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 Estreia_Misterios_ Jennifer_Glass

 

No último sábado, 11 de dezembro de 2015, às 21h, o Teat(r)o Oficina participou da Programação da 1ª Jornada do Patrimônio em São Paulo, com a Encenação de Mistérios Gozósos, inspirado no Poema “O Santeiro do Mangue” de Oswald de Andrade .

A Secretaria da Cultura da Cidade de São Paulo, agora na gestão do arquiteto Nabil Bonduki, patrocinou o espetáculo.

Assim tivemos a Glória de receber uma Multidão de Graça pra conhecer, reconhecer o Espaço Tombado pelos 3 Órgãos de Proteção do Patrimônio do Brasil: IPHAN, COMPRESP y CONDEPHAT, em sua plena Ação Pulmonar d seus Ritos Teatrais .

Tão intensa, quanto muitas q os 54 anos do Teat(r)o Oficina tatuaram na História do Teatro Vivo Mundial. Toda a nova geração y eu mesmo, dos meus 78 anos, apreendi com o Público q lotava o Teat(r)o muito esta noite, sobretudo por ser um lance ligado à Jornada do Patrimônio, q depois de 21 anos ainda nos mostrou q podemos ir mais longe no Espaço q ocupamos.

Estou na Madrugada de véspera de um Ensaio da peça em Cartaz, em q vamos com toda a equipe multimídia plural do Elenco estudar o quanto podemos criar mais, nos Mistérios, depois desta noite.

Y tivemos a surpresa de uma extraordinária coincidência: Na mesma data, o Teatro Oficina foi considerado pelo Crítico de Arquitetura Rowan Moore, do The Observer/The Guardian, o melhor teatro do Mundo. Eu mesmo comuniquei ao Público esta notícia; os aplausos por este reconhecimento incendiaram novamente o TeAT(r)O Oficina.

Sei q é inimaginável pra muitos o Oficina estar à frente do Teatro Grego de Epidauro. Eu mesmo levei um susto. Como? O Oficina , na frente do Terreirão d Dionísios, o deus do Teatro?

Mas hoje, traduzindo o texto e Rowan pro brazileyro, entendi o q mais o impressionou: a intensidade, trazida por este espaço pela revolução no assistir Teatro, na visão da multiplicidade de perspectivas possíveis.

Há um verso q repetimos, cantando entre os vários quadros da peça:

Há um grande cansaço de explicar o mar…

A Dificuldade de, mais q nunca, nos dia d hoje, termos de explicar o inexplicável… q é o q é, o q esta sendo no Teat(r)o Oficina

Há 54 anos conseguimos, nós, tecno-artistas, manter vivo este lugar, com um inexplicável esforço, varando crises como esta dos dias y noites em q vivemos hoje.

Nessa noite, somada a esta notícia vindo do The Guardian, vislumbramos a possibilidade de pedir o Tombamento do Teat(r)o Oficina também pela UNESCO, visando o encontro de apoios do Poder Econômico, ou da Filantropia Internacional do Capitalismo, q numa atitude Perestroika, em sua decadência, nos possibilite um voo muito maior da Arte do Teatro no Brasil y no Mundo.

O Teat(r)o Oficina, seu Acervo Enorme Multimidias, até hoje trancafiado, y sua própria Ação Teatral noturna y diurna, em SamPã ou em qualquer lugar do mundo, pode trazer uma contribuição imensa pra transmutação dos valores q mantem o Mundo vivendo talvez a Crise mais Burra de sua História.

Pode até ser uma pretensão desmedida, mas tenho q clamar enquanto estamos vivos. Como, talvez, a imensa maioria dos seres vivos hoje no Planeta Vivo chamado Terra, estamos dando muito menos do q podemos dar, travados por “Preconceitos, Tabus…”, q, como disse Luiz Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança, na sua Última Entrevista ainda Vivo, “…têm Infernizado a trajetória da humanidade, até agora”.

Há um Tabú enorme em torno do Teat(r)o Oficina, q sufoca todos q, em cada geração, dão almas y corpos a esta transformação dos Tabus em Totens.

Há um grande cansaço em explicar o mar

Nesta mesma sessão de Mistérios Gozósos, um poeta, jornalista, crítico literário, dramaturgo com peças publicadas, q já escreveu sobre Augusto de Campos , publicou um livro chamado “A prova dos nove: alguma poesia moderna e a tarefa da alegria”, Professor do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp; sobretudo, um dos criadores da mais bela exposição q vi em minha vida, com fotos nos Ianomamis, de Viveiros de Castro, pois essa pessoa, logo depois de ter visto a peça, foi pro FaceBook y fez este comentário:

Minha ideia de pesadelo: ser submetido a uma peça de teatro que use, de forma canalha, as palavras e o nome do xamã yanomami Davi Kopenawa para defender o governo etnocida de Dilma Rousseff. Uma peça que minta para seu público que salvar a carreira política de Dilma é salvar a Amazônia. Uma peça que traga a voz e a cara de Jorge Mautner, garoto-propaganda daquele completo crime que é a hidrelétrica de Belo Monte, para propor Oswald de Andrade como o suposto criador de um “cristianismo do século XXI”. Uma peça que seja um tenebroso hino aos poderosos da vez, com o detalhe que seria irônico – se não fosse constrangedor – de ser patrocinada pela Petrobras, mas que acabe gritando, infantilmente, que “não tem arrego”. Ora, essa peça seria um arrego do início ao fim…Eduardo Sterzi

Este texto me chocou tanto, vindo de quem veio, pois Mistérios Gozósos, já em Oswald d Andrade, é um texto de muitas Vozes. Há uma belíssima tese com o nome de “CONTRAPONTO DE VOZES”: A BIOGRAFIA DE O SANTEIRO DO MANGUE, DE OSWALD DE ANDRADE, por
RENATO CORDEIRO GOMES, Professor de Literatura Brasileira (UERJ) e de Comunicação e Teatro (PUC-RJ), q aconselho a Eduardo ler.

Mas o q me impressiona mais é q a peça é uma Obra de Arte, não é um manifesto político. É difícil entender a cabeça de um ser humano com a formação de Eduardo, q nos chama de Canalhas, porque numa mesma peça, segundo ele,“usamos”o nome de Davi Kopenawa pra defender o governo etnicida de Dilma Rousseff”.

Há duas cenas no Poema de Oswald em q surge, na Roleta do Cassino do Comendador do Mangue, a personagem de Madame Bovary, feita magistralmente pela grande atriz Joana Medeiros.

A Primeira vez q aparece é em na “Oração do Mangue”, na mesma cena em q Davi Kopenawa é citado pela 1ª Vez, em q a Persongem de Madame aparece com o seguinte texto d Oswald: “Encontrei num Grande Hotel Lord Byron y Madame Bovary, y sobre eles erguido o Comendador do Mangue, erguido sobre o Mangue, tendo ideias” sobre a Crise, etc…

Na Cena a Personagem do Comendador do Mangue enraba Madame Bovary y Lord Byron, no alto da mais alta estrutura do Teat(r)o Oficina. A Personagem de Madame Bovary aparece copulando metaforicamente, com o Comendador, comprometida com Ele.

Já num quadro seguinte, Madame Bovary reaparece pra jogar no Cassino da Roleta Viciada q sempre termina de rodar no Vermelho 28, número q o Comendador sempre joga y ganha. No dia seguinte à instauração do Impeachment contra Dilma Roussef reescrevi esta cena, em q ficava explícita a situação do Impeachment, com todas as Personas envolvidas na inauguração – q chamei d Bolsacaro Infeliciano da Unha, concentradas numa Personagem criada pela grande atriz trans Wallace Ruy.

E depois, ainda, a pedido do ator mais jovem da Cia., inclui uma Cena sobre o “não arrego”.

Declaro aqui, como já assinei no Manifesto dos Artistas, q sou contra o Impeachment de Dilma. A Cena referida é uma Voz q não podia deixar de ser trazida em forma d Ópera de Carnaval. Em Madame Bovary, Joana Medeiros ainda trouxe as vozes tão faltantes de Darcy Ribeiro y de Lionel Brizola. O amado político antropólogo.

 Óbvio q sei da posição de Dilma diante da luta Indígena, d sua mentalidade desenvolvimentista, mas o q dizer das Personagens q querem seu Lugar? Vão ser muito melhor para os Índios q vivem no Brasil?

São Vozes q neste momento fazem parte da situação específica do País em q vivemos. Prefiro a liberdade d expressão e de investigação q rola no Brasil do q as ameaças dos q querem suceder Dilma.

Vivi a Tortura, o Exílio, na Ditadura y há um ano sei q vivemos sob a ditadura do Congresso mais asqueroso d toda a História do Brasil, responsáveis pela Crise Atual muito mais q Dilma, impedida de Governar.

No Teatro, nós, canalhas, não julgamos ninguém; a arte é livre do radicalismo político ideológico.

Me impressiona q justamente você, Eduardo Sterzi, com a cultura q tem, esteja tomado pela Cegueira do Fascismo Brasileiro do Ódio ao Bode Expiatório Dilma. Você, nos chamando de Canalhas, por sermos patrocinados pela Petrobras? Uai, você deve ter seu carrinho, eu não tenho. O belíssimo livro de Davi Kopenawa está editado em papel, pele arrancada da Floresta. Como Davi Kopenawa, também viajo d avião quando posso. Augusto de Campos recebeu título d Grande Poeta das mãos d Dilma. E é também contra o Impeachment.

Mas o q mais me surpreende é você estar tão cego q é incapaz de ler uma Obra de Arte d Teat(r)o: essa arte da própria contradição da alegria y tragédia, d estarmos vivos, além do bem y do mal.

Seu Ódio cheio de Juízo d Deus, tão estreito, tão burro mesmo… Assim você passa a fazer parte da onda d burrice q assola o Brasil.

Acorda cara, leia a crítica maravilhosa da peça feita pelo jovem crítico de teatro, o talentosíssimo Wellington de Andrade, da Revista Cult. (Leia aqui)

A Tua Voz, nos chamando d Canalhas, penso, vai ter q entrar nos Mistérios, pois deve haver muitos q estão tomados por esta onda d ódio policial em cima das Artes. Mas espero que você logo se liberte deste vodu.

Minha avó paterna é Índia. Eu uso sempre, mesmo na peça, um colar indígena.

Cultuo este meu DNA, como a parte mais amada d meu próprio corpo.

Na mesma noite q você viu a peça, uma jovem índia, Belíssima, veio me dar um abraço y um passe indígena, pra q minha pessoa não seja maltratada, como você faz comigo y com todxs do Oficina Uzyna Uzona

E concluo com:

E o mar q mais parece um caramujo sujo
Cor de chumbo
Plúmbeo
Há um grande cansaço em explicar o mar
Há um grande cansaço em explicar o mar
Há um grande cansaço em explicar
Há um grande cansaço
A Mar

Desejo q alguém leia este texto todo

Acho q vai ser pouca gente

Mas tinha q pôr tudo isso pra fora com tudo q sintomatizou em Cena este 12 d dezembro.

MERDA

Ió! Eduardo

envio a cena toda, mas pode ser cortada
mas o todo dá  o sentido do corte do “Amor” no lema de nossa bandeira, operado pelo
Marechal Deodoro da Fonseca – Falcão do Exército Brasileiro da linha dos “Jacobinos”,
durante a festividade da “Proclamação da República”.

É uma cena de teatro, mas os Historiadores contemporâneos consideram as Artes como documentos de Informação da História.

Acho muito importante seu projeto porque hoje mesmo nas Ciências Sociais
a “Afetividade” é considerada uma Categoria Politica de grande Poder nestes tempos de Violência, Guerra e Fetichismo Capitalista da Mercadoria, em que não se sabe mais o q é “uma pessoa”, mas somente quanto custa, o q nos torna comommodities de mais ou menos valor.

A Cena:


Q o Senado nos presentei no final deste difícil 2012

Desejo em sua atuação no Senado

MERDA