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Arquivo da tag: Oswald de Andrade

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foto: Nancy Mora

Sou Cégo d’Teat(r)o

q vê

da Terra do Bixíga

onde Teatro

em se plantando

sempre deu

a quem se dá 

mas…

q está $ercado

por $oldados Engravatados Executivos Executores

do Holocausto Repetitivo

do Direito Romano de Propriedade

q diferença existe

entre fundamentalistas destruidores de Santuários,

cortadores de Cabeças

y

os Fundamentalista$ da Especulação Imobiliária Néo Bandeirantes:

Caçadores Destruidores de santuários y cortadores d cabeças q não querem ser capturadas?

 

Estes pretendem destruir o último pedaço de terra livre do Centro d SamPã.

Pra isso tem de Cortar Cabeças

d Artistas,

d’ Autoridades d Defesa do Patrimônio,

d’ Jornalistas das Mídias, Midiinhas, Midionas,

d’ Cabecinhas, Cabeçonas

q não cabem nas suas toscas estruturas de captura:

no seu Carandirú Pobreza

“Trê$ Torre$ Prisões

Nessa Terra “perdida

há Cabeças Coroadas de Héras, se Fazendo ,

se dando às mitolo(r)gias

q os povos noite y dia

criam,

cantam,

dançam,

na terra

no ar

pássaros voadores

des-assombrando

pensamentos livres

q vôam

mas

q sabem se erguer do chão

com seus Bastões,

Tyrsos Báquicos

y conceber suas estratégias

num piscar da voz da

Marechal de Nossa Tropa:

Madame Morineau:

O Teatro Recuou, Meu Filho! Ohpuf …realmente…

No, No, No, assí no dá …

 

Ah! E aí, sentir o desejo de passar do “recuo” ,

ao AVANÇO

com seu Bastão de Bacantes y Satyrxs Guerreirxs

y

proferir na própria carne

a palavra mágica Ham-let:

AÇÃO

Estes tem o Phoder de enfrentar estes Exército$ de Pentheus y Drs. Abobrinhas

 

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foto: Mário Pizzi

 

Ió! Os Artistas de Todas as Artes

 

Ió! Gente q phala pra Gente,

Na língua direta de Gente,

 

Ió! Dytirambistas (todos os Tambores)

 Músicxs

Arquitetxs, Urbanistxs, Cientistxs, …

Façam esse favor pra todos…

Mas a Protagonização da Arte Aglutinadora Física dos Teatros onde Todos

os Teatros são nossos Teatros

é, quer se queira ou não,

a gente de teatro

mesmo combalida.

É só se apoiar no Tyrso d Dionisios y ficar de Pé Dançante

Somos peões satyrxs de SamPã

da Tropa de Choque Cultural q pode Acordar

no Bixiga

não só o Brasil,

mas o Mundo.

 

IÓ! Amantes d Dionizios do Mundo Inteiro,

Vamos criar uma Orgya da Arte d Teatro do Bárbaro Tecnizado Total da Terra!

 

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foto: Mário Pizzi

 

 

IÓ! Estrategistas d todas as Artes

 

IÓ! Amantes do estar em cena com o Público diretamente

 

IÓ! Anônimos nas revistas caras, esbanjando poder de aventureiros teatrais nos teatros de rua, cultivando as Metrópoles engasgadas quase subterrados;

 

IÓ! Cooperativas de Teatros q se tornam Comunas Teatais

 

IÓ! Celebridades de Televisão q tem Sangue de Teatro no Corpo

 

IÓ! Poder da Imaginação, d Atrizes, Atores, Palhaços do Brasil y do Mundo

 

Muitos me perguntam

como ajudar” ?

 

Não, ajuda”, não,

não tem “ ajuda

nem dar uma força,

mas atuar

até se espatifar

pra poder voar

 

IÓ! É o Xamado Báquico

À Massa d Sangue dos Corpos em Possessão q vem se juntar aos Posseiros impedindo os Carrascos da Propriedade Privada

É o q

TIRIAS

Vê hoje

 

Terça-Feira GORDA DE CARNAVAL DE 2016 em SamPã

Essa entrevista foi feita com o jornalista Miguel Arcanjo Prado em dezembro de 2015, para o Portal UOL, que a publicou com algumas edições. Agora, ela segue aqui na íntegra:

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Zé Celso em cena de Mistérios Gozósos. Foto Jennifer Glass.

Por que você resolveu recriar Mistérios Gozósos neste momento?

Pra trazer pra este coito interrompido q estamos vivendo o olho d´água da renovação permanente da vida, q é o Gôzo Gozado d quem todos somos filhxs, em suas Gotas antropogafiadas pelos Mistérios da Boceta d nossas mães; ou, simplesmente, ejaculado por prazer de semear alegria na Terra.

Como a peça Mistérios Gozósos dialoga com o Brasil atual?

Ela não dialoga, ela nutre nossos corpos cansados d explicar o mar, q batizamos d A Mar; mas esse nós não somos nós do Oficina UzynaUzona, somos todos os habitantes dos versos d Oswald: “Há um grande cansaço d explicar o mar…”, q termina na Mar d Amar

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Roderick Himeros e Carina Iglecias em Mistérios Gozósos. Foto Jennifer Glass.

Qual sua percepção do atual momento sociopolítico (a tentativa de processo de impeachment contra a Dilma, a carta pública do vice-presidente)? Você teme um retrocesso democrático?

Ele já esta aí, desde o dia 26 d outubro, quando a direita passou raspando, mas perdeu a eleição. Há uma ditadura no Congresso, q já nascia da onda d ressentimento, ódio, revanchismo d não saber perder. Temos é q nos livrar desta Ditadura q continua do período Civil Militar d 64 até agora.

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Joana Medeiros vive Madame Bovary. Foto Jennifer Glass.

Você coloca a bancada BBB, Bíblia, Bala e Boi em Mistérios Gozósos. Por quê?

Porque parece uma peça Gozada de Brecht, essa união de Pastores Gangsters q privatizaram o Congresso pra exercer uma ditadura q esculhambou com a Economia y a Política do Brasil. Y como o Nazismo, vai acabar mal, devia desde já ser Impichada.

 O que você achou das ocupações das escolas pelos estudantes pelo não fechamento das unidades, conseguindo fazer o governo estadual voltar atrás?

Não arregramos e continuamos não arregrando, já sacou q isto está acontecendo no Brasil? Y as mulheres q não aceitam a criminalização da liberdade d seu próprio corpo! Y os Sem Teto! Y o povo do Teatro não de Shopping, mas d Rua?!

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Sylvia Prado é Lurdz, a Paulista. Foto Jennifer Glass.

Por que resolveu manter Mistérios Gozósos em cartaz no Natal e no Ano-Novo?

Porque estamos com esta peça q é um Auto de Natal do Catolicismo Antropofágico do Brasil do Século XXI. Ela já foi feita aqui no Natal d 1994. No Reveillon vai ser maravilhoso. Quando der Zero Hora, estaremos com as Pessoas q vierem pra festa, cercado de 20 minutos dos Fogos de toda SamPã, por todos os lados. Lindo!

Este ano é atípico: sentimos que, desde o Público q veio estar conosco em “Pra Dar um Fim no Juízo de deus”, d Artaud y, logo a seguir, com “O Banquete”, d Platão, tivemos o Oficina sempre lotado. O Povo q está vindo ao Teat(r)o Oficina neste ano de 2015 y a todos os Teatros de Rua d SamPã, sente q Teat(r)o junta pessoas q buscam uma transmutação Antropofágica. O teatro desde Dionísios é uma Arte Antropófaga q junta, mistura, come y dá de cumê tudo igual à cidade de SamPã – não São Paulo.

Nestas datas, y mais a do aniversário desta Cidade, dia 25 d janeiro de 2016, estaremos festejando.

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Mariana de Moraes (Eduléia) e Marcelo Drummond (Jesus das Comidas)

Quais são seus planos para o Oficina em 2016?

Estar respirando, descascando os Pepinos d saber como vamos criar na dureza geral, em todos os sentidos, os Poemas Teatais na Terra Sagrada do Teat(r)o Oficina. Cuidar desta Obra d’ Arte Arquitetônica Urbana y dar continuidade ao q está sendo gerado no Mangue Sertão, dos Mistérios Gozósos.

O que não dá? O que você deseja para o Brasil em 2016?

Desejo muita Libido pra florescer a Vida de todos os Direitos y Desejos Trans Humanos, Humanos d nós todos Mamíferos, Bactérias, Minerais, Florestas, de toda essa Humana demasiadamente humana, Terra.

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Camila Mota e Marcelo Drummond em cena de Misterios Gozósos. Foto Jennifer Glass.

O que um ator precisa ter para ser do Oficina?

Palhaço Curioso

Por que você faz teat(r)o há tanto tempo?

Por Amor aos Fatos; aconteceu assim y vou fazer até desapare-ser, porque, até esse instante, minha vida é Teat(r)o d SamPã y do Mundo, d Pan, q tem Tudo incluso, o Tudão, como João Gilberto chama o Universo y tudo q existe – e q dá pra ver lá do Oficina, do Janelão de Vidro: a Cidade, a Lua, a Chuva, o Sol. Enfim, o “tudão”.

Qual a coisa mais importante no mundo para você?

Estar aqui agora, doido pra beber um vinho, brindando a você y a quem for ler esta entrevista na íntegra no UOL.

Por quê?

Parece que teatro é sempre aqui agora, a gota q goza.

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Terceira parte da carta aberta a Presidente do Condephaat, Ana Duarte Lanna, respondendo a seu texto apresentado em 9/9/2013 ao órgão que preside, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo que, em maio deste ano, autorizou a construção de duas torres residenciais ao lado do Teatro Oficina, tombado por este mesmo órgão em 1982.

A primeira e a segunda partes da carta já estão publicadas nesse blog. Amanhã será publicada a quarta e última parte.

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Porque Teat(r)o e nunca Teatro?
Sabe porque colocamos em parênteses o “r” do Teat(r)o?
Porque em 1970, no momento em que a repressão impunha a mensagem à força da Tortura e do Inferno Publicitário do “Ame-o ou Deixe-o”, as pessoas estavam sob o impacto violento que o AI-5 impunha ao querer dos brazyleiros. Nos trancamos todos por um mês no Oficina e começamos a tentar descobrir um meio de sair daquela repressão que nos deprimia e nos deixava descrentes. Criamos com nosso Corpo a Lição de Voltar a Querer – a Re-Volição – através do Te-Ato (de Ação) que é o existir fora da representação. Passavamos semanas sem nos falar somente nos comunicando por ações. Nesta época as pessoas não podiam mesmo falar nada, era tempo do “tá legal?”, “estou na minha”, “corta essa” – nem isso falávamos, e fomos descobrindo a energia poderosa do silêncio. Poderíamos nos comunicar com as pessoas simplesmente transmitindo as vibrações de nossos Corpos em Ação, nossos olhares e emanações de nossas eletricidades. Criamos então o Gracias Señor em Te-Ato, quase sem palavras – estávamos contra o Paredão, como o Beco Sem Saída do Oficina. Viajamos o Brasil levando nas capitais “Os Pequenos Burguêses” de Gorki, “O Rei da Vela” de Oswald de Andrade e “Galileu Galiei” de Brecht. Nos embrenhávamos no mato depois de nos apresentarmos nas capitais, penetrávamos os Sertões do Nordeste já pagando com as bilheterias das capitais as pesquisas de Te-Ato que começamos publicamente em Brasília, no Campus da UNB totalmente vigiado por um almirante da Marinha, reitor da Universidade.
Criamos a partir do que observávamos em caminhadas silenciosas pelo Campus com nossas ações ligadas ao que apreendíamos de mais decisivo vitalmente pra aquele momento em que a Universidade era um Campo de Concentração. De lá partimos para o Nordeste até Manaus fazendo, nos momentos comprados com nossos clássicos, ações ligadas ao campo – aos “Sertões” e íamos passando como Conselheiro e os Conselheiristas: mudos, construindo pontes, ligações entre as casas com, por exemplo: Colchas de Retalhos que fabricavam pra vender no Sul e que eram rivais na disputa do mercado. Com pedaços de tecidos de cada casa, sem dizer uma palavra, emendávamos os panos de rivais e fomos formando uma grande caminhada até formar com todos os habitantes um enorme tecido. É difícil dizer o que eram os Te-Atos naquele contexto. Mas é o que acontece, por exemplo, em “Cacilda !!!”, que está em cartaz no Oficina, com uma das 3 atrizes que fazem Cacilda – a Sylvia Prado, que tem um bebê de 7 meses. Se ele chora, ela apanha o filhinho, dá de mamar e continua atuando mas interpretando, incorporando as ações da personagem às novas interpretações que nascem na hora que ela deve dar de mamar. Sem dizer, sem explicar nada, somente incorporando essa circunstância às da personagem. Então são estes os “aspectos essenciais da trajetória recente do teatro brasileiro e paulista e do peso que ele teve…”. Não! Não se trata do passado. Corrija este seu novo equívoco Ana Lanna e troque por o “que ele tem de atual hoje, em 2013, em nossa Vida Cultural”. Não o “das representações que uma parcela da sociedade fez dela toda” como você escreve. Não como num “Museu Histórico” mas com poucas representações e muitas presentações. Quer dizer: muito Te-Ato ou mais precisamente “Teat(r)os” – com ações vitais dos aqui agora de cada instante.

Nós continuamos a influenciar até hoje o Teatro no Brasil e no Mundo. Isso não ficou no passado, ou melhor, é passado futuro presente.

Vocês deviam ver nossas peças para nos entender.

Produzimos DVD’s profissionais e transmitimos pela internet, com legendas em inglês, todos os nossos espetáculos e trabalhos, como foi o encontro com você na USP e a “Audiência Publica” do dia 5/9 em que se percebe, nos vídeos e nas fotos, que você e o Secretário de Cultura estão, mas não estão “presentes”, não estão ouvindo ninguém, paranóicos, achando que todos estão contra vocês. Basta ver suas caras nas inúmeras fotos vindas de muitos fotógrafos que nos enviam.

Essas gravações e transmissões diretas revelam o Te-Ato através de nossos Corpos, nossas posturas. No Teato não existe somente a palavra falada – está mais presente do que nunca no Corpo Presente, em seus Silêncios ou na falta de atenção, concentração, ligação. Tudo isso é muito teatalmente visível. Nos anos 60 a Polícia Federal publicou matéria paga nos jornais com o título:

“Como Eles Agem”

Escreveram que nós tínhamos sido treinados por hipnotismo por comunistas chineses, pois não compreendiam como o público chegava a atuar conosco sem que pronunciássemos uma palavra.

“O tombamento do Teatro Oficina pelo Condephaat não se refere ao valor arquitetônico do edifício”.

Tem razão, pois o edifício que hoje abriga as atividades da Companhia Teat(r)al não existia em 1982. Existia sim, o projeto, que continua a existir, hoje realizado em parte. É este projeto que precisa da complementação no entorno do bem tombado. Agora o Condephaat está ameaçando querer destruir mais o projeto total de Lina e do Oficina Uzyna Uzona.

“A desapropriação do Teatro Oficina, ato diverso do tombamento, ocorreu em 1984 e em nada alterou a resolução de tombamento do Condephaat. Alterou apenas o proprietário do imóvel, que agora é o Estado de São Paulo.”

Sei que você Ana entende o “Teatro Oficina” como uma Propriedade e trabalha Stalinisticamente para as Propriedade do Estado, não para os que cultivam o Local.

Você por acaso já leu a peça de Brecht “Circulo de Giz Caucasiano”?

Esta peça clarifica que as crianças, como a Terra, pertencem não aos seus proprietários, mas a quem as cultivam.

O Oficina cria esse pomar, que são as Obras Primas, os frutos maravilhosos do Oficina Uzyna Uzona.

Não foi mesmo o Estado que criou, nem mesmo quem manteve estes anos todos este local, foram os Tecno-Artistas e o Público, que continuaram, principalmente o enorme Público sempre jovem, que ainda não aburguesou-se e ocupa sempre o Oficina e agora seu Entorno.

Você escreve “Não há nenhum processo ou solicitação junto ao Condephaat para eventual alteração da resolução de tombamento”.

Mas este destombamento foi feito na moita, não nos foi informado.

Você afirma:

1. Não cabe ao Condephaat pronunciar-se sobre possibilidade de desapropriação do terreno vizinho ao Teatro Oficina (processo 57791/2008) . Tratar-se-ia de atribuição de outras instâncias de governo e não do órgão de preservação do patrimônio. 

Mas este Orgão, se tivesse a mínima noção do que lhe cabe ou não, estaria participando, como recomenda o Tombamento pelo Iphan, defendido por Jurema Machado na conclusão de seu parecer, da busca de uma solução para a destinação do terreno envoltório a Cultura. O texto de Jurema:

Considerando o Parecer da Relatora e após discussão do Conselho, foi a seguinte a decisão final: 

Pela inscrição do Teatro Oficina no Livro de Tombo Histórico e no Livro de Tombo das Belas Artes.

Pela re-avaliação posterior, pelo IPHAN, da delimitação do entorno, tendo em vista tratar-se de bem a ser inscrito também no Livro de Belas Artes e não exclusivamente no Livro Histórico.

Pela manifestação, ao Ministro da Cultura, de que o Ministério e o governo federal identifiquem mecanismos que viabilizem a destinação do terreno contiguo ao Teatro Oficina para um equipamento cultural de uso público, utilizando mecanismos tais como a aquisição, a desapropriação ou a conjugação destes com instrumentos urbanísticos a serem identificados em cooperação com o Município e com o Estado de São Paulo. 

2. o projeto substitutivo apresentado pela SISAN em 2008 (processo 53330/2006) , referente a construção de torres no terreno situado a Rua Jaceguai nº 530 pode ser aprovado, do ponto de vista das restrições estabelecidas pelo tombamento, condicionado à apresentação prévia do projeto de servidão”.

Isto é, traduzindo em miúdos, realmente: 1m e 80cm – um muro fazendo desaparecer a paisagem do Janelão; o corte da Árvore Sagrada do Terreiro: a Cesalpina, que não sobrevive nesse corredor de prisão – e ainda o fechamento da perspectiva da fachada mais bela na obra de Lina Bardi e Edson Elito – a do lado da Rua Abolição, que hoje revela a beleza ímpar do edifício. E o pior de tudo, a extinção da contribuição milionária da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona para SamPã, Brasil e Mundo: a Arte Teatal, enfim.

3. Esse item é risível diante do tamanho da Destruição:

 “A empreendedora deve transferir, em caráter permanente e irrevogável, uma faixa de 1, 80 cm de largura em todo o comprimento do lote de forma a instituir uma servidão de passagem para a construção de adequada rota de fuga e proteção a incêndio, para uso do teatro.”

Que magnanimidade de generosa hipocrisia !!!

O projeto apresentado pelo proprietário do terreno já foi aprovado pelo Compresp em 2009, na gestão de Kassab, mas a atual gestão do Prefeito Fernando Haddad, do secretário Juca Ferreira e do Compresp de Nádia Somekh programa tombar de fato todo o Bairro do Bixiga.

Vai haver conflito entre estas visões do Governo Alckmin e sua intimidade com a Especulação Finaceira revelada descaradamente pelo Condephaat.

“Por fim, cabe lembrar que o Estado de São Paulo desapropriou o bem tombado de forma a viabilizar as atividades do Teat(r)o Oficina. Desde então responsabilizou-se pelo bem tombado.”

Minha cara Fonte de Argumentos, somente nas gestões dos Secretários com Cultura, como Ricardo Othake, que concluiu parte do projeto de Lina Bardi e Edson Elito e estabeleceu um convênio com o Teat(r)o Oficina para mantê-lo, exigindo que fizéssemos uma peça por ano que a Secretaria de Cultura bancaria. Este convênio foi considerado inválido na gestão nefasta de Marcos Mendonça, o burocrataço que hoje está no poder na TV Cultura.

Tivemos ainda a gestão ótima de Fernando de Moraes que começou a encaminhar a construção do Terreiro Eletrônico, que agora completa 20 anos, iniciado no Governo Quércia.
Fernando cercou-se não de burocratas nomeados pelo Estado, mas de grandes artistas de SamPã como Mário Prata, Lélia Abramo, Marisa Orth no Teatro; Tadeu Jungle na área do vídeo; Arrigo Barnabé na área da Música.

Nesta gestão ganhei o prêmio máximo de dramaturgia com minha peça Cacilda !-!!-!!!-!!!! exclamações – uma Teatralogia em torno de Cacilda Becker – que já está em sua terceira exclamação e vai comemorar os 20 anos deste Terreiro Eletrôniko no dia 3 de outubro de 2013.

A gestão do cineasta João Batista de Andrade na Secretaria da Cultura e Cláudio Lembo – em seu breve governo interino – encaminhou uma proposta ao Legislativo de ocupação por 99 anos na Rua Jaceguay 520 para a Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona.

E mesmo a rápida gestão de Andrea Matarazzo tentou abrir o caminho totalmente fechado nesta Secretaria de Cultura – porque acham que somos do PT. Artista não é de partido nenhum, ponham isso na cabeça, por amor aos fatos!

A Paupérrima Permissão de Uso a Título Precário para a Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona
Sempre me recusei a assinar esta permissão. Óbvio que não assino mesmo. Todos os Tombamentos: o Municipal, o Estadual, o Federal pelo IPHAN, a desapropriação pelo Governo do Estado, todas estas medidas jurídicas foram tomadas para que continuássemos como Companhia Permanente ocupando o Oficina. Desde que fizemos 25 anos, quando ainda não estávamos ameaçados pelo Mega Grupo SS, fomos nós que fizemos o nome do Teatro, que lá produzimos nossas consagradas Obras Primas. Como é que vou assinar a permissão de uso de um lugar onde estamos há mais de 50 anos?

Não somos culpados da mediocridade do Departamento Jurídico e dos Secretários de Cultura do PSDB do interior de SP não criarem instrumentos júrídicos à altura dos Tombamentos e da desapropriação decretados para assegurar a continuidade de nosso trabalho de criação e garantir que não fossêmos destruídos, como se pretende agora, pela especulação burocrática atual do Condephaat somada à Especulação Imobiliária!

Ainda por cima, na gestão Mendonça, queriam que aceitássemos funcionários públicos como os do Teatro Sérgio Cardoso de então, nas áreas de luz, som, maquinistas em que o Estado pagaria salários baixíssimos e que teriam horário pra trabalhar como “funcionários”.

Ora, não aceitamos.

Não somos uma casa de exibição de Teatro como o Teatro Sérgio Cardoso. A Jaceguay 520 é um Lugar de criação, de produção e também exibição do que criamos. Nossa equipe trabalha com pessoas apaixonadas pelo Teat(r)o, como sócios e somos uma Associação auto gerida – anárquica no sentido mais responsável e libertário da palavra.

As mais de 60 pessoas que estão hoje no Oficina Uzyna Uzona ensaiam as vezes mais de 8 horas, como na Cia. Teatro Oficina Ltda nos anos 60 fazíamos – varando noites, criando nossas Obras de Arte.

Vocês do Condephaat, que tem atualmente esta visão Estatista-Stalinista, não compreendem o Oficina Uzyna Uzona ou deliberadamente não querem, nem têm interesse de compreender.

O Stalinismo odiava e invejava, como vocês, os grandes artistas criadores da Arte Pública do começo da Revolução Soviética. Foram todos, com exceção de Eisenstein e Stanislawiski, destruídos, torturados até a morte na URSS, como vocês querem fazer conosco agora.

Nunca assinei este contrato servil de permissão de usufruir do que nós mesmos criamos e muito nos orgulhamos disso.

Quanto ao cumprimento das exigências de segurança do público que frequenta o imóvel (saída de incêndio), quantas vezes nossa auto-coroada produtora Ana Rúbia não se dirigiu ao Estado nestas gestões do PSDB não mais da USP, mas de Sertanejo UniversOtário, dos Coronéis do Estado de São Paulo, pedindo ao Estado que criasse conosco as saídas de segurança e regulassem, como proprietários, as normas de segurança. As saídas reais de incêndio, não esses ridículos 1m e 80cm de agora, que dependem de nossa destruição como Cosmos Cultural para existir!

Segunda parte da carta aberta a Presidente do Condephaat, Ana Duarte Lanna, respondendo a seu texto apresentado em 9/9/2013 ao órgão que preside, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo que, em maio deste ano, autorizou a construção de duas torres residenciais ao lado do Teatro Oficina, tombado por este mesmo órgão em 1982.

A primeira parte da carta foi publicada ontem e as duas próximas serão publicados amanhã e sábado, completando a série de 4 textos em 21 de setembro, dia da Árvore.

clique para ampliar:
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O encontro do Oficina com Lina Bardi
Na encenação de “Na Selva das Cidades”, em 1969 – um ano após o AI-5, portanto 13 anos antes do Tombamento, Lina instalou um Ringue de Box no centro do espaço concebido por Flávio Império, dividindo o espaço em dois pontos: uma arquibancada com ingressos vendidos mais baratos e poltronas azuis vendidas a preço mais alto.
A peça do Jovem Brecht foi encenada exatamente quando o Bixiga era dividido em 2 pelo Elevado Costa e Silva. Lina Bardi, com os destroços das demolições e árvores cortadas, fez a Arquitetura Cênica Urbana da peça. A peça era dividida em 11 Rounds.
É a Luta entre um bilionário chinês que invade com sua gangue a livraria onde trabalha o jovem Garga, e lhe pede que venda por 50 dólares sua opinião sobre um livro. O jovem alega que está lá pra vender as opiniões de Rimbaud, Salinger etc… A oferta vai aumentando, mas o jovem Garga continua negando-se a vender sua opinião e toda a livraria é quebrada. Era então uma referência à invasão de “Roda Viva” pelo CCC.
Os destroços iam se acumulando numa área em que foi construída uma armação de arame para proteger o Público dos cacos das destruições que voavam pelo espaço nos próximos rounds.

Todas as instituições iam entrando em cena magnificadas para ser estilhaçadas, acumulando seus escombros num Lixão em redor do palco ringue: a Empresa do Bilionário, a Casa da Família de Garga no dia de seu casamento irrealizado e o bordel onde vai parar a irmã do herói, Maria Garga, interpretada passionalmente pela grande Ítala Nandi realizando o 1º nu frontal feminino do Teatro Brazyleiro. A personagem se apaixona pelo perseguidor de seu irmão que quer comprar sua opinião… As personagens, principalmente Femininas, cobre-se de jóias criadas com os cacos dos escombros da Destruição & Construção do Minhocão.

Num determinado momento as duas personagens aceitam encontrar-se num lago de Michigan, mítico deserto criado pelo Jovem Brecht.

Nesta cena o ringue é totalmente destruído em seu chão – são retiradas suas tábuas até se chegar ao chão de Terra do espaço da Rua Jaceguai 520.

Então Lina disse:

“Aí está o “Sertão” da Rua Jaceguay 520.”

Era pra termos montado juntos “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, o que não ocorreu devido à morte do arquiteto urbanista artista.
Ao mesmo tempo, ali, em Lina Bardi, nascia o espaço do Terreiro Eletrôniko do Teat(r)o Oficina.

Logo a seguir fomos, Lina, parte da Companhia do Oficina Uzyna Uzona e minha pessoa, filmar em Florianópolis “Prata Palomares”, filme do cineasta André Farias que tem Lina como diretora de arte. Numa folga da filmagem fomos a um Terreiro de Candomblé, estreito como a lâmina de uma gilete, e nasceu a Pista do Oficina. Juntos tivemos a Eureka! Lina emocionada com os tambores cobrindo sua voz disse: “Assim vai ser o Terreiro Eletrôniko do Teat(r)o Oficina.”

Bienal Internacional de Arquitetura SP 2013
Hoje o arquiteto Guilherme Wisnik, curador desta Bienal, cria um camping no terreno do entorno do Oficina Uzyna Uzona tombado para estudar o que descobrimos juntamente com Lina: as Catacumbas de Silvio Santos em direção ao Anhangabaú, o Teatro de Estádio, a Universidade Antropófaga, a Oficina de Florestas, a creche pro bairro da periferia central de SamPã, o Bixiga. A inspiração do conteúdo desta Bienal vem da Obra Prima de Arquitetura Cênica Urbana de Lina Bardi: o espaço cênico de “Na Selva das Cidades”, realizada em 1969 a partir da reciclagem da destruição do Bixiga na Construção do Minhocão.

Há inúmeros projetos para esta área – entre eles um mais completo feito pelos arquitetos João Batista Martinez Corrêa e Beatriz Pimenta Corrêa, respectivamente meu irmão e minha sobrinha. Esse projeto foi construído quando recusamos o de Marcelo Ferraz, da Brasil Arquitetura, que tentava conciliar o Shopping com um Teatro que não aprovamos por ser um Teatro de Palco Italiano cercado por muros muito altos, com aspecto de uma masmorra. Marcelo Ferraz havia me procurado porque havia sido chamado por um advogado do Grupo Silvio Santos para realizar um projeto que conciliasse as aspirações do Teat(r)o Oficina e o Shopping desejado pelo Grupo SS.

Na época quem havíamos convidado para fazer o projeto era Oscar Niemeyer, mas diante de Marcelo Ferraz que me disse que só aceitaria o trabalho se eu estivesse de acordo, concordei que ele tentasse esta conciliação. Como eu via ele sempre trabalhando com Lina, aceitei. Ele me pediu então um programa para a obra no entorno do Oficina. Eu trabalhei bastante e fiz. Mas o Resultado apresentado foi decepcionante. Então pedi para meu irmão, arquiteto João Batista, que fizesse um projeto baseado no programa que eu havia feito para publicarmos com meu texto numa edição bilíngüe, afim de a divulgarmos as possibilidades do local.

Ele fez um trabalho maravilhoso! De grande beleza, que quase foi construído na gestão do atual Secretário de Cultura da Prefeitura de São Paulo, Juca Ferreira, então Ministro da Cultura, mas Dilma não o chamou para continuar no Ministério.

Outros projetos apareceram como o do arquiteto Cristiane Cortílio, apresentado para sua graduação na FAU.

Surgiram muitos outros, inclusive de arquitetos internacionais.

Projeto do Teatro de Estádio por Jeremy Galván, arquiteto francês

Projeto do Teatro de Estádio por Jeremy Galván, arquiteto francês

Quando o Iphan tombou o Teat(r)o Oficina e seu entorno, Silvio Santos propôs a troca de seu Terreno no nosso entorno por outro da União, pois com o Tombamento ele percebeu que seria complicado continuar insistindo numa luta de 30 anos – nesse momento que estou revisando este texto me vêm à Lembrança a Luta entre Shilink, o bilionário chinês e o jovem Garga, que não queria vender sua Opinião – em que conseguimos impedir as torres da Família Jetsons, de Júlio Neves, os vários shoppings projetados e finalmente as Torres que haviam saído de cartaz e que em sua gestão, Ana Lanna, retornaram impositivas.

Esta Luta Épica de mais de 30 anos é chamada por você de “Luta por interesses particulares de integrantes e simpatizantes do grupo”.

Como se na construção das Torres o Condephaat estivesse defendendo Interesses não Particulares – mas Públicos.

Você escreve: “O Conselho do Condephaat é composto por representantes de diversos setores da sociedade civil e do Estado, todos com notório saber em suas áreas de atuação.”  Acrescento: porém escohidos pelo Governador numa lista tríplice, ou estou enganado?

“As decisões do Condephaat são fundamentadas por “pareceres técnicos” o Conselheiro Relator emite, após análise do processo, parecer votado por uma maioria de um Colegiado.” 

O que é uma “análise técnica”? Para mim este termo parece muito relativo, mesmo porque, no que são publicadas, revelam um desconhecimento absoluto de como analisam, como provam as análises feitas a propósito do Tombamento do Oficina.

Mesmo assim, sei que as arquitetas do DPH (departamento de preservação do patrimônio) Marcia Tancler e Marília Baubour fizeram pareceres contrários às Torres, mas o conselheiro Egídio Carlos leu os pareceres técnicos e ao elaborar o seu, replicou a área técnica dizendo que não podia ser levada em consideração devido à natureza do tombamento (imaterial). O parecer do conselheiro Egídio foi levado à votação pelo conselho e valeu sua posição e dos demais Conselheiros – 13 dos 24 que compõem o Conselho, aprovando a construção, com 3 abstenções.
Os critérios aprovados são inteiramente subjetivos e não têm nada a ver com o 1º Tombamento, feito por Aziz Ab’Saber, João Carlos Martins, Flávio Império. Nem com o Tombamento pelo Iphan, redigido por Jurema Machado – aliás, tenho impressão que esse texto sequer foi lido por você, pelo Conselho e pelo próprio Secretário, para quem entregamos o Projeto “Convênio Exemplar” que continha este texto e o Secretário teve o gesto maravilhoso de nos confessar num encontro que com ele tivemos dia 3/9/2013 que não o havia lido. Ainda há tempo para que o faça.

Ocupação do Entorno com containers para o Convênio Exemplar. Projeto de Carila Matzenbacher e Marília Gallmeister

Ocupação do Entorno com containers para o Convênio Exemplar. Projeto de Carila Matzenbacher e Marília Gallmeister

Os conceitos de Jurema Machado e dos 1ºs tombadores estão muito mais próximos dos significados do que é o Teat(r)o Oficina como as correntes mais antenadas que o Mundo tem produzido em relação à Arte, ao Meio Ambiente, Urbanismo, às transformações das Cidades e sobretudo das Metrópoles, em que Torres construídas pela Especulação Imobiliária no Mundo são vistas como nefastas à sobrevivência da respiração dos Seres Vivos asfixiados já pelo trânsito enfartado e pela poluição.

Você e principalmente sua visão “técnica” me inspiram a escrever um livro sobre a luta que nos transcende, a mim, a você, ao Condephaat, a Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona.

Sou muito grato ao fato de você ter me feito perceber a relação matrimonial entre a Especulação Imobiliária Finaceira & a Especulação Técnica Burocrática do Estado versus a Concretude das Urgências Humanas dos Seres Verdes, Culturais, criadores de Áreas de Meditação nas Cidades espremidas como verdadeiros “Guarujás”.

O que vocês, neste Governo Alckmin, defendem tecnicamente é a preservação histórica do Oficina como se a história parasse numa determinada época e dela ficassem somente tijolos. Esses técnicos, com suas análises, tem horror ao Movimento contínuo da História que não para, como a própria Vida.

O Risco do Desaparecimento do Bairro do Bixiga
Quando tomei ciência que seu Governador quer erguer Torres em todo Bixiga, mesmo sendo para moradias populares, não pude deixar de ver nisto um interesse eleitoreiro que esmaga a vida de um Bairro como o Bixiga.

Há milhares de prédios vazios no Centro, desocupados, e eles devem ser passados como moradia para os Sem Teto que povoam as ruas desta Metrópole, a mais rica do Brazyl, como também é claro que isso não impede que sejam construídas novas moradias populares. Mas porque sacrificar um Bairro como o Bixiga, que nos seus Baixos tem moradores pobres que merecem a preservação dos inúmeros lugares maravilhosos que ainda sobraram depois da crueldade do Minhocão ter dividido o bairro como o Muro de Berlim e deteriorado as condições de Vida, estraçalhado pela Especulação Imobiliária Financeira de olho neste local.

Já foi um coração boêmio cosmopolita cultural de Sampã, este bairro de sua periferia Central. Porque não pode ser restaurado como a Lapa do Rio que hoje é um dos lugares mais deliciosos do Mundo? Lá se encontram todas as culturas, classes sociais, moradores de todo Rio e gentes do mundo inteiro. Como seria com a existência de um Teat(r)o que legasse ao bairro o Teat(r)o Oficina, o Estádio Ágora, o TBC, a Casa de Dona Iaiá interligados e uma Oficina de Florestas que reflorestasse todo este lugar de que foram arrancadas tantas árvores maravilhosas com a construção do Elevado Costa e Silva.

E porque sacrificar justamente a Árvore Cezalpina, que não vai sobreviver em 1m e 80cm?

É um crime hediondo o que está se propondo ser cometido exatamente por um Órgão de defesa do Patrimônio Histórico Artístico Arqueológico Turístico do Estado de SP.

A forças dos que Amam a Vida junto a todas as máquinas vivas d’Ela: os Animais, as Árvores, as Hortas, as Flores, os Seres Humanos, já não querem mais viver sob “Ordem e Progresso”.
Os movimentos de Junho antes de entrar em cena a sanguinária PM, resquício da Ditadura Militar que hoje contracena com os Black Blocs solitariamente, hão ainda de ganhar novos rumos.

O Gozo do Passe Livre com o Amor e com Tudo é a aspiração natural de quem está vivo, principalmente nesta Primavera Brazyleira que se aproxima.

Esses movimentos deverão ter Passe Livre nas sessões do Condephaat que vão examinar os inúmeros recursos que entrarão pedindo a revisão deste Tombamento que parece mesmo um Tombo, uma Queda, em que a entrada dos artistas, Lina Bardi e câmeras foi saudada e recebida com a maior alegria pelo sábio Azis Ab’Saber.

Não basta essas sessões serem “públicas no website da Secretaria da Cultura”. É esta ação antidemocrática que traz os privilégios não a um Cosmos Cultural como o Oficina, mas sim a Especulação Imobiliária. É aí que se distanciam das práticas democráticas.

É muita cara de pau, fala sério!, querer invocar Lina interpretando que “qualquer organização cultural que tenha a importância do Teatro Oficina, representante de um marco da história cultural de São Paulo, poderia pretender o mesmo procedimento” possa desqualificar o tombamento.

Quando foi derrubado o Teatro Phoenix no Rio de Janeiro, a belíssma atriz Maria Della Costa passou a dormir no Teatro pra impedir sua demolição. Mas Getúlio Vargas prometeu a Maria que ali se construiria um novo teatro, como aconteceu, e que se transformou num 1º auditório da TV Globo. E mais, promulgou um decreto obrigando todo lugar em que houvesse um Teatro como Espaço Público Cultural ser Tombado e se fosse derrubado, construir outro em seu lugar.

Na minha infância eu via as fotos de Maria e recebia este ensinamento dela e de Getúlio: o lugar onde existe por anos um teatro é um Terreno Sagrado, como as Terras dos Indígenas. Assim considero os mais de 50 anos que o Oficina tem ocupado a Rua Jaceguay 520 e estes últimos 3 anos em que tem ocupado também o Terreno do Entorno como Ocupações Sagradas.

É claro que o “Teatro Oficina se pautou por procedimentos legais, claros e decentes, sem nunca criar privilégios” como Lina afirmou na Seção do Tombamento do Teat(r)o em 1982.

Só que a concepção de procedimentos legais, claros, decentes é a de uma mulher como Lina, que durante o fascismo foi uma partigiani. Muito jovem pegou em armas pra derrubar o fascismo italiano e nos anos 60 apoiava todos os movimentos para derrubar a Ditadura Militar Brasileira. Somente fez Obras Públicas e duas únicas casas residenciais – a de um amigo e a sua própria “Casa de Vidro”. E assim como em 1980, quando concebeu seu projeto feito sem cobrar um tostão para o Oficina, colocou-se na Luta pra impedir que o Teatro Oficina fosse comprado por Silvio Santos, hoje estaria conosco contra os privilégios dados pelo Condephaat ao Mega Empreendimento Privado das Torres.

Ana Duarte Lanna, você tem a audácia de colocar o “Arquiteto” Lina Bardi contra “nossos privilégios” ao mesmo tempo que, diante da evidência do projeto de Lina parido do Tombamento de 1982/83, quer destruir a Árvore que a própria Lina plantou, o Janelão de sua última obra, e se recusa a perceber que o projeto de Lina para o Entorno já faz parte do Próprio Oficina. Não foi a toa que o “arquiteto”, em vez de respeitar os limites do Tombamento, rasgou aquela janela enorme antes mesmo do Grupo Silvio Santos entrar com seu projeto de comprar o Oficina do ex-proprietário e começar a pretender levantar Shoppings no entorno do Teatro.

Projeto de Lina Bardi e Marcelo Suzuki para o entorno do Oficina de 1980
Lina e o Arquiteto Marcelo Suzuki, no dia 24 de Agosto de 1980, projetaram em slides no Teat(r)o Oficina o 1º risco de uma rua que atravessava os arcos romanos do Oficina e instaurava o Teat(r)o de Estádio no entorno.

Depois criaram as maquetes do atual Terreiro do Oficina e do Teatro de Estádio. Mais Tarde quando Edson Elito começou a trabalhar com Lina, ele realizou um projeto muito belo no entorno de um Teatro de Estádio, que Lina até assinaria em baixo, acompanhando a inclinação natural do terreno.

Desapropriação do Teat(r)o Oficina pelo Governo Montoro
Em 1984 minha mãe ia perder a casa de minha família onde nascemos em Araraquara por ter assinado como fiadora o contrato de locação do Teat(r)o Oficina.
Nós estávamos devendo 3 meses de aluguel. Os ex-proprietários do terreno do Oficina entraram com uma ação de execução dos bens de minha mãe: nossa casa em Araraquara. O Oficina já estava Tombado.

Eu fui falar com Paulo Sérgio Pinheiro, hoje um dos expoentes internacionais nas questões dos Direitos Humanos. Paulo trabalhava na Secretaria de Governo de Franco Montoro com uma elite universitária que daria origem ao PSDB como um partido de centro esquerda extremamente competente. Escrevi uma carta a Paulo na época sobre esta situação do Oficina ameaçado tanto pelo ex-proprietário quanto pelo mega empreendimento do Grupo SS para a área.

Encontrei-me com ele que imediatamente informou o Governador Montoro que, com seus secretários, desapropriou o Oficina para que não nos submetêssemos mais às investidas da Especulação Financeira do mesmo mega grupo que continuava nos pressionando.

Enfim, os 3 Tombamentos – Compresp, Condephaat, Iphan – e a Desapropriação pelo Governador do Estado Franco Montoro foram procedimentos realizados para preservar o projeto do Oficina Uzyna Uzona, sempre ameaçado pela Especulação Imobiliária de seu vizinho.

Estes Atos reconheceram os direitos adquiridos pela Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona nos seus muitos anos de cuidado com o Teat(r)o Oficina somados às criações estéticas premiadas, aos elencos permanentes que deram seu Corpo-Alma por este Espaço, nele realizando-se artisticamente.

Baseada no parecer do Conselheiro relator Prof Dr. Ulpiano você afirma: “o edifício do Teatro Oficina precisamente contém valiosa carga de informação”, em 1982 era um prédio em ruínas mas ocupado e cuidado por um movimento provocado por nós mesmos que queríamos a transformação total do edifício, exigida por nossas descobertas da Arte Teat(r)al pois a nossa continuidade, de nossa história viva assim exigia. Queríamos não recuperar mas adequar o espaço à evolução do Oficina iniciada ainda nos anos 60.

Publico em 4 partes, a partir de hoje, carta aberta a Presidente do Condephaat, Ana Duarte Lanna, respondendo a seu texto apresentado em 9/9/2013 ao órgão que preside, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo que, em maio deste ano, autorizou a construção de duas torres residenciais ao lado do Teatro Oficina, tombado por este mesmo órgão em 1982.

Os três próximos capítulos serão publicados diariamente, completando a série no sábado, 21 de setembro, dia da Árvore.

entorno
Ter a Cabeça do Inimigo nas mãos
e a sabedoria de tocar
pra ele ver de pé
a nossa Vitória

– Versos cantados de BACANTES, Eurípedes, antropofagiados pela Cia. de Artistas do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona.

Agradeço à Dionísio, a você Ana Duarte Lanna, esse texto tão revelador enfim de sua posição, de seu Viewpoint, sua Posição Ideólogica, sua Interpretação dos Direitos, suas Vontades em relação ao Patrimônio Cultural Teat(r)o Oficina. Agradeço a bela foto que o acompanha, onde se vê o Janelão de Vidro que dá para a Cidade e o Cosmos, o Jardim do Oficina com o tronco da Árvore Cezalpina nascido nele e seu tronco já penetrando no entorno deste Bem Cultural Tombado que agora recebe também, além do Tombamento Material, a declaração de seu Valor Imaterial, proposta em Projeto de Lei por deputados da Comissão de Cultura da Assembléia Estadual onde o Oficina Uzyna Uzona será finalmente reconhecido como, por exemplo, a Mangueira: Escola de Samba do Rio de Janeiro.

Quem somos
Você estava inspirada na reunião do Condephaat de 20 de maio de 2013 que deliberava sobre o Teat(r)o Oficina e a sua área envoltória. De acordo com a legislação tem toda razão: A área envoltória nunca é bem tombado. Mas o tombamento configura uma área envoltória de 195 metros e as intervenções em área envoltória são objeto de análise pelo Condephaat. Nesta reunião, vocês trataram desta análise.

Em seu texto você logo revela um engano, a partir de seu ponto de vista, que eu posso revelar com precisão: não existe “Companhia de Teatro Uzyna Uzona, que ocupa o Teatro Oficina”. Quem ocupa este lugar é a Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, registrada desde 19 de janeiro de 1984 em Cartório – sucessora das Cia. Teatro Oficina Ltda., Oficina Samba (durante o exílio em Portugal), Oficina 5º Tempo (no retorno ao Brasil durante a abertura lenta, restrita e gradual). Portanto não existe também o “Grupo Uzyna Uzona”. O que juridicamente nos qualifica é esta Associação de Tecno-Artistas Multimídia, que nos obriga a cada ano criarmos Atas das Assembleias Ordinárias testemunhando todas o cumprimento de nossa tarefa principal: construir em faina diuturna a História Viva do Teat(r)o Oficina, criando sempre espetáculos que dêem continuidade ao momento revolucionário da encenação de “O Rei da Vela” do Poeta paulistano Oswald de Andrade.

A Revolução Cultural trazida pelo Rei da Vela
Esta peça, que estreou o segundo Teatro Oficina, dos arquitetos Flávio Império e Rodrigo Lefévre, viu ao mesmo tempo superado o próprio Espaço de Teatro inaugurado por ela.
A peça encenada trouxe a religação com a Antropofagia de Oswald, que por sua vez religou o Teat(r)o a toda Cultura Popular Brazyleira – o retorno a Arcaica Cultura Sagrada Pagã dos Rituais Teat(r)ais dos Caetés, dos indígenas de todo o Planeta em suas muitas Eras, aos rituais de incorporação na dança e canto das culturas Afro-brasileiras, à Cultura da Musica Popular, Pop, Erudita Brazyleira e Internacional. Trouxe no Brasil a sua descolonização, desde 1967, num dos movimentos culturais mais celebrados no fim do século XX: a Tropicália.

Os Coros Tragicomicorgiásticos
O mesmo acontecendo logo a seguir com o glorioso retorno dos Coros Pagãos milenares de Teat(r)o, criadores na Grécia dos Ritos explicitamente chamados de teat(r)ais. Há milênios os Coros tinham desaparecido e por séculos foram buscados em todos os grandes momentos da Arte Teat(r)al.
Nietzsche, na sua 1ª grande obra conhecida, “A Origem da Tragédia no Espírito da Musica”, lembrando os Coros da Tragédia Grega, aponta seu retorno para o futuro.
Aconteceu no Brasil, no Rio de Janeiro em 68, com o retorno dos Coros em “Roda Viva”, de Chico Buarque de Holanda. A grandeza do acontecimento cultural foi obscurecida pelos ataques à Peça perpetrados pelo Comando de Caça aos Comunistas em SP e depois pelo próprio 3º Exército Brasileiro, em Porto Alegre.
Estas duas peças pra mim são como se fossem a mesma, com os protagonistas de “O Rei da Vela” e os Coros de “Roda Viva” – são o Ponto Galilaico da Revolução da Arte do Teat(r)o acontecida no Brasil de 1967 a 1968 e dando seus frutos até hoje.

Antropofagia
Na Audiência Pública realizada em 05 de setembro de 2013, Camila Mota, atriz há 16 anos associada à Companhia permanente do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona pedia a desapropriação do terreno para a implantação do projeto antropofágico do grupo, o Anhangabaú da Feliz Cidade, não como você escreve Ana Lanna, “segundo uma terminologia do grupo”. Tente apagar o seu novo engano, amada Ana Lanna. A Antropofagia não é a terminologia, a gíria de um “grupo”, como você nos chama.

Não é invenção de um gueto ou de um grupelho. Os poetas concretos paulistanos, os consagrados irmãos Haroldo e Augusto de Campos consideram “A Antropofagia Oswaldiana como o único pensamento filosófico original brasileiro”. E está sendo estudada no mundo inteiro como uma filosofia que pode transformar os apartheides – os racismos, os fundamentalismos, os especulativismos, os preconceitos na relação entre os povos de diferentes culturas – pelo modo de vida da maior parte do povo brazyleiro: a miscigenacão democrática das culturas. Tanto que em 2006 aconteceu no Teatro de duas platéias de Lina Bardi, no Sesc Pompeia, o EIA, Encontro Internacional de Antropofagia, em que antropólogos, artistas, historiadores, filósofos, músicos de várias partes do mundo, durante uma semana, criaram, phalaram, sobre este tema tabú desde o início da colonização do Brazyl.
Não é portanto uma linguagem de uma gangue de privilegiados, mas de povos arcaicos e presentes no mundo todo que almejam o fim das barreiras culturais, raciais, sexuais, religiosas, fundamentalistas, que tem causado tantas guerras à humanidade, sobretudo nos dias de Hoje.

Tombamento Revolucionário
Veio o AI-5. Estreamos com o quê? Nada mais nada menos que “Galileu Galilei”, no dia 13 de dezembro de 1968 – data da implantação da fase mais sangrenta da Ditadura Militar. Narro este ponto da história porque foi através desta peça que começamos a entender que a Cultura cria Cosmos – não grupos. Cria maneiras de ler, interpretar, viver a Vida no Mundo.

Começamos a perceber que o Oficina era um Cosmos, uma trajetória que desenhava um Discurso do Movimento, nome de um dos trabalhos do físico Galileu, que atravessou clandestinamente as fronteiras onde a Inquisição dominava nas mãos de um jovem físico que havia trabalhado com ele. Galileu o havia escrito nas noite de lua escondido da filha que era freira da Inquisição. Este trabalho o deixou cego e ele o escondia num Astrolábio – instrumento que em toda sua vida renegou, pois era constituído de tiras de bronze em que os astros todos giravam em torno da Terra.

Aconteceu o mesmo conosco. Quando fomos exilados em 1974, a grande cantora de Brecht e grande atriz Maria Alice Vergueiro fez passar todo o Arquivo do Oficina – inclusive o audiovisual porque tínhamos “O Rei da Vela” já filmado, mas ainda não montado – através do Consulado Francês de SP para ser desembarcado em Paris. Chamávamos este pacote embalado em muitas malas de “Todo o Discurso do Movimento”, do Oficina que começávamos a estudar. Sabíamos que estávamos descobrindo o retorno ao Teat(r)o como arte milenar orgânica da Humanidade em plena violência da Ditadura Brazyleira. Precisamos cuidar de todo o material para estudarmos a continuação de nossa história não terminada aí, como você Ana Lanna, pensa. Daí vem sua concepção de Tombamento Histórico o Teatro Oficina como um túmulo.

A violenta interrupção de um processo em plena floração nesta fase com a invasão do Teat(r)o Oficina, prisão, tortura de muitos de seus Tecno-Artistas, foi um capítulo heróico – continuado no exílio em países que passavam por movimentos revolucionários.

Esta peça, que combatia o pico da Ditadura Militar no Brasil, se hoje encenada, espelharia a luta em que os “sábios de Florença”, transfigurados em sábios do Condephaat de hoje, não querem acreditar no que seus olhos vêem.

Mesmo dentro do Terreiro Eletrôniko de Lina Bardi e Edson Elito, na Audiência Pública do dia 5/9/2013, não viam diante de si os seres vivos como a árvore Cesalpina plantada por Lina atravessar os muros e chegar ao entorno avançando muito mais do que o ridículo 1m e 80 cm, oferecido por estes “sábios” que não levam em conta sequer o janelão que dá pra Cidade e pro Cosmos, mesmo diante da presença das coisas em si, construídas pelo Oficina Uzyna Uzona, pelo próprio Governo de SP, pelo Ministério da Cultura na gestão do economista e humanista Celso Furtado, pela Sociedade Civil e até por Paulo Maluf, que pagou os fundamentos do edifício do Teat(r)o para fortalecer as paredes do pé direito alto do Oficina.
Estes momentos de construção da obra de Lina, logo após o reestabelecimento da democracia no Brazyl, formaram um breve período em que os burocratas não tinham ainda este poder – fortalecido pelo Cassino da Especulação Financeira.

Os atuais burocratas do Condephaat agem alegando que não existia, na data do Tombamento, este belíssimo espaço aberto dando para a Cidade: estão assim justificando a defesa da construção das Torres Assassinas do Bairro do Bexiga!
São esses paradoxos destes nossos tempos, desta Babel Feliciana, que me dão a sensação do absurdo e loucura das pessoas que ocupam cargos públicos para inverter sua função.
Você mesma, Ana Duarte Lanna, na FAU-USP revelou que não gosta das torres, que as acha horrendas. Pasmem: soubemos que você ainda faz parte da comissão da comemoração oficial do centenário de Lina Bardi!
E você pode ao mesmo tempo querer que se destrua o projeto arquitetônico urbanístico total, para o qual o Oficina foi tombado em 1982/83. O Teat(r)o Oficina prédio não existia mais à época, estava em ruínas, sem as poltronas azuis que oferecemos no 1º de Maio de 1980 ao Sindicato no ABC presidido pelo líder Vicentinho. As paredes estavam cheias de buracos pois nós começamos a construção do Terreiro Eletrôniko para tornar irreversível nosso movimento de transformação.
Todos vão poder ver como estava o Oficina no vídeo “Caderneta de Campo”, uma co-produção do Oficina Uzyna Uzona com a Fundação Padre Anchieta, vencedor do 1º Festival Videobrasil, que este ano comemora 30 anos. Este vídeo foi misteriosamente proibido pela Fundação Padre Anchieta, da TV Cultura, mas será exibido em outubro nesta cidade em comemoração a este aniversário. Aliás, há cenas do dia do Tombamento por Aziz Ab’Saber – que nos recebeu animadíssimo por termos entrado com a Compania Oficina Uzyna Uzona toda para acompanhar a sessão, com câmeras de vídeo – onde poderemos ver Lina Bardi com sua maquete em madeira do Terreiro Eletrôniko para o Oficina e do Teatro de Estádio para nosso entorno, então criado.

Aliás o ponto X é a discussão do diferente deste tombamento que revolucionou a questão da defesa do patrimônio cultural.

O Tombamento foi realizado exatamente em consequência da tentativa do Grupo Silvio Santos querer destruir o Oficina para construir um empreendimento imobiliário, inclusive, no fim do ano de 1980, visando comprar do antigo proprietário o Teatro, ao qual pagávamos aluguel.
Um grande movimento de opinião pública impediu esta possibilidade e inspirou os homens de cultura da Secretaria de Cultura, em 1982, a tombar o Oficina, ao mesmo tempo em que estes empenhavam-se em conseguir do Estado a desapropriação do terreno da Jaceguai e seu entorno para construir o projeto então criado por Lina Bardi.
Na sua citação do laudo do arquiteto e artista de Teatro Flávio Império: o Teatro Oficina passou por vários tipos de organização interna da relação palco platéia: atuante-espectador. Este fator constituiu-se em parte integrante de suas pesquisas: o ‘espaço’ da cena. Um dos elementos básicos de sua pesquisa de linguagem eminentemente teatral. Seu ‘tombamento’ não deveria, portanto, considerar fixo, congelado, o seu equipamento interno, para não estrangular as novas ou futuras propostas de pesquisa do grupo”
Há que se mencionar que não foi mencionado por você o trecho que finaliza o documento de Flávio: “Concordo com as medidas de urgência, no caso do seu tombamento, dada a iminência da incorporação da sua área de chão a um grande complexo comercial”.
E é obvio que não foi mencionado este granfinale do texto por referir-se ao “grande complexo comercial” que é o mesmo que sua gestão atual autorizou: a construção das torres.
Aliás, o mesmo “grande complexo comercial” derrubou duas casas de vila típicas do Bexiga, tombadas pelo Condephaat, vizinhas do Teat(r)o Oficina, que o projeto de Lina visava ocupar com a casa de Produção e com o Arquivo da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona.
Outra intervenção deste “grande complexo comercial” dói até hoje – ter tapado vitrais dos camarins superiores nos mezaninos ao norte que Lina pretendia que fossem transparentes à Cidade – locais de concentração dos atuadores abertos para a paisagem viva da Cidade e do Cosmos.
Além disso, uma abertura de uma janela no muro norte, feita e filmada no dia 6 de janeiro de 1980, logo que voltamos do exílio, tombada com o Teat(r)o Oficina em 1982, foi amurada por este futuro complexo comercial do Grupo SS no dia 9 de novembro de 1989 – dia da Queda do Muro de Berlim.
O Condephaat desta época já era o que parecia ter se tornado depois da última gestão autônoma do órgão pelo Dr. Modesto Carvalhosa – uma espécie de braço deste Complexo Comercial, pois nunca levou em conta estes crimes contra o Patrimônio Tombado.

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Na época dizia-se, como se diz ainda hoje aí no Condephaat, que “Zé Celso é um velho decadente que é contra o progresso de São Paulo”.

Não acredito que as Torres valham mais que a Praça Cultural que a própria Ministra da Cultura Marta Suplicy vem negociando com Silvio Santos – por indicação do Laudo do Tombamento do IPHAN, onde pretende-se realizar não um Complexo Comercial, mas Cultural, ligando o Oficina, seu entorno, o TBC, a Casa de Dona Yaya, em direção ao AnhangaBaú – daí um dos nomes que demos à esta Praça da Paixão da Cultura: Anhangabaú da Feliz Cidade, que inspirou um presente para esta causa, um belíssimo Samba-Hino composto pelo poeta, músico e catedrático de Literatura na USP, José Miguel Wisnik..

Jurema Machado, atual Presidente do IPHAN, no seu Laudo de Tombamento, quando era conselheira e representava a UNESCO, escreve:

“O que não fica claro – e deveria merecer uma avaliação mais aprofundada – é porque uma cidade como São Paulo, onde se tem a maior e mais consolidada experiência de aplicação de instrumentos urbanísticos como a transferência do direito de construir e as operações urbanas não elegeu o Bexiga para a aplicação prioritária desses mecanismos, justo uma região tão bem localizada, que tem potencialmente muito mais valor para São Paulo – até mesmo sob o ponto vista estritamente financeiro – pela sua diversidade cultural do que pela quantidade de metros quadrados que se possa construir ali. Edificações com destinações comerciais e de serviços, que não tenham outros requisitos locacionais a não ser a acessibilidade, podem ser deslocadas dentro do espaço da cidade utilizando instrumentos dessa natureza. Já o lugar das práticas culturais é ali, e só ali. Se não for ali, o Bexiga como tal deixará de existir.” 

Lina Bardi, que se chama Aquilina – com seu olhar de Águia, estendeu um dos braços com os dedos apontando para os arcos romanos da rua pista cênica em direção ao Norte – ao Anhangabaú – derrubando virtualmente com os olhos os muros, atravessando o terreno do entorno, a Rua Japurá, chegando ao Vale do AnhangaBaú sobre o qual ela estava realizando seu excepcionalmente belo projeto para um concurso público, que para a infelicidade geral da saúde e beleza da metrópole de SamPã não foi contemplado.
Ela pretendia fazer verde novamente o Vale do Anhangabaú – era a razão mais forte de seu projeto para o Oficina ter um alcance urbano: um Teat(r)o que, através de uma das quatro ruas do entorno penetraria a Cidade em direção ao Vale do Anhangabaú.
O Tombamento se deu exatamente porque Azis Ab’Saber, Flávio Império e João Carlos Martins compartilhavam deste arrojado projeto. O Tombamento seria uma 1ª Etapa que se seguiria à desapropriação e à construção deste Complexo Cultural Urbano.
Flávio fez aquele texto exatamente abrindo caminhos para que construíssemos o projeto de Lina Bardi, do Terreiro Eletrôniko = rua dando para as “Catacumbas de Silvio Santos” ou Pista Rua (hoje denominada Rua Lina Bardi) dando para uma Ágora: o Teatro de Estádio – preconizado por Oswald de Andrade em seu manifesto “Do Teatro que é Bom”: um “Teatro de Estádio” como antídoto ao “Teatro de Câmara”. Texto que consta do Livro “Ponta de Lança”.

Há uma obssessão, não somente do Codephaat, mas de uma geração freqüentadora do Teatro Oficina nos anos 60 – e por isso seu texto é de interesse Público – exatamente a minha geração, hoje acomodada no poder, que não perdoa nós termos continuado a linha evolutiva brotada nos anos 60. Não aceitam o Teat(r)o que se faz hoje pela Companhia dos Artistas da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona como uma consequência, uma continuidade de tudo que no fim dos anos 60 começou a renascer no Teatro Oficina e no Mundo.

Esta é a Grande divisão entre essas duas visões do Destino dos Patrimônios Culturais e da Própria Vida com que hoje nos confrontamos.

José Celso Martinez Corrêa, Presidente da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona

Entrevista para a revista SELECT

Ió! MARIA CLARA

1. Qual a sua Concepcão sobre o Paraiso?

Sobretudo o bairro em q me mudei  depois q tive um infarto em 1994 durante uma peça em q o Paraiso era no “MANGUE” do Rio de Janeiro: os “Mistérios Gozózos” decifrados por Oswald de Andrade, exposto na Praça da Sé no Carnaval de 1984.

Eu estava exausto com a abertura do Oficina Terreiro Eletrônico do Oficina Uzyna Uzona com  “Ham-let”e em vez de tirar férias entreguei-me  a mais de 300 Atuadores pra em  poucos dias revelar Apaixonado esta Obra Prima  dos Mistérios de todas as Religiões .

Nela o Vendedor de Santos, torna-se Cafetão da Puta Gostosa Eduléia no final e dá-lha de Presente  o Cristo Redentor do Corcovado, na peça” Jesus das Comidas”, adorado pelas Putas do Mangue que oram cantando, pedindo a Ele, “O Pau Nosso de Cada Noite”.

Eduléia, que busca a revelação do Mistério de suas Paixões e as de Todo o MANGUE , desembrulha o Presente, despe-o ajoelha-se em extase tendo a revelação na phala final da peça e diz reverenciadamente: “É O CARAIO!!!!!!”.

“Os Mistério Gozozos” do Paraíso  não se limitam somente ao Pau-Phalos-Pai ,mas ao EROS á  Mãe-Amante Natureza de SamPã  onde tudo é Desejo.

E é aqui mesmo  e agora

O Paraíso é amante do Inferno e do Purgatório e está na Percepção Erótica do aqui agora.

Quanto ao Bairro Paraíso, onde morava, tive um carro roubado, era uma região insegura, mas aqui a rua onde moro virou uma “rua de pegação”,e tornou-se um lugar mais seguro.

2. O que te aproxima dessas sensações?

O Orgasmo não somente sexual, mas o êxtase diante da vida que não se perde tempo, por espera por Paraíso algum , depois da morte e se entrega à magnificência do Etherno Presente q é estar no Mundo.

Na “Macumba Antropófaga2012” encenação do “Manifesto Antropófago” de Oswald de Andrade eu fazia o Pare Anchieta, quando este ia pro Céu depois de morto em busca das “11.0000 Virgens Mártires no Paraíso“. Anchieta morria, oouvia uma Harpa tocando e ressucitava, despia-se de sua Batina Preta Surrada e olhando Todos atuadores, a multidão Presente, vê neles: as 11.0000 Virgens Meartires do Paraíso.

ANCHIETA – “Divina Diabólica Revelação! O PARAISO É O TEAT(r)O!!!!!!!!”

3) Que diretor, autor ou ator/atriz melhor representou a sua concepção de paraíso no teatro?

O “PARADISO” Lezzama Lima escrito em l966 por este genio da literature cubana

Está mais nesta obra
que espera da Vinda do Messias
nos Paraísos Capitalistas
Comunistas

Stá onde Stamos
dentro e fora de nós mesmos ,no mesmo
estar no tempo
Mas sem dúvida a visão ainda mais clarificada está num dos Livros de Filosofía de Oswald de Andrade:
“A Crise da Filosofía Messiianica “
e
no 1º Quadro : O CÉU da peça “O HOMEM E O CAVALO”,do mesmo autor

HUMOR AMOR E MUITO MAIS 

ACORDES