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Arquivo da tag: Pra dar um fim no juízo de deus

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Pra quem viu e pra quem não viu

pra dar um FIM NO JUIZO d deus  

ver o nunca visto

Retorna a SamPã neste fim d Semana, depois d passar as duas últimas semanas em Brasília, com o ineditismo de uma peça q re-existe no quente da hora, sintonizada com os acontecimentos tragicômicos da Farsa Política do Golpe.

Nos meus 58 anos d Teatro, raramente viví o Poder Político Cultural do Teat(r)o tão intenso no prazer de Chanchar a Trágédia Golpista.

Um Público inspiradíssimo, ligado aos acontecimentos de cada dia, q lotava o Teatro da Caixa Econômica, nos fez virar a peça de Artaud, agora com as Máscaras dos Protagonistas armando o Golpe em nome de deus, num Carnaval delicioso.

Nem nos anos 60, com“Rei da Vela”, “Roda Viva”, sentí o Poder do Teat(r)o revelar uma peça comopra dar um FIM NO JUIZO d deus do Momo, do Palhaço de deus : Antonin Artaud, como um Jogo Tão desmistificador da Farsa q estamos vivendo no Brasíl.

Poucas vezes vi o Teatro Político tão Arte, tão vivo, tão revelador do Poder, até então, reprimido da Cultura.

Queremos fazer neste fim de Semana a peça no Teat(r)o Oficina, pois nosso desejo de justiça teatral é correr agora todo o Brasil enquanto o Golpe não se consolida, por termos a humilde pretensão de q “pra dar um Fim no Juizo d deus” pode, pelas Gragalhadas, ser um dos pontos somados a todas as outras Milhares de Manifestações.

dar um Golpe no Golpe!

 

 

 

 

foto d'artaud

foto d’artaud

Afinal q o dia d’Ela Chegou

Odoyá Iemaniá

 

Estreia dia 31 no Teat(r)o Oficina

“pra dar um Fim no Juízo de deus” d’Artaud

 

No clima pós Guerra em Paris, ondas

da Rádio Nacional Francesa levavam

ao ar um programa d grande

audiência:

“A Voz dos Poetas”

Artaud saído d 9 anos d Hospício,

Grande Poeta, é convidado a dar sua

Voz ao Programa.

Vindas diretamente d seu Corpo,

escreve uma peça radiofônica q

grava à 4 Vozes:

Artaud, Maria Casares, Paule Tevin,

Roger Blin,+ Sonoplastas do Studio

Artaud estavam felizes d impregnar os

ares com a emissões das suas

enérgicas phalas, vindas de seus

Corpos.

Vozes fecundadas nas batalhas com

surrealistas,

na encenação de suas primeiras

peças,

na publicação d seus poemas,

nas epifanías d seus filmes,

nas viajens Xamânicas, em todas as

xamadas: drogas.

O Corpo d Artaud doía [por estar imerso

no mal estar da civilização ocidental].

Decide ir pro México, ao encontro dos

Índios Taraumaras

Mastiga o peyote dançado na Roda

dos Peidos dos Xamâns

Peidorrentos y tem a iluminação

“peido, logo existo”

No Rito vê a fraqueza dos Corpos

dos Colonizadores, sem Corpo, diante

da vitalidade dos Corpos Taraumaras.

Em Havana recebeu no Terreiro d

Santería

uma Espada d São Jorge Ogum

Guerreiro.

Retorna à Europa pela Irlanda

com o bastão y a poderosa Espada

Verde

botando fé q com ela, iria levantar o

povo Celta

para retomar sua vitalidade primitiva

como a dos Taraumaras

Mas é preso, deportado pra França,

y durante toda a 2ª Guerra Mundial,

passa 9 anos d Hospício à Hospício

passando por choques

elétricos, camisas d força, drogas pra

fazer desaparecer o corpo, fome da

escassez d alimentos na Guerra; mas

nunca deixou d inscrever o q sua

mente-corpo irradiava,

até ser posto em liberdade depois da

Paz:

um antropófago sem dentes…

entre seus muitos escritos gravados à

sangue,

(no seu cú talvez já jorrasse sangue

d’um câncer

q o impedia de cagar)

mesmo assim, estava vivo demais

y jorrava os líquidos d seus

sofrimentos

escrevendo espermeando, desejando

a Merda

Na sua Peça Radiofônica, faz

palavras, glossolalías se encontram

numa sumula d ser vivo, matéria

orgânica d toda sua experiência a ser

emitida aos ares, não somente a seus

contemporâneos mas pra nós q nem

tínhamos nascido.

Poema Peça Radiofônica – com tudo q

seu Corpo Marcado descobriu:

q por ser viva demais –  foi golpeada

com um impechment

pelos Juízes representantes crentes

do Juízo do Deus Único

da Verdade Única

Censores da Rádio Nacional Francesa

no dia 2 de fevereiro d 1948

(no Brasil, dia d Iemanjá).

Cortaram essa emissão,

foi o Golpe d Morte em Artaud

q piorando de suas dores q nem a

Morfina vencia

continuou escrevendo até vir a morrer

no dia 4 de março do mesmo ano d

1948.

Esta Peça, foi o sub texto pulsante

no Anti Édipo d Deleuze-Guatarí, q

explodiu clínicas y mais clínicas d

psiquiatria no mundo.

Essa emissão caiu de novo, agora,

nas mãos d Artistas do Teat(r)o

Oficina Uzyna Uzona, nestes dias em

q todos íamos percebendo os Golpes

do Juízo d deus, q já poluía o Brasil,

desde a vitória raspando d Dilma,

sobre Pentheu Aécio, q iniciou a

escalada dos Golpes tocado à veneno

dos ódio dos perdedores, q pediam

recontagem de votos. Depois foram as

“Pautas Bombas”, d’ um Congresso d

Gangsters Evangélicos.

O Clímax dos Golpes: foi a Co-

Produção Bíblica da Midiona, com

o Cardeal da Inquisição: Moro.

O Cortejo d Novela em seu novo

horário: 6h da manhã, estrelada

pelo vilão Lula, coagido a depor

de São Bernardo, atravessando

SamPã, a até o Aeroporto de

Congonhas.

Dia 18 a Manifestação da Paulista

despertou a Esquerda. A pessoa mais

eloquente do Brasil, d todos os

tempos, o Lula Paz Amor y Humor y

Muito Mais, estorou até a divisão entre

verdes y vermelhos.

Mas o Juízo d deus, no dia seguinte,

quando Moro já tinha proibido a

difusão dos grampos, levantou sua

proibição, “pelo bem da pátria

brasileira”, y escancarou seu Golpe no

Palácio da Alvorada: o Grampo

Telefônico no Palácio da Presidente

Dilma. Logo depois os Golpistas

tentaram invadir o Palácio.

Hoje o Impechment fervilha nos

Ajuizados d deus q não se entendem.

A Farsa do repeteco está no Poder 

“A sua Profecía vai fracassar,

y eu vou gragalhar qua qua qua”

Nós Estreamos “pra dar um Fim ao

Juízo d deus” d Artaud

dia 31 d Março no Oficina,

dia em q o Golpe d 1º de abril d 1964

estava parindo y nós não sabíamos d

nada.

Mas agora já sabemos.

Vivemos pelo menos há mais d um

ano neste escancaramento.

Não vai ter Golpe, porque já está

sendo dado, há algum tempo.

Minha Mar, é a dos Artistas y vou me

encontrar com elxs no dia d meu

aniversário, amanhã dia 30,

comemorando meus 79 anos

no Masp.

O “pra dar um Fim no Juízo d

deus”, manifesto carnal d Artaud,

nasce orgânico y cresce nesse

ambiente d Farsa como uma

trepadeira d maria sem vergonha.

Nesta noite no Oficina, a Peça

Radiofônica d Artaud, não vai mais ser

impixada -estará incarnada em corpos

vivos,

sem órgãos absorvendo y replicando

os acontecimentos vivíos em nossas

carnes.

Sinto talvez q todos os Corpos sejam

verdes, vermelhos, ou multicores,

e estão sofrendo no Brasil.

Fazendo esta peça revolucionária,

penso: vai surgir uma Frente Ampla d

pedaços d todos os partidos em

defesa da democracia?

Meu ser ZéArtaud, minha

Personagem, deseja

Mais q uma FRENTE,

uma RODA VIVA AMPLA 

d todas as Culturas Brazyleiras,

Ianomanis, Tupys Guaranys d todas

as Tribos, no movimento inevitável da

vida no Planeta Ser Vivo Terra, com

os Sem Teto, Sem Terra, Gays,

Lésbicas, Trans, Afro Descendestes,

Trabalhadores Inspirados, Mulheres

Livres, Hackers, Menores d 16 anos,

Favelados, Classe Média, alguns

Pirados dos 1% com suas Fortunas

distribuídas. Nessa Roda tiramos todo

s os rótulos y somos com os bichos,

águas, terras, seres vivos q juntos

vamos democratizar a democracia,

mudando democraticamente o

sistema, até atingirmos a Anarquía

Coroada y Tecnizada.

Esse lixo q cacareja o impeachment,

corruptores da própria Corrupção em

nome do JUIZO D deus, hoje sob o

comando d um Vampiro, ressucitado,

dando o desfecho á novela: será q o

Crime foi cometido pelo Mordomo?

Virão novos capítulos desta novela,

mas nós continuamos com a mesma

peça em cartaz.

Uma peça d Artaud, é um Corpo sem

Orgãos,quer dizer, como o mesmo

movimento d intuscepção d Terra q

renova-se livrando-se de seus

agentes adversos”

Zé Celso

MERDA

 

 

Roderick Himeros em cena de O Banquete. Foto Fernando Lima

Roderick Himeros em cena de O Banquete. Foto Fernando Lima

Semana da Ressurreição do Corpo do Christo Ressucita
a maior Parada Gay do mundo
y  
o Teat(r)o  Oficina atua direto no assunto.
Por isso nós, Artistas do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona
saudamos
a Semana  da Ressurreição do Corpo de Cristo,
justamente sincrônica
à Semana da Parada Gay,
que torna rhealmente Epifânica esta data
em que o Amor de Jesus sai do Armário
Nossa saudação está na materialização
da nossa atuação músico teatral
de 5ª e 6ª, com a peça de Artaud Pra dar um fim no juízo de deus,
y Sábado, com a peça de Platão Sócrates O Banquete 2015
No Domingo damos uma Parada
pra podemos estar presentes nesse fenômeno sacro religozozo:
a “Parada Gay 2015”
Porque a Parada Gay cai sempre nesta semana Milagrosa?
Nós, tecno artistas, temos respostas excitantes pra essa pergunta
nos nossos dois Espetáculos Rituais
OficinaUzynaUzona

Na maior Alegria a Companhia do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona retoma a Temporada neste 2015, em dose Dupla:

1º: Estreamos com o mais que milenar “O Banquete”, de Platão e Sócrates, contando cantando os Oito Séculos da Sabedoria dos Gregos neste Grande Caos de Burrice Conservadora do Brazil e do Mundo em 2015. Estreamos sábado, no dia 25 de Abril, às 18h.

Foto Marília Halla para cena de O Banquete durante as Dionizyacas em Viagem.

Foto de Marília Halla para cena de O Banquete durante as Dionizyacas em Viagem.

O Oficina, exilado, trabalhou e viveu a alegria intensa deste grande momento da Internacional da Língua Portuguesa e de suas Línguas Criolas, p brazilero, por ex.

Por isto, esta Estreia é dedicada às Revoluções que o Brasil necessita neste momento.

“O Banquete 2015” será servido ao Vinho e a Cantadas Milenares de Amor, em todos os sábados e domingos, até o fim do mês de maio, dia 31, e correrá sempre ligado aos acontecimentos da hora, na Ethernidade da Poesia Antiqua.
 
2º: ReEstreamos dia 30 de abril, na Noite das Bruxas de Walpurgis, véspera do 1º de Maio, às 21h, o grande sucesso de “pra dar um Fim no Juízo de deus “, de Antonin Artaud, que estará em cartaz todas as 5ªs do mês de maio, denunciando desde a “bosta social” da pretensão do assassinato das conquistas dos Trabalhadores do Brasil pelo Congresso vendido às Grandes Empresas patrocinadora de sua Eleição, q  estupidamente recomenda oficialmente a bosta da terceirização da Classe Trabalhadora brazilera.

Pascoal da Conceição em cena de Pra dar um fim no juízo de deus. Foto Fernando Lima.

Pascoal da Conceição em cena de Pra dar um fim no juízo de deus. Foto Fernando Lima.

Artaud e as Bruxas nos trarão os desenfeitiçamentos necessários, não somente na Véspera do dia Mundial do Trabalho, mas nas incontáveis bostas oficialmente reconhecidas e recomendadas neste momento entre o Golpismo Fascista e uma Virada Revolucionária Popular.

O Grande Angeli retrata nossos Neurônios explodindo gigantes em nossas Cabeças, diante da dose diária de violenta mediocridade  q a saída do armário da direita golpista verde amarela, diariamente, empesteia com sua nocividade pesticida as terras brazyleras.

Mas com a Arte do Teat(r)o q praticamos, invocamos valores de invenções transhumanas, q têm o phoder de espantar as tolices q os vaticínios de Ódio da Caquética $ociedade do E$petáculo espalha no ar. Esses bandos de piolhos,  em sua ostentação medíocre de ressentimento, de horror às suas vitimas – os mais pobres – são mais q inspiradores para as Artes do Deboche Trágico Teat(r)al. Trazem a nós a tremedeira inspirada dos Animais Eróticos, q não estão presos a seus Ódios e q não têm nada a  Perder. Mais q nunca, a Liberdade do Corpo a Corpo, nestas noites de Crise, tem reencontrado o “Valor incomensurável do Teatro” q Cacilda Becker sempre revelou.

Enquanto Portugal, os EEUU e o Uruguay ganham mais paz, mais prazer, mais saúde, menos violência e muito dinheiro com a descriminalização da Maconha, aqui se quer manter sua  criminalização e ainda impor a lei penal para crianças de 16 anos.

Enquanto nossa Constituição de 1988 determina o Imposto às Grandes Fortunas, este é ignorado e determina-se q os do andar de baixo é q devem pagar o “ajuste fiscal”.

A Regressão brazilera dói e, hoje, a Homofobia, o Racismo, o Mercantilismo dos Corpos Humanos são tidos como uma Liberdade de Ação e do Pensamento.

Em pleno arrocho cultural, estamos em Cena com o Teatro mais Radical dos tempos em q a Humanidade cuidava de si, mas sempre no hoje, em q nos cuidamos mais q nunca, universalmente, de nós mortais, por estarmos vivendo em pleno ano de maltrato e ódio aos seres vivos: humanos, animais, vegetais minerais, aquáticos…

O sucesso de “pra dar um Fim no Juízo de deus” era por nós esperado, por ser uma peça q faz emergir a radicalidade vital da Máquina das Intensidades da Vida, num momento em q Ela, a Vida, está a perigo.

Estamos na Alegria de vivermos da Bilheteria com ingressos relativamente baratos diante do q se cobra no Teatrão Explícito da $ociedade de Espetáculo$. Todos ganhando quotas iguais de bilheteria, numa espécie de comunismo sem Estado, mas com muito investimento no Refinamento e na Eficácia da Arte do TeAto.

Tyazo do Teatro Oficina ensaia O Banquete para estreia em 25.04.2015. Foto Amanda Amaral.

Tyazo do Teatro Oficina ensaia O Banquete para estreia em 25.04.2015. Foto Amanda Amaral.

Estamos como os Índios, realizando Rituais Cosmo Políticos Teatais. Nos ensaios de “O Banquete 2015”, o trabalho anterior com Artaud radicalizou o prazer da disciplina estética. Sinto q neste ano “não” crescemos infinitamente mais q nos anos “sim”. Não por sermos do contra, nunca, mas por estarmos a favor de movimentos vitais, que o aparelho de dominação das Grandes e Médias Fortunas querem aniquilar – mas q sempre manifestam-se publicamente, apesar de reprimidos pelas PMS.

São os q não pertencem aos 1%, ou os q não querem chegar lá, ou fazer as caras e bocas de Bolsas Vuitton, mesmo se compradas  nos Camelôs.

Na época de Platão e Sócrates, a Pederastia era oficialmente a Amátria Educadora. A transmissão da Cultura e da Educação se dava concretamente de Ser Humano Amante, pra Ser Humano Amado. Só se educava através da Experiência Concreta do Amor Livre, entre os mais novos e os mais velhos, Senadores ou Senadoras.

O Público se coloca em torno de uma Grande Mesa de Banquete e pelas Galerias, onde vive com os Atuadores a experiência de uma Cerimônia de Filósofos, bebendo bons vinhos, inspirando Phalas eternamente atuais em torno, sobretudo, do Cuidado de Si e do Outro, em todas as formas de Amor.

Sócrates determina:

”De amor eu sou entendido,
esta noite é pra Eros, está decidido”

Diótima, a Grande sábia da Antiguidade, personagem de Platão-Socrates, é tão Protagonista q é feita por várias atrizes cantoras.

O Elenco encarna os deuses e deusas, Zeus,Hera,Apolo, Pã, Afrodite, Hefaistos, o deus Metaleiro q trabalha na Bigorna com o fole e o Malho, refazendo a Anatomia dos Atuadores, a deusa da Embriaguês, os semi deuses Eros a quem é dedicado o Banquete, Orfeu e sua Lira, Jesus. Contracenam com os Filósofos, Sócrates, o Belo Poeta Fedro, Pausânias e o Mecenas q oferece em sua Casa o Banquete ao seu namorado: o Ator Agatão, q no texto original é o Vencedor de um Concurso de Dramaturgia, mas q nós transformamos em um  Ator q vence as Dionizíacas, fazendo o papel de Dionisios em “As Bacantes”; o Médico Erixímaco q trabalhava no Teatro de Epidauro com sua medicina já holística; no Banquete faz o Simposiarca, o Chefe propositor das regras do jogo para o Simposium – sobretudo, recomendando a dosagem moderada do Vinho com Água; o Grande Dramaturgo da Comédia Grega, Aristófanes, criador da cena dos Andróginos; o jovem Efebo mais Belo e mais Rico da Grécia Antiga, Alcebíades; a  Mendiga Pênia, Mãe de Eros. Hector, Aquiles, Pátroclo, Eurídice, Alceste, Admeto, as Bacantes, Homero, Vinicius de Moraes, Hesíodo, Esquilo. Enfim, todo mundo da Sabedoria da Grécia antiga é invocado nestas noites de 2015, em q nós, seres humanos, tanto precisamos deles.

Marcelo Drummond vive Agatão, que abre sua casa para o grande banquete. Foto Renato Mangolin.

Marcelo Drummond vive Agatão, que abre sua casa para o grande banquete. Foto Renato Mangolin.

“O Banquete 2015” inicia com um canto Croata (esta peça, estreamos em Zagreb) q chama nossa mais q necessária Chuva, a Fertilização da Terra e de todos os Seres Vivos, quando o Público é recebido pelo Tyazo – que quer dizer em grego “Cordão dos Enamorados das Companhias de Teat(r)o”.

O Banquete 2015 é uma Poesia Lírica, um Musical com Solos, Cantos Corais, Cello, Piano, 2 Baixos, 3 Percussionistas, Sopros. O Vídeo Cinematográfico ao vivo incorporado à Encenação transmite os Ritos Espetáculos.

A Direção de Arte, Iluminação, Arquitetura Cênica, Figurinos, Direção de Cena trabalham sincronizados nos “aqui agora” com frescura das Frutas, Flores, Incensos de Cada Noite.

Artaud e Platão, durante as Semanas q transcorrerão neste Outono, são antagonistas, mas nestes meses de Abril e maio, como canta Heráclito, serão

“antes contrários
agora
porque não?
sacrários”

Zé Celso

21 de abril de 2015

Confira aqui todo o Tyazo de O Banquete 2015

Aqui, o Tyazo de Pra dar um fim no juízo de deus

Fila na porta do Teat(r)o Oficina, no Bixiga. Sessões concorridas de Pra dar um fim no juízo de deus. Foto Jeniffer Glass.

Fila na porta do Teat(r)o Oficina, no Bixiga. Sessões concorridas de Pra dar um fim no juízo de deus. Foto Jennifer Glass.

No palco, a trupe discute a reconstrução da anatomia humana. E a maneira que essa ‘reconstrução’ é apresentada no palco é singular. Os atores ‘fazem uso’ de sangue, sêmen e excrementos humanos – gerados pelos atores diante dos olhos da plateia, certo. Como foi a preparação dos atores para isso?

A preparação para as ações anímicas fisiológicas Tabus é a de Concentração. Vem do próprio sentido  sensorial e anímico da peça. Artaud fez esta peça pra ser transmitida pela Radio Nacional Francesa, dia 2 de fevereiro de 1948, dia de Iemanjá, mas  a emissão foi proibida na época, foi gravada e hoje facilmente pode ser ouvida pela Net.

Mas a encenação que criamos, como toda encenação teatal , exige a incorporação física do Verbo. No Teat(r)o o Verbo tem de se tornar Carne.

O Teat(r)o de Artaud é emitido diretamente através do Corpo Animado do Ator, da Atriz, do Iluminador, do Músico, do Contra Regra, das Diretoras de Arte, dos Sonorizadores, dos Câmeras de Cinema.

Quer dizer, com Corpo Anima, dos que Atuam.

Pascoal da Conceição, que fez a peça em 1997, trabalhou bastante na sua alimentação especial, na sua fisiologia nos dias de fazer a peça, pois ele, como se sabe, caga em cena, pros produtos “sintéticos de reposição da natureza, inventados pelos americanos
O Jovem ator Roderick Himeros se masturba e faz sua emissão de sêmen concentrado na peça, assim como oferece suas grossas veias pro Sangue do Rito do Tutuguri, a partir de sua Paixão por Artaud e por sua Profissão = Teat(r)o.

Cada Atuador tem sua maneira de ativar sua fisiologia por sua Imaginação Criadora. Mas não se trata de uma “técnica“. É a Anima da Atriz, Ator Multimídia que atua através de seu Corpo, isto é, com seu Sangue, Vísceras Cerebrais, Cardíacas, Intestinais, Nervosas.

É o que, no Oficina, é atuação do TEATO.

E são acontecimentos ligados ao sentido físico-filosófico da peça.

Um crítico imbecil de Araraquara, quando estivemos aí em 1997, escreveu que Zé Celso foi a Ararquara pra cagar no Teatro Municipal da sua Cidade.

Foi uma temporada feita inteiramente às nossas custas, pois estávamos sendo processados por um padre confessor de minha mãe, pela encenação de “Mistérios Gozozos“, de Oswald de Andrade, no mesmo Teatro Municipal. Me lembro, quando desci do ônibus vindo de SamPã, em frente à casa de meu Pai e Minha Mãe, na Rua 7, eu beijei o chão ainda de paralelepípedos e passou um carro que gritou: vou meter uma bala na sua cabeça.

Qual a mensagem contextualizada que vocês querem passar com o espetáculo?

Teat(r)o não é Correio, não  tem mensagem; é uma arte em que, concretamente, o meio é a mensagem. Quer dizer, as emissões dos Corpos dos Atuadores com o Publico, e o sentido, não se comunica com uma fórmula ou receita, é o que é: TE-ATO.
Seria essa a montagem a mais polêmica e até chocante do Teatro Oficina?

Os Tempos são outros; estreamos com duas sessões pagas, lotadas no Oficina, que terminaram com uma Ovação do Publico. Há muito tempo não acontecia assim em nosso Teat(r)o Oficina. É a Crise que faz o Teatro emergir com todo seu PHODER.

Estamos literalmente con-Sagrados com esta peça. Por incrível que possa parecer, Artaud, o grande Curandeiro do Século XX, que inspirou a Obra Máxima de Guattari e Delleuze (“O Anti Édipo”) é um Autor que tem a palavra de quem escuta a divindade da Natureza, é um Santo Laico.

Até onde sua criatividade e ousadia podem chegar, Zé?

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Foto de Jennifer Glass para cena de Pra dar um fim no juízo de deus.

Não se trata de minha criatividade, mas a do ser humano, que é sem limites. “O  Ser Humano, quando  não seguram ele, é um Animal Erótico. Há nele uma tremedeira inspirada,uma espécie de pulsação criadora de inumeráveis bichos sem nome,que é a forma que os antigos povos terrenos chamavam deus“.

“Pra Dar um Fim no juízo de Deus” tem apenas uma hora de duração, diferente de suas anteriores, “Macumba Antropófoga” e “Calcida Becker”. Seria ela um tiro curto, mesmo?

Não é um tiro; não somos da bancada da bala. E muito menos um tiro curto. É uma intensidade poética que, em uma hora, consegue transmitir tudo que está contido nela. É uma nano capsula de energia que explode em cena, assim como “Ela“, de Jean Genet, que já encenamos, inclusive aí em Araraquara, junto a esta peça de Artaud. Sem comparação, minha primeira peça “Vento Forte prum papagaio Subir“, dura 40 minutos. Isso não quer dizer que as peças longas não tenham o mesmo impacto de comunicação. O tempo longo das peças que você menciona atinge uma esfera além do cansaço, que é extraordinária pra emoção do publico. O Teat(r)o é uma Arte que não se mede a metros.

A ideia da transmissão ao vivo pela internet é, no mínimo, interessante. O que o Teatro Oficina objetiva com isso?

Comunicação Luxuosa na Net. Não se trata de ser “interessante“, é muito mais que isso. É uma Obra de Arte extremamente bem filmada pelo Grande Câmera Igor Marotti, que por enquanto é dada generosamente ao público do Globo Terrestre. Claro que precisamos aperfeiçoar cada vez mais, pra chegar ao TodoMundo, mas já temos até Fãs Clubes internacionais de nossas transmissões.

A iniciativa é boa para o povo de sua terra, Araraquara, que aguarda seu retorno, Zé.

Quando quiserem, e pudermos ser pagos, estaremos de volta. Todo o elenco ama atuar em Araracoara, onde Guaracy, a Sol mora.

Para finalizar, queria saber do senhor, crítico que é, um pitaco sobre o atual momento político do País.

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Foto de Jennifer Glass para cena de Pra dar um fim no juízo de deus.

Vivemos, como o Mundo todo, uma Crise Sistêmica do Capitalismo do Século 21, corrupto em si mesmo – é o momento de maior desigualdade em toda a história da humanidade, de maior concentração da Riqueza em 1% da População.

Isso provoca as  loucuras do Monoteísmo que hoje virou fundamentalista, que faz Guerras religiosas, querendo tomar o poder temporal em nome de seu Deus único.

É um momento de muito Ódio, que muitas Verdades, com Deus únicos, emitem.

O Brasil vive um momento de retorno da Direita  fundamentalista, que pra se segurar e não perder seus privilégios no Crash Mundial, se organiza em torno dos “Hate Groups“.

Quem tem o que segurar, quer manter tudo como está, e atribui ao PT o Bode da Corrupção.

Mas hoje mesmo nos jornais, se lê da corrupção não só do PSDB (os inquéritos engavetados se reabrem), mas de um Militar que tem um Site de Pedofilia, dos Globais etc.

Luisa Erundina hoje procura criar uma rede vinda de baixo pra cima, porque quem está no andar superior, que tem muita grana, está ainda fazendo Pose de Gente do Bem, nas Colunas Sociais, nas Revistas Caríssimas, de Luxo…

Estão histéricos, morrendo de medo de perder suas fortunas, heranças, inúmeras Casas de Praia, na Vieira Souto, na Paulista etc.

O Sistema Capitalista já encheu o saco e agora vai pras ruas aos milhões – e não tem o que dizer.

Não tenho partidos, mas sou de esquerda e o Teatro, por si, é uma Arte Revolucionária.

Até o Ano Passado, o Teatro Radical e Antenado, como tem de ser, era totalmente desprezado, posto de lado.  Como a Cultura, era coisa desprezível, secundária, mas desde a estreia da peça de Artaud sentimos uma virada de 360 Graus.
O ápice da Crise trouxe de volta o Valor do Teatro e o Publico paga pra ver.

Apostamos pôr em cartaz esta peça, pra vivermos da bilheteria, como acontece com a dignidade das Putas q vivem de seus Corpos. Milagrosamente aconteceu, acertamos. Ela, a Bilheteria, reapareceu nesta ressureição do Poder Teatral.

Em todas as Crises da História da Humanidade, o Encontro entre pessoas vivas na Arte Teatral, no Corpo a Corpo, sem Pose, Caras e Bocas, as Máscaras Implodem no derretimento dos Botoxs das Sociedades de Espetáculo$.

Zé Celso

em seu Inferno Astral, 23 de Março de 2015

muito Feliz com o Retorno do Poder Teat(r)al

Matéria publicada em 27/03/2015 no site da Revista Cult, por Welington Andrade:

“Artaud dizia que se uma época se desinteressa do teatro é porque ele não a representa mais. O teatro de Zé Celso sempre interessou a sua época, sempre a representou. Não somente porque ele sempre aplicou o primário ‘princípio da atualidade’ (que consiste, por exemplo, em colocar o Brasil de 1963 numa peça russa de 1902), mas sobretudo porque, bem mais profundamente, ele sempre situou essa atualidade para além dos acontecimentos, num jogo de tensões capaz de traduzir a vida do seu ponto de vista universal, imenso e livre”.
Ana Helena Camargo de Staal,
Primeiro ato: cadernos, depoimentos, entrevistas (1958-1974).

A atriz Camila Mota em cena de "Pra dar um fim no juízo de Deus". foto Jennifer Glass.

A atriz Camila Mota em cena de “Pra dar um fim no juízo de Deus”. foto Jennifer Glass.

Pela segunda vez em menos de vinte anos, o diretor José Celso Martinez Corrêa e o elenco do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona abrem as portas do Bixiga para que Antonin Artaud (1896-1948) – vindo não se sabe bem de onde, talvez do asilo de Rodez ou da sede da Radiodifusão Francesa, talvez ainda da Paris feérica da primeira metade do século XX de cuja cena cultural foi um notável errante ou mais simplesmente de sua Marselha natal – saúde o povo de São Paulo e peça passagem. O criador do teatro da crueldade, segundo mostra Zé Celso, está mais louco do que nunca, quer dizer, mais momo do que nunca. Em ambos os casos, não custa nada lembrar, mais poeta do que nunca.

Pra dar um fim no juízo de deus é o nome da peça radiofônica que Fernand Pouey convidou Artaud a conceber, em novembro de 1947, como um quadro do programa A voz dos poetas. A experiência consistiu na articulação de quatro textos, três que já estavam escritos – “Tutuguri, o rito do sol negro”, “A busca da fecalidade” e “A questão se coloca em” –, e uma introdução geral que Artaud escreveu especialmente para a ocasião, com cujo título, inclusive, a iniciativa foi batizada. Gravada entre 22 e 29 de novembro daquele ano, a peça contou com as participações de Maria Casarès, Paule Thévenin e Roger Blin, além do próprio autor, e seria transmitida publicamente em 2 de fevereiro de 1948.

Seria, não fosse o fato de o diretor da Radiodifusão Francesa, Vladimir Porché, ter se assustado com a “obscenidade” dos textos a ponto de interditar a veiculação do trabalho na emissora. Passados alguns dias nos quais personalidades do mundo artístico e jornalistas foram chamados a debater se a obra deveria ser liberada ou não, Pouey chegou a uma solução intermediária, organizando, em 23 de fevereiro, uma transmissão privada da gravação, somente para convidados, no cinema Le Washington – o que naturalmente deixou Artaud, pouquíssimos dias antes de sua morte, em 4 de março de 1948, bastante desolado. (Vale lembrar que, embora o texto tenha sido publicado já no ano da proibição do programa, somente em 1973 este seria transmitido pelo rádio).

Às vésperas de completar sete décadas de existência, Para dar um fim no juízo de deus transforma-se novamente pelas mãos de Zé Celso e do Oficina (a primeira montagem data de 1996) em um ritual mágico, disposto a impelir o espectador a um “estado de vida poética”, cuja poesia – contrariando o mais equivocado dos lirismos – é, a um só tempo, “negra e radiosa”, como desejava o autor de Heliogábalo.

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