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Essa entrevista foi feita com o jornalista Miguel Arcanjo Prado em dezembro de 2015, para o Portal UOL, que a publicou com algumas edições. Agora, ela segue aqui na íntegra:

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Zé Celso em cena de Mistérios Gozósos. Foto Jennifer Glass.

Por que você resolveu recriar Mistérios Gozósos neste momento?

Pra trazer pra este coito interrompido q estamos vivendo o olho d´água da renovação permanente da vida, q é o Gôzo Gozado d quem todos somos filhxs, em suas Gotas antropogafiadas pelos Mistérios da Boceta d nossas mães; ou, simplesmente, ejaculado por prazer de semear alegria na Terra.

Como a peça Mistérios Gozósos dialoga com o Brasil atual?

Ela não dialoga, ela nutre nossos corpos cansados d explicar o mar, q batizamos d A Mar; mas esse nós não somos nós do Oficina UzynaUzona, somos todos os habitantes dos versos d Oswald: “Há um grande cansaço d explicar o mar…”, q termina na Mar d Amar

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Roderick Himeros e Carina Iglecias em Mistérios Gozósos. Foto Jennifer Glass.

Qual sua percepção do atual momento sociopolítico (a tentativa de processo de impeachment contra a Dilma, a carta pública do vice-presidente)? Você teme um retrocesso democrático?

Ele já esta aí, desde o dia 26 d outubro, quando a direita passou raspando, mas perdeu a eleição. Há uma ditadura no Congresso, q já nascia da onda d ressentimento, ódio, revanchismo d não saber perder. Temos é q nos livrar desta Ditadura q continua do período Civil Militar d 64 até agora.

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Joana Medeiros vive Madame Bovary. Foto Jennifer Glass.

Você coloca a bancada BBB, Bíblia, Bala e Boi em Mistérios Gozósos. Por quê?

Porque parece uma peça Gozada de Brecht, essa união de Pastores Gangsters q privatizaram o Congresso pra exercer uma ditadura q esculhambou com a Economia y a Política do Brasil. Y como o Nazismo, vai acabar mal, devia desde já ser Impichada.

 O que você achou das ocupações das escolas pelos estudantes pelo não fechamento das unidades, conseguindo fazer o governo estadual voltar atrás?

Não arregramos e continuamos não arregrando, já sacou q isto está acontecendo no Brasil? Y as mulheres q não aceitam a criminalização da liberdade d seu próprio corpo! Y os Sem Teto! Y o povo do Teatro não de Shopping, mas d Rua?!

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Sylvia Prado é Lurdz, a Paulista. Foto Jennifer Glass.

Por que resolveu manter Mistérios Gozósos em cartaz no Natal e no Ano-Novo?

Porque estamos com esta peça q é um Auto de Natal do Catolicismo Antropofágico do Brasil do Século XXI. Ela já foi feita aqui no Natal d 1994. No Reveillon vai ser maravilhoso. Quando der Zero Hora, estaremos com as Pessoas q vierem pra festa, cercado de 20 minutos dos Fogos de toda SamPã, por todos os lados. Lindo!

Este ano é atípico: sentimos que, desde o Público q veio estar conosco em “Pra Dar um Fim no Juízo de deus”, d Artaud y, logo a seguir, com “O Banquete”, d Platão, tivemos o Oficina sempre lotado. O Povo q está vindo ao Teat(r)o Oficina neste ano de 2015 y a todos os Teatros de Rua d SamPã, sente q Teat(r)o junta pessoas q buscam uma transmutação Antropofágica. O teatro desde Dionísios é uma Arte Antropófaga q junta, mistura, come y dá de cumê tudo igual à cidade de SamPã – não São Paulo.

Nestas datas, y mais a do aniversário desta Cidade, dia 25 d janeiro de 2016, estaremos festejando.

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Mariana de Moraes (Eduléia) e Marcelo Drummond (Jesus das Comidas)

Quais são seus planos para o Oficina em 2016?

Estar respirando, descascando os Pepinos d saber como vamos criar na dureza geral, em todos os sentidos, os Poemas Teatais na Terra Sagrada do Teat(r)o Oficina. Cuidar desta Obra d’ Arte Arquitetônica Urbana y dar continuidade ao q está sendo gerado no Mangue Sertão, dos Mistérios Gozósos.

O que não dá? O que você deseja para o Brasil em 2016?

Desejo muita Libido pra florescer a Vida de todos os Direitos y Desejos Trans Humanos, Humanos d nós todos Mamíferos, Bactérias, Minerais, Florestas, de toda essa Humana demasiadamente humana, Terra.

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Camila Mota e Marcelo Drummond em cena de Misterios Gozósos. Foto Jennifer Glass.

O que um ator precisa ter para ser do Oficina?

Palhaço Curioso

Por que você faz teat(r)o há tanto tempo?

Por Amor aos Fatos; aconteceu assim y vou fazer até desapare-ser, porque, até esse instante, minha vida é Teat(r)o d SamPã y do Mundo, d Pan, q tem Tudo incluso, o Tudão, como João Gilberto chama o Universo y tudo q existe – e q dá pra ver lá do Oficina, do Janelão de Vidro: a Cidade, a Lua, a Chuva, o Sol. Enfim, o “tudão”.

Qual a coisa mais importante no mundo para você?

Estar aqui agora, doido pra beber um vinho, brindando a você y a quem for ler esta entrevista na íntegra no UOL.

Por quê?

Parece que teatro é sempre aqui agora, a gota q goza.

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Projeto elaborado durante a X Bienal de Arquitetura que expande o pomar jardim para todo o bairro do Bixiga

Projeto elaborado durante a X Bienal de Arquitetura que expande o pomar jardim para todo o bairro do Bixiga

DIA 10 DE NOVEMBRO, 2ª FEIRA, DIA D DE UM NOVO ENTENDIMENTO ENTRE O GRUPO SILVIO SANTOS E O TEAT(R)O OFICINA; DESEJAMOS TODOS TORCENDO PARA ESTE ACONTECIMENTO

Convidamos o público a estar presente nos dois últimos dias da Temporada de “Cacilda !!!!! A Rainha Decapitada”, no sábado; e no domingo, com “Walmor y Cacilda 64 – RoboGolpe”.

Entramos em ensaios a partir de 3ª feira, dia 11 de novembro, para voltarmos dia 12 de dezembro com o Festival das Cacildas y Walmor.

Este fim de semana antecede uma Situação Delicada, para o Presente Futuro do Teat(r)o Oficina.

Dia 10/11, 2ª feira próxima, a Produtora do Teat(r)o Oficina, Ana Rúbia Melo, chegou a combinar com Eduardo Velucci, Diretor da Sisan Empreendimentos Imobiliários Ltda. (setor Imobiliário do “Grupo Silvio Santos”) a Retirada da ESCADA q construímos como acesso ao PÚBLICO (assim como uma TENDA que é atualmente nosso FOYER, para o conforto dos quem vêm nos assistir e para nós mesmos: onde está o “Nick Bar” instalado: um Bar Restaurante).

Eduardo Velucci hoje nos passa um e-mail cobrando o combinado e pede a demolição da ESCADA e a retirada da TENDA para dia 10/1: 2ª feira.

Estamos no dia D.

É o momento de tomar outra Decisão, uma vez que a Situação mudou de lá para cá, pois torna-se legalmente possível, agora, depois das Eleições, a negociação entre o Terreno do Grupo Silvio Santos no Entorno do Teat(r)o Oficina Tombado pelo IPHAN
E o “SITIO DO BURACÃO”, hoje transformado pelo Plano Diretor Estratégico para a Cidade de São Paulo em “Polo  Estratégico de Desenvolvimento Econômico.”  1*

Mapa do Plano Diretor identificando o “SÍTIO DO BURACÃO” como Polo Estratégico de Desenvolvimento Econômico.

Mapa do Plano Diretor identificando o “SÍTIO DO BURACÃO” como Polo Estratégico de Desenvolvimento Econômico.

Portanto, com o novo Plano, caíram os impedimentos maiores para esta negociação.

O “Grupo Silvio Santos” já se situa nesta belíssima região da Anhanguera. Tem lá sua atual Sede. É Vitorioso Precursor desta ascensão da Vida Econômica nesta região, para nossa Cidade.

E é mais que natural, portanto, que Silvio Santos integre em seu Patrimônio o “SÍTIO DO BURACÃO”, através da Proposta da Ministra Marta Suplicy – Ministra da Cultura de Negociação dos Terrenos, antes de sua ida ao Senado em 2015.

Por outro lado, a Área Envoltória gerada pelo Tombamento do Teat(r)o Oficina pelo IPHAN, de Propriedade do Grupo Silvio Santos, foi colocada pelo PLANO DIRETOR em vigor dentro do TERRITÓORIO CULTURAL PAULISTA LUZ; portanto, será difícil ao Grupo construir neste Terreno obras que visem sua Exploração Comercial. 2**

Ana Lucia dos Anjos, Superintendente do Patrimônio da União de São Paulo, busca conciliar as Agendas do Grupo Silvio Santos, do Ministério da Cultura, do Teat(r)o Oficina, para um Encontro que, de imediato, inicie as negociação entre as três partes envolvidas.

Vamos ser generosos com a História desta magnífica ODISSEIA  vivida entre o  Grupo Silvio Santos  e o Teat(r)o Oficina, por 34 anos!

Há 10 anos Silvio Santos visitava o Teat(r)o Oficina para um Encontro q historicamente iniciou o diálogo entre as duas Partes em Conflito. Silvio deslumbrou-se com a Obra de Arte Arquitetônica Urbanística dos “Arquitetos” LINA BARDI e EDSON ELITO, e com a recepção de TeAto Musical q o Elenco do Oficina Uzyna Uzona lhe ofereceu.

Dia 5 de dezembro de 2014 Lina Bardi faria 100 anos. Muitos países no Mundo comemoram seu Centenário.

Nós mesmos iremos realizar no dia 5 de dezembro um Grande Evento no Teat(r)o Oficina e seu Entorno, transmitido ao vivo pela WEB para o Museu de Arquitetura de Munique, q realiza a Maior Retrospectiva do trabalho de Lina Bardi feita fora do Brasil: suas Obras Completas.

Não vamos concluir esta intensa vivência histórica q – pelo menos a mim e a todos do Teat(r)o Oficina – ensinou tanto, com um episódio melancólico como poderá vir a ser: a  RETIRADA DA  ESCADA e da TENDA FOYER.

Esta hipótese poderá vir a ser um enfadonho Re-Início do  Evitável Conflito entre nós neste momento, tão propício a uma solução de Entendimento, enriquecedor para ambas as partes e para a Cidade de São Paulo.

Esta Retirada da ESCADA, da TENDA, e de nosso ACESSO ao nosso Entorno Tombado, inviabilizaria nossa programação pra o fim de dezembro: um “FESTIVAL DE COMCP PEÇAS de Cacildas!!!3/ !!!! 4/ !!!!!5 e Walmor y Cacilda 64 / 68.

Estas serão apresentadas duas vezes nos dias de semana e nos sábados e domingos até 23 de dezembro.

Inviabiliza nosso ano de 2015 – em q entraremos com “A TEMPESTADE” d Wiiliam Shakespare,

Enviamos uma hoje, dia 7 de novembro, uma carta com estes dados para o Presidente do Grupo Silvio Santos, Guilherme Stolliar, com o Objetivo de um vitorioso Final Feliz, para a saída desta peça em cartaz por tanto tempo na nossa Cidade: “Grupo Silvios Santos X Teat(r)o Oficina”

Hoje projetamos dar continuidade às alas do Cheiroso Pomar Jardim que o Grupo Silvio Santos deixou em seu Terreno, expandindo-o em novas ruas de todo Bixiga e ligando o Corredor Cultural do Bairro . 3***

EM 2010 SILVIO SANTOS me disse: Agora q o Entorno do Oficina foi tombado pelo IPHAN não vamos poder mais construir em  nosso Terreno. Não queremos mais empatar vocês; nem q o Teat(r)o Oficina nos empate. Vamos trocar os terrenos.

Esta Carta agora é endereçada aos que amam a Cultura no Brasil e no Mundo, assim como ao apoio nacional e internacional, e à atuação criativa da pessoa de Silvio  Santos e de seu Grupo.

Criaremos um exemplo de entendimento inédito entre partes em conflito, para todo o Mundo sempre em Guerras, criando o Equilíbrio do Amor no Universo.

Zé Celso
Presidente da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona
Diretor, Ator, Autor, Palhaço, Cantor, Amante da Paz, do Amor y Muito Mais

1* Polos Estratégicos de Desenvolvimento Econômico

Art. 177. Os polos estratégicos de desenvolvimento econômico
são setores demarcados na Macroárea de Estruturação
Metropolitana e situados em regiões de baixo nível de emprego
e grande concentração populacional, que apresentam potencial
para a implantação de atividades econômicas, requerendo estímulos
e ações planejadas do Poder Público.
§ 1º Ficam estabelecidos os seguintes polos estratégicos de
desenvolvimento econômico:
I – Polo Leste, correspondente aos subsetores Arco Leste e
Arco Jacu-Pêssego;
II – Polo Sul, correspondente aos subsetores Cupecê e Arco
Jurubatuba;
III – Polo Noroeste, correspondente ao subsetor Raimundo
Pereira de Magalhães/Anhanguera;
IV – Polo Norte, correspondente ao subsetor Sezefredo
Fagundes até a Marginal Tietê;
V – Polo Fernão Dias, correspondente ao subsetor Fernão
Dias.

§ 2º Os polos estratégicos de desenvolvimento econômico
deverão, sempre que houver interesse dos municípios limítrofes,
ser desenvolvidos de forma articulada regionalmente, especialmente
com a Região Metropolitana de São Paulo.
Art. 178. Para planejar a implantação dos polos de desenvolvimento
econômico e estimular a atração de empresas, o
Município deve formular planos específicos para cada polo, que
devem conter, no mínimo:
I – a delimitação de cada polo;
II – a vocação econômica do polo, considerando-se sua
localização e características socioeconômicas e de formação da
população moradora na região;
III – as atividades econômicas que devem ser estimuladas;
IV – as intervenções necessárias, em especial de logística,
mobilidade e infraestrutura, para viabilizar a implantação das
atividades econômicas prioritárias;
V – as estratégias para financiar as intervenções a serem
realizadas, incluindo parcerias público-privadas possíveis de ser
utilizadas para implementar o polo;
VI – prazos de implementação e recursos necessários.
Parágrafo único. O plano deverá definir atividades que,
preferencialmente, tenham grande potencial de geração de empregos,
de nível compatível com o perfil socioeconômico e com
a formação da população moradora na região.
Art. 179. Para estimular a implantação de empresas, o
plano previsto no artigo anterior deve estabelecer as atividades
prioritárias que poderão se beneficiar do Programa de
Incentivos Fiscais, a ser instituído por lei específica, incluindo os
seguintes benefícios:
I – isenção ou desconto do Imposto Predial Territorial Urbano
– IPTU;
II – desconto de até 60% do Imposto sobre Serviços de
Qualquer Natureza – ISS para os setores a serem incentivados;
III – isenção ou desconto de Imposto sobre a Transmissão
de Bens Imóveis Inter Vivos – ITBI-IV para aquisição de imóveis
para instalação das empresas na região;
IV – isenção ou desconto de ISS da construção civil para
construção ou reforma de imóvel.
Parágrafo único. Os empreendimentos não residenciais
implantados nos setores previstos nos arts. 362 e 363, delimitados
no Mapa 2A, ficam dispensados do pagamento da outorga
onerosa.

2** Operação Urbana Centro
Lei 12.349 de 6 de junho de 1997
Estabelece programa de melhorias para a área central da cidade, cria incentivos e formas para sua implantação, e dá outras providências.

Capítulo I
Conceituação, Objetivos E Diretrizes

Artigo 1º – Fica aprovada a Operação Urbana Centro, compreendendo um conjunto integrado de intervenções coordenadas pela Prefeitura, através da Empresa Municipal de Urbanização – EMURB, com a participação dos proprietários, moradores, usuários permanentes e investidores privados, visando a melhoria e valorização ambiental da área central da cidade.

Parágrafo único – A área objeto da Operação Urbana Centro é a delimitada pelo perímetro assinalado na planta anexa n.º BE/03/OB/007/A do arquivo da Empresa Municipal de Urbanização – EMURB, acrescida da área dos lotes lindeiros aos logradouros que determinam este perímetro assim descrito: começa na interseção da via férrea com a Avenida Alcântara Machado (sob o Viaduto Alcântara Machado), prossegue pela via férrea até a Praça Agente Cícero, Praça Agente Cícero, Avenida Rangel Pestana, Largo da Concórdia, baixos do Viaduto do Gasômetro até a via férrea, prossegue pela via férrea até a Estação da Luz, segue pela Rua Mauá, Praça Júlio Prestes, Avenida Duque de Caxias, Largo do Arouche, Rua Amaral Gurgel, Rua da Consolação, Rua Caio Prado, Viela de ligação com a Rua Avanhandava, Rua Avanhandava, Avenida 9 de Julho até o Viaduto do Café, Avenida Radial Leste-Oeste, Rua João Passaláqua, Rua Professor Laerte Ramos de Carvalho, Rua Conde de São Joaquim, Viaduto Jaceguai, Avenida Radial Leste-Oeste, Viaduto do Glicério, Rua Antônio de Sá, Avenida do Estado, Rua da Figueira, Avenida Alcântara Machado até o ponto inicial.

Artigo 2º – A Operação Urbana Centro tem por objetivos específicos:
 
I.    Implementar obras de melhoria urbana na área delimitada pelo perímetro da Operação Urbana Centro;
II.    Melhorar, na área objeto da Operação Urbana Centro, a qualidade de vida de seus atuais e futuros moradores e usuários permanentes, promovendo a valorização da paisagem urbana e a melhoria da infra-estrutura e da sua qualidade ambiental;
III.    Incentivar o aproveitamento adequado dos imóveis, considerada a infra-estrutura instalada;
IV.    Incentivar a preservação do patrimônio histórico, cultural e ambiental urbano;
V.    Ampliar e articular os espaços de uso público;
VI.    Iniciar um processo de melhoria das condições urbanas e da qualidade de vida da área central da cidade, especialmente dos moradores de habitações subnormais;
VII.    Reforçar a diversificação de usos na área central da cidade, incentivando o uso habitacional e atividades culturais e de lazer;
VIII.    Melhorar as condições de acessibilidade à área central da cidade;
IX.    Incentivar a vitalidade cultural e a animação da área central da cidade;
X.    Incentivar a localização de órgãos da administração pública dos três níveis de governo na área central da cidade.

3*** IV – identificar e preservar os eixos histórico-culturais, que são elementos do Território de Interesse da Cultura e da Paisagem e se constituem a partir de corredores e caminhos representativos da identidade e memória cultural, histórica, artística, paisagística, arqueológica e urbanística para a formação da cidade, podendo fazer parte de territórios e paisagens culturais e de áreas envoltórias de bens tombados;

Traços YANG do Céu na Pista y Traços receptivos da Terra - Paz e harmonia em ACORDES

Traços YANG do Céu na Pista y Traços receptivos da Terra – Paz e harmonia em ACORDES

HOJE, 5 de Novembro de 2014, em pleno Dia da Cultura, comparecemos Ana Rúbia – Produtora do Teat(r)o Oficina, Mariano Mattos e Tony Reys – Atores, e minha pessoa, Zé Celso – diretor, ator, autor, uma vez q fomos intimados, no Foro Barra Funda, para nos defender da ação movida pelo Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz, Presidente da www. providaanapolis.org.br , pedindo 3 anos de Cadeia pra nós, incursos nos “Crimes contra a Paz Publica e Incitadores ao Crime”

Em 2012 estava em Cartaz no Teat(r)o Oficina a peça ACORDES inspirada no texto de Brecht: A Importância de estar de Acordo.

Cena dos três palhaços em ACORDES, numa interpretação do artista João Lestrange.

Cena dos três palhaços em ACORDES, numa interpretação do artista João Lestrange.

Nós levamos um trecho desta peça – a CENA DOS 3 PALHAÇOS, para apoiar in loco na Praça ocupada, a Greve de Professores e Alunos na PUC, contra a atitude antidemocrática da escolha para Reitoria da PUC, de Ana Cintra, a 3ª colocada no pleito.

Era já o Ocaso do Fundamentalista Bento XVI, sentindo dores, aqui e ali, antes do Papa Francisco ter assumido esta Entidade, emprestando-lhe seu sentimento Franciscano, humanista, modernizador, para a Igreja Católica.

A Cena q fizemos então, inspirada em Autos Medievais de “CircoTeatro” de Praça, influenciaram muito o Teatro no Mundo inteiro, em muitas épocas, em cenas de Paramentação Carnavalesca, DesParamentação, Desmontagem de Entidades. Nunca de Pessoas.

Na PUC fizemos a retirada de uma Entidade Papal Carnavalizada, nunca do ser humano Bento XVI.

Fizemos Arte.

Em outra peça de muito sucesso que montamos de Brecht, estreada no Teat(r)o Oficina em 13 de dezembro de 1968, dia do AI 5, há uma Cena que Brecht criou como ficção, mas que sintetiza a atitude do amigo e apoiador de Galileu, de suas teorias, Papa Urbano VIII, enquanto vai vestindo as Roupas da Entidade: Papa.

No decorrer da sessão nos Camarins do Vaticano, Urbano termina por ceder à pressão do Cardeal Inquisidor; termina por condenar seu amigo Galileu ao Inquérito do Santo Ofício.

No início da Paramentação, ele protesta contra a pretensão do Cardeal Inquisidor de levar Galileu ao Tribunal da Inquisição, defende as teorias do físico. Mas a medida q vai sendo paramentado, vestindo-se de Papa, quando recebe a Mitra Papal… termina a Cena autorizando o Cardeal Inquisidor a chamar Galileu para o Banco dos Réus do Tribunal da Santa Inquisição.

Na cena da peça q Brecht escreveu em 1929 há, ao contrário, uma cena de desparamentação.

Foi esta Cena q foi levada à PUC.

Era quase o fim do Papado Bento XVI. Este logo demitiu-se de uma função sagrada como infalível e divina. Ele mesmo foi o seu grande desmascarador. Ratzinger não se ajustava ao papel de Papa, estava mais para Inquisidor. Papel antes representado por ele no Vaticano É de sua lavra a condenação da Teologia da Libertação no Brasil.

A Arte tem poder, até inconsciente por quem a faz, de previsão mágica no andamento da história; por isso é tão combatida pelos q perderam o bonde de seu tempo e vivem ocultos em armários de onde não saem, pois é onde escondem sua inadequação para os papéis q representam com sua mediocridade.

Os Atores Mariano Mattos Martins, Tony Reis, a Produtora da peça no Teat(r)o Oficina, Ana Rúbia, e minha pessoa, enquanto diretor da Peça, fomos intimados a comparecer hoje, às 14h, ainda em Fase Conciliatória do Rito q precede a Abertura do Processo.

Foi nos proposto o pagamento de um salário mínimo para encerrar-se o processo.

Nossos advogados Fernando Castelo Branco, e Fernanda de Almeida Carneiros, levaram nossa posição:

“Não aceitamos pagar um salário mínimo porque não somos culpados de nada nesta incriminação.”

Então, Rapidamente, o Rito do Processo se abriu.

O PROMOTOR
(pronunciando-se)
“Eu fiquei chocado com o q vi na Internet: vocês usam a Arte, pra se esconder”

(Um Raio atinge a Personagem do Diretor da Peça q não podia abrir a Boca, mas a Fúria Sagrada encontrou seu Espaço mesmo Interditado e o Raio Iluminou o Espaço com uma Luz muito Branca, cegante)

CORIFEU DA MULTIDÃO
(papel q minha pessoa Zé Celso faz em Acordes)
Ninguém se esconde dentro da Arte.
O Sr. está cometendo um Crime de Vilipêndio contra a Arte e incitando um Crime contra a Paz. Eu vou processar o Sr.
Esta cena me lembra de Cacilda Becker no DOPS em 1964, quando foi acusada de ser uma militante do Partido Comunista por ter dito um Poema de Neruda a convite de Jorge Amado.

Claro q não citei a cena toda, mas aí vai parte dela:

CACILDA
Supor que eu sou uma militante disfarçada
é destruir toda a autenticidade
da minha vida proféssional.
Minha carreira sempre foi descortinada.
diante do público: Teatro / militância declarada/
O único partido: o do Teatro.

(cena q faz parte da peça em cartaz: “Walmor y cacilda 64 – RoboGolpe”)

CORIFEU DA MULTIDÃO
A Arte jamais esconde nada, ela entrega, não esconde.
Tudo é permitido, eu me mostro tanto q posso ficar Nu.

Tyazo da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona no Te-Ato pela Paz, na porta do Fórum. Foto Mídia Ninja.

Tyazo da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona no Te-Ato pela Paz, na porta do Fórum. Foto Mídia Ninja.

Minha Fúria de raio foi interrompida, eu não podia mesmo falar.

Mas chego em Casa e vem tudo do raio q me penetrou:

Na Arte nós expomos, somos descaradamente, cruelmente, comicamente, tragicamente francos, abrimos todos abcessos – os nossos e os da liberdade, onde ainda está sendo golpeada.

E isso em todas, absolutamente todas as Artes Humanas e Transhumanas. O Teatro é o lugar do “Anarquista Coroado”. No Teatro, como em todas as Artes, a liberdade deixa de ser relativa e transforma-se na liberdade ilimitada, Total da Vida e do Ato de Viver: Tudo é Permitido na Linguagem dos Artistas, seja ela em q Arte for. Nós, artistas, temos um Língua bem afiada, sempre no passado presente futuro. A Arte é mais q o Duplo da Sociedade, sobretudo da Sociedade de Espetáculos dos Poderes Estabelecidos.

Somos mais q espelhos, somos os q por sua humana saúde libertária transpassamos todos os limites, como no sonho. Misturamos Vida na Arte, na Paz em todos os tons, nos Teatos. Quem pode censurar um sonho e a arte q é epifania, a materialização sutil dos Sonhos, dos Pesadelos, dos Desejos até mais secretos, a revelação e purgacão dos crimes mais sórdidos entre os humanos? Podemos viver “Macbeth” e todos os Tiranos sanguinários sem culpá-los de nada. No Teatro, e mais ainda no Teato, o Crime é Personagem, como no “Crime e Castigo” de Dostoiewiski.

E os Procuradores criminosos q não tem a menor noção do q seja Arte e cospem nela, também são personagens. Procuradores q se escandalizam diante da Internet com a cena q veem, cenas q aconteceram poderosamente na PUC, num momento em q a sorte da Universidade Livre Laica, q tanto atuou a favor da Liberdade durante a Ditadura Militar estava quase sendo destruída com a tentativa de imposição Fundamentalista Católica Apostólica Romana.

Agora alguns querem de volta, em nome da Paz, os Senhores da Guerra. Gente como este Promotor, q nem sei o nome, q no dia da Cultura, 5 de novembro de 2014, não sabem, não tem a menor ideia do q é essa coisa chamada Cultura, muito menos o q chama-se Arte, e por isso querem nos prender por 3 anos numa Cadeia, porque somos livres. Isso acontece neste momento em vários lugares do mundo, e no Brasil especialmente, quando manifestações inspiradas pelos mais medíocres sentimentos como “ressentimento”, “ódio”, “vingança”, pedem a volta da Ditadura dos Senhores da Guerra em nome da Paz.

Ainda somos Livres, porque conquistamos esta Liberdade.

Talvez das Artes, o Teatro, tenha sido a q mais contribuiu para o desapoderamento do Regime Militar.

Ainda q até Hoje, mesmo diante da “Comissão da Verdade”, os velhos do Clube Militar ainda dominem e ocultem informações o máximo q podem.

Fomos torturados como muitos, mas fui preso e torturado com o Celso Lucas, o Cineasta, q depois, no Exilio em Portugal, montou comigo o filme “O Parto”, da Revolução dos Cravos, e filmou comigo a Independência de Moçambique no filme “25”. Nos colocaram um Capuz na Cara quando entramos nos Porões da Tortura no DOPS como tantos outros, torturados, exilados, encarcerados, assassinados.

Quando fui libertado, tiraram meu Capuz, e empurraram um Muro q virou uma Porta, q se abriu para a Zona da “Legalidade”, onde tive de fazer um teatrinho de um interrogatório pacífico, ainda q rondando a sala eu visse os Vodus Sergio Fleury e Nicolau Tuma e depois ficar mais um tempo numa prisão solitária até as feridas de minha tortura cicatrizarem. De lá fui solto, por uma Arte Manha do gênio do cinema novo: Glauber Rocha, q enviou da Europa um telegrama pedindo minha liberdade “assinado” por todas celebridades mundiais daquela época.

Esse esconder-se nunca foi o da Arte.

Enquanto formos livres vamos querer cada vez mais ampliar a grandeza da Liberdade nas Artes, q não tem o q ocultar – falo de onde minha Arte é mais presente, o Teat(r)o, contraceiando com o mundo – tanto o q está aí, quanto o q está na nossa subjetividade, no nosso inconsciente destapado do Boné do Super Ego. Claro, podemos nos esconder no Super Ego e viver todo o sentido q Freud criou pra não nos expormos em épocas como as do nazismo, por nossos excessos de expansão blibidinosa, vital, pra não sermos punidos. Mas nunca fui desta escola. Encontrei-me com Artaud, o curandeiro dos curandeiros do século XX, que através de seu Testamento proibido na França pós Guerra, sua peça radiofônica q encenamos no Oficina – “Pra dar um Fim ao Juizo de Deus” – inspirou os filósofos Deleuze e Guatari a escreverem “O Anti Édipo” e nos libertaram pra sempre desta tirania interna.

Nunca me dei bem com este Super Castrador na minha Cabeça. Em Cacilda !!!!! há uma Cena que o CORO de Antígone, coloca as mãos na cabeça e canta: “Sai Super Ego”, fazendo uma operação cerebral tirando a tampa da cabeça, com as próprias mãos.

Dizer q nos escondemos na Arte pra atuar com nossos crimes é mera projeção dos q vivem em armários e querem nos inculpar de seus próprios crimes.

Todas as Artes lutaram juntas contra sua eliminação na Ditadura Militar e assim passamos, nós artistas, a sermos um Poder diante do Poder dos q se alimentam do Crime maior, mais oposto à Paz, o óbvio – o Poder de fazer a Guerra, a Militarização da Sociedade. Isso acontece ou quando Cultura Humana incomoda, como foi de 1954, depois do suicídio de Vargas à 1964 – Golpe Militar financiado com os Dolarõe$$$ do Pentágono, ou depois, em 1967, quando surgiu a Tropicália no Retorno da Antropofagia, anunciando a grande revolução do “aqui agora” de 68, esganada no AI 5, sobretudo contra os Lugares de Movimentos Culturais.

Acontece também quando o Patrimônio da Nação se encontra mais miserabilizado q as escolas, os hospitais. A palavra Cultura foi castrada no Período Eleitoral em q todo os Direitos Humanos viraram Tabus, e não podiam constar das plataformas dos Candidatos com mais chances à Presidência.

Nestes tempos, na depressão, muitos se entregam pra ser suicidados em Paz ao sonho de submeterem-se ao Militarismo, aqui no Brasil ou no Isis Califado Mundial.

Soubemos sempre ver o que se esconde atrás das máscaras, das balas de borracha ou da bomba atômica, enfim, da Máquina de Guerra, q através dos Militares q se submetem à esta Máquina fartamente, são fomentados pelo Mercado e pela Especulação Financeira do Capital no século XXI.

Aí está o Crime contra a Paz Pública e a incitação ao Crime.

E também nos corpos dos, como os q conheci hoje –Procuradores da Injustiça, q pela incompetência de não aceitar a vida como ela é, tornam-se criminosos, sem nem mesmo saber das artes da revelação franca, contraditória, nada politicamente correta da vida, q afloram quando a Censura e o Terror são eliminados.

O Teatro, como todas as Artes, é uma trincheira da Paz, do reconhecimento do Poder Humano ao vivo sendo exercido a favor das delícias das Artes de Viver na beleza e na Adoração.

Eu hoje não podia falar, mas fui atingido pelo crime do Procurador contra todos nos Artistas Re-Existentes Permanentes na sua mania de liberdade de viver e morrer na loucura da Arte.

“a arte é livre e grande demais
pra ser julgada por nós
pobres mortais”

Foto_Mídia_Ninja

Talvez tenha sido o movimento dos artistas, sejam do jornalismo, do cinema, das artes plásticas, da literatura, do teatro, da música, da dança, das artes de negociação dos movimentos operários, das artes dos roceiros da Terra, no corpo a corpo com a PM, desde sua 1ª Infância depois do AI 5, dos censores, torturadores, q fez com q hoje ainda vigore o fim da censura, a Liberdade da Prática das Artes no Brasil, os Protagonistas na derrubada da Ditadura.

O q aconteceu hoje é um fenômeno deste fim de ano em q agora saem de suas tocas os q pedem novamente o retorno ao Golpe Militar.

Como foi o caso hoje deste procurador, q projetou nas Artes o Crime contra a Paz Pública e incitação ao Crime, querendo nos prender por algo q ele nem sabe o q é. Ele mesmo o Criminoso e o incitador ao Crime.

A Feitiçaria das Artes Livres não é pra ser provocada atoa, e assim, abre o processo q continua e nós todos torcendo pra q seja engavetado.

Zé Celso

SamPã, 5 de Novembro de 2014

CORIFEIA BACANTE
Ió Adora a Paz
Esta deusa adorada dá

CORO
Fartura!

ENTIDADE SOUL IFÁ
Comida dá,

CORO
Juventude!

CANTORA SOUL IFÁ
Pro rico
e pra gente pobre amargurada
inventou alegria embriagada,
da bacaneada
pra se deixar de padecer,
salvou o prazer
Não deixa passar,
detesta quem não quer
viver só delícias
e nos claros dias
e nos cios das noites
bacantes praticantes
sai…

CORO
À caça
à cata na fissura
da mais nova aventura
sempre mais, sempre mais, sempre mais,
mais uma!

ENTIDADE SOUL IFÁ
Sai Broxaria, Sai!

TODOS
Sai!

CANTORA SOUL IFÁ
Dos racioSignos,
orgulho do UniversOtário
Que eu saiba que o melhor
é o que é
mais simples
nessa eu estou
nessa eu vou!

(Atira-se sobre a Multidão se dando toda)

“O Jovem que se vê mimado e honrado como um deus pelo seu Amante
tem despertada em sí a Necessidade de Amar
e se antes, os seus amigos ou outra pessoas,
denegriram este sentimento
afirmando ser vergonhoso um tal
Consórcio Amoroso
e se estes Conselhos,
o afastaram de seu Amante.
o Tempo passa,
a Necessidade de Amar e ser Amado,
levam-no de novo aos Braços do Amante.

Não é Designo do Destino q o malvado ame o malvado,
e q o Homem Virtuoso não possa ser Amado pelo Homem Virtuoso.

Quando o Amado, recebe o Amante
q desfrutou de sua doçura e do seu convívio
compreende q o Afeto de seus parentes e amigos,
em nada é comparável
a um Amante inspirado pelo Delírio.

Assim vivem
se vêem
se tocam
ora nos Estádios
ora em Outros Lugares .

Assim nasce esta emanação q ZEUS
quando Amou GANIMEDES,
chamou DESEJO.

Esse Desejo se insinua no Amante
e quando este se encontra cheio dele
transborda,
assim, como um ZÉFIRO (a  brisa suave, a do Jonnhy Alf, o vento  agradável, forte mas suave, de todos o mais benfazejo, o dos  Evoés Speaking Low q fazem os Papagaios Subirem.)

ou um SOM
refletido por um Corpo sólido e polido,
BELEZA
 entrando pelos Olhos,
através dos quais atingem a Alma,
o q é natural,
retorna a Alma ao Belo,
estende as Asas,
e molhando-as,
as torna capaz de gerar novas Asas,
inundando também de Amor ,
a Alma do Amado 

O Amado ama,
mas sem saber o que,
nem sabe ,
nem pode dizer o q acontece consigo
assim como um condenado a oftalmía (olhos inflamados)
desconhece a origem de seu Mal,
assim tambem o Amado,
viu-se a si mesmo no Espelho do Amante
sem dar por isso.

Na presença do Amado,
a Dor do Amante esvai-se
e o mesmo acontece
com o Amado na presença do Amante.

Quando o Outro está ausente,
o Amante sente Tristeza,
e da mesma forma a mesma Tristeza
sacode o Amado,
porque ele abriga  o “REFLEXO DO AMOR”
acreditando contudo, q se trata de Amizade
e não de Amor.

Embora com menor intensidade,
deseja aproximar-se do Amante
vê-lo,
tocá-lo,
acaricíá-lo,
deitar-se ao seu lado,
e assim, não  tardará de satisfazer seu Desejo.

Enquanto está a seu lado,
o corcel do Amante tem muita coisa a dizer ao Cocheiro .

Como recompensa de tantos sofrimentos,
ele apenas pede,
um instante de Prazer

O Corcel do Amado nada diz
sentindo  algo q ele não  compreende,
toma o Amante nos Braços
e Cobre-o dos mais Ternos Beijos.

Não tem forças para recusar o q o Amigo lhe pede.
Mas o bom  Corcel resiste em nome do Pudor e da Razão.

Se a melhor parte da Alma sai Vitoriosa,
e os conduz a uma vida bem ordenada e filosófica,
eles passarão  o resto de suas vidas Felizes em Harmonía,
sob o comando da Honestidade,
reprimindo a parte da Alma q é Viciosa,
e libertando a outra, a Virtuosa.

E ao morrer recebem Asas
e ficam leves,
pois venceram um combate verdadeiramente Olympico.

Mas
se se entregarem a uma vida comum ,
sem Filosofia
e contudo Honesta ,
poderá suceder q o Dois Corcéis Rebeldes,
assumam o  Comando
Num momento de Embriagues
ou de Descuido
os Cavalos Indomáveis dos dois Amantes ,
dominando suas Almas pela surpresa
os conduzirão ao mesmo fim:
eles se entregarão ao tipo de vida
a mais Invejável aos olhos do Vulgo,
e se atirarão aos Prazeres
satisfeitos , gozarão ainda  os mesmos Prazeres,
mas raramente,
porque esses mesmos Prazeres
não terão  a aprovação da Alma.

Terão uma Afeição q os Ligará,
mas q será sempre menos forte do q aquela q liga  os q verdadeiramente se Amam.

Acalmado o Delírio,
ainda Sonham estar Unidos
pelos mais Preciosos Compromissos

Crem q seria Sacrilego
desfazer essa União
e abrir seus Corações ao Ódio

Terminada a Experiência Terrena,
as Almas abandonam os seus Corpos,
encerrando com Recompensa o seu Delírio Amoroso.

 A Lei Divina , não  permite aliás
áqueles q iniciaram juntos sua jornada Cósmica Juntos,
caiam nas Trevas Subterrâneas.

 Passam uma vida Feliz e cheia de Ventura,
numa Etherna União,
e ao receberem Asas,
recebem-na juntos,
em virtude do Amor q os uniu na Terra .

 São essas coisas divinas , Rapaz
q te darão o Amor daquele q Ama com Paixão.

O Amor q não  tem Paixão,
daquele q apenas possui sabedoria mortal
e se apega aos bens do mundo
só gera na Alma do Amado
a Prudência do Escravo
a qual o vulgo dá  o nome de ”Virtude”,
mas q o fará vagar,
privado de Razão,
na Terra
e sob a Terra
durante 9.000 Anos.

É esta óh! Amor!
a mais bela e Maior  Retratação q posso te oferecer como expiação do meu Crime.

Se o meu discurso foi demais Poético,
 a culpa cabe a FEDRO,
q a isso me obrigou.

Perdoa-me todos os outros  discursos
e recebe este com indulgência:
lança sobre mim um olhar benevolente e Amigo,.

Não esmoreças em mim
esta ARTE de AMAR,
de que tu me fizeste o Dom.”

A MAIOR ARTISTA DA CRÍTICA DA ARTE DO TEATRO BRASILEIRO, MARIÂNGELA ALVES DE LIMA, ESTÁ SENDO DEMITIDA PELO “ESTADÃO”

RAZÕES DA ARTEFOBIA DO PUBLICOMARCADO DO MERCADO? OU O Q?

Achei muito estranho o fato do “Estadão” estar demitindo a maior crítica de Teatro do Brasil: Mariângela Alves de Lima.

Mais que amor à primeira vista, com Mariângela senti no nosso primeiro encontro, na cena, atuando em “Gracias Señor”, a comunhão de uma irmã animal, que buscava naqueles tempos de escuridão, a Luz onde quer que ela se encontrasse.

Aliás o etherno Luis Antônio Martinez Corrêa, Luix, como pronunciam os meus irmãos, e entre eles o arquiteto João Batista Martinez Corrêa, são como ela, cancerianos, buscando sempre esta Luz, que esta minha outra irmã, em seus territórios de ação, percebo neste instante que escrevo, busca.

Nosso esbarrão foi em 1972, no auge da repressão da Ditadura Militar, no Teatro, no Subterrâneo do Ruth Escobar.

Tinham acabado de arrancar os dentes dos ferros piramidais de “O Balcão”, de Vitor Garcia, e o arquiteto Lina Bo Bardi, criadora da Arquitetura Cênica de “Gracias Senõr”, ou “Revolição – Lição de Voltar a Querer”, foi comigo ver o espaço.

Lina pirou!

Não tinha mais poltronas! Nas paredes, tijolos quebrados, desvestidos da massa corrida, formavam uma caverna arruinada! Um paredão de pé-direito muito alto, pintado de negro, mas todo descascando!

Era exatamente o espaço cênico em que nós brasileiros, aquele ano, estávamos confinados, postos à força contra o Paredão sem saída de Fuga. Nossa geração nas prisões, torturados nos porões encobertos por cenografias fakes de muros que escondiam as Portas de Entrada no Inferno e nos sanatórios em que se lobotomizavam os dissidentes.

Lina imediatamente deslumbrada sacou: “Não precisa fazer nada. A Arquitetura Cênica do “Gracias Señor” é esta, é o que a peça chama de TeAto, não mexam em nada!”

Em cena topei com Mariângela, na parte além da Morte do desejo reprimido, na Barca de Serafim, no Sonho da União dos Corpos, na Orgya.

Senti que estava diante de uma sensitiva. Mariângela, uma jovem de 24 anos, estava em transe lúcido: tremia, tinha os olhos transbordantes d’águas e um vermelho vinho vibrava vivo em todo seu Corpo.

Não estranhei nada quando voltando do Exílio comecei a ler suas extraordinárias críticas no Estadão.

Lia a mesma sensitiva, com percepção aguçada do cerne do que via: do teatro em si ou não, de cada peça que observava.

Mariângela nunca julgou ou julga, nunca “prestou serviço” para os clientes do jornal, como todos os críticos da época, inclusive a Velha Senhora Bárbara Heliodora, a grande Empregada dos valores do Teatro pequeno burguês.

Mariângela ilumina com sua sabedoria sensível. Especifica o fenômeno teatral “em si”, interpreta o que tem à sua frente, ilumina o trabalho dos Artistas.

Depois de suas críticas os nossos trabalhos como que ganham a tão necessária percepção do outro, do artista, do público amante da Arte em si.

Próximo a ela antes estava Ian Michalski.

Ela retoma a tradição dos grandes críticos, como Décio de Almeida Prado, Sábato Magaldi, Paulo Francis, mas já sem a crença que o teatro brasileiro havia começado com Padre Anchieta.

Nunca foi fundamentalista do teatro Realista, de costumes. Não é fundamentalista do realismo das peças para a classe média. Tem a a paixão pela ressurreição do Teatro como Grande Arte.

Será que foi demitida por estas qualidades de ser independente, não empregada do jornal e de grande parte dos leitores deste?

Mariângela é uma das raras artistas da Crítica.

Ela, que foi ver todas as peças do Teatro Oficina Uzyna Uzona a partir de “Ham-let”, coisa que os críticos que fazem parte do júri do Prêmio Shell e da APCT, atualmente já não  fazem. Viramos agora fantasmas, para estas pequenas mediocridades instituídas.

Nenhum crítico desses escreve mais sobre nosso trabalho, reconhecido mundialmente para a ressurreição do Teatro.

Ela viu e vê tudo. O Estadão tem outro crítico, que revelou-se um puxa-saco da família Mesquita, querendo rebaixar o teatro antropofágico para exaltar a dramaturgia realista do  maravilhoso diretor da EAD, Alfredo Mesquita.

Na Folha de São Paulo Nelson de Sá, Sérgio Sálvia, Mario Vitor, que enobreceram lá a crítica, foram sucedidos por críticos empregadinhos do jornal, e sem cultura teatral nenhuma. Até a chegada do ótimo crítico Luis Fernando Ramos.

Destes críticos ficamos com ele e Mariângela na ativa nestes últimos anos decisivos, em que apareceram Companias muito fortes em Sampa. Nem dá pra citar nomes, é uma Florada. O Teatro vive um renascimento ignorado pelo mainstream do Teatro de Costumes, teatro pequeno burguês de auto-ajuda, boa consciência, careta.

Toda esta revolução subterrânea, que não sai nos grandes anúncios horrendos dos Guias, está sendo percebida pelo olhar vidente de Mariângela como pontos luminosos prestes a iluminarem juntos o Eterno Retorno do Poder do Teatro como Arte, em Sampa Paratodos! Percebeu até essa revolução numa peça do Teatro Comercial: a última peça dirigida por Monique Gardenberg. Mariângela fez uma crítica que me fez ver o que não pude ver por estar trabalhando nos mesmos dias. Vejo que ela vê a Beleza que pode brotar até no mainstream global.

A escrita de sua crítica de “Cacilda!” – lembro-me de quando lemos – parecia jorrar em cachoeiras infinitas sobre nós. Chorávamos rindo de Alegria e Beleza do texto. Se ela sente Arte, ela multiplica em mais Arte.

Interpreta em vez de julgar, que é o que o Artista faz. Por exemplo: nos revelou na sua crítica da “Macumba Urbana Antropófaga”, que já não somos mais vingativos como o jabuti, mas estamos em 2011 a acreditar nos sinais. Colhendo palavras do texto de Oswald fez perceber ao público e a nós mesmos os rumos atuais do Oficina Uzyna Uzona.

A maioria dos nossos espetáculos ela foi ver duas, ou até três vezes, antes de sair a crítica. A da “Macumba” saiu no último dia da peça. Mas valeu pelo brilho poético do que percebe como Arte.

Neste dia o Teatro Oficina, no início da Macumba, estava lotado do lado de dentro, e fora estavam 400 pessoas.

Nós tiramos a peça de cartaz para reensaiar “Bacantes”, que faz o Gran Finale do “Ano do Brasil na Bélgica’, em janeiro de 2012, mas vamos voltar depois do Carnaval, com a crítica de Mariângela abrindo alas para as novas temporadas da “Macumba”. Como ela sempre demora pra escrever a crítica de nossas macumbas, ficamos putos, muitas vezes, mas quando chega, entendemos.

O tempo dela não é o do rebanho.

Mariângela é a Crítica Artista, o João Gilberto da Crítica do Teatro Brasileiro. Só cria em seu tempo, não de encomenda. É vital para o “Estadão” dar epaço para esta Crítica Artista. Ela é como João. O que produz nas letras, no jornal, tem a mesma maravilha da visão divina do criador da batida da bossa nova.

Porque desperdiçar um ser desta dimensão?

Ela fora do jornal vai continuar escrevendo por ser mesmo uma compulsiva grande Crítica de Teatro, como Harold Bloom, Ian Kott. Mas e nós que estamos criando o teatro de que a mentalidade pequeno burguesa do rebanho tem medo, não entende, nem quer entender? Como ficamos sem Mariângela num jornal da importância do “Estadão”?

E como fica o “Estadão” sem uma Artista desta vitalidade?!

Será um sintoma desta época que tem medo da Arte, que só pensa no rebanho mercantil, que vai se drogar no Teatro pra ver de perto os artistas de TV? Que tem horror e ódio do Teatro que fazemos? Que dão bandeiras até de artefobia, de oficinofobia?

É um fato histórico no Teatro-Arte Brasileiro esta demissão de sua melhor Crítica. É mais que justo que seja revisto pela direção do jornal, ou assumido como uma submissão à  pressão da mediocridade burra do público consumidor do Mercado de produtos descartáveis.

Submissão aos moralistas, aos que não querem o Teatro que toque nos Tabus do Desejo de todos nós bichos humanos, sem importar a classe social. Aos que não querem abandonar os privilégios de sua Imagem, de seu Padrão. Aos que não querem transfigurar-se com a Arte Libertária do Teatro. Aos que mantêm os padrões de opressão ao bicho humano que sai do seu papel miserável na Sociedade de Espetáculo, em pleno desabamento.

Eu gosto muito das páginas do Caderno 2. Adoro os dois críticos de Cinema e o Quiroga me dá sempre toques necessários. O Loyola, o Jabor, o adorável Daniel Piza – apesar de nunca ter aparecido no Oficina e ter um certo preconceito comigo – e todo o “time” de craques como Antoninho Gonçalves, Roberto da Matta, João Ubaldo Ribeiro, Marcelo Rubens Paiva, Luis Fernando Veríssimo, Jota B Medeiros (muito importante, nosso aliado), Ubiratan Brasil. Gosto da importância ganha pela Música nas páginas, etc…etc…

Mas pergunto: porque fazer isto com o Teatro? Com a Arte Teatral ?

Ela está emergindo com muita força, vinda dos terremotos da Era Capitalista Liberal, que nunca soube apreciar esta Arte.

A Arte que Mariângela cultiva, como a música de João, vem vindo, com a Economia Verde, saltando os obstáculos de sua chegada com a rapidez da Internet.

“Estadão”, por Cacilda Becker! Não cometa esta injustiça contra as leis de Antígone, as leis transumanas que a Arte de Teatro há milênios cultiva para o não desaparecimento da espécie humana, em extinção na caretice do rebanho.

José Celso Martinez Corrêa

Regente dos Coros do Teatro Oficina Uzina Uzona em direção à Arte do Teatro de Estádio Oswald de Andrade.