 23 de dezembro, dia dos 27 anos de Ethernidade de Luis Antonio Martinez Corrêa, o Grande Humano Bicho de Teatro q tem sido sempre o descobridor, ao Sol deste dia de Amor Bruxo, do q vamos fazer no ano seguinte.

Saio da “ODISSEIA CACILDAS” só querendo A Mar Quente do Nordeste Amado pra meu urgente descanso de guerreiro exausto.

Ah! Seria lindo se a maioria viesse de Bike.

Estamos batalhando com o Marketing do Banco Itaú y amanhã começo a buzinar na Secretaria Municipal da Cultura: a construção de um  BICICLETÁRIO PRA TODOS.

É nosso desejo, nesses 15 dias, criarmos um acontecimento com o q está mais faltando neste Brasil esquisito, com muita gente apostando em seu fim Brasil. Está faltando, repito:  CULTURA VIVA NA CENA Y COM OS Q PODERIAM VIR AO OFICINA, PELO CHÃO D SAMPÃ, NESSA IMENSA CICLOVIA NATURAL Q NOS LEVA À CHÁCARA DO JOCKEY CLUB NA ERA Q ENGOLE A JÁ ERA DA PETRÓLEO.
 
Zé Celso
 
Véspera do Centenário de
Accuil Lína Bardi

VIVA!!!!!!!!!
 
SamPã Paraíso, 4 d dezembro Azul Sagitário de 2014
 
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Publico em 4 partes, a partir de hoje, carta aberta a Presidente do Condephaat, Ana Duarte Lanna, respondendo a seu texto apresentado em 9/9/2013 ao órgão que preside, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo que, em maio deste ano, autorizou a construção de duas torres residenciais ao lado do Teatro Oficina, tombado por este mesmo órgão em 1982.

Os três próximos capítulos serão publicados diariamente, completando a série no sábado, 21 de setembro, dia da Árvore.

entorno
Ter a Cabeça do Inimigo nas mãos
e a sabedoria de tocar
pra ele ver de pé
a nossa Vitória

– Versos cantados de BACANTES, Eurípedes, antropofagiados pela Cia. de Artistas do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona.

Agradeço à Dionísio, a você Ana Duarte Lanna, esse texto tão revelador enfim de sua posição, de seu Viewpoint, sua Posição Ideólogica, sua Interpretação dos Direitos, suas Vontades em relação ao Patrimônio Cultural Teat(r)o Oficina. Agradeço a bela foto que o acompanha, onde se vê o Janelão de Vidro que dá para a Cidade e o Cosmos, o Jardim do Oficina com o tronco da Árvore Cezalpina nascido nele e seu tronco já penetrando no entorno deste Bem Cultural Tombado que agora recebe também, além do Tombamento Material, a declaração de seu Valor Imaterial, proposta em Projeto de Lei por deputados da Comissão de Cultura da Assembléia Estadual onde o Oficina Uzyna Uzona será finalmente reconhecido como, por exemplo, a Mangueira: Escola de Samba do Rio de Janeiro.

Quem somos
Você estava inspirada na reunião do Condephaat de 20 de maio de 2013 que deliberava sobre o Teat(r)o Oficina e a sua área envoltória. De acordo com a legislação tem toda razão: A área envoltória nunca é bem tombado. Mas o tombamento configura uma área envoltória de 195 metros e as intervenções em área envoltória são objeto de análise pelo Condephaat. Nesta reunião, vocês trataram desta análise.

Em seu texto você logo revela um engano, a partir de seu ponto de vista, que eu posso revelar com precisão: não existe “Companhia de Teatro Uzyna Uzona, que ocupa o Teatro Oficina”. Quem ocupa este lugar é a Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, registrada desde 19 de janeiro de 1984 em Cartório – sucessora das Cia. Teatro Oficina Ltda., Oficina Samba (durante o exílio em Portugal), Oficina 5º Tempo (no retorno ao Brasil durante a abertura lenta, restrita e gradual). Portanto não existe também o “Grupo Uzyna Uzona”. O que juridicamente nos qualifica é esta Associação de Tecno-Artistas Multimídia, que nos obriga a cada ano criarmos Atas das Assembleias Ordinárias testemunhando todas o cumprimento de nossa tarefa principal: construir em faina diuturna a História Viva do Teat(r)o Oficina, criando sempre espetáculos que dêem continuidade ao momento revolucionário da encenação de “O Rei da Vela” do Poeta paulistano Oswald de Andrade.

A Revolução Cultural trazida pelo Rei da Vela
Esta peça, que estreou o segundo Teatro Oficina, dos arquitetos Flávio Império e Rodrigo Lefévre, viu ao mesmo tempo superado o próprio Espaço de Teatro inaugurado por ela.
A peça encenada trouxe a religação com a Antropofagia de Oswald, que por sua vez religou o Teat(r)o a toda Cultura Popular Brazyleira – o retorno a Arcaica Cultura Sagrada Pagã dos Rituais Teat(r)ais dos Caetés, dos indígenas de todo o Planeta em suas muitas Eras, aos rituais de incorporação na dança e canto das culturas Afro-brasileiras, à Cultura da Musica Popular, Pop, Erudita Brazyleira e Internacional. Trouxe no Brasil a sua descolonização, desde 1967, num dos movimentos culturais mais celebrados no fim do século XX: a Tropicália.

Os Coros Tragicomicorgiásticos
O mesmo acontecendo logo a seguir com o glorioso retorno dos Coros Pagãos milenares de Teat(r)o, criadores na Grécia dos Ritos explicitamente chamados de teat(r)ais. Há milênios os Coros tinham desaparecido e por séculos foram buscados em todos os grandes momentos da Arte Teat(r)al.
Nietzsche, na sua 1ª grande obra conhecida, “A Origem da Tragédia no Espírito da Musica”, lembrando os Coros da Tragédia Grega, aponta seu retorno para o futuro.
Aconteceu no Brasil, no Rio de Janeiro em 68, com o retorno dos Coros em “Roda Viva”, de Chico Buarque de Holanda. A grandeza do acontecimento cultural foi obscurecida pelos ataques à Peça perpetrados pelo Comando de Caça aos Comunistas em SP e depois pelo próprio 3º Exército Brasileiro, em Porto Alegre.
Estas duas peças pra mim são como se fossem a mesma, com os protagonistas de “O Rei da Vela” e os Coros de “Roda Viva” – são o Ponto Galilaico da Revolução da Arte do Teat(r)o acontecida no Brasil de 1967 a 1968 e dando seus frutos até hoje.

Antropofagia
Na Audiência Pública realizada em 05 de setembro de 2013, Camila Mota, atriz há 16 anos associada à Companhia permanente do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona pedia a desapropriação do terreno para a implantação do projeto antropofágico do grupo, o Anhangabaú da Feliz Cidade, não como você escreve Ana Lanna, “segundo uma terminologia do grupo”. Tente apagar o seu novo engano, amada Ana Lanna. A Antropofagia não é a terminologia, a gíria de um “grupo”, como você nos chama.

Não é invenção de um gueto ou de um grupelho. Os poetas concretos paulistanos, os consagrados irmãos Haroldo e Augusto de Campos consideram “A Antropofagia Oswaldiana como o único pensamento filosófico original brasileiro”. E está sendo estudada no mundo inteiro como uma filosofia que pode transformar os apartheides – os racismos, os fundamentalismos, os especulativismos, os preconceitos na relação entre os povos de diferentes culturas – pelo modo de vida da maior parte do povo brazyleiro: a miscigenacão democrática das culturas. Tanto que em 2006 aconteceu no Teatro de duas platéias de Lina Bardi, no Sesc Pompeia, o EIA, Encontro Internacional de Antropofagia, em que antropólogos, artistas, historiadores, filósofos, músicos de várias partes do mundo, durante uma semana, criaram, phalaram, sobre este tema tabú desde o início da colonização do Brazyl.
Não é portanto uma linguagem de uma gangue de privilegiados, mas de povos arcaicos e presentes no mundo todo que almejam o fim das barreiras culturais, raciais, sexuais, religiosas, fundamentalistas, que tem causado tantas guerras à humanidade, sobretudo nos dias de Hoje.

Tombamento Revolucionário
Veio o AI-5. Estreamos com o quê? Nada mais nada menos que “Galileu Galilei”, no dia 13 de dezembro de 1968 – data da implantação da fase mais sangrenta da Ditadura Militar. Narro este ponto da história porque foi através desta peça que começamos a entender que a Cultura cria Cosmos – não grupos. Cria maneiras de ler, interpretar, viver a Vida no Mundo.

Começamos a perceber que o Oficina era um Cosmos, uma trajetória que desenhava um Discurso do Movimento, nome de um dos trabalhos do físico Galileu, que atravessou clandestinamente as fronteiras onde a Inquisição dominava nas mãos de um jovem físico que havia trabalhado com ele. Galileu o havia escrito nas noite de lua escondido da filha que era freira da Inquisição. Este trabalho o deixou cego e ele o escondia num Astrolábio – instrumento que em toda sua vida renegou, pois era constituído de tiras de bronze em que os astros todos giravam em torno da Terra.

Aconteceu o mesmo conosco. Quando fomos exilados em 1974, a grande cantora de Brecht e grande atriz Maria Alice Vergueiro fez passar todo o Arquivo do Oficina – inclusive o audiovisual porque tínhamos “O Rei da Vela” já filmado, mas ainda não montado – através do Consulado Francês de SP para ser desembarcado em Paris. Chamávamos este pacote embalado em muitas malas de “Todo o Discurso do Movimento”, do Oficina que começávamos a estudar. Sabíamos que estávamos descobrindo o retorno ao Teat(r)o como arte milenar orgânica da Humanidade em plena violência da Ditadura Brazyleira. Precisamos cuidar de todo o material para estudarmos a continuação de nossa história não terminada aí, como você Ana Lanna, pensa. Daí vem sua concepção de Tombamento Histórico o Teatro Oficina como um túmulo.

A violenta interrupção de um processo em plena floração nesta fase com a invasão do Teat(r)o Oficina, prisão, tortura de muitos de seus Tecno-Artistas, foi um capítulo heróico – continuado no exílio em países que passavam por movimentos revolucionários.

Esta peça, que combatia o pico da Ditadura Militar no Brasil, se hoje encenada, espelharia a luta em que os “sábios de Florença”, transfigurados em sábios do Condephaat de hoje, não querem acreditar no que seus olhos vêem.

Mesmo dentro do Terreiro Eletrôniko de Lina Bardi e Edson Elito, na Audiência Pública do dia 5/9/2013, não viam diante de si os seres vivos como a árvore Cesalpina plantada por Lina atravessar os muros e chegar ao entorno avançando muito mais do que o ridículo 1m e 80 cm, oferecido por estes “sábios” que não levam em conta sequer o janelão que dá pra Cidade e pro Cosmos, mesmo diante da presença das coisas em si, construídas pelo Oficina Uzyna Uzona, pelo próprio Governo de SP, pelo Ministério da Cultura na gestão do economista e humanista Celso Furtado, pela Sociedade Civil e até por Paulo Maluf, que pagou os fundamentos do edifício do Teat(r)o para fortalecer as paredes do pé direito alto do Oficina.
Estes momentos de construção da obra de Lina, logo após o reestabelecimento da democracia no Brazyl, formaram um breve período em que os burocratas não tinham ainda este poder – fortalecido pelo Cassino da Especulação Financeira.

Os atuais burocratas do Condephaat agem alegando que não existia, na data do Tombamento, este belíssimo espaço aberto dando para a Cidade: estão assim justificando a defesa da construção das Torres Assassinas do Bairro do Bexiga!
São esses paradoxos destes nossos tempos, desta Babel Feliciana, que me dão a sensação do absurdo e loucura das pessoas que ocupam cargos públicos para inverter sua função.
Você mesma, Ana Duarte Lanna, na FAU-USP revelou que não gosta das torres, que as acha horrendas. Pasmem: soubemos que você ainda faz parte da comissão da comemoração oficial do centenário de Lina Bardi!
E você pode ao mesmo tempo querer que se destrua o projeto arquitetônico urbanístico total, para o qual o Oficina foi tombado em 1982/83. O Teat(r)o Oficina prédio não existia mais à época, estava em ruínas, sem as poltronas azuis que oferecemos no 1º de Maio de 1980 ao Sindicato no ABC presidido pelo líder Vicentinho. As paredes estavam cheias de buracos pois nós começamos a construção do Terreiro Eletrôniko para tornar irreversível nosso movimento de transformação.
Todos vão poder ver como estava o Oficina no vídeo “Caderneta de Campo”, uma co-produção do Oficina Uzyna Uzona com a Fundação Padre Anchieta, vencedor do 1º Festival Videobrasil, que este ano comemora 30 anos. Este vídeo foi misteriosamente proibido pela Fundação Padre Anchieta, da TV Cultura, mas será exibido em outubro nesta cidade em comemoração a este aniversário. Aliás, há cenas do dia do Tombamento por Aziz Ab’Saber – que nos recebeu animadíssimo por termos entrado com a Compania Oficina Uzyna Uzona toda para acompanhar a sessão, com câmeras de vídeo – onde poderemos ver Lina Bardi com sua maquete em madeira do Terreiro Eletrôniko para o Oficina e do Teatro de Estádio para nosso entorno, então criado.

Aliás o ponto X é a discussão do diferente deste tombamento que revolucionou a questão da defesa do patrimônio cultural.

O Tombamento foi realizado exatamente em consequência da tentativa do Grupo Silvio Santos querer destruir o Oficina para construir um empreendimento imobiliário, inclusive, no fim do ano de 1980, visando comprar do antigo proprietário o Teatro, ao qual pagávamos aluguel.
Um grande movimento de opinião pública impediu esta possibilidade e inspirou os homens de cultura da Secretaria de Cultura, em 1982, a tombar o Oficina, ao mesmo tempo em que estes empenhavam-se em conseguir do Estado a desapropriação do terreno da Jaceguai e seu entorno para construir o projeto então criado por Lina Bardi.
Na sua citação do laudo do arquiteto e artista de Teatro Flávio Império: o Teatro Oficina passou por vários tipos de organização interna da relação palco platéia: atuante-espectador. Este fator constituiu-se em parte integrante de suas pesquisas: o ‘espaço’ da cena. Um dos elementos básicos de sua pesquisa de linguagem eminentemente teatral. Seu ‘tombamento’ não deveria, portanto, considerar fixo, congelado, o seu equipamento interno, para não estrangular as novas ou futuras propostas de pesquisa do grupo”
Há que se mencionar que não foi mencionado por você o trecho que finaliza o documento de Flávio: “Concordo com as medidas de urgência, no caso do seu tombamento, dada a iminência da incorporação da sua área de chão a um grande complexo comercial”.
E é obvio que não foi mencionado este granfinale do texto por referir-se ao “grande complexo comercial” que é o mesmo que sua gestão atual autorizou: a construção das torres.
Aliás, o mesmo “grande complexo comercial” derrubou duas casas de vila típicas do Bexiga, tombadas pelo Condephaat, vizinhas do Teat(r)o Oficina, que o projeto de Lina visava ocupar com a casa de Produção e com o Arquivo da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona.
Outra intervenção deste “grande complexo comercial” dói até hoje – ter tapado vitrais dos camarins superiores nos mezaninos ao norte que Lina pretendia que fossem transparentes à Cidade – locais de concentração dos atuadores abertos para a paisagem viva da Cidade e do Cosmos.
Além disso, uma abertura de uma janela no muro norte, feita e filmada no dia 6 de janeiro de 1980, logo que voltamos do exílio, tombada com o Teat(r)o Oficina em 1982, foi amurada por este futuro complexo comercial do Grupo SS no dia 9 de novembro de 1989 – dia da Queda do Muro de Berlim.
O Condephaat desta época já era o que parecia ter se tornado depois da última gestão autônoma do órgão pelo Dr. Modesto Carvalhosa – uma espécie de braço deste Complexo Comercial, pois nunca levou em conta estes crimes contra o Patrimônio Tombado.

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Na época dizia-se, como se diz ainda hoje aí no Condephaat, que “Zé Celso é um velho decadente que é contra o progresso de São Paulo”.

Não acredito que as Torres valham mais que a Praça Cultural que a própria Ministra da Cultura Marta Suplicy vem negociando com Silvio Santos – por indicação do Laudo do Tombamento do IPHAN, onde pretende-se realizar não um Complexo Comercial, mas Cultural, ligando o Oficina, seu entorno, o TBC, a Casa de Dona Yaya, em direção ao AnhangaBaú – daí um dos nomes que demos à esta Praça da Paixão da Cultura: Anhangabaú da Feliz Cidade, que inspirou um presente para esta causa, um belíssimo Samba-Hino composto pelo poeta, músico e catedrático de Literatura na USP, José Miguel Wisnik..

Jurema Machado, atual Presidente do IPHAN, no seu Laudo de Tombamento, quando era conselheira e representava a UNESCO, escreve:

“O que não fica claro – e deveria merecer uma avaliação mais aprofundada – é porque uma cidade como São Paulo, onde se tem a maior e mais consolidada experiência de aplicação de instrumentos urbanísticos como a transferência do direito de construir e as operações urbanas não elegeu o Bexiga para a aplicação prioritária desses mecanismos, justo uma região tão bem localizada, que tem potencialmente muito mais valor para São Paulo – até mesmo sob o ponto vista estritamente financeiro – pela sua diversidade cultural do que pela quantidade de metros quadrados que se possa construir ali. Edificações com destinações comerciais e de serviços, que não tenham outros requisitos locacionais a não ser a acessibilidade, podem ser deslocadas dentro do espaço da cidade utilizando instrumentos dessa natureza. Já o lugar das práticas culturais é ali, e só ali. Se não for ali, o Bexiga como tal deixará de existir.” 

Lina Bardi, que se chama Aquilina – com seu olhar de Águia, estendeu um dos braços com os dedos apontando para os arcos romanos da rua pista cênica em direção ao Norte – ao Anhangabaú – derrubando virtualmente com os olhos os muros, atravessando o terreno do entorno, a Rua Japurá, chegando ao Vale do AnhangaBaú sobre o qual ela estava realizando seu excepcionalmente belo projeto para um concurso público, que para a infelicidade geral da saúde e beleza da metrópole de SamPã não foi contemplado.
Ela pretendia fazer verde novamente o Vale do Anhangabaú – era a razão mais forte de seu projeto para o Oficina ter um alcance urbano: um Teat(r)o que, através de uma das quatro ruas do entorno penetraria a Cidade em direção ao Vale do Anhangabaú.
O Tombamento se deu exatamente porque Azis Ab’Saber, Flávio Império e João Carlos Martins compartilhavam deste arrojado projeto. O Tombamento seria uma 1ª Etapa que se seguiria à desapropriação e à construção deste Complexo Cultural Urbano.
Flávio fez aquele texto exatamente abrindo caminhos para que construíssemos o projeto de Lina Bardi, do Terreiro Eletrôniko = rua dando para as “Catacumbas de Silvio Santos” ou Pista Rua (hoje denominada Rua Lina Bardi) dando para uma Ágora: o Teatro de Estádio – preconizado por Oswald de Andrade em seu manifesto “Do Teatro que é Bom”: um “Teatro de Estádio” como antídoto ao “Teatro de Câmara”. Texto que consta do Livro “Ponta de Lança”.

Há uma obssessão, não somente do Codephaat, mas de uma geração freqüentadora do Teatro Oficina nos anos 60 – e por isso seu texto é de interesse Público – exatamente a minha geração, hoje acomodada no poder, que não perdoa nós termos continuado a linha evolutiva brotada nos anos 60. Não aceitam o Teat(r)o que se faz hoje pela Companhia dos Artistas da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona como uma consequência, uma continuidade de tudo que no fim dos anos 60 começou a renascer no Teatro Oficina e no Mundo.

Esta é a Grande divisão entre essas duas visões do Destino dos Patrimônios Culturais e da Própria Vida com que hoje nos confrontamos.

José Celso Martinez Corrêa, Presidente da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona