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Grandes jovens Pensadores como o jovem Psicanalista Tales Ab’Saber, o mais jovem ainda, Silas Martí, crítico de artes plásticas da Ilustrada, Rudifran, o dinâmico diretor da Cooperativa de Teatro de São Paulo, o jovem advogado Hugo Albuquerqueestão criando um Cerco de Amigos Dourados do Teatro Oficina ao $erco das Torres, feito de Inteligência, Amor à Vida, à Terra, em Indústrias Reunidas de Poesías como um Levante do Poder das Línguas da Cultura Brazileira y Mundial.

 

 

A cidade vista “pelo mais”

Por Guilherme Wisnik

O Teatro Oficina é hoje, em certa medida, ainda mais relevante do que foi nos gloriosos anos 1960. É o edifício radical de Lina Bo Bardi e Edson Elito, com sua generosa visão urbanística, que foi escolhido pelo jornal britânico “The Guardian”, no final do 2015, como “o melhor teatro do mundo”, à frente, inclusive, do anfiteatro de Epidauro, na Grécia.

Quando reaberto ao público em 1993, depois de 20 anos fechado, o novo Oficina passou a contracenar com uma cidade muito distinta da que existia no auge da contracultura e da repressão militar.

Hoje, ele se tornou não apenas um polo de experimentação teatral de vanguarda mas também uma importantíssima referência de urbanidade, na contramão da cidade-empresa neoliberal que se tornou hegemônica desde então.

Acuado pelo avanço especulativo que vai destruindo o bairro do Bexiga e ameaça emparedar o próprio teatro, o Oficina se associou aos movimentos de sem-teto do entorno, trazendo-os para o palco, passou a defender a gestão pública e coletiva da terra urbana com uma visão ecológica, propondo um parque e uma universidade no seu entorno, e colocou claramente os valores culturais, educacionais e de lazer como paradigma de resistência à pura especulação privada da terra.

Sua presença na cidade é, assim, essencialmente política.

O traço que une fortemente o Oficina aos movimentos por moradia, e que os torna muito exemplares, é a afronta ao sacrossanto direito de propriedade privada.

Zé Celso é antropófago. Atacado, ameaçado de desaparecimento, ele reage em grande estilo, querendo incorporar aquilo que é do outro: os terrenos do Grupo Silvio Santos. Não para o seu próprio bem, mas para o da coletividade. Sei que não é algo muito “razoável”. Mas representa a resistência necessária, e muito minoritária, hoje, contra o cálculo burocrático, contra a ideia de inevitabilidade do mercado, contra a desistência da política. Foi com a consciência antecipada disso, baseada em uma grandeza intelectual ímpar, que Aziz Ab’Saber tombou o teatro no Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), em 1982.

Hoje, o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) permite a construção de enormes torres vizinhas ao teatro. O que, se acontecer, obscurecerá a sua enorme fachada lateral de vidro, por onde passa uma árvore, soterrando sua dimensão urbana.

Sofrendo forte pressão do Ministério Público, o Iphan liberou a construção do empreendimento, em contradição aberta com o laudo de tombamento do teatro feito pelo órgão em 2010, alegando não ter instrumentos jurídicos para barrá-lo.

Trata-se de um processo crescente de judicialização da política, com consequências terríveis para as nossas cidades. Em nome de um suposto maior controle da sociedade sobre as decisões na cidade, acaba-se submetendo a política à burrice mesquinha da burocracia. É o que tem travado, também, muitas das importantes propostas urbanas da gestão Haddad.

Vamos assistir a isso de forma resignada, alegando que se conseguiu fazer “pelo menos” algumas ações paliativas? Ou vamos agir “pelo mais” e defender o Teatro Oficina e sua ambiciosa e exigente visão de cidade?

 

Da arte de celebrar e vilipendiar Lina Bo Bardi

Por Silas Martí

Nos últimos tempos, Lina Bo Bardi vem sendo redescoberta pelo meio artístico do Brasil e do mundo, inspirando mostras, livros e debates. No Masp, o resgate de seus cavaletes de vidro, que voltaram a fazer os quadros flutuar na galeria de pinturas do maior museu da América Latina, foi o gesto mais autêntico e radical da nova administração da instituição, mostrando que um olhar para o passado às vezes pode pavimentar a rota para um futuro menos cruel com a memória.

 

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Teatro Oficina, obra de Lina Bo Bardi, em São Paulo

Mas a confirmação recente de que o Iphan, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, deve autorizar em breve a construção de três torres de até 28 andares no terreno ao lado do Teatro Oficina, uma das obras mais poderosas de Bo Bardi, é um tanto chocante. Talvez mais chocante seja a justificativa esfarrapada desse órgão de que o tombamento que deveria proteger o teatro na Bela Vista diz respeito só ao interior do prédio e não à preservação da vista de seu janelão de cem metros quadrados. Letras miúdas à parte, os burocratas lotados ali parecem não saber que a transparência —nunca viram a Casa de Vidro?— é um dos maiores valores que pautam as obras dessa arquiteta. A construção de um paredão de prédios colado ao Oficina será a morte de sua maior virtude, que é ser ao mesmo tempo uma rua e uma plataforma cênica aberta à cidade, penetrada pela metrópole e ao mesmo tempo deixando vazar para a rua a fúria de seus espetáculos.

 

Não sou do time que resiste a qualquer mudança na cidade, nem acho que tudo deve ser cristalizado como está. Mas o Oficina precisa ser preservado, quem sabe ganhando a praça externa que Bo Bardi idealizou em vida. Entendo que o espaço é também protegido pelos órgãos de defesa do patrimônio do Estado e do município de São Paulo, o que atravanca um pouco os planos do Grupo Silvio Santos de construir suas torres ali. Acontece que com o aval da esfera federal, essas entidades regionais têm poder reduzido e podem acabar cedendo.

 

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Cavaletes de Lina Bo Bardi na Galeria de pinturas do Masp

É no mínimo paradoxal que Bo Bardi seja ao mesmo tempo celebrada e vilipendiada na mesma cidade, a São Paulo que absorveu sua obra do jeito desengonçado e atravessado que as coisas acontecem por aqui. Esse não deixa de ser mais um marco na paisagem que pode sofrer um arranhão. Evitar a construção de um paredão ali pode evitar o que já ocorre na Vila Mariana, onde um prédio gigantesco de escritórios foi construído atrás das casas que Gregori Warchavchik construiu na rua Berta, hoje quase esmagadas pelo vizinho. Pelo visto, a memória da arquitetura em São Paulo parece sobreviver só da porta para dentro, em fotografias, reproduções e resgates historicistas. Enquanto isso, empreiteiras vão reduzindo a pó pedaços da história da cidade.

 

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Perspectiva de como deve ficar o Teatro Oficina junto às novas torres

 

Estamos desaparecendo! Ou reagimos ou sumimos… puff!

Por Rudifran Almeida Pompeu

O IPHAN, órgão do Ministério da Cultura que tem a missão de preservar o patrimônio cultural brasileiro, diz que não tem instrumentos jurídicos para conter a mão pesada e endinheirada da especulação imobiliária e, com isso, declara sua incapacidade de preservar o Teatro Oficina das ambições milionárias da SISAN.

O “Oficina de José Celso Martinez Corrêa, o Oficina do escândalo brasileiro universal do Rei da Vela de Oswald de Andrade, o Oficina dos atores espancados por paramilitares em 1968, quando da encenação de Roda viva de Chico Buarque!” como bem disse o Tales Ab’Sáber.

Portanto, sugerimos ao Ministro Juca Ferreira que não entre nessa esparrela jurídica da impossibilidade instrumental sempre utilizada pelos poderosos para nos suprimir do mapa e que reaja com firmeza nessa ação que se torna emergencial e urgente.
Que o ministro se interponha de todas as maneiras junto a presidenta da republica e aos órgãos de governo para esse enfrentamento contra a especulação imobiliária que todos sabem servir de dinheiro as campanhas políticas de quase tudo quanto é legenda desse país! Que a luta pela preservação de nosso patrimônio seja mais forte que as forças financeiras que só visam o lucro e beneficies particulares.

Se isso não for possível, então que se feche o IPHAN já que não serve pra defender o óbvio…

Bora pra luta! Bora brigar um pouco, porque os governos sempre passam e nós continuaremos aqui. Seguimos na luta pelo não encaixotamento do oficina! ‪#‎juntoscomzecelso‬ ‪#‎teatrooficinaresiste‬ ‪#‎reageoficinauzinauzona‬

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foto: Nancy Mora

Sou Cégo d’Teat(r)o

q vê

da Terra do Bixíga

onde Teatro

em se plantando

sempre deu

a quem se dá 

mas…

q está $ercado

por $oldados Engravatados Executivos Executores

do Holocausto Repetitivo

do Direito Romano de Propriedade

q diferença existe

entre fundamentalistas destruidores de Santuários,

cortadores de Cabeças

y

os Fundamentalista$ da Especulação Imobiliária Néo Bandeirantes:

Caçadores Destruidores de santuários y cortadores d cabeças q não querem ser capturadas?

 

Estes pretendem destruir o último pedaço de terra livre do Centro d SamPã.

Pra isso tem de Cortar Cabeças

d Artistas,

d’ Autoridades d Defesa do Patrimônio,

d’ Jornalistas das Mídias, Midiinhas, Midionas,

d’ Cabecinhas, Cabeçonas

q não cabem nas suas toscas estruturas de captura:

no seu Carandirú Pobreza

“Trê$ Torre$ Prisões

Nessa Terra “perdida

há Cabeças Coroadas de Héras, se Fazendo ,

se dando às mitolo(r)gias

q os povos noite y dia

criam,

cantam,

dançam,

na terra

no ar

pássaros voadores

des-assombrando

pensamentos livres

q vôam

mas

q sabem se erguer do chão

com seus Bastões,

Tyrsos Báquicos

y conceber suas estratégias

num piscar da voz da

Marechal de Nossa Tropa:

Madame Morineau:

O Teatro Recuou, Meu Filho! Ohpuf …realmente…

No, No, No, assí no dá …

 

Ah! E aí, sentir o desejo de passar do “recuo” ,

ao AVANÇO

com seu Bastão de Bacantes y Satyrxs Guerreirxs

y

proferir na própria carne

a palavra mágica Ham-let:

AÇÃO

Estes tem o Phoder de enfrentar estes Exército$ de Pentheus y Drs. Abobrinhas

 

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foto: Mário Pizzi

 

Ió! Os Artistas de Todas as Artes

 

Ió! Gente q phala pra Gente,

Na língua direta de Gente,

 

Ió! Dytirambistas (todos os Tambores)

 Músicxs

Arquitetxs, Urbanistxs, Cientistxs, …

Façam esse favor pra todos…

Mas a Protagonização da Arte Aglutinadora Física dos Teatros onde Todos

os Teatros são nossos Teatros

é, quer se queira ou não,

a gente de teatro

mesmo combalida.

É só se apoiar no Tyrso d Dionisios y ficar de Pé Dançante

Somos peões satyrxs de SamPã

da Tropa de Choque Cultural q pode Acordar

no Bixiga

não só o Brasil,

mas o Mundo.

 

IÓ! Amantes d Dionizios do Mundo Inteiro,

Vamos criar uma Orgya da Arte d Teatro do Bárbaro Tecnizado Total da Terra!

 

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foto: Mário Pizzi

 

 

IÓ! Estrategistas d todas as Artes

 

IÓ! Amantes do estar em cena com o Público diretamente

 

IÓ! Anônimos nas revistas caras, esbanjando poder de aventureiros teatrais nos teatros de rua, cultivando as Metrópoles engasgadas quase subterrados;

 

IÓ! Cooperativas de Teatros q se tornam Comunas Teatais

 

IÓ! Celebridades de Televisão q tem Sangue de Teatro no Corpo

 

IÓ! Poder da Imaginação, d Atrizes, Atores, Palhaços do Brasil y do Mundo

 

Muitos me perguntam

como ajudar” ?

 

Não, ajuda”, não,

não tem “ ajuda

nem dar uma força,

mas atuar

até se espatifar

pra poder voar

 

IÓ! É o Xamado Báquico

À Massa d Sangue dos Corpos em Possessão q vem se juntar aos Posseiros impedindo os Carrascos da Propriedade Privada

É o q

TIRIAS

Vê hoje

 

Terça-Feira GORDA DE CARNAVAL DE 2016 em SamPã

 

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foto: Mário Pizzi

 

Amadxs Beth Viviani y Guilherme Wisnik

Antes de TUDO

Guilherme:

Teu texto é Maravilhoso

Corajoso

Claro

Luminoso

Inspirador

de TiZÉrias o Antropófago

nesta Terça Gorda de Carnaval

depois de te ler y quebrar meu útero coração de criar um Diário do $erco no meu Blogg, mas pra espalhar, não ficar lá dormindo …

Acordei hoje animado por Momo

Y inpirado em Vossos Textos:
Guile y Beth

Inaugurei um

Diário d “TyZÉrias $ercado

Mas há correção de um Erro de má compreensão desta Entidade q baixou em mim, desde q soube do $erco:

y Beth, foi você com teu corajoso, lúcido texto quem me fez ver, após você ler o texto de Guilherme, y me escrever y botar o dedo na contribuição enorme deste erro.

quando fui avisado à 22 de Janeiro deste ano de 2016, q este era o último dia do prazo para que a Presidente do Iphan, a Arquitetx e Urbanistx Jurema Machado, liberasse ou não,

à Sizan Empreendimentos Imobiliários” do Grupo Silvio Santos,

a construção das Gigantescas Torres, Prisões do Entorno Tombado do Teat(r)o Oficina; comecei a ligar desesperado pra pessoas mais próximas à luta por esse último terreno respirável de SamPã.

Liguei pra você meu amigo dourado Arquiteto Urbanista Guilherme Wisnik, no seu celular.

Você estava na Praia em Férias no Litoral da Bahia, eu devo ter dito por telefone a você Gui, q o Ministério Público era o responsável pela Ação de Reintegracão de Posse.

Acho q foi assim q eu, doido d TyZérias, recebi ou ouvi a notícia do $erco

Mas eu mesmo achava muito estranho q justamente este órgão q tem o papel de defender o Patrimônio Cultural do Brasil, tivesse tomado esta medida.

Somente antes do Carnaval, Juca Ferreira, Ministro da Cultura esclareceu minha cegueira, dizendo q se tratava de uma Ação da Justiça, vencida pela $isan e me aconselhou a procurar Nabil Bonduki Secretário Municipal de Cultura de São Paulo. Este teria informações mais precisas.

É o q eu vou fazer na 4ª Feira de Cinzas, mas acho q entendi. Tive conhecimento deste $erco quando já era aparentemente “vitorioso”, nem deu pra lamentar, porque não adianta reclamar do leite derramado.

Claro q se trata do famoso Direito de Propriedade Romano, o único direito q aprendi na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, como um Dogma, um Tabu, um Axioma Indiscutível, aquele em que ainda se baseia toda a Ordem Mundial Capitali$ta

Mas me recordo de uma citação em latim de um jurista do ex-Império: “ut eleganter Celsus dixit, ius est ars boni et equi” = como o elegante jurista Celsus disse: o direito é a arte do bom e do equitativo.

Nunca acreditei neste Mito da Propriedade Privada, e sempre vi a Justiça como uma questão de Interpretação, como no Teat(r)o, dependendo de cada situação concreta.

Grandes jovens Pensadores como o jovem Psicanalista Tales Ab’Saber, o mais jovem ainda, Silas Martí, crítico de artes plásticas da Ilustrada, Rudifran, o dinâmico diretor da Cooperativa de Teatro de São Paulo, estão criando como você Guile, como você Beth, um Cerco de Amigos Dourados do Teatro Oficina ao $erco das Torres, feito de Inteligência, Amor à Vida, à Terra, em Indústrias Reunidas de Poesías como um Levante do Poder das Línguas da Cultura Brazileira y Mundial.

Por isso no ontem do sempre hoje,

passo a palavra à minha amiga, escritora Beth Viviani:

“Por coincidência, depois de pensar em você e te escrever um email, leio agora à meia noite o texto do Wisnik na Folha.”

Aí , Yo, TiZÉrias intervenho, pois é o q me levou a entender a questão mais profundamente:

“Não entendi a ‘forte pressão do Ministério Público’ sobre o Iphan.

Baseado em que argumento o MP fez a pressão?

O que significa 

‘um suposto maior controle da sociedade 

sobre as decisões na cidade’?

Não é  o contrário?

Temos que fazer política.

O movimento do capital não pode ocorrer no vácuo.

Existem controles e regras que o poder público pode impor, que foram incorporados em legislações criadas pelos movimentos da sociedade ao longo da história.

Acho que há espaço e toda a legitimidade na defesa de nosso patrimônio cultural.

Ninguém vai pretender abolir a propriedade privada, mas ela deve se curvar à história da nossa cidade.

Me explica essa postura do MP.”

(ainda não sei do Caso na Justiça, sabendo ponho na Ágora)

Vitória na guerra!

Podemos usar esse bordão da novela sensação da Globo! 

 Querido Zé Celso = TyZÉrias,

enviei um recado para você e Marcelo pelo Whatsapp, no contato do Oficina que apareceu na lista. Mas vou repetir aqui o que falei. É grande minha preocupação com a decisão legal (?) sobre o destino do terreno que, por direito de cidadania, de prioridade cultural, de ocupação urbanística civilizatória de São Paulo, pertence ao Oficina e ao povo paulista.

Qual a reação mais adequada para reverter mais esse golpe do capital imobiliário e de autoridades servis?  

Citando a famosa frase,

o que fazer?

Nós, cidadãos revoltados, podemos fazer algo?

Estou neste momento em São Sebastião de férias, 

volto em torno do dia 22.

Com o afeto da

Beth Viviani”

Beth, muita gente me pergunta, só agora sei responder, TyZÉrias vai saber esta semana, é importantíssimo termos acesso aos Autos deste Processo, q redunda neste Crime Ecológico Cultural.

Dr. Gustavo Neves Fortes do Escritório de Advogados do Grande Criminalista Dr. Tales Castelo Branco está já investigando.

TyZÉrias 

EVOÉS

aziz

Zé Celso me pediu que eu relembrasse um pouco a ação política de meu pai referente ao patrimônio cultural paulista, e também brasileiro, de quando ele esteve à frente do Condephaat, no início dos anos de 1980.

Naquele momento travado da cultura política do Brasil, em que o processo de redemocratização se tonara irreversível, mas também parecia sempre adiado ao infinito pelos interesses bem incrustrados na ditadura militar, que parecia não querer acabar nunca, uma série de buscas políticas renovadoras emergiram desde a sociedade civil que, com um grande esforço pela diferença, e em luta constante contra o poder autoritário, manteve-se viva ao longo dos anos de 1970. Tais ações projetavam esperança em um tempo renovado que estaria por vir, e que, como todos sabemos, hoje podemos dizer que não correspondeu ao que se sonhava. No bojo deste movimento bem mais amplo, meu pai, geógrafo e cientista importante, com obra real que se tornou conhecida em todo mundo, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, assumiu o órgão responsável pela memória e a manutenção do patrimônio histórico e cultural do Estado de São Paulo. Ele presidiu o Condephaat por pouco mais de um ano, o suficiente para a produção de uma política fortemente renovadora do entendimento da ideia de patrimônio e do vínculo da gestão pública com a cultura viva, a mais viva possível.

Além de valorizar e buscar acelerar o processo de tombamento de bens tradicionalmente reconhecidos como patrimônio histórico, Aziz Ab’Sáber interveio em dois universos até então desconsiderados no âmbito da preservação, e mesmo do reconhecimento, de valores históricos materiais. Em primeiro lugar, ele promoveu o tombamento de importantes bens coletivos referentes a espaços ambientais de grande escala, de escala propriamente geográfica, como a Serra do Japi e todo o espaço natural remanescente de mata atlântica original da Serra do Mar de São Paulo, desde então felizmente preservada da desastrada intervenção humana – 91,5% da mata nacional foi destruída, e São Paulo, talvez por esta política, é o Estado que mais preservou algo da mata original, contida exatamente no setor da Serra. E, em um segundo e igualmente importante movimento, ele promoveu o surpreendente reconhecimento como patrimônio de bens muito recentes, modernos, ainda em processo histórico vivo e em pleno desenvolvimento, mas que implicavam grande impacto real, de importância irrecusável, na própria cultura brasileira contemporânea.

O exemplo máximo desta nova política foi o tombamento muito especial do Teatro Oficina. Me recordo quando meu pai, em um dia chuvoso me convocou – eu tinha 17 anos – para ir com ele ao Teatro, afirmando enfaticamente tratar-se de uma joia da cultura contemporânea, algo realmente importante. Ele queria de todo modo que eu conhecesse Zé Celso, com uma insistência que era relativamente rara em relação aos seus amigos. Fomos ao teatro, uma vez, para assistir a montagem experimental de Na selva das cidades em pleno espaço do canteiro de obras, daquilo que um dia viria a se tornar outra obra prima de Lina Bo Bardi. E fomos outra vez, em uma noite também muito fria, para uma projeção da filmagem de O rei da vela.

Quando cheguei ao teatro e me deparei com a situação de obra inacabada, que levaria ainda muitos anos para se completar, confesso que então não compreendi o avanço, hoje óbvio, da concepção de cultura que animava meu pai como preservacionista. Para mim, no imaginário conservador de um garoto protegido de classe média intelectualizada – às voltas com as primeiríssimas leituras de Machado, Oswald, Mário, Drummond, Borges, Flaubert, Kafka e Dostoievski, da poesia concreta brasileira, que animava muito os adolescentes da época, e ouvindo muito Caetano e The Clash – patrimônio ainda se referia vagamente a lugares construídos que implicassem em relevante qualidade artística, ou valor cultural, com originalidade histórica. Enfim, qualquer coisa antiga, importante e bonita. Era difícil entender como era possível se tombar, como patrimônio, um canteiro de obras.

Mas meu pai era maduro para estas coisas. Ele já sabia do impactante projeto de Lina Bo Bardi e de Zé Celso para o lugar – então apenas uma maquete – e partilhava fortemente da ideia daquela contribuição à cidade, antecipando o processo e protegendo o teatro dos inimigos já presentes na especulação imobiliária. De algum modo, ele já antevia aquele que seria o melhor teatro do mundo, como o jornal britânico The guardian escreveu a respeito do Oficina em 2015. Era um pacto histórico estratégico de forças e de homens muito diferentes entre si, a um tempo visionários e pragmáticos, que sonhavam mesmo com o atual Teatro Oficina Uzyna Uzona, e sua imensa contribuição à vida da desnaturada cidade de São Paulo.

Além disto, e o mais importante, meu pai me fez ver que aquela obra imensamente atrasada era de fato a representação presente, mas também em perpétua gestação, do Teatro Oficina: o Oficina de José Celso Martinez Corrêa, o Oficina do escândalo brasileiro universal do Rei da Vela de Oswald de Andrade, o Oficina dos atores espancados por paramilitares em 1968, quando da encenação de Roda viva de Chico Buarque! Era de fato, e principalmente, este movimento social e artístico limite, e contemporâneo, do mais forte e exigente do Brasil, que simbolicamente meu pai ajudava a “tombar” quando tombava o que era então o espaço em obras do teatro. A política cultural de patrimônio dava assim uma guinada espetacular, rumo à vida moderna e contemporânea brasileira. Talvez só o Teatro Oficina permitisse de fato tal passo, da criação real de uma nova política de patrimônio. Estes termos possuem todos afinidades eletivas internas.

Aquela ação cultural foi de extrema importância para que pudéssemos chegar a ter este melhor teatro de hoje, com o seu forte impacto na vida do bairro e da cidade. Pois, já naquele tempo, há mais de trinta anos, o teatro era acossado fortemente pelos imensos interesses imobiliários, muito grosseiros, que o cercavam, e que desejavam o seu próprio espaço. E estávamos ainda em uma ditadura militar, em seus estertores, mas que ainda colocava bombas em shows de 1º de maio com milhares de pessoas presentes. Sem o tombamento do movimento do Oficina, bem combinado entre o professor e os artistas, que não foi inteiramente fácil politicamente, talvez hoje nós não tivéssemos o incrível casamento de mais uma obra prima de Lina Bo com a paixão dionisíaca de Zé Celso, que ocupa e que anima o pedaço, mantendo viva a tradição radical moderna brasileira com suas obras fortes.

Como a atual e lindíssima montagem de Mistérios gozosos, baseado no “Santeiro do mangue” do patrono Oswald de Andrade, que comenta com rigor erótico máximo nossa atual situação contemporânea desoladora. Uma peça que fala exatamente a situação que aflige o Teatro mais uma vez. Sem aquela ação pública decisiva no início dos anos 80, daqueles homens de fato modernos, o Grupo Silvio Santos simplesmente teria vencido já na época, e todos nós teríamos perdido para sempre o Teatro Oficina, e tudo o que ele representa.

Era uma concepção de cultura e de vida pública mais radical, mais livre e muito mais relevante que animava aqueles homens, ao final da violenta ditadura militar de 1964-84 brasileira. Ela não passava de nenhum modo por uma cultura geral da mercadoria, mas pelo espaço público, pela arquitetura coletiva e de alto repertório, e pelo teatro crítico radical. Era um movimento político, envolvendo arquitetos, professores universitários, burocracia estatal e artistas, que sonhavam, e que ainda realizavam o melhor. E nós sabemos que aquele movimento fazia parte de um outro movimento, muito mais amplo, o da fundação de um novo e renovado partido nacional de esquerda. Naquele tempo, de algum modo próprio à época, as pessoas sabiam o que estavam fazendo e faziam exatamente o que tinham que fazer. De modo diametralmente diferente das ações erráticas, débeis, dúbias, quando não perversas do campo da política, e da política da cultura contemporâneas. Incluindo aí, agora, o já precocemente envelhecido, vencido pela adesão ao velho Brasil, grande partido de esquerda.

No final de 2015, conforme me contou um conselheiro do Condephaat, o meu amigo e historiador Pedro Puntoni, o Conselho barrou pela segunda vez uma tentativa do governo do Estado de São Paulo de adentar o perímetro tombado da Serra do Mar – por Aziz Ab’Sáber e pelo próprio Estado – para retirar água de um rio, ainda bem protegido no interior da Serra. Assim, mais uma vez, buscou-se somar um erro a outro: além do descaso com o sistema de abastecimento de água da cidade e do Estado de São Paulo, tentava-se destruir, como se fosse letra morta, o patrimônio público tombado do Estado, no caso, um raro patrimônio ambiental. Nas reuniões que barraram aquele processo, como agora, as ideias firmes, que não se enganavam sobre estas coisas, de Aziz Ab’Sáber foram evocadas, e a lei de proteção idealizada por ele foi, no último segundo, ainda protegida. Pedro Puntoni lembrou mesmo o preceito esquecido que Aziz professava: “Não temos o direito de penalizar as gerações futuras com os erros do presente, destruindo patrimônio ambiental que não nos pertence.”

Ao invés de finalmente dar andamento ao importantíssimo e totalmente esquecido Projeto Floram, realizado por uma grande equipe multidisciplinar na Universidade de São Paulo, e coordenado por Aziz Ab`Sáber, ainda em 1990, de reflorestamento sistemático e maciço do Estado de São Paulo e de todo o país, e assim manter e recuperar a flora, a fauna e as águas do Estado, se “pensou” em destruir mais um patrimônio coletivo, matando um rio, em detrimento das gerações futuras, que deverão pagar pela nossa regressão satisfeita, intelectual e ética, como pagamos hoje pelos grandes erros acumulados de nossa modernidade equivocada. Do mesmo modo, ao invés de se realizar um inteligente zoneamento ecológico e econômico da Amazônia, como meu pai escreveu em meados dos anos 90, o governo brasileiro, do qual ele se afastou nos últimos anos de sua vida cidadã, tem que explicar ao mundo, sempre e a cada ano, os constantes e massivos desmatamentos, em uma reiterada destruição de capital social, cultural e ambiental, incalculável, que visa apenas, mais uma vez, o capital privado imediato.

Do mesmo modo, observamos agora, ainda mais uma vez – após trinta anos do tombamento – a tentativa de liberar o espaço em torno do Teatro Oficina – uma obra prima da arquitetura mundial, um trabalho artístico e social de relevância histórica reconhecida, o teatro cuja energia circulante fez dele o melhor de todos, segundo os ingleses – para mais uma rodada de ataque especulativo ao bairro do Bixiga e à cidade de São Paulo. Mais uma vez, se busca reduzir o espaço cultural e público, o espaço da fruição estética e crítica, de experiência vital, para ocupá-lo com o espaço monótono e feio da cidade privativa, desde o projeto especulativo até o uso e a paisagem final, tão pobre.

O Brasil, e a cidade de São Paulo, não fizemos o trabalho de crítica mínima da produção ditatorial sobre as nossas vidas. Pois, ao invés de derrubarmos definitivamente o Minhocão – o elevado Costa e Silva – e tudo o que ele representa de ruim e mal para a cidade, e mantermos a importante praça agregada aos trabalhos profundos do terreiro eletrônico do Teatro Oficina, queremos mais uma vez encarcerar o Teatro com prédios paupérrimos, para a produção mais comum da cidade ruim de todos os dias. A mesma cidade que alimenta hoje os homens muito ruins, política e intelectualmente, de todos os nossos dias.

Tudo parece indicar que, pelo menos em outros tempos, com o trabalho de homens e mulheres como Zé Celso, Lina Bo Bardi e Aziz Ab’Sáber – e ainda tantos outros – o Brasil foi, ou buscava ser, um país inteligente e generoso. Bem mais do que o país muito discutível, esperto, arrogante e oportunista, para não dizer burro, que nos tornamos hoje.

 

Tales Ab’Sáber,

psicanalista , Professor da Universidade Federal de São Paulo.

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O Teat(r)o Oficina visto a partir do seu entorno: terras demarcadas pelo próprio processo cultural teat(r)al nelas cultivado. Foto Markus Lanz.

Há 58 anos o Teat(r)o Oficina cultiva a cultura no número 520 da rua Jaceguay, no Bairro do Bixiga y seu entorno. Há 34 anos lutamos contra o massacre predatório da especulação imobiliária no bairro, baixado, incorporado, no capital do grupo Sisan, empreendimento imobiliário – braço armado da especulação imobiliária do grupo Silvio Santos.

A partir de 2010, quando o Teat(r)o Oficina foi tombado pelo Iphan, o próprio Silvio Santos colocou francamente a questão: Já q a partir de agora, não podemos construir mais nada em nosso Terrenoeu não desejo empatar o trabalho de vocês, nem quero que vocês empatem o nosso, proponho a troca do terreno de propriedade do grupo por um terreno da união do mesmo valor. 

Diante dessa proposta, boa parte dos representantes do poder público deram início a uma articulação política para que a troca fosse feita, e o terreno do entorno do teatro tivesse destinação pública e cultural. Neste mesmo ano, foi estabelecido um contrato de comodato entre o Grupo Silvio Santos e a Associacão Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. A ocupação do Terreno teve início através de um Ritual Teatral: uma Tenda de 2.000 lugares para o Público foi levantada pra que se encerrasse a Temporada Nacional das “Dionizíacas 2010”, com a encenação de “Bacantes”, O Banquete”, “Cacilda!! Estrêla Brazyleira á Vagar”.

Na Estréia ox atorexs y  Público em Cena no Nô Japonês “ Taniko”,  derrubaram os  Muros do Beco sem Saída q limitavam a Pista do Teat(r)o Oficina, Rua Lina  Bardi e, atuando, descendo uma longa rampa, pisaram  nas terras do Entorno Tombado pelo Iphan, penetrando na “Taba do Rito”. Há 5 anos, o Terreno vem sendo cultivado e cultuado pelo Público nos Ritos Teatrais do Oficina Uzyna Uzona.

No entanto, desde 2009, uma parte do grupo Silvio Santos vem tentando aprovar seu atual empreendimento imobiliário – as torres residências, nos órgão de preservação do patrimônio. O IPHAN, órgão de preservação do âmbito federal, vinha impedindo a aprovação do empreendimento. Esta deliberação ganhou um prazo limite para o dia 22 de janeiro, caso contrário, o Iphan está ameaçado de multa pelo grupo especulador, decidida no Ministério Público.  

Diante da situação, o Iphan manifestou não ter instrumento jurídico para barrar o empreendimento, mas hoje re-existe, convocando representantes do poder público aliados e diretamente envolvidos no processo de defesa do patrimônio cultural, sobretudo ligados aos movimentos da Troca de Terrenos do Entorno do Oficina, por um Terreno da União, para uma reunião nesta data limite da deliberação: hoje, 22 de janeiro.

O Objetivo é criar uma estratégia, numa articulação conjunta dos órgãos de preservação do patrimônio federal (IPHAN), municipal (CONPRESP), secretaria municipal de cultura, ministério da Cultura, SMDU (secretaria de desenvolvimento urbano) para dar a única destinação possível para este último pedaço de terra do bairro do Bixiga: área demarcada pública, de uso estético, cultural, político e Ritual.

As Terras do Oficina são terras demarcadas pelo próprio processo cultural teat(r)al nelas cultivado, permanentemente florescente, em cada estação.

O projeto atual da SISAN encaixota o teatro e encerra o janelão de 100m² na escuridão com a proposta de um empreendimento imobiliário de impacto incalculável, tanto na obra de arte feita por Lina Bo Bardi e Edson Elito: considerada no fim do ano de 2015, pelo The Guardian, como o melhor teatro do mundo, quanto ao Corpo de Artistas de Muitas Gerações que criaram esta Companía de Artistas de 58 anos, em Permanente Mutação Geracional, cultivando estas terras com uma revolução Teat(r)al.

Os órgãos de preservação alegam, a primeira vista, não ter instrumentos jurídicos para deliberar contra o empreendimento, mas claramente o projeto entope as ruas do Bixiga com uma frota nova de carros, descaracteriza o traçado original e tombado do bairro e assombra uma sobreposição de áreas envoltórias de bens tombados, formada pela Casa da dona YayáTBC Teatro Brasileiro de ComédiaTeat(r)o Oficina, Vila Itororó e conjunto de sobrados da rua Japurá.

A aprovação das torres certamente escancara como nunca antes o bairro do Bixiga para a entrada da especulação imobiliária, sobretudo porque o projeto vem aparelhado com o lançamento a toque de caixa de um edital para leiloar os baixos do viaduto Julio de Mesquita Filho, em frente ao teatro, rasgando boa parte do bairro do Bixiga, criando uma verdadeira cicatriz urbana.

O edital, parece que vindo da Prefeitura, entrega a área ao maior capital oferecido para explorar comercialmente os baixos do viaduto, num projeto que nem sequer obriga a empresa vencedora a conhecer o espaço terreno; se caracteriza assim um movimento de capitalização voraz de qualquer terra pública que se aviste, como se toda terra precisasse se tornar lucrativa para atender o que o poder público chama de “revitalização”. Levados pela paranóia econômica de que diante do dito caixa zero dos cofres públicos, toda a sobra de espaço que ainda re-existe em são Paulo precisasse ser entregue à iniciativa privada, para o mercado ditar o destino das terras públicas e da cidade, o que se cria é uma situação permanente de violação e submissão da cultura ao capital.

Trazemos agora a presença de Aziz Ab’Saber, o geógrafo q foi presidente do Condephaat nos anos 80 e ao mesmo tempo Tombou a Serra do Japí, o Teat(r)o Oficina e um Território Indígena em São Paulo.

Quando as pessoas que ocupavam cargos de proteção cultural diziam a ele que não tinham Poder, ele refutava com seu próprio exemplo, declarando que o Poder é de quem o exerce. 

Em 2010, junto com o tombamento do Oficina pelo Iphan, outros dois tombamentos foram aprovados. Um deles protege 14 bens da imigração japonesa no Vale do Ribeira, em São Paulo – fábricas, igrejas, casas e até as primeiras mudas de chá Assam (preto) plnatadas no Brasil, em 1935. Também foram protegidos dois lugares considerados sagrados por índios do Alto Xingu, no Mato Grosso – o Iphan atendeu a pedidos das etnias waurá, kalapalo e kamayurá. Os dois lugares, chamados Sagihengu e Kamukuwaká, fazem parte do Kwarup, a maior festa ritualística da região.

Mirando-nos no exemplo da atuação de Aziz Ab’Saber, temos a certeza de que hoje, os representantes do Poder do Patrimônio Cultural, Brasileiro e de São Paulo, que se reúnem nesta Capital do Capital, encontrarão medidas que impeçam que o Poder do Capital Especulativo, camuflado em argumentos jurídicos, massacre o Poder Cultural da Justiça, em sí.

O Poder Político Humano dos que ocupam os Órgãos de Patrimônio referidos, tem no dia de hoje o apoio de todos que acreditam no Poder da Cultura e da Inteligência da Criatividade Humana para a resolução das equações mais ameaçadoras da Crise Econômica.

Antes de tudo, vivemos pra transmutar uma Crise que é, muito mais que econômica, uma questão Cultural e Política. Crise é momento de Criação de novos caminhos para um novo tempo.

Hoje, a perspectiva que o poder público precisará ter, é da Cultura e não do direito como paradigma da Política; e do Teatro como Paradigma de Vida.

Assino em baixo:

José Celso Martinez Corrêa – 78 anos, Presidente da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona

Essa entrevista foi feita com o jornalista Miguel Arcanjo Prado em dezembro de 2015, para o Portal UOL, que a publicou com algumas edições. Agora, ela segue aqui na íntegra:

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Zé Celso em cena de Mistérios Gozósos. Foto Jennifer Glass.

Por que você resolveu recriar Mistérios Gozósos neste momento?

Pra trazer pra este coito interrompido q estamos vivendo o olho d´água da renovação permanente da vida, q é o Gôzo Gozado d quem todos somos filhxs, em suas Gotas antropogafiadas pelos Mistérios da Boceta d nossas mães; ou, simplesmente, ejaculado por prazer de semear alegria na Terra.

Como a peça Mistérios Gozósos dialoga com o Brasil atual?

Ela não dialoga, ela nutre nossos corpos cansados d explicar o mar, q batizamos d A Mar; mas esse nós não somos nós do Oficina UzynaUzona, somos todos os habitantes dos versos d Oswald: “Há um grande cansaço d explicar o mar…”, q termina na Mar d Amar

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Roderick Himeros e Carina Iglecias em Mistérios Gozósos. Foto Jennifer Glass.

Qual sua percepção do atual momento sociopolítico (a tentativa de processo de impeachment contra a Dilma, a carta pública do vice-presidente)? Você teme um retrocesso democrático?

Ele já esta aí, desde o dia 26 d outubro, quando a direita passou raspando, mas perdeu a eleição. Há uma ditadura no Congresso, q já nascia da onda d ressentimento, ódio, revanchismo d não saber perder. Temos é q nos livrar desta Ditadura q continua do período Civil Militar d 64 até agora.

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Joana Medeiros vive Madame Bovary. Foto Jennifer Glass.

Você coloca a bancada BBB, Bíblia, Bala e Boi em Mistérios Gozósos. Por quê?

Porque parece uma peça Gozada de Brecht, essa união de Pastores Gangsters q privatizaram o Congresso pra exercer uma ditadura q esculhambou com a Economia y a Política do Brasil. Y como o Nazismo, vai acabar mal, devia desde já ser Impichada.

 O que você achou das ocupações das escolas pelos estudantes pelo não fechamento das unidades, conseguindo fazer o governo estadual voltar atrás?

Não arregramos e continuamos não arregrando, já sacou q isto está acontecendo no Brasil? Y as mulheres q não aceitam a criminalização da liberdade d seu próprio corpo! Y os Sem Teto! Y o povo do Teatro não de Shopping, mas d Rua?!

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Sylvia Prado é Lurdz, a Paulista. Foto Jennifer Glass.

Por que resolveu manter Mistérios Gozósos em cartaz no Natal e no Ano-Novo?

Porque estamos com esta peça q é um Auto de Natal do Catolicismo Antropofágico do Brasil do Século XXI. Ela já foi feita aqui no Natal d 1994. No Reveillon vai ser maravilhoso. Quando der Zero Hora, estaremos com as Pessoas q vierem pra festa, cercado de 20 minutos dos Fogos de toda SamPã, por todos os lados. Lindo!

Este ano é atípico: sentimos que, desde o Público q veio estar conosco em “Pra Dar um Fim no Juízo de deus”, d Artaud y, logo a seguir, com “O Banquete”, d Platão, tivemos o Oficina sempre lotado. O Povo q está vindo ao Teat(r)o Oficina neste ano de 2015 y a todos os Teatros de Rua d SamPã, sente q Teat(r)o junta pessoas q buscam uma transmutação Antropofágica. O teatro desde Dionísios é uma Arte Antropófaga q junta, mistura, come y dá de cumê tudo igual à cidade de SamPã – não São Paulo.

Nestas datas, y mais a do aniversário desta Cidade, dia 25 d janeiro de 2016, estaremos festejando.

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Mariana de Moraes (Eduléia) e Marcelo Drummond (Jesus das Comidas)

Quais são seus planos para o Oficina em 2016?

Estar respirando, descascando os Pepinos d saber como vamos criar na dureza geral, em todos os sentidos, os Poemas Teatais na Terra Sagrada do Teat(r)o Oficina. Cuidar desta Obra d’ Arte Arquitetônica Urbana y dar continuidade ao q está sendo gerado no Mangue Sertão, dos Mistérios Gozósos.

O que não dá? O que você deseja para o Brasil em 2016?

Desejo muita Libido pra florescer a Vida de todos os Direitos y Desejos Trans Humanos, Humanos d nós todos Mamíferos, Bactérias, Minerais, Florestas, de toda essa Humana demasiadamente humana, Terra.

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Camila Mota e Marcelo Drummond em cena de Misterios Gozósos. Foto Jennifer Glass.

O que um ator precisa ter para ser do Oficina?

Palhaço Curioso

Por que você faz teat(r)o há tanto tempo?

Por Amor aos Fatos; aconteceu assim y vou fazer até desapare-ser, porque, até esse instante, minha vida é Teat(r)o d SamPã y do Mundo, d Pan, q tem Tudo incluso, o Tudão, como João Gilberto chama o Universo y tudo q existe – e q dá pra ver lá do Oficina, do Janelão de Vidro: a Cidade, a Lua, a Chuva, o Sol. Enfim, o “tudão”.

Qual a coisa mais importante no mundo para você?

Estar aqui agora, doido pra beber um vinho, brindando a você y a quem for ler esta entrevista na íntegra no UOL.

Por quê?

Parece que teatro é sempre aqui agora, a gota q goza.

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Teat(r)o Oficina em foto de Marcos Camargo

The 10 best theatres The Guadian -11 december 2015

From gilded music halls to ancient stone, the Observer’s architecture critic presents his choice of the world’s most stunning stages

Rowan Moore

1 | Teatro Oficina

São Paulo, Lina Bo Bardi, 1991

A long, narrow, street-like space

in the burned-out shell of a former theatre

that is watched by a wall of galleries built out of scaffolding.

Built to serve the orgiastic performances of the theatre’s creator Zé Celso,

who has claimed that the idea for the open plan came

when, on an acid trip and running from the police,

he found himself trapped against a solid wall.

Teatro Oficina has challenging sight lines,

hard seats

and is very much not the shape theatres are meant to be,

but is all the more intense for that.

……………

Tradução pro Brazylero:

Os 10 melhores teatros “The Guadian “-11 d dezembro d 2015

A partir de salas de música douradas a pedra antiga ,

crítico de arquitetura do Observer apresenta sua variedade de cenários mais deslumbrantes do mundo

Uma longa, estreita rua,

como um espaço na concha (estrutura) queimada de um antigo teatro.

É assistido

por uma parede de galerias construídas a partir de andaimes.

Construído para servir as performances orgiásticas do criador do teatro Zé Celso,

que afirmou que a ideia para o plano aberto

veio ,quando, em uma viagem de ácido e fugindo da polícia,

encontrou-se preso contra uma parede sólida.

O Teatro Oficina mudou as linhas de visão,

com perspectivas desafiadoras,

assentos duros

e é muito mais,

não os teatros na forma q pretendem ser ,

e exatamente por isso,

 é o mais intenso

Leia o artigo original do The Observer/The Guardian aqui.