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6 de abril d 2016

CACILDA BECKER FAZ 95 ANOS

2.021 já será seu CENTENÁRIO

será q até lá os últimos Capítulos q faltam ser montados da

ODISSÉIA CACILDA

q escreví em 1990 com Marcelo Drummond

sobre esta ATRIZ ELÉTRICA, serão completados com encenações?

Maria Tereza Vargas, sua 1ª Biógrafa me disse q acha q Cacilda está meio esquecida y pediu q eu escrevesse alguma coisa nesta data q a Becker, aniversaría

Também faz anivesário minha adorada irmã Historiadora, Ana Maria Martinez Corrêa

O melhor q eu posso fazer é passar a palavra à própria Cacilda:

 

CARTA DAS CORES DAS CACILDAS

Ela mesma escreveu numa máquina de datilografia, em papel de sêda nos seus 21 anos, eu encenei em Cacilda!! com Ana Guilhermina, Ana Abbot, Luiza Lemmertz y Anthero Montenegro fazendo o Cantor Francês, Jean Sablon, mas aqui cortei este papel mesmo muito importante pra peça como um todo e bem trabalhado na Cena, pra deixar tudo só com Cacilda y com quem for ler.

CACILDA  
(briga com cédulas de dinheiro, livros pretos de contabilidade, tintas coloridas)
DeveHaver.  
Azul-Vermelho
Verde Dollar
Cruzeiro!
Mil Réis!
Pratas! Latas!  
Tostão!
Soma! Saldo!
Pronto Bateu!
 


Não,
quase!

Já é o dia seguinte!

Apólices! já bati mais de vinte!  

Bateu! Bateu! Bateu!
Azul! Vermelho!
O Sol nasceu!

Estourei
Madrugada de Reis.  

Não há mais ninguém aqui.
Cacilda, contabiliza-te a ti!

 

(Em êxtase Iluminada, de põe camélias no cabelo. Examina os dedos e os teclais da máquina)

Dedos Teclem:
Vermelho
preto

branco.
Azul!
Pardo!  
Cinza! CINZA! C I N Z A!
Pardo!
Não.

 

(pra sí) Cacilda contabiliza-te a tí!


O meu maior temor na vida é que descubram
até q ponto sou ignorante e burrinha.
Há muito tempo
que tenho desprezado a minha alma,  

eu tenho três personalidades
ao ponto de não saber mais como é que sou.  

Eu mesma provoco choques tremendos dentro de mim.
Amo
o que não devo amar,
Faço
o que não devo fazer.
 

Entre O Deve e o Haver.  

(as tiras da máquina de calcular, jorram no chão e pinto com cor de asfalto e terra. Do seu cinto saem 5 fios de cores diferentes que fazem uma pauta musical onde três Cacildas viram notas.

A Cacilda Azul pega dois fios azuis,e leva pra cima, bem pro alto.

A Vermelha pega mais dois e leva pra Baixo.

A terceira, Dona Alzira, minha mãe Cinza Amarronzado, pega e leva para o nível médio, faz no Teatro a Pauta da Maquina de Cacilda)

Essa é minha “incontabilidade.”

Uma é a pura essência da arte,
fluida, bela
e tem uma leve Coloração Azul;
Cacilda Azul apanha os dois fios azues e leva pra cima,

nomeio do Público

Sonoplastia: Harpas de Mahler,

Outra muito material,
tem uma cor de
creme,
com riscos avermelhados
e
roxos com um pouco de dourado

(Cacilda Vermelha com baton e pó dourado de maquillagem

e leva dois fios vermelhos para o Buraco do Circulo Central, em tempo de samba)

Outra é minha consciência.  
Parda, pesada, sóbria, severa.  
(Dona Alzira leva a fita parda para a direção, entra a Música da peça “Mayerling”)

Eu distingo perfeitamente.  

Se minha primeira personalidade azul, vencesse!

(Cacilda dança todas outras Cacildas incorporam com falas)

 

CACILDA AZUL

eu sou quase uma deusa, pura, quase inerte,
passo por tudo vibrando,
refletindo como um cristal
e produzo sons,
um pouquinho dissonantes,
sabe como?
Assim como se eu caísse dentro de uma cascata
e as gotas geladas
me fizessem gritar
de susto.
Uns gritos mais agudos
e umas risadas
que a gente dá sem motivo,
um tanto desafinadas,
mas bonitas.
Eu sou impalpável.
Tudo me faz vibrar,
mas tanto sou diáfana,
que nada
é capaz de fazer sulcos muito marcados,
nada é capaz de ferir-me
a ponto de fazer sair sangue
Sou assim
como uma harpa,
esguia,
cheia de beleza,
mas sem intensidade

Vocês gostariam que fosse assim?  

E agora vamos a minha maravilhosa vermelha,
segunda personalidade.

 

CACILDA VERMELHA

Sou notável.
Cheia de dinamismo,
vibrante,
um pouco má
(acende cigarro)
calejada sabe,
ambiciosa,
tremendamente forte.
Sou assim como os pedais de uma harpa
que avolumam o som.
forte,
intensa,
humana,
amo,
choro, mordo.
Brigão lá dentro,
desejo,
anseio
e tenho um prazer imenso
em me encostar como um gigante
em cima da Cacilda Azul e da Cinzento.
Vermelho e Cinza! Beleza!

Me reencosto como num divan,
no fofo azul água de você primeira personalidade.
Brinca com você de primavera
e de vez em quando
tiro um mi bemol
(na tecla piano ela repete a nota e o sentido prolongado que a nota lhe traz )
ou um si sustenido,
(sustenta a emoção desta nota)

forte intenso.
Sou a maravilhosa harpista,
que toca por tocar
para se divertir com a própria brincadeira
e faz um barulho tremendo,
gosto de beijo,
de fumo,
de álcool…

 

(Anda sobre o Pardo. Luz chapada, de serviço, sem mistério, teatro direto do realismo das quedas nos aqui agora de trip de consciência  sem música Retorna Cacilda somando-se às outras duas Cacildas. Silêncio)
 
CACILDA PARDA

Estou sem graça, com a minha terceira personalidade parda:
meu caro, eu quase não distingo,  
sou muito esquisita,  
a pobre coitada sofre tanto  
a força da
azul da vermelha
que ainda não está bem formada.   
É por isso que nem sempre raciocino com muita clareza
Concordo com a audácia da  vermelha
mas discordo dos seus desejos;  
condeno a superficialidade da azulada,  
mas
adoro sua forma,  
a cor e a verdadeira beleza que ela tem.  
É por isso que sou parda.  
Cinzenta quase.  
Vivo uma profunda melancolia:
senho sobrecarregado,  
sempre procurando resolver um problema muito sério,  
decidir como um juiz, imparcial
qual das duas personalidade será a mais forte   
e a mais digna de vitória.  
É essa pobre melancolia  
que você vê agora no meu rosto:
é a consciência  
pasma de mim mesma!

Se você soubesse depois as consequências!
A Azul, A Vermelha a princípio,
ficam cheias de remorso  

e depois começam a rir,
(Silêncio

Cacilda Vermelha pelo espaço todo RÍ)
riem desbravadamente,

(A Azul e A Parda também riem)
loucamente!

E sabe quem sofre?  
É uma coisa que ainda existe lá dentro  
que eu não sei o que é?  
Fica compungida,  
dá um aperto no coração!  
É algo que existe  
mas que quase nunca aparece!  
Nunca, nunca.  
Fica sempre desconhecida,  
mas no momento desse choque  
das minhas três cores  
ela surge de leve,  
mas persistente,  
parece assim,  
uma gotinha d’água  
que treme no canto aos meus olhos 
É uma lágrima que chora 
É esquisito!  
E de repente some de novo…  


E As 3 Cacildas s misturam 
Tudo me mistura,  
se condensa
e dá assim essa confusão nebulosa,  
Parda, Azul,

CACILDA VERMELHA

dourada, avermelhada de som,
melancolia, de um ritmo de swing, samba
de balada,

 

CACILDA PARDA

e as vezes …de inércia   
e espanto!  

 

AS TRÊS CACILDAS

Essa confusão humana,
absolutamente Cacíldica,
minh’ alma?
Não sei,
nunca ninguém descobriu;
nunca alguém atingiu,
nem eu,
mas todas as coisas juntas,
tocam
e fazem vibrar.

 

CACILDA

Por isso
gosto e desgosto de uma coisa só.
Por isso
eu mesma não me encontro.

Cansei de me procurar.
Até parece uma grande orquestra,
de quem não conhece instrumentos,
e não distingue saxofone de clarineta.  

Não me peça para dizer
o que significa
o dó, ré, mi, fá, sol, lá, si
nessa sinfonia…
e muito bemol ou sustenido.
isso será loucura
ou falta de assunto?

Quanta bobagem!
Mas quanta verdade.
(para o público)

Tocador do lá
desta sinfonia confusa,
um beijo para você  

 

Cacilda Becker

Navalha_foto_Jennifer_Glass

Amados, ontem comentei com Marcelo, nosso Amantíssimo Amado Diretor Cafetão, y fiz uma observação sobre a cena Ápice da Navalha na Carne*. A fala, não lembro literalmente, é + ou – assim:

“Será q nós somos gente mesmo?”

Pensei em Cacilda fazendo,
me veio q nós Atrizes, Atores, temos que,
(se não na nossa vida pessoal, pois é muito difícil não pensarmos primeiro em nós mesmos)
in CENA,
quer queiramos ou não,
buscar nossa trans-humanidade,
y temos d nos sentir (numa ordem hierárquica),

Primeiro:
Como seres vivos mortais no Cosmos = a todos os seres vivos mortais… Animais, vegetais, marítimos, celestes, bactérias… Y, sobretudo, seres desse ser vivo d’onde viemos, chamado na nossa língua com nome de Mulher = TERRA;

Segundo:
Enquanto seres históricos, vivos aqui agora, nos sentirmos plugados no mundo em q vivemos em 2015, na situação d Crise no Brasil y no Mundo, irmãos das multidões q fogem das bombas dos aviões na Síria, ao mesmo tempo q dos pilotos q bombardeiam, de tudo q é ruim, bom y q nem cheira nem fede nesta girada da Terra;

Terceiro:
Nos sentirmos nós mesmos, na nossa vida histórica pessoal, como plenos d tudo isso + da vida q vivemos na rheal, como pessoas com experiências únicas concretas, no mal, no bem y, mais importante, além do bem y do mal.

Mas, in Cena, temos q nos sentir nestas dimensões, todos, sobretudo no instante em q a dramaturgya d Navalha na Carne, faz a peça se abrir pra Tragédia.
 
Será q nós somos gente mesmo?

Visualizei, como sou maníaco d Cacilda, Ela fazendo a Cena: essa Atriz, acima de tudo, tinha a qualidade – pra não dizer a grandeza – d, antes d pensar em si psicológica y dramaticamente, d trazer pra cena o seu Sentimento d Mundo nos Clímax das peças q fazia.

Imaginei q, antes d’Ela falar esta “Fala Clímax”, Ela agenciasse em suas vísceras corporais todo seu Sentimento de Mundo – q eu diria, não Compaixão, mas COO-PAIXÃO por todos os Seres Vivos, pelas GENTES y BICHOS.

Veja bem: não estou dizendo pra fazer nada disso, estou só viajando na minha imaginação, na “recherche du mon  temp perdú”.

A primeira coisa q disse pra Vado Marcelo ontem foi q Cacilda levantaria como Arquiteta Cênica d seu próprio ser, como num Circo, erguendo com seu Mastro, sua Lona, plena d ventosas triangulares, do fundo d seu Sentimento d Mundo presente nesse instante, através de sua busca denunciada pelos olhos  errantes como faróis d automóveis, já lacrimejantes, y faria esta pergunta sem nenhuma auto piedade, com toda emoção, por sentir essa presença d toda essa brutalidade, não só ali, no lugar onde Neusa Suely está com seu Amado Cafetão (o mesmo vale pra ele, Marcelo Vado). Seja no Sesi, no Oficina, seja onde for, ela não teria auto piedade, melancolia, drama, pessimismo, mas uma enorme Estranheza em perceber o q sua pergunta lhe devolve: Estranheza y Horror, pela primeira vez percebido pela Puta, trabalhadora do Amor, amor pra vender, Love for Sale, como canta BIllie Holyda (não deixem d ouvir y acompanhar com a letra).

Sylvia Prado é Neusa Sueli, Marcelo Drummond é Vado e Tony Reis  é Veludo. Fotos Jennifer Glass.

Sylvia Prado é Neusa Sueli, Marcelo Drummond é Vado e Tony Reis é Veludo. Fotos Jennifer Glass.

Uma mulher q Ama deMais, como Neusa Suely, q tem a fartura da própria matéria do Amor, a LIBIDO, tem, de repente, a percepção de si mesma em relação ao Veludo (q ela maltrata); ao próprio Vado, q maltrata tanto a Ela, y ao Público presente naquele instante. Seu ser no mundo, pergunta a si, a nós, seres humanos, si somos gente mesmo, ou não…

É o momento em q atinge profundamente Marcelo Vado também, q se questiona a si mesmo y a ao seu Papel de Cafetão, mesmo se não demonstrar tanto, nesse momento.
 
Assim, essa questão, essa dúvida sobre seu próprio ser vai  atingir a qualquer pessoa presente no espaço, vai nos colocar a todos num ponto d comunhão com nosso estar no mundo, como TRÁGICOS, deixando o drama lá atrás… Sumido… Pra sempre…

Então, a Cena q decorre a seguir parece ser essa, em q Neusa Suely paga pro Cafetão como fazem seus próprios Fregueses, pra ser Comida, depois de ter sido paga em Dollares pelo trouxa asqueroso q pegou no trottoir.

É uma questão de PODER y mais ainda d PHODER mesmo, em q, com a NAVALHA nas mãos, prefere o Assassinato, a Morte, a não ter a Recompensa da Prenda Imensa do seu Cafetão Profissional.

Uma Fóda Gozósa! Gloriósa!

Como ela, Puta Profissional, exatamente pelo Trabalho q pagou ao Cafetão Profissional, também a quem já pagou Bem demai$$$$$$$

Y ela está pagando com a VIDA d’ELA, y a do Homem q mais DESEJA. ESTÁ NO CIO, COMO O SEU FREGUÊS ANTERIOR ESTAVA, y geralmente todos seus Freguese$$$$

Uma CADELA… APAIXONADA
TRAGICAMENTE APAIXONADA
DISPOSTA A MATAR Y MORRER POR PAIXÃO AOS GOZOS MÚLTIPLOS MISTERIOSOS Q SEU CAFETÃO LHE DÁ…!!!…

ENTão o q passa
o Próprio MARCELO VADO
ameaçado por essa fúria d MÊNADE,
ao mesmo TEMPO TOCADO POR NãO SE SENTIR GENTE
quero dizer: mergulhado no sentir d sua TRAGÉDIA COMO CAFETÃO
 
OS PAPÉIS se Invertem
ele é posto CONTRA A PAREDE PELA NAVALHA

aí ele encontra sua condição perdida d GENTE NO PAPEL DE CAFETÃO
y passa por uma Catarsys
tudo q ele diz
é o q é mesmo,
ele se sente
um ser humano apaixonado mesmo
q sabe q usa a Máscara d Cafetão pra Profi$$ionalmente se Impor diante da Puta
é a hora da DESHÓRA
onde todos os PAPÉIS SE DERRETEM
y vem à TONA a GENTE MESMO
ambos atingem na Tragédia a condição radical humana d desproteção, fragilidade, d viver, d ser a perigo, PERSONA-GEN d gente…DESFEITA NÊLE

Y Neusa Suely ACREDITA MESMO, SEM SOMBRA D NENHUMA DÚVIDA, no q VADO DIZ
quando ela vai se entregar ao seu DESEJO MáXIMO D LIBIDO AMOR
talvez ambos si encarem por um minuto
reconhecendo o profundo AmorPaixão d Pica q existe entre eles
e então
MARCELO VADO foge, com muito mais medo d sua Paixão por Neusa Suely
y do q ela implica em ambos tomarem a decisão d serem GENTE
y saia correndo de seu Destino Trágico
mesmo q Neusa diga q foi falsidade, lábia dele…
ela acredita nas palavras q ele disse porque o ATOR MARCELO VADO, nesse instante, descontrói seu CAFETÃO diante do Público e foge, talvez, levando restos d sua Máscara d Cafetão
ou não
joga os Dollares fora?

Em 68
nós tínhamos essa visão Trágica da Vida
Pasolini mostrou muito bem isso em Teorema
Dostoiewiski também, no Idiota, na cena em q o $$$$ é queimado

Sinto q a Civilização Ocidental já cagou,
já foi cagada  
estamos sobrevivendo com o entulho dela

Nós temos d nos colocar em questão em Cena
como faz o Antropólogo Eduardo Viveiros d Castro em seu Último Livro, através do nome do seu Último Livro: METAFÍSICA CANIBAL.
Ele vai fazer um looping da Antropologia da Visão sem saber do Outro dos Antropólogos antes d Levy Strauss, para uma Antropologia sobre nós mesmos, os Brancos, criando uma Antropologia em cima da Cultura Ocidental, através do Olhar do OUTRO,
do ÍNDIO
do ANTROpÓFagO
sem piedade

MERDA

*NAVALHA NA CARNE está em cartaz no Teat(r)o Oficina
Texto: Plínio Marcos
Direção: Marcelo Drummond
Elenco: Marcelo Drummond, Sylvia Prado e Tony Reis
Arquitetura cênica: Carila Matzenbacher, Marília Gallmeister
cenotécnico: José Dahora
Direção de cena: Otto Barros
Luz: Luana Della Crist, Pedro Felizes
Cinema ao vivo e comunicação visual: Igor Marotti, Pedro Salim
Figurino: Vera Valdez
Camareira: Cida Melo
Maquiagem: Diogo Souza Vicchietti
Sonoplastia: Jean Carlos
Som: Anders Rinaldi
Desenho coreográfico: Rodrigo Andreolli
Assessoria de imprensa: Beto Mettig
Bilheteria e produção executiva: Anderson Puchetti
Café: Dani Rosa

Data: De 17 de outubro a 08 de novembro.
Local: Teat®o Oficina (Rua Jaceguai, 520. Tel: 11. 3106-2818).
Ingressos: R$40,00 (inteira), R$20,00 (meia) e R$5,00 (moradores do Bixiga). Compras na bilheteria do teatro (uma hora antes de cada sessão). Para comprar online no site da Compre Ingressos, aqui.
Horários: Sábados em duas sessões, às 21h e 23h, e domingos, às 20h.
Indicação etária: 16 anos.
Duração: 60 minutos.

Em 1990, enquanto íamos criando as 900 páginas desta Odisseia, ainda não totalmente encenada, Walmor Marcelo Drummond e eu, Zé, fomos encontrando, na VidaArte teat(r)al de Cacilda Becker, a desconhecidíssima história das gerações que nos antecederam, quer dizer, a história de nossa própria vida no teatro, mergulhada na phoderosa y TragiCômicOrgiástica história da humanidade de todos os tempos.
 
Como diretor, nunca levei meus textos da “Odisseia Cacildas”. Nos ensaios ouço phalas, sons, palavras, embriões cantados, musicais, gestos, luzes, objetos cênicos, interpretações cambiantes dos q vão atuar, e aos poucos a obra do papel vai ganhando os Corpos dos Cyber y Atuais Tecno Artistas, como uma peça sempre ethernamente contemporânea, em obras mutantes permanentes, sempre…
 
Vem o nascimento d’Ela na apostada em cena; depois, em cada bloco de tempo em q ela é esculpida na nossa carne pela carne do tempo.

Agora, 10 dias, 5 peças vezes 2, como o preço do ingresso Bancado pelo Banco Itaú 2 vezes, Itaú Cultural: R$2, 2(duas) Cacildas Protagonistas: Sylvia Prado y Camila Mota, 2 Cellos, dois Sopros, “Odisseia Cacildas” estreando a dia 12 d 12.

Mas desde a véspera do dia 5 já dedicada a Celebrar nosso 2, nosso Duplo: AcccuilLina Bardi, a Outra Cacilda, criadora do berço q concebeu, pro nascimento desta e muitas Odisseias Teatais: o Teat(r)o Oficina Terreiro Elekrônico, Obra de Arte tão Gêmea Viva da CosmoPolítica RITUAL q praticamos em nossas peças, q ficamos pasmos; Lina é mesmo uma Gêmea e q tem nos surpreendido sempre. Uma Arquitetura Urbana Teat(r)al ainda sendo completada, sempre viva y querendo mais vida.

Agora, o Mistério desses 15 dias, contando as pausas de descanso, meditação y nem sei o q mais. O q é?

Mais q nunca cabe ao Teatro quando é vivido com o público dessa maneira noturna radical, revelar com q energia poética, criadora, vital, nossos corpos vão atravessar essa Era q está berrando brutalmente a nossa frente, Era q já Éra. Começou tão mal, com o Espetáculo da Indignação Hipócrita diante da Corrupção essência do Capitalismo, anunciando cortantes ajustes fiscais cantados por Corais d’Ódios y Ressentimentos Reai$ Orquestrados em Magnificats, entoando um só mantra: “Vão pra Cuba q os pariu?”

Tem a ver. Teatro, quando é mesmo valioso, é rhealmente uma Cuba, Libre, Cuba Libre, com Coca Cola, Rhum y Santería, com Bloqueio Americano Caído a la Muro de Berlin dos Trópico. Aí me inPÍro mais ainda, quanto mais ouço esses mantras, pra esta Odisseia Tropical do teatro antropófago descolonizado, no desprezado cú do mundo Brasil, q eu, ao contrário, cobiço tanto!

5 peças, 2 vezes encenadas, 2 vezes em forma de uma peça só, totalmente nova no Juízo Final do Fim do Juízo no fim do ano de 2014.  Esse Back Ground me leva a descobrir agora, porque chamamos o q vamos fazer d “Odisseia Cacildas”.

O tempo pouco q atualmente gira mais rápido pros humanos não deu pra refazermos “Cacilda!” y “Cacilda!!Estrela Brazileyra a Vagar”. Sofri com isso.

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CACILDA! – Bete Coelho e Marcelo Drummond

 

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CACILDA!!! GLÓRIA NO TBC – Camila Mota e Marcelo Drummond (foto Jennifer Glass)

WALMOR Y CACILDA 68-AQUI AGORA - Sylvia Prado e Marcelo Drummond (photo Jennifer Glass)

WALMOR Y CACILDA 68-AQUI AGORA – Sylvia Prado e Marcelo Drummond (photo Jennifer Glass)

  3 momentos da ODISSEIA

1969. Esperando Godot.
No intervalo Cacilda tem um aneurisma e não volta pro segundo ato.
40 dias em coma.
No delírio de Robespierre, o Etherno Retorno.
O barbante não tem fim.

 

É q o Mundo, o Brazil, nós,estamos muito esquisitos
E o Teatro, como está? Assim:

Amanhã vamos na Audiência Pública na Assembleía Estadual, em torno do despejo do “NÚCLEO BATOLOMEU” o maior vexame em cima da ARTE TEATRAL em 2014.

Devia ser Premiado.

Este século 21 vive em seu início, sem exagero, um dos momentos de maior desprezo por esta arte multimilenar do Teatro q é o mesmo menosprezo q se sente pela vida intensamente vivida ao vivo das pessoas humanas, quase uma das muitas espécies em extinção.

No século 21, Vinte e uma Companhias de Pessoas da Arte Teatral, fecundadores de nossa Metrópole Enfartada pela Voracidade Descancarada do Espetáculo Boçal da Especulacão Financeira atualmente em Cartaz, estão na mesma situação do NÚCLEO BATOLOMEU: ameaçados por ações de Reintegração de Posse.

Nessas circunstâncias, essa “ODISSEIA CACILDAS”, reunindo um povo de mais de 60 pessoas (atrizes, atores, cantrizes, stage menager, contra regras, dançarinos, iluminadores, cineteatrógrafos, arquitetos, imagistas, maquiadores, camareiras, músicos, figurinistas, tradutoras, criancinhas, produtores, faxineiras, porteiros, administradores – tudo isso, em si, já é absurdo, impensável nos dias de hoje) faz desta “ODISSEIA CACILDAS” um Ato Cultural atrevido demais neste instante de 2014.

Muitos guardam silêncio por estarem perplexos, com os recentes acontecimentos. Nós vamos ter também silêncios vividos com a respiração das pessoas dos públicos, sons, palavras mantras, imagens q vão trazer a todos o q é função do teatro: trazer a alma deste tempo renovada, mágica e concretamente impulsionando a ação além do bem e do mal em um Toca em Frente q faz parte do destino do Circo Teato.

O material produzido é precioso, fértil como o que Ronda. Tudo é vivido em cena:
Cacilda, Walmor, Celi, Tônia, TBC, Berrini, PM, Robocops, prisões de manifestantes, despejos de teatros, Creontes Corruptos de todas os Phodere$ do Mundo e daqui da Capital do Capital.

Esse mergulho final, ao mesmo tempo inicial, marca uma pausa d pelo menos 2 anos na produção pelo Teat(r)o OficinaUzynaUzona da continuidade desta “ODISSEIA CACILDAS”. Há textos a serem montados, mas no futuro; agora, a obra viva da Atriz Matriz vai nos levar a sintomatizar o q fazer em 2015. Sobretudo no seu Final, às 2h30 da Tarde do dia 23 de dezembro, dia dos 27 anos de Ethernidade de Luis Antonio Martinez Corrêa, o Grande Humano Bicho de Teatro q tem sido sempre o descobridor, ao Sol deste dia de Amor Bruxo, do q vamos fazer no ano seguinte.

Saio da “ODISSEIA CACILDAS” só querendo A Mar Quente do Nordeste Amado pra meu urgente descanso de guerreiro exausto.

Ah! Seria lindo se a maioria viesse de Bike.

Estamos batalhando com o Marketing do Banco Itaú y amanhã começo a buzinar na Secretaria Municipal da Cultura: a construção de um  BICICLETÁRIO PRA TODOS.

É nosso desejo, nesses 15 dias, criarmos um acontecimento com o q está mais faltando neste Brasil esquisito, com muita gente apostando em seu fim Brasil. Está faltando, repito:  CULTURA VIVA NA CENA Y COM OS Q PODERIAM VIR AO OFICINA, PELO CHÃO D SAMPÃ, NESSA IMENSA CICLOVIA NATURAL Q NOS LEVA À CHÁCARA DO JOCKEY CLUB NA ERA Q ENGOLE A JÁ ERA DA PETRÓLEO.
 
Zé Celso
 
Véspera do Centenário de
Accuil Lína Bardi

VIVA!!!!!!!!!
 
SamPã Paraíso, 4 d dezembro Azul Sagitário de 2014
 
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Cacilda Becker, quando tiver suas cartas, suas entrevistas publicadas, será revelada ao Mundo. Pois sua importância não se refere somente ao Teatro Brasileiro; é UNIVERSAL. No TBC ela fez a melhor dramaturgia do Hemisfério Norte, mas, como João Gilberto na música, antropofagiou com uma interpretação absolutamente inédita, minimalista e original.  

Cacilda eletrificava suas personagens. Criava, como todo grande Artista, a partir da devoração de seu corpo feito de ossos, nervos, artérias à mostra. Era muito magrinha, mas tinha o que é mais precioso e necessário em sua Arte: as entranhas transparentes de seu Corpo Elétrico Quântico Aceso!

Seu Corpo-Vida dedicado todo à Arte Teatral fez dela também uma grande escritora de Teatro. Em seus escritos poderá se constatar uma nova sabedoria na arte da Atuação no Teatro. Ela, em sua escrita, contribui tanto (ou mais) pra esta Arte quanto Stanislavski, como Artaud – só que até no Brasil é desconhecido seu talento também literário.

Pena que parte de sua correspondência amorosa com Céli esteja proibida pelas duas famílias: a de Céli (na Itália, pelo filho do diretor, onde se encontram as cartas) e aqui no Brasil, por seu filho.

Portanto, não é um fenômeno da Cultura Brazyleira, exclusivamente, mas da Cultura Teatral Universal.
 
Escrevemos Marcelo Drummond e eu uma ODISSEIA, que chamam hoje de “série”; mas é mais que uma “série”: é realmente uma obra HOMÉRICA. Foram 900 páginas, em 1990. Mas somente a partir do fim do milênio começaram a ser encenadas: “Cacilda!” com Betti Coelho, Giulia Gam e Alleyona Cavali, hoje Leona Cavalli. Depois veio “Cacilda!! Estrela Brazyleira a Vagar” com a jovem gênio Ana Guilhermina. “Cacilda!!! Glória no TBC e 68 AquiAgora” e “Cacilda!!!! Fábrica de Cinema & Teatro” foram construídas com duas talentosíssimas Atrizes Cacíldicas: Sylvia Prado e Camila Mota. Estamos agora ensaiando a “Cacilda!!!!! A Rainha Decapitada” (cinco Exclamações), e em Cartaz com grande sucesso “Walmor y Cacilda 64: RoboGolpe”.

As exclamações que nomeiam as peças, além dos subtítulos, revelam a respiração ofegante, quase asmática de uma atuação extremamente ENTUSIASMADA – quer dizer “com o deus Dionísios DENTRO”, projetando seu intenso hálito libidinoso pro Espaço Universal. Acho que montamos no OficinaUzynaUzona 50% da ODISSEIA. Se a vida me permitir, quero montar toda, pois sinto que temos de passar pra todas as gerações que aqui estão – e pras que virão – o fenômeno fascinante que essa Atriz, Matriz, Astro deixou no rastro luminoso de sua passagem pela Terra.

Veio os 50 anos de Golpe de 64 e eu me lembrei (às vezes me esqueço o que tem dentro a ODISSEIA) que havia uma parte que se passava durante o Golpe Militar, onde Cacilda Becker, Maria Della Costa (quase toda Classe Teatral de SamPã) foram depor no DOPS em carros de luxo, vestidas com os grandes figurinistas internacionais da Época, como Dior etc., numa estratégia Política Absolutamente inédita, inesperada.  

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Na imundice que era o DOPS de SP, deram um Show de Elegância Pop, hipnotizando o Delegado com a Arte Teatral e conseguindo que os Teatros fechados pelo Golpe Militar fossem todos reabertos. Ela fazia com Walmor, no Teatro da Federação Paulista de Futebol que sua TCB (Teatro Cacilda Becker) ocupava, “Noites de Iguana”, de Tennessee Williams.  Walmor nesta época quis ir para Porto Alegre somar-se à resistência armada que Leonel Brizola iniciou no R.G.S. – e que foi logo abortada.

Nós fizemos Walmor Marcelo Drummond ser amarrado como a personagem de Williams, pra não se suicidar mergulhando no mar do Pacífico, no México, pra chegar na China. O Grande Ator Walmor, por sua Morte Trágica (suicidando-se como o herói de Tchekhov em “IVANOV”), a partir desta montagem está Intronizado no alto de Pé Direito da Cena do Teat(r)o Oficina, ao lado da  foto que Gringo Cardia nos deixou de Cacilda. Os dois foram os dois primeiros Grandes Trágicos do Teat(r)o Brazyleiro. “Walmor y Cacilda 64: RoboGolpe” faz tanto sucesso junto ao público que, programada pra sair antes da Copa, vai estar em cartaz até a noite de 29 de junho, a das Fogueiras de São Pedro Xangô do Terreiro Eletrônico. Vai enfrentar a Copa.

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Mas já estamos ensaiando “Cacilda!!!!! A Rainha Decapitada” ( com cinco exclamações) pra estrear dia 26 de julho .Estamos inspirados com um elenco mais reduzido, devido à grave situação econômica do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Então pegamos da ODISSEIA um trecho que passa por três peças importantes do TBC e filmes da Vera Cruz: “Seis personagens à procura de autor”, de Luigi Pirandello, “A Dama das Camélias”, de Alexandre Dumas, e “Antígone”, de Sófocles. Cacilda fundia sua vida com as peças que fazia; quando Adolfo Céli rompe a relação Paixão & Teatro que tinha com Cacilda, por apaixonar-se por Tônia quando dirige o filme “Tico Tico no Fubá”, na Vera Cruz, o TBC  divide-se então numa espécie de Guerra das 2 Rosas.

Aliás, estamos em busca desesperada da atriz que possa trazer a BELEZA E O TALENTO DE TÔNIA CARRERO enfrentando a RAINHA CACILDA.

Sempre que apanhamos um texto da Obra escrita em 1990, primeiro ouvimos a leitura com os atores atuais e vou antropofagiando as nossas próprias peças pra eletrificá-las ao nosso Tempo. Hoje, quando o Mundo vive uma Crise internacional que ameaça uma 3ª Guerra Mundial (agora não entre nações, mas com os próprios povos que nelas habitam e se rebelam contra o sistema internacional da ditadura financeira internacional que nos sufoca a todos, a favor da renda do Capital de 1% da População), as peças então incorporam o etherno presente.

No Brasil, agora, em plena Copa, a agitação social exige, como dizia Cacilda, que o TEATRO ENTRE EM CENA COM SEU VALOR INCOMENSURÁVEL E SEU PODER – nos dias de hoje imensamente desprezado pelos próprios grandes Atores e Atrizes brasileiras.

Dia 14 de junho, dois dias depois do início da Copa, estamos há 45 anos da morte de Cacilda. Mas sinto cada vez mais viva sua contribuição pro Teatro Mundial.

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A ODISSEIA foi imaginada antes por meu irmão Luiz Antônio Martinez Corrêa, assassinado no Natal de 1987. Quando fui internado com Erizipéla na Ala dos Indigentes na Santa Casa – estava apavorado achando que tinha AIDS –, fiz então uma promessa pra Luiz Antônio e pra Cacilda, de escrever a peça que ele tinha começado a imaginar e colocar a grande atriz – até transcendendo a Arte Teatral – como num desfile imenso de escola de Samba.

Tinha ganhado um computador brasileiro dado pelo saudoso Severo Gomes, que fabricava (então em 1990) computadores parecidos com máquinas de costura. Marcelo e eu partimos pra entrevistar os artistas vivos que tinham vivido a Era Cacilda Becker; juntamos todas as peças em que ela tinha atuado; Maria Tereza Vargas e Cleyde Yáconis nos passaram as inúmeras Cartas de Cacilda e até um Álbum de Capa Dura Cor de Vinho que sua mãe, Dona Alzira, havia criado com críticas, desde os sete anos, da estreia de Cacilda como dançarina nos palcos, com o cabelo da filha gênio em criança colado em uma das páginas. Enfim, um Álbum que somente esta mulher, também artista – Dona Alzira – poderia ter criado, já sabendo, desde que viu a filha dançar com a chuva com dois anos de idade, que Cacilda tinha engolido o Universo dentro de si e que era Gênio.

Nos passaram também o Super 8 de Cacilda – filmado por seu amiguinho de 16 anos Boris Kaufmanna – dançando com o Mar na Ilha do Papagaio, em Santos. Este belíssimo filme está no Arquivo das Grandes Dançarinas do Século XX no Centre Georges Pompidou, o BEAUBOURG: MUSEU DE ARTE MODERNA DE PARIS.

Com todo este material, escrevemos a ODISSEIA.

Teclando o texto eu ouvia a voz de Cacilda psicografando em mim. Foi muito estranho tudo, e a OBRA está sendo revelada na medida do impossível mesmo, pois requer elencos grandes. Mas é um aprendizado de atuação pra todos os artistas de muitas mídias que nela se aventuram.

Pra nós, já é a própria UNIVERSIDADE ANTROPÓFAGA em movimento, inspirada nesta Antropófaga Cacilda Becker.

Em vida, paradoxalmente, teve medo dos dois Shakespeares Dramaturgos Brazyleiros: Nelson Rodrigues e Oswald de Andrade. Oswald a admirava com fervor de quem ama uma Bacante Dionizíaca.

Vamos comemorar dia 14 de junho de 2014 ensaiando estes 45 anos que inicialmente produziram um COMA no Teatro Brasileiro; nós, depois que pusemos na Pista “Cacilda!”,  Ressuscitamos!


VIVA CACILDA BECKER