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Crítica Teatral do Teatro dos Patos – A maior manifestação de São Paulo!

Prêmio pela Eloqüência da Inexpressividade!

 

Manifestação nota Zero,

Inexpresiva,

sem ter o q dizer.

 

Só o boneco do Lula preso.

 

 

manifestacau av paulista 13mar16 by ae 02

foto: Agência Estado

 

 

O Pato

quem paga?

Você,  nariz d pato,

é o Pato em si.

 

Um Pato Amarelo d Plástico

é o Totem do rebanho

verde Amarelo

da Coréia do Norte do Brasil.

 

 

protesto contra dilma av paulista 13mar16 by  J_ DURAN MACHFEE ae

foto: J Duran Machfee / Agência Estado

 

 

O Xamã Marx Selvagem

Profetizou:

repetir a história

dá em Farsa.

 

O Cover é miserável diante da Pompa das Marchadeiras de 64,

d tão sem graça.

Uma farsa

onde a graça

é a total falta de graça.

Mas assim mesmo dá pra quase morrer, mesmo, de rir.

 

A Burrice encenada na falta de imaginação nas Avenidas do Brasil…

Mas nada se compara à gente feia da Avenida Paulista de Sam Pã

com as caras afirmando: sou burro sim.

Os  empregados bobos da globo

estavam presentes com seu público

com caras de celebridades pátrioeducadoras.

a globa é boba…

a globo eh boba…

 

Ai, q falta das  marchadeiras do tempo do LP!

 

 

Marcha da Família com Deus pela Liberdade

Mulheres com bandeira durante Marcha da Família com Deus pela Liberdade. (25.03.1964. Foto: Acervo UH/Folhapress. Negativo: 21492.64)

 

 

O Bando  conduzido por um Pato d plástico!

Qua! Qua! Quaka?

Será q isso é o q chamam d gente atoa?

 

O importante é fazer número!

– Ah! Eu amo ser um número d estatística!

 

O facismo conta cada um,

pra ser a demonstração numérica  maior q já houve

das Burrices em Festa!

 

Vou sair pra  comer um Pato ao Tucupy

no Restaurante Amazônia da 13 d maio, no Bixiga.

É o q vou  fazer chegando em Sam Pã

depois de ser atacado via globo,

à beira mar,

por este  Pato Plástico

q  nem dá pra comer – isso é com os canibais do plástico.

 

Q comédia!

 

A maior manif em Sampan foi Cover das da Coréia do Norte.

É do Faustaun, então!

Só q o garoto da própria Coreia do N.

é um gordinho sorridente,

y o Faustaun murchou d mau humor…

Cara fechada de bola murcha,

o auditório do Camarada Faustão,

é muito mais mecânico – ele devia ensinar o Ditadorzinho da Coréia do Norte!

 

 

ditador_coreia_do_norte

Kim Jong-il, ditador da Coréia do Norte. Foto de divulgação

 

Mas os operários da Coréia do Sul,

aqui em Cumbuco,

são os mesmos da do norte

com uma diferença: as Iracemas daqui estão comendo eles.

Elas são lindas.

Uma cultura nasce aqui.

Vocês, rebanho do pato,

vão pra Coréia do Norte!

Stou gragaiando Humor!

 

Viva os Palapatões

Or Not

to be

Enquanto Isso…

 

 

O  Corvo invocado nesta incarnação  foi promovido à Idiota.

Jesus.com.

Y esta histérica quer dar sua última cagada na historia do Brasil.

A bruxa quer ser a detonadora da Pauta Bomba  Final:

o impeachment,

o Golpe.

 

No q vai dar esta trágica farsa?

Quem souber, não deixe acontecer

 

 Estreia_Misterios_ Jennifer_Glass

 

No último sábado, 11 de dezembro de 2015, às 21h, o Teat(r)o Oficina participou da Programação da 1ª Jornada do Patrimônio em São Paulo, com a Encenação de Mistérios Gozósos, inspirado no Poema “O Santeiro do Mangue” de Oswald de Andrade .

A Secretaria da Cultura da Cidade de São Paulo, agora na gestão do arquiteto Nabil Bonduki, patrocinou o espetáculo.

Assim tivemos a Glória de receber uma Multidão de Graça pra conhecer, reconhecer o Espaço Tombado pelos 3 Órgãos de Proteção do Patrimônio do Brasil: IPHAN, COMPRESP y CONDEPHAT, em sua plena Ação Pulmonar d seus Ritos Teatrais .

Tão intensa, quanto muitas q os 54 anos do Teat(r)o Oficina tatuaram na História do Teatro Vivo Mundial. Toda a nova geração y eu mesmo, dos meus 78 anos, apreendi com o Público q lotava o Teat(r)o muito esta noite, sobretudo por ser um lance ligado à Jornada do Patrimônio, q depois de 21 anos ainda nos mostrou q podemos ir mais longe no Espaço q ocupamos.

Estou na Madrugada de véspera de um Ensaio da peça em Cartaz, em q vamos com toda a equipe multimídia plural do Elenco estudar o quanto podemos criar mais, nos Mistérios, depois desta noite.

Y tivemos a surpresa de uma extraordinária coincidência: Na mesma data, o Teatro Oficina foi considerado pelo Crítico de Arquitetura Rowan Moore, do The Observer/The Guardian, o melhor teatro do Mundo. Eu mesmo comuniquei ao Público esta notícia; os aplausos por este reconhecimento incendiaram novamente o TeAT(r)O Oficina.

Sei q é inimaginável pra muitos o Oficina estar à frente do Teatro Grego de Epidauro. Eu mesmo levei um susto. Como? O Oficina , na frente do Terreirão d Dionísios, o deus do Teatro?

Mas hoje, traduzindo o texto e Rowan pro brazileyro, entendi o q mais o impressionou: a intensidade, trazida por este espaço pela revolução no assistir Teatro, na visão da multiplicidade de perspectivas possíveis.

Há um verso q repetimos, cantando entre os vários quadros da peça:

Há um grande cansaço de explicar o mar…

A Dificuldade de, mais q nunca, nos dia d hoje, termos de explicar o inexplicável… q é o q é, o q esta sendo no Teat(r)o Oficina

Há 54 anos conseguimos, nós, tecno-artistas, manter vivo este lugar, com um inexplicável esforço, varando crises como esta dos dias y noites em q vivemos hoje.

Nessa noite, somada a esta notícia vindo do The Guardian, vislumbramos a possibilidade de pedir o Tombamento do Teat(r)o Oficina também pela UNESCO, visando o encontro de apoios do Poder Econômico, ou da Filantropia Internacional do Capitalismo, q numa atitude Perestroika, em sua decadência, nos possibilite um voo muito maior da Arte do Teatro no Brasil y no Mundo.

O Teat(r)o Oficina, seu Acervo Enorme Multimidias, até hoje trancafiado, y sua própria Ação Teatral noturna y diurna, em SamPã ou em qualquer lugar do mundo, pode trazer uma contribuição imensa pra transmutação dos valores q mantem o Mundo vivendo talvez a Crise mais Burra de sua História.

Pode até ser uma pretensão desmedida, mas tenho q clamar enquanto estamos vivos. Como, talvez, a imensa maioria dos seres vivos hoje no Planeta Vivo chamado Terra, estamos dando muito menos do q podemos dar, travados por “Preconceitos, Tabus…”, q, como disse Luiz Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança, na sua Última Entrevista ainda Vivo, “…têm Infernizado a trajetória da humanidade, até agora”.

Há um Tabú enorme em torno do Teat(r)o Oficina, q sufoca todos q, em cada geração, dão almas y corpos a esta transformação dos Tabus em Totens.

Há um grande cansaço em explicar o mar

Nesta mesma sessão de Mistérios Gozósos, um poeta, jornalista, crítico literário, dramaturgo com peças publicadas, q já escreveu sobre Augusto de Campos , publicou um livro chamado “A prova dos nove: alguma poesia moderna e a tarefa da alegria”, Professor do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp; sobretudo, um dos criadores da mais bela exposição q vi em minha vida, com fotos nos Ianomamis, de Viveiros de Castro, pois essa pessoa, logo depois de ter visto a peça, foi pro FaceBook y fez este comentário:

Minha ideia de pesadelo: ser submetido a uma peça de teatro que use, de forma canalha, as palavras e o nome do xamã yanomami Davi Kopenawa para defender o governo etnocida de Dilma Rousseff. Uma peça que minta para seu público que salvar a carreira política de Dilma é salvar a Amazônia. Uma peça que traga a voz e a cara de Jorge Mautner, garoto-propaganda daquele completo crime que é a hidrelétrica de Belo Monte, para propor Oswald de Andrade como o suposto criador de um “cristianismo do século XXI”. Uma peça que seja um tenebroso hino aos poderosos da vez, com o detalhe que seria irônico – se não fosse constrangedor – de ser patrocinada pela Petrobras, mas que acabe gritando, infantilmente, que “não tem arrego”. Ora, essa peça seria um arrego do início ao fim…Eduardo Sterzi

Este texto me chocou tanto, vindo de quem veio, pois Mistérios Gozósos, já em Oswald d Andrade, é um texto de muitas Vozes. Há uma belíssima tese com o nome de “CONTRAPONTO DE VOZES”: A BIOGRAFIA DE O SANTEIRO DO MANGUE, DE OSWALD DE ANDRADE, por
RENATO CORDEIRO GOMES, Professor de Literatura Brasileira (UERJ) e de Comunicação e Teatro (PUC-RJ), q aconselho a Eduardo ler.

Mas o q me impressiona mais é q a peça é uma Obra de Arte, não é um manifesto político. É difícil entender a cabeça de um ser humano com a formação de Eduardo, q nos chama de Canalhas, porque numa mesma peça, segundo ele,“usamos”o nome de Davi Kopenawa pra defender o governo etnicida de Dilma Rousseff”.

Há duas cenas no Poema de Oswald em q surge, na Roleta do Cassino do Comendador do Mangue, a personagem de Madame Bovary, feita magistralmente pela grande atriz Joana Medeiros.

A Primeira vez q aparece é em na “Oração do Mangue”, na mesma cena em q Davi Kopenawa é citado pela 1ª Vez, em q a Persongem de Madame aparece com o seguinte texto d Oswald: “Encontrei num Grande Hotel Lord Byron y Madame Bovary, y sobre eles erguido o Comendador do Mangue, erguido sobre o Mangue, tendo ideias” sobre a Crise, etc…

Na Cena a Personagem do Comendador do Mangue enraba Madame Bovary y Lord Byron, no alto da mais alta estrutura do Teat(r)o Oficina. A Personagem de Madame Bovary aparece copulando metaforicamente, com o Comendador, comprometida com Ele.

Já num quadro seguinte, Madame Bovary reaparece pra jogar no Cassino da Roleta Viciada q sempre termina de rodar no Vermelho 28, número q o Comendador sempre joga y ganha. No dia seguinte à instauração do Impeachment contra Dilma Roussef reescrevi esta cena, em q ficava explícita a situação do Impeachment, com todas as Personas envolvidas na inauguração – q chamei d Bolsacaro Infeliciano da Unha, concentradas numa Personagem criada pela grande atriz trans Wallace Ruy.

E depois, ainda, a pedido do ator mais jovem da Cia., inclui uma Cena sobre o “não arrego”.

Declaro aqui, como já assinei no Manifesto dos Artistas, q sou contra o Impeachment de Dilma. A Cena referida é uma Voz q não podia deixar de ser trazida em forma d Ópera de Carnaval. Em Madame Bovary, Joana Medeiros ainda trouxe as vozes tão faltantes de Darcy Ribeiro y de Lionel Brizola. O amado político antropólogo.

 Óbvio q sei da posição de Dilma diante da luta Indígena, d sua mentalidade desenvolvimentista, mas o q dizer das Personagens q querem seu Lugar? Vão ser muito melhor para os Índios q vivem no Brasil?

São Vozes q neste momento fazem parte da situação específica do País em q vivemos. Prefiro a liberdade d expressão e de investigação q rola no Brasil do q as ameaças dos q querem suceder Dilma.

Vivi a Tortura, o Exílio, na Ditadura y há um ano sei q vivemos sob a ditadura do Congresso mais asqueroso d toda a História do Brasil, responsáveis pela Crise Atual muito mais q Dilma, impedida de Governar.

No Teatro, nós, canalhas, não julgamos ninguém; a arte é livre do radicalismo político ideológico.

Me impressiona q justamente você, Eduardo Sterzi, com a cultura q tem, esteja tomado pela Cegueira do Fascismo Brasileiro do Ódio ao Bode Expiatório Dilma. Você, nos chamando de Canalhas, por sermos patrocinados pela Petrobras? Uai, você deve ter seu carrinho, eu não tenho. O belíssimo livro de Davi Kopenawa está editado em papel, pele arrancada da Floresta. Como Davi Kopenawa, também viajo d avião quando posso. Augusto de Campos recebeu título d Grande Poeta das mãos d Dilma. E é também contra o Impeachment.

Mas o q mais me surpreende é você estar tão cego q é incapaz de ler uma Obra de Arte d Teat(r)o: essa arte da própria contradição da alegria y tragédia, d estarmos vivos, além do bem y do mal.

Seu Ódio cheio de Juízo d Deus, tão estreito, tão burro mesmo… Assim você passa a fazer parte da onda d burrice q assola o Brasil.

Acorda cara, leia a crítica maravilhosa da peça feita pelo jovem crítico de teatro, o talentosíssimo Wellington de Andrade, da Revista Cult. (Leia aqui)

A Tua Voz, nos chamando d Canalhas, penso, vai ter q entrar nos Mistérios, pois deve haver muitos q estão tomados por esta onda d ódio policial em cima das Artes. Mas espero que você logo se liberte deste vodu.

Minha avó paterna é Índia. Eu uso sempre, mesmo na peça, um colar indígena.

Cultuo este meu DNA, como a parte mais amada d meu próprio corpo.

Na mesma noite q você viu a peça, uma jovem índia, Belíssima, veio me dar um abraço y um passe indígena, pra q minha pessoa não seja maltratada, como você faz comigo y com todxs do Oficina Uzyna Uzona

E concluo com:

E o mar q mais parece um caramujo sujo
Cor de chumbo
Plúmbeo
Há um grande cansaço em explicar o mar
Há um grande cansaço em explicar o mar
Há um grande cansaço em explicar
Há um grande cansaço
A Mar

Desejo q alguém leia este texto todo

Acho q vai ser pouca gente

Mas tinha q pôr tudo isso pra fora com tudo q sintomatizou em Cena este 12 d dezembro.

MERDA

“O Jovem que se vê mimado e honrado como um deus pelo seu Amante
tem despertada em sí a Necessidade de Amar
e se antes, os seus amigos ou outra pessoas,
denegriram este sentimento
afirmando ser vergonhoso um tal
Consórcio Amoroso
e se estes Conselhos,
o afastaram de seu Amante.
o Tempo passa,
a Necessidade de Amar e ser Amado,
levam-no de novo aos Braços do Amante.

Não é Designo do Destino q o malvado ame o malvado,
e q o Homem Virtuoso não possa ser Amado pelo Homem Virtuoso.

Quando o Amado, recebe o Amante
q desfrutou de sua doçura e do seu convívio
compreende q o Afeto de seus parentes e amigos,
em nada é comparável
a um Amante inspirado pelo Delírio.

Assim vivem
se vêem
se tocam
ora nos Estádios
ora em Outros Lugares .

Assim nasce esta emanação q ZEUS
quando Amou GANIMEDES,
chamou DESEJO.

Esse Desejo se insinua no Amante
e quando este se encontra cheio dele
transborda,
assim, como um ZÉFIRO (a  brisa suave, a do Jonnhy Alf, o vento  agradável, forte mas suave, de todos o mais benfazejo, o dos  Evoés Speaking Low q fazem os Papagaios Subirem.)

ou um SOM
refletido por um Corpo sólido e polido,
BELEZA
 entrando pelos Olhos,
através dos quais atingem a Alma,
o q é natural,
retorna a Alma ao Belo,
estende as Asas,
e molhando-as,
as torna capaz de gerar novas Asas,
inundando também de Amor ,
a Alma do Amado 

O Amado ama,
mas sem saber o que,
nem sabe ,
nem pode dizer o q acontece consigo
assim como um condenado a oftalmía (olhos inflamados)
desconhece a origem de seu Mal,
assim tambem o Amado,
viu-se a si mesmo no Espelho do Amante
sem dar por isso.

Na presença do Amado,
a Dor do Amante esvai-se
e o mesmo acontece
com o Amado na presença do Amante.

Quando o Outro está ausente,
o Amante sente Tristeza,
e da mesma forma a mesma Tristeza
sacode o Amado,
porque ele abriga  o “REFLEXO DO AMOR”
acreditando contudo, q se trata de Amizade
e não de Amor.

Embora com menor intensidade,
deseja aproximar-se do Amante
vê-lo,
tocá-lo,
acaricíá-lo,
deitar-se ao seu lado,
e assim, não  tardará de satisfazer seu Desejo.

Enquanto está a seu lado,
o corcel do Amante tem muita coisa a dizer ao Cocheiro .

Como recompensa de tantos sofrimentos,
ele apenas pede,
um instante de Prazer

O Corcel do Amado nada diz
sentindo  algo q ele não  compreende,
toma o Amante nos Braços
e Cobre-o dos mais Ternos Beijos.

Não tem forças para recusar o q o Amigo lhe pede.
Mas o bom  Corcel resiste em nome do Pudor e da Razão.

Se a melhor parte da Alma sai Vitoriosa,
e os conduz a uma vida bem ordenada e filosófica,
eles passarão  o resto de suas vidas Felizes em Harmonía,
sob o comando da Honestidade,
reprimindo a parte da Alma q é Viciosa,
e libertando a outra, a Virtuosa.

E ao morrer recebem Asas
e ficam leves,
pois venceram um combate verdadeiramente Olympico.

Mas
se se entregarem a uma vida comum ,
sem Filosofia
e contudo Honesta ,
poderá suceder q o Dois Corcéis Rebeldes,
assumam o  Comando
Num momento de Embriagues
ou de Descuido
os Cavalos Indomáveis dos dois Amantes ,
dominando suas Almas pela surpresa
os conduzirão ao mesmo fim:
eles se entregarão ao tipo de vida
a mais Invejável aos olhos do Vulgo,
e se atirarão aos Prazeres
satisfeitos , gozarão ainda  os mesmos Prazeres,
mas raramente,
porque esses mesmos Prazeres
não terão  a aprovação da Alma.

Terão uma Afeição q os Ligará,
mas q será sempre menos forte do q aquela q liga  os q verdadeiramente se Amam.

Acalmado o Delírio,
ainda Sonham estar Unidos
pelos mais Preciosos Compromissos

Crem q seria Sacrilego
desfazer essa União
e abrir seus Corações ao Ódio

Terminada a Experiência Terrena,
as Almas abandonam os seus Corpos,
encerrando com Recompensa o seu Delírio Amoroso.

 A Lei Divina , não  permite aliás
áqueles q iniciaram juntos sua jornada Cósmica Juntos,
caiam nas Trevas Subterrâneas.

 Passam uma vida Feliz e cheia de Ventura,
numa Etherna União,
e ao receberem Asas,
recebem-na juntos,
em virtude do Amor q os uniu na Terra .

 São essas coisas divinas , Rapaz
q te darão o Amor daquele q Ama com Paixão.

O Amor q não  tem Paixão,
daquele q apenas possui sabedoria mortal
e se apega aos bens do mundo
só gera na Alma do Amado
a Prudência do Escravo
a qual o vulgo dá  o nome de ”Virtude”,
mas q o fará vagar,
privado de Razão,
na Terra
e sob a Terra
durante 9.000 Anos.

É esta óh! Amor!
a mais bela e Maior  Retratação q posso te oferecer como expiação do meu Crime.

Se o meu discurso foi demais Poético,
 a culpa cabe a FEDRO,
q a isso me obrigou.

Perdoa-me todos os outros  discursos
e recebe este com indulgência:
lança sobre mim um olhar benevolente e Amigo,.

Não esmoreças em mim
esta ARTE de AMAR,
de que tu me fizeste o Dom.”

A MAIOR ARTISTA DA CRÍTICA DA ARTE DO TEATRO BRASILEIRO, MARIÂNGELA ALVES DE LIMA, ESTÁ SENDO DEMITIDA PELO “ESTADÃO”

RAZÕES DA ARTEFOBIA DO PUBLICOMARCADO DO MERCADO? OU O Q?

Achei muito estranho o fato do “Estadão” estar demitindo a maior crítica de Teatro do Brasil: Mariângela Alves de Lima.

Mais que amor à primeira vista, com Mariângela senti no nosso primeiro encontro, na cena, atuando em “Gracias Señor”, a comunhão de uma irmã animal, que buscava naqueles tempos de escuridão, a Luz onde quer que ela se encontrasse.

Aliás o etherno Luis Antônio Martinez Corrêa, Luix, como pronunciam os meus irmãos, e entre eles o arquiteto João Batista Martinez Corrêa, são como ela, cancerianos, buscando sempre esta Luz, que esta minha outra irmã, em seus territórios de ação, percebo neste instante que escrevo, busca.

Nosso esbarrão foi em 1972, no auge da repressão da Ditadura Militar, no Teatro, no Subterrâneo do Ruth Escobar.

Tinham acabado de arrancar os dentes dos ferros piramidais de “O Balcão”, de Vitor Garcia, e o arquiteto Lina Bo Bardi, criadora da Arquitetura Cênica de “Gracias Senõr”, ou “Revolição – Lição de Voltar a Querer”, foi comigo ver o espaço.

Lina pirou!

Não tinha mais poltronas! Nas paredes, tijolos quebrados, desvestidos da massa corrida, formavam uma caverna arruinada! Um paredão de pé-direito muito alto, pintado de negro, mas todo descascando!

Era exatamente o espaço cênico em que nós brasileiros, aquele ano, estávamos confinados, postos à força contra o Paredão sem saída de Fuga. Nossa geração nas prisões, torturados nos porões encobertos por cenografias fakes de muros que escondiam as Portas de Entrada no Inferno e nos sanatórios em que se lobotomizavam os dissidentes.

Lina imediatamente deslumbrada sacou: “Não precisa fazer nada. A Arquitetura Cênica do “Gracias Señor” é esta, é o que a peça chama de TeAto, não mexam em nada!”

Em cena topei com Mariângela, na parte além da Morte do desejo reprimido, na Barca de Serafim, no Sonho da União dos Corpos, na Orgya.

Senti que estava diante de uma sensitiva. Mariângela, uma jovem de 24 anos, estava em transe lúcido: tremia, tinha os olhos transbordantes d’águas e um vermelho vinho vibrava vivo em todo seu Corpo.

Não estranhei nada quando voltando do Exílio comecei a ler suas extraordinárias críticas no Estadão.

Lia a mesma sensitiva, com percepção aguçada do cerne do que via: do teatro em si ou não, de cada peça que observava.

Mariângela nunca julgou ou julga, nunca “prestou serviço” para os clientes do jornal, como todos os críticos da época, inclusive a Velha Senhora Bárbara Heliodora, a grande Empregada dos valores do Teatro pequeno burguês.

Mariângela ilumina com sua sabedoria sensível. Especifica o fenômeno teatral “em si”, interpreta o que tem à sua frente, ilumina o trabalho dos Artistas.

Depois de suas críticas os nossos trabalhos como que ganham a tão necessária percepção do outro, do artista, do público amante da Arte em si.

Próximo a ela antes estava Ian Michalski.

Ela retoma a tradição dos grandes críticos, como Décio de Almeida Prado, Sábato Magaldi, Paulo Francis, mas já sem a crença que o teatro brasileiro havia começado com Padre Anchieta.

Nunca foi fundamentalista do teatro Realista, de costumes. Não é fundamentalista do realismo das peças para a classe média. Tem a a paixão pela ressurreição do Teatro como Grande Arte.

Será que foi demitida por estas qualidades de ser independente, não empregada do jornal e de grande parte dos leitores deste?

Mariângela é uma das raras artistas da Crítica.

Ela, que foi ver todas as peças do Teatro Oficina Uzyna Uzona a partir de “Ham-let”, coisa que os críticos que fazem parte do júri do Prêmio Shell e da APCT, atualmente já não  fazem. Viramos agora fantasmas, para estas pequenas mediocridades instituídas.

Nenhum crítico desses escreve mais sobre nosso trabalho, reconhecido mundialmente para a ressurreição do Teatro.

Ela viu e vê tudo. O Estadão tem outro crítico, que revelou-se um puxa-saco da família Mesquita, querendo rebaixar o teatro antropofágico para exaltar a dramaturgia realista do  maravilhoso diretor da EAD, Alfredo Mesquita.

Na Folha de São Paulo Nelson de Sá, Sérgio Sálvia, Mario Vitor, que enobreceram lá a crítica, foram sucedidos por críticos empregadinhos do jornal, e sem cultura teatral nenhuma. Até a chegada do ótimo crítico Luis Fernando Ramos.

Destes críticos ficamos com ele e Mariângela na ativa nestes últimos anos decisivos, em que apareceram Companias muito fortes em Sampa. Nem dá pra citar nomes, é uma Florada. O Teatro vive um renascimento ignorado pelo mainstream do Teatro de Costumes, teatro pequeno burguês de auto-ajuda, boa consciência, careta.

Toda esta revolução subterrânea, que não sai nos grandes anúncios horrendos dos Guias, está sendo percebida pelo olhar vidente de Mariângela como pontos luminosos prestes a iluminarem juntos o Eterno Retorno do Poder do Teatro como Arte, em Sampa Paratodos! Percebeu até essa revolução numa peça do Teatro Comercial: a última peça dirigida por Monique Gardenberg. Mariângela fez uma crítica que me fez ver o que não pude ver por estar trabalhando nos mesmos dias. Vejo que ela vê a Beleza que pode brotar até no mainstream global.

A escrita de sua crítica de “Cacilda!” – lembro-me de quando lemos – parecia jorrar em cachoeiras infinitas sobre nós. Chorávamos rindo de Alegria e Beleza do texto. Se ela sente Arte, ela multiplica em mais Arte.

Interpreta em vez de julgar, que é o que o Artista faz. Por exemplo: nos revelou na sua crítica da “Macumba Urbana Antropófaga”, que já não somos mais vingativos como o jabuti, mas estamos em 2011 a acreditar nos sinais. Colhendo palavras do texto de Oswald fez perceber ao público e a nós mesmos os rumos atuais do Oficina Uzyna Uzona.

A maioria dos nossos espetáculos ela foi ver duas, ou até três vezes, antes de sair a crítica. A da “Macumba” saiu no último dia da peça. Mas valeu pelo brilho poético do que percebe como Arte.

Neste dia o Teatro Oficina, no início da Macumba, estava lotado do lado de dentro, e fora estavam 400 pessoas.

Nós tiramos a peça de cartaz para reensaiar “Bacantes”, que faz o Gran Finale do “Ano do Brasil na Bélgica’, em janeiro de 2012, mas vamos voltar depois do Carnaval, com a crítica de Mariângela abrindo alas para as novas temporadas da “Macumba”. Como ela sempre demora pra escrever a crítica de nossas macumbas, ficamos putos, muitas vezes, mas quando chega, entendemos.

O tempo dela não é o do rebanho.

Mariângela é a Crítica Artista, o João Gilberto da Crítica do Teatro Brasileiro. Só cria em seu tempo, não de encomenda. É vital para o “Estadão” dar epaço para esta Crítica Artista. Ela é como João. O que produz nas letras, no jornal, tem a mesma maravilha da visão divina do criador da batida da bossa nova.

Porque desperdiçar um ser desta dimensão?

Ela fora do jornal vai continuar escrevendo por ser mesmo uma compulsiva grande Crítica de Teatro, como Harold Bloom, Ian Kott. Mas e nós que estamos criando o teatro de que a mentalidade pequeno burguesa do rebanho tem medo, não entende, nem quer entender? Como ficamos sem Mariângela num jornal da importância do “Estadão”?

E como fica o “Estadão” sem uma Artista desta vitalidade?!

Será um sintoma desta época que tem medo da Arte, que só pensa no rebanho mercantil, que vai se drogar no Teatro pra ver de perto os artistas de TV? Que tem horror e ódio do Teatro que fazemos? Que dão bandeiras até de artefobia, de oficinofobia?

É um fato histórico no Teatro-Arte Brasileiro esta demissão de sua melhor Crítica. É mais que justo que seja revisto pela direção do jornal, ou assumido como uma submissão à  pressão da mediocridade burra do público consumidor do Mercado de produtos descartáveis.

Submissão aos moralistas, aos que não querem o Teatro que toque nos Tabus do Desejo de todos nós bichos humanos, sem importar a classe social. Aos que não querem abandonar os privilégios de sua Imagem, de seu Padrão. Aos que não querem transfigurar-se com a Arte Libertária do Teatro. Aos que mantêm os padrões de opressão ao bicho humano que sai do seu papel miserável na Sociedade de Espetáculo, em pleno desabamento.

Eu gosto muito das páginas do Caderno 2. Adoro os dois críticos de Cinema e o Quiroga me dá sempre toques necessários. O Loyola, o Jabor, o adorável Daniel Piza – apesar de nunca ter aparecido no Oficina e ter um certo preconceito comigo – e todo o “time” de craques como Antoninho Gonçalves, Roberto da Matta, João Ubaldo Ribeiro, Marcelo Rubens Paiva, Luis Fernando Veríssimo, Jota B Medeiros (muito importante, nosso aliado), Ubiratan Brasil. Gosto da importância ganha pela Música nas páginas, etc…etc…

Mas pergunto: porque fazer isto com o Teatro? Com a Arte Teatral ?

Ela está emergindo com muita força, vinda dos terremotos da Era Capitalista Liberal, que nunca soube apreciar esta Arte.

A Arte que Mariângela cultiva, como a música de João, vem vindo, com a Economia Verde, saltando os obstáculos de sua chegada com a rapidez da Internet.

“Estadão”, por Cacilda Becker! Não cometa esta injustiça contra as leis de Antígone, as leis transumanas que a Arte de Teatro há milênios cultiva para o não desaparecimento da espécie humana, em extinção na caretice do rebanho.

José Celso Martinez Corrêa

Regente dos Coros do Teatro Oficina Uzina Uzona em direção à Arte do Teatro de Estádio Oswald de Andrade.

Acompanhando um álbum de fotos que tirou na estreia da Macumba Antropófaga nos 50 anos do Teatro Oficina, em 16 de agosto, Jeff Anderson publicou um texto, que julga ser uma crítica do rito-espetáculo. Zé Celso decidiu replicar o texto. Esse blog publica primeiro o texto de Anderson, e logo em seguida, a réplica de Zé:

Texto de Anderson:

Criticar o Teatro Oficina é difícil pra caralho, ainda mais nesse contexto estéril sobre o qual sobrevivemos.
Todavia, tentarei. Faço isso, pois acredito que a crítica é o único dispositivo de transformação para se chegar ao ideal. Almejo o ideal. Essa é minha intenção. Mesmo correndo o risco.

████ A ESTÉTICA DA PRIMEIRA DÉCADA DO SÉCULO XXI NO BRASIL ESTÁ LONGE SER POLÍTICA OU LIBERTÁRIA. ELA É PRODUTO E CERCAMENTO.

Ontem (16/08) foi a abertura da exposição “De dentro e de fora” no MASP. Também foi a estreia da peça “Macumba antropófaga” no TEATRO OFICINA em comemoração aos seus 50 anos. Dois espaços de extrema relevância às artes no Brasil. Percorri os dois pontos, na mesma noite, em busca de elementos que demostrassem a transformação estética que o Brasil passeia neste inicio de novo século e, desde já, posso afirmar que:

Não há rupturas (revolução). 
Não há criação. 
Não há liberdade.

Antes de chegar ao TEATRO OFICINA paramos em uma encruzilhada. Entre as Ruas São Vicente e Santo Antônio. 
Enquanto tomávamos cerveja refletíamos sobre os signos que o caminho nos trouxera. Paramos naquele bar ao acaso. Nunca nenhum de nós havíamos parado ali. Bebemos o suficiente para ir de encontro à peça “macumba antropófaga”. 
Ao chegar ao teatro, o trabalho e a dança já estavam na Rua Abolição. Esperamos que o cortejo passasse por uma pequena portinha. Era a entrada para o tão famigerado terreno do Silvio Santos. Na porta, um mendigo dormia. Quase fora pisoteado pelos artistas e expectores de Zé Celso. Ao tentar passarmos pela mesma porta da esperança, dois seguranças – de terno e gravata – nos impediram a entrada. Era necessário ter a pulseira azul ao braço para participar da ANTROPOFAGIA, do ritual, da macumba. Era necessário ter a pulseira azul para assistir a uma peça de teatro. Assim compreendi e não lamentei absolutamente. Parti em direção a bilheteria e comprei meu ingresso – a pulseira azul. No valor é de R$ 10,00. Ao pagar não me deram a nota fiscal paulista. A nota fiscal paulista é dinheiro e eu – munícipe – sou restituído com o imposto de icms ao final do ano. É dinheiro. É meu dinheiro, é meu direito. 

Já não gostei. Entortei o bico. Comecei a entender.

Mexeram no meu bolso para me vender uma estética libertária, antropófaga.
Paradoxo. Incoerência.
Meu primeiro contato com o TEATRO OFICINA fora na peça OS SERTÕES (3x). Da qual, mesmo com o patrocínio da Petrobras, eu paguei. Foi a grande revolução de minha vida universitária. Nessa época estudava Morrin e a professora Lili nos pediu para fazer um trabalho de campo do qual trouxesse a transgressão como elemento. Eu narrei a cena do dinheiro saindo pelo anus do Zé Celso.

Depois nunca mais voltei. Estudava outras coisas. Vivia outras coisas. A realidade me bateu a porta e as falácias foram caindo como folha velha. 

Até que ontem combinei de ir aos dois lugares – extremos – em uma mesma noite: MASP e TEATRO OFICINA.
Era necessário tirar o encantamento que trazia aos olhos sobre todos e qualquer coisa. O desencantamento. E assim o fiz. 

Continuei coletando. 

Era a estreia da peça “Macumba Antropófaga” que comemora 50 anos do TEATRO OFICINA.

Assim que entramos. Fomos direto para a construção geodésica – ou oca – que fora feita no terreno. Fogos de artifício. Muitos artifícios. Pouco tempo depois estávamos dentro do Teatro e a nudez prevalecia. Assim, como todas as outras vezes. 
A pobreza estética começava ali. O jogo sinuoso entre capital e estética era o que estava por ser desmistificado. De belo, somete os corpos. Clichês. Muitos clichês. De reprodução em cena do quadro de Jacques-Louis David em auto coroação de Napoleão, ou ainda na presença física de Amy Winehouse. Rimas de classe média tambem faziam parte da composição. Assuntos rotineiros. Espetadas na politica Obama. A velha critica a Igreja Católica. A com a. E com e. B com b. Em alguns momentos lembrava-me Luan Santana, por mais que a tentativa fosse intelectualizar a letra. Em outros momentos tive sono, mesmo com tanto barulho. 
Ideia não existia. 
Não existe ideia.
Se existe ela é a antropofagia de cuja autoria é de Oswald de Andrade.
Para realizar essa peça o TEATRO OFICINA deveria pagar direitos autorais por se apropriar de tudo. Se isso acontecesse não seria antropofagia. 
O que nos fora apresentado era um Bricoler porco, ou se preferir, Antropofagia de seguidores de Zé Celso. Discurso requentado. Tirado da cova. Há uma grande confusão de entendimento da estética Dionisíaca. Dionísio nunca foi vulgar. Dionísio, antes de tudo era Deus.

A apropriação do signo macumba e antropofagia era o que estava sendo vendido aos espectadores. Tudo com muita seriedade. Eu via pessoas extasiadas com a encenação. Atores e publico. Eles criam terem vivido um trabalho ritualisco, mesmo tendo pago para assistir a uma peça, pela pulseira azul. A estética atingia os sentidos de todos. Catarse. Confusão de entendimentos. Mistificação. 
Confundiram tudo e manipularam o que conseguiram. Tudo para um fim: a sobrevivência. 
Estávamos ali vendo e ouvindo velhas ideias que não deram certo. Ou melhor, deram. Deram certo em seu momento histórico. Faziam sentido a quem as inventou e no contexto social em que viviam: chegadas de imigrantes, reformulação constitucional do Brasil, reforma estética nacional, guerras além mar. Sobretudo a chegada de imigrantes ao Brasil que tão bem foi trabalhada pelo professor Sérgio em Raízes do Brasil. 

O desencantamento aconteceu.

O que estava sendo vendido ali era a estética da liberdade. Da liberdade deles. De quem participa, de quem é dono do capital simbólico e imobiliário do TEATRO OFICINA. Uma minoria. Alguns tem salários, outros não. Alguns ganham, outros colaboram.
Eu me senti enganado por ele – Zé Celso. Porque a liberdade tem que ser para todos. Não é possível criar artifícios para sustentar a liberdade de um pequeno grupo. A liberdade de um pequeno grupo é a supressão da maioria. Isso chama-se aristocracia, ainda que na área cultural. Mas tudo é tão bem feito. Tão arquitetado que demorou mais de cinco anos para que eu pudesse perceber. 
É com tanta naturalidade que eles se apropriam e encenam um ritual religioso – MACUMBA – para centenas de pessoas que me pergunto onde está a legitimidade disso tudo?
O jogo simbólico do qual o TEATRO AFICINA trabalha é extremamente complexo. Ele se sustenta a partir da resistência. Tenta propagar o popular. Mas conhece bem o mecanismo Capital.
Eu me revolto com o TEATRO OFICINA pelas pessoas que continuam a propagar tal estética falaciosa. Eu me revolto com o TEATRO OFICINA por ter me iludido. Eu me revolto com o TEATRO OFICINA por ter sido ele o nó górdio que enublava minha compreensão. Eu me revolto com o TEATRO OFICINA por não ter me ensinado que não há LIBERDADE do corpo sem emancipação econômica. 
Até mesmo para tirar a roupa, custa.
ANTROPOFAGIA DE CÚ É ROLA
_Jeff Anderson


Réplica de Zé Celso:

É MUITO FÁCIL SER PUTA ARREPENDIDA

Pois você acredita em Ideal, Ideias, para se chegar a um lugar que não existe: O IDEAL. E messianicamente, sem ter ouvido nada do que viu. E ainda reafirma heroicamente “Almejo o ideal”.
Não precisa nem temer o risco porque você cristão do rebanho, já se entregou. Pelo teu texto eu vejo a personagem, de que nem sei o nome. O que me chegou não trazia assinatura.

“Essa é minha intenção. Mesmo correndo o risco.”

Bom, é uma tese acadêmica, que pode fazer sucesso na USP, mas na Universidade Antropófaga você vai ter que ralar muito pra se descabaçar. Vai ter, como dizia Cacilda Becker, que chupar muita caceta.

Mas vamos lá:

“A ESTÉTICA DA PRIMEIRA DÉCADA DO SÉCULO XXI NO BRASIL ESTÁ LONGE SER POLÍTICA OU LIBERTÁRIA. ELA É PRODUTO E CERCAMENTO”

Não é uma Vitória Política da Cultura neste 2011 a conquista deste belíssimo terreno, depois de uma Guerra de 30 anos com o maior poder do mundo contemporâneo, o CAPITAL VIDEO FINACEIRO, para se plantar o Urbanismo Cultural do “AnhangaBaú da Feliz Cidade?”

A mesquinharia que você nos atribui na palavra “famigerado terreno” mostra que você é autista. Foi ao TEATRO OFICINA e não sacou nada. Neste “famigerado” você revela que realmente não sabe que não há LIBERDADE do corpo sem emancipação econômica.

Você sabe que significado tem para o Teatro no mundo um TEATRO DE ESTÁDIO DE 5.000 LUGARES?

O Meio de Produção do Teatro é a Terra. O Terreno onde plantamos nossas Árvores de Arte Teatral.

Você tem toda razão quando revela que na porta, um mendigo dormia. “Quase fora pisoteado pelos artistas e expectores de Zé Celso.”

Eu trabalho para que haja dança perceptiva dos aqui-agora, delicadeza e contracenação com tudo, principalmente com os mendigos do Bairro. Nós fazemos questão de passar pela rua São Domingos, exatamente para termos a contracenação que pode dar início a um trablaho com os mendigos, craqueiros, moradores de rua daquele lugar.

Mas nem os artistas e expectores, são de, pertencem a mim Zé Celso.

A ansiedade e tensão de uma 1ª vez, de uma estreia, sempre deixam tanto o público como os atuadores tensos. Um 1º encontro de jovens que estão estreando no Teatro diante da Multidão. Claro que a “Macumba” vai evoluir e ganhar a dimensão do Sagrado que é o que mais importa.

A mesma personagem que diz que não aprendeu no Oficina que sem emancipação econômica não há liberdade do Corpo, em sua tese se queixa por que “dois seguranças – de terno e gravata – nos impediram a entrada. Era necessário o ter a pulseira azul ao braço para participar da ANTROPOFAGIA, do ritual, da macumba.”

De que vive um Teatro? “Não me peça para dar a única coisa que tenho para vender”, afirmava sabiamente Cacilda Becker. A Bilheteria, como na Putaria, na Pirataria, na Droga, no Comércio, é Cash. No Teatro a Bilheteria é Sagrada, ainda mais na MACUMBA onde o dinheiro é uma exigência Litúrgica. E você nobre acadêmico, ainda pagou somente 10 reais, que foi o preço a que pudemos chegar apara os amigos do Oficina.

Nós somos uma Associação Cultural, com atividade econômica mas sem fins lucrativos, logo, “Pequeno Burguês”, não lhe deram a nota fiscal paulista. Esta fala é digna mesmo de uma personagem Pequeno Burguesa, é Linda:

“A nota fiscal paulista é dinheiro e eu – munícipe – sou restituído com o imposto de icms ao final do ano. É dinheiro. É meu dinheiro, é meu direito.
Já não gostei. Entortei o bico. Comecei a entender.

Mexeram no meu bolso para me vender uma estética libertária, antropófaga.
Paradoxo. Incoerência.”

Será que você viu alguma coisa da cena da oca? Sentiu o cheiro do Absinto? Entrou implicando com os fogos de Artificio?! O Teatro é o lugar de uma Arte que joga com o Artificial. Eram belos os foguetes, muito dentro do ritmo das cenas que você pequeno burguês não acompanhava por que estava com a cabeça cheia de minhoca. Você nunca deve ter lido o “MANIFESTO ANTROPÓFAGO”, senão iria saber do grande momento da história mundial em que os habitantes vestidos do Hemisfério Norte, topam com os Índios do Brasil, pelados e percebem que somos todos “bichos humanos iguais”. Quisemos montar estas cenas escritas em 1928 para revelar a origem Estética da beleza deste figurino REVOLUCIONÁRIO: A NUDEZ. A mesma que temos nos momentos de um Banho, de fazer a grandeza do amor, de procriar, de nascer de uma boceta nua, nús no mundo!

A partir daí sua cabecinha cabaça somente passa a assistir “clichês”, sem perceber que na exaltação deles, “CLICHÊS”, vamos desmanchando-os. Você nem sabe perceber a importância de Napoleão Auto Coroado, como as Bacantes fazem auto-coroando-se de Hera.

É uma honra chegar ao brega de Luan Santana, não temos intenção nenhuma de intelectualizar a letra, aliás é assim na maioria dos poemas de um dos maiores Poetas do Mundo: Oswald de Andrade.

Claro que não existem ideias. Você não deve ter ouvido isto, nas palavras literais de Oswald:

“CORO
Somos
concretos.
Ideias
tomam conta,
reagem,
queimam gente na praça pública.

(BREQUE)

Suprimemos
as Ideias
e outras paralisias.”

Apreenda um pouco com estas falas de “O Homem e o Cavalo”, do mesmo OA:

“O EMPREGADO DA GARE
(…)Velho Idealista, acreditas ainda que as invencões são obras de um só homem? Não vês como delas a humanidade se apropriou serenamente? Quem inventou o Fogo?

ICAR
Foi Prometeu

O EMPREGADO DA GARE
Vives de mitos, não sabes que o inventor é o que acrescenta a última pedra no edifício, experimentado antes por vários trabalhadores anônimos sacrificados?”

Vossa Ignorância brilha:

“Se existe (uma Ideia) ela é a antropofagia de cuja autoria é de Oswald de Andrade.”

A Antropofagia Oswald revelou quando descobriu o elo perdido com os Índios Antropófagos, não só do Brasil mas do Mundo Inteiro, tanto que hoje é o assunto que mais interessa as Universidades do Mundo Inteiro. Oswald é o unico Fileosofo Original brasileiro, por ter redescoberto esta prática de devoração e mistura que é a própia prática do povão Macunaíma brasileiro:
“Só me interessa o que não é meu. Só a Antropofagia nos Une.”

Claro que ela se apropria de tudo que está aí. Neste asssunto você é pré-Modernista e pré-antropofago. Com essa tua couraça você não foi capaz de ouvir os conteúdos dos cantos de Oswald. Aconselho você a ler Oswald, ler os que o estudaram, se é que é pelo cérebro acadêmico que você vê o mundo. Um Acadêmico não pode ser igmorante a este ponto.

Sai dessa:

“Dionísio nunca foi vulgar. Dionísio, antes de tudo era Deus.”



1º não se escreve com maiúscula o nome do deus Dionísio. Você não tem percepção de si mesmo para sacar que está dando um Show de Vulgaridade. Mas eu não tenho nada contra a vulgaridade quando é bela e inteligente. A Tua é cafona, brega, previsível. Respondo porque tenho prazer em te vomitar.

“Apropriação do signo macumba e antropofagia era o que estava sendo vendido aos espectadores.”

Só acredito no artista que se apropria, incorpora o que recebe. Como você percebe nós estamos nas antípodas dos valores.

O que vendemos é mesmo Estética e Liberdade. Como putas. Eu invejava o tempo em que a carteira profissional dos Atores e Atrizes era igual a das Putas, por isso não tenho até hoje DRT.

Qual é o capital imobiliário que o Teatro Oficina tem? Somos posseiros das terras em que criamos o Oficina. O terreno pertence à Secretaria da Cultura, mas nós o cultivamos há mais de 50 anos. A Economia interna do Oficina Uzyna Uzona é Auto Gerida. Claro que quando há dinheiro os mais antigos, e que deram a vida, ganham pelo menos como os salários dos artistas mais experientes, e os que nunca fizeram teatro ganham, além do aprendizado gratuito, o poder de ter bolsas.

Trabalhamos todo o 1º Semestre deste ano exclusivamente com o cachê de Paraty, acho que de 25.000 reais. Nem os mais antigos, nem ninguém, recebeu nada, a não ser este cachê. Somos uma Associação de Artistas, mas é óbvio que quando recebermos Patrocínios e a Sagrada Bilheteria, poderemos pagar todos muito bem, como aconteceu o ano passado quando fomos subvencionados pelo MINC e PETROBRAS.

Você quer que sejamos um Albergue, um Banco, o que? Somos uma Cia de Teatro.

“Não é possível criar artifícios para sustentar a liberdade de um pequeno grupo.”:

A liberdade conquistada por um um pequeno grupo é o incentivo para todos os grupos que batalham em coletivos como nós. O teatro é uma arte aristocrática, nosso rei é Momo, e praticamos a MomoArquia.

Desde quando o Oficina se sustenta a partir da resistência? Tenho horror a esta palavra. Nós, diante dos obstáculos, RE-EXISTIMOS, NOS REINVENTAMOS. JAMAIS RESISTIMOS. Quanto ao mecanismo do Capital queria conhecer mais, infelizmente sou muito ignorante nesta área, tanto que estou assitindo a versão cinematográfica do Livro “O CAPITAL”, de Marx, do cineasta Alexander Kluge, para saber mais.

Aí vem um Gran Finale de Ressentimentos e revoltas clássicas do sistema do Teatro do Oprimido:

CANTO DA PUTA ARREPENDIDA
“Eu me revolto com o TEATRO OFICINA pelas pessoas que continuam a propagar tal estética falaciosa.
Eu me revolto com o TEATRO OFICINA por ter me iludido.
Eu me revolto com o TEATRO OFICINA por ter sido ele o nó górdio que enublava minha compreensão.
Eu me revolto com o TEATRO OFICINA por não ter me ensinado que não há LIBERDADE do corpo sem emancipação econômica. Até mesmo para tirar a roupa, custa.
ANTROPOFAGIA DE CÚ É ROLA”

Adoro Cú, Rola, e caia de joelhos por eu ter te dado o presente desta réplica.

É que, como você é novo adepto da OFICINOFOBIA, sei que, através deste texto, estou falando com muitos Grupos de Ódio ao mesmo tempo.

Tenho me divertido muito com eles no meu Blog.

Só lamento a IGNORÂNCIA TOTAL DAS COISAS e tento dar minha CONTRIBUIÇÃO PARA TODOS ESTES VELHOS ENGANOS

AMO A INTELIGÊNCIA E A ARTE TEATRAL