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Terceira parte da carta aberta a Presidente do Condephaat, Ana Duarte Lanna, respondendo a seu texto apresentado em 9/9/2013 ao órgão que preside, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo que, em maio deste ano, autorizou a construção de duas torres residenciais ao lado do Teatro Oficina, tombado por este mesmo órgão em 1982.

A primeira e a segunda partes da carta já estão publicadas nesse blog. Amanhã será publicada a quarta e última parte.

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Porque Teat(r)o e nunca Teatro?
Sabe porque colocamos em parênteses o “r” do Teat(r)o?
Porque em 1970, no momento em que a repressão impunha a mensagem à força da Tortura e do Inferno Publicitário do “Ame-o ou Deixe-o”, as pessoas estavam sob o impacto violento que o AI-5 impunha ao querer dos brazyleiros. Nos trancamos todos por um mês no Oficina e começamos a tentar descobrir um meio de sair daquela repressão que nos deprimia e nos deixava descrentes. Criamos com nosso Corpo a Lição de Voltar a Querer – a Re-Volição – através do Te-Ato (de Ação) que é o existir fora da representação. Passavamos semanas sem nos falar somente nos comunicando por ações. Nesta época as pessoas não podiam mesmo falar nada, era tempo do “tá legal?”, “estou na minha”, “corta essa” – nem isso falávamos, e fomos descobrindo a energia poderosa do silêncio. Poderíamos nos comunicar com as pessoas simplesmente transmitindo as vibrações de nossos Corpos em Ação, nossos olhares e emanações de nossas eletricidades. Criamos então o Gracias Señor em Te-Ato, quase sem palavras – estávamos contra o Paredão, como o Beco Sem Saída do Oficina. Viajamos o Brasil levando nas capitais “Os Pequenos Burguêses” de Gorki, “O Rei da Vela” de Oswald de Andrade e “Galileu Galiei” de Brecht. Nos embrenhávamos no mato depois de nos apresentarmos nas capitais, penetrávamos os Sertões do Nordeste já pagando com as bilheterias das capitais as pesquisas de Te-Ato que começamos publicamente em Brasília, no Campus da UNB totalmente vigiado por um almirante da Marinha, reitor da Universidade.
Criamos a partir do que observávamos em caminhadas silenciosas pelo Campus com nossas ações ligadas ao que apreendíamos de mais decisivo vitalmente pra aquele momento em que a Universidade era um Campo de Concentração. De lá partimos para o Nordeste até Manaus fazendo, nos momentos comprados com nossos clássicos, ações ligadas ao campo – aos “Sertões” e íamos passando como Conselheiro e os Conselheiristas: mudos, construindo pontes, ligações entre as casas com, por exemplo: Colchas de Retalhos que fabricavam pra vender no Sul e que eram rivais na disputa do mercado. Com pedaços de tecidos de cada casa, sem dizer uma palavra, emendávamos os panos de rivais e fomos formando uma grande caminhada até formar com todos os habitantes um enorme tecido. É difícil dizer o que eram os Te-Atos naquele contexto. Mas é o que acontece, por exemplo, em “Cacilda !!!”, que está em cartaz no Oficina, com uma das 3 atrizes que fazem Cacilda – a Sylvia Prado, que tem um bebê de 7 meses. Se ele chora, ela apanha o filhinho, dá de mamar e continua atuando mas interpretando, incorporando as ações da personagem às novas interpretações que nascem na hora que ela deve dar de mamar. Sem dizer, sem explicar nada, somente incorporando essa circunstância às da personagem. Então são estes os “aspectos essenciais da trajetória recente do teatro brasileiro e paulista e do peso que ele teve…”. Não! Não se trata do passado. Corrija este seu novo equívoco Ana Lanna e troque por o “que ele tem de atual hoje, em 2013, em nossa Vida Cultural”. Não o “das representações que uma parcela da sociedade fez dela toda” como você escreve. Não como num “Museu Histórico” mas com poucas representações e muitas presentações. Quer dizer: muito Te-Ato ou mais precisamente “Teat(r)os” – com ações vitais dos aqui agora de cada instante.

Nós continuamos a influenciar até hoje o Teatro no Brasil e no Mundo. Isso não ficou no passado, ou melhor, é passado futuro presente.

Vocês deviam ver nossas peças para nos entender.

Produzimos DVD’s profissionais e transmitimos pela internet, com legendas em inglês, todos os nossos espetáculos e trabalhos, como foi o encontro com você na USP e a “Audiência Publica” do dia 5/9 em que se percebe, nos vídeos e nas fotos, que você e o Secretário de Cultura estão, mas não estão “presentes”, não estão ouvindo ninguém, paranóicos, achando que todos estão contra vocês. Basta ver suas caras nas inúmeras fotos vindas de muitos fotógrafos que nos enviam.

Essas gravações e transmissões diretas revelam o Te-Ato através de nossos Corpos, nossas posturas. No Teato não existe somente a palavra falada – está mais presente do que nunca no Corpo Presente, em seus Silêncios ou na falta de atenção, concentração, ligação. Tudo isso é muito teatalmente visível. Nos anos 60 a Polícia Federal publicou matéria paga nos jornais com o título:

“Como Eles Agem”

Escreveram que nós tínhamos sido treinados por hipnotismo por comunistas chineses, pois não compreendiam como o público chegava a atuar conosco sem que pronunciássemos uma palavra.

“O tombamento do Teatro Oficina pelo Condephaat não se refere ao valor arquitetônico do edifício”.

Tem razão, pois o edifício que hoje abriga as atividades da Companhia Teat(r)al não existia em 1982. Existia sim, o projeto, que continua a existir, hoje realizado em parte. É este projeto que precisa da complementação no entorno do bem tombado. Agora o Condephaat está ameaçando querer destruir mais o projeto total de Lina e do Oficina Uzyna Uzona.

“A desapropriação do Teatro Oficina, ato diverso do tombamento, ocorreu em 1984 e em nada alterou a resolução de tombamento do Condephaat. Alterou apenas o proprietário do imóvel, que agora é o Estado de São Paulo.”

Sei que você Ana entende o “Teatro Oficina” como uma Propriedade e trabalha Stalinisticamente para as Propriedade do Estado, não para os que cultivam o Local.

Você por acaso já leu a peça de Brecht “Circulo de Giz Caucasiano”?

Esta peça clarifica que as crianças, como a Terra, pertencem não aos seus proprietários, mas a quem as cultivam.

O Oficina cria esse pomar, que são as Obras Primas, os frutos maravilhosos do Oficina Uzyna Uzona.

Não foi mesmo o Estado que criou, nem mesmo quem manteve estes anos todos este local, foram os Tecno-Artistas e o Público, que continuaram, principalmente o enorme Público sempre jovem, que ainda não aburguesou-se e ocupa sempre o Oficina e agora seu Entorno.

Você escreve “Não há nenhum processo ou solicitação junto ao Condephaat para eventual alteração da resolução de tombamento”.

Mas este destombamento foi feito na moita, não nos foi informado.

Você afirma:

1. Não cabe ao Condephaat pronunciar-se sobre possibilidade de desapropriação do terreno vizinho ao Teatro Oficina (processo 57791/2008) . Tratar-se-ia de atribuição de outras instâncias de governo e não do órgão de preservação do patrimônio. 

Mas este Orgão, se tivesse a mínima noção do que lhe cabe ou não, estaria participando, como recomenda o Tombamento pelo Iphan, defendido por Jurema Machado na conclusão de seu parecer, da busca de uma solução para a destinação do terreno envoltório a Cultura. O texto de Jurema:

Considerando o Parecer da Relatora e após discussão do Conselho, foi a seguinte a decisão final: 

Pela inscrição do Teatro Oficina no Livro de Tombo Histórico e no Livro de Tombo das Belas Artes.

Pela re-avaliação posterior, pelo IPHAN, da delimitação do entorno, tendo em vista tratar-se de bem a ser inscrito também no Livro de Belas Artes e não exclusivamente no Livro Histórico.

Pela manifestação, ao Ministro da Cultura, de que o Ministério e o governo federal identifiquem mecanismos que viabilizem a destinação do terreno contiguo ao Teatro Oficina para um equipamento cultural de uso público, utilizando mecanismos tais como a aquisição, a desapropriação ou a conjugação destes com instrumentos urbanísticos a serem identificados em cooperação com o Município e com o Estado de São Paulo. 

2. o projeto substitutivo apresentado pela SISAN em 2008 (processo 53330/2006) , referente a construção de torres no terreno situado a Rua Jaceguai nº 530 pode ser aprovado, do ponto de vista das restrições estabelecidas pelo tombamento, condicionado à apresentação prévia do projeto de servidão”.

Isto é, traduzindo em miúdos, realmente: 1m e 80cm – um muro fazendo desaparecer a paisagem do Janelão; o corte da Árvore Sagrada do Terreiro: a Cesalpina, que não sobrevive nesse corredor de prisão – e ainda o fechamento da perspectiva da fachada mais bela na obra de Lina Bardi e Edson Elito – a do lado da Rua Abolição, que hoje revela a beleza ímpar do edifício. E o pior de tudo, a extinção da contribuição milionária da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona para SamPã, Brasil e Mundo: a Arte Teatal, enfim.

3. Esse item é risível diante do tamanho da Destruição:

 “A empreendedora deve transferir, em caráter permanente e irrevogável, uma faixa de 1, 80 cm de largura em todo o comprimento do lote de forma a instituir uma servidão de passagem para a construção de adequada rota de fuga e proteção a incêndio, para uso do teatro.”

Que magnanimidade de generosa hipocrisia !!!

O projeto apresentado pelo proprietário do terreno já foi aprovado pelo Compresp em 2009, na gestão de Kassab, mas a atual gestão do Prefeito Fernando Haddad, do secretário Juca Ferreira e do Compresp de Nádia Somekh programa tombar de fato todo o Bairro do Bixiga.

Vai haver conflito entre estas visões do Governo Alckmin e sua intimidade com a Especulação Finaceira revelada descaradamente pelo Condephaat.

“Por fim, cabe lembrar que o Estado de São Paulo desapropriou o bem tombado de forma a viabilizar as atividades do Teat(r)o Oficina. Desde então responsabilizou-se pelo bem tombado.”

Minha cara Fonte de Argumentos, somente nas gestões dos Secretários com Cultura, como Ricardo Othake, que concluiu parte do projeto de Lina Bardi e Edson Elito e estabeleceu um convênio com o Teat(r)o Oficina para mantê-lo, exigindo que fizéssemos uma peça por ano que a Secretaria de Cultura bancaria. Este convênio foi considerado inválido na gestão nefasta de Marcos Mendonça, o burocrataço que hoje está no poder na TV Cultura.

Tivemos ainda a gestão ótima de Fernando de Moraes que começou a encaminhar a construção do Terreiro Eletrônico, que agora completa 20 anos, iniciado no Governo Quércia.
Fernando cercou-se não de burocratas nomeados pelo Estado, mas de grandes artistas de SamPã como Mário Prata, Lélia Abramo, Marisa Orth no Teatro; Tadeu Jungle na área do vídeo; Arrigo Barnabé na área da Música.

Nesta gestão ganhei o prêmio máximo de dramaturgia com minha peça Cacilda !-!!-!!!-!!!! exclamações – uma Teatralogia em torno de Cacilda Becker – que já está em sua terceira exclamação e vai comemorar os 20 anos deste Terreiro Eletrôniko no dia 3 de outubro de 2013.

A gestão do cineasta João Batista de Andrade na Secretaria da Cultura e Cláudio Lembo – em seu breve governo interino – encaminhou uma proposta ao Legislativo de ocupação por 99 anos na Rua Jaceguay 520 para a Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona.

E mesmo a rápida gestão de Andrea Matarazzo tentou abrir o caminho totalmente fechado nesta Secretaria de Cultura – porque acham que somos do PT. Artista não é de partido nenhum, ponham isso na cabeça, por amor aos fatos!

A Paupérrima Permissão de Uso a Título Precário para a Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona
Sempre me recusei a assinar esta permissão. Óbvio que não assino mesmo. Todos os Tombamentos: o Municipal, o Estadual, o Federal pelo IPHAN, a desapropriação pelo Governo do Estado, todas estas medidas jurídicas foram tomadas para que continuássemos como Companhia Permanente ocupando o Oficina. Desde que fizemos 25 anos, quando ainda não estávamos ameaçados pelo Mega Grupo SS, fomos nós que fizemos o nome do Teatro, que lá produzimos nossas consagradas Obras Primas. Como é que vou assinar a permissão de uso de um lugar onde estamos há mais de 50 anos?

Não somos culpados da mediocridade do Departamento Jurídico e dos Secretários de Cultura do PSDB do interior de SP não criarem instrumentos júrídicos à altura dos Tombamentos e da desapropriação decretados para assegurar a continuidade de nosso trabalho de criação e garantir que não fossêmos destruídos, como se pretende agora, pela especulação burocrática atual do Condephaat somada à Especulação Imobiliária!

Ainda por cima, na gestão Mendonça, queriam que aceitássemos funcionários públicos como os do Teatro Sérgio Cardoso de então, nas áreas de luz, som, maquinistas em que o Estado pagaria salários baixíssimos e que teriam horário pra trabalhar como “funcionários”.

Ora, não aceitamos.

Não somos uma casa de exibição de Teatro como o Teatro Sérgio Cardoso. A Jaceguay 520 é um Lugar de criação, de produção e também exibição do que criamos. Nossa equipe trabalha com pessoas apaixonadas pelo Teat(r)o, como sócios e somos uma Associação auto gerida – anárquica no sentido mais responsável e libertário da palavra.

As mais de 60 pessoas que estão hoje no Oficina Uzyna Uzona ensaiam as vezes mais de 8 horas, como na Cia. Teatro Oficina Ltda nos anos 60 fazíamos – varando noites, criando nossas Obras de Arte.

Vocês do Condephaat, que tem atualmente esta visão Estatista-Stalinista, não compreendem o Oficina Uzyna Uzona ou deliberadamente não querem, nem têm interesse de compreender.

O Stalinismo odiava e invejava, como vocês, os grandes artistas criadores da Arte Pública do começo da Revolução Soviética. Foram todos, com exceção de Eisenstein e Stanislawiski, destruídos, torturados até a morte na URSS, como vocês querem fazer conosco agora.

Nunca assinei este contrato servil de permissão de usufruir do que nós mesmos criamos e muito nos orgulhamos disso.

Quanto ao cumprimento das exigências de segurança do público que frequenta o imóvel (saída de incêndio), quantas vezes nossa auto-coroada produtora Ana Rúbia não se dirigiu ao Estado nestas gestões do PSDB não mais da USP, mas de Sertanejo UniversOtário, dos Coronéis do Estado de São Paulo, pedindo ao Estado que criasse conosco as saídas de segurança e regulassem, como proprietários, as normas de segurança. As saídas reais de incêndio, não esses ridículos 1m e 80cm de agora, que dependem de nossa destruição como Cosmos Cultural para existir!

O cantor, compositor e escritor Eric Poète está escrevendo um compêndio literário com retratos biogáficos de artistas brasileiros. Para isso pediu à Fernanda Montenegro um depoimento sobre a minha pessoa, e meu trabalho no Oficina Uzyna Uzona. A grande Dama da Arte do Poder do Teatro escreveu o texto que segue, ao qual eu respondo, também em seguida:

Fernanda Montenegro

“O Brasil tem um vêio de referências cultural e existencial pelo qual o rumo a seguir nos é conscientizado: Gregório de Mattos, Euclides da Cunha, Villa-Lobos, Oswald de Andrade, Nelson Rodrigues, Glauber Rocha.
Nessa linhagem está Zé Celso. O que os liga? Um clamar, um convocar, um convulsionar, um amar. E mais que amar: proclamar. Esse agir vem de uma alucinada herança ibérica, barroca, mítica, onde, no sagrado e no profano, nós nos perdemos, nos achamos. E nos salvamos.
O Zé pertence a essa temperatura, a essa pulsação. Lembro a figura dele há 50 anos. Nada, fisicamente, demonstrava essa persona que a vida foi lhe acrescentando: um ser extremamente energizado, fustigante, ardido de tanta lucidez, onde a paz do conformismo, em pânico, passa ao largo. O Zé tem, com relação ao Brasil, uma obstinação de lobo faminto.
É um ermitão que não prega no deserto. Aliás,  onde o Zé prega não há deserto. Acompanho suas declarações, vejo suas fotos, leio suas entrevistas, admiro suas barbas, seu cajado, seus olhos de vidente. O Zé é um transformador.
A partir do Bexiga e do Oficina(esses espaços, no meu entender, são um só) o Zé se espraiou por muitas zonas e muitas gerações. Desse Bexiga, o Zé nos imprime o desassossego mais provocador, mais tonitruante, mais triunfante de São Paulo.
O Oficina (o Zé) dá ao Bexiga a dimensão de seu amor à vida e projeta esse bairro à altura da Cidade e do País.
Toda a trajetória votiva desse criador é única na cultura contemporânea do Brasil.”
Fernanda Montenegro

IÓ! FERNANDA MONTENEGRO
IÓ! ERIC POETE

Muito obrigado por me tornarem,
hoje numa tarde cinzenta já fria,
presente,
e me dar energia dando-me este presente:
as palavras de Amantíssima Fernanda Montenegro,
Dama Maior entre as Damas da Dinastia das Cacildas Aristocratas do Poder da Arte de Teatro no Brasil.

Pois para mim o Teatro é acima de tudo uma Arte Nobre,
por cuidar de tudo que é Humano, Trans Humano e até Sub-Humano,
como busca  do real Humano Poder.

O Teatro cultiva esta Alquimia, com Magia Arte e Beleza.

Muito obrigado a você, Amada Fernanda,
por ver,
o que vê em mim,
fruto carinhoso de sua percepção de Grande Atriz Antenada
eu diria mais que da Cidadania,
mas da própria divindade da Arte Teatral, que você sabe o que é.

Sua irmã segurava por você na Umbanda
enquanto você soltava, e solta,
seus anjos e demônios na Cena Ritual do Teatro.

Muito obrigado Eric por estar escrevendo sobre minha pessoa co-criadora com muitas outras, da Potencialização desta Arte do Poder Humano, ainda considerada  descartadável.

Meu cultivo tem a ver com o que fez o “Circo Voador”, “A Fundição Progresso”, o Grupo “Tá na Rua”, de Amir Haddad na LAPA, ponto maior no Mapa-Mundi-Ponto de Encontro de Arte,  Amor, Povo brilhantemente iluminando as Noites da Vida.

Tem a ver também com o que “Os Satyros”, com “Os Parlapatões”, fizeram repovoando a Praça Roosevelt e alongando seus cantos para a fervilhante Rua Augusta, mais inspirada hoje que nunca.

O que Fernanda diz do Bexiga dá muita força neste momento: “Bexiga e Oficina – esses espaços, no meu entender, são um só”.

Noel e eu completamos: “São Paulo da Café, Minas dá Leite, mas o Bixiga dá Teatro”.

Depois de obter entendimento tido como impossível para a grande maioria, com o Grupo SS, e até ter-me tornado amigo do artista Silvio Santos, este depoimento nos dá lastro para se chegar ao Ponto Decisivo da Luta: o Estado.

Tende a ser muito morosa e complexa esta fase da Luta.

Depois da Protagonização de 30 anos do obstáculo “Video-Financeiro”, entra agora em Cena Publica  como Protagonista: O ESTADO.

É preciso que haja entendimento para que haja rapidez na efetivação de uma “Troca de Terrenos” do entorno do Teatro Oficina, que Silvio Santos generosamente propõe, por Terreno em mãos do   Poder Público .

É uma oportunidade que pode vazar com o tempo, para a conquista do “AnhangaBaú da Feliz Cidade“,

do “Teatro de Estádio”,

da “Universidade Antropófaga”,

e do “Reflorestamento do Bixiga”.

O próprio Laudo do Tombamento do Oficina como Patrimônio Artístico e Cultural do Brasil, pelo IPHAN, determina que  haja desapropriação do entorno do Teatro Oficina, compra ou outro meio para que se possa realizar a complementação do projeto Urbano Arquitetônico de um dos Maiores “Arquitetos” do século XX: Lina Bardi.

Silvio Santos trouxe uma solução surpreendente: “A Troca de Terrenos entre Terrenos”, onde entra valor fundiário e não dinheiro em espécie, coisa que os Poderes Públicos submetidos aos Cortes Fiscais neste momento não podem ter.

Por falar em Cortes Fiscais, e por ter recebido esta Outorga de Autoridade da maior Autoridade Viva do Teatro No Brasil, Fernanda Montenegro, tenho a certeza que nós deviamos juntar todos que fazem Teatro,
os que estão na Televisão amando o Teatro,
os que neste momento criam a renovação constante trazida pela Juventude,
os que se aventuram nesta Arte Bela e Cruel,
para conseguirmos suspender o Corte Brutal de 2/3 no Orçamento do Jovem Ministério da Cultura.

Vamos falar com Dilma, que é uma Protagonista Forte à altura do Poder que detêm, acompanhados da Ministra Anna de Hollanda.

Os que recriam, praticam o Teatro em Cartaz ou fora dele,
neste momento,
principalmente os Grupos de Trabalho Permanente de Plantação em Equipe cultivadores do futuro de nossa Arte estão na mais completa Miséria,
que se não for erradicada matará uma geração, como a de “Roda Viva” de 68,
massacrada pelo regime militar.

É muito cruel. Eu vi a situacão dos que ocuparam a Funarte.

Fomos até eles, para entrarmos juntos no movimento de luta pela  Cultura, objetivada na luta pela  liberação dos Cortes no Ministério.

Nós do Oficina Uzyna Uzona, fomos expulsos, por discordarmos das formas de luta que propunham, nas “palavras de ordem”, nos  slogans da velha esquerda carregados agora com um líquido inédito de ressentimento e ódio.

Eles estão num desespero que leva a um estado antagônico ao da Criação. A Fome pode destruir o instinto Criador.

Mas Justiça seja feita , foram os 1ºs a dar este Grito ! A expor publicamente este sintoma de Doença na Cultura Brasileira Atual.

Nós montamos a “Macumba Antropógafa” durante seis meses, pois os atores tinham de fazer outros trabalhos. Não era necessário artisticamente este tempo para o trabalho. Mas havia artistas que não tinham dinheiro para a condução de chegar ao Teatro.

Saí esgotado destes seis meses.

Felizmente tinha feito uma participação numa novela da Globo e recebido idenização por tortura, e pude segurar minhas pontas e a de muitos, como outros que tinham alguma coisa, fizeram o mesmo.

Esta situação é absurda na fase de Crescimento por que passa o Brasil.

O Teatro é um Berço de Criação da Cultura. É democracia estética humana direta e poderosa,
e hoje o Teatro contracena,
como no Oficina e em muitos Grupos,
com Todas as Artes,
a Cyber, a Musical, as Artes Plásticas, a Dança, a Poesia, trazendo-as para a Arte Cênica ao Vivo.

O estímulo energético humano corporal,
que produzimos nós que fazemos Teatro,
verdadeiras Uzynas Humanas,
é para dar aos que vêm nos ver estímulo vital elétrico de Poder Humano Corporal, Pessoal e Coletivo.

Teatro é  o maior Investimento que pode existir na criativa formação para a transformação do que impede a imediata  emersão da Economia Verde que vem vindo, rápida e poderosa.

Vivemos na Era da Inteligência Cyber, da NeuroCiência fazendo milagres, das Células-tronco.

É a Era em que o investimento em Criatividade no Poder Libidinoso, Elétrico e inventivo do ser humano na  Cultura não pode ser negligenciado.

É a Macro Economia da Vida, e é o Cultivo da Cultura que acelerará  a expansão da Economia Verde com velocidade Internética.

A Miséria não será erradicada no Brasil se a Cultura for, sobretudo no Teatro, miserabilizada pelo Estado.

Parece que não há esta percepção, nem nas mais brilhantes “personas políticas”.

Você Fernanda atravessou todos os Períodos da História do Brasil, mantendo viva no TERRITÓRIO DE SEU CORPO, A AUTORIDADE DO PODER TEATRAL.

Em seu Corpo-Alma você traz este Poder que veio de ANTÍGONE.

Vamos juntos dar voz, Poder, aos direitos que ANTÍGONE  clamava, que estão além das leis humanas, e que estão presentes no Corpo Vivo do Teatro.

Estou fazendo do Apê em que moro e trabalho, um SPA. Pois carrego uma exaustão de 2 anos de Trabalho sem férias.

E este ano criamos muito, mas à custa de um esforço Sobre Humano dos nossos Corpos.

Só estamos fazendo sessões aos sábados e aos domingos.

É um trabalho que aconteceu totalmente Domingo passado. Pegou!, como dizemos nós de Teatro.

Hoje é terça, e somente depois do teu texto recuperei meu Roteiro de Vida e Criação.

Temos que lutar juntos pelo Ócio que nosso Neg-Ócio merece e você é nossa Campeã Olímpica.

Vamos nessa.

Todo Amor a você Diva Adorada.

E a você Eric, agricultivando uma colheita tão ambiciosa para a Cultura.

E obrigado por me trazerem a Alma de Volta nesta tarde triste.

Um dos Papéis que eu faço, na “Macumba Urbana Antropófaga”, é do Padre Vieira, e me apaixonei por esta frase dele, bem conhecida:

“Para falar aos ventos
bastam palavras,
mas para falar ao Coração
é preciso Obras.”

COMO  É MUITO DIFÍCIL O CONTATO COM A SENHORA ATRAVÉS DOS MEIOS OFICIAIS ,

TENHO O PRAZER ESPECIAL DE CONVIDÁ-LA PUBLICAMENTE para a FESTA DOS 50 ANOS DO TEATRO OFICINA, Rua Jaceguay 520, dia 16 de agosto às 21h, em que comemoramos Vitória de gerações e gerações do povo que criou  esta longevidade fenomenal para um Teatro e para a Companhia que o fundou.

Vamos apresentar a encenação do “MANIFESTO ANTROPÓFAGO”, de Oswald de Andrade, em forma Musical de “MACUMBA URBANA ANTROPÓFAGA”.

DESEJAMOS SUA PRESENÇA E DE TODO SEU TIME QUE TRABALHA PRATICAMENTE O SUPER OBJETIVO DE SEU GOVERNO:

A ERRADICAÇÃO DA MISÉRIA NO BRASIL

É HORA DE ERRADICAR A MISÉRIA DO BRASIL, INCLUSIVE A DESTA PERIFERIA CENTRAL DE SÃO PAULO: O BIXIGA.

Muitos moradores de rua aqui, passam todo este frio paulistano dormindo nos viadutos.

Moram no Bairro, pessoas muito pobres, a maioria de seus habitantes.

Nosso desejo colocado em prática, vem trazendo essas pessoas para comerem nossa “MACUMBA URBANA ANTROPÓFAGA”, como PÚBLICO, e desejamos tê-las como Trabalhadores da Construção, Manutenção e Usufruto do Complexo Cultural que queremos criar.

Aqui na Rua Jaceguai 520, lutamos 30 anos com nossos atos teatrais e obras de arte com o GRUPO VÍDEO FINANCEIRO SS para que não construíssem seu Shopping, suas Torres, que expulsariam todos os moradores pobres do Bairro e acabariam com o Bairro do Bixiga como Umbigo Cultural de São Paulo.

Depois de 30 anos de Luta veio a Crise do Banco PanAmericano do Grupo SS, e as condições mudaram. Hoje temos ótimo diálogo com Sílvio Santos, que nos propõe a TROCA DE SEUS TERRENOS do entorno do TEATRO OFICINA por TERRENOS DO ESTADO, para contruirmos um Complexo Cultural revitalizador do Coração de São  Paulo, o:

“ANHANGABAÚ DA FELIZ CIDADE”:

_um TEATRO DE ESTÁDIO para 5.000 pessoas,

_uma UNIVERSIDADE ANTROPÓFAGA,

_uma CRECHE DE ATENDIMENTO PRÉ-NATAL, PARA AS MÃES E CRIANÇAS DO BAIRRO

_OFICINAS DE REFLORESTAMENTO DO BIXIGA

Hoje recebi, enviado por Ana de Hollanda, o documento publicado no DIÁRIO OFICIAL a pedido dela, MINISTRA DA CULTURA, carimbado com a rubrica, rubra, vermelha, “URGENTE”, criando uma Comissão  para em 180 dias dar seu parecer técnico sobre a Troca de Terrenos, a construção ou não pelo próprio MINC do “ANHANGABAÚ DA FELIZ CIDADE”.

Entretanto uma pessoa menos delirante que eu perguntou:

O quê ? 6 meses ? Como conciliar a negociação com um empresário como Sílvio Santos, que sabe que Time is Money, com 6 meses de apreciação pelo MINC ?

É, não sei responder esta pergunta, mas o importante é que o Governo Brasileiro finalmente assume oficialmente esta questão do entorno do Teatro, colocada pelo parecer do IPHAN quando tombou o TEATRO OFICINA como Patrimônio Artístico e Cultural do Brasil.

A amada amiga e MINISTRA DA CULTURA Ana Buarque de Holanda,  mandou-nos hoje também um email em que nos informa que não  poderá vir dia 16, terça feira, à Festa dos 50 anos e da “TROCA ENTRE TERRENOS”.

Não fiquei triste porque sei que ela gostaria de vir já trazendo resolvida a questão.

Sabemos que o Aparelho do Estado Brasileiro não caminha no tempo dos nossos Desejos Culturais Vivos.

Mas está OFICIALIZADO.

Quem poderia acelar este tempo, no ritmo necessário, é a VONTADE POLITICA DE VOSSA EXCELÊNCIA, PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF.

Estamos simbióticos com o seu Programa de ERRADICAÇÃO DA MISÉRIA.

Queremos ir ao encontro das máquinas que trabalham este Desejo Social, nós do Teatro Oficina que lidamos com a Máquina do  Desejo Cultural de Plantio da ECONOMIA VERDE.

Ela está chegando com rapidez Internética, com o ser humano potencializado no Brasil pelo Governo, desde Lula.

Mas a Miséria ronda o Bairro de nosso Teatro.

O Lendário BIXIGA, ONDE EM TEMPOS DE POTÊNCIA CULTURAL E SOCIAL, SURGIRAM MUITAS CANTINAS, A ESCOLA DE SAMBA VAI VAI, TEATROS   MODERNIZADORES DO TEATRO E DO CINEMA BRASILEIRO.

A Ditadura Militar vinha tentando acabar com o Poder dos Teatros, através da Censura, depois com surra nos Coros do revolucionário “RODA VIVA”, incêndios, invasão de Teatros como foi o caso do Teatro Oficina. Construiu o Elevado Costa e Silva, vulgo “O MINHOCÃO”, dividindo o Bairro como um Muro de Berlim. A Especulação Imobiliária acabou de destruir o que faltava e hoje   o BIXIGA parece um terreno de Guerra, de Saravejo, Faixa de Gaza?! A situação do Bairro é Trágica.

Por isto apostamos no seu Programa de ERRADICAÇÃO DA MISÉRIA E QUEREMOS ESTAR JUNTOS NESTA.

A Cultura em contato com a Miséria apreende com ela, cresce e transmite a dádiva da Arte que desperta sonhos, desejos, invenções, espírito crítico.

Nossa Pobreza Radical precisa também de Toda Riqueza Cultural, que por incrível que pareça é produzida também por todas essa mesma miséria, muitas vezes mais que entre os ricos.

Adoniran Barbosa, morador do BIXIGA, canta em seus Sambas essa miséria que nunca chega a destruir a grandeza humana dos MISERÁVEIS.

Esta Pobreza é erradicada no momento que entra em contato com as redes de Paixão dos que Cultivam a Vida Surreal, Paradoxal, Criativa, Inventora, Artística e Científica.

Para libertar sua alma da Escravidão os AFRICANOS inventaram no Brasil Escravocata, a Cultura do CANDOMBLÉ, juntaram-se aos ÍNDIOS, aos CABOCLOS, à contribuição milionária dos erros das IMIGRAÇÕES, aos ARTISTAS, ATORES, ATRIZES, MÚSICOS, ao RÁDIO, e criaram o Ritmo da BATIDA QUEBRADA DIONIZÍACA dos Ditirambos: o SAMBA, o MARACATÚ, o FREVO, enfim, inventaram o país da inversão  dos valores colonialistas: proclamando um Brasil Rico: O País do CARNAVAL, do FUTEBOL, da PETROBRAS, e de muito mais que Bananas ao Vento.

A Escravidão Africana e Indígena criaram a Cultura não de Resistência, mas de Re-Existência.

Apanharam sua “rítmica religiosa”, a das batidas Joãogilbertianas, do Coração do Brasil criando a Infraestrutura, a Cozinha fundadora da mistura de tudo da Cultura Universal Brazileira.

Como Oswald de Andrade pré-escreve na carne de seu “MANIFESTO ANTROPÓFAGO”: o terno Eterno Retorno ao Pré-Lógico, ao Bárbaro, ao Pagão, ao Tupy, para devorar os Mecanismos, Analógicos, Cybers, construídos por toda humanidade, inclusive pelos escravos, e assumir o ser, o to be, o SER TUPY de “BÁRBAROS TECNIZADOS”.

A ERRADICAÇÃO da POBREZA dos brasileiros pressupõe a erradicação do COLONIALISMO PATRIARCAL CAPITALISTA e o plantio da Cultura Verde do “Bárbaro Tecnizado”.

O Brasil investe 1% de seu Orçamento em Pesquisa Científica. A China 18%.

O MINISTÉRIO DA CULTURA teve um corte de 2/3 no seu 1º Jovem Orçamento, engatilhado para uma Primavera Cultural este ano.

Assim não dá.

No Mundo Globalizado, a Inteligência, o Sabor da Sabedoria=Cultura, são condições sinequanon para construção de  uma Riquíssima Economia Verde.

Neste instante basta a Cultura e a Ciência serem libertadas de sua Miséria Orçamentária.

Como canta Chico Science, nós brasileiros precisamos de  Saiência, quer dizer, do conhecimento vivido Cultural e Cientificamente, para crescer.

Contamos com sua presença, com a Ministra Ana de Holanda, que não recusará seu Convite.

Presidenta, Vossa Excia. tem de pisar neste lugar nesta data histórica.

Nem sabe a Alegria que nos daria, para nós que a amamos e estamos torcendo para conseguir erradicar a Miséria de nosso povo, da nossa Cultura que faz Arte Pública, e da Ciência.

Este trinômio: Erradicação da Pobreza do Povo, da Cultura que é feita com ele, e da Ciência, irá trazer a ERRADICAÇÃO de tudo que têm impedido o BRASIL a CRESCER de acordo com o Mapa Mundi Brasil, seu Sentimento, seu Território.

José Celso Martinez Corrêa

Artista  Praticante da Arte Teatral Antropófaga

e Presidente da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona

São Paulo, 13 de agosto de 2011

AMOR HUMOR ORDEM E PROGRESSO

DEMOCRATIZANDO A DEMOCRACIA PELA CULTURA

EM QUE TODOS NOS COROAMOS

E CRIAMOS DEMOCRACIA DIRETA

QUE JÁ EXISTE NO TEATRO

NA MOMOARQUIA

REINADO HUMANO

DO ANARQUISTA COROADO

Ontem nós do Oficina Uzyna Uzona interrompemos nosso ensaio e fomos prestar solidariedade aos que ocuparam a Funarte com o objetivo de lutar pelo descontingenciamento da verba do Ministério da Cultura, do corte absurdo em dois terços de seu Orçamento.

Antes de sair para este encontro li o Manifesto do Movimento e fiquei chocado pela linguagem burocrática, “cover”, papagaiando a revolução árabe no CHEGA, no PERDER A PACIÊNCIA.

Um documento que seqüestra a Cultura num texto muito mal escrito, e a faz prisioneira da linguagem política de analfabetice acadêmica, cheia de ressentimento, “indignação”, “intimações”, “exigências”, etc..

Eu já estou há mais de 50 anos habituado com a linguagem de uma paródia da Esquerda que chamo de “a nível de”, ou “cuecona”, mas essa era uma esquerda democrática. Oficina e Arena eram amigos, trocavam suas divergências em forma de criação.

Como sou solidário a movimentos sociais que façam com que os que estão no Poder nos “representando” ajam não pelas razões de Estado, mas pela coisa concreta que nomeia seu Poder, a Cultura, fui para lá mesmo assim. Com desejo, acho que até por obrigação profissional e social, de transmitir nossas divergências em torno de um texto que parecia que não iria “bater”, e atingir nosso objetivo comum.

Nós do Oficina, por sincronia da história, estamos encenando nossa posição, diante das posições atuais que castram a Cultura, através da encenação do “Manifesto Urbano Antropófago” de Oswald de Andrade, encenado em forma de Macumba mesmo, mandinga, pra obter o que queremos dar ao mundo: o renascimento do Bixiga através de uma Praça da Paixão Cultural Urbana – que chamamos de “Anhangabaú da Feliz Cidade” – fruto de nossa luta com o Grupo Vídeo Financeiro SS. Silvio Santos, bicho humano adorável, depois de 30 anos de Guerra, nos propõe trocar seus Terrenos no entorno Tombado do Teatro Oficina, por terras da União, ou outros Poderes Públicos, para erguermos a Universidade Antropófaga, o Teatro de Estádio e o Reflorestamento do BIXIGA.

Expressamos culturalmente nosso desejo de Arte Pública através da Arte do Teatro e da Feitiçaria da Macumba.

Mas óbvio que comeremos e seremos comidos por outros Manifestos, Movimentos que visem o reconhecimento do Valor até Econômico específico do da Arte Teatral.

Fomos à ocupação, pois somos Posseiros há 50 anos do Teatro Oficina, temos uma algo em comum, mas não concordamos em assinar o Manifesto nos termos que os ocupantes da Funarte formularam.

Mas, vi o que nunca esperava ver: O prédio ocupado por artistas estava fechado com ferrolhos medievais. Pirei?!

Entrei na sala onde se realizava uma Assembleia, e no que anunciaram minha entrada na Sala, não pude deixar de perguntar: PORQUE OS PORTÕES ESTÃO FECHADOS? NÃO ENTENDI.

Numa ocupação dos SEM TETO ou do MST é normal que tomem-se medidas severas de segurança afinal são pessoas que vão morar nos lugares que tomam, sejam prédios ou acampamentos.

Mas numa “Ocupação de Cultura”, no  processo que vivemos de democratização concreta da democracia formal, as portas desta ocupação têm de estar abertas às Multidões. Mesmo aos que nem fazem Arte ou produzem profissionalmente o “Cultivo Cultural”.

Se a Polícia comparecer nesta manifestação consentida pelo Estado, seria a oportunidade de ter o apoio dos seres terrenos da Polícia ao Movimento Cultural.

A Cultura fazemos para todos, de todas as classes, idades, para nós mesmos. É enorme a responsabilidade que temos nós artistas de produzir, na batucada cambiante de ritmos da Vida, a criação de Novos Valores Comuns que são Infraestrutura em que tudo se baseia.

Esta simbiose Cultura e criação da Vida é embaçada por Religiões, Ideologias, visões partidárias que querem monopolizar a Interpretação da vida.

E temos de produzir nossa obra, nossos frutos, a partir da própria árvore que é nosso Corpo de Bichos Humanos Iguais, em antropofagia, miscigenação, com nossos semelhantes.

Na Arte do Teatro por exemplo buscamos conhecer o mundo tanto Social como Cósmico em nosso corpo, e decobrimos quanto fomos colonizados quando descobrimos nossas pulsões vitais. Então vamos espatifando camadas e camadas de Meascaras, Couraças, com que a “Sociedade Colonizadora de Espetáculos” nos civilizou.

E fazemos isso sempre juntos onde buscamos o desenvolvimento máximo do nosso Potencial Individual e Coletivo. Nessas buscas criamos a energia, o combustível, o axé que devolve a nós todos colonizados, nossa percepção de termos Poder Humano de Liberdade e Criação para agirmos desconstruindo os velhos sistemas para nascerem novos.

Percebemos, fomos nós bichos humanos que criamos Estado, Corporações, Partidos, Religiões, Ciências, Economias, Sistemas, e que cabe, a partir de nós mesmos e de nossa Arte, intervir no que foi criado mas que agora no momento, empata, congestiona, enfarta, o movimento natural de procriação viva da natureza e das máquinas que nos servem. Enfim o belo verso de Marx: as forças de produção através dos mortais reunidos, mudam as relações que emperram o fluxo das pulsões vivas.

Chegando a Funarte como diretor de, não sei contar, entre 30 a  50 atuadores presentes na peça que ensaiávamos, pedi licença para dar nossa contribuição e apoio, no meio da Assembleia que rolava pois tínhamos que voltar ao Oficina pra ensaiar naquela noite. Expliquei: estreamos dia 16 de agosto, aniversário dos 50 anos do Teatro Oficina, e estamos atrasados porque estamos ensaiando há seis meses, em virtude dos cortes públicos na Área da Cultura, sem um tostão.

Tive a sorte de fazer uma ponta numa novela da Globo, e minha idenização pela Tortura ter chegado. Com esse capital, e algum dinheirinho que pinga na Casa de Produção do Oficina Uzyna Uzona, vou juntamente com todos que tem alguma coisa no Tyazo = Grupo de Teatro, compartilhando dinheiro, comida, cama, e buscando o dinheiro que precisamos pra podermos fazer a festa que queremos fazer dia 16.

O que nos move é que estamos apaixonados por nossa criação, ela nos inspira até a criar estratégias de sobrevivência.

Abrimos nossa intervenção na Ocupacãp Funarte, cantamos a Ciranda “Tupy or Not Tupy”, do falecido grande artista gênio  popular Surubim Feliciano da Paixão, inspirada na resposta “Tupy” de Oswald à questão que a Arte do Teatro levantou para a espécie humana: Ser ou não Ser.

Apesar de alguns resmungarem “aqui não é lugar de festa mas de trabalho”, a Maioria aderiu e Cirandou.

Mas eu me atrevi a fazer comentários sobre o Manifesto dos Ocupantes, que havia lido, como uma forma crítica e democrática de conseguirmos nos juntar num texto mais eficaz tanto para o público como para o Poder conceder o que pretendemos: a reposição do dinheiro devido à área Cultural, decisivo neste momento em que o Brasil cresce e precisa do espírito Criador, inventivo, para atravessar os desafios das mudanças maravilhosas do Fim do Império Americano.

Mas quando eu disse que nós da Cultura não éramos “trabalhadores”, que vão à uma fabrica construir um carro e receber um salário mas sim “Cultivadores da Cultura”, o Tabu “Trabalhador” trouxe o inconsciente colonizado do Imaginário e do Repertório dos Gestos Clássicos do Trabalhador do século 19, dos Braços Cruzados ameaçadores dos Facistas Romanos, expelido por uma energia de bomba atômica recalcada de Ódio.

Estávamos sendo expulsos por discordarmos do Manifesto Xerox de velhas palavras, escrito sem capricho Cultural Específico.

Letícia Coura tentou puxar o “Samba do Teatro Brasileiro”, de Tião Graúna, Arroz e Flávio Rangel, mas começava nossa expulsão aos berros das “PALAVRAS DE ORDEM”.

Sons massacrantes nos fizeram sair em fila de 1, como na prisão dos estudantes da UNE em Ibiúna na ditadura militar.

Senti a Causa preciosa do Desbloqueio do Orçamento do Ministério da Cultura capturada por uma Máfia, de um dos “Hate Groups” que hoje são moda na agonia da velha Ordem Patriarcal do Capital.

A Ocupação é Autofágica. Não entra o Povo, nem a Mídia. Está restrita a um Grupo Comandado. Em vez de tocar a Funarte, fazer o Espaço Cultural funcionar como sonhamos, estudando inteligente e poeticamente estratégias eficazes, novas, que toquem os ouvidos com a sedução irresistível da Arte, vi um bando de Escoteiros Cabaços, mais preocupados com o revezamento na Cozinha que com a Cozinha Cultural do Brasil Hoje.

Neste isolamento anti-Antropofágico, repito Autofágico, cultuam a crença numa Ideologia de Almanaque que confunde a Luta da Esquerda em São Paulo, com os grupos de Skin Heads e a TFP. Estão tomados de uma fobia, d’uma Oficinofobia que não difere em nada da Homofobia. Acreditam numa verdade única que veio enlatada com as palavras “CHEGA”, “PERDEMOS PACIÊNCIA”, “ESTAMOS INDIGNADOS”. Como se alguém conseguisse a proeza de criar, na ansiedade, na indignação, no ódio, na perda da Pá-Ciência.

Estão, o que vi ontem, cultuando o Fundamentalista do Ódio. Atuam como uma Gangue que tomou o Movimento Cultural como refém, para no futuro virarem deputados e entrarem nas Gangues do Poder Público.

A Impressão que tive foi a pior possível mas boto fé, que alguns corpos-almas, que lá estavam, tenham percebido este Show de Ódio que a presença do OficinaUzynaUzona trouxe à tona e transmutem este Ódio em Amor à Vida, à Cultura, à Criação, à Diversidade.

Esta ocupação em nome da Cultura tem de abrir suas portas para todos, pois Cultura é desejo e necessidade de qualquer ser humano. E ouvir os que não estão de acordo com a forma de Ocupação. A Cultura faz parte da Biodiversidade. Sua maior inspiração é a Liberdade, a Arte de desejar contracenar com seus Contrários, sem “PALAVRAS DE ORDEM”.

É impossível um artista, um criador, que tem de inventar estratégia, valores, soluções, submeter-se às “PALAVRAS DE ORDEM” de consciências enlatadas.

O Movimento Social Cultural é Político em si, é Poder Humano, Livre, não serve á nenhuma Religião, Ideologia, Partido.

A Cultura não pode ser instrumentalizada pelo que chamam inconscientemente de “Consciência Política”.

Maiakowiski pra mim representa toda a luta da humanidade pela liberdade da Arte. Com seus versos provava, na Revolução Russa, que tinham o mesmo, ou mais valor, que as fábricas.

Em plena época do fracasso das religiões, ideologias, de todos os ismos, inclusive do capitalismo, temos a oportunidade extraordinária de ir ao encontro da ECONOMIA VERDE que, uma vez superados os Obstáculos dos Tabus Coloniais da era Industrial, chegará tão veloz quanto a Internet. Neste instante a Cultura é Ouro e existe contra ela um preconceito, percebi ontem, maior que o Racismo, a Homofobia. É preciso urgentemente que a partir de nossa criação lutemos para proclamar a Independência da Cultura, e o reconhecimento de seu Poder Incomensurável.

Escrevi nas eleições presidenciais um texto de apoio a Presidente Dilma Roussef, mesmo sentindo que na época ela como Caetano Veloso, não percebiam a importância no Governo Lula, do Ministério da Cultura potencializado em seu Orçamento pela primeira vez na História do Brasil e germinando uma Primavera Cultural para explodir no ano de 2011.

Sinto que nós, Artistas, podemos fazer ver à Presidente Dilma Roussef a importância do Orçamento do Ministério da Cultura, de que tanto nos orgulhamos na gestão Lula, Gil, Juca, para sua estratégia MARAVILHOSA DE ERRADICAÇÃO DA POBREZA NO BRASIL.

Sem criatividade, invenção, espírito científico e artístico, este objetivo não terá pulsão das multidões para acontecer.

O Entusiasmo do povo brasileiro pelo futebol, pelo carnaval, pela criação da cultura que produz é o PRÉ-SAL do FIM DA POBREZA DE CORPO E DE ESPÍRITO.

Desde 1968, foram os índios que nos ensinaram, a ocupação é uma forma de democracia direta legítima, sou inteiramente a favor, mas que não seja feita dentro de um cárcere.

Libertemos a Cultura das suas Prisões.

A dos Odiadores na Prisão Funarte.

A dos cofres do Ministério da Fazenda.

José Celso Martinez Corrêa

Sampã,  29 de julho de 2011